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Gestão & Produção

Print version ISSN 0104-530X

Gest. Prod. vol.18 no.4 São Carlos  2011

http://dx.doi.org/10.1590/S0104-530X2011000400007 

Desenvolvimento de uma escala para medir o potencial empreendedor utilizando a Teoria da Resposta ao Item (TRI)

 

Development of a scale to measure the entrepreneurial potential using the Item Response Theory (IRT)

 

 

Luciano Ricardo Rath Alves; Antonio Cezar Bornia

Programa de Pós-graduação em Engenharia de Produção – PPGEP, Universidade Federal de Santa Catarina – UFSC, Centro Tecnológico – CTC, Campus Universitário, Trindade, CP 476, CEP 88040-900, Florianópolis, SC, Brasil e-mails: lucianorath@yahoo.com.br; cezar@deps.ufsc.br

 


RESUMO

Diversas variáveis estão relacionadas ao desenvolvimento da atividade empreendedora, verifica-se, entre elas, a importância do agente empreendedor. Dos estudos que contribuem para o seu entendimento, este segue a linha que defende que o empreendedor tem características e traços de personalidade singulares em relação à população, os quais são propícios ao sucesso do empreendedorismo. O objetivo deste trabalho é desenvolver uma escala para medir o potencial empreendedor utilizando a Teoria da Resposta ao Item. Foi utilizado o modelo logístico de dois parâmetros da TRI. As estimativas dos parâmetros foram obtidas a partir da amostra com 764 pessoas que responderam a um instrumento composto por 103 itens. A curva de informação e do erro padrão do teste e a interpretação qualitativa de níveis da escala permitiram determinar o intervalo mais apropriado para utilização do instrumento. Os resultados mostraram que a escala é mais adequada para avaliar indivíduos com baixo até moderadamente alto potencial empreendedor. Por isso, sugere-se que novos itens sejam incorporados ao instrumento para mensurar e interpretar níveis ainda mais elevados. A Teoria da Resposta ao Item permite que novos itens sejam calibrados a fim de mensurar os empreendedores com alto potencial empreendedor, aproveitando os dados já obtidos.

Palavras-chave: Potencial empreendedor. Empreendedor. Escala. Teoria da Resposta ao Item (TRI).


ABSTRACT

Several variables are related to the development of entrepreneurial activities. An important one among them is the entrepreneurial agent. This study is one of many that contribute to the understanding of the entrepreneurial agent. In its line of thought, it upholds the idea that the entrepreneur has characteristics and personality traits that stand out from the general population and that are favorable to the success of the entrepreneurship. This study aims at developing a measurement scale for entrepreneurial potential using the Item Response Theory. The items were generated by Santos (2008) based on a theoretical model referenced in theories of entrepreneur's personality. The samples include 664 undergraduate and graduate students of Brazilian universitie, and 100 entrepreneurs of the state of Alagoas. A two- parameter logistic IRT model was used. The parameter estimates were obtained from a sample of 764 people who responded to an instrument containing 103 items. The information and the standard error curves and the qualitative interpretation of the scale levels allowed us to determine the most appropriate range for the instrument use. The results showed that the scale is most adequate to evaluate individuals with low to moderately high entrepreneurial potential. Therefore, it is suggested that new items are incorporated into the instrument to measure and interpret even higher levels. The Item Response Theory allows the calibration of new items to measure entrepreneurs with high entrepreneurial potential using previously obtained data.

Keywords: Potential entrepreneur. Entrepreneur. Scale. Item Response Theory. IRT.


 

 

1 Introdução

Considerando o trabalho de Cantillon publicado em 1755 como precursor do estudo do empreendedor (MURPHY; LIAO; WELSH, 2006) há mais de dois séculos, estudiosos de diferentes áreas do conhecimento fazem conjecturas e fundamentações a fim de descrever este agente. Cada pesquisador, sob a ótica do seu domínio epistêmico, encontra um ou mais aspectos potencialmente relevantes relacionados ao ato de uma pessoa embrenhar-se no empreendedorismo e de encontrar sucesso nesta ação. Alguns aspectos são exógenos à figura do empreendedor como a cultura em que se inserem, os incentivos institucionais e as condições micro e macroeconômicas. Outros são inerentes à natureza humana, explicados por diferentes correntes e conceitos da psicologia. A amplitude destes estudos, ao mesmo tempo em que gera posições controversas, enriquece a discussão e a compreensão do tema. Filion (2000), por exemplo, menciona ter reunido mais de 100 definições de empreendedor e empreendedorismo, das quais sintetiza que:

O empreendedor é com frequência considerado uma pessoa que sabe identificar as oportunidades de negócios, os nichos do mercado e que sabe se organizar para progredir. Assim, a essência do trabalho do empreendedor consiste em definir contextos, o que exige uma análise e imaginação, um equilíbrio entre as funções do lado direito e do lado esquerdo do cérebro. (FILION, 2000, p. 14).

A importância do empreendedor para o desenvolvimento socioeconômico tem sido defendida por autores renomados há bastante tempo. No início do século XX, Schumpeter enfatizou a função deles na geração de uma alteração criativa na economia (MURPHY; LIAO; WELSH, 2006). Na década de 1960, McClelland (1968) defendeu que o desenvolvimento das nações se dava pela necessidade de realização de seu povo, destacando as ações dos empreendedores neste processo. Nessa mesma década, Maslow (2001, p. 265) afirmou que a

"[...] diferença entre as grandes e boas sociedades e as sociedades em regressão está na oportunidade empreendedora e no número de empreendedores existentes na sociedade."

Segundo Acs, Desai e Hessels (2008), nos últimos anos, explodiu a consciência da importância econômica atribuída aos empreendedores. Acs (2007) cita que empreendedores geram empregos e inovações e intensificam a competitividade, de forma que níveis elevados de empreendedorismo por oportunidade refletem em crescimento econômico.

Este é um trabalho psicométrico, fundamentado em teorias e estudos de características e traços de personalidade do empreendedor e na Teoria da Medida. O objetivo é desenvolver uma escala para medir o potencial empreendedor utilizando a Teoria da Resposta ao Item.

O presente trabalho está estruturado em 7 seções. A primeira introduz a importância do empreendedorismo, em especial do empreendedor, para o desenvolvimento socioeconômico, as teorias que fundamentam o artigo e o objetivo do trabalho. A seção 2 resgata teorias e estudos sobre características e traços da personalidade do empreendedor. A seção 3 mostra trabalhos realizados para medir características do empreendedor. A seção 4 expõe o embasamento da Teoria da Resposta ao Item. Os procedimentos metodológicos estão descritos na seção 5. Na seção 6, tem-se o desenvolvimento da escala do potencial empreendedor. Por fim, na seção 7, expõem-se as conclusões e recomendações.

 

2 A personalidade do empreendedor

A definição de personalidade é algo complexo na psicologia, uma vez que profissionais desta área a percebem sob óticas diferentes. Rotter e Hochreich (1980, p. 1) afirmam que, de forma geral:

[...] o termo é empregado para referir-se às características individuais, modos relativamente estáveis de pensar, perceber, e comportar-se, excluindo somente aquelas características estáveis que englobam níveis de inteligência ou aptidões intelectuais (ou seja, aqueles comportamentos que são mensurados através de testes padronizados de inteligência geral, realização ou aptidão).

Uma corrente teórica enfatiza o estudo da personalidade do empreendedor, procurando características e traços que descrevam o seu comportamento (ASLETE, 2008; BRASDSTÄTTER, 1997; McCLELLAND et al., 1987; LEZANA; TONELLI, 2004; LITTUNEM, 2000; MORALES, 2004).

Santos (2008) aduz que traços e características dos empreendedores ora são defendidos, ora criticados na literatura. Segundo o mesmo autor, pesquisas recentes são favoráveis em afirmar que os empreendedores têm traços de personalidades singulares em relação ao restante da população.

Para Lezana e Tonelli (2004, p. 39):

A personalidade do empreendedor tem um impacto decisivo na nova firma. [...] A personalidade do empreendedor configurará a imagem da empresa, os valores e o comportamento da firma.

Desta forma, este trabalho segue a linha de pesquisa que relaciona personalidade ao potencial empreendedor. As subseções seguintes fundamentam alguns estudos e teorias condizentes com esta corrente de pesquisa. São elas: Necessidade de Realização de McClelland, Autoeficácia Percebida de Bandura, Aprendizado Social e Lócus de Controle de Rotter, Comportamento Planejado de Ajzen, Tipos de Empreendedor de Miner e Comportamento do Empreendedor de Lezana e Tonelli.

2.1 A necessidade de realização de McClelland

David McClelland (1968) fez reflexões críticas acerca das teorias que tentavam esclarecer o desenvolvimento econômico dos povos ao longo da história (habilidade de guerrear e de governar, clima, posição geográfica etc.). Com sua formação em psicologia, acreditava ser uma parcimônia explicar que tal desenvolvimento dava-se pela necessidade de realização das pessoas. Para defender sua tese, realizou estudos na década de 1960 envolvendo crianças (e suas histórias infantis), jovens e empresários de diferentes países, que constataram haver relação entre o desenvolvimento econômico e a necessidade de realização. Segundo Morales (2004), estudos de McClelland inferiram que empreendedores de sucesso têm alta necessidade de realização.

2.2 A Teoria da Autoeficácia Percebida (TAP) de Bandura

Conforme Bandura (1997), as pessoas empenham-se em controlar os eventos que afetam a sua vida. A falta de experiência e habilidade para desempenhar este controle gera apreensão, apatia ou desespero, enquanto que a capacidade de produzir resultados positivos estimula o desenvolvimento e o exercício do controle pessoal. O impacto da eficácia pessoal depende dos fins a que se propõe alcançar. Para a TAP, as motivações, tomadas de decisões e ações estão calçadas mais nas crenças do que os indivíduos podem fazer do que naquilo que objetivamente podem fazer.

Entre os mecanismos psicossociais da ação humana, nenhum é mais central ou sagaz que as crenças na sua própria eficácia. A autoeficácia percebida refere-se às crenças de cada um quanto às capacidades de organizar e executar as ações requeridas em situações prospectivas. Estas crenças influenciam como as pessoas pensam, sentem, motivam-se etc. (BANDURA, 1997, p. 2, tradução nossa).

Estudos que evidenciaram positivamente a relação entre a performance do empreendedor e a autoeficácia percebida podem ser encontrados em Chen, Greene e Crick (1998); Hmielesc e Corbertt (2008); Markman e Baron (2003).

2.3 A Teoria do Aprendizado Social (TAS) e do Lócus de Controle de Rotter

Segundo Rotter e Hochreich (1980), a TAS advoga que a personalidade é formada por um conjunto de potencialidades para responder a situações diferentes. Desta forma, a personalidade e as interações com o meio influenciam-se reciprocamente. O comportamento é regido pela lei do reforço. Para aqueles autores, suprir uma necessidade implica em: (i) identificar um conjunto de comportamentos dirigidos a algum objetivo; (ii) atribuir valor e escolher uma entre as alternativas; e (iii) ter expectativas de que será capaz de atingir o objetivo valorizado.

Derivado da TAS, o lócus de controle refere-se às expectativas generalizadas de quem ou o quê pode resolver os problemas de um indivíduo. Pessoas com alto lócus de controle interno acreditam na sua habilidade e no seu esforço, em detrimento de ações de agentes externos ou de situações casuais (ROTTER; HOCHREICH, 1980).

O lócus de controle é uma teoria que tem despertado grande interesse no estudo do empreendedor (HANSEMARK, 1998). Brockhaus (1980) encontrou maior lócus de controle interno em empreendedores de sucesso em relação àqueles que não obtiveram êxito nesta atividade. Shane, Locke e Collins (2003) citam um trabalho realizado por Shapero de 1977 que encontrou maior lócus de controle interno nas pessoas que se aventuraram a fundar empresas do que em outras com diferentes profissões. Cai, Yin e Zhang (2008) relatam que na China há um elevado índice de atividade e sobrevivência de empreendimentos. O estudo daqueles autores observou que

[...] empreendedores com lócus de controle interno tendem a adotar estratégias inovadoras e ações proativas. (CAY; YANG; ZHANG, p. 1390, tradução nossa).

O estudo de Pandey e Tewary (1979), para uma corporação financeira da Índia, deu indícios de que pessoas que apresentam maior necessidade de realização e lócus de controle interno têm maiores chances de serem aprovadas em entrevistas de seleção para empreendedores.

2.4 A Teoria do Comportamento Planejado (TCP) de Ajzen

A teoria do comportamento planejado é uma extensão da teoria da ação racional de Ajzen e Fishbein de 1980 (AJZEN, 1991). A TCP enfatiza a intenção que o indivíduo tem para realizar um determinado comportamento. A intenção é influenciada pela atitude em relação ao comportamento, por normas subjetivas e pelo controle do comportamento percebido. A atitude em relação ao comportamento é vista como um juízo de valor do quão benéfico ou prejudicial o comportamento pode ser. Normas subjetivas referem-se às pressões sociais percebidas pelo sujeito. O controle do comportamento percebido é uma avaliação subjetiva da possibilidade de obter sucesso com o comportamento intentado, compreende habilidades, recursos, oportunidades, entre outros aspectos (AJZEN, 1991; FAYOLLE; GAILLY, 2004).

2.5 Os tipos de empreendedor de Miner

Outra linha de pesquisa do estudo da personalidade do empreendedor trata das diferenças entre elas - as tipologias. Para Miner (1996), apesar de estudos iniciados na década de 1960 sobre a relação entre a personalidade do empreendedor e o sucesso do empreendimento não serem conclusivos, a ponto de Guth em 1991 sugerir outras linhas de pesquisa como sendo mais promissoras, o tema continuou a intrigar os pesquisadores nos anos subsequentes.

Miner (1996) defendeu a hipótese de que a dificuldade de encontrar uma resposta satisfatória para explicar a personalidade empreendedora deve-se ao fato dos autores considerarem um 'estilo de empreendedor universal'.

Ao aplicar 17 testes psicológicos num grupo de cem empreendedores, Miner (1996) encontrou quatro tipos com traços de personalidades diferentes: (i) Realizadores: motivados pela autorrealização, têm necessidades de planejar, criar metas e obter feedback; têm forte iniciativa, acreditam no potencial das pessoas e que o trabalho deve ser guiado por objetivos pessoais; (ii) Super Vendedores Empáticos: são empáticos, sociáveis; prestativos e creem no processo de venda como crucial para a empresa; (iii) Gerentes Autênticos: são líderes, decisivos, competitivos, desejam o poder e destacar-se na multidão; (iv) Geradores de Inovações: possuem desejo e paixão por inovações, creem na importância de novos produtos, são inteligentes e evitam riscos. Complementa Miner (1996) que empreendedores geralmente acumulam mais de um tipo.

2.6 O comportamento do empreendedor de Lezana e Tonelli

Lezana e Tonelli (2004, p. 21) relacionam o comportamento empreendedor aos conceitos da psicanálise:

[...] as pessoas estruturam sua personalidade à medida que vivenciam as diferentes fases da vida [...] a criação de uma nova empresa e sua operação podem ser tratadas como oportunidade de satisfazer as necessidades do indivíduo. (p. 30).

As características da personalidade que determinam o comportamento são as necessidades (associadas ao Id); o conhecimento e as habilidades (ao Ego); e os valores (ao Superego). Os valores individuais adquiridos da sociedade, às vezes de forma inconsciente, norteiam ou até mesmo bloqueiam as decisões do empreendedor. O conhecimento e as habilidades geram o rol de alternativas que podem facilitar a intermediação, mais ou menos conflituosa, entre as necessidades e os valores no processo de decisão.

Lezana e Tonelli (2004) aduzem que o sucesso de um empreendimento dá-se pelo equilíbrio de fatores internos e externos do empreendedor. Para Lezana e Tonelli (2004, p. 40):

[...] estudos recentes demonstram que, apesar da variedade de fatores que levam a empresa ao sucesso, quase todos estão ligados à figura do empreendedor [...]. O que o torna diferente são as características de sua personalidade [...].

2.7 Modelo de potencial empreendedor utilizado

Este trabalho limitou-se a descrever algumas linhas de pesquisa de traços e características de empreendedores a fim de fundamentar o modelo teórico de potencial empreendedor empregado, o qual segue a corrente da Necessidade de Realização de David McClelland. McClelland, além de ser um pioneiro e um dos mais influentes pesquisadores da área (CORNELIUS; LANDSTRÖM; PERSON, 2006; van EMMERIK et al., 2010), teve seu trabalho revertido em programas de capacitação respaldados pela Organização das Nações Unidas (ONU), os quais vêm contribuindo para o desenvolvimento da atividade em diversos países (UNITED..., 2005; SANTOS, 2008).

 

3 Mensuração do potencial empreendedor

O Quadro 1 mostra algumas técnicas quali-quantitativas utilizadas para mensurar o potencial empreendedor de uma amostra de publicações:

Foram encontradas duas escalas de medida produzidas por pesquisadores brasileiros associadas às características do empreendedor. A escala de Santos (2008) enfatiza a teoria de McClelland e utiliza técnicas estatísticas de alfa de Cronback e análise fatorial para mensurar o potencial empreendedor; e a escala de Lopes Junior e Souza (2005) se baseia na Teoria do Comportamento Planejado e usa técnicas de análise fatorial para medir a atitude empreendedora. Inácio Júnior e Gimenez (2004) traduziram, validaram e aplicaram no Brasil o Carland Entrepreneurship Index (CEI).

Não foi encontrada aplicação da TRI associada à mensuração de características de empreendedores e potenciais empreendedores numa pesquisa feita nas bases de periódicos da Capes: Scopus, Web of Science e ScienceDirect com a combinação de dois termos, sendo o primeiro 'item response theory' ou IRT e o segundo entrepreneur, entrepreneurial ou entrepreneurship.

 

4 A Teoria da Resposta ao Item (TRI)

"A TRI é um conjunto de modelos matemáticos que procura representar a probabilidade de um indivíduo dar uma certa resposta a um item como função dos parâmetros do item e da habilidade [ou habilidades] do respondente" (ANDRADE; TAVARES; VALLE, 2000, p. 7).

A TRI surgiu para suprir algumas limitações da Teoria Clássica da Medida (TCM) (PASQUALI; PRIMI, 2003). Entre as vantagens da TRI sobre a TCM, apontam-se: a TRI importa-se com a análise de cada item e não com a do teste como um todo (ANDRADE; TAVARES; VALLE, 2000; ANDREOLA, 2009); características do item são independentes da amostra dos sujeitos (EMBRETSON; REISE, 2000); o modelo não exige formas rigorosamente paralelas para avaliar a fidedignidade (PASQUALI; PRIMI, 2003); pode mensurar indivíduos submetidos a testes parcialmente diferentes e os mesmos indivíduos submetidos a testes totalmente diferentes (ANDRADE; TAVARES; VALLE, 2000); o erro padrão da medida é diferente para cada nível do traço latente (EMBRETSON; REISE, 2000); a dificuldade do item está na mesma escala da habilidade, o que implica que os escores dos respondentes têm significados quando se comparam suas posições em relação aos itens (EMBRETSON; REISE, 2000).

Pasquali (2003) considera que os primeiros testes para mensurar aptidões humanas foram realizados por Galton em 1883. Em 1905, Binet e Simon criam o teste de inteligência associado à idade mental com 30 itens (o qual pouco mais tarde viria a se tornar o teste de Q.I.). Sperman, nessa época, gera os fundamentos da TCM. A análise fatorial data da década de 1930, tendo como expoente o norte-americano Thurstone. Para van der Linden e Hambleton (1997), Thurstone, em 1927, ao utilizar o modelo de distribuição normal em uma escala de dispersão, lançou a base para a o primeiro modelo matemático da TRI – o modelo de ogiva normal. Segundo Andrade, Tavares e Valle (2000), Lord, em 1952, desenvolveu o primeiro modelo unidimensional de dois parâmetros baseado na distribuição normal acumulada (ogiva normal), obtendo uma função descrita pelos parâmetros dos itens e pela habilidade dos respondentes, o qual teve o modelo substituído pelo logístico de dois parâmetros (ML2) por Birnbaum em 1968.

Andrade, Tavares e Valle (2001) informam que a escolha do modelo da TRI depende fundamentalmente da natureza do item (dicotômico ou não dicotômico, ordinal ou nominal), do número de populações envolvidas (uma ou mais de uma) e da quantidade de traços latentes que se está medindo (modelos unidimensionais ou multidimensionais). Para Embretson e Reise (2000), a escolha do modelo depende do peso de cada item, das propriedades desejadas da escala e do tipo dos dados.

Para o desenvolvimento da escala proposta, este trabalho utiliza itens dicotomizados, amostra de duas populações - estudantes e empreendedores -, assume unidimensionalidade e não admite a existência de respostas ao acaso. Estas considerações levaram à escolha do modelo logístico de dois parâmetros da TRI.

O ML2 baseia-se na hipótese de que indivíduos com maior traço latente apresentam maior probabilidade de dar uma resposta afirmativa ao item (ANDRADE; TAVARES; VALLE, 2000).

O ML2 supõe unidimensionalidade e independência local. Segundo Pasquali (2003, p. 104), o postulado da independência local afirma que

[...] mantidas constantes as aptidões que afetam o teste, menos o traço latente dominante, as respostas dos sujeitos a quaisquer dos itens são estatisticamente independentes.

A única dimensão a ser medida é o potencial empreendedor.

A Equação 1 mostra a função matemática do ML2. Nela: Uij representa a resposta dicotômica (valores 0 ou 1) do indivíduo j dada ao item i; θj é o potencial empreendedor do respondente j; P(Uij=1|θj), a probabilidade do respondente j com o potencial empreendedor qj apresentar o requisito questionado pelo item (valor igual a 1); bi é o parâmetro de dificuldade do item posicionado na mesma escala do potencial empreendedor (observa-se que P(Uij=1|θj=bi)=0,5); e ai é o parâmetro de discriminação do item, equivalente à tangente da Curva Característica do Item (CCI) no ponto de inflexão da curva (em que bi = θj). O parâmetro 'a' tem a propriedade de conferir qualidade ao item. Valores baixos de 'a' conferem pouca capacidade de distinguir se o respondente apresenta o requisito contido no item.

A Figura 1 mostra as Curvas Características de dois itens com os pares de parâmetros (ai; bi) iguais a (2; –1) e (1; 1), respectivamente. Observa-se que o item 1 é o mais discriminante (maior 'a') e o item 2 exige um valor maior do potencial empreendedor para a resposta afirmativa, dito mais difícil (maior 'b'). A escala da Figura 1 é medida em múltiplos de desvio padrão, está parametrizada na média 0 e desvio padrão 1, escala (0;1), na qual o valor do potencial empreendedor pode estar entre – e + . Na prática, no entanto, dificilmente os valores são inferiores a –3 ou superior a 3.

 

 

Quando os valores dos parâmetros dos itens e/ou os valores do potencial empreendedor dos respondentes são desconhecidos, eles devem ser estimados a partir das respostas fornecidas. Os processos de estimação consistem de métodos matemáticos com algoritmos numéricos iterativos. O método da Máxima Verossimilhança Marginal inicialmente estima os parâmetros dos itens (calibra os itens), assumindo uma distribuição para o traço latente (potencial empreendedor); em seguida, o estima com os parâmetros dos itens calculados (BAKER, 2001).

O processo de mensurar o traço latente de indivíduos submetidos a testes parcialmente diferentes e o traço dos mesmos indivíduos submetidos a testes totalmente diferentes denomina-se equalização. A equalização consiste em colocar sobre a mesma métrica os parâmetros dos itens e o q dos respondentes.

Cada item provê um nível de informação para um determinado valor de q, conforme a Equação 2, denominada Função de Informação do Item (EMBRETSON; REISE, 2000). Na Equação 2, Ii(θ) é a informação provida pelo item; Pi'(θ) é a derivada de Pi(θ) Equação 1; e Qi(θ) = 1 –Pi(θ). Nos modelos logísticos, a informação é maior quanto maior for o valor de 'a' e quanto mais 'b' se aproxima de θ.

A informação do teste, I(θ), é o somatório de Ii(θ).

Outra forma de expor a informação do teste é por meio do erro padrão da medida, EM(θ) , mostrado na Equação 3.

Segundo Pasquali (2003), por meio da análise das funções de informação e do erro padrão da medida é possível verificar a validade de construto do instrumento.

Em função do parâmetro dificuldade do item estar na mesma escala do traço latente do respondente, a TRI é capaz não apenas de atribuir números que permitam a comparação entre os indivíduos, mas também de fazer inferências ao traço latente deles frente a alguns itens requisitados (BEATON; ALLEN, 1992). Desta forma: (i) os itens que satisfazem simultaneamente as condições das Equações 4, 5 e 6 são denominados itens âncoras; (ii) os pontos da escala que contêm itens âncoras são os níveis âncoras; (iii) para cada nível âncora há pelo menos 65% de respondentes que 'acertam' o conjunto de itens correspondente; (iv) os respondentes deste nível acumulam os requisitos contidos nos níveis inferiores. Quando duas das três condições são atendidas, o analista pode definir itens 'quase âncoras' (ANDRADE; TAVARES; VALLE, 2000). Nas Equações 4-6, o nível Z da escala é imediatamente superior ao Y.

A Figura 2 ilustra o posicionamento dos respondentes Rk em relação aos níveis âncoras –2 a 2 formados pelos itens âncoras IAw.

 

 

Na Figura 2, R2 e R3 posicionados no nível âncora –1 possuem os requisitos questionados pelos itens IA1, IA2, IA3, enquanto R1 só tem aptidão para IA1 do nível –2. R4, R5 e R6 são exclusivamente hábeis nos requisitos dos itens IA4, IA5 e IA6 em relação aos respondentes posicionados no nível –1 e –2.

A escala da habilidade [potencial empreendedor] é uma escala arbitrária na qual o importante são as relações de ordem existentes entre seus pontos e não necessariamente sua magnitude. (ANDRADE; TAVARES, VALLE, 2000, p 10).

Desta forma, a escala pode ser reparametrizada para média µ e desvio padrão s com as Equações 7-10:

A reparametrização tem o intuito de facilitar a interpretação da escala.

 

5 Procedimentos metodológicos

Para o desenvolvimento da escala utilizaram-se dados coletados e processados por Santos (2008), o qual estruturou o modelo apresentado no Quadro 2.

No modelo de Santos (2008), o conjunto de itens para medir o potencial empreendedor foi estruturado em 3 categorias, as quais foram divididas em 12 características, gerando 120 itens, sendo 17 relacionados às categorias e 103 às características. Os itens criados foram submetidos a 664 estudantes de graduação e pós-graduação de instituições de ensino, selecionadas por acessibilidade , de Santa Catarina, Paraná, Alagoas e Pernambuco, 20% dos quais, na ocasião, tinham negócio próprio ou participavam de algum empreendimento. Após eliminar 67 itens, Santos (2008) submeteu os 53 remanescentes para 100 empreendedores de Alagoas.

Neste trabalho, foram utilizados somente os 103 itens provenientes das 12 características (Quadro 2) por se entender que as categorias definem as características e estas, sim, definem os itens. Os itens receberam os códigos I001 a I103. Portanto a amostra utilizada ficou composta por 764 respondentes, sendo que 664 estudantes responderam os 103 itens e 100 empreendedores responderam 53 itens.

De acordo com a definição da característica 'Riscos' (Anexo A), quanto maior o potencial empreendedor, mais se corre riscos moderados e calculados. Quatro itens (I087, I089, I093, I095), no entanto, questionam se indivíduos correm riscos baixos ou elevados. Estes itens não atendem o critério acumulativo do ML2, ou seja, não se pode dizer que quanto maior o potencial empreendedor de um indivíduo mais ousado ele é, como no item I093 'Sinto que sou ousado em relação a riscos, seja lá quais forem'. Estes itens foram descartados da análise. Portanto, foram analisados 99 itens com a TRI.

A escala utilizada por Santos (2008) foi do tipo ordinal-intervalar, contendo respostas no intervalo [0; 10]. Para utilizar o ML2 da TRI, as respostas foram dicotomizadas, ou seja, para as respostas coletadas por Santos (2008), acima de um determinado ponto foi necessário considerar que estas são afirmativas e abaixo deste ponto, negativas. Foram testados pontos de corte em valores maiores ou iguais a 7, 8 e 9, com sintaxes equivalentes no software BILOG-MG®. O critério utilizado foi o de maior média para os parâmetros de discriminação do conjunto de itens. O ponto 7 obteve índice de discriminação 1,77, enquanto 8 e 9 obtiveram 1,38 e 1,25, respectivamente. Desta forma, as respostas maiores ou iguais a 7 do intervalo [0; 10] equivalem ao valor binário 1.

Com os dados dicotomizados, procedeu-se à estimação dos parâmetros dos itens, fixando-se os empreendedores como grupo de referência. Isto foi feito com o BILOG-MG®. Na sequência, analisaram-se os parâmetros de discriminação dos itens (parâmetro 'a'). Baker (2001) cita que itens com 'a' < 0,65 apresentam pouca discriminação. Neste trabalho, eliminaram-se itens com 'a' < 1,0.

A escala original com µ = 0 e σ = 1 foi transformada para µ = 8 e σ = 2. Com a nova métrica, foram determinados os itens e níveis âncoras para interpretar o significado da posição de um respondente na escala.

Na TRI, é possível estabelecer a variação da informação e do erro padrão do teste em função do traço latente. Com o gráfico que contém estas informações, fez-se a análise de qual o intervalo do potencial empreendedor a escala é mais propícia.

 

6 Desenvolvimento da escala

O desenvolvimento da escala é mostrado em duas subseções. A primeira descreve a estimação dos parâmetros e analisa itens em função dos seus parâmetros. A segunda descreve a aplicação dos procedimentos de reparametrização, determinação e interpretação dos itens e níveis âncoras e a análise da informação do teste.

6.1 Estimação dos parâmetros dos itens

Neste trabalho, os valores do potencial empreendedor e os parâmetros dos itens foram estimados. Utilizou-se o Método de Máxima Verossimilhança Marginal. Observou-se que houve convergência dos algoritmos numéricos de estimação.

No primeiro processo de estimação, 15 itens obtiveram o parâmetro de discriminação 'a' menor que 1 e foram descartados e o item I019 foi descarado por apresentar erro padrão do parâmetro 'b' alto, 0,54. Foi então executada uma segunda estimação com os 83 itens remanescentes que compõem o instrumento. Os 103 itens com seus parâmetros estimados são mostrados no Apêndice A.

A seguir são sintetizados os conteúdos dos itens que têm valores extremos dos parâmetros 'a' e 'b'.

Os 10 itens mais discriminativos, com 'a' entre 2,60 e 3,41, questionam o apreço por encarar desafios, a crença na capacidade de resolver problemas, alcançar objetivos e liderar pessoas, saber estabelecer metas e os passos para alcançá-las. São eles: I002, I035, I036, I039, I041, I042, I057, I059, I066 e I072. Os 10 menos discriminativos, com 'a' entre 1,03 e 1,25, questionam se os indivíduos percebem que decisões erradas, falta de planejamento e de controle podem levá-los ao fracasso; se creem que clientes exigem qualidade e bom atendimento, que podem quantificar metas, que os planejamentos podem ser flexíveis e a eficiência é uma fonte de benefícios; se são exigentes para com a qualidade do que fazem e se acham que é necessário ter uma rede de relacionamentos. Estes itens são: I006, I016, I018, I025, I032, I038, I040, I054, I076 e I085 (Apêndice A).

Os 10 itens da escala com maior parâmetro de dificuldade, 'b' entre –0,93 e –0,06, questionam se os indivíduos são proativos, correm riscos, são bastante persuasivos, consideram-se autônomos, definem objetivos e detalham os passos para alcançá-los, mantêm registros de suas ações, acreditam que podem quantificar suas metas e na flexibilidade do planejamento. Os itens são: I008, I012, I038, I045, I060, I061, I071, I072, I076, I086 (Apêndice A). Os 10 itens mais 'fáceis', 'b' entre –2,03 e –2,62, questionam se os indivíduos entendem obstáculo como algo a ser superado, gostam de fazer as coisas bem feitas, acreditam que obtêm benefícios com a eficiência dos processos, que é importante estabelecer prazos, custos e responsáveis e que é necessário ofertar produtos e serviços com qualidade, se aprendem com os próprios erros, procuram estar atualizados, buscam informações de especialistas quando necessário e procuram ajudar sua rede de relações. Os itens são: I025, I033, I034, I054, I055, I073, I074, I077, I085, I103 (Apêndice A).

6.2 Interpretação da escala

O primeiro procedimento para interpretação foi a mudança da escala com métrica µ = 0 e σ = 1 para µ = 8 e σ = 2 com as Equações 7-10 tendo como objetivo trabalhar com números naturais no intervalo em que prevalece a informação do teste.

O segundo procedimento foi a determinação dos itens e níveis âncoras. Este foi realizado aplicando a Equação 1 com os parâmetros já estimados sobre os valores da escala reparametrizada variando em intervalos de 1,0 desvio padrão obtendo P(U=1|θ*) e verificando se cada item atende às condições das Equações 4-6 com tolerância de P(U=1/θ*) de 0,03. A Tabela 1 exemplifica a análise de 3 itens:

Na Tabela 1, vê-se que os itens I036, I037 e I040 atendem respectivamente a 3, 2 e 1 condições das Equações 4-6. Sendo assim, o primeiro item é âncora para o nível 6, o segundo, quase âncora para o nível 7 e o terceiro item é um item 'comum'. Com este procedimento, a escala apresentou 42 itens âncoras e quase âncoras posicionados em 6 níveis âncoras: 4, 5, 6, 7, 8 e 9 (Apêndice B). No entanto, os níveis âncoras 4, 8 e 9 possuem 2, 1 e 1 itens respectivamente, o que não permite que sejam bem interpretados.

A seguir estão descritas as características do potencial empreendedor dos indivíduos em relação ao nível em que se encontram na escala, segundo a interpretação dos autores.

As pessoas posicionadas no nível 5 ou superiores da escala gostam de realizar seu trabalho de forma assídua e correta. Procuram obter aprendizado sobre os assuntos pertinentes ao ramo em que atuam e saber a amplitude dos riscos para tomar decisões. Entendem que obstáculos existem para ser superados e não se abatem com os erros cometidos, buscando de forma permanente atingir seus objetivos. Procuram prestar suporte à sua rede de relações.

Os indivíduos com potencial empreendedor maior ou igual a 6, além das características dos níveis anteriores, têm expectativas altas para consigo. São hábeis em identificar oportunidades, enxergar as necessidades das pessoas e encontrar meios para atendê-las. Buscam informações para enfrentar desafios e obter vantagens competitivas. Sabem o que querem alcançar e, para isso, fazem planejamentos com os quais monitoram e alteram suas atividades para obterem êxito. Têm boa habilidade de relacionamento interpessoal: procuram manter contato constante com sua rede de relações, são motivadores, líderes e administradores de conflitos.

Aqueles que se encontram no nível maior ou igual a 7 da escala consideram-se independentes para tomar decisões sobre a sua vida e correr riscos calculados. São proativos e capazes de filtrar as oportunidades que são lucrativas. Têm objetivos claramente definidos e são bastante habilidosos em detalhar metas e os passos para alcançá-las. Sabem maneiras de convencer as pessoas a mudarem de opinião e não só mantêm uma rede de relacionamentos, mas a utilizam para alcançar seus objetivos.

Por fim, observa-se na Figura 3 que a escala é mais adequada para medir o potencial empreendedor daqueles que se encontram no intervalo [2 ; 8], pois há bom nível de informação e erro padrão baixo, com ápice em torno do ponto 5,5. À medida que o potencial empreendedor se distancia deste intervalo, perde-se confiabilidade da medida. Por meio da interpretação dos níveis âncoras, verificou-se que indivíduos posicionados no nível 7 (ou superior) apresentam características relevantes para conduzir atividades empreendedoras. Este nível está pouco abaixo da média da amostra dos empreendedores. Assim, conclui-se que os empreendedores, em média, possuem bom potencial empreendedor e que a escala, que tem boa informação e erro baixo do nível 2 ao 8, é adequada para avaliar indivíduos com baixo até moderadamente alto potencial empreendedor.

 

 

7 Conclusões e recomendações

Inicialmente, observou-se que, entre as variáveis sensíveis ao empreendedorismo, destaca-se o próprio empreendedor. Sob premissas de que este tem características e traços de personalidade singulares e propícios ao empreendedorismo em relação à população, escolheu-se trabalhar com esta linha de pesquisa. Estas foram consideradas pertencentes à dimensão que se propôs medir: o potencial empreendedor. Para o desenvolvimento da escala, utilizou-se a abordagem da Teoria da Resposta ao Item com o modelo logístico de 2 parâmetros.

Um dos pontos positivos verificados com a utilização da TRI foi o de poder utilizar respostas coletadas de instrumentos diferentes, porém com alguns itens comuns: as 664 repostas dos estudantes aos 103 itens e as 100 respostas dos empreendedores aos 53 itens. A escala pôde ser fixada considerando um grupo de referência, significando que o centro da escala é o potencial empreendedor médio da amostra de empreendedores.

A escala do potencial empreendedor ficou composta por 83 itens. A fim de interpretá-la, calcularam-se os níveis e itens âncoras. Foram identificados 42 itens âncoras e quase âncoras, posicionados em 6 níveis, dos quais, 3 foram interpretados. A possibilidade de interpretação da escala, isto é, entender o que significa um indivíduo estar posicionado em determinado nível, em termos das características identificadas pelos itens, talvez tenha sido a maior vantagem da aplicação da TRI.

Outra análise importante advinda da curva de informação e do erro do teste, a qual indica a região da escala que produz estimativas mais precisas, em conjunto com a interpretação dos níveis âncoras, mostrou que a escala é mais adequada para avaliar indivíduos no intervalo de baixo a moderadamente alto potencial empreendedor. Sugere-se criar e calibrar itens com parâmetros de dificuldade mais elevados para interpretar e avaliar com boa precisão níveis mais elevados. Ressalta-se que, uma vez criado e aplicado o novo instrumento, é possível aproveitar as informações contidas na atual amostra, por meio do processo de equalização da TRI.

 

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Recebido em 31/8/2010
Aceito em 10/8/2011

 

 

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