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Revista da Associação Médica Brasileira

Print version ISSN 0104-4230

Rev. Assoc. Med. Bras. vol.58 no.6 São Paulo Nov./Dec. 2012

http://dx.doi.org/10.1590/S0104-42302012000600017 

ARTIGO ORIGINAL

 

Frequência dos tipos de cefaleia no centro de atendimento terciário do Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Minas Gerais

 

 

Ariovaldo Alberto da Silva JuniorI; Rafael Mattos TavaresII; Rodrigo Pinto LaraII; Bruno Engler FaleirosIII; Rodrigo Santiago GomezI; Antônio Lúcio TeixeiraI,IV

INeurologistas, Serviço de Neurologia do Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Belo Horizonte, MG, Brasil
IIAcadêmicos de Medicina, Faculdade de Medicina da UFMG, Belo Horizonte, MG, Brasil
IIIMédico, Serviço de Neurologia do Hospital das Clínicas da UFMG, Belo Horizonte, MG, Brasil
IVProfessor do Departamento de Clínica Médica, Faculdade de Medicina da UFMG, Belo Horizonte, MG, Brasil

Correspondência para

 

 


RESUMO

OBJETIVO: Avaliar a frequência dos diferentes diagnósticos de cefaleias do Ambulatório de Cefaleias do Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Minas Gerais (AmbCef-UFMG).
MÉTODOS: Estudo transversal e descritivo com 289 pacientes atendidos consecutivamente no AmbCef-UFMG. O diagnóstico da cefaleia baseou-se nos critérios da Classificação Internacional das Cefaleias (ICDH-2004).
RESULTADOS: A idade média dos pacientes foi 42,6 anos, sendo a maioria do sexo feminino (86,9%) e com menos de nove anos de escolaridade. As cefaleias primárias foram as mais comuns, sendo a migrânea encontrada em 79,8% dos casos e a cefaleia do tipo tensional (CTT), em 20,4%. Entre as secundárias, o tipo mais comum foi a cefaleia por uso excessivo de analgésicos (16,6%), seguido de casos menos comuns como a hipertensão intracraniana idiopática. A cefaleia crônica diária (CCD) esteve presente em 31,8% dos casos.
CONCLUSÃO: Este estudo confirma dados da literatura que mostram a migrânea como a cefaleia mais comum em centros terciários. O número expressivo de casos de CCD e de uso excessivo de analgésicos indica que, desde o nível primário de atenção, os pacientes deveriam ser orientados a evitar o uso abusivo de medicação sintomática.

Unitermos: Cefaleia primária; epidemiologia; cefaleia do tipo tensional; prevalência; centro terciário.


 

 

INTRODUÇÃO

A cefaleia é um sintoma universal e estima-se que 95% dos homens e 99% das mulheres terão pelo menos um episódio ao longo da vida, das quais cerca de 40% apresentam-na com certa regularidade1. Mesmo comunidades distantes dos grandes centros urbanos apresentam taxas elevadas de cefaleia, como mostrou um estudo epidemiológico realizado com toda a população de uma pequena cidade no interior de Minas Gerais. Nesse estudo, 65,4% dos habitantes tiveram cefaleia em um período de 12 meses2.

As causas de cefaleia são múltiplas e predominam aquelas decorrentes de alterações funcionais do sistema nervoso central, chamadas cefaleias primárias, como a cefaleia do tipo tensional (CTT) e a migrânea. As cefaleias podem variar conforme a intensidade e a frequência, podendo ser extremamente incapacitantes3. Em virtude da complexidade e morbidade de alguns casos, há demanda por atendimento em centros especializados. A frequência dos tipos diagnósticos tratados nesse contexto mostra-se diferente quando comparada à frequência observada na comunidade3,4.

Se por um lado a CTT figura como a cefaleia mais prevalente na população em geral, nos centros terciários há predomínio da migrânea3-7. Essa diferença se explica, pelo menos em parte, pelo fato de que a CTT episódica, embora muito comum, é menos incapacitante3. Por sua vez, a migrânea é uma cefaleia caracteristicamente de forte intensidade, sendo acompanhada por sintomas como náuseas e vômitos ou foto e fonofobia8.

A cefaleia pode ser incapacitante não só pela intensidade, mas também pela frequência das crises, podendo se apresentar de forma quase diária. Essa síndrome é conhecida como cefaleia crônica diária (CCD) e sua prevalência na população geral é em torno de 5%, enquanto em centros terciários varia entre 30 e 90% dos casos4,9.

Conhecer o perfil das cefaleias dos pacientes atendidos em centros terciários pode auxiliar na elaboração dos processos diagnósticos e terapêuticos nos níveis de atenção primária e secundária, propiciando um manejo mais adequado dos casos. Nesse sentido, apresentaremos a frequência dos diferentes diagnósticos de cefaleias do Ambulatório de Cefaleias do Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Minas Gerais (AmbCef-UFMG).

 

MÉTODOS

Trata-se de estudo transversal e descritivo que incluiu 289 pacientes atendidos consecutivamente no AmbCef-UFMG de fevereiro a maio de 2011, período em que os dados foram coletados. O agendamento para assistência neste centro terciário é realizado após triagem dos casos, acima de 12 anos de idade, e encaminhados ao serviço de neurologia do Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Minas Gerais. Os encaminhamentos são realizados principalmente por médicos de atenção primária que prestam atendimento nas unidades básicas de saúde. Pacientes atendidos no setor de urgência, pela equipe de neurologia, são encaminhados diretamente ao ambulatório de cefaleias.

As consultas são constituídas por avaliação clíniconeurológica e pela aplicação de uma entrevista semiestruturada para o diagnóstico de cefaleia conforme os critérios da Classificação Internacional das Cefaleias-200410. Os pacientes que relatam mais de uma forma de cefaleia recebem diagnósticos específicos para cada tipo. Os casos de maior complexidade são discutidos ao final do atendimento e os diagnósticos são estabelecidos de forma colegiada. Após a avaliação neurológica, os pacientes são atendidos por uma equipe multiprofissional constituída por dentistas, fisioterapeutas, nutricionistas, psiquiatras, psicólogos e fonoaudiólogos.

Nos casos de CCD associada ao uso excessivo de analgésicos, o diagnóstico definitivo só é estabelecido após dois meses de suspensão do abuso de medicação sintomática, tempo necessário para que as características semiológicas dos casos assumam o padrão clínico que precedeu a cronificação da dor.

Inicialmente foi feita uma análise descritiva das variáveis utilizadas no estudo. Para as variáveis nominais ou categóricas, foram feitas tabelas de distribuição de frequências. Para as variáveis contínuas, foram utilizadas medidas de tendência central e variabilidade.

 

RESULTADOS

Os 289 indivíduos participantes do estudo apresentaram uma média de idade de 42,6 anos (desvio-padrão: 15,0; mínimo: 14,0; máximo: 88,0), com predomínio do sexo feminino (86,9%). A maior parte deles apresentou baixa escolaridade; 52,3% dos pacientes estudaram por menos de nove anos; 35,0%, entre nove e 11 anos; e apenas 12,7%, por período maior que 11 anos.

A maioria dos pacientes apresentou cefaleias primárias, sendo o diagnóstico mais encontrado o de migrânea, presente em 79,8% dos casos. Entre os diferentes subtipos, migrânea sem aura foi o diagnóstico mais comum (42,2%), seguido de migrânea com aura (25,9%). A CTT foi o segundo tipo de cefaleia primária mais frequente, tendo sido encontrada em 20,4% dos casos. A CTT foi, portanto, mais comum que a cefaleia do tipo pontada, diagnosticada em 46 pacientes (15,9%). Foram diagnosticados outros tipos menos comuns de cefaleias primárias, como a hemicrânia paroxística crônica (n = 5) e a cefaleia em salvas (n = 2).

Entre as cefaleias secundárias, o tipo mais comum foi a cefaleia atribuída ao uso excessivo de analgésicos, com frequência similar ao da cefaleia primária em pontadas (48 indivíduos ou 16,6% dos casos). O segundo tipo de cefaleia secundária mais frequente foi decorrente de transtorno intracraniano não vascular com 10 casos, incluindo nesta categoria os de hipertensão intracraniana idiopática. Todas as cefaleias descritas, bem como outros tipos de cefaleia menos frequentes, estão representadas na Tabela 1. Salienta-se que a maioria dos indivíduos recebeu mais de um diagnóstico, o que justifica o maior número de diagnósticos do que de participantes.

A maioria dos casos de cefaleia primária em pontada, CTT e cefaleia atribuída ao uso excessivo de analgésicos foi encontrada em pacientes com migrânea. Entre eles, 20,3% apresentaram cefaleia primária em pontada, 18% com CTT e 19,4% consumiam analgésicos de forma abusiva. As associações desses tipos diagnósticos com a migrânea podem ser visualizadas na Tabela 2.

A CCD esteve presente em 31,8% dos casos. As causas foram cefaleia atribuída ao uso excessivo de analgésicos (16,6% do total de pacientes), migrânea crônica (11,7%), cefaleia do tipo tensional crônica (11%), hemicrania paroxística crônica (1,7%) e cefaleia pós-traumática crônica (1%).

 

DISCUSSÃO

Assim como na população geral, o perfil predominante do paciente encontrado em nosso ambulatório é o de mulheres na faixa etária de 20 a 49 anos6,11,12, ou seja, uma população em idade reprodutiva e economicamente ativa, em que crises de dor incapacitantes e mal controladas acarretarão prejuízo ao próprio indivíduo e à sociedade. Steiner e colaboradores, em um estudo inglês, estimaram uma perda de 5,7 dias de trabalho ou de estudo por ano para cada migranoso13.

Nossa amostra teve amplo predomínio de indivíduos com baixa escolaridade. O nível de escolaridade apresenta grande variação entre centros. Estudos brasileiros observaram um predomínio da ocorrência de crises de cefaleia entre pacientes com baixo nível socioeconômico6,12,14. Entretanto, o estudo inglês não observou essa tendência13, o que pode refletir a natureza dos centros brasileiros, compostos predominantemente de serviços públicos de atenção à saúde.

A frequência dos tipos diagnósticos das cefaleias na população geral difere da observada em centros terciários possivelmente pela maior ou menor morbidade que causam aos indivíduos, o que influencia a demanda por atendimento médico4-7,15. A migrânea é o tipo mais prevalente em centros terciários de atendimento, com taxas variando entre 35 e 80%5-7. Em nosso ambulatório, a migrânea foi diagnosticada na mesma frequência, 79,2% dos casos, que a de um estudo realizado em 2005 com 106 pacientes. Em um serviço paulista especializado, 37,98% dos pacientes apresentaram migrânea como queixa principal e 22,65%, CTT6. Essa diferença na frequência de migrânea pode refletir diferenças metodológicas, uma vez que o estudo paulista é retrospectivo e o nosso, de corte transversal. Entretanto, a maior prevalência de migrânea é evidente e reflete sua importância clínica na decisão de procurar assistência médica. Além disso, sua associação com outras cefaleias primárias é comum, podendo atingir 40% dos casos16,17. A cefaleia primária em pontada, por exemplo, foi encontrada em aproximadamente um quinto dos pacientes migranosos.

A CTT, episódica ou crônica (CTTC), foi a segunda causa mais frequente de cefaleia, enquanto na comunidade é o tipo mais comum, com prevalência variando de 30 a 80%10. Um estudo chinês encontrou uma prevalência de 66,9% de CTT em um centro terciário18.

A CCD foi responsável por aproximadamente um terço dos casos, enquanto na comunidade a prevalência gira em torno de 3 a 7%9,19. A causa mais frequente de CCD foi a migrânea associada ao uso excessivo de analgésicos. A desproporção entre a prevalência na comunidade e em centros terciários parece ser decorrente da maior complexidade clínica dos pacientes referenciados, que muitas vezes costumam não ter a resposta ao tratamento em níveis de atenção primária ou secundária. Ressalta-se que é pequena a eficácia da terapia profilática enquanto persistir o uso abusivo de analgésicos.

De fato, a cefaleia é um problema de saúde pública mundial, reconhecido em tais termos pela Organização Mundial de Saúde (OMS), principalmente nos países que compõem o BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China), onde o planejamento das ações de prevenção e tratamento ainda enfrenta muitos desafios2,9. No Brasil, o Programa de Saúde da Família tem se mostrado efetivo para ampliar o acesso da população aos serviços de atenção básica20, sobretudo no que se refere ao controle de condições crônicas como diabetes mellitus e hipertensão arterial21,22. A despeito desses avanços, a cefaleia ainda não dispõe de uma abordagem específica em âmbito nacional2. Alguns autores atribuem isso à dificuldade diagnóstica pela ausência de um marcador biológico nas cefaleias primárias23, bem como ao temor do generalista quanto à possibilidade de causa secundária potencialmente fatal24. Galdino et al. sugeriram que a falta de disseminação dos critérios da Sociedade Internacional de Cefaleia (International Headache Society) para médicos da atenção primária impõe uma importante barreira à abordagem das dores de cabeça24 Nesse sentido, um estudo brasileiro observou que o diagnóstico correto de migrânea foi estabelecido somente em 44,9% dos casos avaliados por não especialistas25. Diagnósticos incorretos frequentemente conduzem a tratamentos inadequados, como por exemplo, o abuso de analgésicos ou anti-inflamatórios, determinando pior prognóstico e, consequentemente, aumentando a proporção de pacientes que necessitarão eventualmente serem encaminhados para a atenção especializada25-27.

De todo modo, o presente estudo, sendo descritivo e incluindo a casuística específica de um único centro terciário, apresenta limitações quanto ao entendimento da questão em outros níveis de assistência. Além disso, a falta de acompanhamento longitudinal dos casos frente ao tratamento instituído também é outro fator limitante na compreensão de estratégias que possam otimizar a melhora clínica dos pacientes. Ainda assim, a alta frequência de uso excessivo de medicação detectada na amostra indica que a questão do abuso de analgésicos é um aspecto muito importante, com implicações de saúde pública.

 

CONCLUSÃO

O conhecimento das cefaleias mais frequentes em um ambulatório de atendimento especializado pode auxiliar no diagnóstico diferencial dos casos quando atendidos na atenção primária.

O número expressivo de casos de CCD decorrentes de migrânea associada ao abuso de analgésicos indica que, na atenção primária, devem ser realizadas intervenções educativas pelos diversos profissionais, incluindo os agentes comunitários de saúde, sobre a importância de se evitar o consumo excessivo de analgésicos. Além disso, os médicos de saúde da família e os neurologistas da atenção secundária devem oferecer tratamento preventivo precoce, principalmente às mulheres da segunda à quarta décadas de vida, com quadro sugestivo de migrânea.

 

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Correspondência para:
Ariovaldo Alberto da Silva Junior
Avenida Timbiras, 1940/ 803 Lourdes
Belo Horizonte, MG Brasil CEP: 30140-061
Tel/Fax: +55 31 3201-4577
juniorariovaldo@uol.com.br

Artigo recebido: 08/12/2011
Aceito para publicação: 10/07/2012
Conflito de interesse: Não há.

 

 

Trabalho realizado no Ambulatório de Cefaleias do Serviço de Neurologia do Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, MG, Brasil

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