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Revista da Associação Médica Brasileira

versão impressa ISSN 0104-4230

Rev. Assoc. Med. Bras. vol.56 no.5 São Paulo  2010

http://dx.doi.org/10.1590/S0104-42302010000500024 

ARTIGO DE REVISÃO

 

A hepcidina como parâmetro bioquímico na avaliação da anemia por deficiência de ferro

 

Hepcidin as a biochemical parameter for the assessment of iron deficiency anemia

 

 

Andrea dos Reis LemosI; Lorene Aparecida Silva IsmaelI; Claudia Carvalho Maltese BoatoII; Maria Tereza Frota BorgesIII; Patricia Helen de Carvalho RondóIV,*

IGraduação em Nutrição - Mestranda da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Universidade de São Paulo, São Paulo, SP
IIMestranda da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo, São Paulo, SP
IIIMestre em Nutrição - Doutoranda na Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo, São Paulo, SP
IVLivre-docência - Professor Doutor do Departamento de Nutrição, Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo, São Paulo, SP

 

 


RESUMO

A anemia por deficiência de ferro caracteriza-se como o mais prevalente problema nutricional em todo o mundo. Nesta revisão reuniu-se informações a respeito do metabolismo da hepcidina, avaliando-se seu valor como parâmetro bioquímico na anemia por deficiência de ferro. Realizou-se um levantamento bibliográfico nas bases de dados PUBMED e LILACS, período 2006-2010, referentes à hepcidina como um biomarcador para a regulação do metabolismo do ferro. Foram localizados 35 estudos publicados em revistas internacionais e um estudo sobre o assunto em revista nacional. A produção de hepcidina é regulada homeostaticamente pela anemia e hipóxia. Quando a oferta de oxigênio está inadequada ocorre diminuição do nível de hepcidina. Consequentemente, maior quantidade de ferro proveniente da dieta e dos estoques dos macrófagos e hepatócitos se tornam disponíveis. A hepcidina possui a função de se ligar à ferroportina, regulando a liberação do ferro para o plasma. Quando as concentrações de hepcidina estão baixas, as moléculas de ferroportina são expostas na membrana plasmática e liberam o ferro. Quando os níveis de hepcidina aumentam, a hepcidina liga-se às moléculas de ferroportina induzindo sua internalização e degradação, e o ferro liberado diminui progressivamente. Aparentemente o desenvolvimento do diagnóstico e terapia da anemia baseados no bioindicador hepcidina pode oferecer uma abordagem mais efetiva. Estudos epidemiológicos são necessários para comprovar o valor da hepcidina no diagnóstico diferencial das anemias, incluindo protocolos de amostragem para análise, com padronização similar às utilizadas em outras avaliações bioquímicas, e estabelecimento de pontos de corte para a expressão urinária e plasmática desse peptídeo.

Unitermos: Anemia. Ferro. Parâmetros.


SUMMARY

Iron deficiency anemia is the most prevalent nutritional problem in the world. Information on the metabolism of hepcidin and its possible significance as a biochemical parameter for assessment of iron deficiency anemia is reported in this review. A literature review was carried out in the databases PubMed and LILACS, between 2006-2010, assessing hepcidin as a parameter for the regulation of iron metabolism. During this period 35 studies were published in international journals and one study in a Brazilian journal. The production of hepcidin is homeostatically regulated by anemia and hypoxia. When oxygen supply is inadequate the level of hepcidin decreases. Therefore, more iron from the diet and from the stock of macrophages and hepatocytes becomes available. Hepcidin links to ferroportin, regulating iron release to plasma. When the hepcidin concentrations are low, the molecules of ferroportin are exposed on the plasmatic membrane and release iron. When hepcidin levels increase, hepcidin binds to molecules of ferroportin inducing its internalization and degradation and iron release gradually decreases. Apparently, development of diagnosis and therapy for anemia based on the parameter hepcidin may provide a more effective approach. Large-studies are needed to demonstrate the importance of hepcidin for the differential diagnosis of anemia, including sample protocols for analysis, with standards similar to those used in other biochemical evaluations, as well as the definition of cut-off points for the plasma and urinary expression of this peptide.

Key words: Anemia. Iron. Parameters.


 

 

Introdução

Metabolismo do ferro e da hepcidina

O ferro é um elemento essencial para quase todos os seres vivos. Caracteriza-se como um componente-chave funcional de transporte e armazenagem de moléculas de oxigênio como a hemoglobina e a mioglobina, e de muitas enzimas que catalisam as reações de óxido-redução, necessárias para a geração de energia e a produção de diversos intermediários metabólicos para defesa do organismo1-3.

Em todas as espécies, a concentração do ferro nos fluídos biológicos está estreitamente regulada para prover o ferro quando necessário, e evitar a toxicidade, considerando-se que o excesso de ferro pode levar à formação de espécies reativas de oxigênio (EROs) e a sua diminuição pode levar à anemia4,5. Assim, a manutenção dos estoques de ferro é essencial, porque muitas dietas humanas contêm apenas o suficiente para substituir as pequenas perdas de ferro. E quando o consumo de ferro é mais abundante, aparentemente a absorção é adequadamente controlada 6,7.

A deficiência do ferro pode ocorrer pela inadequação da ingestão dietética, pelo aumento das necessidades fisiológicas do nutriente e/ou pelo aumento das perdas, podendo ocasionar a anemia.

A anemia é reconhecida como o problema nutricional de maior magnitude no mundo, acometendo sobretudo mulheres no período fértil e crianças menores de dois anos de idade 8. O mesmo quadro é descrito em estudos nacionais 9-12. Dados da última Pesquisa Nacional de Demografia e Saúde da Criança e da Mulher revelaram que 20,9% das crianças e 29,4% das mulheres brasileiras têm anemia 13.

Por este motivo é grande o interesse em pesquisar métodos eficazes para o diagnóstico da anemia por deficiência de ferro.

Estudos recentes têm avaliado a utilização da hepcidina como um biomarcador da regulação do metabolismo do ferro. A hepcidina tem-se apresentado como o principal regulador da homeostase do ferro e um provável mediador da anemia, de doenças crônicas e inflamação. Este papel tem sido amplamente comprovado em uma série de estudos recentes14-18, existindo um enorme interesse em quantificar os níveis circulantes de hepcidina em amostras clínicas19.

 

Objetivo

O propósito deste trabalho é reunir informações a respeito do metabolismo da hepcidina e sua avaliação como parâmetro bioquímico para a quantificação do ferro absorvido em indivíduos que possuem anemia por deficiência de ferro.

 

Métodos

Realizou-se um levantamento bibliográfico no período 2006 2010 mediante consulta à base de dados PUBMED (National Library of Medicine's Medline Biomedical literature) e LILACS (Literatura Latino-Americana e do Caribe) utilizando "hepcidin" como descritor de assunto (MESH) e como termo livre, respectivamente. Localizou-se 501 artigos sobre o assunto; 500 publicados em revistas internacionais e um estudo em revista nacional.

Selecionaram-se as publicações científicas em inglês e português, que se referiam à hepcidina como um novo biomarcador para a regulação do metabolismo do ferro. Foram excluídos os estudos que relacionavam a hepcidina a hemocromatoses, talassemia, anemia por inflamação e por doenças crônicas, restando 36 estudos; 35 publicados em revistas internacionais e um publicado em revista nacional 20.

A expressão da hepcidina relacionada a anemia por deficiência de ferro

Desde sua descoberta, o número de pesquisas relacionadas a hepcidina têm aumentado consideravelmente. A hepcidina é um hormônio peptídico circulante composto por 25 aminoácidos, sintetizada no fígado e detectável no sangue e na urina 3,21.

Como o principal regulador sistêmico da homeostase do ferro, a hepcidina coordena a utilização e armazenamento deste mineral no organismo4. Atua na inibição da absorção intestinal e na liberação do ferro por macrófagos e enterócitos16,17, sendo o mediador no ciclo da absorção do ferro entre o fígado e o intestino 22-24.

A determinação das concentrações da hepcidina pode ser utilizada para diferentes diagnósticos de anemia, como a anemia por deficiência de ferro, caracterizada por níveis reduzidos deste hormônio. Em princípio, dosagens de hepcidina poderiam complementar os indicadores mais utilizados de reservas corporais de ferro total, como o ferro e a ferritina séricos2,25,26, além de outros como receptor de transferrina, saturação de transferrina e zinco protoporfirina27.

A homeostase do ferro é regulada por dois mecanismos principais: um deles intracelular, de acordo com a quantidade de ferro que a célula dispõe, e o outro sistêmico, onde a hepcidina tem papel crucial 20,28.

Grande parte do ferro absorvido proveniente da dieta ou reciclado a partir da hemoglobina é destinada ao desenvolvimento dos eritrócitos, cuja produção é aumentada após um estímulo eritropoiético, como perda de sangue ou hipóxia.

A produção de hepcidina é regulada homeostaticamente pela anemia e hipóxia2,29, além de ser regulada por inflamação e estresse oxidativo 30-33.

Quando a oferta de oxigênio está inadequada, a resposta homeostática é o aumento da produção de eritrócitos. Então, o nível de hepcidina diminui, assim como o seu efeito inibitório. Consequentemente, mais ferro proveniente da dieta e dos estoques dos macrófagos e hepatócitos se torna disponível2.

Dependendo do tipo de célula, o ferro pode ser captado por diferentes vias. O ferro biodisponível da dieta está mais presente tanto na forma férrica (Fe3) como na forma heme. A utilização do Fe3 é mediada pela enzima redutase citocromo b duodenal - Dcytb, a qual reduz o Fe3 para a forma ferrosa (Fe2), que é carreada através da membrana celular pela proteína transportadora de metal divalente - DMT1 2.

No interior da célula, o Fe2 absorvido liga-se à ferritina dirigindo-se à membrana basolateral, onde está localizada a ferroportina, presente em enterócitos, macrófagos e hepatócitos, que é uma proteína necessária para o transporte do Fe2 para o plasma 20,34-36.

A hepcidina possui a função de se ligar à ferroportina, regulando a exportação do ferro para o plasma. Quando as concentrações de hepcidina estão baixas, as moléculas de ferroportina são expostas na membrana plasmática e exportam ferro. Quando as concentrações de hepcidina aumentam, esta se liga às moléculas de ferroportina induzindo sua internalização e degradação, e o ferro liberado diminui progressivamente 3,36 (Figura 1).

 

 

Portanto, em pacientes saudáveis, a produção hepática de hepcidina é regulada por um "feedback" induzido pela circulação de ferro. Baixas concentrações sanguíneas de hepcidina permitem que a ferroportina libere ferro para a corrente sanguínea; altas concentrações de hepcidina agem efetivamente diminuindo a absorção de ferro no enterócito não permitindo que a ferroportina libere ferro para o sangue 37,38. Aparentemente, esse mecanismo observado na ferroportina presente nos enterócitos funciona diferentemente da ferroportina presente nos macrófagos ou hepatócitos 34,39,40.

A anemia induz uma cascata de alterações que, individualmente ou em combinação, diminuem a expressão da hepcidina. A diminuição ou ausência da hepcidina urinária é a resposta esperada em pacientes com anemia por deficiência de ferro, como por exemplo, pacientes com anemia causada por perda sanguínea gastrointestinal. Estudo realizado por Pak et al.41 constatou que a anemia não regula diretamente a expressão da hepcidina, mas exerce os seus efeitos sobre este hormônio e sobre o metabolismo do ferro através de uma substância ainda não caracterizada, liberada durante a eritropoiese. Os mediadores específicos e as vias pelas quais estes influenciam a síntese e a liberação da hepcidina precisam ser elucidados.

O diagnóstico da anemia por deficiência de ferro no contexto da anemia por doença crônica é comumente realizado com parâmetros bioquímicos de rotina como saturação de transferrina, proteína C reativa e, menos comumente, receptor de transferrina e zinco-protoporfirina. Cada um desses tem suas próprias desvantagens. Em contraste aos índices aumentados de hepcidina na anemia por doença crônica, tanto a anemia por deficiência de ferro in vitro, como a clássica apresentada em humanos, estão associadas à baixa expressão da hepcidina, o que torna este hormônio um potencial marcador para a detecção da anemia por deficiência de ferro coexistindo com a anemia por doença crônica 42.

A anemia relacionada aos níveis de ferro em humanos e modelos animais aponta para a importância da eritropoiese na regulação da hepcidina e a necessidade de entender suas bases moleculares. Além do mais, o desenvolvimento do diagnóstico e terapia das anemias baseados na hepcidina podem oferecer uma abordagem mais efetiva para prevenir a toxicidade associada à sobrecarga de ferro 43.

Relação da hepcidina com outras moléculas e biomarcadores do estado nutricional de ferro

A concentração de hepcidina aparentemente é regulada por moléculas como receptor 2 de transferrina - TfR2, HFE (produto de um gene com alta concentração de ferro) e hemojuvelina - HJV. Estudos com hepatócitos mostram que a hepcidina responde ao ferro somente quando este está ligado a proteína transferrina, mostrando que o fígado usa a saturação de transferrina como um sensor ao ferro. Em nível celular, o sensor de ferro parece ser o TfR2 e HFE. Pacientes com mutação no TFE não produzem hepcidina em resposta ao ferro ingerido como os indivíduos normais. Outras proteínas envolvidas na expressão de hepcidina também incluem proteínas morfogênicas dos ossos, etc. 37

 

Conclusão

Pesquisas recentes contribuíram para o conhecimento sobre as principais vias regulatórias da homeostase do ferro no organismo, evidenciando o papel da hepcidina neste processo. A dosagem deste hormônio tem o potencial de se tornar uma importante ferramenta para o diagnóstico e tratamento de anemias e doenças provocadas por desordens no metabolismo do ferro.

Os estudos até então publicados são baseados em ensaios clínicos, constituídos de pequeno número de casos. Estudos epidemiológicos são necessários para comprovar o papel da hepcidina no diagnóstico diferencial das anemias, incluindo protocolos de amostragem para análise da hepcidina com padronização similar às utilizadas em outras avaliações bioquímicas e estabelecimento de pontos de corte para a expressão urinária e plasmática deste peptídeo.

Um melhor entendimento a respeito da precisa interação entre ferroportina e hepcidina poderá ser o caminho para o desenvolvimento de novas drogas que podem alterar a ação da hepcidina.

Além disso, o desenvolvimento de testes laboratoriais acessíveis e precisos é importante para avaliar as alterações da expressão da hepcidina em várias populações. Embora alguns métodos tenham sido descritos para a produção de hepcidina recombinante, um maior número de pesquisas é necessário para prover hepcidina pura para desenvolvimento de estudos clínicos de intervenção em humanos.

 

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Artigo recebido: 24/02/10
Aceito para publicação: 04/05/10
Conflito de interesse: não há

 

 

Trabalho realizado no Departamento de Nutrição, Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo, São Paulo, SP
* Correspondência: Avenida Dr. Arnaldo 715 - Cerqueira César São Paulo - SP CEP: 01246-904