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Revista da Associação Médica Brasileira

Print version ISSN 0104-4230

Rev. Assoc. Med. Bras. vol.57 no.1 São Paulo Jan./Feb. 2011

http://dx.doi.org/10.1590/S0104-42302011000100011 

ARTIGO ORIGINAL

 

Hipertensão arterial referida e indicadores antropométricos de gordura em idosos

 

 

Deonilde Balduíno MunarettiI; Aline Rodrigues BarbosaII; Maria de Fátima Nunes MarucciIII; Maria Lúcia LebrãoIV

IMestrado em Educação Física; Professora de Ciências da Saúde, Educação Física da Universidade do Oeste de Santa Catarina, Florianópolis, SC
IIDoutorado em Nutrição Humana Aplicada pela Universidade de São Paulo - USP; Professora Adjunta da Ciências da Saúde, Educação Física e Nutrição da Universidade Federal de Santa Catarina - UFSC, Florianópolis, SC
IIIDoutorado em Saúde Pública; Professora Doutora da Faculdade de Saúde Pública, Universidade de São Paulo - FSP/USP, São Paulo, SP
IVDoutorado em Saúde Pública; Professora Titular de Ciência da Saúde, Saúde Coletiva, Epidemiologia da FSP/USP, São Paulo, SP

Correspondência para

 

 


RESUMO

OBJETIVO: Investigar a associação entre hipertensão arterial referida (HAr) e indicadores antropométricos de gordura, corporal e abdominal em idosos do município de São Paulo.
MÉTODOS: Os dados de 1894 idosos foram baseados na pesquisa Saúde, Bem-Estar e Envelhecimento - SABE, 2000. Os indicadores antropométricos utilizados foram: Índice de Massa Corporal (IMC), perímetro da cintura (PC), razão cintura/quadril (RCQ) e razão cintura/estatura (RCE). Utilizou-se regressão logística binária, estratificada por sexo.
RESULTADOS: A hipertensão arterial associou-se aos indicadores antropométricos. No modelo final (ajustado para idade, escolaridade, tabagismo, atividade física e diabetes), em ambos os sexos, o IMC apresentou maior força estatística, apesar de, nas mulheres, apresentar-se similar aos outros indicadores. À exceção da RCE, em homens, a HAr associou-se, positiva e independentemente, aos outros indicadores.
CONCLUSÃO: Os resultados sugerem a relevância desses indicadores, para, precocemente, detectar os riscos para o desenvolvimento dessa doença e intervir na sua prevenção e controle.

Unitermos: Pressão arterial; antropometria; circunferência da cintura; relação cintura-quadril; índice de massa corporal.


 

 

Introdução

A pressão arterial elevada é o maior problema de saúde em todas as regiões do mundo1. No Brasil, estima-se que essa doença acometa 50% a 70% dos indivíduos idosos2. Um dos principais fatores de risco associado à hipertensão, tanto em estudos prospectivos3 quanto transversais4-6, em diversas populações, é o excesso de gordura corporal.

Na associação entre hipertensão e excesso de gordura corporal, geralmente, a obesidade é identificada pelo Índice de Massa Corporal (IMC)6, e a gordura abdominal, pelo perímetro da cintura (PC)5,7, ou pela razão cintura/quadril (RCQ)4, ou pela razão cintura/estatura (RCE)8.

Contudo, grande parte dos estudos que verificou a associação entre IMC e/ou indicadores de obesidade abdominal e ocorrência de hipertensão arterial foi realizado com indivíduos adultos5,6,9, poucos envolveram idosos. Entretanto, os resultados desses estudos foram controversos, inclusive em relação aos sexos3,10, e analisaram populações distintas10. Enquanto alguns estudos mostraram que o IMC6 era o indicador que se associava mais positivamente à hipertensão arterial, outros sugeriram que os indicadores de gordura abdominal eram mais apropriados4.

Em indivíduos idosos, essa relação é pouco estudada e ainda não está estabelecido qual o melhor indicador antropométrico a ser usado para verificar a associação entre hipertensão e obesidade.

O objetivo deste trabalho foi investigar a associação entre indicadores de obesidade (IMC, PC, RCQ e RCE) e a presença de hipertensão em idosos de São Paulo.

 

Métodos

Trata-se de estudo de associação, baseado em dados da Pesquisa SABE - multicêntrica, epidemiológica e de base domiciliar - realizada em sete países da América Latina e Caribe, e coordenada pela Organização Pan-Americana de Saúde.11 No Brasil, o estudo foi coordenado por docentes da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo e abrangeu 2143 idosos (> 60 anos), de ambos os sexos, residentes habituais do município de São Paulo. Os procedimentos de amostragem da Pesquisa SABE foram descritos previamente12.

A pesquisa foi aprovada pelo Comitê de Ética e a obtenção dos dados foi realizada por meio de entrevista domiciliar, em duas etapas, sendo a primeira por um entrevistador, abrangendo questões relacionadas às condições de vida e estado de saúde, e a segunda por uma dupla, abrangendo antropometria e testes de desempenho motor. A coleta de dados ocorreu no período de janeiro de 2000 a março de 2001.

A população deste estudo foi constituída por 1894 (88,4%) idosos. Foram excluídos os idosos, que não participaram da segunda etapa, devido a recusa (7,5%), óbito (1,9%), mudança de domicílio (2%), institucionalização (0,1%) e internação (0,1%).

As variáveis antropométricas (peso, estatura, perímetros da cintura e do quadril) foram mensuradas, em triplicata, nos idosos deambulantes, por nutricionistas ou estudantes de curso de Nutrição, especificamente treinados para o estudo, e foram utilizados os valores médios para as análises.

As técnicas e os equipamentos utilizados foram previamente descritos13.

A hipertensão arterial referida (variável resposta ou dependente) foi verificada pela pergunta: "Alguma vez um médico ou enfermeiro lhe disse que o(a) Sr.(a) tem pressão sanguínea alta, quer dizer, hipertensão?", com alternativa dicotômica de resposta (sim ou não), correspondente à questão C04 do questionário da pesquisa SABE (www.fsp.usp.br/sabe).

Os indicadores antropométricos (variáveis explanatórias ou independentes) foram: para gordura corporal - Índice de Massa Corporal (IMC = kg/m2), calculado a partir dos valores de massa corporal e de estatura, e considerando risco para hipertensão arterial quando valores de IMC > 27 kg/m2 14; para gordura abdominal - perímetro da cintura (PC), considerando risco quando > 88 cm para mulheres e > 102 cm para homens15; razão cintura/quadril (RCQ), representando risco quando > 0,95 para homens e > 0,80 para mulheres; e razão cintura/estatura (RCE), considerada como risco para hipertensão arterial quando valores forem > 0,5016. Os valores necessários para essas variáveis foram obtidos da seção K do questionário (www.fsp.usp.br/sabe).

As variáveis de confusão foram idade, prática regular de atividade física (sim ou não), tabagismo (sim, ex-fumante, nunca fumou), diabetes (sim ou não), escolaridade (baixa, média, alta).

Procedimentos estatísticos

Para a descrição das variáveis explanatórias segundo sexo, foram apresentados valores médios, desvios-padrão e frequências relativas (%). Os valores contínuos foram comparados por meio do teste T para amostras independentes. As diferenças de frequência entre as variáveis categóricas foram verificadas por teste Quiquadrado.

Foram usadas análises de regressão logística binária, estratificadas por sexo, para determinar a associação entre os indicadores antropométricos (IMC, PC, RCQ, RCE) e hipertensão arterial. As variáveis explanatórias de interesse no estudo (IMC, PC, RCQ e RCE) foram avaliadas nos modelos como variáveis categóricas (dicotômicas).

Foram propostos três modelos de regressão logística para cada indicador antropométrico, tendo a hipertensão arterial como variável dependente (dicotômica) em todos eles: 1) ajustados por idade; 2) ajustados por idade e escolaridade; 3) ajustados por idade, escolaridade, tabagismo e atividade física regular (modelo final). Em todos os modelos foi incluído adicionalmente a variável diabetes (pertencente à cadeia causal), no sentido de avaliar quanto da associação poderia ser explicada pela presença dessa covariável. Dentre as variáveis de confusão, a idade entrou nos modelos como variável contínua. A escolaridade, o tabagismo, a atividade física regular e a diabetes entraram nos modelos como variáveis categóricas.

Todas as análises foram ponderadas para o efeito de delineamento do estudo (peso pós-estratificação). Foi adotado nível de significância de 5% (p < 0,05) e intervalo de confiança de 95% (IC 95%), utilizando o programa estatístico SPSS® 15.0 para os cálculos.

 

Resultados

A população deste estudo foi composta por 1124 mulheres (59,35%) e 770 homens (40,65%), cuja idade variou de 60 a 100 anos. A média foi 72,88 ± 8,39 (desvio padrão) para as mulheres e 73,77 ± 8,49 para os homens.

A Tabela 1 apresenta a distribuição da população estudada segundo sexo e variáveis analisadas. Observa-se que ocorreram diferenças estatísticas entre os sexos, em todas as variáveis, com exceção de diabetes e RCE. As maiores frequências de tabagismo e prática de atividade física foram observadas entre os homens, enquanto, nas mulheres, as prevalências foram mais elevadas para IMC, PC, RCQ, baixa escolaridade e hipertensão.

A análise da relação entre hipertensão arterial e indicadores antropométricos de gordura corporal (IMC) e abdominal (PC, RCQ e RCE) segundo sexo, e ajustada para idade, mostrou que todos os indicadores apresentaram associação com a hipertensão, em ambos os sexos, exceto a RCE, nos homens. O ajuste adicional para a diabetes contribuiu para a redução da magnitude de todas as associações, porém não alterou o sentido delas. Para os homens, o IMC foi o indicador que mais fortemente se associou à hipertensão arterial. Para as mulheres, todos os indicadores se associaram, de forma similar. Neste modelo, a probabilidade de hipertensão, em homens com valor de IMC indicativo de obesidade, foi 93% maior em relação àqueles cujo IMC não representava obesidade. Nas mulheres, a medida de associação foi, aproximadamente, duas vezes maior para aquelas que apresentaram valores de IMC, PC, RCQ ou RCE indicativos de obesidade corporal ou abdominal (Tabela 2, modelo 1).

Quando a escolaridade e a diabetes foram incluídas no modelo de regressão (Tabela 2, modelo 2), a associação entre hipertensão arterial e indicadores antropométricos de gordura abdominal segundo sexo não apresentou alteração no sentido das associações, que se mostraram similares ao modelo anterior, ajustado apenas para a idade.

A inclusão de tabagismo e prática regular de atividade física no modelo ajustado por idade e escolaridade contribuiu de forma significativa para a redução da magnitude das associações, exceto quanto ao IMC em mulheres e à RCQ em ambos os sexos (Tabela 3). O modelo final, ajustado para diabetes, mostrou que o IMC foi o indicador que se associou, com maior força estatística, à hipertensão arterial em idosos de ambos os sexos, apesar de ser similar aos outros indicadores no sexo feminino. Neste modelo, a probabilidade de desenvolvimento de hipertensão arterial em idosos com valor de IMC > 27 kg/m2, considerado de risco, é 85% maior nos homens e 2,18 vezes maior nas mulheres quando comparados àqueles cujo valor de IMC < 27 kg/m2, considerado sem risco.

 

Discussão

Este é o primeiro estudo de base populacional e domiciliar que verificou a associação entre hipertensão arterial e indicadores antropométricos de gordura (corporal e abdominal) em idosos brasileiros. O estudo contou com amostra representativa da população idosa do município de São Paulo, com dados coletados por entrevistadores treinados especificamente para a pesquisa SABE.

Neste estudo, os indicadores antropométricos de gordura (corporal e abdominal) mostraram-se associados à hipertensão arterial, corroborando os resultados de outros estudos realizados com indivíduos de diferentes populações e grupos etários, nos quais foi constatado que o excesso de gordura, independentemente do indicador antropométrico utilizado, é um dos principais fatores de risco para hipertensão arterial, sendo que a gordura abdominal é considerada fator preditivo, adicional ao desenvolvimento dessa doença3,6,17. Tal fato provavelmente pode ser explicado pelas alterações fisiológicas, que ocorrem em indivíduos obesos, como ativação do sistema nervoso simpático e do sistema renina-angiotensinaaldosterona, e/ou, disfunção endotelial e anormalidades funcionais18.

Os resultados deste estudo mostraram que a associação entre hipertensão arterial e indicadores antropométricos apresentou algumas diferenças, conforme o sexo. Para os homens, não foi observada associação entre RCE e a doença, enquanto o IMC foi o indicador que mais fortemente se associou a ela. Para as mulheres, todos os indicadores mostraram associação similiar.

O IMC é o indicador mais utilizado em estudos epidemiológicos 2,6,8,19,20, inclusive com idosos, ainda que não haja consenso quanto aos critérios/valores mais adequados/apropriados para definir obesidade nesse grupo etário. Além disso, vários autores16,21 têm sugerido que o IMC não é indicador suficiente para identificar a associação entre gordura corporal e doenças crônicas não transmissíveis (DCNTs), como a hipertensão arterial. Faz-se necessário também verificar a localização dessa gordura, cuja presença na região visceral é indicativa de risco para as DCNTs.

Contudo, diferentes indicadores de gordura abdominal parecem indicar riscos diferentes. Segundo Björntorp21, o PC é o indicador mais adequado/apropriado para identificação de acúmulo de gordura visceral, apresentando-se fortemente associado às doenças cardiovasculares ateroscleróticas, enquanto a RCQ, que leva em consideração a medida da região dos glúteos com numerosos tecidos musculares principais reguladores da sensibilidade à insulina sistêmica, seria mais fortemente associada à resistência à insulina.

A RCE é um indicador que foi proposto em meados da década de 199016 e sua influência sobre o risco para DCNTs ainda não está bem estabelecida, necessitando, portanto, de mais estudos, inclusive em população idosa.

Na literatura científica foram encontrados poucos estudos que investigaram a relação entre diferentes indicadores de gordura (corporal e/ou abdominal) e hipertensão arterial, porém os resultados não foram consistentes. Em estudo transversal realizado com poloneses (70 anos e mais), foi constatado que o excesso de gordura corporal, identificado pelo IMC > 30 kg/m2, apresentou-se associado à hipertensão arterial, porém diferentemente entre os sexos, sendo predominante nas mulheres22. No estudo de Redón et al.3 envolvendo 6.262 espanhóis (> 60 anos), observou-se que o impacto do IMC (> 25 kg/m2) e do PC (> 88 cm para as mulheres e > 102 cm para os homens) na prevalência de hipertensão arterial foi direto e independente, sendo que a probabilidade de o IMC (> 25 kg/m2 e > 30 kg/m2) estar associado ao desenvolvimento dessa doença, segundo valores de odds ratio, foi maior em ambos os sexos, e o PC foi maior nas mulheres.

Um estudo de coorte9, realizado durante 10 anos em duas comunidades do Japão com indivíduos de 45 a 69 anos, mostrou que valores de IMC e PC, do terceiro tercil da distribuição, foram associados positivamente ao risco de hipertensão arterial, em ambos os sexos, em uma das comunidades, e apenas às mulheres na outra localidade. Além disso, nessa população, não foi constatada associação entre RCE e hipertensão arterial, assim como nos homens no presente estudo.

Considerando os dados dos vários estudos, verifica-se que a força de associação dos indicadores antropométricos para o desenvolvimento da hipertensão arterial é diferente tanto em relação a grupos etários quanto em regiões geográficas/países.

A diabetes é uma morbidade frequentemente associada à hipertensão arterial, e os resultados deste estudo mostraram que sua inclusão, em todos os modelos de regressão, não alterou de forma significativa a associação entre a variável dependente e as variáveis explanatórias independentes, embora tenha contribuído para a redução da força da associação, assim como observado por Barbosa et al.10 em estudo com idosos de Barbados e Cuba.

No presente estudo, o ajuste para escolaridade não modificou o sentido das associações; contudo, a inclusão do tabagismo e da prática regular de atividade física reduziram a magnitude das associações, exceto para IMC em mulheres e para RCQ em ambos os sexos, assim como constatado por Barbosa et al.10.

Embora a escolaridade seja considerada fator socioeconômico determinante do estado de saúde, principalmente porque tem repercussões na ocupação e na renda do indivíduo, essa variável parece exercer menor efeito sobre a saúde na etapa vital da velhice.

A relação entre hipertensão arterial e tabagismo ainda não está completamente esclarecida. Estudos prospectivos recentes sugerem que o hábito de fumar pode ser um risco pequeno para o desenvolvimento da hipertensão23, embora possa apresentar efeito sobre o peso corporal do indivíduo24.

A prática regular de atividade física é proposta como estratégia para prevenção e controle da hipertensão arterial e também para o tratamento de indivíduos hipertensos, contribuindo para a redução, ou minimização, de outros fatores de risco para doenças cardiovasculares, como a diminuição da gordura corporal.25

Em estudo envolvendo homens (9.936) e mulheres (12.154) com idade entre 45-79 anos, os indicadores RCQ, IMC e PC apresentaram associação, de forma similar, com a hipertensão. Quando as análises foram ajustadas para outras variáveis (idade, IMC, RCQ, PC, hábito de fumar, classe social, ingestão de bebidas alcoólicas e prática de atividade física), a associação da RCQ e do IMC com a hipertensão manteve-se independente para ambos os sexos, enquanto o PC manteve independência significativa apenas para as mulheres4.

No presente estudo, o modelo final (ajustado adicionalmente para diabetes) mostrou que o IMC é o indicador que se associa com mais força estatística à hipertensão arterial em idosos de ambos os sexos, apesar de ser bastante similar aos outros indicadores no sexo feminino.

O delineamento transversal do estudo não permite estabelecer relação de causa e efeito entre obesidade e hipertensão. Outra limitação diz respeito à utilização de informação referida quanto à presença de hipertensão arterial. Alguns estudos mostram que esse tipo de informação apresenta boa concordância quando comparada a registros médicos ou exames clínicos 26-27, sendo largamente usada para conhecer as condições de determinada população e avaliar políticas de saúde28. A morbidade referida pode levar à subestimação da prevalência da condição crônica uma vez que permite identificar indivíduos com diagnóstico prévio, mas pode omitir aqueles que jamais tiveram um diagnóstico que pudesse evidenciar ou não a presença da hipertensão29.

 

Conclusão

Constatou-se que a hipertensão arterial referida associou-se positivamente aos indicadores antropométricos de gordura (corporal e abdominal) utilizados no presente estudo, sendo que, em ambos os sexos, o IMC foi o indicador que apresentou maior força estatística apesar de, nas mulheres, ser similar aos outros indicadores. À exceção da RCE em homens, os outros indicadores associaram-se, positiva e independentemente, à hipertensão arterial referida.

Os resultados obtidos mostram a relevância desses indicadores na identificação do risco para hipertensão arterial e a importância de adotá-los na prática clínica e/ou em estudos epidemiológicos com idosos e adultos, tendo em vista que são utilizadas variáveis antropométricas cujo custo, praticidade e fidedignidade são competitivos e/ou mais vantajosos do que outros métodos. Esses indicadores podem contribuir para a identificação precoce de risco para hipertensão arterial, possibilitando ações e estratégias de prevenção e controle.

 

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Correspondência para:
Aline Rodrigues Barbosa
Departamento de Educação Física Universidade Federal de Santa Catarina Campus Trindade
Florianópolis - SC
Tel/Fax: (48) 3721-9980
alinerb@cds.ufsc.br
alinerb13@yahoo.com.br

Artigo recebido: 25/06/2010
Aceito para publicação: 12/10/2010
Suporte Financeiro: No Brasil a pesquisa SABE foi financiada pela FAPESP (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo)
Conflito de interesses: Não há.

 

 

Trabalho realizado junto ao programa de pós-graduação em Educação Física da Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, SC

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