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Pró-Fono Revista de Atualização Científica

Print version ISSN 0104-5687

Pró-Fono R. Atual. Cient. vol.17 no.3 Barueri Sept./Dec. 2005

http://dx.doi.org/10.1590/S0104-56872005000300009 

ARTIGOS DE PESQUISA

 

Identificação de sentenças sintéticas (SSI) e reflexo acústico contralateral*

 

 

Adriana Ribeiro Tavares AnastasioI,1; Teresa Maria Momensohn-SantosII

IFonoaudióloga. Mestre em Distúrbios da Comunicação pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). Professora Assistente do Departamento de Oftalmologia, Otorrinolaringologia e Cirurgia de Cabeça e Pescoço da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo
IIFonoaudióloga. Doutora em Distúrbios da Comunicação Humana pela Universidade Federal de São Paulo. Professora Titular do Departamento de Clínica Fonoaudiológica da PUC-SP

Endereço para correspondência

 

 


RESUMO

TEMA: estudo da relação do reflexo acústico contralateral na habilidade auditiva de fechamento auditivo.
OBJETIVO: analisar a identificação do sinal de fala em presença de sons competitivos em sujeitos com ausência do reflexo acústico contralateral.
MÉTODO: aplicação do teste de identificação de sentenças sintéticas (SSI) nas condições mensagem competitiva contralateral (SSI-MCC), na relação sinal-ruído de 0 e -40dB e mensagem competitiva ipsilateral (SSI-ICM), na relação sinal-ruído de 0, -10, -15 e -20dB, em 43 adultos-jovens (grupo A = 21 sujeitos com presença do reflexo acústico contralateral em todas as freqüências pesquisadas e grupo B = 22 sujeitos com ausência do reflexo na freqüência de 500Hz, em todas as freqüências pesquisadas ou ainda em algumas das freqüências pesquisadas, mas que incluísse 500Hz), de ambos os sexos sem queixas auditivas, otológicas ou de aprendizagem.
RESULTADOS: o limiar do reflexo acústico esteve acima de 100dB NA em 59% dos indivíduos do grupo B e em 14% dos indivíduos do grupo A, todos os indivíduos apresentaram desempenho de acordo com o padrão de normalidade sugerido pela literatura especializada para o teste SSI, o desempenho do grupo B no teste SSI-ICM foi inferior ao grupo A em todas as relações sinal-ruído utilizadas, embora a diferença não tenha sido estatisticamente significante, o grupo B que apresentou limiar do reflexo acústico superior a 100dB NA ou ausência do reflexo acústico também foi o que apresentou pior desempenho no teste SSI.
CONCLUSÃO: a ausência do reflexo acústico contralateral parece interferir na identificação do sinal de fala na presença de ruídos competitivos.

Palavras-Chave: Percepção Auditiva; Reflexo Acústico; Inteligibilidade da Fala.


 

 

Introdução

A informação auditiva é mapeada e processada pelo sistema nervoso auditivo central, estando o tronco cerebral relacionado a uma variedade de funções, incluindo localização do som, memória, reflexo acústico e atenuação do ruído de fundo (Simmons, 1964; Borg, 1973; Northern e Gabbard, 1994; Carvallo, 1996).

Diversas teorias procuraram explicar as funções dos músculos da orelha média, sendo as quatro maiores delas: a teoria da proteção-controle de intensidade, a teoria da fixação da cadeia ossicular, a teoria da acomodação e seleção de freqüência e a teoria da regulação da pressão labiríntica (Borg et al., 1984).

Embora haja uma tendência em conferir ao reflexo acústico do músculo estapédio apenas o papel de "protetor da orelha interna", a alta complexidade neural deste mecanismo aliada a novas linhas de raciocínio surgidas de estudos teóricos e experimentais (em humanos e cobaias) concebeu ao reflexo acústico do músculo estapédio outras funções que não só a protetora.

Sucintamente, o reflexo acústico é importante na separação do sinal auditivo de outros ruídos internos (do próprio corpo) ou do ambiente, no controle da atenuação das freqüências graves dos sons da fala favorecendo a percepção dos sons de freqüência aguda (efeito antimascaramento), na atenuação dos sons vocalizados e, no reconhecimento da fala para fortes intensidades (Simmons, 1964; Wormald et al., 1995; Kawase et al., 1997).

Na prática clínica é possível encontrar um número considerável de indivíduos sem sinais aparentes de comprometimento na orelha média e no arco reflexo estapédio-coclear e que mesmo assim não apresentam registro do reflexo acústico do músculo estapédio. Assim como é possível, a existência de indivíduos com acuidade auditiva normal e que apresentam queixas de prejuízo na inteligibilidade de fala quando expostos simultaneamente a ruído competitivo.

Em 1965, Speaks e Jerger desenvolveram um teste de Identificação de Sentenças Sintéticas (Synthetic Sentece Identification - SSI) na tentativa de solucionar o problema da medida da compreensão da fala. O SSI contrastava com as pesquisas tradicionais com relação à natureza do material de fala e o procedimento do teste. Em 1988, Almeida e Caetano adaptaram o SSI para a Língua Portuguesa, e desde então, o SSI vem sendo aplicado no Brasil em diferentes populações. O paradigma do teste e as sentenças permanecem os mesmos, mas as relações sinal-ruído utilizadas são as mais variadas possíveis (Almeida e Caetano, 1988; Aquino, 1992; Aquino et al., 1993; Osterne et al., 1994; Kalil et al., 1997; Amatucci, 1998).

O SSI é um teste de mensagem-fechada que solicita ao ouvinte identificar uma das diversas alternativas de sentenças fornecidas em associação a uma mensagem competitiva, que tem o papel de ruído de fundo. As sentenças do SSI são compostas por sete a nove palavras classificadas como "artificiais" já que as sentenças não são "reais" e, sintéticas de terceira ordem, pois possuem regras específicas de sintaxe, onde há uma dependência a cada três vocábulos.

O teste SSI permite avaliar um conjunto de diferentes estruturas (orelha interna e primeiro neurônio, vias auditivas intra-axiais do tronco encefálico e supratentoriais) e elimina os erros de pronúncia do paciente e de interpretação do examinador, além de evidenciar de forma mais fácil, os indivíduos patológicos dos normais por ser um teste fácil para os indivíduos audiologicamente normais, e difícil para os portadores de patologia das vias auditivas (Almeida e Caetano, 1988).

Partindo do pressuposto que o reflexo acústico do músculo estapédio atenua as freqüências graves, e que para uma melhor inteligibilidade da fala é preciso a atenuação do ruído de fundo, o objetivo deste trabalho foi estudar o desempenho de adultos-jovens com e sem alteração do registro contralateral do reflexo acústico do músculo estapédio para o teste SSI, na tentativa de verificar se um indivíduo ouvinte, com ausência do reflexo acústico do músculo estapédio teria dificuldade na identificação do sinal de fala em presença de outros sons competitivos.

 

Método

Trabalho aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa (CEP) do Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais da Universidade de São Paulo, sob o protocolo número 152/2003-UEP-CEP.

Este estudo foi desenvolvido no Centro de Pesquisas Audiológicas do Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais - Universidade de São Paulo, em Bauru - SP. Os participantes foram alunos da graduação e pós-graduação em Fonoaudiologia, soldados do Tiro de Guerra e conhecidos da pesquisadora. Todos os participantes foram voluntários e assinaram Termo de Consentimento Livre e Esclarecido para participar da pesquisa.

Participantes

Foram selecionados 43 adultos-jovens, sendo 20 do sexo masculino e 23 do feminino, com idade variando de 18 a 25 anos, sem queixas auditivas, otológicas ou de aprendizagem, com limiares auditivos para via aérea = 25dB NA de 250 a 8000Hz (Davis e Silverman, 1970), timpanogramas "A" bilateralmente (Jerger, 1970), limiar de reconhecimento de fala compatível com a média das freqüências de 500, 1000 e 2000Hz e Índice de Reconhecimento de Fala > que 88% em monossílabos. Dos 43 indivíduos selecionados, 21 compuseram o grupo A (controle), sendo 8 homens e 13 mulheres; e 22 formaram o grupo B (experimental), sendo 12 homens e 10 mulheres.

O grupo A, além dos critérios de seleção descritos acima, apresentou a presença do registro contralateral do reflexo acústico do músculo estapédio para todas as freqüências pesquisadas.

O grupo B manteve os mesmos critérios de seleção do grupo A, exceto que, na pesquisa dos reflexos acústicos, apresentou em pelo menos uma das orelhas testadas, ausência do registro na freqüência de 500Hz, ausência em todas as freqüências pesquisadas, ou ainda, ausência em algumas das freqüências pesquisadas, mas que incluísse a ausência em 500Hz. Este grupo posteriormente foi subdividido em B1 (dez indivíduos, sendo seis homens e quatro mulheres, com ausência do registro em 500Hz), B2 (quatro indivíduos do sexo feminino, com ausência do registro em todas as freqüências pesquisadas) e em B3 (oito indivíduos, sendo seis homens e duas mulheres, com ausência do registro em 500Hz e em outras freqüências pesquisadas).

A Audiometria Tonal Limiar, os Testes Logoaudiométricos e o Teste de SSI foram realizados em cabina acusticamente tratada, com audiômetro clínico de dois canais, modelo Midimate 622, marca Madsen. Os estímulos auditivos e de fala foram aplicados por meio de fone TDH 39 (calibração ANSI S3.6/96: ANSI S343/92; ISSO 389/91). Os testes logoaudiométricos e o teste SSI foram aplicados por meio de CD player, modelo PD-P30 Portable CD Player, marca TEAC. Para os testes logoaudiométricos foram utilizadas as listas de palavras trissilábicas propostas por Lacerda (1976) e monossilábicas, propostas por Pen e Mangabeira-Albernaz (1973) e o teste SSI foi aplicado conforme proposta de Pereira e Schochat (1997). As medidas da Imitância Acústica foram analisadas com o uso do Impedanciômetro clínico, modelo SD30, marca Siemens.

O limiar do reflexo acústico foi pesquisado nas freqüências de 500 a 4000Hz na condição contralateral à orelha testada. Considerou-se presença de registro do reflexo acústico quando a modificação na imitância acústica do sistema tímpano-ossicular foi de 0,1cc e como limiar, a menor intensidade de estímulo acústico capaz de desencadear modificações no sistema.

A ausência de registro foi considerada quando não houve modificação na imitância acústica nos níveis de saída máxima do equipamento, sendo 110dB para 500Hz e 120dB para 1000, 2000 e 4000Hz. No grupo B, para cálculos estatísticos, na ausência do registro do reflexo acústico adotou-se o valor fictício de 120dB (intensidade máxima de saída do equipamento) como limiar.

As sentenças do SSI foram aplicadas em ambos os grupos a uma intensidade fixa de 40dB NS, tendo por base a média dos limiares tonais auditivos de via aérea nas freqüências de 500, 1000 e 2000Hz, sendo que a mensagem competitiva variou de intensidade de acordo com a condição de teste exigida. A mensagem competitiva foi apresentada nas condições contralateral (MCC) e ipsilateral (MCI) à orelha testada, iniciando-se o teste sempre pela orelha direita. Na condição de MCC, a relação sinal-ruído (S/R) utilizada foi de 0 e -40dB, e na MCI foi de 0, -10, -15 e -20dB. Foram apresentadas dez sentenças para cada relação sinal-ruído em ambas as orelhas. As respostas corretas foram analisadas em termos de seu percentual, desta forma o desempenho do indivíduo foi estabelecido pela percentagem de acertos nas diferentes condições de aplicação do teste.

Método estatístico

O teste Wilcoxon foi utilizado para comparar o desempenho das orelhas direita e esquerda, nas diferentes relações sinal-ruído para os grupos A e B, na condição MCC e MCI.

Para comparar o desempenho no teste SSI na condição MCC e MCI nas diferentes relações S/R de teste, em ambas as orelhas, entre os grupos A e B foi utilizado o teste Mann-Whitney. Para compararmos os desempenhos dos subgrupos B1, B2 e B3 no teste SSI, nas diferentes condições de teste, em todas as relações sinal-ruído para ambas as orelhas, utilizamos o teste Kruskal-Wallis. O nível de significância utilizado nos testes foi de p < 0,05 e o valor significante foi assinalado com asterisco.

 

Resultados

As Tabelas de 1 a 3 apresentam respectivamente, a análise descritiva dos limiares tonais, a distribuição e média dos limiares do reflexo acústico do músculo estapédio para os grupos A (n = 21) e B (n = 22).

As Tabelas 4 e 5 apresentam respectivamente, a média dos resultados do SSI-MCC e SSI-MCI com respeito às variáveis, relação sinal-ruído, grupo testado e orelha avaliada.

 

 

 

 

O Teste Wilcoxon não revelou diferença estatisticamente significante no desempenho das orelhas direita e esquerda para o SSI-MCC nas relações de 0 e -40 para os grupos A e B.

Na Tabela 6, o Teste Wilcoxon revelou diferença estatisticamente significante para a orelha esquerda dos grupos A e B, nas relações sinal-ruído S/R 0 e -20 no grupo A, e S/R 0 no grupo B, quando da comparação do SSI-MCI nas relações S/R de 0, -10, -15 e -20.

Nas Tabelas 7 e 8, o Teste Mann-Whitney não revelou diferença estatisticamente significante entre os grupos A e B, para as condições MCC e MCI.

 

 

 

 

Os Gráficos 1 e 2 mostram, respectivamente, os valores médios do desempenho das orelhas direita e esquerda dos indivíduos dos grupos A e B para o Teste SSI-MCI.

 

 

 

 

Não houve diferença estatisticamente significante entre os subgrupos B1, B2 e B3 nas diferentes situações de teste e em todas as relações sinal-ruído, para ambas as orelhas conforme apresentado na Tabela 9.

 

 

Discussão

A partir dos trabalhos de Borg (1973), o papel do reflexo acústico na transmissão da informação sonora foi exaustivamente investigado.

Devido às questões éticas, os estudos experimentais em humanos enfocaram as diferentes técnicas de registro do reflexo acústico, sua aplicação na investigação clínica e no topodiagnóstico das desordens auditivas (Borg et al., 1990; Wiley e Fowler, 1997).

O estudo da relação do reflexo acústico do músculo estapédio e o processamento auditivo central tiveram como "marco" na produção científica brasileira, o trabalho de Carvallo (1996). Os trabalhos que propuseram estudar a relação do reflexo acústico na inteligibilidade de fala utilizaram como estímulos: vogais sintetizadas, palavras monossílabas ou dissílabas associadas ou não a ruído mascarador, e teste de escuta dicótica com palavras (Colletti et al., 1992; Colletti e Fiorino, 1994; Wormald et al., 1995; Higson et al., 1996; Meneguello, et al., 2001; Marotta et al., 2002a e Marotta et al., 2002b).

Até o presente momento não foi encontrado na literatura trabalhos científicos utilizando o teste SSI para analisar a relação entre o reflexo acústico e inteligibilidade de fala.

Buchweitz (2003) avaliou 69 crianças da terceira série do ensino fundamental, na faixa etária entre oito a dez anos de idade, e analisou a influência do reflexo acústico nas respostas do teste de fala na presença de ruído, relacionando a queixa auditiva e a orelha testada. As crianças foram submetidas ao teste de fala no ruído nas condições sinal/ruído - 5, silêncio e + 5. Dividiu as crianças em grupo A, composto por 52 orelhas com presença do reflexo acústico em três a quatro freqüências pesquisadas e, em grupo B composto por 86 orelhas com ausência e/ou alteração do reflexo acústico em duas ou mais freqüências pesquisadas. Os achados do reflexo acústico em relação ao teste de fala no ruído mostraram um maior número de orelhas para o grupo B na relação S/R -5 alterado. Os resultados mostraram que as crianças que apresentaram queixa auditiva não demonstraram alterações significativas no teste de fala, porém formaram o maior grupo com reflexo acústico ausente e/ou alterado.

Riuto (2003) analisou a influência do reflexo acústico nas respostas de reconhecimento de fala em situação monótica, por meio do teste pediatric speech intelligibility test (PSI), em uma população de escolares da primeira e segunda séries do ensino fundamental. Dividiu sua população em dois grupos (A e B). No grupo A, as crianças apresentaram presença do reflexo acústico em todas as freqüências pesquisadas e, no grupo B apresentaram alteração ou ausência do reflexo acústico em uma ou mais freqüências pesquisadas. Os resultados obtidos revelaram maior ocorrência de alterações do PSI no grupo B, concluindo que o reflexo acústico do músculo estapédio influenciou na habilidade auditiva de atenção seletiva, ao reconhecer a fala em presença de mensagem competitiva.

Linares e Carvallo (2004) embora tenham estudado a latência do reflexo acústico do músculo estapédio em crianças com e sem alteração do processamento auditivo, concluíram que alterações nos reflexos acústicos acarretam maiores prejuízos quanto ao processamento auditivo e que indivíduos com alteração do reflexo acústico, mesmo com avaliações audiométricas normais, deveriam ser submetidos à avaliação do processamento auditivo quando houvesse queixa.

Mesmo com propostas metodológicas diversas, parece haver um consenso entre os autores que indivíduos com ausência do reflexo acústico do músculo estapédio têm pior desempenho nos testes que envolvem o processamento auditivo da informação (Colletti et al., 1992; Colletti e Fiorino, 1994; Wormald et al., 1995; Carvallo 1996; Higson et al., 1996; Meneguello, et al., 2001; Marotta et al., 2002a; Marotta et al., 2002b; Buchweitz, 2003; Riuto, 2003; Linares e Carvallo, 2004).

Neste trabalho foi proposto estudar a habilidade de reconhecimento de fala com mensagem competitiva, aplicando o SSI em indivíduos adultos, com presença e ausência do registro do reflexo acústico do músculo estapédio.

Este teste foi aplicado na tentativa de identificar alterações sutis de tronco cerebral visto que, a população estudada não apresentava queixas auditivas de qualquer natureza, e desta forma tentamos verificar a existência de possíveis relações entre o reflexo acústico do músculo estapédio e a identificação do sinal de fala (sentenças) na presença de sons competitivos. Além de estudar a influência do reflexo acústico do músculo estapédio na inteligibilidade de fala, nos interessou também discutir que fatores poderiam justificar a ausência do seu registro, mesmo em indivíduos sem alterações de limiar auditivo e de orelha média.

Observou-se que a média dos limiares do reflexo acústico contralateral para as freqüências de 500 a 4000Hz dos indivíduos do grupo A foram muito semelhantes para as orelhas direita e esquerda (Tabela 2). Os valores médios apresentados para as freqüências de 500 a 4000Hz são inferiores aos resultados encontrados por Silverman, Silman e Miller (1983) que encontraram em média para ambas as orelhas 95,1dB NA, 93,4dB NA, 95,9dB NA e 95,7dB NA nas freqüências de 500 a 4000Hz. Por outro lado, nossos resultados assemelharam-se aos obtidos por Hall e Weaver (1979), onde obtiveram de 500 a 4000Hz, para ambas as orelhas, valores médios de 90dB NA, 89dB NA, 89dB NA e 90dB NA. Já o valor médio do limiar do reflexo acústico para o grupo B variou de 99,7dB NA a 114,7dB NA (Tabela 3). Vários autores concordam que o valor médio do limiar acústico para tons puros é de 85dB NA (Borg et al., 1990; Northern e Gabbard, 1994). Em populações com dificuldade de escuta Higson et al., (1996) encontraram a média dos limiares do reflexo acústico em 83dB NA contra 83,4dB NA do grupo controle.

Numa outra análise, verificou-se que os indivíduos 12, 14 e 15 do grupo A (Tabela 2) apresentaram limiar do reflexo acústico superior a 100dB NA em pelo menos uma das orelhas avaliadas, o que equivaleu a 14% deste grupo.

Estes resultados discordam dos achados de Margolis e Levine (1991) e Northern e Gabbard (1994), mas são compatíveis com os de Carvallo (1996). Analisando individualmente o grupo B (Tabela 3), nas freqüências onde houve o registro do reflexo acústico, encontramos 13 indivíduos, com limiares acima de 100dB NA, o equivalente a 59% da amostra. Verificamos que embora a média dos limiares tonais fosse muito semelhante entre os grupos, o grupo B apresentou 59% de seus indivíduos com limiares do reflexo acústico superior a 100dB NA.

A casuística foi composta por indivíduos com limiares auditivos e timpanogramas normais, e mesmo assim apresentou alteração do reflexo acústico do músculo estapédio. Na literatura consultada encontrou-se referência à ausência do reflexo acústico em indivíduos com audição e condição da orelha média normais nos trabalhos de Jerger, Jerger e Mauldin (1972), Hall e Weaver (1979), Carvallo (1996), Buchweitz (2003), Riuto (2003) e Linares e Carvallo (2004).

A ausência do registro do reflexo em freqüências específicas não seria esperada no grupo B, pois este grupo apresentou limiares auditivos suficientes para desencadeamento do reflexo. Indagamos se esta ausência do registro do reflexo acústico, ou, o aumento do seu limiar não poderia ser um sinal de alteração na via eferente auditiva e, portanto implicar em prejuízo de algumas funções, como a detecção do sinal na presença de ruído.

Questionou-se com estes achados, a possibilidade deste ser um sinal precursor de doença no sistema nervoso auditivo central baixo, suspeita esta motivada pelos trabalhos na literatura especializada dos últimos anos, que relacionaram a ausência do reflexo acústico em indivíduos com audição e condições da orelha média normais a desordens do processamento auditivo, em uma população considerada "audiologicamente" normal (Carvallo, 1996; Musiek e Oxholm, 2000; Meneguello, et al., 2001; Marotta et al., 2002a; Marotta et al., 2002b; Buchweitz, 2003; Riuto, 2003; Linares e Carvallo, 2004).

Sendo assim, a ausência do registro do reflexo acústico em indivíduos com acuidade auditiva normal e inexistência de queixas auditivas deve ser mais bem investigada.

Nos testes SSI-MCC e SSI-MCI, ambos os grupos apresentaram, em valores médios, desempenho compatível com os padrões de normalidade citados na literatura nacional e internacional (Jerger e Jerger, 1975; Russolo e Poli, 1983; Almeida e Caetano, 1988; Aquino, 1992; Aquino et al., 1993; Osterne et al., 1994; Amatucci, 1998). Analisando a média de acerto dos testes, podemos dizer que os indivíduos avaliados não apresentaram alterações na habilidade auditiva de reconhecimento de fala na presença de mensagem competitiva.

Quando foram comparados o desempenho entre orelhas, para os grupos A e B no SSI-MCI (Tabela 6), em específico os resultados obtidos na relação S/R de -20, chamou atenção o fato de que o grupo A apresentou melhora estatisticamente significativa ao ser testada a segunda orelha (orelha esquerda), o que não pôde ser observado no grupo B. Acreditamos que este melhor desempenho possa ter ocorrido devido ao fato da orelha esquerda ser sempre a segunda orelha a ser testada, e, portanto passível de aprendizagem, sugerindo então que se alternem as orelhas ao aplicar o SSI. Entretanto na situação que envolveu maior dificuldade de escuta, o grupo B não se beneficiou disto.

Os resultados não apresentaram diferença estatisticamente significante entre os grupos no desempenho do SSI-MCC e SSI-MCI (Tabelas 8 e 9). Os valores percentuais médios de respostas corretas no SSI-MCI para o grupo A (93,3%, 88,8%, 85% e 68%) e para o grupo B (93,6%, 82%, 80,3% e 62,7%) nas relações S/R de 0, -10, -15 e -20, respectivamente, estiveram de acordo com os padrões de normalidade sugeridos por Jerger e Jerger (1975), Jerger e Hayes (1977), Aquino (1992) e Aquino et al., (1993).

Mesmo não havendo diferença estatisticamente significante entre o desempenho no teste SSI-MCI do grupo A e do grupo B, salienta-se o melhor desempenho do grupo A em relação ao grupo B, conforme visualizado nos Gráficos 1 e 2.

Foi analisada criticamente a subdivisão do grupo B, que foi realizada com o intuito de determinar se havia alguma relação entre o desempenho no SSI e a freqüência onde ocorria a ausência do registro do reflexo acústico. Os subgrupos B1, B2 e B3 foram submetidos à análise estatística para compararmos as diferenças neste desempenho (Tabela 9). Não foram encontradas diferença estatisticamente significante para as comparações realizadas, entretanto, ressalta-se que, ao subdividir o grupo B, foram criados subgrupos com números reduzidos de indivíduos, o que implica em cuidados no momento de generalizarmos tais afirmações, à medida que, a inexistência de diferença estatisticamente significante pode não corresponder aos achados em populações maiores.

Embora o SSI seja amplamente recomendado no topodiagnóstico de lesões corticais e de tronco cerebral, talvez não seja o teste mais indicado para alterações sutis de tronco cerebral, como no caso da ausência do reflexo acústico do músculo estapédio em presença de audição normal.

 

Conclusão

Os principais achados deste estudo nos permitiram concluir que:

. embora a média dos limiares tonais dos grupos A e B fossem muito semelhantes, o grupo B apresentou 59% de seus indivíduos com limiares do reflexo acústico superior a 100dB NA;
. ambos os grupos apresentaram desempenho de acordo com os padrões de normalidade sugeridos pela literatura nacional e internacional para o teste SSI-MCC e SSI-MCI;
. embora não havendo diferença estatisticamente significante entre o desempenho dos grupos, o grupo que apresentou pior desempenho no teste SSI-MCI, ou seja, o grupo B, também foi o que apresentou limiares aumentados de reflexo acústico ou ausência de registro;
. não houve diferença estatisticamente significante no desempenho dos subgrupos B1, B2 e B3;
. a ausência do registro do reflexo acústico em indivíduos com limiares auditivos e timpanogramas normais deve ser mais bem investigada.

 

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Endereço para correspondência
Adriana Ribeiro Tavares Anastasio
Av. Bandeirantes, 3900 -
Ribeirão - SP - CEP:14049-900

Recebido em 2.03.2004.
Revisado em 22.07.2004; 15.03.2005; 9.06.2005; 26.07.2005; 1.11.2005.
Aceito para Publicação em 1.11.2005.

 

 

Artigo de Pesquisa
Artigo Submetido a Avaliação por Pares
Conflito de Interesse: não
* Trabalho Realizado no Centro de Pesquisas Audiológicas do Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais da Universidade de São Paulo-Bauru.
1 (anastasi@fmrp.usp.br)

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