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Pró-Fono Revista de Atualização Científica

versão impressa ISSN 0104-5687

Pró-Fono R. Atual. Cient. vol.22 no.2 Barueri abr./jun. 2010

http://dx.doi.org/10.1590/S0104-56872010000200004 

ARTIGO ORIGINAL DE PESQUISA

 

Fonoaudiólogos doutores no Brasil: perfil da formação no período de 1976 a 2008*

 

 

Léslie Piccolotto FerreiraI,1; Iêda Chaves Pacheco RussoII; Fernando AdamiIII

IFonoaudióloga. Doutora em Distúrbios da Comunicação Humana pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Professora Titular do Departamento de Fundamentos em Fonoaudiologia e do Programa de Estudos Pós-Graduados em Fonoaudiologia da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC - SP)
IIFonoaudióloga. Doutora em Distúrbios da Comunicação Humana pela Unifesp. Professora Titular do Departamento de Clínica Fonoaudiológica e do Programa de Estudos Pós-Graduados em Fonoaudiologia da PUC - SP
IIIEducador Físico. Doutorando em Saúde Pública pela Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo

 

 


RESUMO

TEMA: manter atualizado o levantamento de doutores fonoaudiólogos brasileiros permite recuperar a memória do que foi desenvolvido na área, além de explicitar um indicador importante do amadurecimento da Fonoaudiologia no país.
OBJETIVO: analisar a formação dos doutores fonoaudiólogos brasileiros, no período correspondente a 1976 - 2008.
MÉTODO: as teses defendidas por fonoaudiólogos brasileiros, no período compreendido entre 1976 (primeira defesa) até final de 2008, foram selecionadas, por meio de contato com as secretarias de programas de pós-graduação e consulta à Plataforma Lattes. Para cada achado foram registradas as variáveis: sexo do autor; ano de defesa; instituição de ensino e programa de pós-graduação em que a tese foi desenvolvida, além da temática escolhida. A análise estatística compreendeu descrição dos parâmetros, análise de regressão para evidenciar o crescimento referente ao ano de defesa, área e temática escolhida e teste de qui-quadrado para verificar associação.
RESULTADOS: as 504 teses localizadas, 97,0% foram defendidas por mulheres; em maior número foram escolhidas as instituições estaduais (47,62%) e os programas inseridos na área de Ciências da Vida (57,54%); quanto à temática desenvolvida na tese, maior número correspondeu à Linguagem (34,52%) e Audição e equilíbrio (32,34%). A análise de regressão evidenciou o crescimento do número de teses segundo o ano, sendo que tal tendência foi também evidenciada na escolha do Programa e para as áreas de Linguagem e Motricidade e Funções Orofaciais (p < 0,001). O incremento se dá principalmente devido ao aumento das teses defendidas em instituições públicas, mais particularmente, as estaduais (p < 0,001).
CONCLUSÃO: houve um crescimento significativo dos fonoaudiólogos doutores, fato que possibilita maior inserção do fonoaudiólogo em atividades de pesquisa e produção científica qualificada.

Palavras-Chave: Fonoterapia; Audiologia; Indicadores de Produção Científica.


 

 

Introdução

A literatura tem valorizado o levantamento da produção científica de determinadas áreas, com o objetivo de explicitar o que tem sido realizado, permitindo, assim, maior reflexão sobre os rumos dessa produção1-3.

Na Fonoaudiologia, em especial, nos últimos cinco anos, maior atenção tem sido dada a essa produção, voltada principalmente aos periódicos científicos indexados em bases de dados4-5.

Em particular, esta pesquisa parte da atualização de levantamento realizado anteriormente6 que, nesse momento teve como objetivo conhecer quem eram os fonoaudiólogos brasileiros e doutores, segundo ano e programa de defesa.

Acredita-se que manter esse levantamento atualizado, além de permitir a recuperação da memória do que foi desenvolvido e divulgado na área, pode ser utilizado para constituir em indicador importante do amadurecimento da Fonoaudiologia no país. Além disso, poderá prever o potencial de produção cientifica a ser reconhecido pelos órgãos de fomento.

Muitas são as atividades de ensino e pesquisa e extensão sob a responsabilidade de um professor doutor (orientar alunos da graduação e pósgraduação, participar de bancas examinadoras de concursos para ingresso e promoção na carreira docente, bem como em dissertações de mestrado e doutorado; participar em atividades de planejamento e avaliação, incluindo as de gestão acadêmica; realizar consultorias; elaborar relatórios; emitir pareceres em diferentes instâncias, entre outras) e, somente a partir de sua titulação, é possível dar início a um grupo de pesquisa, com a responsabilidade de formar novos pesquisadores e, assim, consolidar o crescimento efetivo de uma área.

Diante dessa realidade, o objetivo deste trabalho é analisar a formação dos doutores fonoaudiólogos brasileiros, desde a defesa da primeira tese na área (1976), até o final do ano de 2008. Na busca, pretende-se conhecer o ano de defesa, a instituição e programa de pós-graduação em que a tese foi desenvolvida e a temática escolhida. Tem-se como hipótese o aumento no número das teses e um perfil semelhante ao descrito anteriormente6.

 

Método

O levantamento das teses defendidas por fonoaudiólogos brasileiros partiu do trabalho anteriormente desenvolvido e publicado6. Nesse artigo, a primeira tese sobre a qual se teve conhecimento data de 1976. Dessa forma, o período de busca estabelecido foi desta primeira defesa até o final do ano de 2008. Para atualizar o levantamento anterior foi consultada a Plataforma Lattes do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e, por meio de busca com o auxilio dos termos "fonoaudiologia" e "doutores", foram encontrados 1381 currículos (consulta em 22.11.2008). A leitura de cada um desses currículos evidenciou que outros profissionais, que apresentam algum tipo de atividade relacionada à Fonoaudiologia, faziam parte da lista. Assim, foi necessário acessar cada um desses currículos e apenas aqueles que tinham em sua formação a graduação de Fonoaudiologia foram considerados.

A seguir o material foi categorizado segundo as variáveis: sexo dos doutores, ano de defesa da tese, instituição de ensino (Federais, Estaduais, Particulares e Internacionais), inserção do programa em que a tese foi desenvolvida, segundo área de conhecimento do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, conhecido como CNPq (a saber, Ciências da Vida; Ciências Humanas e Sociais Aplicadas; e Engenharias, Ciências Exatas e da Terra); e temática escolhida (de acordo com as cinco áreas estabelecidas na Fonoaudiologia e reconhecidas pela Sociedade Brasileira de Fonoaudiologia, a saber: Linguagem, Audição e Equilíbrio, Motricidade e funções orofaciais, Voz e Saúde Coletiva).

O crescimento do número de teses por ano e, segundo área de programa e tema da tese, foi avaliado segundo modelos de regressão linear, quadrático e exponencial. Para todos os casos, o modelo quadrático foi o que obteve sempre os melhores valores de capacidade preditiva (r2), motivo pelo qual foi escolhido para ajustar os dados do presente estudo. O modelo quadrático foi determinado com base na equação:

y = â0 + â1x + â2x2

A equação estima o melhor modelo para predizer o número de teses (y) segundo o tempo (x). A variável independente (x = anos) foi padronizada para que o valor de â0 representasse o numero de teses no primeiro ano de estudo (1976). Portanto xpadronizado= x -1976. O r2 e a significância estatística de cada modelo quadrático foram determinados.

O teste de qui-quadrado (÷2) foi utilizado para verificar a associação entre década durante a qual a tese foi escrita e a Estrutura organizacional da Instituição de Ensino Superior (Federal, Estadual, Particular ou Internacional).

 

Resultados

Na análise descritiva, o levantamento das teses de doutorado defendidas por fonoaudiólogos, no período determinado, revelou um total de 504 trabalhos.

A Tabela 1 evidencia que maior número das teses foi desenvolvido por mulheres, na última década e em instituições estaduais. Dentre as estaduais, 69,16% fizeram opção pela Universidade de São Paulo (USP diferentes campi); dentre as federais, 59,17% pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp); edentre as particulares, 87,87% pelas diferentes Pontifícias Universidades Católicas (PUC) espalhadas pelo país.

 

 

No tocante aos Programas, dentre os relacionados às Ciências da Vida, 44,48% doutores fizeram opção pelos relacionados à Fonoaudiologia / Distúrbios da Comunicação, dentre os das Ciências Humanas e Sociais Aplicadas, os de Letras / Linguística foram os eleitos em maior número (47,52%). A opção pelas áreas de Engenharias, Ciências Exatas e da Terra surge apenas nos últimos cinco anos.

Quanto à temática dentre os doutores que optaram pela temática de Linguagem, 70,11% concluíram em programas da área de Ciências Humanas e Sociais Aplicadas, enquanto 82,82% dos que optaram pela temática de Audição e Equilíbrio, e 92,86% dos doutores em Motricidade e funções orofaciais, optaram por programas de Ciências da Vida. Dentre as demais temáticas analisadas, não houve predomínio de alguma das áreas.

O modelo quadrático foi capaz de predizer quase 94% da variabilidade do crescimento do número de teses de 1976 a 2008 (Gráfico 1 e Tabela 2). Quando considerado o crescimento segundo área do programa, o modelo quadrático predisse praticamente 88% da variabilidade nas áreas de Ciências Humanas e Sociais Aplicadas e Ciências da Vida, enquanto esse valor foi de 43% na área Engenharias, Ciências Exatas e da Terra. Segundo temática da tese, a variabilidade explicada pelo modelo quadrático foi de 61% quando a temática foi Voz e até 84% quando a temática foi Linguagem. O valor de probabilidade para todos os modelos foi de p < 0,05, portanto, considerados como significativos.

A Tabela 3 mostra os dados do número de teses segundo década e estrutura organizacional da Instituição de Ensino Superior.

Pelo valor de p proveniente do ÷2 observa-se que há uma associação entre a década durante a qual a tese foi produzida e a estrutura organizacional da Instituição de Ensino Superior. Dessa forma, os dados apontam para um aumento no número de teses nas instituições públicas, principalmente estadual, e uma redução desse número em instituições internacionais.

 

Discussão

O resultado de 504 teses, correspondente ao período avaliado, demonstra a mobilização dos fonoaudiólogos em busca de maior capacitação científica, movimento esse que também é percebido em outras áreas da ciência, principalmente nas relacionadas às da saúde1-3. Esse aumento pode explicar, ainda, o maior volume de artigos publicados na área, dados esses presentes em pesquisas com esse objetivo4-5. Em particular, pesquisa realizada na Fisioterapia, também com o objetivo de traçar um perfil do pesquisador fisioterapeuta quanto a sua formação, área essa com trajetória muito semelhante a da Fonoaudiologia, registrou números próximos de doutores (573)8.

Quando este levantamento é comparado ao realizado anteriormente6, percebe-se um aumento que perpassou o dobro do anterior (ano de 2004 = 203 teses) e que se mostrou estatisticamente significante, na análise a cada ano. Acredita-se que, além da soma de teses, defendidas entre os anos de 2004 a 2008, a utilização da Plataforma Lattes tenha colaborado para esse aumento, uma vez que tal Plataforma permite chegar àqueles profissionais que defenderam suas teses em programas não específicos da área. Esse procedimento também pode explicar o aumento das teses defendidas na última década analisada, quando o preenchimento de dados nessa Plataforma tornou-se obrigatório para todos os pesquisadores.

Alguns dos primeiros doutores fonoaudiólogos tiveram que buscar sua formação em programas de outras áreas, uma vez que, na época, os específicos não existiam. Considerando tal fato, pode-se concluir que atualmente o fonoaudiólogo tem buscado sua formação não apenas nos programas específicos (contabilizam-se cinco programas que formam doutores na área, dois de natureza particular e três públicas), mas em outros que fazem interface com a Fonoaudiologia, fato que propicia maior interdisciplinaridade.

Esse aumento, porém, ainda é pequeno, quando comparado ao número total de titulados doutores no país; em levantamento realizado no período de 1996 a 2007 foram contabilizados 78.155 doutores9, enquanto no mesmo período, segundo dados desta pesquisa, titularam-se 391 fonoaudiólogos. Essa diferença pode ser explicada por ser a Fonoaudiologia, assim como a Fisioterapia, uma profissão em fase de amadurecimento e consolidação.

Destaque especial pode ser dado na comparação com o total de 33.400 fonoaudiólogos existentes no Brasil10, ou seja, na relação os 504 doutores representam apenas 1,5%.

Ao se comparar esta proporção com países europeus, percebe-se ampla vantagem, pois dos 25 países membros do Comité Permanent de Liaison des Orthophonistes Logopèdes de l'Union Européenne, 18 deles revelaram que contam atualmente com 349 (0,52%) doutores, de um total de 66.869 profissionais11. Na Austrália, a Academia Australiana de Audiologia conta atualmente com 1650 membros, mas somente 50 (3,0%) são doutores12.

Por outro lado, nos Estados Unidos, uma pesquisa efetuada pela American Academy of Audiology revelou que dos 10.673 profissionais da Audiologia membros desta academia, 943 (8,83) são doutores13. Esta elevada proporção decorre do fato de que o nível mínimo requerido para exercer a profissão de audiologista no país é o mestrado. Todavia, após 2010, todos os profissionais da área deverão obter o AuD, ou seja, o doutorado em Audiologia, o que aumentará ainda mais esta proporção.

O número maior de mulheres explica-se menos pela tendência demográfica de aumento da proporção de mulheres em relação aos homens, e mais pelo maior número delas no ensino superior14 e, principalmente na área da Fonoaudiologia, fato esse destacado desde os primórdios da profissão.

Comparada com outros países, a Fonoaudiologia apresenta uma similaridade no predomínio de profissionais do sexo feminino, sendo na Europa composta por 95% de mulheres com idade média de 40 anos15. Nos Estados Unidos, os homens dedicamse mais à audiologia (18,3%), do que à fonoaudiologia (4,2%), sendo que 26,7% atuam em ambas as áreas16.

A opção, em maior número, por instituições públicas estaduais seguidas pelas federais, pode ser explicada por dificuldades financeiras para viabilizar a continuidade dos estudos dos fonoaudiólogos e, também, pela maior oferta de instituições dessa natureza no Brasil (1318 instituições)9.

Os cursos oferecidos pela USP foram escolhidos em maior número, provavelmente pela diversidade dos mesmos, ao se considerar área e município, fato que favorece a formação de diferentes doutores fonoaudiólogos. Dentre as federais, a UNIFESP é a mais procurada certamente por oferecer, em caráter pioneiro, o Programa de Pós-Graduação em Distúrbios da Comunicação Humana: Campo Fonoaudiológico, desde 1982. A opção pelas universidades particulares, em sua maioria, as chamadas comunitárias, ressalta a escolha de programas de natureza humana e social.

Na análise dos Programas escolhidos para o desenvolvimento das teses, se anteriormente foi dado destaque aos relacionados às Ciências da Vida, neste levantamento, aqueles que fazem parte das Ciências Humanas e Sociais Aplicadas, também se mostraram em evidência, com crescimento estatisticamente significante em porcentagem próxima, porém maior quando este é comparado ao primeiro. Tal fato evidencia a presença das duas áreas que acompanham os alicerces da profissão (saúde e ciências humanas), com destaque semelhante entre elas. Especial comentário deve ser feito a teses defendidas na área de Engenharias, Ciências Exatas e da Terra; apesar do número reduzido de defesas, esta área, no levantamento anterior6, não constava.

Quanto à temática escolhida pelo fonoaudiólogo para a tese analisada neste artigo, em função das áreas presentes na Fonoaudiologia, definidas pela Sociedade Brasileira de Fonoaudiologia, houve uma inversão entre os dois temas mais pesquisados. Ou seja, neste levantamento, a área de Linguagem aparece em primeiro lugar, seguida da de Audição e Equilíbrio, enquanto na pesquisa anterior6 ocorreu o inverso. Importante lembrar que, no levantamento anterior, a área de Saúde Coletiva estava se iniciando e, portanto, não fez parte da análise por área, fato que pode explicar a migração de alguns dos títulos para esta nova área. A criação do Departamento de Saúde Coletiva, pela Sociedade Brasileira de Fonoaudiologia, parece ter estimulado e fortalecido a produção científica nesse campo, que acaba por se articular a saberes e práticas implicadas no trabalho em saúde. Pode-se confirmar que, mais uma vez, a distribuição por áreas reflete a própria história da Fonoaudiologia, pois no início dos cursos de Pós-Graduação, as questões de Audição e Linguagem foram privilegiadas, tanto na grade curricular, como na titulação do corpo docente, que ministrava as aulas ou orientava as pesquisas. Aos poucos, novas áreas temáticas foram sendo incorporadas. Tal crescimento pode ser observado à luz da análise de regressão, que destacou as áreas temáticas de Linguagem e de Motricidade e funções orofaciais, seguidas pelas áreas de Audição e Equilíbrio, Saúde Coletiva e, por último, a de Voz.

Ao se comparar áreas temáticas da Fonoaudiologia com as que pertencem os programas, segundo proposta do CNPq, pode-se levantar a hipótese de que os doutores optaram pela temática de Linguagem, pelo seu caráter mais humanitário, concluindo suas teses nos programas de Ciências Humanas e Sociais Aplicadas. Por outro lado, aqueles que optaram pela temática de Audição e Equilíbrio e Motricidade e funções orofaciais, voltam-se mais às questões organicistas, enfatizadas nos programas de Ciências da Vida.

Na mesma direção do levantamento anterior6, foi comparado o total de teses defendidas ao de 4523 especialistas titulados pelo Conselho Federal de Fonoaudiologia110, número que corresponde a 13,7% do total de fonoaudiólogos formados no país. Podese concluir, com base nos números específicos a cada área temática da Fonoaudiologia (Audiologia: 1504 33,25%; Motricidade Orofacial: 1449 - 32,03%; Voz: 863 - 19,10%; Linguagem: 696 - 15,40%; Saúde Coletiva: 10 - 0,22%) que a sequência difere da opção feita pelo fonoaudiólogo para realizar seu doutorado e acaba por ser semelhante apenas nas áreas de Voz e Saúde Coletiva. Esse fato evidencia que o fonoaudiólogo ao buscar maior especificidade para sua prática clínica busca áreas diferentes, quando comparadas às que darão suporte para seus questionamentos científicos.

 

Conclusão

No período pesquisado (1976 - 2008), foram encontradas 504 teses defendidas por fonoaudiólogos. O aumento foi significativo e ocorreu em maior número nas instituições de ensino superior públicas, nos programas das áreas de Ciências da Vida e Ciências Humanas e Sociais Aplicadas, e nas temáticas de Linguagem e Audição e Equilíbrio. Algumas mudanças foram constatadas quando se compara o período de 1976 - 2004, descrito anteriormente pelas mesmas autoras.

Agradecimentos: às fonoaudiólogas mestres Niele C.V. Medeiros e Luciana L. M. Trindade pelo auxílio na busca de dados referentes aos doutores fonoaudiólogos.

 

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Recebido em 11.07.2009.
Revisado em 11.10.2009; 12.12.2009; 01.03.2010; 30.03.2010; 03.04.2010.
Aceito para Publicação em 22.04.2010.
Conflito de Interesse: não

 

 

Artigo Submetido a Avaliação por Pares
* Trabalho Realizado no Programa de Estudos Pós-Graduados em Fonoaudiologia da PUC - SP.
1 Endereço para correspondência: Rua Jesuíno Bandeira, 73 - São Paulo - SP CEP 05048-080 (lesliepf@pucsp.br).

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