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Pró-Fono Revista de Atualização Científica

Print version ISSN 0104-5687

Pró-Fono R. Atual. Cient. vol.22 no.3 Barueri July/Sept. 2010

http://dx.doi.org/10.1590/S0104-56872010000300030 

ARTIGOS ORIGINAIS DE PESQUISA

 

Avaliação do processamento auditivo central em adolescentes expostos ao mercúrio metálico*

 

 

Marilene Danieli Simões DutraI,**; Marcia Cavadas MonteiroII; Volney de Magalhães CâmaraIII

IFonoaudióloga. Doutoranda em Saúde Coletiva pelo Instituto de Estudos de Saúde Coletiva da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Fonoaudióloga Servidora da Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro
IIFonoaudióloga. Doutora em Distúrbios da Comunicação Humana pela Universidade Federal de São Paulo. Professora Adjunta do Curso de Fonoaudiologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro
IIIMédico. Doutor em Saúde Pública pela Fundação Oswaldo Cruz. Professor Titular da Faculdade de Medicina e Instituto de Estudos em Saúde Coletiva da Universidade Federal do Rio de Janeiro

 

 


RESUMO

TEMA: processamento auditivo central e exposição ao mercúrio metálico.
OBJETIVO: comparar o desempenho nos testes comportamentais de processamento auditivo central entre adolescentes expostos e não expostos ao mercúrio metálico.
MÉTODO: foram avaliados 52 adolescentes de ambos os sexos que apresentavam limiares auditivos dentro dos padrões de normalidade. O grupo de estudo (GE) incluiu 21 adolescentes que referiram trabalhar na queima dos amálgamas de ouro-mercúrio, re-queimar ouro em lojas que comercializam este metal ou residir próximos às áreas de garimpos e às lojas que comercializam ouro. O grupo de comparação (GC) foi composto por 31 adolescentes que não apresentaram história de exposição ao mercúrio. Os procedimentos incluíram um questionário sobre a história clínica, laboral e da exposição ao mercúrio, audiometria tonal liminar e bateria de testes para avaliação do processamento auditivo central.
RESULTADOS: As diferenças de desempenho na avaliação do processamento auditivo central entre o GE e o GC foram estatisticamente significantes para o teste de memória seqüencial para sons não verbais (p = 0,001), para os testes de padrão de freqüência (p = 0,000) e de duração (p = 0,000) e para o SSW em Português (p = 0,006).
CONCLUSÃO: os adolescentes expostos ao mercúrio metálico apresentaram desempenho significativamente inferior aos não expostos para a maioria dos testes comportamentais do processamento auditivo central e a principal alteração encontrada nessa população foi no processamento de sons breves e sucessivos.

Palavras-Chave: Percepção Auditiva; Intoxicação por Mercúrio; Adolescente.


 

 

Introdução

Atualmente mais de 50 países possuem áreas de mineração artesanal de ouro, e o mercúrio metálico, largamente utilizado nesses processos produtivos, pode resultar em sérios perigos para a saúde, expondo não só os trabalhadores que atuam diretamente no garimpo como populações que vivem próximas a essas áreas, especialmente as crianças1.

As preocupações com os problemas de saúde causados pelo mercúrio têm aumentado nos últimos anos. A exposição às diversas formas de mercúrio pode resultar em vários efeitos adversos a saúde2. Entre os principais efeitos crônicos do mercúrio metálico no organismo destacam-se danos ao sistema nervoso central3. Os efeitos toxicológicos desses metais são mais devastadores para o desenvolvimento do sistema nervoso central e do sistema fisiológico geral de crianças e adolescentes4.

Estudo mostra que a exposição a metais pesados em crianças podem afetar regiões do sistema nervoso auditivo central e descreve a correlação entre níveis de mercúrio no sangue e alterações em habilidades do processamento auditivo central5. Esse dado reforça que a seleção do método de avaliação audiológica de indivíduos expostos a mercúrio deve considerar a audiometria tonal e vocal como um ponto de partida, sendo necessária a aplicação de testes que avaliem toda a extensão do sistema auditivo, como testes eletrofisiológicos e testes comportamentais do processamento auditivo central6.

O processamento auditivo central (PAC) constitui uma série de processos envolvidos na detecção e interpretação de eventos sonoros, é caracterizado por um conjunto de habilidades auditivas específicas7-8 e a principal manifestação comportamental de indivíduos com distúrbio do processamento auditivo central é a dificuldade em escutar e compreender em ambiente ruidoso. O conhecimento aprofundado do problema poderá contribuir para o direcionamento da terapia e para a elaboração de estratégias preventivas9.

Assim, o objetivo desse estudo foi comparar o desempenho nos testes comportamentais de processamento auditivo central entre os adolescentes expostos e não expostos ao mercúrio metálico matriculados em escolas públicas no Município de Poconé/MT.

 

Método

O presente estudo foi analisado e aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa do Instituto de Estudos em Saúde Coletiva da Universidade Federal do Rio de Janeiro, parecer 88/2007. Os participantes do estudo e seus responsáveis foram informados a respeito dos objetivos da pesquisa e dos procedimentos a serem realizados e assinaram termo de consentimento livre e esclarecido.

Foi realizado um estudo seccional descritivo em 57 adolescentes. Os procedimentos realizados incluíram questionário, meatoscopia, audiometria tonal liminar, logoaudiometria e avaliação do PAC.

O Município de Poconé foi escolhido por ser uma área onde a extração do ouro ainda é considerada a atividade econômica mais impactante para o Município e por estudos desenvolvidos nesse local comprovarem que a exposição ao mercúrio metálico durante o momento da queima do amálgama ouro-mercúrio não ocorre somente no local do garimpo, mas, também, no interior das casas10, expondo trabalhadores e a população em geral ao mercúrio.

O principal indicador biológico utilizado para avaliar o nível de mercúrio metálico é o teste de urina, no entanto este nível está relacionado à exposição recente e embora seja usado para monitorar a exposição a vapores de mercúrio não representa um bom indicador para avaliar as exposições crônicas e a acumulação dessa substância no sistema nervoso central. Os efeitos crônicos da exposição ao mercúrio têm sido descrito na literatura através de dados da história da exposição e sinais e sintomas clínicos, ou em estudos realizados através de autópsias11.

Assim, para o presente estudo, os grupos foram constituídos com base na história da exposição, sendo considerados grupo de estudo (GE) aqueles que referiram trabalhar na queima dos amálgamas de ouro-mercúrio; re-queimar ouro em lojas que comercializam este metal e residir próximos às áreas de garimpos e às lojas que comercializam ouro, e grupo de comparação (GC) os que não apresentaram história de exposição ao mercúrio.

Como critérios de inclusão neste estudo os indivíduos deveriam apresentar idade maior que 12 anos, pois o desenvolvimento do processamento auditivo ocorre até essa idade, e a partir daí é similar ao dos adultos12. A idade máxima de 17 anos foi estabelecida para evitar a interferência de outros fatores não relacionados à exposição tais como questões envolvendo riscos ocupacionais. Além disso, os adolescentes deveriam apresentar sensibilidade auditiva dentro dos padrões de normalidade.

Os adolescentes e seus pais e/ou responsáveis foram submetidos a um questionário com questões relativas ao desenvolvimento de fala, audição e linguagem, histórico escolar, características comportamentais e questões específicas sobre a exposição a mercúrio e atividades laborais.

Para a realização das avaliações auditivas foi utilizado o audiômetro da marca Interacoustic, modelo AC 33, com fone TDH - 39 e coxim MX-41, calibrado segundo o padrão ANSI-69 acoplado a um CD player. Os estímulos utilizados para avaliação do PAC foram os gravados nos CDs volumes 1 e 2 do manual de avaliação de processamento auditivo central13.

Com o objetivo de avaliar o sistema auditivo periférico e determinar o limiar mínimo de audibilidade, foi realizada audiometria tonal liminar nas freqüências de 250 a 8000Hz e detecção do limiar de reconhecimento de fala.

Para avaliar o PAC os indivíduos foram submetidos a uma avaliação das habilidades auditivas por meio de um conjunto de testes especiais comportamentais.

Foram realizados três testes em campo livre: teste de localização sonora (LS) que avaliou a capacidade de localizar a fonte sonora e os testes de memória seqüencial para som verbal (MSV) e não verbal (MSNV) que visaram avaliar a capacidade de ordenar temporalmente os sons.

O teste de fala com ruído branco (FR) onde a habilidade auditiva testada foi a de fechamento e avaliou-se a discriminação de sons verbais fisicamente distorcidos. Como estímulos verbais foi utilizada uma lista de 25 monossílabos, apresentada simultaneamente ao ruído branco, de forma ipsilateral, numa relação fala/ruído de +5dB. Para pesquisa do índice percentual de reconhecimento de fala (IPRF) foram utilizadas as mesmas palavras do FR em outra ordem de apresentação. Os percentuais de acertos nesses testes foram determinados pelo número de palavras reproduzidas corretamente.

Os testes de padrões temporais de freqüência (TPF) e de duração (TPD) avaliaram a habilidade auditiva de ordenação temporal14. Foram apresentadas sequências de três tons puros em seis ordens distintas, monoauralmente, em um nível de intensidade de 50dB NS. No TPF os tons diferem quanto à freqüência: 880Hz e 1122Hz 15, e o TPD os tons diferem quanto à duração: 500ms e 250ms com freqüência mantida em 1000 Hz.

Teste de dissílabos alternados, Staggered Spondaic Word Test (SSW), avalia as habilidades auditivas de figura-fundo, memória e ordenação temporal de sons verbais complexos. O teste SSW em Português utiliza como estímulos sonoros palavras dissilábicas paroxítonas do Português Brasileiro, apresentadas a 50 dB NS. São 40 itens formados por quatro palavras, a primeira e a quarta palavra são apresentadas separadamente a cada uma das orelhas do indivíduo, e a segunda e a terceira palavras são apresentadas uma em cada orelha simultaneamente. Nesse teste foram realizadas análises quantitativas e qualitativas.

Para a análise estatística dos dados foi utilizado o programa computacional "SPSS versão 14". A estatística descritiva serviu para caracterizar o perfil da amostra segundo as variáveis em estudo, com cálculo da média aritmética e desvio-padrão das variáveis contínuas. Foi utilizado o teste Qui-quadrado para independência e adotado o nível de significância de p < 0,05. Assinalou-se com asterisco o valor estatisticamente significante.

 

Resultados

Após análise dos critérios, 52 adolescentes foram incluídos no estudo. O grupo de estudo foi composto por 21 adolescentes, 11 do sexo feminino e 10 do sexo masculino. A idade média foi 14 anos e a média das freqüências de 500, 1000 e 2000Hz na audiometria tonal foi 17,38dB para orelha direita e 16,59dB para a esquerda. O grupo de comparação foi composto por 31 adolescentes, 17 do sexo feminino e 14 do masculino. A idade média foi 14 anos e a média das freqüências de 500, 1000 e 2000Hz na audiometria tonal foi 16,99dB para orelha direita e 15,75dB para a esquerda. A idade média dos dois grupos foi de 14 anos com um desvio padrão de 0,66 anos, o que demonstra a homogeneidade da amostra (Tabela 1).

 

 

Na Tabela 2 são comparados os desempenhos dos dois grupos nos testes em campo livre. A média de acertos no teste de MSNV foi de 2,19 para o GE e 2,81 para o GC e no teste de MSV foi de 2,57 para o GE e 2,77 para o GC. No teste de LS os dois grupos apresentaram média superior a quatro acertos.

 

 

Na Tabela 3 são apresentados resultados dos testes especiais para avaliação do PAC. Nos testes IPRF e FR não foram encontradas diferenças entre os dois grupos. No TPF e TPD, e no SSW foram encontradas diferenças significativas considerando p < 0,05.

 

 

Discussão

As evidências sobre a exposição ocupacional ao mercúrio são indiscutíveis, entretanto seus efeitos sobre a população geral ainda são pouco explorados, pois, geralmente, a intoxicação por poluentes químicos se dá de forma crônica, não existindo um quadro clínico clássico para a maioria das substâncias16. Além disso, na fase adulta as relações de causa-efeito são difíceis de estabelecer, pois a exposição pode não ser lembrada pela pessoa exposta ou estar mascarada por outras doenças ou fatores de confundimento.

Dessa forma são relevantes para a saúde coletiva estudos sobre a exposição na infância e adolescência, pois além de ser um grupo populacional mais susceptível aos efeitos adversos a exposição a metais pesados, esses efeitos poderiam ser identificados ainda na fase sub-clínica e servirem como um instrumento na vigilância de grupos de risco. O presente estudo pretendeu contribuir tanto para a reflexão dessa problemática quanto com os resultados que serão descritos a seguir sobre a correlação entre PAC e exposição ao mercúrio.

Todos os participantes do estudo apresentaram limiares auditivos dentro dos padrões de normalidade, considerando o critério de 25dBNA para as freqüências de 250 a 8000Hz. Essa avaliação foi critério de inclusão no estudo, pois os testes utilizados para avaliar o PAC podem ser influenciados por perdas auditivas periféricas8.

Esse resultado está de acordo com o encontrado na literatura17 que descreve limiares auditivos dentro dos padrões de normalidade e alteração no potencial auditivo evocado, com aumento de latência entre os picos das ondas III e V, indicando que o efeito neurotóxico do mercúrio no sistema nervoso auditivo central é mais significativo que no nível periférico.

No entanto, embora no presente estudo os resultados da audiometria tonal liminar estejam dentro da normalidade e não tenham apresentado diferenças significantes entre os dois grupos, observou-se desempenho melhor do GC quando comparado ao GE. Resultado semelhante foi encontrado em estudo18 que avaliou o efeito da exposição a solvente no PAC e observou limiares auditivos do grupo exposto piores que os do grupo de comparação.

Apesar da queixa auditiva ser frequentemente referida em indivíduos expostos a mercúrio, os limiares auditivos geralmente encontram-se dentro dos padrões de normalidade ou pouco alterados, o que reforça a importância da realização de testes que avaliem o processamento auditivo dessa população.

A análise dos dados referente à comparação do GE e GC quanto ao desempenho nos testes comportamentais de processamento auditivo revelou tendência de desempenho inferior no GE em relação ao GC em todos os testes realizados, no entanto, não foram observadas diferenças estatisticamente significantes nos resultados obtidos para os testes MSV, LS (Tabela 2), no IPRF e no teste FR (Tabela 3).

Foram observadas diferenças estatisticamente significantes entre os dois grupos, para os testes MSNV, TPF, TPD, SSW e no número de inversões apresentadas no teste SSW.

Para o teste MSNV foram observadas diferenças estatisticamente significantes (p = 0,001) entre os dois grupos, o que indica que o desempenho na habilidade auditiva de ordenação temporal no GE foi pior que no GC (Tabela 2). Não foram encontrados na literatura estudos que avaliassem essa habilidade em indivíduos expostos a mercúrio metálico, mas resultado semelhante foi encontrado em indivíduos expostos a chumbo19.

Em estudo sobre o efeito da maturação no comportamento nos testes de padrão de freqüência e duração12, foram avaliados 150 indivíduos entre 7 e 16 anos. Os percentuais encontrados para 14 anos foram maiores que 76% no TPF e 72% no TPD. Esses valores são próximos as médias encontradas no presente estudo para o grupo de comparação e observa-se que o percentual de acertos foi significativamente menor no grupo de estudo (Tabela 3). Esse resultado corrobora com o observado em estudos que correlacionam a exposição a substâncias químicas a alterações na habilidade de ordenação temporal18-20.

No que diz respeito aos resultados do SSW, os indivíduos do GE apresentaram desempenho inferior ao do GC (Tabela 3). Esse teste avalia a habilidade de figura-fundo, resultado similar foi encontrado em estudo que avaliou essa mesma habilidade em indivíduos expostos a solventes18.

Analisando os aspectos qualitativos do SSW, observou-se diferença estatisticamente significante no número de inversões observadas entre o GE e o GC (p = 0,000) (Tabela 3). Apesar de não ter sido encontrado nenhum texto na literatura que descrevesse os resultados dessa análise, ressalta-se que a habilidade auditiva que envolve essa tarefa é a de ordenação temporal, e outros testes que avaliam essa habilidade realizados nesse estudo também mostraram resultados estatisticamente significantes.

Embora não tenham sido encontrados na literatura estudos que correlacionassem PAC à exposição ao mercúrio metálico, estudos realizados envolvendo outros agentes químicos como solventes, chumbo e inseticidas encontraram resultados semelhantes aos do presente estudo18-20. Os achados do presente estudo e dos estudos citados são consistentes com a afirmação de que a exposição a substâncias químicas afeta principalmente o sistema nervoso auditivo central6.

Ainda que a fisiopatologia dos efeitos adversos à saúde pela exposição crônica ao mercúrio metálico não esteja bem definida, dados da literatura apontam que entre os principais efeitos estão os danos ao sistema nervoso central, e dentre as estruturas afetadas estão a substância negra, os lobos occipitais e temporais. Esta última estrutura, é de reconhecida relevância para o processamento auditivo, nela se encontra o córtex auditivo, indispensável para o reconhecimento de uma sucessão organizada de sons puros, de freqüências ou de durações diferentes e para o reconhecimento de padrões sonoros complexos. Tal correlação poderia justificar as alterações encontradas no presente estudo.

Assim, os efeitos adversos da exposição crônica ao mercúrio metálico no sistema nervoso central parecem comprometer o processamento auditivo central, no entanto, ainda são incipientes os estudos sobre os efeitos da exposição a substâncias tóxicas, sobretudo do mercúrio metálico, no sistema auditivo central, o que limita a comparação dos resultados do presente estudo com os resultados da literatura, sendo necessários outros estudos para avaliar melhor os efeitos dessa substância no sistema auditivo central de pessoas expostas aos impactos da produção de ouro no Brasil.

 

Conclusão

Os adolescentes expostos ao mercúrio metálico apresentaram desempenho inferior aos não expostos para a maioria dos testes realizados, e essa diferença entre os desempenhos foi estatisticamente significante para os testes memória seqüencial não verbal, teste de padrão de freqüência e duração e para o teste SSW em Português.

A principal alteração encontrada no processamento auditivo dessa população foi na percepção de sons breves e sucessivos.

 

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Recebido em 29.01.2009.
Revisado em 13.08.2009; 01.01.2010; 20.02.2010; 09.04.2010.
Aceito para Publicação em 01.09.2010.
Conflito de Interesse: não

 

 

Artigo Submetido a Avaliação por Pares
* Trabalho Realizado no Instituto de Estudos em Saúde Coletiva da Universidade Federal do Rio de Janeiro.
** Endereço para correspondência: Rua Marino da Costa, 104 - Apto 304 Rio de Janeiro - RJ CEP 21940-210 (lenadutra@uol.com.br)