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Revista da Associação Médica Brasileira

Print version ISSN 0104-4230

Rev. Assoc. Med. Bras. vol.57 no.3 São Paulo May/June 2011

http://dx.doi.org/10.1590/S0104-42302011000300013 

ARTIGO ORIGINAL

 

Erros de prescrição de medicamentos em um hospital brasileiro

 

 

Eugenie Desiree Rabelo NériI; Paulo Gean Chaves GadêlhaII; Sâmia Graciele MaiaIII; Ana Graziela da Silva PereiraII; Paulo César de AlmeidaIV; Carlos Roberto Martins RodriguesV; Milena Pontes PortelaVI; Marta Maria de França FontelesVII

IMestra em Ciências Farmacêuticas; Gerente de Riscos da Universidade Federal do Ceará (UFC), Fortaleza, CE
IIEspecialista em Farmácia Hospitalar; Residente em Farmácia Hospitalar pela UFC, Fortaleza, CE
IIIMestra em Ciências Farmacêuticas; Farmacêutica do Hospital Universitário Walter Cantídio, Fortaleza, CE
IVDoutor em Saúde Pública; Professor da UFC, Fortaleza, CE
VDoutor em Cardiologia; Professor da Faculdade de Medicina da UFC, Fortaleza, CE
VIEspecialista em Farmácia Hospitalar; Mestranda em Ciências Farmacêuticas pela UFC, Fortaleza, CE
VIIPós-Doutorado em Farmácia Clínica; Professora do Curso de Farmácia e do Programa de Pós-graduação em Ciências Farmacêuticas da UFC, Fortaleza, CE

Correspondência para

 

 


RESUMO

OBJETIVO: Identificar a prevalência de erros clinicamente significativos em prescrição de hospital universitário brasileiro, comparando sua ocorrência em 2003 e 2007.
MÉTODOS: Análise das prescrições quanto às variáveis/grupo de variáveis como legibilidade, cumprimento de procedimentos legais e institucionais e análise de erros de prescrição.
RESULTADOS: Quando calculadas as taxas de prevalência dos erros de prescrição clinicamente significativos, evidenciou-se uma redução estatisticamente significante [ano 2003 (29,25%), ano 2007 (24,20%); (z = 2,99; p = 0,03)], sendo refletido sobre a taxa de segurança [ano 2003 (70,75%), ano 2007 (75,80%); (z = 3,30; p = 0,0001].
CONCLUSÃO: Apesar de significativo, o aumento na taxa de segurança foi reflexo da redução quantitativa dos erros, não sendo observada diferença na gravidade dos mesmos entre os períodos. Nossos resultados sugerem que as medidas institucionais adotadas foram capazes de reduzir o número de erros, mas foram inefetivas na redução da gravidade dos mesmos.

Unitermos: Prescrições de medicamentos; erros de medicação; serviço hospitalar de educação.


 

 

Introdução

A utilização de novas tecnologias na assistência à saúde vem promovendo melhoria na qualidade e aumento da expectativa de vida no mundo. Entretanto, estas inovações têm tornado essa assistência cada vez mais cara, complexa e permeada por riscos1-3.

Os resultados negativos na assistência ao paciente têm recebido vários nomes, como erros médicos, eventos adversos relacionados à internação, iatrogenia médica, entre outros. Em geral, utiliza-se o termo evento adverso para designar os danos não intencionais resultantes do tratamento médico, não relacionados ao processo da doença. Ultimamente, o estudo desses eventos tem sido considerado importante para a qualidade da assistência ao paciente e garantia de benefício do tratamento, estímulo à cultura da segurança e eficiência do sistema de saúde (estrutura, processo e resultado)4. Na assistência hospitalar, os eventos adversos mais prevalentes são resultantes do uso inapropriado de medicamentos (causas evitáveis) ou estão relacionados às especificidades do paciente (causas não evitáveis), sendo divididos em erros de medicação e reações adversas a medicamentos1,2.

Lesões decorrentes de erros na área da saúde são consideradas a oitava causa de morte nos Estados Unidos. Estima-se que, anualmente, morrem de 44.000 a 98.000 pessoas por danos decorrentes de erros e, destes, cerca de 7.000 mortes podem ser atribuídas a erros de medicação2. No Brasil, investigações de eventos adversos e erros de medicação são incipientes.

Os medicamentos são componentes essenciais da assistência e considerados pedra angular no tratamento paliativo, sintomático e curativo de muitas doenças. Entretanto, também são a causa mais comum de reações adversas significativas, erros e eventos-sentinela5. Erros envolvendo medicamentos ocorrem frequentemente em hospitais2,6, possuem natureza multidisciplinar2 e podem ocorrer em uma ou mais etapas da cadeia terapêutica (prescrição, dispensação e administração), sendo mais frequentes durante a prescrição7,8. Os erros têm taxas que variam entre as instituições6,9,10 e potencial para causar consequências adversas para o paciente3, sendo classificados como eventos adversos evitáveis2. Considerando todos os tipos de erros, estima-se que cada paciente hospitalizado sofra, em média, mais de um erro de medicação por dia9.

A prescrição é, essencialmente, um instrumento de comunicação entre médico, farmacêutico, enfermeiro, cuidador e paciente. Para ser considerada adequada, além da clareza deve seguir os critérios da Organização Mundial da Saúde (OMS) para prescrição racional, sendo apropriada, segura, efetiva e econômica11. Essas características contribuem para maiores chances de êxito da terapia aplicada e segurança do paciente3,12.

Adotar ferramentas de melhoria contínua para o processo assistencial, focalizando a segurança do paciente, requer abordar a temática "erro" que, na área da saúde, ainda se faz sob pesado estigma, sendo associado a baixa competência, vergonha e punição, dificultando a realização de estudos, notificação do erro e discussão das causas subjacentes3. O presente estudo foi conduzido na visão sistêmica do erro, voltado para processos e não para pessoas e objetivou identificar a prevalência de erros clinicamente significativos em prescrição, comparando sua ocorrência nos anos de 2003 e 2007 em um hospital universitário brasileiro, como forma de avaliar o impacto de ações empreendidas para aumentar a segurança do processo de prescrição.

 

Métodos

Estudo descritivo, transversal, comparativo, com coleta de dados em segundas vias de prescrições, contendo um ou mais medicamentos. A coleta de dados foi realizada em dois períodos, 1º a 30 de junho de 2003 (1ª coleta) e 7 a 13 de maio de 2007 (2ª coleta), em hospital público terciário, universitário federal, com 243 leitos destinados ao Sistema Único de Saúde (SUS), localizado em Fortaleza, Ceará.

No período da 1ª coleta, foram dispensadas pela Farmácia 9.482 prescrições, sendo coletadas 474 (3.460 medicamentos prescritos). No período da 2ª coleta foram dispensadas 10.500 prescrições, sendo coletadas 140 (1.030 medicamentos prescritos). Em ambas as coletas, 10% das prescrições dispensadas em cada dia foram selecionadas, randomizadas por conglomerado (serviços), em dias alternados, até obter o tamanho da amostra calculada. O tamanho amostral foi calculado para um erro alfa de 5% e o cálculo da amostra da 1ª coleta baseou-se no menor número de erros por 1.000 itens prescritos (3,2 erros), identificados na literatura14. Para a 2ª coleta foi utilizada como referência para o cálculo da amostra a prevalência dos erros (número de erros por 1.000 itens prescritos) identificados na primeira coleta (292,5 erros).

O estudo seguiu as etapas: elaboração e validação do formulário para coleta de dados; treinamento da equipe; 1ª coleta, codificação, controle de qualidade; lançamento em banco de dados; tabulação e análise; intervenção, 2ª coleta, codificação; controle de qualidade; lançamento em banco de dados; tabulação, análise e comparação dos dados. As medidas de intervenção foram realizadas durante 4 anos (uma gestão administrativa) e desenhadas com base nos tipos de erros identificados na 1ª coleta, a saber: 1) Introdução da presença diária de preceptor médico em cada serviço do hospital, orientando residentes e internos de medicina quanto à elaboração da prescrição; 2) Elaboração de manual de boas práticas de prescrição, contendo dicas de como evitar erros de prescrição (distribuído anualmente aos prescritores)12; 3) Realização de treinamento sobre uso racional de medicamentos (baseados no método da OMS11 e manual elaborado12, com periodicidade semestral); 4) Disponibilização de revistas médicas, via web, aos prescritores; 5) Elaboração de protocolos clínicos, e 6) Retomada das sessões clínico-cirúrgicas (periodicidade mensal).

As variáveis ou grupos de variáveis estudadas foram:

1. Legibilidade: a prescrição foi considerada ilegível quando pelo menos dois pesquisadores tiveram dificuldade para ler o que estava escrito, recorrendo ao prescritor para esclarecimento.

2. Cumprimento de procedimentos legais15-18

a) Nome do paciente: foi avaliado se estava completo (sem abreviaturas ou omissões), legível e se era o paciente certo.

b) Data da prescrição e assinatura do prescritor: para ambos, foi avaliada presença e legibilidade.

c) Número de registro profissional: foram avaliadas presença e legibilidade, sendo considerado presente quando estava manuscrito ou em carimbo.

d) Tipo de denominação utilizada para o medicamento: foi avaliado se o medicamento estava prescrito utilizando- se denominação genérica, comercial ou fórmula química.

3. Cumprimento de procedimentos institucionais:

a) Número do prontuário, do leito e unidade de internação: foram avaliadas para todos a presença e a legibilidade e se estavam corretas.

b) Uso de abreviaturas: foi considerado erro quando utilizadas no nome de medicamento, nome do paciente, "U" e "UI" (para unidades e unidades internacionais, respectivamente), e quando poderiam ser confundidas com zero19,20.

4. Análise de erros de prescrição

a) Existência de erros: cada prescrição contém um ou mais itens de medicamento e pode conter um ou mais erros. Os erros de prescrição foram definidos como prescrições de medicamentos que envolvem paciente, medicamento, dose, frequência, via de administração e/ou forma farmacêutica errada, indicação inapropriada, terapêutica duplicada ou redundante, alergia documentada a medicamentos prescritos, terapia contraindicada e ausência de informação crítica (idade, peso, creatinina sérica, diagnóstico etc.) necessária para a dispensação e administração do medicamento21. Incluem ainda a combinação inapropriada de medicamentos13 e a duração inadequada do tratamento. Foram consultadas informações dos fabricantes dos medicamentos prescritos (bulas), informações disponíveis no Micromedex®22 e em fonte terciária23.

b) Existência de erros clinicamente significantes (ECS): foram identificados e quantificados conforme Meyer24, ou seja, o ECS seria aquele que ocorreu como resultado de uma decisão de prescrição ou processo da elaboração da prescrição escrita, de forma não intencional, e que gerou ou contribuiu para uma significativa redução de a probabilidade do tratamento ser oportuno e efetivo, ou quando aumentou o risco de dano, se comparado com os padrões atuais de prática25,26. Foram também utilizados para identificar a existência de ECS, informações dos fabricantes dos medicamentos prescritos (bulas), informações disponíveis no Micromedex®22 e em fonte terciária23. Os prontuários dos pacientes foram consultados para identificar condições clínicas que poderiam influenciar as análises, como peso, área corporal, resultados de exames laboratoriais, sintomas relatados (constipação, náusea, vômito), registro de alergias, doenças, hábitos (uso de drogas ilícitas, etilismo)27.

c) Tipos de ECS em prescrição: foram classificados, segundo Dean28, em erros de decisão e de redação. Os erros de decisão são associados ao grau de conhecimento do prescritor sobre o quadro clínico do paciente e escolha da farmacoterapia. Os erros na redação são falhas na comunicação de informações essenciais, associadas ao processo de elaboração da prescrição (p. ex., prescrever um medicamento omitindo a via de administração, quando este pode ser administrado por mais de uma via; prescrever para paciente errado; prescrever o medicamento errado).

d) Gravidade do erro: os ECS foram subdivididos em reais (detectados após sua ocorrência) e potenciais (equívocos em prescrição, os quais são detectados e corrigidos completamente, antes da administração dos medicamentos). Para a classificação da gravidade, utilizou-se: 1. Para os erros reais, o índice de categorização de erros de medicação do National Coordinating Council for Medication Error Reporting and Prevention (B: um erro ocorreu, mas não chegou a atingir o paciente; C: um erro ocorreu, atingiu o paciente, mas não causou dano; D: um erro ocorreu, atingiu o paciente, necessitou de monitoração para confirmar que não resultou em dano ao paciente e/ou necessitou de intervenção para impedir o dano; E: um erro ocorreu e pode ter contribuído para, ou resultou em dano temporário para o paciente, requerendo intervenção e F: um erro ocorrido pode ter contribuído para ou resultado em dano temporário para o paciente, causando o prolongamento da hospitalização)29; 2. Para os erros potenciais, a escala de Lesar21 adaptada, identificando-os como: AA = potencialmente fatal; AB = potencialmente grave e AC = potencialmente significante (com potencial para produzir efeito adverso).

Para a determinação da taxa de prevalência de erros clinicamente significativos (ECS) em prescrição, foi utilizado o método de Lesar21, adaptado por Néri3. A taxa de segurança do processo de prescrição (TSPP) foi calculada através da fórmula: TSPP = 100% - taxa de ECS em prescrição. As unidades de observação do estudo estão relacionadas aos indivíduos (pacientes) e aos medicamentos.

Na etapa de controle de qualidade, os ECS identificados foram avaliados de forma independente, por um médico- intensivista e uma farmacêutica doutora em farmacologia, para consenso das análises. Em caso de discordância, um médico especialista foi consultado.

Os valores foram expressos em média e desvio-padrão (X ± DPM) e processados no programa Epi Info. Para a análise de proporções, utilizou-se o teste z, para comparar os valores da taxa de prevalência de ECS em prescrição e TSPP. Para a análise de proporções em tabelas 2 x 2, utilizou-se testes não paramétricos (X2, Fisher-Freeman- Halton). O grau de significância estatística considerado foi de p < 0,05.

O estudo foi aprovado pelo comitê de ética (protocolos 193/02 e 356/05), conforme a Resolução nº 196 do Conselho Nacional de Saúde e o pesquisador estava eticamente obrigado a intervir quando um erro era identificado, para evitar que o mesmo atingisse o paciente ou para interromper seu curso.

 

Resultados

Foram coletadas 474 prescrições (3.460 medicamentos prescritos) no período de 1º a 30 de junho de 2003 (1ª coleta), e 140 prescrições (1.030 medicamentos prescritos) de 7 a 13 de maio em 2007 (2ª coleta). O número médio de itens por prescrição foi de 10,77 ± 6,20 (1ª coleta) e 10,50 ± 5,69 (2ª coleta) (p = 0,645). Por sua vez, o número médio de medicamentos por prescrição foi de 7,30 ± 4,70 e 7,36 ± 4,63 (p = 0,897), respectivamente, para a 1ª e 2ª coleta.

A Tabela 1 apresenta a ocorrência de erros no cumprimento dos procedimentos legais e institucionais. Foi observado que os nomes dos pacientes estavam incompletos e ilegíveis [2003 (n = 168), 2007 (n = 38); p= 0,06] e que a assinatura do prescritor estava presente, porém ilegível [2003 (n = 464), 2007 (n = 120); p = 0,0001].

O uso de abreviaturas foi observado em 98% dos medicamentos prescritos nos dois períodos (2003, n = 3.406; 2007, n = 1.017). Em 2003, as abreviaturas foram mais frequentes na via de administração (n = 2.980), posologia (n = 2.279), forma farmacêutica (n = 1.783) e nome do medicamento (n = 297). Já em 2007, elas foram mais usadas na posologia (n = 634), via de administração (n = 265), nome do medicamento (n = 80) e forma farmacêutica (n = 10). Foi observada, em ambos os períodos, a utilização da abreviatura "U" para unidade.

A denominação genérica foi utilizada em 66,01% (n = 2.284) dos medicamentos prescritos em 2003 e em 69,61% (n = 717) no ano de 2007 (p = 0,034). A denominação comercial foi adotada, em 2003, em 30,75% (n = 1.064) dos medicamentos prescritos, e em 2007 para 28,30% (n = 291) (p = 0,135). Já a fórmula química foi usada em 3,24% (n = 114) dos medicamentos prescritos em 2003 e 2,14% (n = 22) em 2007 (p = 0,086).

As informações sobre alergia estavam ausentes nas prescrições coletadas e a menção do questionamento ao paciente sobre alergias não foi encontrada em 40,5% (n = 192) e 53,57% (n = 75) dos prontuários em 2003 e 2007, respectivamente (p = 0,008). Já a informação sobre o peso estava ausente em 71,94% (2003; n = 341) e 75,71% (2007; n = 106) dos prontuários (p = 0,436).

A análise de legibilidade dos medicamentos prescritos revelou que em 2003 99,54% deles (n = 3.444) eram legíveis e, em 2007, 92,72% (n = 955) (p = 0,001). A omissão de uma ou mais informações relevantes para a segurança da dispensação e administração dos medicamentos prescritos foi verificada, sendo identificado que, em 2003, 75,35% dos medicamentos (n = 2.607) apresentavam omissão de informação relevante, enquanto em 2007, 79,22% (n = 816) (p = 0,012). As informações mais omitidas foram velocidade de infusão [2003 (78,22%, n = 2.706); 2007 (74,44%, n = 753)]; concentração [2003 (54,02%, n = 1.869); 2007 (52,77%, n = 534)] e forma farmacêutica [2003 (53,12%, n = 1.838); 2007 (55,15%, n = 558)].

Na 1ª coleta (2003) foram identificados 8.271 erros de prescrição nas 474 prescrições contendo 3.460 medicamentos prescritos e, destes erros, 12,24% (n = 1.012) foram ECS, tendo este número variado de um a dez ECS/prescrição (média = 2,60 ± 0,10). Em 2007 todas as prescrições possuíram erros (n = 140), totalizando 2.608 erros para os 1.030 medicamentos prescritos, dos quais 9,55% (n = 249) eram ECS, tendo variado de um a nove ECS/prescrição (média = 2,50 ±1 ,80). Somando-se os erros dos dois períodos e dividindo-se pelo total de prescrições coletadas, foi obtida média de dois ECS/prescrição, sendo 75,34% (n = 950) dos erros concentrados no processo de redação. Os medicamentos mais envolvidos em ECS em ambas as coletas foram dipirona [2003 (11,74%); 2007 (10,03%)], insulina regular [2003 (7,28%); 2007 (8,70%)] e digoxina [2003 (3,53%); 2007 (10,03%)].

Os ECS foram categorizados em erros de redação e de decisão. O percentual de erros ocorridos no processo de redação foi, em 2003, 75,39% (n = 763) e, em 2007, 75,10% (n = 187) (p = 0,987) (Tabela 2).

Quanto aos erros no processo de decisão, observou- se em 2003 a ocorrência de 249 ECS (24,6%) e, em 2007, 24,90% (n = 62) (p = 0,961). Os tipos de erros de decisão e suas frequências são apresentados na Tabela 2.

Em 2003, 98,4% (n = 112) dos ECS foram potenciais e, em 2007, 100% (n = 249). Quanto à gravidade, os ECS se distribuíram conforme apresentado na Tabela 3.

Quando calculadas as taxas de prevalência dos ECS em prescrições, identificou-se em 2003 29,25% e, em 2007, 24,20%; (z = 2,99; p = 0,003), gerando uma taxa de segurança do processo de prescrição em 2003 de 70,75% e, em 2007, de 75,80% (z = 3,30; p = 0,0001)

 

Discussão

Os resultados obtidos corroboram com achados de estudos nacionais e internacionais6,8,20,30-33 e evidenciam que os erros de prescrição são comuns e devem ser enfrentados pelos profissionais envolvidos na assistência à saúde, com destaque para os hospitais de ensino, nos quais a cultura da segurança, caso seja incorporada durante a formação de profissionais, pode resultar em mudanças no sistema de saúde.

As prescrições analisadas, em ambas as fases, apresentaram número médio de itens e de medicamentos estatisticamente semelhantes, indicando a reprodutibilidade do método usado, bem como o fato de os pacientes serem polimedicados, o que favorece a ocorrência de erros3,31. O número médio de medicamentos por prescrição foi semelhante ao encontrado por Cruciol-Souza34, em hospital de ensino do Paraná, reforçando a necessidade de maior atenção sobre as prescrições neste grupo específico de hospitais devido à confluência de fatores associados à maior propensão aos erros3.

Nome do prescritor, assinatura e número do registro no conselho profissional, quando associados, conferem à prescrição validade legal, e quando essas informações estão ilegíveis ou omissas as prescrições não devem ser dispensadas ou cumpridas. Essa ótica legal ainda encerra discussões de natureza técnica e prática no tocante ao esclarecimento de dúvidas e necessidade de comunicação com o prescritor, dificultando a rotina hospitalar. Os resultados obtidos em 2003 e 2007, no que se refere à identificação do prescritor, foram melhores que os de Sebastião35, que identificou ausência de 83% do número de registro profissional, 19,2% da assinatura do prescritor e 45,2% do nome do mesmo nas prescrições. A legibilidade da assinatura do prescritor melhorou de forma estatisticamente significante entre 2003 e 2007.

Além dos quesitos mencionados anteriormente, a data confere validade à prescrição, que no meio hospitalar é, em geral, de 24 horas. Quando considerada a existência desta, os resultados obtidos nas coletas foram semelhantes aos de Sebastião35 (97,2%) e Miasso30 (96%), mas maiores que os de Rosa20 (90,6%).

O uso de abreviaturas e símbolos em prescrições é apontado como fator relacionado a erros19,20, algumas vezes fatais36. Vários prescritores veem o uso de abreviaturas como forma de economizar tempo, sem contudo pensar no tempo gasto pelos demais profissionais para elucidar as dúvidas36 e nos riscos decorrentes de interpretações equivocadas. Além disso, o uso de abreviaturas contraria o Decreto nº 20.931/3215, que determina que a prescrição deve ser feita por extenso e proíbe receitar sob forma secreta. A prática do uso de abreviaturas foi amplamente identificada em ambas as coletas, assemelhando-se ao resultado de Miasso30, devendo-se destacar o uso de abreviatura no nome do medicamento e do "U" para "unidade", ambos descritos por Cohen37 como problemas de segurança significativos. O uso do "U" está incluído na relação de abreviaturas proibidas pela Joint Commission on the Accreditation of Health Care Organizations36 . No Brasil, em 2007, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária discutiu a padronização dos nomes, conceitos e abreviaturas das formas farmacêuticas de medicamentos para garantir um entendimento comum38.

A utilização da denominação genérica na prescrição, nos dois anos estudados, foi o dobro do valor obtido por Sebastião (30,2%)35. Comparando-se os anos de 2003 e 2007, evidenciou-se aumento significante da adoção da denominação genérica sem contudo cumprir integralmente o dispositivo legal que regula a matéria18.

Informações como peso e relato de alergia são ferramentas básicas para a segurança da dispensação e administração de medicamentos3; entretanto, a ausência destas nos prontuários foi elevada e semelhante entre os períodos, concordando com os achados de Devine39. Quanto à alergia, houve um aumento significante no percentual de prontuários que não possuíam registro de este questionamento ter sido feito ao paciente, sendo preocupante uma vez que a conduta da não documentação expõe os usuários dos serviços de saúde a um risco de dano desnecessário e evitável. Segundo Runciman40, mais de 75% das reações alérgicas prévias a medicamentos não são registradas em prontuário. Esses dados reforçam a necessidade de maior ênfase durante a formação do prescritor sobre a adoção de boas práticas de documentação3.

A baixa legibilidade das prescrições, principalmente manuscritas20,30, tem sido apontada como importante causa de falha na comunicação entre profissionais envolvidos na assistência hospitalar e fator contribuinte para erros de medicação20,30,31,33,41,42. Apesar de apresentar resultado de legibilidade acima de 90%, verificou-se redução significante da legibilidade das prescrições entre 2003 e 2007, sendo indicativo de maior probabilidade de dano ao paciente. Esses achados podem ser minimizados com a adoção da prescrição eletrônica43 e reforçam a necessidade de revisão da formação do prescritor 44.

Similarmente, a omissão de informação é considerada uma falha grave no processo de prescrição, influenciando negativamente a qualidade da comunicação30,34. Quando avaliado esse indicador, observou-se que ocorreu aumento significante no percentual de falta de informação relevante para a segurança da dispensação e administração de medicamentos. A concentração e forma farmacêutica figuraram dentre as informações mais omitidas nas duas coletas, problemas esses também relatados por Rosa20, Miasso30 e Sebastião35 em outros hospitais brasileiros. A omissão da velocidade de infusão, também identificada, pode levar à ocorrência de reação adversa a medicamento, velocidade de infusão-dependente, como é o caso da síndrome do homem vermelho, relacionada à infusão rápida de vancomicina3.

A análise segmentada revelou que os erros de redação tiveram comportamento semelhante e representaram mais de três quartos do total, nos dois períodos. Nesse contexto, os resultados foram semelhantes aos de Rosa20, Devine39 e Dean45. Os erros de redação também tiveram comportamento similar entre 2003 e 2007. Erros de decisão são considerados mais complexos de serem evitados que os de redação3.

Dentre os ECS de redação, a omissão de itens da identificação do paciente (nome, prontuário, leito, posto/clínica ou serviço onde está internado) predominou, aumentando a chance de um paciente vir a receber medicamentos que não foram prescritos para ele e sofrer danos decorrentes dessa troca7. Neste estudo, o nome do paciente na prescrição apresentou elevado percentual de inadequação (incompleto, com abreviatura e ilegível), contribuindo para a ocorrência de troca de prescrições entre homônimos, possibilidade esta descrita na literatura45 e que pode ser evitada através da adequada identificação do paciente.

A prescrição ambígua/confusa teve seu percentual reduzido significantemente ao se comparar 2003 com 2007, porém esse resultado representa ainda o dobro da frequência identificada por Ridley33, em estudo de prescrições em unidade de terapia intensiva (UTI).

Quanto aos ECS no processo de decisão, observou-se prevalência semelhante nos dois períodos, porém com frequência menor que os de redação, sendo observada tendência de redução significante na ocorrência de interações medicamentosas. A gravidade dos erros de decisão, conforme Dean45, é maior que a dos erros de redação. A falta de conhecimento e de informação sobre o paciente foi apontada por Louro31 como fator relacionado a erros de prescrição.

A interação medicamentosa e a prescrição de medicamento sem indicação para o paciente foram os erros de decisão predominantes nas coletas, e o percentual de ocorrência da interação, frente ao total de ECS identificados, foi cerca de três a cinco vezes maior que os identificados por Devine39 (2,8%) e Louro31 (3,4%), respectivamente. O percentual de interações medicamentosas clinicamente significativas identificadas neste estudo se assemelhou ao obtido por Hammes46 em UTI de Santa Catarina. Quando analisada a prescrição de medicamento contraindicado para o paciente, frente a condições preexistentes relatadas no prontuário, foi verificado aumento significante da ocorrência. Ambos os erros são relevantes e merecem ser considerados no processo de reflexão para o aprimoramento do ensino dos prescritores47.

A análise dos três medicamentos mais envolvidos em ECS revelou que dois são classificados como medicamentos potencialmente perigosos e associados a erros mais graves20. Nesse estudo, e no de Devine39, a maioria dos erros foi potencial, sendo a minoria classificada como potencialmente fatal. Com relação aos erros reais, alguns deles atingiram o paciente, resultando em dano temporário, tendo prevalência 3,4 vezes maior que a identificada por Devine (0,2%)39.

A taxa de prevalência de ECS em prescrição sofreu redução significante entre os períodos e teve percentual médio semelhante ao de Devine (27,4%)39. A redução da taxa de prevalência de ECS, resultante da redução quantitativa dos erros clinicamente significativos, proporcionou um aumento significante da taxa de segurança desse processo; entretanto, não foi verificada redução na gravidade dos erros identificados entre os períodos.

Os fatores que mais contribuíram para elevar a TSPP foram o aumento do percentual do registro correto da unidade de internação do paciente, presença e legibilidade de assinatura na prescrição, aumento da utilização de denominação genérica e redução de medicamentos prescritos de forma ambígua/confusa.

Os achados sugerem melhoria da qualidade do processo de prescrição entre os períodos estudados sem, contudo, ter influenciado a gravidade dos erros. Ross47 relata que existem poucas evidências na literatura atual que oriente as escolas médicas em como preparar os estudantes para prescrever e que o uso do Guia para Boa Prescrição Médica da OMS11 é o único modelo que possui evidências de melhoria da prescrição. O método da OMS foi adotado neste estudo e pode ter contribuído para a redução dos ECS. A redução da ocorrência de erros após a adoção de programa educacional voltado para prescritores também foi evidenciada por outros autores4,19,25.

 

Conclusão

O processo de prescrição é complexo e permeado por erros. Os erros de prescrição são geralmente multifatoriais e originários de falhas ativas ou condições que induzem ao erro, geralmente agindo juntas para causá-los. Diante dessa complexidade, soluções envolvendo uma única causa, como a falha de conhecimento, parecem possuir benefícios limitados.

O enfrentamento da problemática dos erros de prescrição é um desafio mundial e deve ser meta institucional. Neste estudo foi identificado o aumento estatístico da taxa de segurança do processo de prescrição, influenciado pela redução quantitativa dos erros clinicamente significativos entre 2003 e 2007, sem contudo alterar a gravidade dos mesmos, indicando que as medidas adotadas foram inefetivas na redução da gravidade.

 

Referências

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Correspondência para:
Milena Pontes Portela
Rua Capitão Francisco Pedro, 1290, Rodolfo Teófilo
Fortaleza - CE CEP: 60430-372
milenaportela@yahoo.com.br

Artigo recebido: 12/01/2011
Aceito para publicação: 02/03/2011
Suporte Financeiro: Fundação Cearense de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico do Estado do Ceará (FUNCAP) pelo financiamento da primeira coleta da pesquisa e à Anvisa pelo financiamento da segunda coleta e análise estatística dos dados.
Conflito de interesse: Não há.

 

 

Trabalho realizado no Hospital Universitário Walter Cantídio da Universidade Federal do Ceará, Fortaleza, CE

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