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Pró-Fono Revista de Atualização Científica

Print version ISSN 0104-5687

Pró-Fono R. Atual. Cient. vol.22 no.4 Barueri Oct./Dec. 2010

http://dx.doi.org/10.1590/S0104-56872010000400034 

ARTIGOS ORIGINAIS DE PESQUISA

 

Potenciais evocados auditivos de longa latência em crianças com transtorno fonológico*

 

 

Renata Aparecida LeiteI, **; Haydée Fiszbein WertznerII; Carla Gentile MatasIII

IFonoaudióloga. Doutora em Ciências pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP)
IIFonoaudióloga. Livre Docente. Professora Associada do Curso de Fonoaudiologia da FMUSP
IIIFonoaudióloga. Doutora em Ciências dos Distúrbios da Comunicação Humana: Campo Fonoaudiológico, pela Universidade Federal de São Paulo. Professora Assistente Doutora do Curso de Fonoaudiologia da FMUSP

 

 


RESUMO

TEMA: potenciais evocados auditivos em crianças com transtorno fonológico.
OBJETIVO: caracterizar os resultados dos Potenciais Evocados Auditivos de Longa Latência (PEALL) N1, P2, N2 e P300 obtidos em crianças com transtorno fonológico, e verificar a evolução dos resultados destes potenciais frente à terapia fonoaudiológica.
MÉTODO: foram avaliadas, por meio da avaliação audiológica básica e dos PEALL, 25 crianças sem transtorno fonológico (grupo controle) e 41 com transtorno fonológico (grupo estudo), estas divididas em dois subgrupos: 22 formaram o subgrupo estudo A, que foram submetidas a 12 sessões de terapia fonoaudiológica e reavaliadas audiologicamente após este período e 19 o subgrupo estudo B, que foram reavaliadas após três meses da avaliação inicial.
RESULTADOS: observaram-se diferenças estatisticamente significantes entre os grupos controle e estudo para as latências de P2 e P300 e amplitude do P300. Na comparação entre as duas avaliações audiológicas, não foram observadas diferenças significantes para as latências em ambos os subgrupos, e verificou-se diferença significante para as amplitudes do P300 (subgrupo estudo A) e do P2/N2 (subgrupo estudo B). O P300 apresentou maior porcentagem de resultados alterados no grupo estudo, com predomínio do aumento de latência. Após terapia, observou-se melhora nos resultados para todos os componentes. Não existiu associação entre a evolução dos resultados dos PEALL e o histórico de otite, bem como correlação com o Percentage of Consonants Correct-Revised.
CONCLUSÃO: crianças com transtorno fonológico apresentam alterações no P300, sugerindo alteração no processamento auditivo, apresentando melhora nos resultados de todos os componentes dos PEALL frente à terapia fonoaudiológica.

Palavras-Chave: Potenciais Evocados Auditivos; Transtornos da Articulação; Terapia da Linguagem; Plasticidade Neuronal.


 

 

Introdução

O transtorno fonológico é uma dificuldade na fala, caracterizada pelo uso inadequado dos sons, possuindo graus variados de gravidade e inteligibilidade de fala1.

Na literatura, a investigação dos Potenciais Evocados Auditivos de Longa Latência (PEALL) em crianças com transtorno fonológico demonstra que tais crianças não apresentam alteração no Mismatch Negativity (MMN), porém, apresentam alterações nos testes comportamentais, sugerindo a existência de déficits no processamento temporal ou decorrentes de fatores não auditivos, como a atenção2. Ressalta-se que estas crianças podem apresentar alterações nos valores de latência e amplitude do componente N23; bem como nos valores de latência do Potencial Evocado Auditivo de Tronco Encefálico (PEATE) e P300, sendo verificado neste último uma maior ocorrência de alterações. Enfatiza-se também, que a terapia fonoaudiológica pode melhorar o resultado destes potenciais4.

Diante deste panorama, o objetivo deste estudo foi caracterizar os resultados dos PEALL obtidos em crianças com transtorno fonológico, além de verificar a evolução dos resultados destes potenciais após terapia fonoaudiológica, correlacionando a evolução dos resultados dos potenciais e o histórico de otite e o grau de gravidade deste transtorno.

 

Método

Esta pesquisa foi aprovada pela Cappesq HC FMUSP, com o protocolo de pesquisa número 1360/06.

Participaram desta pesquisa 66 crianças entre oito e 11 anos de idade, sendo 25 sem transtorno fonológico que compuseram o grupo controle - GC (média de idade = 8 anos e 11 meses, desvio padrão = 11 meses) e 41 com diagnóstico de transtorno fonológico que compuseram o grupo estudo - GE (média de idade = 9 anos, desvio padrão = 1 ano e 1 mês). As crianças do GE foram divididas em dois subgrupos: 22 submetidas à terapia fonoaudiológica (subgrupo estudo A - SEA) e 19 não submetidas à terapia fonoaudiológica, que encontravam-se em lista de espera para o início do tratamento (subgrupo estudo B - SEB).

Para a seleção das crianças utilizou-se o ABFW Teste de Linguagem Infantil5. O grau de gravidade deste transtorno foi determinado por meio do Percentage of Consonants Correct-Revised (PCC-R)6.

Para garantir limiares de audibilidade entre zero e 15dB NA em todas as frequências avaliadas, foram realizados os seguintes procedimentos: medidas de imitância acústica, com o analisador de orelha média GSI-33; Grason-Stadler, Inc., Milford NH - USA; audiometria tonal, realizada nas frequências de 250 a 8000Hz e audiometria vocal, com audiômetro da marca Grason-Stadler, modelo GSI-68, e fones supra aurais modelo TDH-50; Telephonics Corp., Farmingdale, NY - USA.

Os PEALL (N1, P2, N2 e P300) foram registrados por meio do Equipamento Portátil de dois canais, modelo Traveler Express, marca Bio-logic Systems Corp., Mundelein, IL - USA, com o programa EP317. Os eletrodos foram posicionados nas mastóides: direita e esquerda (M2 e M1), no vértex (Cz) e na fronte (Fpz), sendo considerado como eletrodo ativo, o fixado na mastóide da orelha testada; referência, o fixado no vértex e eletrodo terra, o fixado na fronte. O estímulo acústico utilizado foi o tone burst a 75dB NA, nas frequências de 1000Hz (estímulo frequente) e 1500Hz (estímulo raro), apresentados monoauralmente de forma randômica pelo computador, com velocidade de apresentação de 1,1 estímulos por segundo,com janela de análise de 512ms, filtros passa-alto de 30.00Hz e passa-baixo de 1.00Hz, e ganho de 15000. O estímulo raro representou 20% do total de 300 estímulos, sendo a criança orientada a prestar a atenção e identificá-lo, contando em voz alta o número de vezes que o evento raro ocorria.

A análise dos componentes dos PEALL foi realizada pela pesquisadora e por um juiz, em momentos diferentes, com o objetivo de garantir a fidedignidade dos dados.

Para a análise das latências dos dados qualitativos foram utilizados como referência os valores de latência propostos pela literatura7 em milissegundos (ms): N1 = 83-135; P2 = 137-194; N2 = 200-280; P300 = 241-396. Os resultados foram classificados em normal e alterado para cada indivíduo, sendo considerado alterado quando pelo menos uma orelha estivesse comprometida. As alterações foram classificadas em: aumento de latência, ausência de resposta e ambas (aumento de latência e ausência de resposta ocorrendo concomitantemente, no mesmo indivíduo).

Para análise dos dados quantitativos, nos casos em que os componentes citados anteriormente encontravam-se ausentes, estabeleceu-se como valor de latência o valor máximo obtido na amostra para este parâmetro, acrescido de 25% da variação de normalidade8. Sendo assim, os valores de latência estipulados (em ms) foram: N1 = 195 e P2 = 270. O N2 e o P300 estiveram presentes em todas as crianças avaliadas. Com relação à amplitude, adotou-se como valor mínimo de amplitude zero µV8. Nos casos de ausência do componente, pelo fato de não existir valores normativos para a amplitude dos componentes analisados, não foi possível classificar os resultados em normal e alterado.

As crianças do GC foram submetidas a somente uma avaliação audiológica (convencional e eletrofisiológica da audição), enquanto que as do GE foram submetidas à avaliação e reavaliação.

Após a primeira avaliação audiológica, o SEA iniciou terapia fonoaudiológica semanal, com duração de 45 minutos, e retornaram para reavaliação audiológica após 12 sessões (intervalo estabelecido por caracterizar um melhor aproveitamento devido ao menor número de faltas em terapia). O modelo terapêutico utilizado foi adaptado do modelo de ciclos, proposto pela literatura9. As crianças do SEB foram submetidas à reavaliação audiológica, após três meses da avaliação inicial, para garantir que possíveis melhoras nos PEALL do SEA não estivessem relacionadas ao aspecto maturacional.

Ressalta-se que na reavaliação audiológica dos SEA e SEB foram mantidas as mesmas condições de testagem estabelecidas para a primeira avaliação, como período do dia, sequência e parâmetros dos procedimentos.

As diferenças entre os valores de latência e amplitude da primeira e segunda avaliações audiológicas foram calculadas para ambos os subgrupos. A partir disso, a evolução dos resultados dos PEALL no SEA foi classificada em melhora e não melhora, sendo utilizadas como parâmetro de variação normal (referência), as médias das diferenças das latências e das amplitudes dos componentes dos PEALL do SEB. Os critérios adotados para esta classificação são descritos a seguir:

. melhora: quando a diferença obtida para o SEA encontrou-se maior que a média da diferença dos resultados obtida no SEB, em pelo menos uma orelha;

. não melhora: quando a diferença, obtida para o SEA, encontrou-se igual ou menor que a média da diferença obtida no SEB, em ambas as orelhas.

Estes resultados também foram utilizados para o estudo da associação entre a evolução dos PEALL e histórico de otite e para o estudo da correlação entre a evolução dos PEALL e PCC-R nas crianças do SEA.

Nas análises estatísticas foram utilizados os seguintes testes: Mann-Whitney, Wilcoxon, Igualdade de Duas Proporções, Qui-Quadrado para Independência e Correlação de Spearman. Adotou-se como nível de significância o valor de p < 0,05 (5%) para todos os testes utilizados.

 

Resultados

No estudo das latências e amplitudes dos PEALL entre GC e GE (análise dos dados quantitativos), observou-se diferença estatisticamente significante entre os grupos para a latência dos componentes P2 e P300 e amplitude do P300 (Tabela 1).

Na classificação dos resultados em normal e alterado (análise dos dados qualitativos) verificou-se uma ocorrência significantemente maior de resultados alterados no GE para o P300 quando comparado ao GC, sendo que o mesmo não foi observado para os demais componentes (Tabela 2).

 

 

Em todos os componentes estudados, a alteração mais frequentemente encontrada em ambos os grupos foi o aumento de latência.

Na comparação dos resultados obtidos entre a avaliação e reavaliação audiológica no SEA, não foram observadas diferenças estatisticamente significantes para os valores de latência dos componentes estudados. Verificou-se diferença estatisticamente significante somente para a amplitude do P300 (p-valor = 0,039), cujo valor de média esteve menor na segunda avaliação audiológica (primeira avaliação = 17,97µV e segunda avaliação = 13,83µV). Por sua vez no SEB, verificou-se diferença estatisticamente significante somente para a amplitude do P2/N2 (p-valor = 0,008), cujo valor de média esteve maior na segunda avaliação audiológica (primeira avaliação = 6,90µV e segunda avaliação = 8,13µV).

No estudo da evolução dos resultados dos componentes dos PEALL no SEA, tanto para os valores de latência como de amplitude, foi observada diferença estatisticamente significante entre os resultados classificados em melhora e não melhora, havendo uma maior porcentagem de melhora para todos os componentes estudados (Tabela 3).

 

 

Na comparação das latências e amplitudes dos componentes dos PEALL de crianças com transtorno fonológico sem e com histórico de otite, verificou-se diferença estatisticamente significante somente para a latência do componente N1 (p-valor = 0,040).

Não houve associação entre a evolução dos resultados dos componentes N1, P2, N2 e P300 (latência e amplitude) de crianças do SEA e o histórico de otite, bem como uma correlação entre a evolução dos resultados dos componentes do PEALL (latência e amplitude) e o PCC-R de crianças do SEA.

 

Discussão

Embora a literatura relate a presença de alterações nos componentes N1, P2 e N2 do PEALL em crianças com alterações de linguagem10-11 e no componente N2 em crianças com transtorno fonológico3; no presente estudo não foram observados tais resultados (Tabela 1).

Alguns autores relataram que crianças com distúrbio específico de linguagem (DEL) apresentam um comprometimento na morfologia dos componentes N1, P2 e N2, demonstrando uma imaturidade no córtex auditivo12. Neste estudo foi encontrada maior porcentagem de resultados normais para a latência destes componentes no GE, sugerindo que este parâmetro de medida não seja o mais adequado para a análise dos resultados, tornando-se importante o estudo da morfologia destes componentes nesta população em pesquisas futuras. Além disso, estes achados podem ter ocorrido pelo fato do transtorno fonológico apresentar diversas causas correlatas6.

Os achados observados no P300 (Tabelas 1 e 2) corroboraram aqueles descritos em outros estudos que referem que crianças com transtorno fonológico apresentam valores médios de latência maiores, maior porcentagem de resultados alterados e o aumento de latência como tipo de alteração mais freqüentemente observado4. Não foram encontradas na literatura consultada pesquisas que tenham estudado a amplitude deste potencial nesta população.

A maior ocorrência de melhora nos PEALL no SEA (Tabela 3), permite que se levante a hipótese de que tenham ocorrido modificações na organização estrutural e/ou no funcionamento do sistema nervoso central frente a terapia fonoaudiológica, em crianças com transtorno fonológico. Alguns autores demonstraram que crianças submetidas à terapia fonoaudiológica apresentam melhora nos parâmetros do componente P3004,13. Outros estudos também evidenciaram melhora em diversos potenciais de longa latência, após algum tipo de treinamento auditivo14-16. Por fim, as modificações observadas nos componentes do PEALL após terapia fonoaudiológica sugerem que a prática de determinadas habilidades ou a exposição frequente a um estímulo durante o processo terapêutico favorecem a ocorrência de plasticidade neuronal17.

Estudos na literatura relatam que a otite pode ocasionar alterações na via auditiva central18-20; porém, evidências desta relação não foram observadas no presente estudo (na comparação dos PEALL de crianças com transtorno fonológico com e sem histórico de otite). Este achado pode ter ocorrido devido ao histórico de otite ter sido obtido por meio de relato do responsável, e não comprovado por meio de avaliação audiológica específica19,21.

Tal fato também pode ter contribuído para a inexistência de associação entre a evolução dos componentes do PEALL e o histórico de otite, além da hipótese de que a via auditiva central sofra modificações frente à estimulação auditiva, independentemente da presença ou não de histórico de otite.

Da mesma maneira, não foram observadas correlações significantes entre a evolução da latência e da amplitude dos componentes do PEALL e o PCC-R de crianças com transtorno fonológico submetidas à terapia fonoaudiológica. No entanto, observou-se que a evolução da latência do P300 e o PCC-R comportam-se de forma inversamente proporcional. Este achado mostra-se importante, pois a diminuição da latência do P300 indica uma melhor resposta da via auditiva22 e, uma maior porcentagem no PCC-R indica um melhor desempenho no sistema fonológico6. Com relação à amplitude, os resultados demonstraram que a evolução da amplitude N1/P2 e o PCC-R comportam-se de forma diretamente proporcional. O aumento do valor deste parâmetro indica uma melhor resposta da via auditiva22 e o aumento da porcentagem do PCC-R, indica um melhor desempenho no sistema fonológico6.

Os achados da presente pesquisa sugerem que as vias auditivas centrais sofreram uma reorganização estrutural após terapia fonoaudiológica, influenciando diretamente o processamento da informação acústica. Desta forma, pode-se inferir que a diminuição observada na latência da onda P300 indica que o estímulo foi decodificado mais rapidamente devido à prontidão dos neurônios para resposta, e o aumento na amplitude N1/P2 ocorreu devido à ativação de um maior número de fibras neuronais.

 

Conclusão

O presente estudo verificou que crianças com transtorno fonológico apresentam alterações no P300, sugerindo comprometimento da via auditiva central, provavelmente decorrente de alteração no processamento auditivo, apresentando melhora nos resultados de todos os componentes dos PEALL após terapia fonoaudiológica. Não houve associação entre a evolução dos resultados e histórico de otite, bem como correlação entre a evolução dos resultados dos PEALL e PCC-R.

 

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Recebido em 01 07.2009.
Revisado em 20.10.2010; 22.11.2010.
Aceito para Publicação em 30.11.2010.
Conflito de Interesse: não

 

 

Artigo Submetido a Avaliação por Pares
* Trabalho Realizado nos Laboratórios de Investigação Fonoaudiológica em Potenciais Evocados Auditivos e de Investigação Fonoaudiológica da Aquisição Fonológica e do Distúrbio Fonológico do Departamento de Fisioterapia, Fonoaudiologia e Terapia Ocupacional da FMUSP. Pesquisa desenvolvida com Bolsa de Doutorado da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES).
** Endereço para correspondência: R. Franklin Magalhães, 720 - Apto 62 - Bloco A - São Paulo - SP - CEP: 04374-000 (realeite@yahoo.com.br).