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Gestão & Produção

Print version ISSN 0104-530X

Gest. Prod. vol.8 no.3 São Carlos Dec. 2001

http://dx.doi.org/10.1590/S0104-530X2001000300001 

APRESENTAÇÃO

 

 

Oswaldo Truzzi; Roberto Grun; Mauro Zilbovicius; Adriano Proença

Co-Editores da edição especial em Organizações

 

 

O presente número de Gestão & Produção é dedicado ao tema Organizações. Vivemos em um mundo em que as realidades organizacionais encontram-se cada vez mais presentes em nossas vidas e compreendê-las, analisá-las e refiná-las, em seus múltiplos determinantes, é tarefa bastante complexa. Felizmente, a contrapartida – e espécie de recompensa – por enfrentarmos tal desafio é a possibilidade que temos de lidar com diferentes paradigmas, inspiradores de uma variedade de abordagens e enfoques utilizados nesse campo disciplinar.

Acreditamos que o presente número de Gestão & Produção faz jus a tal circunstância, fornecendo uma pequena amostra da diversidade e riqueza de enfoques empregados. O artigo que abre o número, de autoria do Prof. Contador, é bastante feliz (e ambicioso) ao propor um modelo geral de compreensão das atividades de qualquer empresa (ou unidade dela), ressaltando como variáveis cruciais os tipos de atividade e as interações em jogo. Como o próprio autor esclarece, o modelo pode se mostrar um instrumento bastante útil na análise da competitividade das organizações.

A organização tratada como uma arena crivada por interesses e valores distintos, gerando situações concretas de conflito, cujo desfecho depende em última análise dos recursos diferenciados de poder de atores individuais ou coletivos, é o tema abordado pelo Prof. Paulillo, que se vale da abordagem por ele mesmo denominada "neo-institucionalista normativa", para analisar o caso do setor citrícola nacional.

E é justamente o divórcio entre a gestão normativa das organizações, tal qual inaugurada originalmente por Fayol e a ação concreta dos gerentes, tal qual observada por Mintzberg, que inspirará o artigo escrito pelo Prof. Junquilho. Para viabilizar a superação entre tais esferas, o autor toma de empréstimo o conceito de prática social, aplicando-o à gestão das organizações, na direção formulada por Reed, que contribui no sentido de desmistificar a ação de "super-heróis" organizacionais. Assim, a proposta é situar a ação gerencial como produto a um só tempo de estruturas institucionalizadas e da ação transformadora de agentes capazes de transformar essas próprias estrúturas.

Já Froud, Haslam, Johal e Williams enfrentam em seu artigo uma questão bastante instigante, ao buscar discutir que efeitos são observáveis, do ponto de vista das organizações, da autonomia crescente da esfera financeira, no capitalismo contemporâneo. O tema do controle sobre a direção das organizações, sempre presente e sujeito a polêmicas desde os primeiros estudos da chamada "revolução gerencial" e do "capitalismo sem patrões", é agora atualizado e toma nova dimensão derivada da crescente disseminação da propriedade de ações e da diminuição do emprego nas sociedades contemporâneas.

O tema extremamente atual das relações que se estabelecem entre organizações é também tratado aqui, de modo distinto, por dois artigos. O primeiro deles, de autoria de Rachid, Bresciani Filho e Gitahy, toma um caso específico como pretexto para se discutir a influência das grandes empresas de autopeças na difusão de práticas de gestão da produção entre pequenas empresas fornecedoras, buscando a identificação de um padrão. O segundo artigo, escrito por Olave e Amato Neto, detecta a emergência de redes de cooperação entre pequenas e médias empresas, chamando a atenção para o fato de que a adoção de tais iniciativas propicia possibilidades muito concretas de obtenção de ganhos de produtividade, sobretudo compartilhando-se tecnologias, de modo a otimizar as chances de sobrevivência de tais empresas em um mundo marcado pela competição globalizada.

Por fim, Rodrigues e Santos debruçam-se na análise do chamado empowerment, uma das práticas de maior sucesso adotadas pelas empresas hoje em dia. Situada a meio-termo entre as estratégias de recursos humanos e de projeto de trabalho, os autores procuram precisar conceitos, estabelecer tipologias e ciclo de implementação, bem como apontar interfaces e implicações da adoção do empowerment sobre diversas dimensões organizacionais.

É a prímeira vez que a revista Gestão & Produção abre espaço para que o tema Organizações seja tratado de modo abrangente, incorporando a contribuição de vários autores em um número especial e, por essa razão, desejamos consignar nossos agradecimentos aos editores-chefe, Profs. Reinaldo Morabito e Flávio Cesar Femandes, que acompanharam a produção do presente número. Não poderíamos também deixar de agradecer ao conjunto de professores da chamada "Área de Organizações" do Departamento de Engenharia de Produção da UFSCar, e de modo especial à Profa. Alessandra Rachid, que embora não assine essa breve apresentação, contribuiu enormemente para que esse número se viabilizasse, tornando-se uma espécie de co-editora de fato.

No conjunto, esperamos sinceramente que o resultado final seja satisfatório e apreciado por todos.