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Revista da Associação Médica Brasileira

Print version ISSN 0104-4230

Rev. Assoc. Med. Bras. vol.57 no.1 São Paulo Jan./Feb. 2011

http://dx.doi.org/10.1590/S0104-42302011000100025 

ARTIGO DE REVISÃO

 

Cirurgia bariátrica: como e por que suplementar

 

 

Livia Azevedo BordaloI; Tatiana Fiche Sales TeixeiraII; Josefina BressanIII; Denise Machado MourãoIV

IDoutoranda em Ciências da Nutrição pela Universidade Federal de Viçosa - UFV; Curso de Especialidades Associadas à Cirurgia Bariátrica pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica - SBCBM, Viçosa, MG
IINutricionista; Pós-Graduada em Nutrição Funcional (VP Consultoria); Doutoranda em Ciências da Nutrição pela UFV, Viçosa, MG
IIIDoutorado em FisiologIa e Nutrição pela Universidad de Navarra; Pós-Doutora pela Louisiana State University; Professora e Coordenadora da Pós-graduação em Ciências da Nutrição da UFV, Viçosa, MG
IVDoutorado em Ciência e Tecnologia de Alimentos pela UFV; Pós-Doutoranda e Pesquisadora do Grupo de Estudos em Nutrição e Obesidade da UFV, Viçosa, MG

Correspondência para

 

 


RESUMO

Pacientes submetidos à cirurgia bariátrica apresentam maior risco de desenvolver deficiências nutricionais pela limitação na ingestão e absorção de diferentes nutrientes. Desta forma, realizamos uma revisão sistemática no PubMed e ISI Web of Science incluindo artigos de setembro de 1983 a abril de 2010 para identificar as principais deficiências nutricionais após a cirurgia bariátrica e de que forma ocorre o seu tratamento. As palavras-chave utilizadas individualmente ou em associação foram: cirurgia bariátrica, obesidade, deficiência de vitamina/mineral, deficiência de proteína, absorção de nutrientes e suplementação de nutrientes. A literatura sugere que para prevenir ou tratar as deficiências nutricionais decorrentes das alterações anatômicas provocadas pelas técnicas cirúrgicas é necessário o uso de suplementação nutricional. O sucesso da suplementação nutricional oral em corrigir ou prevenir as deficiências nutricionais depende de vários fatores. Assim, compreender as formas pelas quais os nutrientes podem ser administrados é muito importante na prática clínica. Essa revisão tem como objetivo auxiliar a melhor seleção de nutrientes de forma a garantir uma reposição adequada dos nutrientes em pacientes submetidos à cirurgia bariátrica.

Unitermos: Deficiências nutricionais; cirurgia bariátrica; derivação gástrica; suplementos dietéticos.


 

 

Introdução

Atualmente a cirurgia bariátrica é considerada a ferramenta mais eficaz no controle e no tratamento da obesidade severa. Os benefícios da cirurgia incluem resolução ou melhora acentuada de doenças crônicas como hipertensão, diabetes e hiperlipidemia1. Entretanto, é preciso salientar que o tratamento cirúrgico da obesidade não se resume ao ato cirúrgico.

Estudos in vivo têm demonstrado que algumas deficiências nutricionais como vitamina D2-4, vitamina A5,6 e zinco7-9 estão concomitantemente presentes na obesidade, possivelmente por exercerem papel importante na regulação da adiposidade ou nos mecanismos de regulação do apetite. Dessa forma, é essencial que haja uma programação criteriosa para o acompanhamento clínico-nutricional. Tanto o pré quanto o pós-operatório, imediato e tardio, são de extrema importância para o sucesso do tratamento10. Nesse contexto, a frase "perda de peso de forma saudável" tem sido bem-empregada.

As implicações dos procedimentos de cirurgia bariátrica no estado nutricional do paciente se devem especificamente às alterações anatômicas e fisiológicas que prejudicam as vias de absorção e/ou ingestão alimentar. Uma boa compreensão da fisiologia de absorção do trato gastrointestinal é muito importante para compreender as potenciais deficiências nutricionais após a cirurgia (Figura 1)10, 11.

 

 

O principal tipo de cirurgia bariátrica realizado atualmente é o bypass gástrico em Y-de-Roux (BGYR)12, uma técnica cirúrgica mista por restringir o tamanho da cavidade gástrica e, consequentemente, a quantidade de alimentos ingerida, e por reduzir a superfície intestinal em contato com o alimento (disabsorção).

A má absorção de nutrientes é umas das explicações para a perda de peso alcançada com o uso de técnicas disabsortivas como a derivação biliopancreática/duodenal switch (DBP), sendo que cerca de 25% de proteína e 72% de gordura deixam de ser absorvidos13. Automaticamente, nutrientes que dependem da gordura dietética para serem absorvidos, como as vitaminas lipossolúveis e o zinco, estão mais suscetíveis a uma má absorção nesse tipo de procedimento14.

Vitaminas e minerais são fatores e cofatores essenciais em muitos processos biológicos que regulam o peso corporal direta ou indiretamente (Quadro 1). Os benefícios metabólicos desses micronutrientes no controle da perda de peso incluem a regulação do apetite, da fome, da absorção de nutrientes, da taxa metabólica, do metabolismo de lipídios e carboidratos, das funções das glândulas tireoide e suprarrenais, do armazenamento de energia, da homeostase da glicose, de atividades neurais, entre outros. Assim, a "adequação" de micronutrientes é importante não só para a manutenção da saúde, mas também para obter o máximo sucesso na manutenção e na perda de peso a longo prazo 13.

Os sintomas de deficiência dos micronutrientes são geralmente inespecíficos, em níveis subclínicos, e o exame físico pode não ser confiável para o diagnóstico precoce sem que haja uma confirmação laboratorial. Dessa forma, sinais clínicos específicos só são perceptíveis na fase mais evoluída da deficiência15.

Considerando o crescente número de cirurgias bariátricas realizadas atualmente e a presença de deficiências nutricionais constantes nesses pacientes, abordaremos nessa revisão algumas formas de suplementação nutricional propostas atualmente na literatura, com o objetivo de auxiliar a melhor seleção de nutrientes e garantir a reposição adequada de nutrientes.

 

Metodologia

Realizou-se uma revisão sistemática em vários bancos de dados eletrônicos como o PubMed (US National Libary of Medicine, Bethesda, MD) e ISI Web of Science (Science Citation Index Expanded). As seguintes palavras-chave foram utilizadas individualmente ou em associação: bariatric surgery, obesity, gastric bypass, dietary supplement, vitamin deficiencies, mineral deficiencies and absorption nutrient. Foram incluídos 68 artigos, publicados entre setembro de 1983 a abril de 2010, incluindo duas metanálises e dois guias internacionais para prática clínica em cirurgia bariátrica. Apenas dois artigos não foram realizados em seres humanos.

 

Suplementação nutricional

As deficiências de micronutrientes são as principais alterações que colocam em risco o sucesso dos procedimentos cirúrgicos16. A prevenção das deficiências de vitaminas e minerais exige acompanhamento dos pacientes em longo prazo e o conhecimento das funções desses micronutrientes no corpo humano, além dos sinais e sintomas de sua deficiência. A suplementação nutricional em longo prazo, embora muito enfatizada como importante conduta terapêutica, ainda representa um obstáculo para o sucesso do tratamento cirúrgico da obesidade17.

A utilização regular do suplemento nutricional tem sido defendida quando utilizada de forma correta: pelo menos cinco vezes por semana13. No entanto, apenas 33% dos pacientes atendem a essa recomendação, e 7,7% deixam de utilizar os polivitamínicos/minerais após dois anos de cirurgia18.

A reposição e a incorporação de micronutrientes ao corpo a partir da alimentação é a maneira mais adequada de se manter os estoques corporais em níveis desejáveis. No entanto, em pacientes submetidos à cirurgia bariátrica alguns fatores justificam a suplementação nutricional (Quadro 1). Portanto, a utilização de uma dosagem diária adequada de polivitamínico/mineral é uma forma de garantir o aporte nutricional adequado de micronutrientes para o bom funcionamento dos processos que ajudam na regulação de peso corporal13.

A preocupação com a biodisponibilidade dos micronutrientes influencia na eficácia da suplementação. Nesse sentido, é importante considerar as formas de apresentação das suplementações disponíveis comercialmente. A escolha do suplemento deve considerar:

- pH (ácido ou alcalino): pH gastrointestinal necessário para a solubilização do nutriente;

- Forma de apresentação do suplemento: solução aquosa, cápsula, pó;

- Dependência de enzimas do trato gastrointestinal que auxiliam na absorção de alguns micronutrientes;

- Integridade intestinal e superfície de absorção;

- Via de administração: oral, intramuscular ou endovenosa, de acordo com a gravidade da deficiência nutricional;

- Quantidade e tipo de micronutriente presente nas formas de administração.

Com o surgimento das farmácias de manipulação, é possível elaborar fórmulas vitamínicas e de minerais de diversas combinações, na dose desejada, e às vezes com um custo semelhante ou menor ao de polivitamínicos padronizados por empresas. Ao optar por essa forma de suplementação o profissional deve estar atento à forma de prescrever.

Outras considerações são importantes ao recomendar polivitamínicos/mineral já disponíveis no mercado (Quadro 2). Geralmente, ácido fólico e vitamina B12 estão presentes em quantidades inferiores contendo doses moderadas de folato (200 - 400 mcg) e baixas doses de vitamina B12 (5 - 50 mcg). Todos os pacientes submetidos ao BGYR e DBP devem ser suplementados com polivitamínicos/mineral que sejam o mais completo possível, incluindo vitaminas lipossolúveis e minerais19.

 

 

É importante lembrar que alguns nutrientes exigem mistura especializada para obter máxima absorção. Por exemplo, o ferro é mais bem-absorvido em ambiente ácido e as vitaminas lipossolúveis necessitam de uma fonte lipídica. Além disso, certos nutrientes são preferencialmente absorvidos na porção proximal do intestino e outros na porção distal, como já demonstrado na Figura 1. Assim, o tipo de procedimento cirúrgico realizado também influencia nos cuidados com a escolha do suplemento nutricional. No bypass gástrico em Y-de-Roux (BGYR), por exemplo, há maior prevalência de deficiência de vitamina B12, ferro e ácido fólico14. Já após a derivação biliopancreática/duodenal switch (DBP/DS), apenas 28% dos lipídios ingeridos são absorvidos20.

O início da suplementação do polivitamínico/mineral ou da reposição de ferro de forma isolada têm sido recomendados logo após a alta hospitalar13. No entanto, alguns hospitais já disponibilizam tal suplementação após 48 horas de cirurgia.

A suplementação isolada de vitaminas e/ou minerais é utilizada no caso de diagnóstico de deficiência nutricional ou quando há a intenção de diminuir a interação com outros nutrientes que prejudiquem sua absorção (Quadro 3). Nesse caso, o clínico e o nutricionista determinam se a suplementação com polivitamínico/mineral pode permanecer ou não de forma concomitante à terapia de tratamento da deficiência. Em seguida, relataremos as formas mais estudadas de suplementação após cirurgia bariátrica.

 

 

Tiamina

A deficiência de tiamina pode ocorrer de forma aguda após qualquer tipo de cirurgia bariátrica em pacientes que apresentam vômitos prolongados, e está associada a sintomas neurológicos graves, que podem ser irreversíveis21-23.

Á deficiência de tiamina após cirurgia bariátrica tem sido tratada juntamente a outras vitaminas do complexo-B e magnésio, para obter uma máxima absorção de tiamina e adequada função neurológica24.

Os primeiros sintomas de neuropatia muitas vezes podem ser resolvidos pela suplementação oral de 20-30 mg de tiamina/dia até que os sintomas desapareçam. Para sinais mais avançados de neuropatia ou na presença de vômitos persistentes, 50-100 mg/dia na forma intravenosa ou intramuscular pode ser necessário.

Na presença da síndrome de Wernicke-Korsakoff é necessária uma suplementação superior a 100 mg/dia25. Essa síndrome caracteriza-se pela presença de sinais como: oftalmoplegia (paralisia ou paresia dos músculos retos externos e do olhar conjugado), ataxia (deambulação ou postura comprometidas e lentidão de marcha) e distúrbios mentais e de consciência.

Os fatores de risco mais comuns associados à deficiência de tiamina são: o percentual de perda de peso, a persistência de sintomas gástricos (náuseas e vômitos), a não adesão ao acompanhamento nutricional, a redução de albumina e transferrina, a presença de complicações pós-operatórias e a presença de bypass jejunoileal26. Muitos casos registrados estão relacionados a pacientes com vômitos prolongados, inanição e, mais comumente, alcoolismo26-28.

Vitamina B12

A deficiência de vitamina B12 tem sido frequentemente relatada após BGYR variando entre 12% a 75%29-32. Os baixos níveis de vitamina B12 podem ser vistos após seis meses de pós-operatório, porém na maioria das vezes ocorre após um ano ou mais, quando seu armazenamento no fígado encontra- se esgotado32. Alta prevalência dessa deficiência (71,3%) também tem sido relatada após dez anos de cirurgia33.

Em relação à absorção de vitamina B12, é importante lembrar que inicialmente ela precisa ser liberada da fonte alimentar (principalmente carne vermelha). Essa liberação é facilitada pela presença do ácido gástrico. A vitamina B12 livre é então ligada à proteína-R no estômago e em seguida clivada no duodeno, para ligar-se ao fator íntríseco (FI). O complexo B12- FI circula intacto pelo trato gastrointestinal até o seu local de absorção (íleo). Marcuard et al. observaram baixos níveis de FI em 53% dos pacientes após BGYR que apresentavam deficiência da vitamina34.

A frequente ausência de sintomas na presença de deficiência de vitamina B12 e o risco de danos neurológicos irreversíveis13 requerem cuidados na decisão sobre suplementá-la ou não de forma preventiva. Esta vitamina está presente na composição nutricional da maioria dos polivitamínicos disponíveis no mercado, porém em quantidades muito variadas.

A deficiência de vitamina B12 é normalmente definida em níveis inferiores a 200 pg/mL. Porém, cerca de 50% dos pacientes com sinais e sintomas claros de sua deficiência apresentam níveis normais35. Em relação à prevenção, a dosagem de 350 µg/dia na forma oral foi capaz de prevenir sua deficiência em 95% dos pacientes32, e uma dose oral de 500 a 1000 µg/dia tem sido utilizada para o tratamento desta deficiência11,18.

Atualmente, a suplementação de B12 está disponível no mercado também na forma de spray para ser aplicado na forma sublingual. Esse tipo de suplementação é apresentado na forma de nano partículas para aumentar a absorção e a biodisponibilidade da vitamina. Embora a deficiência de vitamina B12 ocorra apenas após alguns meses de cirurgia bariátrica, tem sido uma boa prática clínica preventiva administrar 1.000 µg de vitamina B12 de forma parenteral durante o período pré-operatório36.

Ácido fólico

A deficiência de ácido fólico tem sido observada principalmente após BGYR. Ela pode manifestar-se como anemia macrocítica, leucopenia, trombocitopenia, glossite ou medula megaloblástica. Na maioria das vezes, a deficiência de ácido fólico após cirurgia bariátrica ocorre devido à diminuição da ingestão, e não em decorrência de sua má absorção37.

Embora menos frequente que a deficiência de vitamina B12, baixos níveis de ácido fólico têm sido relatados entre 6%-65% dos pacientes submetidos ao BGYR29,38,39 e pode ser facilmente tratada pela suplementação oral37.

A absorção de ácido fólico ocorre preferencialmente no duodeno; no entanto, pode ocorrer também ao longo de todo o comprimento do intestino delgado em decorrência de uma adaptação fisiológica pós-operatória. A vitamina B12 é necessária para a conversão do ácido metiltetrahidrofólico (inativo) em ácido tetrahidrofólico (ativo). Portanto, a deficiência de vitamina B12 pode resultar em deficiência de ácido fólico30,37.

Geralmente a deficiência de ácido fólico é tratada com 1000 µg/d de ácido fólico (oral) durante um a dois meses40, e pode ser prevenida com um suplemento contendo 200% do valor diário recomendado (800 µg/dia). Este nível pode também beneficiar o feto na presença de uma possível gravidez inconsciente no pós-operatório. A suplementação superior a 1000 µg/dia pode "mascarar" o diagnóstico de deficiência de vitamina B12, daí a importância de acompanhar os níveis dessa vitamina no sangue, principalmente quando adotada suplementação com altas doses de ácido fólico13.

Ferro

A anemia pode afetar dois terços dos pacientes submetidos à cirurgia bariátrica, sendo geralmente provocada pela deficiência de ferro. Em pacientes submetidos ao BGYR, tal deficiência varia entre 20%-49%32,37,40. Entre os pacientes superobesos a anemia é relatada entre 35%-74% e a deficiência de ferro pode atingir 52% no pós-operatório tardio41.

Em pacientes submetidos à cirurgia bariátrica, a quantidade de ingestão diária de ferro elementar (sulfato ferroso ou fumarato ferroso) deve atingir 40 a 100 mg/d, embora a eficácia do tratamento profilático a longo prazo seja desconhecida32.

A quantidade de ferro elementar presente na maioria dos polivitamínicos comerciais geralmente é pequena (10 a 20 mg por comprimido), sendo considerada insuficiente para evitar a deficiência de ferro em pacientes submetidos ao BGYR. As recomendações atuais para a prevenção da deficiência de ferro incluem a administração de 40 a 65 mg de ferro elementar por dia (200 - 400 mg de sulfato de ferro). Nas mulheres em idade reprodutiva, as recomendações aumentam para 100 mg de ferro elementar por dia (400 a 800 mg de sulfato ferroso)10,35,42. Dessa forma, a história clínica de anemia, alterações nos valores laboratoriais, idade, sexo e considerações reprodutivas devem ser analisadas.

Já o tratamento da deficiência de ferro requer suplementação de até 300 mg/dia, geralmente três a quatro comprimidos contendo 50 a 65 mg de ferro elementar13. Quando o tratamento oral falha, ou na presença de anemia severa, doses intravenosas de hidróxido de ferro-sacarose são necessárias (20 mg de ferro elementar por mL)43,44.

Atualmente, os polivitamínicos disponíveis comercialmente, principalmente nos EUA, não possuem ferro em sua composição para que essa reposição seja realizada obrigatoriamente de forma isolada e em horários diferentes do dia. É importante considerar as características de absorção do diversos tipos de suplementação de ferro disponíveis no mercado:

Fumarato ferroso: 33% de ferro elementar, geralmente bem tolerado pelos pacientes, e apresenta boa absorção do mineral.

Sulfato ferroso: apenas 20% de ferro elementar e apresenta maiores efeitos gastrointestinais.

Ferronil: 98% de ferro elementar, ferro elementar, com partículas bem reduzidas.

O ideal é que o suplemento de ferro seja acompanhado de vitamina C e de frutooligossacarídeos para prevenir a constipação, melhorar a flora intestinal e proporcionar melhor absorção do mineral. Outra consideração importante relaciona-se à interação desse mineral com outros elementos, como o cálcio e o fitato45, por isso é importante sua suplementação de forma isolada e em jejum. Além disso, a deficiência de cobre pode provocar anemia, sendo recomendada por alguns autores a suplementação de 900 µg/d de cobre ou suplementação adicional de 50 a 200 µg/d, de acordo com a técnica cirúrgica utilizada36.

Cálcio e vitamina D

A suplementação de cálcio e vitamina D tem sido recomendada para a maioria das terapias de perda de peso com o objetivo de prevenir a reabsorção óssea46. A forma preferencial de suplementação tem sido muito discutida na prática clínica. Na presença de um ambiente menos ácido, como o pequeno estômago após a cirurgia bariátrica, a absorção de carbonato de cálcio torna-se comprometida 47.

Uma metanálise sugere que o citrato de cálcio é mais biodisponível que o carbonato de cálcio em torno de 22% a 27%48. Em pacientes submetidos ao BGYR, o citrato de cálcio (500 mg/dia associado com 125 UI de vitamina D3- colecalciferol) demonstrou maior aumento dos níveis séricos de cálcio e maior redução do hormônio paratireoidino (PTH) que as mesmas quantidades de carbonato de cálcio suplementadas49. O PTH é o principal regulador da homeostase do cálcio em mamíferos e atua também na formação da 1,25 (OH)2D, metabólico responsável por quase todas as ações da vitamina D. Elevações da calcemia inibem a liberação de PTH, enquanto reduções da calcemia levam ao aumento na liberação de PTH pelas glândulas paratireoides50. Além disso, a absorção do cálcio se faz no intestino sob influência da vitamina D51.

A deficiência de vitamina D após cirurgia bariátrica tem sido relatada entre 50%-80% dos casos14,52-54. Alguns estudos demonstraram que mais de 50% dos pacientes que apresentam deficiência de vitamina D após cirurgia bariátrica utilizavam polivitamínicos contendo 400-800 UI de vitamina D por dia14,52,53. Outros estudos verificaram que a suplementação no pós-operatório com 1200 mg/dia de carbonato de cálcio e 400 a 800 UI de vitamina D3 (colecalciferol) presentes nos polivitamínicos/minerais não foi suficiente para prevenir níveis de PTH elevado e a reabsorção óssea46,55,56. Dessa forma, mais de 50% dos pacientes submetidos ao BGYR apresentaram deficiência de cálcio na presença deste perfil de suplementação57. Entretanto, o aumento nas dosagens de citrato de cálcio de 1000 mg para 1700 mg/dia (incluindo 400 UI de vitamina D) foi capaz de reduzir a perda óssea mesmo na presença de perda de peso58. Assim, a recomendação atual de suplementação de cálcio no pós-operatório varia de acordo com a técnica cirúrgica aplicada e está representada na Tabela 2.

Em relação à vitamina D, quando sua deficiência está presente no pré-operatório, recomenda-se a suplementação de 5.000 UI de colecalciferol oral uma vez por semana, durante oito semanas59. No pós-operatório, essa mesma dose não foi suficiente para tratar a deficiência de vitamina D60. Assim, ainda não há uma dose que seja apropriada para todos os pacientes submetidos à cirurgia bariátrica. No entanto, dosagens elevadas de 5.000 IU/dia têm se mostrado seguras e potencialmente necessárias para tratar hiperparatireoidismo secundário presente em alguns pacientes. Sugere-se iniciar a suplementação com 2.000 UI/dia de vitamina D no pós-operatório, preferencialmente na forma de vitamina D3 (colecalciferol). Outros fatores devem servir de alerta, como os pacientes que utilizam anticonvulsivantes, glicocorticoides, heparina ou colestiramina, que apresentam maior risco para doença óssea.

Vitamina A e vitamina E

O monitoramento anual de nutrientes lipossolúveis após procedimentos disabsortivos deve ser realizado. A recomendação de 50.000 UI de vitamina A a cada duas semanas tem sido sugerida para corrigir a maioria dos casos de deficiência19. Sugerman et al. em seu estudo relataram que uma suplementação de 10.000 U de vitamina A foi suficiente para prevenir sua deficiência61. Na realidade, as dosagens utilizadas para o tratamento da deficiência de vitamina A variam de acordo com os sinais e os sintomas presentes. Na ausência de alterações na córnea, recomenda-se a suplementação de 10.000 a 25.000UI/d até que haja melhora clínica dos sintomas (normalmente entre 1- 2 semanas); na presença de alterações na córnea, 50.000 a 100.000 UI/dia (intramuscular) durante duas semanas é necessário13. É importante também avaliar a deficiência de ferro e cobre, pois podem prejudicar a resolução da deficiência de vitamina A. Os potenciais efeitos antioxidantes do caroteno podem ser alcançados com suplementos de 25.000 a 50.000 UI de caroteno13.

Em relação à vitamina E, não há uma recomendação terapêutica considerada ideal ou claramente definida. Os potenciais efeitos antioxidantes da vitamina E podem ser alcançados com suplementações de 100 a 400 IU/dia13.

Proteínas

A deficiência de proteína é a mais comumente relatada entre os macronutrientes. É observada principalmente após as técnicas cirúrgicas disabsortivas ou mistas (DBP/DS e BGYR)13. Estima-se que apenas 57% da proteína ingerida é absorvida após o bypass intestinal10, 62.

A hipoalbuminemia (albumina < 3,5 g/dL) após o BGYR pode variar de 13% em pacientes após dois anos de cirurgia63 a 27,9% após dez anos33, ou até mesmo não estar presente nos primeiros meses64-66.

Alguns especialistas recomendam 70 g/dia de proteína durante restrições calóricas para a perda de peso67. Porém, muitos programas de cirurgia bariátrica recomendam 60 a 80 g/dia de proteína ou 1,0 a 1,5 g/kg de peso ideal, embora as necessidades exatas ainda não estejam definidas. O paciente deve ser orientado a utilizar suplementos proteicos em pó e de alto valor biológico após 48 horas da realização da cirurgia.

Carnes, aves, peixes, ovos, leite e derivados lácteos devem ser incentivados ainda nos primeiros meses de pós-operatório, de acordo com o protocolo de evolução da dieta. A ingestão de proteína deve ser avaliada periodicamente, em cada consulta nutricional. Na presença de deficiência proteica clínica ou subclínica, mesmo na ausência de vômitos ou intolerância alimentar, os pacientes devem ser tratados com dieta hiperproteica68.

Módulos de proteína estão amplamente disponíveis no mercado. Porém, fatores como sabor, textura, solubilização, absorção e custo são considerados importantes na escolha desses suplementos. Prioridade deve ser dada ao perfil de aminoácidos presentes quando o suplemento for a única fonte proteica da dieta. A proteína do soro do leite (whey protein) pode ser uma excelente escolha, uma vez que possui elevados níveis de aminoácidos de cadeia ramificada, importantes para prevenir degradação do tecido muscular, permanecem solúveis no estômago, são rapidamente digeridas e isentas de lactose. Atualmente, já existe produto de whey protein hidrolisado, o que reduz a alergenicidade e melhora a absorção.

 

Conclusão

Ainda não há recomendações absolutamente adequadas para prevenir ou tratar a maioria das deficiências nutricionais após cirurgia bariátrica. No entanto, está claro que a suplementação preventiva torna-se cada vez mais importante nesse contexto.

Muitos fatores estão envolvidos na causa de tais deficiências. Antes mesmo de qualquer intervenção cirúrgica, a obesidade pode estar associada a deficiências nutricionais subclínicas que podem ser agravadas após as alterações anatômicas e fisiológicas provocadas no trato gastrointestinal. Além disso, há limitação e/ou alteração na ingestão dietética. Assim, a suplementação nutricional torna-se uma alternativa terapêutica necessária, contribuindo para a perda de peso de forma saudável e, na maioria das vezes, deve ser avaliada de forma individualizada.

O uso de polivitamínicos/minerais de forma preventiva deve compor o protocolo de atendimento de todos os pacientes submetidos à cirurgia bariátrica, principalmente daqueles submetidos às técnicas que envolvem algum grau de disabsorção. O tratamento das deficiências nutricionais desses pacientes deve considerar megadoses de micronutrientes devido à menor biodisponibilidade em decorrência das alterações fisiológicas proporcionadas pelas técnicas cirúrgicas. Mais estudos são necessários para estabelecer a dosagem eficaz no tratamento das deficiências nutricionais após cirurgia bariátrica.

 

Agradecimentos

À Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Maranhão (FAPEMA), à Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) e ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq)

 

Referências

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Correspondência para:
Livia Azevedo Bordalo
Rua Jose Valentino Cruz, 65 - apto 804, Centro
Viçosa - MG, CEP: 36571-000
livia_bordalo@hotmail.com

Artigo recebido: 09/08/2010
Aceito para publicação: 12/10/2010
Conflito de interesses: Não há.

 

 

Trabalho realizado no Departamento de Nutrição e Saúde - Universidade Federal de Viçosa-UFV, Viçosa, MG

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