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História, Ciências, Saúde-Manguinhos

versão impressa ISSN 0104-5970versão On-line ISSN 1678-4758

Hist. cienc. saude-Manguinhos v.5 n.3 Rio de Janeiro nov. 1998/fev. 1999

http://dx.doi.org/10.1590/S0104-59701999000100014 





T E S E S

 

 

 

 

Salas de cinema art déco no Rio de Janeiro: a conquista de uma identidade arquitetônica (1928-41)

 

     O surgimento do cinema acompanhou as mudanças ocorridas na sociedade industrial do final do século XIX: era a resposta ao modo de produção industrial, no campo da manifestação artística. Enquanto forma de expressão, o cinema vai buscar no teatro as primeiras tentativas de uma estética própria, que o levará a procurar, também, um lugar apropriado para a exibição dos filmes. Apresentado inicialmente como uma curiosidade científica para o público freqüentador dos music-halls, dos cafés-concertos e dos pequenos teatros, aos poucos o cinema vai criando salas próprias para um público próprio.
     No Brasil, especificamente no Rio de Janeiro, essa evolução espacial é bem pontuada por exemplos marcantes no campo da arquitetura para as salas de cinema. Compreendida em cinco períodos bem delineados cronologicamente, essa trajetória evolutiva percorre desde as primeiras salas da rua do Ouvidor, passando pelo período efervescente da belle époque, da avenida Central e da Cinelândia, até o período áureo, marcado pela conquista arquitetônica definitiva, com a associação ao movimento arquitetônico e artístico do art déco.
     Visto como manifestação tardia do ecletismo ou como uma falsa modernidade, recentemente, o art déco vem sendo estudado como um movimento próprio em arquitetura, dentro das diversas categorias de modernidade presentes no século XX. Um movimento em arquitetura e arte, reconhecido, hoje em dia, como um primeiro passo rumo à modernidade, que trabalha com manifestações culturais regionais e não universais e que abrange diversos segmentos da arte e da vida do meio urbano e cosmopolita tendo, no cinema, seu maior divulgador.
     Esta dissertação continua a pesquisa, por mim iniciada, em 1994, no curso de pós-graduação de história da arte e arquitetura no Brasil, da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ). Neste curso, a pesquisa abordou os primeiros anos das salas de cinema, no Rio de Janeiro, ou seja de 1896 a 1928.
     O ano divisor destes dois períodos, 1928, marca a inauguração do Cinema Pathé Palácio da Cinelândia, considerado o primeiro a utilizar a linguagem do art déco, na cidade do Rio de Janeiro.
     O período abordado no mestrado começa em 1928, e vai até 1941, data simbólica que marca o início da Segunda Guerra Mundial, e reflete, neste estudo, a diminuição gradativa no número de salas construídas, assim permanecendo até início da década de 1950. A partir de 1954, uma nova crise, desta vez provocada por inúmeros fatores, entre eles, o fim da era Vargas, a chegada da televisão e o próprio questionamento, por parte da sociedade moderna, sobre o movimento art déco, provoca não só a diminuição de construção de novas salas, como se inicia uma lenta destruição, total ou parcial, das salas existentes, fechando um período rico para a arquitetura das salas de cinema nesta cidade.

 

Renato da Gama-Rosa Costa
Arquiteto do Depto. de Patrimônio Histórico da Casa de Oswaldo Cruz/Fiocruz
Tese de mestrado, 1998
Programa de Pós-Graduação em Arquitetura
Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, Universidade Federal do Rio de Janeiro
Av. Brasil, 4365, Prédio do Relógio
21040-360 Rio de Janeiro RJ — Brasil
e-mail: dpathist@netra.castelo.fiocruz.br

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