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Revista de Sociologia e Política

Print version ISSN 0104-4478

Rev. Sociol. Polit.  no.28 Curitiba June 2007

http://dx.doi.org/10.1590/S0104-44782007000100004 

DOSSIÊ "EMPRESARIADO, ECONOMIA E POLÍTICA"

 

Representação de classe do empresariado financeiro na América Latina: a rede transassociativa no ano 2006

 

The structure of class representation for the latin american financial entrepreneurial sector: trans-associative networks during the year 2006

 

Structure de la représentation de la classe de l'entrepreneur financier en amerique latine: le réseau transassociatif en l'an 2006

 

 

Ary Cesar Minella

 

 


RESUMO

O trabalho analisa a estrutura de representação de classe do empresariado financeiro na América Latina com o objetivo de identificar as conexões que se estabelecem entre as associações de bancos a partir da presença comum de conglomerados ou grupos financeiros que atuam, simultaneamente, na diretoria de várias entidades, em diferentes países, tomando como referência o ano de 2006. Trabalha-se com a hipótese da formação de redes transassociativas, adotando-se a metodologia de Análise de Redes Sociais; parte dos resultados foi comparada com dados disponíveis para o ano de 2000. Entre outros aspectos, constatou-se: a) um número elevado de conexões entre as associações; b) a centralidade na rede de dez conglomerados ou grupos financeiros que atuam em associações de bancos em três ou mais países e c) as associações que apresentam maior grau de conexão estão localizadas na Argentina, Chile, Brasil, Costa Rica, México, Nicarágua, Panamá, Paraguai e Peru. Concluiu-se que grande parte da estrutura de representação de classe do empresariado financeiro na América Latina encontra-se transnacionalizada, reforçando nossa hipótese. Discute-se o alcance e o significado dessa rede à luz da literatura internacional, destacando-se, entre outros aspectos, o potencial de intercâmbio de informação, a possibilidade de articular e coordenar posicionamentos e ações corporativas e políticas, a vinculação com outras instâncias de organização e defesa dos interesses de classe do setor financeiro.

Palavras-chave: empresariado financeiro; redes transassociativas; associações de bancos; estrutura de classe; conglomerados e grupos financeiros; sistema financeiro.


ABSTRACTS

This paper analyzes the structure of class representation among the financial entrepreneurial sector in Latin América. Our goal is to identify the connections established between bank associations through the common presence of conglomerates or financial groups that act simultaneously in the directorship of several entities in different countries, taking the year 2006 as our reference. We work with a hypothesis on the building of trans-associative networks. For our purposes, we studied 24 associations in 17 different countries, providing a total of 229 positions. Data was collected from the websites of the entities and through e-mail and telephone contacts. We adopted the methodology of Social Network Analysis and a part of our results were compared with data available for the year 2000. Among other things, we were able to confirm: a) a high number of connections between associations; b) centrality within the network of 10 conglomerates or financial groups that act within banking associations in three or more countries; among them, Citibank and the Spanish banks Santander and Bilbao Vizcaya stand out; d) the associations that present highest degrees of connection are located in Argentina, Chile, Brasil, Costa Rica, México, Nicarágua, Panamá, Paraguai and Peru. We conclude that a large portion of the structure of class representation among the financial entrepreneurial sector in Latin América has been “transnationalized”. This reinforces our hypothesis on the building of trans-associative networks, from which we go on to discuss the scope and meaning of this network as illuminated by international literature on the issue.

Keywords: finance sector entrepreneurs; trans-associative networks; bankers´ associations; classstructure; financial groups and conglomerates; finance system.


RÉSUMÉS

Ce travail analyse la structure de la représentation de la classe de l’entrepreneur financier en Amérique latine et a pour objectif d’identifier, au long de l’année 2006, les connexions qui naissent entre les associations des banques à partir de la présence partagée des conglomérats ou des groupes financiers travaillant simultanément dans l’administration de plusieurs organisations, dans plusieurs pays. Notre hypothèse est la formation de réseaux transassociatifs. Il a été pris en compte 24 associations, dans 17 pays, et 229 postes au total. Les données ont été collectées dans les pages web des organisations, sur le courrier électronique et par contact téléphonique. Il a été adopté la méthodologie de l’Analyse de Réseaux Sociaux et une part des résultats ont été comparés aux données disponibles pour l’année 2000. Constats: a) un grand nombre de connexions entre les organisations; b) centralisation sur le réseau de dix conglomérats ou groupes financiers travaillant dans des associations de banques dans trois pays ou plus, surtout Citibank et les espagnols Santander et Bilbao Vizcaya; d) les associations présentant le plus grand nombre de connexions se trouvent en Argentine, au Chili, au Brésil, au Costa Rica, au Mexique, au Nicaragua, au Panama, au Paraguay et au Pérou. Nous avons conclu qu’une grande part de la structure de représentation de la classe de l’entrepreneur financier en Amérique latine est transnationale, ce qui renforce l’hypothèse de la formations de réseaux transassociatifs, d’où naît la discussion sur la portée et la raison de ce réseau à la lumière de la littérature internationale.

Mots-clés: entrepreneur financier; réseaux transassociatifs; associations de banques; structure de classe; conglomérats et groupes financiers; système financier.


 

 

I. INTRODUÇÃO

Nos últimos anos minhas pesquisas trataram de analisar o sistema financeiro desde uma perspectiva sociopolítica, particularmente a organização e atuação corporativa e política do empresariado financeiro, a partir de sua estrutura de representação de classe na América Latina e especialmente no Brasil. Mais recentemente explorei a possibilidade de utilizar a metodologia de análise de redes sociais para estudar esse universo, convencido de suas possibilidades para pesquisar os setores sociais dominantes na sociedade capitalista contemporânea. Neste texto apresento alguns resultados preliminares dessa empreitada1.

O impulso para o uso dessa metodologia surgiu das constatações e dos limites de pesquisa anterior, que analisou as implicações do processo de globalização financeira na estrutura e dinâmica de representação de classe do empresariado financeiro, focalizando a presença de instituições financeiras estrangeiras na composição das diretorias de 19 associações de bancos, em 13 países latino-americanos, examinando um total de 212 cargos de direção, no ano de 2000 (MINELLA, 2003).

Os resultados apontaram para uma ativa presença de bancos estrangeiros, pois constatei que estes controlavam quase a metade dos cargos de direção, com destaque para 11 grupos ou conglomerados financeiros dos Estados Unidos e da Europa que praticamente ocupavam 1/3 dos cargos. Três casos mostraram-se mais significativos: o estadunidense Citibank (Citigroup) e os espanhóis Santander e Bilbao Vizcaya, cada um deles participando em associações de bancos em sete países. Observei que a participação simultânea de uma mesma instituição, grupo ou conglomerado financeiro em diversas associações estabelece uma conexão entre elas, criando o que denominei de "redes transassociativas", que teria um papel fundamental na configuração da estrutura de representação de classe formada pelas associações de bancos no continente.

Neste trabalho apresento os primeiros resultados de nova pesquisa realizada sobre essa rede, com referência ao ano de 2006, agora com um universo ampliado para 24 associações, em 17 países e um total de 229 membros da direção (cf. Quadro 1, no anexo)2. Além dessa ampliação, a diferença fundamental em relação à pesquisa anterior é a utilização da Análise de Redes Sociais, metodologia que permitiu identificar com maior precisão o alcance e as características da rede, avançando de modo considerável na compreensão do fenômeno estudado. Avalio que esse procedimento contribuiu para lançar novas luzes sobre a natureza e a dinâmica das relações que se estabelecem entre as entidades de classe que atuam na defesa dos interesses corporativos e também políticos do setor financeiro na América Latina.

Antes de apresentar e analisar os dados da rede transassociativa, conforme ela configurou-se em 2006, é necessário deixar claro o contexto analítico mais amplo em que essa análise inscreve-se. Quero destacar assim que a representação de classe do empresariado, que se manifesta no formato de associações de bancos, é interpretada como um entre vários outros elementos constitutivos de um campo analítico que procura entender as características e o poder das instituições financeiras no capitalismo contemporâneo. É nesse contexto, portanto, que insiro a rede transassociativa. Para apresentar esse quadro mais amplo, reproduzo a seguir, de maneira sucinta, considerações que desenvolvi em outros trabalhos (Minella, 2005a; 2005b; 2007).

 

II. REDE TRANSASSOCATIVA EM SEU CONTEXTO: AVALIANDO O PODER DAS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS NO CAPITALISMO CONTEMPORÂNEO

O momento atual do capitalismo caracteriza-se por uma preponderância da acumulação financeira (CHESNAIS, 2003), amparada em um processo de liberalização e desregulamentação dos mercados, e que tem levado, mediante diversos mecanismos e inovações financeiras, à renovação do grau de endividamento (das famílias, das empresas, dos governos) e à grande movimentação de capitais, especialmente especulativos, ao redor do globo. Parece claro também que essa acumulação torna-se viável no contexto de uma reestruturação produtiva do capitalismo, que tem imposto maior precarização ao mundo do trabalho, pela combinação de novas e antigas formas de exploração, pela apropriação da renda dos trabalhadores e outras categorias sociais, mediante crédito ao consumo e dos serviços financeiros, e pela apropriação fiscal por meio da dívida pública.

A análise leva em consideração a reestruturação financeira que, em momentos e ritmos diversos, ocorreu na América Latina nas últimas duas décadas, especialmente o caso brasileiro a partir de meados dos anos 1990. No contexto de políticas macro-econômicas e reformas das instituições, em geral alinhadas aos parâmetros definidos pelo chamado Consenso de Washington, e pelas crises que afetaram a economia do continente, o sistema financeiro da maioria dos países caracterizou-se por maior abertura, que levou ao incremento da participação estrangeira no controle de ativos locais, à maior centralização e concentração e a um acelerado processo de privatização3. Acompanhou esse processo a reestruturação do trabalho bancário (LARANGEIRA & FERREIRA, 2000; GRISCI, 2002; JINKINGS, 2002; JUNCKES, 2004; RODRIGUES, 2004).

Tendo presentes esses aspectos mais gerais, é necessário analisar o sistema financeiro e suas instituições, vinculadas a um amplo contexto de poder das instituições financeiras e de seus agentes no capitalismo. Na impossibilidade de analisar todas as dimensões da questão, destaco os seguintes aspectos, além da estrutura e dinâmica da representação de classe do setor: a) o controle sobre o fluxo de capitais e seu significado em termos de hegemonia financeira; b) a conformação de grupos econômicos ou financeiros, que amplia a atuação para o setor não-financeiro; c) a participação no processo político e nos aparatos de decisão do Estado; d) a participação e o financiamento de entidades político-ideológicas; e) a vinculação com os meios de comunicação de massa e f) a vinculação com o mundo cultural e do entretenimento por meio do financiamento e coordenação de atividades nesse campo, especialmente por meio de fundações culturais próprias. Com exceção dos dois últimos, amplio as referências sobre cada um dos aspectos mencionados, incluindo como tema central a estrutura de representação de classe.

II.1. Controle sobre o fluxo de capitais e hegemonia financeira

Uma das bases fundamentais do poder dos bancos e das instituições financeiras é o controle que exercem sobre parte substantiva dos recursos e do fluxo de capitais na economia. Esse controle permite, em determinadas circunstâncias, criar constrangimentos ao processo decisório das políticas governamentais e às decisões estratégicas das empresas, caracterizando-se uma situação de "hegemonia financeira", conforme denominam Mintz e Schwartz (1985). As instituições financeiras – aqui incluídos os investidores institucionais –, ao controlar um fluxo significativo de capitais, possuem a capacidade de definir algumas linhas gerais da economia nas quais as corporações não-financeiras operam, uma vez que podem impulsionar o desenvolvimento de determinadas áreas em detrimento de outras e também restringir o compromisso com um determinado setor, empresa ou país.

O exercício dessa hegemonia, no entanto, é algo problemático, pois está inserido em diferentes conjunturas econômicas (e políticas) e contextos regionais. Nos períodos críticos, quando a disponibilidade de capitais diminui, esse poder hegemônico faz-se sentir mais claramente. Países e empresas em condições de alto endividamento, necessitando renovar urgentemente seus créditos, estão submetidos de maneira mais intensa aos constrangimentos dessas instituições financeiras (incluindo-se aqui, no caso dos países, a ação de organismos financeiros como o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial). Assim, a possibilidade de impor constrangimentos aos processos decisórios das empresas e dos governos está condicionada às condições diferentes do ciclo econômico, à capacidade de autofinanciamento das empresas, ao grau de desenvolvimento do mercado de capitais, à possibilidade de existirem alternativas de crédito, ao grau de concentração da oferta de crédito e às condições gerais de endividamento das empresas e governos.

Um dos aspectos mais importantes a ser destacado é a grande concentração dos recursos em algumas poucas instituições, característica presente em maior ou menor grau na maioria dos países latino-americanos e que foi reforçado pela privatização ocorrida no setor financeiro. Esse grau de concentração de recursos em poucas mãos gera não apenas poder econômico, porque se gerencia um gigantesco fluxo de capital, mas também interesse político na definição das políticas macro-econômicas que possam afetar esse universo. O resultado global é que um número reduzido de instituições financeiras e, portanto, seus controladores passam a exercer influência sobre o mundo empresarial e governamental muito além daquela exercida por outras forças sociais, incluindo-se os segmentos empresariais.

Um elemento particular dessa hegemonia refere-se à relação que as instituições financeiras mantêm com o Estado a partir da dívida pública, que além de contribuir para a lucratividade dos bancos favorece seu potencial de constrangimento ao processo de decisões estratégicas de política econômica (Ferreira, 2005).

II.2. Grupos econômicos

O segundo aspecto a ser considerado é a existência de grupos econômicos que, embora constituam um fenômeno bastante amplo e central no capitalismo contemporâneo, têm recebido uma atenção ainda insuficiente por parte das Ciências Sociais (GONÇALVES, 1991; GRANOVETTER, 1994)4. A partir dos anos 1990 parece ter-se ampliado o interesse pelo tema, com a publicação na América Latina de vários estudos empíricos e discussões teóricas (p. ex.: ALCORTA, 1992; STOLOVICH, 1995; COMIN et alii, 1994; PORTUGAL JÚNIOR, 1994; SCHVARZER, 1995; BASUALDO, 2002; COSTA, 2002). Embora existam algumas divergências conceituais e dificuldades operacionais nos procedimentos empíricos de análise, em termos gerais têm-se destacado dois aspectos no estudo sobre os grupos econômicos: primeiro, sua importância, tanto como agentes privilegiados das operações econômicas em esfera global, quanto por sua influência ou potencial de influência direta e indireta sobre as políticas governamentais; segundo, seu papel no mundo do entretenimento e da cultura, constituindo-se em grandes artífices da cultura mundial no final do século XX (ORTIZ, 1994, p. 147-182).

Um grupo econômico pode ser definido como um "conjunto de empresas que, ainda que juridicamente independentes entre si, estão interligadas, seja por relações contratuais, seja pelo capital, e cuja propriedade (de ativos específicos e, principalmente, do capital) pertence a indivíduos ou instituições, que exercem o controle efetivo sobre este conjunto de empresas" (GONÇALVES, 1991, p. 494). Assim, "o grupo econômico expressa relações de força e de poder, em torno das quais se movimentam indivíduos, classes, grupos sociais de um modo geral, formando redes de solidariedade e campos de conflito" que envolvem acionistas, gerentes e trabalhadores (PORTUGAL JÚNIOR, 1994, p. 17). Considera-se assim o grupo econômico como um locus de acumulação de capital e um locus de poder (GONÇALVES, 1991, p. 494).

É necessário reconhecer que existe uma ampla variedade de grupos econômicos, que se caracterizam por diferentes tipos de propriedade. Alguns são controlados por indivíduos, por uma família ou por conjunto de famílias relacionadas de maneira direta ou indireta. Em outros casos, podem ser mantidos indiretamente por meio de sucessivas participações acionárias ou por meio de holdings. Como sugere Granovetter (1994, p. 461-462), acordos e participações acionárias cruzadas podem ganhar uma estrutura extremamente complexa, envolvendo várias empresas, articuladas por redes de diretorias cruzadas.

A relação entre as políticas governamentais e os grupos econômicos envolvem muitos aspectos, tais como regulamentação e desregulamentação, políticas antitrustes, estatização, políticas industriais e tecnológicas, formas de financiamento do Estado, regulação e controle da força de trabalho (GONÇALVES, 1991, p. 494). Assim, a sua relação com o Estado merece toda a atenção, não apenas para o entendimento dos problemas de poder e das políticas públicas, mas também para a análise das formas, das características e do comportamento que os grupos assumem. Portanto, como sugerem Granovetter (1994) e Gonçalves (1991), a questão da organização e da configuração dos grupos econômicos depende não somente de fatores econômicos, mas também da interação de fatores políticos e socioculturais. Ao mesmo tempo, deve-se reconhecer o poder que os grupos têm sobre os mercados e a sociedade em geral, sua capacidade de instituir valores, de transformar-se assim em um instrumento político e de controlar substantivos fluxos de capitais que lhes garantem condições de vetar decisões de regulação pública, relativizar o poder do Estado e afetar a economia de diversos países (PORTUGAL JÚNIOR, 1994, p. 55-56). Muitos bancos que atuam na América Latina e fazem parte da direção das associações de classe estão inseridos em ou mesmo constituem o núcleo central de grupos econômicos; nesse caso, serão referidos aqui como grupos financeiros. A identificação específica desses grupos e sua posição na rede transassociativa será objeto de futuras análises.

II.3. Participação no processo político e nos aparatos de decisão do Estado

A análise das relações que se estabelecem entre o Estado e o sistema financeiro constitui um grande desafio para a compreensão da dinâmica capitalista contemporânea. No Brasil, as conexões e os interesses que se instituem a partir da dívida pública representam um traço fundamental dessa relação. Além disso, a centralidade que as decisões e ações do Banco Central passaram a ter para a política econômica transformou-o em instituição estratégica para a manutenção da hegemonia financeira, portanto essencial para os interesses do empresariado financeiro no país. A existência de presidentes e diretores do Banco Central vinculados ao universo dos bancos privados constitui uma das expressões dessa relação. Ao mesmo tempo, o novo papel que o poder Legislativo passou a assumir após a democratização política recebeu atenção do sistema financeiro e o financiamento eleitoral representa apenas um dos indicadores do interesse que o setor demonstra pelo processo político5. Para o caso brasileiro, dos dez maiores bancos privados, pelo menos cinco são importantes financiadores eleitorais e dois destacam-se no trânsito com o Banco Central (MINELLA, 2007).

II.4. Bancos e organizações político-ideológicas

Além da estrutura sindical, associativa e partidária, os empresários ou a burguesia bancário-financeira também articula seus interesses por meio de um conjunto de organizações de natureza político-ideológica. No caso brasileiro, um exemplo importante são os Institutos Liberais, constituídos como entidades civis por um grupo de grandes empresários no início dos anos 1980, centrados na difusão da doutrina neoliberal, especialmente como fundamento de políticas públicas (GROS, 2003b, p. 275). Mantidos por grandes grupos econômicos nacionais e estrangeiros que operam no país, os Institutos estão inseridos em uma rede mundial que inclui "intelectuais, acadêmicos, políticos, institutos de pesquisa, publicações liberais e da mídia, em especial nos Estados Unidos e na Grã-Bretanha" (idem, p. 275-276). Vinculados a uma rede internacional de think tanks, os institutos desenvolveram uma série de ações durante os anos 1990 (cf. especialmente GROS, 2003b; para os anos 1980, cf. GROS, 2003a)6. Mais recentemente, o Instituto de Estudos de Política Econômica (conhecido também como "Casa das Garças"), sediado no Rio de Janeiro, constitui um importante grupo de pesquisadores, de que participam também economistas e empresários vinculados ao sistema financeiro e que desenvolve e propõe políticas de cunho liberal.

II.5. Estrutura e dinâmica da representação de classe

A partir de uma perspectiva sociopolítica, a análise do poder das instituições financeiras deve levar em consideração a estrutura e a dinâmica de representação de classe, que se expressa por meio das associações de bancos e de outras instituições financeiras que existem nos países capitalistas avançados e também na América Latina7. Pode-se considerar que o processo de internacionalização do sistema financeiro na América Latina manifesta-se também na significativa presença de instituições estrangeiras nas direções dos órgãos de representação de classe em muitos países, incluindo o Brasil, destacando-se grandes grupos internacionais dos Estados Unidos e da Europa. Citibank (Citigroup), Banco Bilbao Vizcaya Argentaria (BBVA) e o Banco Santander Central Hispânico (BSCH) constituem os exemplos mais significativos, como veremos mais adiante. Os dados apresentados sinalizam para a formação do que se denominou "redes transassociativas", interpretadas como redes que se formam a partir da participação simultânea de uma mesma empresa ou de um mesmo grupo econômico – em nosso caso, uma instituição, um conglomerado ou um grupo financeiro – em várias associações de classe, em diferentes países. Podemos assim falar de uma rede transassociativa no sistema financeiro e da possibilidade de uma atuação articulada desses grupos na busca de definição de estratégias comuns para as associações de bancos na América Latina. A formação e o significado desta rede é o tema que se verá a seguir.

 

III. CONFIGURAÇÃO E ANÁLISE DA REDE TRANSASSOCIATIVA: ESCLARECIMENTOS SOBRE O PROCEDIMENTO METODOLÓGICO ADOTADO

O interesse central de pesquisa foi identificar as possíveis conexões que se estabelecem entre as associações de bancos na América Latina a partir da presença de uma mesma instituição financeira na diretoria dessas entidades, que constituem um dos canais de organização e atuação corporativa e política na defesa dos interesses de classe do empresariado e/ou burguesia bancário-financeira. A metodologia de análise de redes sociais é um procedimento adequado para estudar relações sociais. Existe atualmente uma abundante literatura internacional sobre análise de redes sociais e mais recentemente se tem ampliado sua utilização por pesquisadores brasileiros8. Remeto a essa literatura limitando-me aqui a apresentar apenas os elementos essenciais para o entendimento do procedimento específico adotado9.

O ponto de partida é a identificação das instituicões financieras que integram a diretoria das associações de bancos. Preliminarmente foram consultadas as páginas web das associações; quando os dados eram incompletos, desatualizados ou inexistentes, realizou-se uma consulta direta com as entidades por meio de correio eletrônico ou por via telefônica10.

É importante considerar que a instituição financeira que ocupa um cargo na diretoria pode constituir-se basicamente de três formas: como uma empresa única, operando por exemplo apenas como banco comercial; como empresa integrada a um conglomerado financeiro ou como empresa vinculada a um grupo financeiro, como foi definido anteriormente. Um "conglomerado financeiro" é entendido aqui como um conjunto de empresas que, sob um controle centralizado, atuam em diferentes segmentos do setor financeiro. Algumas publicações e órgãos reguladores do setor freqüentemente denominam esse conjunto como grupo financeiro, diferente portanto do conceito que se adota neste texto. Os conglomerados e grupos financeiros são os atores principais na constituição da rede analisada.

Em muitos casos, a condição de conglomerado ou grupo financeiro é facilmente reconhecida, mas em outros foi necessário uma pesquisa mais detalhada, como em relação àquelas instituições que operam na América Central. Além disso, no processo de centralização financeira, os conglomerados e grupos financeiros internacionais incorporaram entidades nacionais e estatais e certos arranjos patrimoniais nem sempre explicitam de maneira clara o controle acionário. Assim, as informações sobre vínculos com conglomerados ou grupos financeiros, quando não evidentes, foram pesquisadas em publicações especializadas, especialmente aquelas disponíveis na internete, nos órgãos reguladores de cada país e nas páginas das mesmas instituições11. Dessa forma, as instituições financeiras foram agrupadas e identificadas pelo conglomerado ou grupo ao qual estão vinculadas. O Quadro 2, anexo, sintetiza os resultados alcançados, identificando o cargo ocupado pelas instituições, grupos ou conglomerados nas associações de bancos.

Os dados foram sistematizados e analisadas a partir de matrizes12, com o programa Ucinet 6 (BORGATTI, EVERETT & FREEMAN, 2002) que permite avaliar propriedades da rede e criar sociogramas para uma visualização gráfica do fenômeno estudado (nesse caso, com o programa Netdraw, incorporado ao Ucinet 6). A matriz-base foi gerada a partir do Quadro 2, anexo, que basicamente identifica a presença ou não de uma instituição, grupo ou conglomerado nas entidades de classe. A partir dessa matriz, foi gerada a "matriz de filiação" (affiliation networks) 13, que identifica a rede de filiação, que é central para a análise.

Assim, é necessário um esclarecimento sobre essa matriz e sua utilização. Recorro à explicação detalhada que se encontra no texto de Wasserman e Faust (1994, cap. 8), de onde reproduzo algumas observações, suficientes para o entendimento do procedimento que foi adotado. Basicamente essa matriz representa a relação de um conjunto de atores com um conjunto de ocasiões sociais, eventos ou organizações14. Segundo os autores, existe uma longa tradição nas Ciências Sociais e especialmente na Sociologia no estudo da participação dos indivíduos em coletivos; daí a importância do estudo da rede de filiação. Os primeiros insights a este respeito são encontrados em Simmel (o que ele denominou de "círculos sociais"), que foram desenvolvidos posteriormente por vários pesquisadores. Uma concepção comum presente nessa visão é a idéia que os atores vinculam-se por meio de suas participações associadas em eventos sociais. "A participação associada em eventos não apenas oferece a oportunidade para os atores interagirem, mas também incrementa a probabilidade de que laços semelhantes diretos possam desenvolver-se entre os atores". De modo similar, quando uma pessoa ou um grupo de pessoas participa de mais de um evento, uma conexão é estabelecida entre esses dois eventos. Dizendo de outra forma: a participação sobreposta em grupos oferece maior oportunidade para o fluxo de informação entre os grupos e a possibilidade de coordenação das ações dos grupos (idem, p. 293). "O fato de que eventos podem ser descritos como coletivos de atores filiados a eles e que atores podem ser descritos como coletivos de eventos com os quais são filiados é a característica distintiva da rede de filiação" (idem, p. 294).

A rede de filiação oferece assim uma perspectiva "pela qual os atores são conectados uns com os outros por sua filiação com eventos e, ao mesmo tempo, os eventos são conectados pelos atores que são seus membros". Portanto existem dois caminhos complementares para observar uma rede de filiação: por um lado, como atores conectados por eventos; por outro lado, eventos conectados por atores. "Analiticamente isso significa que podemos estudar as conexões entre os atores, ou as conexões entre os eventos, ou ambas" (idem, p. 295).

Segundo Pizarro (2005b, p. 14), de um ponto de vista metodológico, o estudo de grupos identifica-se com o de relações de pertencimento: "um indivíduo I pertence (ou não) a um grupo G. Os métodos desenvolvidos para o estudo desse tipo de relações são de uma enorme importância teórica e metodológica, porque colocam a questão [...] da homogeneidade entre entidades e relações dentro desse tipo de análise".

Os dados analisados – as instituições financeiras que compõem o comando das associações de bancos na América Latina – são relações de pertencimento, ou seja, a relação de indivíduos – no caso instituições financeiras – com coletivos bem definidos, as associações de bancos. Portanto, por meio desse procedimento, pode-se identificar as possíveis relações que se estabelecem entre as instituições financeiras a partir de seu pertencimento comum às associações de bancos, assim como as conexões que se estabelecem entre as 24 associações, em 17 países, a partir da presença das instituições financeiras na diretoria dessas entidades de representação de classe. O foco da presente análise é esse segundo tipo de conexão.

 

IV. CONFIGURAÇÃO E ANÁLISE DA REDE TRANSASSOCIATIVA

A partir das matrizes é possível calcular o grau de centralidade das instituições na rede. Nesse caso, trata-se do grau de saída (outdegree), que expressa o número de diretorias de associações de bancos nas quais estão presentes. A maior parte das instituições participa da diretoria de apenas uma associação (grau 1), não estabelecendo assim relações entre associações, razão pela qual não será considerada na presente análise. Na Tabela 1 apresento as instituições financeiras (normalmente grupos ou conglomerados financeiros) presentes em duas associações (16 casos) e em três ou mais (17 casos). Controlando 110 cargos diretivos, que representam 49% do total, essas 33 instituições constituem a base para a formação da rede transassociativa das associações de bancos na América Latina.

 

 

Em termos conceituais mais estritos, considerei como mais significativo para a constituição da rede transassociativa latino-americana a participação de uma instituição financeira, grupo ou conglomerado em pelo menos três entidades, em países diferentes. Em termos menos estritos, poderia considerar a presença em apenas dois países. Neste momento concentrarei a análise na primeira alternativa.

Entre os 17 casos que inicialmente se qualificam para essa análise (atuar em três associações), nem todos atendem ao requisito de atuar na diretoria de entidades de classe em três países. Alguns circunscrevem sua atuação às associações de apenas um país, como acontece com o Banco ABC Brasil, o Bradesco e o Unibanco, presentes apenas em entidades no Brasil; outros remetem-se a dois países (Argentina e Brasil), como o HSBC, o Banco BNP Paribas e o Itaú, enquanto o Banco do Brasil, de controle estatal, apresenta-se no país-sede e também na Bolívia.

Dessa forma, são dez os grupos ou conglomerados financeiros que estão presentes no comando de associações em três ou mais países. Eles ocupam 53 cargos, o que representa 24% do total, e constituem o núcleo central de "atores" na estruturação das conexões entre as associações (Tabela 2).

 

 

O sociograma seguinte (Figura 1) permite visualizar a participação desses grupos e conglomerados nas diretorias das associações de bancos. Nos sociogramas que serão apresentados ao longo do texto, a posição geométrica das associações e das instituições financeiras é arbitrária, bem como o comprimento das linhas, que indicam apenas a existência de uma relação.

 

 

O sociograma acima revela a existência de dois subgrupos entre as instituições que estruturam a rede transassociativa. Um deles, formado por três conglomerados ou grupos com operações localizadas especialmente na América Central: UNO, BAC e Banistmo. O outro é integrado por conglomerados ou grupos financeiros internacionais, especialmente com sede nos Estados Unidos (Citibank, JP Morgan e BankBoston), Canadá (Scotiabank) e Europa (Santander, BBVA e ABN-AMRO).

O primeiro grupo parece ter um importante papel na direção e na conexão entre as associações centro-americanas, enquanto a conexão dessas com as demais processa-se especialmente por meio do Citibank e do BBVA (caso do Panamá) e do mesmo Citibank com o Scotiabank (caso da associação da Costa Rica).

Três grupos ou conglomerados apresentam o maior grau de centralidade (outdegree), ou seja, participam da direção do maior número de associações: o estadunidense Citibank, que integra o comando de 13 entidades de classe, em dez países, com intensa participação nas associações do Brasil (quatro casos); os espanhóis Santander e BBVA (Banco Bilbao Vizcaya Argentaria), ambos presentes em sete países, em igual número de entidades de classe, incluindo a Asociación de Bancos de la Argentina (ABA) e a Asociación de Bancos de México, e o primeiro atuando igualmente em duas entidades no Brasil, enquanto o BBVA está ausente nesse país. É importante lembrar que os três grupos também apresentavam o maior grau de centralidade na rede no ano de 2000.

O conglomerado ABN-AMRO concentra sua atuação em quatro associações de classe no Brasil e está presente também nas entidades da Colômbia e do Paraguai. A presença em associações de três países é garantida pelo BankBoston (Argentina, Chile e Peru), pelo Scotiabank (México, Chile e Costa Rica) e pelo JP Morgan Chase (México, Argentina e Brasil).

É importante lembrar que movimentos recentes (final de 2006 e começo de 2007) no processo de centralização bancária podem afetar o controle patrimonial de algumas instituições financeiras mencionadas na Tabela 1, com repercussões na participação nas entidades de classe. Em 2006, o Bankboston passou parte de suas operações no Cone Sul para o grupo brasileiro Itaú, que poderá assim ampliar seu raio de participação em diretorias associativas para três ou mais países. No final do mesmo ano, o grupo Banistmo, com sede no Panamá e posicionado na diretoria de três associações, passou para o controle do conglomerado HSBC (no momento da pesquisa, a operação ainda deveria ser confirmada pelas autoridades reguladoras, o que deverá ocorrer em 2007), ampliando assim a possibilidade de participação desse conglomerado europeu nas associações de bancos na América Latina (já ocupa posições em quatro associações no Brasil e uma na Argentina). Por sua vez, no final de 2006, o grupo Citibank expandiu sua presença na América Central com a compra do grupo UNO, que integra a diretoria de três entidades de classe na região e também está presente na diretoria da Felaban. O grupo norte-americano adquiriu também o Banco Cuscatlán, importante instituição financeira com sede em El Salvador e que participa da diretoria de duas associações de classe (em El Salvador e na Costa Rica). Nessa perspectiva, poderá ampliar-se a posição dos grupos financeiros internacionais na rede transassociativa.

Identifico a seguir o grau em que as associações de bancos recebem a participação dos dez grupos ou conglomerados com maior centralidade (Tabela 3)15.

 

 

Os dados sobre algumas associações evidenciam uma forte presença dos grupos e conglomerados de maior centralidade na rede, como é o caso das entidades de classe da Argentina (ABA) e do Chile, nas quais cinco deles estão presentes. Seguem próximas as associações do Brasil (ABBI), da Costa Rica e do México, nas quais quatro grupos ou conglomerados marcam sua presença, com destaque para os grupos regionais no caso da Costa Rica. Seis outras associações, das quais duas no Brasil (Febraban e Anbid), duas na América Central (Nicarágua e Panamá) e as demais no Paraguai e no Peru, recebem três conglomerados ou grupos entre os de maior centralidade.

Para avaliar melhor a relevância da conexão que se estabelece entre duas associações, deve-se levar em conta também o número total de membros que compõem a diretoria de cada uma delas. Em princípio, a presença comum de uma ou duas instituições em diretorias composta por poucos membros pode ser muito mais relevante do que aqueles casos em que a diretoria é composta por muitos membros16.

Assim, na consideração da possível influência dos dez grupos no comando das associações de classe do continente, é necessário considerar, dessa perspectiva quantitativa, sua participação relativa na composição da diretoria das entidades de classe. Conforme dados da Tabela 3, nas entidades de três países (Argentina, México e Chile), essa presença é igual ou superior a 50%; em outros seis casos (Nicarágua, Panamá, Paraguai, El Salvador, Costa Rica e ABBI, no Brasil), fica entre 30 e 50%; nos demais, é mais fraca, permanecendo menor que 30%.

É importante mencionar que a presença desses grupos ou conglomerados estende-se a 20 associações das 24 pesquisadas e atingem 16 dos 17 países considerados. No entanto, eles têm uma participação reduzida na Federación Latinoamericana de Bancos (Felaban), entidade de cúpula do sistema formal de representação dos bancos no continente, pois somente um deles (Grupo UNO) participa da diretoria dessa federação.

Embora não seja possível desenvolver nos limites deste texto, é importante indicar que algumas associações devem ser consideradas de maneira diferenciada pelo significado que podem ter enquanto entidades agregadoras de outras, como é o caso da Federación Latinoamericana de Bancos (Felaban), que reúne a quase totalidade das associações aqui mencionadas e representa formalmente os bancos e outras instituições financeiras do continente. Da mesma forma, a Confederação Nacional das Instituições Financeiras (CNF), órgão de cúpula da representação de classe dos vários segmentos do sistema financeiro no Brasil17.

 

V. CONEXÕES ENTRE AS ASSOCIAÇÕES DE BANCOS

Os dados e as análises desenvolvidas até aqui destacaram as instituições financeiras, indicando em que medida elas estão presentes nas diretorias das entidades de classe. Constatei um número relativamente significativo de instituições ocupando espaço diretivo em pelo menos duas entidades e um conjunto que se destaca por integrar o comando associativo em três ou mais países e integrado por dez grupos/conglomerados financeiros – a maioria dos quais com sede nos Estados Unidos ou na Europa.

No passo seguinte, central na análise, identifico as conexões que se estabelecem entre as entidades de classe a partir da presença comum em suas diretorias de uma ou mais instituições financeiras. A análise desenvolve-se a partir da matriz de filiação, cujos significado e relevância foram indicados. Esse procedimento permitiu identificar quais são as associações que estão conectadas, qual é o alcance em termos do número de associações com as quais cada uma conecta-se e a densidade dos vínculos, considerando o número de instituições financeiras que estabelece a relação entre cada par de associações18. O resultado está na matriz de filiação, anexa, cuja leitura necessita de alguns esclarecimentos.

Os números representam as instituições financeiras que conectam duas associações que se entrecruzam nas linhas e colunas; a diagonal da matriz indica o número de instituições presentes na diretoria da entidade de classe, isto é, o número total de cargos. Examinando a linha 1, pode-se observar que a Asociación de Bancos de Argentina (ABA) conecta-se de maneira intensa, especialmente com as associações existentes no Brasil: sete instituições financeiras de sua diretoria também estão presentes na diretoria da Associação de Brasileira de Bancos Internacionais (ABBI); com a Associação Brasileira de Bancos de Investimento e Desenvolvimento (Anbid) são cinco membros comuns e quatro com a Federação Brasileira de Bancos (Febraban). Ao mesmo tempo, quatro instituições que estão na ABA também estão no comando da Asociación de Bancos y Entidades Financieras de Chile (Abefc), e três compartilham a diretoria da Asociación de Bancos de Perú (Asbanc) e da Asociación de Bancos de México (ABM).

Os dados sugerem que a ABA ocupa uma posição significativa na estrutura da rede transassociativa, pois está conectada a várias associações, com alto grau de entrelaçamento de sua diretoria (três ou mais instituições financeiras) e parece exercer importante papel nas interconexões entre as entidades de classe do setor financeiro no Brasil com as congêneres de outros países de grande relevância econômica, especialmente o México e o Chile. Observe-se que as diretorias das associações desses dois países (ABM e Abefc) estão interconectadas por três instituições financeiras.

A seguir (Tabela 4) reúno alguns dados contidos na matriz de filiação e agrego outros derivados da mesma por meio de procedimentos utilizados pela análise de redes sociais.

 

 

A transformação da matriz em matriz dicotômica, ou seja, uma matriz que indica apenas se há ou não conexão entre duas associações (portanto, sem se referir ao número de instituições que realizam essa conexão), permite verificar o número total de associações com as quais cada uma delas está conectada (grau de centralidade, conforme coluna três da tabela). Como se pode verificar, algumas entidades de classe apresentam um alto grau de conexão, considerando o número total de associações (24). Por exemplo, a Asociación Bancaria Costarricense (ABC) vincula-se a outras 18, sinalizando seu importante papel de intermediação entre as associações centro-americanas e as demais do continente; a Federação Brasileira de Bancos (Febraban), uma das entidades centrais na articulação dos interesses do empresariado financeiro no Brasil, está conectada com outras 17 associações, treze delas fora do país; a Asociación de Bancos de Argentina (ABA), uma entidade que basicamente representa os interesses dos grupos financeiros internacionais que operam naquele país, está conectada com 15 outras associações.

A maioria das 24 associações estudadas vincula-se a dez ou mais entidades de classe, dando uma idéia da densidade alcançada pela rede. A única entidade não conectada às demais pela via analisada é a Asociación de Bancos Públicos y Privados de la República Argentina (Abapra), que basicamente agrega bancos de controle estatal e alguns pequenos bancos privados.

Os dados revelam um alto grau de vinculação entre as entidades de classe no Brasil, com expressivo exemplo de duas delas, Anbid e Febraban, com nove instituições comuns presentes em suas diretorias. Em que pese a diversidade de associações de classe no caso brasileiro, o comando delas está em grande parte ocupado por um reduzido número de conglomerados e grupos financeiros nacionais e internacionais.

Ao considerar-se o número total de conexões, quatro associações destacam-se por estabelecer cada uma delas mais de 35 vínculos dentro da rede: Febraban, Anbid e ABBI, no Brasil, e ABA, na Argentina. O maior grau de centralidade nesse caso (42 conexões) é da Febraban, que, além de vínculos densos com as entidades brasileiras e com a ABA, apresenta um leque diversificado de interconexões, incluindo associações do Paraguai, do Chile, da Venezuela, da República Dominicana, da Bolívia, do Equador, da Costa Rica, do Panamá, do Peru e do México.

O sociograma seguinte (Figura 2) apresenta todas as conexões existentes entre as associações, a partir da presença comum na diretoria de uma ou mais instituições financeiras, oferecendo uma idéia geral da densidade da rede.

 

 

O número de associações com as quais cada uma interconecta-se é um dado relevante, mas é possível também verificar com que intensidade esse vínculo realiza-se. Nesse sentido, interpreta-se que quanto maior o número de instituições, grupos ou conglomerados financeiros com pertencimento comum a duas associações, maior será o vínculo que se estabelece entre elas (Tabela 5). Em termos quantitativos, considero baixa a intensidade da conexão estabelecida por apenas uma instituição (intensidade 1), embora em termos qualitativos possa ser significativa se estabelecida por algum dos grupos ou conglomerados de maior centralidade na rede (por exemplo, o Citibank, o Santander e o Bilbao Vizcaya). Nessa linha interpretativa, considero como significativo o vínculo que se constitui a partir da presença de dois grupos, conglomerados ou instituições financeiros (conexão de intensidade 2) (cf. Tabela 5 e Figura 3).

 

 

 

 

Como se pode observar, é expressivo o número de associações que se conectam pela presença de suas diretorias de duas ou mais instituições. Em muitos casos, as conexões com essa intensidade estendem-se a várias associações, chegando a mais de cinco, cujos exemplos expressivos são a Asociación de Bancos y Entidades Financieras de Chile (Abefc), a Febraban e a ABA.

Em termos do significado latino-americano da rede, é necessário levar em consideração a diversidade dos países das associações conectadas. Muitas delas vinculam-se com entidades de cinco ou mais países, como a Abefc (oito países) e a ABA (sete países), enquanto algumas alcançam apenas um país, como a Asociación de Bancos Privados de Ecuador (ABPE) e a Asociación Bancaria y de Entidades Financieras de Colombia (Asobancaria, que se vincula a três associações no Brasil) e outras restringem suas conexões de intensidade 2 a entidades do próprio país, como é o caso da ABBC e da CNF (Brasil).

Associando o critério de conexão de intensidade 2 com o alcance regional de pelo menos dois países, pude identificar 14 associações de bancos, que seriam mais expressivas na formação da rede latino-americana aqui mencionada (identificadas pelo país): Chile, Argentina (ABA), Brasil (Febraban, Anbid, Andima e ABBI), Peru, Paraguai, Panamá, Venezuela, Costa Rica, México, Nicarágua e El Salvador.

A seguir, avanço a análise da rede a partir de um critério mais estrito de conexão entre as associações: a existência de pelo menos três elos comuns (intensidade 3 ou mais). Os resultados apresentam-se na Tabela 6 e podem ser visualizados na Figura 4.

 

 

 

 

Esse recorte da rede apresenta as associações conectadas de maneira mais intensa em termos quantitativos, ou seja, pela presença comum em suas diretorias de três a nove grupos ou conglomerados financeiros. Elas constituem o núcleo central da rede e está formado por associações localizadas no Brasil (especialmente Febraban, ABBI e Anbid) e pelas associações da Argentina (ABA), do Chile, do Peru e do México. A partir desse sociograma ampliou-se a visualização, com a inclusão de todas as conexões entre essas associações de maior centralidade, ou seja, também aquelas que se estabelecem a partir de uma e duas instituições financeiras (Figura 5)19. O resultado é indicativo da intensidade das conexões dentro desse núcleo central.

 

 

VI. COMENTÁRIOS CONCLUSIVOS

A análise realizada sinaliza para a formação do que denominei de rede transassociativa das associações de bancos na América Latina, que se configura a partir da participação simultânea de um mesmo grupo, conglomerado ou instituição financeira nessas entidades de classe, em diferentes países. Em 2000, assim como em 2006, essa rede mantém-se especialmente pela presença de alguns grupos ou conglomerados financeiros internacionais e alguns regionais, especialmente na América Central, como foi possível observar para este último ano.

Os dados aportados pela análise de redes sociais permitem observar que, para além da aparente desconexão formal existente entre as associações de classe de natureza regional (nacional), ou sua estrita vinculação formal por meio da existência de uma federação agregadora (no caso a Felaban), existe uma conexão não-institucionalizada ou não-formalizada entre essas associações, em distintos graus, estabelecida pela presença comum em suas diretorias de um mesmo grupo ou conglomerado financeiro. Constatou-se um núcleo central na rede, constituído pelas associações de classe com maior grau de conexão (três ou mais vínculos comuns), e que inclui entidades de classe do Brasil, da Argentina, do México, do Chile e do Peru. A partir de um grau menor de conexão (dois vínculos comuns), constitui-se um grupo de associações de classe em oito países (Panamá, El Salvador, Nicarágua e Costa Rica, que formam um sub-grupo na rede, e os sul-americanos Venezuela, Colômbia, Equador e Paraguai); finalmente, poderíamos falar de um grupo periférico de associações que se posicionam na rede com apenas uma conexão em comum.

O alcance e o significado dessa rede podem ser discutidos à luz da literatura internacional que analisa as redes sociais, especialmente as de natureza corporativa20 e também redes de poder que vinculam elites burocráticas, políticas e empresarias, a exemplo do estudo realizado por Pizarro (2005a) sobre a transição política espanhola.

1. Estudos sobre as diretorias cruzadas no universo empresarial (interlooking directorates) enfatizam as redes enquanto um componente importante do sistema de comunicação no mundo corporativo, pois tais diretorias oferecem um grande potencial para o intercâmbio de informações. Em nosso caso, um grupo, conglomerado ou instituição financeira que atua simultaneamente em várias associações, em diferentes países, incrementa seu nível de informação sobre a dinâmica das relações e organização dos interesses de classe em cada país e da relação que estabelecem com os respectivos governos e outros setores empresariais, ao mesmo tempo que estimula a troca de informações entre as associações das quais participa. Visto dessa perspectiva, considero que existe um grande potencial de intercâmbio de informações na estrutura de representação de classe do setor financeiro na América Latina, que permitiria subsidiar análises e definições de ação corporativa e política a partir de uma visão mais ampla. Grupos financeiros internacionais e alguns poucos locais desempenham um papel central nesse processo, como indicam os dados apresentados.

2. Considero que é possível ocorrer uma atuação coordenada desses grupos na definição de estratégias comuns para as associações de bancos na América Latina. Ao mesmo tempo, a rede transassociativa cria possibilidade de articular posicionamentos e ações entre várias associações, mesmo que não existam relações formais entre elas. Por meio dos vínculos criados, as associações podem mobilizar-se em âmbito continental para a defesa dos interesses do setor financeiro, inclusive em circunstâncias nacionais específicas. Ademais, podem atuar de maneira coordenada com outras organizações de natureza ideológica e política que estão sob influência direta ou indireta dos grupos, conglomerados ou instituições financeiras de maior centralidade na rede. Assim, na análise da estrutura e dinâmica das associações de classe do setor financeiro e seu possível papel nas discussões e implementações de reformas financeiras e outras políticas econômicas na América Latina, parece necessário ter presente a rede transassociativa aqui apresentada. Em que medida esse potencial de articulação e coordenação torna-se efetivo e em que medida as associações são mobilizadas de acordo com os interesses táticos e estratégicos dos grupos e conglomerados de maior centralidade são questões em aberto, que exigem uma investigação específica.

3. A possibilidade de estabelecer redes dessa natureza é um elemento que indica e ao mesmo tempo reforça as assimetrias de poder existentes no sistema financeiro em benefício de poucos grupos ou conglomerados, alguns regionais mas especialmente aqueles com sede nos Estados Unidos e na Europa. O processo de centralização financeira em curso não parece alterar significativamente esse quadro, na medida em que o recuo de algumas instituições internacionais é compensado pela expansão e pela consolidação de outras congêneres e são poucos os grupos ou conglomerados financeiros latino-americanos que têm ampliado de maneira significativa suas operações no continente, embora deva-se prestar especial atenção a eles (o Banco Itaú seria um caso a mencionar aqui). Enquanto os grupos ou conglomerados financeiros internacionais ocupam uma posição central na rede transsassociativa, as instituições financeiras latino-americanas nem de perto parecem ocupar espaço semelhante na estrutura de representação de classe do setor nos países capitalistas dominantes.

4. Os dados obtidos sugerem ainda que o espaço da representação de classe desse setor na América Latina encontra-se em grande parte transnacionalizado e nele os grupos internacionais encontram mais um caminho para internalizar seus interesses, a partir das associações de classe regionais (nacionais) – interesses que assim ganham representatividade e legitimidade nas negociações internas com o governo e com outros segmentos empresariais e sociais.

5. Embora não seja possível, pelas razões indicadas, comparar plenamente os dados da pesquisa de 2006 com a realizada para o período de 2000, parece importante sinalizar para o fato de a rede transassociativa, nos termos em que foi definida, apresentar-se nos dois períodos, indicando, portanto, certa estabilidade. Além disso, embora tenha-se constatado alterações na posição ocupada por alguns grupos ou conglomerados, aqueles de maior centralidade no enlace entre as associações de bancos são os mesmos nos dois períodos (Citibank, Santander e Bilbao Vizcaya). A constatação da presença de três conglomerados centro-americanos em 2006 é importante mas não tenho elementos seguros para comparar com a pesquisa do ano 2000, pois para esse ano não foi possível incluir todos os países dessa região e informações mais detalhadas das instituições financeiras.

Estou consciente de que é possível ampliar a análise e explorar mais as possibilidades oferecidos pela metodologia utilizada, incluindo os recursos de visualização, e especialmente dimensões qualitativas do contexto histórico na qual a rede transassociativa está inserida. Nessa perspectiva, este trabalho é parte de um projeto maior que pretende utilizar esse procedimento metodológico na análise da estrutura e da dinâmica da representação de classe dos setores sociais dominantes, no caso representado pelo empresariado e pela burguesia bancário-financeira na América Latina, vinculada às demais dimensões analíticas mencionadas no início do trabalho.

Finalmente, enfatizo que a análise aqui realizada é considerada um ponto de partida para a compreensão da dinâmica e da estrutura de representação de classe dos interesses do empresariado e da burguesia bancário-financeira na América Latina. As associações estão inseridas em uma rede relativamente densa de conexões, grande parte delas realizadas pela presença de alguns poucos grupos financeiros internacionais, e sua atuação deve ser analisada considerando essas interconexões e suas implicações. No entanto, creio que é fundamental levar em conta o contexto mais amplo em termos continentais e regionais em que cada entidade atua. A formação da rede vincula-se aos processos de abertura e de desregulamentação financeiras que, em ritmos e graus diversos, foram adotadas pelos governos da região, no bojo das políticas neoliberais ao longo dos anos 1980 e 1990. A rede transassociativa estrutura a representação de classe de maneira transnacionalizada21, com as posições centrais ocupadas por poucos grupos ou conglomerados financeiros. Elementos históricos que incluam também o papel que desempenham as demais classes e forças sociais são fundamentais para uma compreensão melhor do tema.

 

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OUTRAS FONTES

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Recebido em 3 de março de 2007
Aprovado em 1º de julho de 2007

 

 

Ary Cesar Minella (minella@matrix.com.br) é Doutor em Estudos Latino-americanos pela Universidad Nacional Autónoma de México (UNAM) e Professor Titular do Departamento de Sociologia e Ciência Política da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).
1 Essa questão foi objeto central de minha pesquisa de pós-doutorado realizada junto ao Centro de Estudos dos Direitos da Cidadania (Cenedic), no Departamento de Sociologia da Universidade de São Paulo (USP), com a orientação de Francisco de Oliveira, durante o período de maio de 2006 a abril de 2007. Agradeço imensamente a acolhida aí recebida, o estimulante ambiente de debate e a infra-estrutura de pesquisa oferecida. A discussão mais conceitual e teórica sobre o tema será apresentada no relatório a ser debatido nesse Centro. O estudo sobre metodologia levou-me à Universidade Autônoma de Barcelona no início de 2007, onde tive acolhida e diálogo com José Luiz Molina e os membros do grupo de pesquisa que ele coordena. A todos sou imensamente grato. Contei também com oportunas indicações técnicas sobre o uso de programa Ucinet com Josep A. Rodriguez e Julián Cardenas, ambos da Universidad de Barcelona. Meu especial reconhecimento e agradecimento a Narciso Pizarro, da Universidad Complutense de Madrid, pela acolhida e pelos decisivos diálogos realizados durante minha breve estância naquela capital, que incluíram também Reyes Herrero e Delio Lucena Piquero. Pesquisa realizada com apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).
2 O número de cargos de direção que efetivamente será considerado na análise é um pouco menor, pois agregou-se como uma única participação os casos em que um mesmo grupo ou conglomerado ocupava mais um cargo em uma mesma associação. É o caso do Grupo AVAL, com quatro cargos na Asociación Bancaria y de Entidades Financieras de Colombia (por meio das seguintes instituições: Avillas, Banco de Bogotá, Banco de Occidente e Banco Popular), do grupo Bradesco no Brasil, com dois cargos na Federação Brasileira de Bancos (Febraban) e o Deutsche Bank, em igual condição, na Associação Brasileira de Bancos Internacionais (ABBI).
3 Uma análise mais extensa desse processo de reestruturação financeira, abordando as características aqui mencionadas para o caso brasileiro, encontra-se em Minella (2005a).
4 O fenômeno recebe diferentes denominações: "grupo econômico" (América Latina); "Zaibatsu" e, depois, "keiretsu" (Japão); "Chaebol" (Coréia do Sul); "Twenty-two families" (Paquistão); "Indian Business House" (Índia); "Business Group" (Inglaterra) (GRANOVETTER, 1994, p. 455).
5 Uma interessante análise sobre a reconfiguração do espaço financeiro brasileiro e de sua relação com a cena política, a partir de uma Sociologia das Finanças, é desenvolvida por Grün (2004).
6 No Brasil, seis dos dez maiores bancos privados (classificação de 2006) estiveram ou estão vinculados de alguma forma aos Institutos Liberais. Uma interessante análise deste tema para o universo latino-americano encontra-se em Mato (2005).
7 Na América Latina, a expressão formal maior da representação dos bancos é a Federación Latinoamericana de Bancos (Felaban), cuja sede encontra-se em Bogotá (Colômbia) e reúne a maior parte das associações de bancos existentes no continente. No Brasil, além das associações existem também os sindicatos de bancos, encarregados de estabelecer as negociações com os trabalhadores bancários; sua expressão maior é a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) que, na prática, está fundida com a Federação Brasileira de Bancos (Febraban), que é a federação das associações.
8 Destaco especialmente as obras de Marques (2000; 2003; 2006); cf. ainda Grün (2003), Dias e Silveira (2005), Lavalle, Castello e Bichir (2005), Nazareno (2005), Scherer-Warren (2005) e RAE – Revista de Administração de Empresas (2006).
9 Vários autores contribuíram de maneira significativa na minha trajetória de aproximação à análise de redes sociais, especialmente para o mundo empresarial e político; por exemplo, Mintz e Schuartz (1985), Scott (1988; 1997; 2005), Swedberg (1990) e mais recentemente o contato com as obras de Emirbayer (1997), Wellman (2000), Molina (2001), Lozares Colina (2005), Rodríguez (2006), Cardenas (2006) e especialmente Pizarro (1998; 2005a; 2005b).
10 A coleta de dados realizou-se de maneira mais intensa nos meses de outubro, novembro e dezembro de 2006 e primeira semana de janeiro de 2007. Para a presente análise interessa mais a instituição financeira do que a pessoa que a representa na diretoria da associação.
11 Para a identificação dos conglomerados e grupos centro-americanos, utilizou-se especialmente a publicação Moneda – El Periódico Financiero (2006).
12 De modo bem resumido, de acordo com o Glosario de análisis de redes sociales (LISTA REDES, 2001), as denominações e características das matrizes são as seguintes: a matriz de incidência é uma "matriz binária resultante de uma matriz de atores x atores que mostra os atores nas filas e as relações nas colunas, indicando a presença ou ausência de uma relação para cada ator; uma matriz na qual a série de atores é a mesma nas filas e nas colunas se chama de matriz de modo 1; no caso de que a série de atores nas filas e nas colunas é diferente se denomina matriz de modo 2". A matriz de filiação é um tipo especial de matriz e que será explicada mais detalhadamente adiante.
13 Em termos técnicos, da matriz-base gera-se uma matriz bipartite, que é uma matriz de modo 1, que por sua vez é dicotomizada, ou seja, transformada em uma matriz que indica somente a presença ou não de uma instituição financeira, grupo ou conglomerado na diretoria das associações de bancos. A partir dessa matriz gera-se a matriz de filiação.
14 Segundo Wasserman e Faust (1994, p. 291), esse tipo de rede também é chamada de merbership network ou hypernetwork.
15 A partir da matriz que contém os dados de toda rede, criou-se uma matriz específica para os dez grupos selecionados, em que se observa o grau de centralidade das instituições financeiras e das associações (outdegree e indegree, respectivamente).
16 Como exemplos do primeiro caso, podemos mencionar o número de membros da diretoria das associações do México (5), El Salvador (5) e da Bolívia (4). No segundo, as entidades com sede no Brasil como a Anbid (19), Febraban (14) e ABBI (13); no Peru (15), Costa Rica e República Dominicana (13 membros cada).
17 Além da representação dos bancos (Febraban), a CNF agrega as associações que respondem pelos interesses dos bancos de investimento (Anbid), empresas do mercado aberto (Andima), corretoras e distribuidoras e as financeiras.
18 O procedimento adotado transforma a matriz original em matriz de modo 1 (mesmos atores nas linhas e colunas – no caso, as associações de bancos) e identifica no cruzamento das linhas e colunas o número de instituições financeiras que as conectam.
19 A partir desse sociograma é possível visualizar também a existência de "cliques", ou seja, subgrupos formados por associações em que todas estão conectadas entre si. Nos limites deste artigo não exploro as possibilidades analíticas oferecidas pela existência de cliques dentro da rede.
20 Inspirado principalmente nas observações de Mintz e Schwartz (1985) sobre as redes corporativas.
21 Discussão que pode ser aprofundada à luz do que sugere Oliveira (2006).

 

 

ANEXOS – REPRESENTAÇÃO DE CLASSE DO EMPRESARIADO FINANCEIRO NA AMÉRICA LATINA: AREDE TRANSASSOCIATIVA NO ANO DE 2006

 


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