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Pró-Fono Revista de Atualização Científica

Print version ISSN 0104-5687

Pró-Fono R. Atual. Cient. vol.22 no.4 Barueri Oct./Dec. 2010

http://dx.doi.org/10.1590/S0104-56872010000400024 

ARTIGOS ORIGINAIS DE PESQUISA

 

Organização e narração de histórias por escolares em desenvolvimento típico de linguagem*

 

 

Ana Carolina Paiva BentoI, **; Debora Maria Befi-LopesII

IFonoaudióloga. Doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Reabilitação Humana. Área de Comunicação Humana pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP)
IIFonoaudióloga. Livre-Docente do Curso de Fonoaudiologia da FMUSP. Professora Associada do Departamento de Fisioterapia, Fonoaudiologia e Terapia Ocupacional da FMUSP

 

 


RESUMO

TEMA: habilidades narrativas em escolares com desenvolvimento típico de linguagem.
OBJETIVO: analisar tanto a ordenação de figuras que compõem histórias, quanto a classificação do tipo de discurso empregado na narração dessas histórias por escolares em desenvolvimento típico de linguagem.
MÉTODO: participaram deste estudo 60 escolares na faixa etária entre sete e dez anos de idade com desenvolvimento típico de linguagem. Foi utilizada uma série de 15 histórias, representadas por figuras, compostas por quatro cenas cada. Essas sequências foram criadas e classificadas em mecânicas, comportamentais e intencionais, segundo as relações envolvidas entre as personagens. Os dados foram transcritos e analisados conforme o tipo de discurso (descritivo, causal e intencional) e, além disso, foi pontuado o tipo de organização das figuras realizadas pelas crianças.
RESULTADOS: não foram observadas diferenças entre as faixas etárias em relação à ordenação temporal. Para todas as faixas etárias o discurso predominante foi o do tipo causal e houve diferenças estatisticamente significantes entre as faixas etárias para os tipos de discurso causal e intencional. Também se verificou que com o aumento da complexidade das histórias fornecidas e com o aumento da idade houve aumento do tipo de discurso intencional e diminuição do tipo de discurso descritivo.
CONCLUSÕES: a capacidade de ordenação temporal já está desenvolvida aos sete anos e os tipos de discurso realizados sofrem influência da idade e do tipo de história fornecida.

Palavras-Chave: Fonoaudiologia; Linguagem Infantil; Desenvolvimento da Linguagem; Narração.


 

 

Introdução

A narrativa é uma tarefa complexa que requer integração de habilidades linguísticas, cognitivas e sociais, cujo potencial de avaliação clínica tem sido explorado recentemente1.

Estudos com falantes do Inglês, Hebreu e Espanhol apontam o surgimento das habilidades narrativas aos três anos. Entre três e cinco anos de idade, as crianças passam da descrição de objetos e sequências temporais de ações relevantes à solução de problemas acerca da questão alvo2. Já a narrativa produzida entre os seis e os dez anos traz a expressão dos estados mentais dos personagens, seus sentimentos e pensamentos3.

Estudos mostram que o desenvolvimento das habilidades narrativas atinge um pico de complexidade por volta dos dez anos de idade 4,5. No entanto, outras pesquisas concluíram que as habilidades narrativas continuam sendo aperfeiçoadas durante a fase da adolescência e também da idade adulta6-8.

O objetivo deste estudo foi analisar a narrativa de escolares em desenvolvimento típico de linguagem. Para alcançar este objetivo geral, os objetivos específicos foram:

1. Analisar sua ordenação temporal das figuras que compõem as histórias.

2. Analisar se o tipo de discurso difere em relação à faixa etária,

3. Analisar se o tipo de discurso realizado (descritivo, causal e intencional) é influenciado pelo grau de complexidade da história fornecida.

 

Método

O estudo foi autorizado pela Comissão de Ética para Análise de Projetos de Pesquisa (CAPPesq) da Diretoria Clínica do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) sob número 0666/07. Previamente à coleta de dados, os pais foram esclarecidos a respeito dos objetivos do estudo e da forma de obtenção dos dados e então assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido.

Todos os sujeitos estavam matriculados em uma escola estadual do município de São Paulo, localizada na zona oeste da referida cidade. Com o objetivo de caracterizar o desempenho de linguagem de cada sujeito foi realizada avaliação fonoaudiológica que verificava a fonologia, consciência fonológica, leitura e escrita9,10.

Após a realização da avaliação, daquelas crianças que possuíam desempenho adequado foram selecionadas 60 crianças, de ambos os gêneros, com idade entre sete e dez anos de idade. Portanto, os critérios de seleção destes sujeitos foram: ausência de queixa ou tratamento fonoaudiológico anterior, bom padrão comunicativo e desempenho escolar satisfatório de acordo com as professoras e na avaliação fonoaudiológica realizada.

Os sujeitos foram divididos em quatro grupos conforme a faixa etária a qual pertenciam, observando que cada grupo deveria ser composto por 15 sujeitos.

Para eliciar as narrativas foi utilizada uma série de 15 histórias, representadas por figuras, compostas por quatro cenas cada. Essas sequências foram elaboradas e classificadas em mecânicas, comportamentais e intencionais, segundo as relações envolvidas entre as personagens. A classificação utilizada11 segue abaixo:

· Mecânica I - objetos interagindo casualmente, uns com os outros;

· Mecânica II - pessoas e objetos atuando casualmente uns com os outros;

· Comportamental I - uma pessoa atuando em situações rotineiras, que não requerem atribuição de estados mentais;

· Comportamental II - pessoa atuando em situações sociais rotineiras, envolvendo mais de uma pessoa, que não requerem atribuição de estados mentais;

· Intencional - pessoa atuando em atividades diárias que requerem atribuição de estados mentais.

A partir da classificação descrita acima, foram elaboradas as 15 histórias, bem como sua representação em desenhos12; utilizadas no presente estudo.

Para a coleta dos dados, a pesquisadora conduzia cada criança individualmente a uma sala previamente preparada, onde explicava que as sequências de figuras formavam uma história. A primeira cena de cada história era identificada, e, a partir da compreensão de todos os elementos da mesma, as outras três figuras eram fornecidas para a organização da sequência de figuras. Após a criança organizar as figuras, a avaliadora solicitava que ela narrasse a história.

Para minimizar a influência de possíveis déficits na memória de curto termo, as figuras ficavam visíveis para a criança durante todo o processo de narração.

A ordenação das figuras era anotada num protocolo elaborado pela pesquisadora. A narração das histórias foi gravada em gravador digital Sony e, posteriormente, transcrita e analisada pela pesquisadora responsável pelo estudo.

Para a análise dos resultados, foram utilizados os seguintes critérios11:

1. Ordenação temporal das figuras.

Foram atribuídos dois pontos às ordenações corretas; um ponto quando as figuras dois e três da história encontravam-se invertidas; e zero ponto para quaisquer outras organizações.

2. Tipo de discurso.

· descritivo: quando não havia presença de elementos conectivos que estabelecessem uma relação sequencial entre as cenas. Neste item foram incluídas as narrativas em que as figuras foram descritas separadamente, ou seja, a constituição de uma história era notada apenas semanticamente; ou quando o uso de elementos conectivos estabelecia uma relação aditiva entre as cenas, sem fazer relação direta entre os acontecimentos narrados em uma cena e na subsequente;

· causal: quando foram utilizadas expressões que não as determinantes diretas de causa, mas que expressavam relação de causalidade. Foram incluídas nesse critério as narrativas que se utilizavam de conjunções aditivas com valor causal, de expressões que demonstrassem que um acontecimento ocorreu apenas em virtude de outro ("fazer algo para"), ou quando foram empregadas conjunções causais ou o agente causador foi explicitado;

· intencional: quando foram empregadas interjeições ou expressões não-linguísticas que expressavam desejo ou sentimento da personagem; quando havia expressão de estados mentais das personagens, através da atribuição ou do uso de verbos que expressam desejo; ou quando a fala da personagem foi narrada na forma de discurso direto. Caso ocorresse em uma mesma narrativa mais de um tipo de discurso, a classificação era feita de acordo com o tipo de narrativa mais complexa, segundo a ordem acima descrita.

Para a análise estatística dos resultados foi adotado nível de significância de 0,05 (5%), intervalos de confiança foram de 95% de confiança estatística. Foram utilizados testes e técnicas estatísticas não paramétricas, porque as condições (suposições) para a utilização de técnicas e testes paramétricos, como a normalidade (teste de Anderson-Darling, gráfico de distribuição de normalidade, sigla AD) e homocedasticidade (homogeneidade das variâncias, teste de Levene), não foram encontradas (principalmente a normalidade) neste conjunto de dados.

 

Resultados

Para comparar o desempenho dos escolares, de acordo com a faixa etária, na tarefa de ordenação temporal das figuras e quanto ao tipo de discurso empregado foi utilizado o teste estatístico de Kruskal-Wallis.

A Tabela 1 demonstra que não houve diferença estatisticamente significante entre as faixas etárias em relação à tarefa de ordenação temporal.

Quanto ao tipo de discurso houve diferenças entre as faixas etárias apenas em relação aos discursos causal e intencional. Para o tipo causal tais diferenças são estatisticamente significantes entre de sete e oito anos (p-valor 0,024) com maior ocorrência deste tipo de discurso para a faixa etária de oito anos; entre oito e dez anos (p-valor <0,001) com maior ocorrência para a faixa etária de oito anos; e, entre nove e dez anos (p-valor 0,003) com maior ocorrência na faixa etária de nove anos.

Já com relação ao discurso intencional as diferenças significantes são evidentes entre sete e nove anos (p - valor 0,030) com maior ocorrência aos sete anos; sete e dez anos (p - valor 0,040) com maior ocorrência aos dez anos; oito e dez anos (p - valor 0,002) com maior ocorrência aos dez anos; e, entre nove e dez anos (p - valor <0,001) com maior ocorrência aos dez anos.

Portanto, os sujeitos se mostraram homogêneos em relação ao tipo de discurso descritivo, apresentaram predomínio do tipo de discurso causal em relação aos outros tipos de discurso, e os sujeitos de dez anos apresentaram discurso intencional mais recorrente quando comparados com as demais faixas etárias.

Para a comparação entre os tipos de discurso produzidos para cada tipo de história fornecida foi utilizado o teste estatístico de Friedman.

Como apontado na Tabela 2 há diferenças estatisticamente significantes entre o tipo de discurso produzido em relação ao tipo de história fornecida.

Considerando as histórias mecânicas verificamos que o discurso causal é o predominante (p - valor < 0,001), seguido pelo descritivo (p - valor < 0,001) e pelo intencional (p - valor 0,036). Para as histórias comportamentais e intencionais temos o discurso causal de forma predominante (p - valor < 0,001), seguido do intencional (p - valor < 0,001) e descritivo (p - valor < 0,001), respectivamente.

 

Discussão

Com relação à ordenação temporal não houve diferença estatística quando consideramos a faixa etária, ou seja, o desempenho de todos os grupos foi semelhante. Aos sete anos a criança parece já apresentar competência para organizar temporalmente cenas, visto que nesta idade observa-se habilidade para marcação temporal inclusive na produção discursiva.

Há evidências de que crianças com seis anos sejam capazes de incluir dados cronológicos em suas narrativas13.

Estudos realizados com crianças entre quatro e seis anos ressaltaram êxito na tarefa de ordenação temporal de figuras que compõem histórias 11,14-17.

Quanto ao tipo de discurso empregado foi observado que com o aumento da idade há redução na ocorrência do discurso descritivo e aumento do discurso intencional.

Os resultados concordam com estudos que referem que com o aumento da idade e o consequente aumento da argumentação, advindo da maior experiência, as narrativas tanto orais quanto escritas tendem a se tornar mais extensas e mais complexas, sintática e episodicamente, incluindo mais informações a respeito da emoção 18-21.

Por fim, quanto à influência da complexidade da história fornecida foi observada diferença estatisticamente significante, portanto com histórias mais complexas houve aumento do discurso intencional e diminuição do discurso descritivo.

Estes dados corroboram outros estudos que na busca do melhor material para a avaliação da narrativa testaram muitos instrumentos que propiciassem a elaboração discursiva e evidenciaram a interferência do material gráfico nos resultados dos tipos de discurso desenvolvidos 22-24.

 

Conclusão

A partir destes achados nota-se que a capacidade de ordenação temporal já está desenvolvida aos sete anos. No entanto, o tipo de discurso sofre influência da idade e do tipo de história fornecida, ou seja, com o aumento da idade as crianças tendem a realizar discursos mais complexos. Além disso, o tipo de história fornecida facilita o uso de discursos mais ou menos complexos.

 

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Recebido em 11.12.2009.
Revisado em 07.10.2010.
Aceito para Publicação em 26.10.2010.
Conflito de Interesse: não

 

 

Artigo Submetido a Avaliação por Pares
* Trabalho Realizado no Laboratório de Investigação Fonoaudiológica em Desenvolvimento da Linguagem e Suas Alterações, do Curso de Fonoaudiologia, Departamento de Fisioterapia, Fonoaudiologia e Terapia Ocupacional da FMUSP. Projeto de Mestrado Financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) (Processo 07/51928-20).
** Endereço para correspondência: R. Cipotânea, 51 - São Paulo - SP. CEP 05360-160 (carolbento@usp.br)