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História, Ciências, Saúde-Manguinhos

versão impressa ISSN 0104-5970versão On-line ISSN 1678-4758

Hist. cienc. saude-Manguinhos v.7 n.1 Rio de Janeiro mar./jun. 2000

http://dx.doi.org/10.1590/S0104-59702000000200004 

 

 

 

A serviço da pátria: a mobilização das enfermeiras no Brasil durante a Segunda Guerra Mundial

Serving the fatherland: the mobilization of Brazilian nurses during World War II

 

 

 

 

 

Versão modificada de um capítulo da tese de doutoramento Guerra sem guerra: a mobilização e a constituição do ‘front internoem São Paulo durante a Segunda Guerra Mundial – 1939-45, defendida em 1998 no Departamento de História da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (FFLCH-USP).

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Roney Cytrynowicz

Doutor em história social
Rua Ministro Godoy, 171/191
05015-000 São Paulo – SP Brasil
roncytryn@cwaynet.com.br

 

 

 

 

CYTRYNOWICZ, R.: ‘A serviço da pátria: a mobilização das enfermeiras no Brasil durante a Segunda Guerra Mundial’. História, Ciências, Saúde – Manguinhos, VII(1): 73-91, mar.-jun. 2000.

O envio de 73 enfermeiras junto à Força Expedicionária Brasileira (FEB) e à Força Aérea Brasileira (FAB) para servir na Itália, em 1944, durante a Segunda Guerra Mundial, é relacionado às políticas do governo Vargas de mobilização da população civil e de montagem de um front interno. O Estado Novo e a guerra foram importantes para a afirmação da enfermagem ‘moderna’, conforme o sistema Nightingale, inclusive como modelo profissional para as mulheres de classe média. A enfermagem permitiu ao Estado engendrar uma de suas mais persuasivas imagens: a da pátria-mãe, que estendia os cuidados maternos à frente de batalha, tornando a guerra uma experiência coletiva que deveria unir todos os homens e mulheres, todos os brasileiros, sem quaisquer estratificações sociais. Esta ação de constituição do front interno conjugava mobilização para a guerra e adesão política das classes médias ao Estado Novo.

PALAVRAS-CHAVE: Segunda Guerra Mundial, Estado Novo, história da enfermagem, Força Expedicionária Brasileira (FEB), enfermagem de guerra.

 

CYTRYNOWICZ, R.: ‘Serving the fatherland: the mobilization of Brazilian nurses during World War II’. História, Ciências, Saúde – Manguinhos, VII(1): 73-91, Mar.-June 2000.

In 1944, 73 women nurses were sent to Italy to serve in World War II as part of the Força Expedicionária Brasileira (FEB) and the Brazilian Air Force (FAB). This event is studied in the context of the Vargas policies to mobilize the civilian population and to construct an internal front. The Estado Novo and the war constituted an important period in the affirmation of ‘modern’ nursing, as it was likewise vital in affirming nursing as a professional model for middle-class women. Nursing allowed the State to shape one of its most persuasive images: that of motherland. This image brought maternal care right to the battle front, helping make the war a collective experience that should bring together all men and women–all Brazilians–regardless of social stratum. The drive to forge a domestic front combined war mobilization efforts with efforts to win the middle classes over to the Estado Novo.

KEYWORDS: history of nursing, wartime nursing, World War II, Estado Novo, Força Expedicionária Brasileira (FEB).

 

1 Sobre a história da enfermagem propriamente dita, no Brasil, existe o Núcleo de Pesquisa de História da Enfermagem Brasileira (Nuphebras), fundado em 1993 e vinculado à Escola de Enfermagem Anna Nery da Universidade Federal do Rio de Janeiro (conforme nota publicada em Escola Anna Nery – Revista Brasileira de Enfermagem, ano I, no de lançamento, jul. 1997, pp. 99-102).

2 De agora em diante, a referência será sempre à FEB, por englobar 67 das 73 enfermeiras, mas ao se ler FEB entenda-se sempre FEB e FAB. O uso de enfermeiras, gênero feminino, e não do plural enfermeiros, como seria mais correto do ponto de vista gramatical, deve-se exclusivamente a um dado empírico: os 73 enfermeiros enviados à Itália eram mulheres e na década de 1930 e 1940 a enfermagem era uma profissão exercida em sua maioria por mulheres. Igualmente, as patentes militares preservam a grafia original no que se refere ao gênero masculino, mesmo quando se trata de enfermeiras. Evidentemente, o dado empírico é resultado de um processo social, ou seja, não existe qualquer associação pretensamente natural entre as habilidades e conhecimentos da enfermagem e a condição de mulher.

3 Referindo-se a Carlos Chagas, Parsons (1997, p. 12) escreveu que "desde o princípio, resolveu só aceitar para a Escola de Enfermeiras alunas com os mais elevados requisitos pessoais, que tivessem diploma de Escola Normal ou uma educação equivalente". No artigo de Parsons (op. cit., p. 23), das quatro diretrizes principais por ela definidas relativas à enfermagem, enquanto setor da Saúde Pública, duas dizem respeito diretamente ao status social, educacional (incluindo a instrução técnica) e profissional das mulheres enfermeiras. O quarto e último item diz textualmente: "os vencimentos dessas enfermeiras devem ser tão elevados quanto o das senhoras em outras profissões elevadas do país". Esta era, ao menos, a intenção e o perfil social desejados.

     A constituição de um grupo de 73 enfermeiras brasileiras junto à Força Expedicionária Brasileira (FEB) e à Força Aérea Brasileira (FAB, que contou com seis das 73 enfermeiras), enviadas para a Itália em 1944 durante a Segunda Guerra Mundial, pode ser estudada no contexto das políticas, por parte do governo Getúlio Vargas e do Estado Novo, de mobilização da população civil e da montagem de um front interno, em cidades como Rio de Janeiro e São Paulo.1
     A utilização pelo governo Getúlio Vargas da enfermagem e das enfermeiras – enquanto profissão enquadrada pelo Estado e modelo de uma certa condição de mulher classe média e, em muitos casos, alta – constituiu peça importante da mobilização das mulheres pelo Estado Novo e, já como enfermeiras da FEB e da FAB,2 representou uma persuasiva imagem de mobilização civil engendrada durante a Segunda Guerra Mundial no Brasil: a imagem da pátria-mãe, que estendia os cuidados (maternos) aos soldados no front de guerra, aos filhos da pátria. Esta imagem, construída pelo Estado Novo, pretendia instituir a vivência da guerra, no front interno, como uma experiência coletiva que deveria unir todos os homens e mulheres, todos os brasileiros, sem quaisquer estratificações ou divisões sociais, conjugando mobilização para a guerra e adesão política ao Estado Novo.
     Há duas hipóteses centrais neste artigo: 1) a enfermagem como profissão e as enfermeiras como modelo profissional para mulheres de classe média, engendrado pelo Estado, ocuparam lugar importante no discurso oficial de mobilização da população durante o Estado Novo e na constituição de um front civil durante a Segunda Guerra Mundial; e 2) esta mobilização incidiu sobre um processo que estava em curso desde a década de 1920 – o dos conflitos em torno da constituição da identidade profissional e institucional da enfermagem. Nesse sentido, tanto a mobilização política pelo Estado Novo como o envio das enfermeiras junto à FEB incidiram de forma significativa na consolidação de uma identidade da enfermagem como profissão ‘moderna', conforme estabelecida no Rio de Janeiro naquela época, nos moldes praticados nos Estados Unidos e Inglaterra, ligada à disseminação do sistema hospitalar, subordinada aos médicos e integrante das políticas federais centralizadas de saúde pública (Barreira, 1997, pp. 161-76; 1996, pp. 52-63).
     As enfermeiras e a enfermagem, especialmente a participação militar nas duas guerras mundiais na Europa, estiveram no centro do imaginário que definiu um novo lugar da mulher na cultura e na sociedade do século XX, seja na França, Inglaterra ou nos Estados Unidos. Referindo-se à Primeira Guerra Mundial, a historiadora Françoise Thébaud escreveu (s. d., p. 51): "personificando a abnegação, a enfermeira, anjo e mãe, é a personagem feminina mais louvada da guerra, tema predileto dos artistas de guerra". Já a historiadora Michelle Perrot (1998, p. 108) registra que "na cabeceira dos doentes, as mulheres (enfermeiras) substituem as religiosas, que tradicionalmente cuidavam dos doentes e cujo véu elas usavam. Maternais e angelicais, elas consolam, imagem magnificada durante as guerras, principalmente a Primeira, que exalta the greatest mother in the world, título de um cartaz da Cruz Vermelha para o alistamento das mulheres."
     A utilização da enfermagem e das enfermeiras – como profissão-modelo para preparar mulheres para servir à sociedade e ao Estado – teve apelo junto às classes médias. A profissão de enfermeira constituía um importante canal de afirmação social e profissional de mulheres dos estratos médios da população,3 a partir do final dos anos 1920 e especialmente nas décadas de 1930 e 1940. A carreira de enfermeira, junto à de professora primária, era uma das opções possíveis, desde o século passado, para moças destes estratos sociais. Todas as 38 alunas matriculadas na primeira turma da Escola de Enfermagem da Universidade de São Paulo (USP) em 1946 eram professoras normalistas (Carvalho, 1980, p. 41). Com o alargamento da estrutura burocrática do Estado e o incremento de funções públicas e privadas ligadas ao crescimento urbano, particularmente na década de 1930, as classes médias urbanas foram beneficiadas, incluindo as mulheres que tinham escolaridade e formação profissional.
     Pode-se considerar que o envio das mulheres ao front militar na Primeira e na Segunda guerras mundiais integra o processo de constituição do front interno ou civil. Por meio de uma série de políticas de Estado, todos os indivíduos e todos os recursos civis podem ser mobilizados. Igualmente, tornam-se alvos de ataques e bombardeios. É esta nova lógica da guerra na qual se dá a participação das enfermeiras, neste caso relacionado ao intenso imaginário que associa as enfermeiras a uma presença materna (a imagem da pátria-mãe) no campo de batalha, aliviando a dor e o sofrimento dos soldados feridos.
     Os bombardeios maciços de aviões, submarinos, tanques de guerra, a metralhadora e o lança-chamas, utilizados em larga escala pela primeira vez na Primeira Guerra Mundial, impuseram uma nova escala – industrial – do massacre de soldados e de população civil, liberando as armas de qualquer limite físico humano em sua utilização (Eksteins, 1991; Keegan, 1995;1987). A metralhadora pôs fim à dependência da linha de tiro e do adestramento de tropas para atirar, foco central do treinamento dos exércitos entre os séculos XVII e XIX (Eksteins, 1991). Na Primeira Guerra, a concepção e a estratégia militares – de generais que insistiam em fazer avançar milhares de soldados a partir de trincheiras para a "zona da morte" – não haviam incorporado a nova escala de destruição em massa das novas armas. A Segunda Guerra Mundial instituiu a "guerra total" e o "front interno" passou a ser tão decisivo quanto as linhas de frente, especialmente na produção de infra-estrutura para manter uma guerra que envolvia todos os indivíduos e recursos civis de um país. A existência do front interno permitiu que, via mobilização, os Estados interviessem, em escala ampliada, em todas as esferas da vida civil e privada.
     Em São Paulo e no Rio de Janeiro, durante os anos da Segunda Guerra Mundial, várias iniciativas de mobilização da população civil foram definidas: a criação de um serviço de defesa civil passiva anti-aérea, exercícios de black-out, campanhas como a do ‘Pão de Guerra’, das vitaminas (que aliavam um racismo eugenista com idéias como a de "robustecer" a população e torná-la "saudável") e da ‘Horta da Vitória’, a utilização do gasogênio e a propaganda para comprar bônus de guerra, entre outras. Setores da economia, como a indústria têxtil paulista, foram submetidos diretamente à intervenção militar, suspendendo-se parte das recém-implantadas leis da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), operários foram considerados "soldados da produção" e imigrantes definidos como "súditos do Eixo" foram expulsos de suas casas no litoral e em regiões da cidade de São Paulo, como foi o caso dos nipo-brasileiros. Todas estas medidas, campanhas e propaganda tinham como objetivo mobilizar a população para a guerra.


Preparando quinhentas mil "enfermeiras domésticas"

     A enfermagem, nos anos de guerra, no Rio de Janeiro e em São Paulo, tornou-se importante fator de mobilização das mulheres. Em 1942, Maria Esolina Pinheiro, professora de Serviço Social da Escola da Cruz Vermelha, detalhou um plano para criar um Corpo de Enfermeiras Auxiliares composto de cem mil mulheres treinadas para auxiliar as enfermeiras profissionais, além de um Corpo de Enfermeiras Domésticas, com quinhentas mil mulheres, preparadas para resolver simples casos domésticos, além de um Corpo de Nutrição, um Corpo de Braile (para transcrever livros para cegos) e um Corpo de Motoristas, com 18 mil pessoas preparadas para o transporte de trabalhadores, refugiados e médicos. Mesmo fantasiosos em sua desmesurada pretensão, estes números permitem uma aproximação do lugar que a enfermagem asssumia no discurso mobilizatório da época.
     Maria E. Pinheiro, professora da Cruz Vermelha, previa ainda etapas de preparação civil para a guerra: registro de voluntários, propaganda, escolas (preparação de professoras e de alunos para o caso de guerra) e recreação (em praças públicas, acampamentos, abrigos provisórios), cursos de emergência (incluindo alimentação, orientação familiar e defesa antiaérea). Mas para que tudo funcionasse "em face dos enormes perigos da guerra moderna", seria preciso uma "unidade moral que serve de escudo contra a derrota" e uma "união sagrada em torno da defesa nacional" que surgiria do "sentimento patriótico e é fortalecido pela preparação psicológica". Isto tudo na certeza, escreveu ela, de que "as guerras não são ganhas, apenas, nos campos de batalha, mas, também, na retaguarda, no trabalho dos campos e das fábricas, nos serviços de transporte e nos exemplos do espírito de sacrifícios correspondentes aos dos combatentes" (Pinheiro, 1942, p. 79). Estes trechos mostram a mobilização, tornada união sagrada em torno da defesa nacional, e a equiparação dos soldados no front militar aos que ficassem na retaguarda. No mesmo ano de 1942, foi publicada pelo médico militar e primeiro tenente Carlos Noce uma cartilha – em que se lia no preâmbulo: "As guerras modernas não respeitam mais tratados nem convenções genebrinas, cidades abertas ou gente indefesa" –, dirigida aos chefes de família e às donas de casa que precisariam saber a prática dos primeiros socorros.
     Em 1943, Raul Briquet, médico militar, catedrático da USP e diretor geral dos cursos de Enfermagem e Socorros de Guerra da IIa Região Militar, publicou um manual editado a partir de cursos de enfermagem e de socorros de guerra ministrados na IIa Região Militar, onde havia um Comitê Feminino dos Cursos de Enfermagem e Socorros de Guerra. O manual pretendia ensinar os socorros que deveriam ser prestados em caso de bombardeios aéreos. Também em 1943, Mario Ottobrini Costa, diretor de ensino da Defesa Passiva Antiaérea de São Paulo, publicou um manual que reunia dez aulas ministradas a inspetores de ensino e professores do curso secundário e superior, além de outro curso para socorristas na Cruz Vermelha. O autor propôs que as aulas fossem gravadas em disco e divulgadas por rádio para todo o país. O manual é dedicado ao serviço "de alicerce ao monumento da Vitória do Brasil".
     Os Serviços de Defesa Passiva Antiaérea haviam sido definidos pelo governo federal em 6 de fevereiro de 1942 pelo decreto-lei 4.098 (Bobbio, 1943, pp. 79-83, 369). Todos os brasileiros ou estrangeiros residentes e maiores de 16 anos poderiam ser mobilizados a serviço da pátria por um período de, no máximo, dez dias úteis por ano, para as tarefas de proteção contra gases, remoção de intoxicados, enfermagem, vigilância do ar, prevenção e extinção de incêndios, limpeza pública, desinfeção, policiamento e fiscalização da execução de ordens, construção de trincheiras e abrigos de emergência. Para isso, era obrigação receber instruções sobre o serviço e o uso de máscaras, possuir os meios de defesa individual, recolher-se ao abrigo, interdição de ir e vir, sujeitar-se às ordens prescritas para dispersão, atender ao alarme, apagar as luzes e obedecer à proibição de utilizar automóveis. Este decreto já definia a construção de abrigos antiaéreos em novas construções de cinco ou mais pavimentos ou área coberta maior que 1.200m2, em edifícios para habitação coletiva, hotéis, hospitais, casas de diversão, estabelecimentos comerciais, industriais e de ensino. Em 30 de setembro de 1943, os Serviços de Defesa Passiva Antiaérea passaram a ser denominados Serviço de Defesa Civil. Em 1943, foi publicado trabalho do coronel Orozimbo Martins Pereira, diretor do Serviço Nacional de Defesa Civil, que se tornou um manual abrangente de defesa civil na cidade de São Paulo.
     Noções de enfermagem eram ensinadas para meninas nas escolas para que elas pudessem cooperar na defesa nacional, como equivalente do "amor ao dever militar e consciência das responsabilidades do soldado e o conhecimento elementar dos assuntos militares" de meninos e jovens, conforme o decreto-lei 8.072, de 8 de março de 1940, que criou a Juventude Brasileira e dispôs sobre a obrigatoriedade da educação cívica, moral e física da infância e da juventude (Bobbio, 1940, pp. 159-63). Além de instituir a educação física como matéria obrigatória nas escolas, o governo passou a ministrar, em 1942, "instrução pré-militar" aos meninos em todas as séries no curso secundário, com idade entre 12 e 16 anos. As aulas incluíam noções gerais sobre a organização e a vida militar, instrução elementar de ordem-unida sem arma e inscrição na técnica de tiro (idem, 1942, pp. 380-1). As diretrizes pedagógicas eram dadas pelo ministério da Guerra. O certificado fornecido às crianças garantia redução do tempo de serviço militar, caso fossem incorporadas ao Exército. A mobilização para a guerra e para o Estado Novo se conjugaram, a guerra sendo por vezes um álibi para este.
     Salve a mulher brasileira, marcha de Rubens Campos e Sebastião Lima, composta no Rio de Janeiro em 1942, no ano em que o Brasil rompeu relações com o Eixo, mas antes da criação da FEB, destacava a participação das mulheres como enfermeiras, em tom mobilizante e exaltatório, como se pode ver neste trecho que deveria, segundo a letra, ser cantado apenas pelas mulheres: "Ofenderam a nossa bandeira/a mulher brasileira/também teve opinião/(Bis) Nós somos enfermeiras/e se for preciso/manejamos o canhão/- 2 - /Não temos medo/da afronta de ninguém/nós as mulheres/vamos lutar também/cada brasileiro representa um fuzil/para defender a Pátria amada Brasil! ..."
     Em dezembro de 1942, o governo aventou pela primeira vez a possibilidade de tropas brasileiras participarem do conflito, mas uma primeira hipótese era enviar soldados à África. O tema esteve na pauta do encontro entre Vargas e Roosevelt, em Natal, em janeiro de 1943. A constituição da FEB começou a se dar em julho de 1943, mas o envio efetivo de tropas deu-se a partir de julho de 1944. A mobilização das enfermeiras para a guerra e para a defesa civil interna teve início, portanto, antes da mobilização militar mais direta de tropas com o objetivo de lutar na Europa, mas subordinada à mobilização para o Estado Novo.

4 ‘A Cruz Vermelha Brasileira’, reportagem de Adalberto Mário Ribeiro (Revista do Serviço Público [de agora em diante: RSP], vol. IV, no 1, out. 1944, pp. 72-4).

5 Existem muitas variações em torno da grafia nome de Ana Néri (Anna Néri, Anna Nery, Ana Néry e outras). Afora títulos e o nome da Escola de Enfermagem Anna Nery, em que foi preservada a grafia original, foi adotada neste artigo a grafia Ana Néri.

6 ‘A Escola Ana Néri’ (RSP, vol. I, no 1, jan. 1943, p. 78).

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

7 ‘O que é o Serviço de Assistência à Família do Convocado da LBA’ (Cultura Política – Revista Mensal de Estudos Brasileiros, no 39, abr. 1944, pp. 153-62).

     Cursos de enfermagem de guerra, para voluntárias e profissionais, intensificaram-se entre 1942 e 1943. Além do curso de enfermeiras profissionais (com duração de três anos), havia o de samaritanas (duração de um ano) e de voluntárias socorristas (duração de três meses),4 voltados para situações de guerra. O regulamento e o programa dos cursos tinham de ser aprovados pela Diretoria de Saúde do Exército do Ministério da Guerra (Escola da Cruz Vermelha – regulamentos e programas, 1941). "Desde 1941, a escola iniciara o primeiro curso de voluntárias com a finalidade de convocar moças da sociedade carioca para aprender a lidar com doentes nos hospitais e, aproveitando o clima de tensão, com a possibilidade de o país enviar tropas para combater na Europa", registrou Cecília Pecego Coelho (1997, p. 193), diretora da escola entre 1975 e 1979.
     Em 1942 havia 222 alunas matriculadas na Escola Anna Nery,5 no Rio de Janeiro, sendo que 75 (que não eram internas) faziam o "curso de guerra".6 Em 1942, a Cruz Vermelha Brasileira (que se instalara no país desde 1908) ofereceu 44 cursos de enfermagem que formaram cerca de 2.500 voluntárias. O voluntariado destas enfermeiras não profissionais conotava sua disposição de servir à pátria. Provavelmente estas mulheres voluntárias não tinham relação com as tradicionais enfermeiras de caridade, ligadas a ordens religiosas, cujo discurso centrava-se na ajuda ao próximo, mas sem apelo patriótico. Em sua visita ao Rio de Janeiro, em 1942, para celebrar vinte anos da primeira turma de enfermeiras da Escola Anna Nery, a norte-americana Clara Louis Kieninger, primeira diretora da escola (entre 1922 e 1925), colaborou nos cursos de voluntários de guerra na Escola Anna Nery e na Cruz Vermelha, organizando também cursos de defesa passiva e treinando enfermeiras que partiram para a Itália.
     A primeira turma de voluntárias socorristas que fez o curso de enfermeiras de guerra formou-se em maio de 1943. O curso foi subsidiado pela Caixa Econômica Federal (CEF) do Rio de Janeiro, sob orientação da Escola Anna Nery (Revista da Semana, 22.5.1943, pp. 16-7). Eram moças "pioneiras da enfermagem de guerra em nosso país", conforme a publicação Nação Armada (no 53, abr. 1944, p. 112). Em 1943 havia 334 enfermeiras em serviço ativo diplomadas pela Escola Anna Nery (Dourado, 1950).
     A mobilização para a guerra não apelava às mulheres apenas como enfermeiras. Cabia à mulher transformar seu amor pelo homem-soldado, que partia para a guerra, em patriotismo, conforme o samba A pátria está chamando, de Grande Otelo, gravado em julho de 1943 por Linda Batista, quando foi aberto o voluntariado para integrar a FEB: "Adeus meu grande amor/Mas há de voltar se Deus quiser/Eu sentirei tua falta/Mas tenho meu valor de mulher/Sei que partirás sorrindo/E eu não ficarei chorando/Mateus meu grande amor/A pátria está te chamando./Na tua mochila já tem/Uma blusa de lã/e cigarros também /Lá em casa são Jorge Guerreiro/Será iluminado o dia inteiro/Todas as noites ao deitar/ Curti meu amor, vou rezar." A música, na combinação de Grande Otelo com Linda Batista, apresenta os elementos ‘femininos’ mobilizados pelo Estado Novo para a guerra: enfatiza o amor de mulher, mas igualmente os cuidados de mãe (a blusa de lã na mochila), destaca uma certa condição de mulher ciosa dos próprios direitos e deveres cívicos ("tenho meu valor de mulher"), o engajamento patriótico ("eu não ficarei chorando", e o título: "A pátria está chamando").
     Em São Paulo, a ‘coragem’ da mulher no front interno, suportando a separação dos soldados que partiam, era também enaltecida nas descrições de despedidas de soldados que iam para a Itália. Ao noticiar-se a partida dos aviadores do 1º Grupo de Aviões de Caça da FAB, em janeiro de 1944, uma publicação ligada ao exército registrou que "o que, porém, mais edificou a quantos assistiram a partida dos bravos pilotos, foi a serenidade das mães, esposas, noivas e irmãs, que numa demonstração de elevada compreensão de sua missão, souberam conter a saudade que, tão indiscretamente, costuma nesses momentos mergulhar os olhos em densas neblinas para, apenas, mostrar aos que partiram o semblante radiante da alegria que dá o cumprimento do dever, dizendo-lhes, mudamente, com o olhar, que nada pode exceder ao amor da pátria. Foi uma nova página de serena coragem feminina ante as adversidades da guerra, que escreveram, tal qual suas avós de outros tempos, as mães, esposas e noivas dos que partiram para lutar pelo Brasil, em outras latitudes" (Nação Armada, no 51, fev. 1944, pp. 145-6).
     A mobilização incidia sobre as mulheres das classes médias, sobre trabalhadoras e também sobre as mulheres das elites paulistas e cariocas, que respondiam aos apelos do governo. Várias associações femininas organizaram campanhas e jantares beneficentes para arrecadar fundos e artigos para enviar aos soldados na Itália. Nestes casos, apesar das campanhas no país contra os efeitos danosos do vício do jogo, este era descrito de forma muito positiva, conforme a descrição de um "bridge da elegância" da Casa Anglo-Brasileira: "Todo o mundo elegante de São Paulo estava lá, contribuindo com o seu donativo para o soldado expedicionário ... . E havia doces gostosos, sanduíches, uma porção de balas enfeitadas que as senhoras amáveis da Cruz Vermelha serviam. Nas mesinhas o jogo continuou até as primeiras horas da madrugada, sob o ruído contínuo e característico das fichas, acariciadas por dezenas de mãos bem cuidadas. ... No salão aquecido, obtinha-se um valioso donativo para o Natal do Expedicionário" (Correio Paulistano, 3.12.1944, p. 6). Os jornais noticiavam também o trabalho em oficinas para confeccionar agasalhos e roupas para os soldados da FEB e enviar pijamas de lã e algodão (idem, 8.10.1944, p. 2). Em 14 de outubro de 1944, a Seção de Costuras da Cruz Vermelha, "com a participação de elevado número de damas de nossa melhor sociedade", fez reunião para traçar os planos da Campanha Pró-Soldado Expedicionário. A Legião Brasileira de Assistência (LBA) foi criada em 1944 pelo governo federal para prestar assistência às famílias de soldados convocados para a guerra, o que deu origem ao Serviço de Assistência à Família do Convocado7. Estas descrições mostram como se engendrava e mobilizava um ideal de comunhão social sob a imagem da mãe-pátria, por meio da qual se destacava que tanto mulheres ricas como pobres estavam unidas no trabalho e no cuidado dos filhos enviados à Itália, a mãe-pátria estendendo seu braço protetor ao campo de batalha.

 

As mulheres no serviço ativo nas Forças Armadas

     As 67 enfermeiras que seguiram com as tropas brasileiras da FEB para a Itália serviram em quatro diferentes hospitais do exército norte-americano. Todas elas se voluntariaram para esta missão e concluíram o curso de Enfermeiras da Reserva do Exército. Foram as primeiras mulheres a ingressar no serviço ativo das Forças Armadas no país. Uma abordagem de estudos de gênero relacionado à história da guerra, especialmente a Primeira Guerra Mundial, já se consolidou tanto na historiografia de guerra (Brown, 1993) como na historiografia de gênero (Higonnet, 1987; Thébaud, s. d.), constituindo atualmente um campo particular de estudos com extensa bibliografia e campo profissional específicos. Para a história das mulheres, a Primeira Guerra Mundial constituiu marco de afirmação dos seus direitos, conquistados ao preencher trabalho e espaços ocupados antes exclusivamente pelos homens, sem, claro, se esquecer a trajetória de luta política iniciada antes da guerra.
     As enfermeiras da FEB eram samaritanas e voluntárias socorristas; só oito eram enfermeiras oficialmente reconhecidas como "profissionais" (conforme a regulamentação federal) e uma era parteira. Eram formadas pelas escolas Anna Nery, Alfredo Pinto, Cruz Vermelha Brasileira e Escola de Enfermagem da USP (Medeiros, 1955, p. 254). As seis enfermeiras da FAB, que serviram em um hospital especializado da Aeronáutica em Amarina de Pisa, Itália, eram todas formadas pela Escola Anna Nery.
     Os jornais e revistas de 1944 publicavam fotografias do treinamento das enfermeiras no Rio de Janeiro, em que elas aparecem fazendo exercícios de educação física, além de exibir as aulas de medicina e de instrução militar. As candidatas tinham que se inscrever no curso de emergência de Enfermeiras da Reserva do Exército, condição para integrar o Quadro de Enfermeiras da Reserva do Exército, criado em 13 de dezembro de 1943 (o curso foi instituído no mesmo dia). Inicialmente, para inscrever-se era preciso ser brasileira nata, solteira ou viúva sem filhos, ter entre vinte e quarenta anos, possuir diploma de enfermeira ou certificado de curso de samaritana ou voluntária socorrista ou ainda declaração de um estabelecimento atestando que a candidata exercia a função de enfermeira (Nação Armada, no 51, fev. 1944, pp. 163, 167, 168), evidência da ênfase profissional exigida, mas igualmente da controversa e indefinida institucionalização e regulamentação da profissão. Alguns meses depois, alteraram-se algumas das condições, aceitando-se também mulheres desquitadas, além de solteiras e viúvas; a faixa etária mudou para 22 a 45 anos e foram admitidas mulheres casadas, desde que tivessem permissão do marido (Nação Armada, nº 53, abr. 1944). Esta alteração pode indicar um certo relaxamento de uma condição exigida, mas também a insuficiência de inscritos.
     O discurso das próprias enfermeiras da FEB apontava com precisão para a nova face da guerra, que não mais distinguia civis de militares, homens de mulheres: "Nessa guerra, o lar, o santuário do homem, é a última trincheira da frente de batalha ... . Em defesa do lar, a cidadela das nossas virtudes e das nossas supremas esperanças de felicidade e de paz, aqui estamos, aqui está a mulher brasileira, de vigília, como um guerreiro novo da civilização cristã", discursou a enfermeira Olímpia de Araújo Camerino, chefe das enfermeiras brasileiras na Itália (e que trabalhou no 7o Hospital em Livorno e no 35o Field Hospital em Sparanesi), na partida do grupo de enfermeiras brasileiras para a Itália junto à FEB, em 1944 (Camerino, 1983, pp. 30-1). "Quando, em 1942, nossos barcos de marinha mercante foram torpedeados em nossas costas, ceifando vidas inocentes ... compreendi que aquela luta não seria uma luta só para homens. A cooperação da mulher era indispensável em todos os setores", escreveu em suas memórias outra enfermeira da FEB, Elza Cansanção Medeiros (1955, p. 7).

 

8 Em 1898 começaria a funcionar a Escola Livre de Farmácia, que ensinava também os ofícios de dentista e parteira, até que se tornou Escola de Farmácia, Odontologia e Obstetrícia, em 1900.

O curso de obstetrícia funcionou na Maternidade São Paulo até ser extinto em 1911. Em 1912 seria criada a Escola de Parteiras de São Paulo, também na Maternidade São Paulo, tornada em 1931 Escola de Obstetrícia e Enfermagem Especializada e anexada em 1939 à cadeira de clínica obstétrica da Faculdade de Medicina da USP com o nome de Curso de Enfermagem Obstétrica; em 1962 integrou a USP com o nome de Escola de Obstetrícia junto ao Departamento de Obstetrícia e Ginecologia da Faculdade de Medicina da USP; e em 1971 foi integrada à Escola de Enfermagem da USP (Carvalho, 1980, pp. 17-22).

 

9 ‘A Escola Ana Néri’ (RSP, vol. I, no 1, jan. 1943, p. 91).

 

10 ‘A Escola Ana Néri’ (op. cit., pp. 69, 71).

O autor da reportagem, Adalberto Mario Ribeiro, escreve sobre a implantação da escola:

"A luta contra os preconceitos foi grande: as moças brasileiras desconheciam a nobreza da nova profissão, que nada tem de servil, e proporciona, além da independência econômica, a satisfação de ser útil e a oportunidade de trabalhar pelo engrandecimento da nossa pátria!"

 

11 ‘A Escola Ana Néri’ (op. cit., p. 69).

Estado, escolas e ensino de enfermagem

     O Estado Novo tornou a profissão de enfermeira uma importante meta nacional e, em conseqüência da guerra, houve intensificação do preparo de enfermeiras profissionais e voluntárias (Paixão, 1951). Em 1938 foi instituído pelo governo federal o Dia do Enfermeiro. Com o Estado Novo e a guerra, acirraram-se também certos conflitos entre as enfermeiras "profissionais" oficialmente reconhecidas pelo governo federal a partir da enfermagem "moderna" ensinada na Escola Anna Nery – a Associação Nacional de Enfermeiras Diplomadas, primeira entidade sindical das enfermeiras, fundada em 1926, só aceitava formadas na Escola Anna Nery – (Dornelles et alii, 1995) e as enfermeiras consideradas, na época e pela quase totalidade dos registros históricos posteriores, como "amadoras", "tradicionais" ou "práticas", entre as quais as formadas nas quatro escolas já existentes ou que trabalhavam sem um curso formal (como muitas irmãs de caridade).
     Uma discussão em torno de qual teria sido de fato a primeira escola de enfermagem depende da própria concepção e definição da enfermagem, dos parâmetros de análise do trabalho no hospital (se ela utilizava na sua totalidade o chamado Sistema Nightingale), da conceituação sobre as escolas consideradas "não-oficiais", além da caracterização de outras profissionais de áreas afins, como as "educadoras sanitárias" do Instituto de Higiene, curso iniciado em 1925. Esta problemática, extremamente controversa e complexa, está longe de ter sido resolvida e a tendência é que se avalie criticamente (idem, ibidem) este processo de implantação da chamada "enfermagem moderna" ou "enfermagem profissional" (Moreira, 1999) e do chamado Sistema Nightingale instituídos pela Escola Anna Nery.
     Pelo menos quatro escolas de enfermagem já existiam no país, três no Rio de Janeiro e uma em São Paulo, antes da criação da Escola Anna Nery, em 1923. A primeira escola de enfermagem no país foi a Escola Profissional de Enfermeiros e Enfermeiras no Hospício Nacional dos Alienados, no Rio de Janeiro, em 1890 (que depois se tornaria Escola Profissional de Enfermeiros do Serviço Nacional de Doenças Mentais em 1941, e Escola de Enfermeiros Alfredo Pinto em 1942). A Escola da Cruz Vermelha no Rio de Janeiro foi fundada entre 1916 e 1917. Em 1921, outra escola teve início: a Escola (de enfermeiras) do Exército (Dornelles et alii, 1995).
     Em São Paulo, o primeiro curso de enfermagem foi criado no Hospital Samaritano (fundado em 1894 por uma sociedade evangélica e que logo trouxe cinco enfermeiras inglesas ao Brasil) entre 1900 e 1901.8 A escola de enfermagem do Hospital Samaritano não se cadastrou segundo as normas da Escola Anna Nery, de 1931, tornada padrão oficial para o ensino de enfermagem. Em 1939, começou a funcionar a escola de Enfermeiras do Hospital São Paulo, ligado à Escola Paulista de Medicina. Em 1939, a profissão de enfermeira foi regulamentada no estado de São Paulo.9 Em 1942 foi implantada a Escola de Enfermagem de São Paulo junto à Faculdade de Medicina da USP, com decisivo apoio da Fundação Rockefeller.
      A Escola Anna Nery teve início com a vinda ao Brasil da enfermeira considerada a introdutora da "enfermagem moderna" no país, nos moldes da que existia nos Estados Unidos e Inglaterra (Gisi, 1998). Trata-se de Ethel Parsons, que se tornaria diretora-geral do Serviço de Enfermeiras de Saúde Pública. Ela veio precedendo um grupo de enfermeiras, com o apoio do Serviço Internacional de Saúde da Fundação Rockefeller, e sugeriu a criação da Escola de Enfermeiros e Enfermeiras do Departamento Nacional de Saúde Pública, que iniciou efetivamente as atividades em 1923 (junto ao Hospital São Francisco de Assis; a primeira turma tinha 13 mulheres e o curso durava dois anos e quatro meses). Em 1926, a escola passaria a se chamar Escola de Enfermagem Anna Nery e, em 1931, foi definida como padrão para a criação de outras escolas de enfermagem (depois seria incorporada à Universidade do Brasil).10 A Missão de Cooperação Técnica para o Desenvolvimento da Enfermagem no Brasil, composta de 31 enfermeiras (entre elas 24 norte-americanas, duas holandesas, duas inglesas, uma canadense, uma norueguesa e uma belga), veio por solicitação de Carlos Chagas, diretor do Departamento Nacional de Saúde Pública entre 1921 e 1931, e estabeleceu um Serviço de Enfermeiras naquele departamento nacional, ficando no país até 1931 (Barreira, 1997, p. 165). O objetivo era criar um serviço de enfermeiras visitadoras sanitárias para trabalhar preventivamente nas campanhas governamentais, especialmente no combate à tuberculose, visitando os doentes e suas famílias em suas próprias casas. A primeira diretora da escola foi a enfermeira Miss Clara Louis Kienninger.11
     Segundo Ieda de Alencar Barreira (1996, p. 350):

o modelo nightingaliano, implantado no Rio de Janeiro na década de 1920, criado na Inglaterra vitoriana e repassado ao Brasil pelos Estados Unidos, guardava as marcas das organizações militares e das instituições religiosas para mulheres. O modelo de escola de enfermagem trazido pelas enfermeiras americanas tinha como novidade, em relação ao modelo nightingaliano, eminentemente hospitalar, a inspiração do movimento de saúde pública, que após a Primeira Guerra ganhou grande impulso nos Estados Unidos. O deslocamento do centro de interesse nesse novo modelo de enfermeira alterou substancialmente o espaço e o cenário profissionais. Ao invés de circular nas enfermarias com vestidos brancos e o respaldo permanente dos médicos, as enfermeiras de saúde pública transitavam desacompanhadas por toda a cidade, penetrando nos domicílios, com seus uniformes de linho escuro, chapéu de abas largas e maleta de couro, simbolizando com sua presença a autoridade sanitária.

 

 

 

 

 

 

12 ‘A Escola Ana Néri’ (op. cit., p. 75).


A "mãe dos brasileiros"

     A mobilização criada em torno da enfermagem durante a guerra no país fez com que muitas imagens diferentes fossem produzidas em torno da enfermagem e das enfermeiras. É evidente que a escolha da enfermagem e das enfermeiras como um dos emblemas em torno do qual o Estado Novo constituiu um ideal de mulher e de mobilização das mulheres, intensificada com a guerra, não foi casual (na Revolução de 32, em São Paulo, organizara-se um corpo de enfermeiras, o Batalhão Fernão Salles. A LBA e a Cruz Vermelha haviam sido muito ativas em 1932, ministrando cursos rápidos de enfermagem. Em 1932 um total de 72 mil mulheres trabalhou como voluntárias em oficinas de costura. A fonte da informação sobre o número de mulheres não é citada, mas, para além do tom de exaltação paulista do autor, importa o vetor de grandeza, a idéia de que muitas mulheres participaram) (Donato, 1982, pp. 194, 195).
     Características da enfermagem nas décadas de 1920 e 1940, salientadas pelas próprias enfermeiras ao definir sua profissão, como o ideal de servir, uma concepção da profissão como abnegação e sacerdócio, de caridade e compaixão, contribuíram para que sobre enfermeiras e enfermagem incidisse a mobilização por parte do Estado Novo. A guerra aparecia como um momento de máxima dramaticidade, capaz de pôr à prova todas as características de servir ao Estado e à pátria.
     "A ênfase em características como humildade, caridade, obediência, dedicação, preconizadas no ensino e na prática da enfermagem pelas religiosas, teve grande influência no desenvolvimento da profissão", escreveu a professora de enfermagem Maria de Lourdes Gisi (1998, p. 50), para quem "o discurso hegemônico neste período enfatizava a formação técnico-profissional vinculado ao ideal de servir" (hegemonia médica aliada à influência religiosa). Muitas das escolas de enfermagem criadas na década de 1930 eram ligadas diretamente a ordens religiosas, entre elas a Escola de Enfermagem do Hospital São Paulo, fundada pelas Franciscanas Missionárias de Maria, em 1938.
     Em seu discurso na colação de grau da turma de enfermeiras de 1942 da Escola Anna Nery e da qual foi paraninfa Kienninger (primeira diretora da escola entre 1922 e 1925 e que serviu por 26 meses durante a Primeira Guerra Mundial nos exércitos britânico e norte-americano, voltando ao Brasil, em 1942, pela primeira vez após 17 anos), a escritora Maria Eugenia Celso, autora do Hino das Enfermeiras, afirmou que

colaboradora do médico, mobilizada na disciplina dum dever mais alto e mais sagrado – o dever de ‘servir’ –, a enfermeira forma esta admirável retaguarda de amparo e salvação, doçura única entrevista na dureza implacável da guerra. Anima-a, como deve animar a todos nós, este espírito de altruísmo desinteressado, exaltando até o supremo holocausto da própria vida, se for preciso, a capacidade de dar o máximo de seu esforço pessoal em prol da coletividade sofredora. Espírito de sacrifício, sem o qual nada de proveitoso se pode fazer; força de ânimo enfrentando serenamente dores, rudes tarefas e privações, neste despojamento voluntário do comodismo egoísta e da tibiez hesitante, o único que desperta o heroísmo e é capaz de levar à vitória. O papel da enfermeira resume-se todo na corajosa aceitação, aplicação inteligente deste espírito de sacrifício. Adquiriu, aliás, nos tempos modernos, capital magnitude, porquanto não é só à cabeceira de doentes e feridos que a sua presença é requerida. Em serviços de assistência, cantinal, evacuação de cidades, alertas de bombardeios, transportes, em tudo e por tudo a cooperação da enfermeira e da assistente é solicitada ... . O Brasil, dum minuto para outro, pode reclamar o auxílio de suas filhas. Urge prepará-las. As democracias ameaçadas cerram fileiras em torno dum mesmo ideal de liberdade a defender e a preservar. É pela enfermagem e pela assistência que a mulher melhor pode pagar à pátria em vigília o tributo dos seus serviços, do seu amor e da sua abnegação.12

     "Divina missão", eis como era definida a missão da enfermeira/mulher integrada à FEB. A capitão-enfermeira Olímpia de Araújo Camerino (1983, p. 31), que foi chefe do grupo de enfermeiras brasileiras na Itália, escreveu que a participação na guerra é um "altar". Foram as enfermeiras da FEB que se encarregaram da cerimônia de batismo de um soldado da FEB que não era batizado, antes da partida para a Itália. Um anúncio de 1943 da Labofarma, indústria de medicamentos para cirurgia e medicamentos de guerra, acentuava precisamente esta imagem de divindade e beatitude da enfermeira, ao apresentar um soldado ferido sendo transportado em uma maca e, atrás, solta no céu, como um anjo, a imagem de uma enfermeira que acompanha o soldado ferido (Nação Armada, no 40, mar. 1943, p. 149). "Sabíamos que a batalha em França seguia o bom caminho quando nos encontramos em mãos de enfermeiras inglesas", comentou um soldado francês ferido na batalha da Normandia, ao desembarcar na Inglaterra, segundo reportagem do Correio Paulistano publicada em 8 de agosto de 1944, a exemplo de tantas outras reportagens semelhantes traduzidas pela imprensa na época. O soldado referia-se a "um medicamento verdadeiramente milagroso": as palavras amáveis e os sorrisos que as jovens enfermeiras inglesas dirigiam aos combalidos franceses. Neste caso, contava mais, conforme o correspondente de guerra, o "efeito psicológico" da amável e sorridente presença feminina. As "enfermeiras voadoras" estavam equipadas inclusive com pára-quedas, dado descrito para enfatizar seu preparo militar.

     Em junho de 1944, Nação Armada (no 55, p. 86) noticiou uma homenagem às enfermeiras da FEB, "valorosas moças que deixaram tudo – afetos, família, relações, prazeres e divertimentos –, para irem realizar, sob o fogo e a metralha, a divina missão da mulher: a caridade"; "nunca terá sido a mulher mais feminina e, ao mesmo tempo, mais desassombrada e útil aos seus semelhantes, do que ao envergar o branco uniforme de heroína passiva de todos os combates deste conflito. Jamais se pediu tanto de estoicismo e de dedicação constantes a seres tão belos, de moral tão elevada!" (Nação Armada, no 68, jul. 1945, p. 122).
     Era, portanto, entre um ideal de servir à pátria, servir ao próximo, uma concepção da profissão como sacerdócio divino e, ainda, como extensão do papel de mãe e uma idéia sobre o lugar (subordinado ao homem, ao médico) de mulher, que se definiam valores e ideais da enfermagem, tanto no discurso oficial como na própria auto-imagem da profissão. É evidente que esta imagem, por fora e por dentro, tinha fissuras e a própria possibilidade de as mulheres conquistarem um lugar junto à FEB e ter uma profissão respeitada tornava este processo muito mais complexo e ambíguo, com conseqüências sobre o processo de conquista de direitos e espaços na sociedade por parte das mesmas. A questão não é definir uma linha resultante única, mas apontar os parâmetros em torno dos quais se pode analisar este processo.
     A imagem da mãe-pátria, peça-chave na criação do front interno, tinha em Ana Néri sua personagem mitológica fundadora. Na campanha para doar aviões para constituir uma Força Aérea Brasileira (FAB), um dos aviões foi batizado com o nome de Anna Nery (Coelho, 1997, p. 193). Ana Justina Ferreira Néri (1814-80) partiu em 1865 para a guerra do Paraguai, com autorização especial do imperador, para acompanhar os filhos e cuidar dos feridos no campo de batalha. Ela serviu por cinco anos e logo passou a ser chamada de Mãe dos Brasileiros. Outra enfermeira que teria se destacado na guerra do Paraguai, quase nunca referida, foi Felisbina Rosa da Anunciação Fernandes Silva, de São Paulo (Santos Filho, 1991, p. 429). A figura da enfermeira curando os feridos no campo de batalha e aplicando ‘remédios milagrosos’ fixa, de certa forma, uma imagem de guerra anterior à Primeira Guerra Mundial, à matança industrializada de soldados e de civis. Nada mais significativo neste sentido – o da imagem da mãe-pátria como também aliviadora dos sofrimentos – do que a permanente exaltação, naqueles anos, da figura legendária de Ana Néri, considerada a fundadora da profissão de enfermeira no Brasil.
     A figura mitológica de Ana Néri é a mais invocada quando se celebra a partida das enfermeiras, como neste trecho do general-de-divisão Carlos de Meira Mattos, prefácio ao livro da capitão-enfermeira Olímpia de Araújo Camerino, para quem a "nossa enfermeira militar, 75 anos após a guerra do Paraguai, reviveu em todo o esplendor e beleza a figura heróica de Ana Néri" (Camerino, 1983, p. 27). A história de Ana Néri, invocada como heroína brasileira (ao lado de Joana Angélica, Maria Quitéria, Rosa da Fonseca, Anita Garibaldi, Bárbara Heliodora e Soror Angélica), também era contada para as crianças, durante a guerra, por uma escritora de livros infantis: "Ana Néri era uma senhora de alta linhagem e finíssima educação; muito moça ainda ficou viúva com dois filhinhos; eles cresceram. Em 1864 irrompeu a guerra do Paraguai e todos os moços do Brasil foram chamados para defender a pátria. Os filhos, irmãos e sobrinhos da ilustre dama apresentaram-se logo como voluntários; ela, não podendo suportar a separação e movida também pelo desejo de ser útil ao Brasil, dirigiu um ofício ao presidente da província pedindo-lhe licença para acompanhar os filhos, na qualidade de enfermeira." Este relato é de uma escritora de livros infantis, Margarida de Monfort Ivancko, em texto publicado em A voz da infância, jornal da Biblioteca Infantil Monteiro Lobato, de São Paulo, em maio de 1942. O texto foi escrito logo após a Semana da Enfermeira e por ocasião do dia 20 de maio, dia do aniversário da morte de Ana Néri. Contado como um conto de fada ou de princesa para crianças, este relato aproxima, em parte, Ana Néri de Florence Nightingale. Referindo-se à história de Florence Nightingale, a primeira enfermeira da história "oficial" da enfermagem, a Revista do Serviço Público publicou em 1943 (pp. 65-94) uma extensa reportagem: "como ficaríamos contentes se todas as moças do Brasil a conhecessem! Se a tivessem bem viva na lembrança como têm aquelas outras histórias ouvidas na infância de príncipes encantados e tímidas princesas sonhadoras, fechadas em castelos misteriosos ..."
     As características e imagens da enfermagem mobilizadas durante a guerra, portanto, integravam um imaginário que acompanhava as enfermeiras desde a década de 1920 e este imaginário estava ligado às aspirações de ascensão social e de status das classes médias urbanas, o que se acentuaria na década de 1930 e se tornaria uma política deliberada do governo a partir do Estado Novo, em 1937, atingindo seu máximo enquanto mobilização em 1943 e 1944.
     Enquanto após a Primeira Guerra Mundial na Europa e nos Estados Unidos dera-se um refluxo no que se refere aos novos papéis da mulher, após 1945 estes papéis vão se consolidar e em poucos anos, na década de 1960, novas e profundas transformações se dariam nas relações de gênero. No Brasil, em cidades como São Paulo e Rio de Janeiro, nas quais a mulher classe média estava ainda muito limitada em suas possibilidades profissionais e sociais, a guerra pode ser considerada um marco de afirmação de direitos, sendo que o refluxo conservador pós-guerra pode ter sido menos significativo no Brasil, pois, ao contrário da Europa e dos Estados Unidos, aqui não houve substituição efetiva e em larga escala no trabalho de homens por mulheres, ao menos não nos estratos médios. Dessa forma, as mudanças operadas na década de 1940 tiveram um impacto mais pontual, porém mais contínuo, pois tratava-se de uma fração das classes médias que se beneficiaria, também, com a intensa urbanização, industrialização e novas funções no Estado que se consolidaria na década de 1940.
     A mobilização da enfermagem e das enfermeiras pode ser considerada um marco institucional na trajetória de consolidação da enfermagem enquanto carreira profissional enquadrada pelo Estado e, igualmente, como parte de um processo mais amplo de emancipação das mulheres de classe média que se profissionalizaram no Rio de Janeiro e em São Paulo. As enfermeiras operavam rupturas no discurso tradicionalista e paternalista, que afirmava o lugar da mulher no lar e como procriadora, mas ao mesmo tempo serviam dentro da moldura da metáfora da mãe-pátria e envoltas em um discurso sobre a suposta vocação ‘natural’ da mulher para a profissão.
     Com o sugestivo título de ‘As enfermeiras cumpriram o seu dever’, ao fazer um balanço da participação brasileira na guerra, Nação Armada, de julho 1945 (no 68, p. 121), escreveu que, embora
 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Agradeço a leitura, os comentários e especialmente as críticas de Ana Maria Malik, Flávio A. M. de Saes, Jeffrey H. Lesser, Monica Musatti Cytrynowicz, Regina Igel, Sonia Nussensweig Hotimsky e Tullo Vigevani. A Marcos Chor Maio, pelo generoso incentivo a escrever.

 

produto remanescente das conquistas e do espírito do século XIX ... com o drama internacional e as conseqüências que evidentemente apressou para uma sociedade demasiado saudosista dos esplendores da véspera, não mais se trata de discutir a participação crescente da mulher nas lides antes reservadas ao homem. Sua inteligência e seu trabalho já não constituem um caso à parte, que mereça uma classificação especial, o atributo de um slogan. O fato entra naturalmente no rol dos acontecimentos quotidianos, perdendo seu ar isolado de novidade. ... Seu heroísmo, sua capacidade de ação passam a ser tão habituais que não mais provocam espanto ou considerações.

     Durante o Estado Novo e a Segunda Guerra Mundial, as enfermeiras foram mobilizadas e responderam ocupando um lugar importante na constituição da política na qual ‘servir’ ao outro foi associado a servir à pátria em uma política que permitiu consolidar o front interno e impor um regime de mobilização e subordinação da sociedade ao Estado Novo, fazendo convergir políticas de saúde e saneamento com políticas de militarização e enquadramento forçado da população. A eclosão da Segunda Guerra Mundial e o envio de um grupo de enfermeiras junto à FEB e FAB foi um momento importante nesta ação.
     Entre muitas questões em aberto, caberia indagar quais as outras enfermagens que não vingaram em um processo não apenas bastante rápido, entre 1920 e 1940, mas marcado pelo Estado Novo e pela Segunda Guerra Mundial. Esta temática, apenas incipientemente pesquisada, pode ainda oferecer conexões com uma abordagem de gênero e análises de história social do período. A história da enfermagem entre 1937 e 1945 revela aspectos fundamentais da ideologia do Estado Novo, sua concepção de sociedade, de relação da sociedade com o Estado, da história das mulheres no país, ao mesmo tempo que sobre os canais de ascensão das classes médias urbanas em uma estrutura de alargamento da ação do Estado. São processos que, no caso da enfermagem, se intensificaram e se tornaram ainda mais visíveis com a participação das enfermeiras junto à FEB e à FAB na campanha militar do país na Itália durante a Segunda Guerra Mundial. O Estado Novo e principalmente os anos da Segunda Guerra Mundial são certamente um marco importante na trajetória da afirmação profissional e institucional da enfermagem no Brasil, enfermagem entendida como a implantada na década de 1920 pelo governo federal e Fundação Rockefeller.

 

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Recebido para publicação em abril de 1999.
Aprovado para publicação em junho de 1999.

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