SciELO - Scientific Electronic Library Online

 
vol.7 issue3On the founders of the Institute of Mathematics and Physics, University of BahiaPostcards: images of progress (1900-10) author indexsubject indexarticles search
Home Pagealphabetic serial listing  

Services on Demand

Journal

Article

Indicators

Related links

Share


História, Ciências, Saúde-Manguinhos

Print version ISSN 0104-5970On-line version ISSN 1678-4758

Hist. cienc. saude-Manguinhos vol.7 no.3 Rio de Janeiro Nov. 2000/Feb. 2001

https://doi.org/10.1590/S0104-59702001000600006 

 

 

 

 

Adaptando e inovando: o Laboratório de Ensaios de Materiais da Escola Politécnica e a tecnologia do concreto em São Paulo

Adapting and innovating: the Materials Testing Laboratory at the Polytechnic School and concrete technology in São Paulo

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Maria Lucia Caira Gitahy

Departamento de História/Faculdade de
Arquitetura e Urbanismo (FAU-USP)
Rua do Lago, 876
05508-900 São Paulo — SP Brasil
Tel.: (011) 818-4555 fax: (011) 818-4551
magitahy@usp.br

 

 

 

GITAHY, M. L. C.: 'Adaptando e inovando: o Laboratório de Ensaios de Materiais da Escola Politécnica e a tecnologia do concreto em São Paulo'. História, Ciências, Saúde — Manguinhos, vol. VII(3), 675-690, nov. 2000-fev. 2001.

A década de 1920 é o momento em que se aceleram os processos de diversificação e integração industrial em São Paulo, ampliando-se as atividades produtivas sediadas na capital do estado. Esse contexto traz novos desafios à indústria da construção civil e à respectiva pesquisa tecnológica em desenvolvimento no Gabinete de Resistência dos Materiais da Escola Politécnica (1899). O Gabinete, para melhor atender à demanda empresarial de ensaios e auxílio técnico, sofre uma completa reestruturação, atingindo maior autonomia e modificando suas prioridades. O Gabinete de Resistência transforma-se no famoso Laboratório de Ensaios de Materiais (LEM.), que se lança à pesquisa tecnológica sistemática de 1926 a 1934, quando, através de uma nova transformação, dá origem ao Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT).

PALAVRAS-CHAVE: história social, pesquisa tecnológica, concreto, indústria da construção, urbanização de São Paulo.

 

GITAHY, M. L. C.: 'Adapting and innovating: the Materials Testing Laboratory at the Polytechnic School (Laboratório de Ensaios de Materiais/LEM, Escola Politécnica) and concrete technology in São Paulo'. História, Ciências, Saúde — Manguinhos, vol. VII(3), 675-690, Nov. 2000-Feb 2001.

In the twenties, São Paulo experienced a boom in the processes of industrial diversification and integration, with a resulting increase in the productive activities in the capital city. That context offered new challenges to the civil construction industry and to the corresponding technological research being developed by the Center for Materials Resistance at the Polytechnic School (Gabinete de Resistência dos Materiais —Escola Politécnica). In order to respond more effectively to the business demand for testings and technical support, the Gabinete/Center was thoroughly restructured, gaining more autonomy and modifying its priorities. Thus recast as the renowned Laboratório de Ensaios de Materiais (LEM), it developed systematic technological research from 1926 to 1934, when it underwent another change which gave rise to the Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT)/Institute of Technological Research.

KEYWORDS: social history, technological research, concrete, construction industry, urbanization of São Paulo.

 

     Neste artigo, apresento resultados parciais de uma pesquisa em andamento na área de história econômica e social da tecnologia, focalizando o caso específico da tecnologia do concreto em São Paulo. A idéia central da pesquisa é acompanhar o processo de transferência, adaptação e depois produção dessa tecnologia em São Paulo, assim como as transformações que seu domínio possibilitou no interior dos processos de trabalho na indústria da construção civil, sem esquecer os impactos socioculturais desse campo industrial, incluindo o conteúdo simbólico que o concreto vem assumir durante o período de afirmação da arquitetura moderna na cidade. Sendo o processo tão amplo, a estratégia adotada pela pesquisa foi acompanhá-lo da perspectiva da instituição em que esta transferência/adaptação/produção foi realizada, o Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) de São Paulo.
     Os processos que levaram à constituição do complexo cafeeiro no Brasil da segunda metade do século XIX são contemporâneos à difusão mundial do uso do concreto, época durante a qual a construção enfren-tava desafios econômicos e técnicos. As obras necessárias à construção de uma infra-estrutura urbana, energética e de transportes ligavam-se às origens da engenharia e da arquitetura como disciplinas acadêmicas no Brasil. Em São Paulo, foi muito relevante a fundação da Escola Politécnica (1893), onde se organizou o Gabinete de Resistência dos Materiais (1899), locus em que ocorreu transferência de tecnologia e também se institucionalizou a pesquisa tecnológica voltada para as necessidades da construção, em uma cidade em vertiginoso crescimento.1 Na década de 1920 aceleraram-se os processos de diversificação e integração industrial, ampliando-se as atividades produtivas sediadas na capital do estado. Esse contexto trouxe novos desafios ao gabinete, que, para melhor atender à demanda empresarial por ensaios e auxílio técnico, sofreu completa reestruturação.

A indústria da construção em São Paulo e o debate sobre a criação de um instituto de pesquisas tecnológicas na década de 1920

     Em meados do século XIX, a construção civil não estava constituída como atividade industrial, uma vez que não havia mercado de trabalho livre nem construtoras em bases empresariais tampouco materiais de construção disponíveis para a venda em grandes quantidades. A propriedade imobiliária não era inteiramente mercantilizada. A terra só se tornou mercadoria com a famosa lei de 1850. Esta situação começou a mudar com a constituição do assim chamado "complexo cafeeiro paulista". Na segunda metade do século XIX, iniciou-se a formação de um mercado imobiliário em São Paulo. Com as transformações políticas marcadas pela abolição da escravidão e pela proclamação da República, consolidou-se a formação de um mercado de trabalho livre. Ao mesmo tempo, formou-se paulatinamente o mercado de locações, o de terrenos e o de moradias (Xavier Pereira, 1990).2 Com a mudança dos cafeicultores para a capital, constituiu-se um mercado de residências de luxo, e, paralelamente, estabeleceu-se a indústria da construção civil em bases empresariais.
     Emblemática da virada do século em São Paulo, foi a atuação de Ramos de Azevedo (1851-1928), proprietário da primeira grande empresa de construções em São Paulo e diretor da Escola Politécnica por 11 anos.3 A partir da simples observação das características da empresa de Ramos de Azevedo, é possível destacar as oportunidades que o período abriu para que vários tipos de empresas ligadas aos negócios da construção viessem a se constituir e a dividir as atribuições. Foram os escritórios de engenharia e arquitetura4 e as construtoras que começaram a operar em bases empresariais,5 uma significativa atividade de impor-tação de materiais de construção, assim como uma crescente indústria e comércio locais de materiais de construção.6 Tais empresas iniciantes procuraram substituir sobretudo os materiais de construção mais difíceis e caros de transportar. Constituiu-se assim todo um conjunto de atividades empresarias da construção com, ao menos, três subsetores interligados, o que chamaremos aqui (com um forte risco de anacronismo) de "construção pesada",7 materiais de construção e edificações. Com a Primeira Guerra Mundial, avançou a substituição de importações no campo dos materiais de construção. Na década de 1920, aceleraram-se estes processos de diversificação e integração industrial, ampliando as atividades produtivas sediadas na capital do estado. O papel das atividades ligadas à urbanização foi crucial8 para a própria industria-lização que ocorria naquele momento (Ribeiro, 1996). Contribuindo para a consolidação do setor e polarizando atividades econômicas ligadas à construção, estabeleceu-se naquela década a indústria cimenteira (Gitahy e Xavier Pereira, 1997).9
     Nesta cidade em intensa transformação atuava o Gabinete de Resistência dos Materiais da Escola Politécnica de São Paulo, sob a chefia de Oscar Machado de Almeida,10 desde 1917. Sua direção continuou ainda, até 1925, enfrentando as complicações dos períodos difíceis do final da Primeira Guerra Mundial11 e do movimento de 1924, tais como falta de verbas e dificuldades para renovar os equipamentos. Nem por isto deixou de atender à demanda crescente do início da nova década, e realizar o maior número de ensaios (quarenta) até então, no ano de 1922. A prova de carga realizada sobre a estrutura de aço do antigo Viaduto do Chá é desta fase.
     De fato, a demanda por apoio técnico, tanto da indústria da construção quanto de outros ramos industriais que se implantavam durante as duas primeiras décadas do século XX crescera tanto, que chegou a conquistar o debate público. Cincinato Braga publicou uma série de artigos na imprensa, em 1921, defendendo a criação de um laboratório central, construído pelo governo, mas gerido e sustentado pelas empresas, para desenvolver as pesquisas de que estas necessitavam. Na Politécnica, desde 1924, Ramos de Azevedo, à frente de um grupo de professores, aventava a instalação de um instituto de tecnologia, anexo à escola, para atender a demanda industrial, especialmente as da indústria química e de materiais de construção. No ano seguinte, após a realização do Congresso Brasileiro de Óleos, uma comissão formada por Alexandre Albuquerque, então presidente do Instituto de Engenharia, Paiva Meira, vice-presidente da Associação Comercial, e Leovegildo Trindade, da mesma associação, dirigiu-se ao presidente do estado, que declarou apoiar a idéia, mas que o orçamento do Estado não comportaria o empreendimento.
     Em 1925, chegou da Europa Ary Frederico Torres,12 que conquistara o prêmio-viagem da escola e passara quase um ano estagiando no Laboratório de Ensaios de Materiais de Zurique. Ele fora incumbido pela congregação da escola de estudar a criação do Instituto de Tecnologia.13 Em resposta a esta questão, seu relatório de viagem apresentou uma proposta de profunda reestruturação dos trabalhos do Gabinete de Resistência dos Materiais. A idéia não era partir logo para um projeto grandioso, mas valorizar a pesquisa tecnológica e a colaboração com a indústria que já existiam no gabinete, fortalecendo-as e imprimindo-lhes novos rumos.

Gráfico 1: Tipos de ensaios realizados (1912-25)
Fonte: Elaborado a partir de dados extraídos do Boletim do IPT, nº 34.

     O gabinete poderia continuar a exercer sua função didática, mas daria prioridade à função de pesquisa, tanto a que fosse de interesse geral e de iniciativa dos pesquisadores da instituição, quanto a que fosse encomendada por empresa privada.Urgia, então, que um novo regula-mento conferisse autonomia à instituição para cobrar taxas pelos ensaios e para selecionar rigorosamente o pessoal a ser admitido. E (proposta inovadora) esse pessoal seria contratado em tempo integral e dedicação exclusiva, para que se pudessem criar os especialistas, os pesquisadores. Argumentava Ary Torres (apud Meiller et al., 1949, p. 55):

É na realidade impossível conseguir um rendimento apreciável, um trabalho de valor sem o full time. Um técnico preocupado com interesses múltiplos, com suas construções e vários problemas da prática, não pode ter o sossego indispensável para realizar uma pesquisa séria, para estudar profundamente uma questão, para acompanhar com carinho a evolução de sua especialidade.

     O plano de reestruturação foi aceito pela congregação da escola, que designou Ary Torres14 para executá-lo e dirigir o gabinete, a partir de 5 de abril de 1926. Um novo regulamento foi finalmente aprovado pelo presidente do estado, incluindo a cobrança de taxas pelos ensaios e o tempo integral para os pesquisadores.15 A Politécnica proporcionava um universo de alunos e jovens recém-formados, entre os quais poderia ser realizada a seleção do pessoal. Mas ainda faltavam os recursos para ampliar o prédio, renovar os equipamentos e atualizar a biblioteca. Esses recursos foram obtidos, em 1927, através de um apelo de Ramos de Azevedo e Ary Torres, junto às seguintes companhias ferroviárias: a Paulista doou 200:000$000, a Mogiana, 100:000$000 e a Sorocabana, 100:000$000. Com essas condições, o antigo Gabinete de Resistência dos Materiais da Escola Politécnica ampliou sua autonomia, modificou suas prioridades e, logo, logo, espontaneamente, começou a ser desig-nado pelo público como Laboratório de Ensaios de Materiais.

Gráfico 2: Contribuições das estradas de ferro para o aparelhamento do LEM
Fonte: Elaborado a partir de dados extraídos do Boletim do IPT, nº 20.

 

Adaptando e inovando no traço usado nas obras e na determinação da resistência dos cimentos

     O plano de Ary Torres para a reforma do gabinete, visando em tempo propício criar um instituto de pesquisas, previa o atendimento paralelo a diversas frentes de trabalho: era preciso proceder a uma rigorosa seleção para contratar o quadro técnico que trabalharia na nova instituição em período integral, especializá-lo em novas áreas experimentais assim como entusiasmar os alunos dos últimos anos da escola, para que viessem a colaborar com as pesquisas; era preciso reformar o espaço do antigo gabinete, adquirir novas máquinas, atualizar a biblioteca encomendando livros diretamente da Europa. Tudo isso sem paralisar as atividades que já vinham sendo desenvolvidas pelo mesmo, a execução de ensaios solicitados por terceiros e a organização de especificações para a recepção de materiais de construção.
     Assim que assumiu o cargo, Ary Torres convidou o engenheiro Adriano Marchini, da Diretoria de Obras Públicas do Município de São Paulo, a colaborar com suas atividades. A reforma do espaço foi iniciada já no ano de 1926. Em 1927, Rômulo de Lemos Romano, João Luiz Meiller e Hubertus Colpaert passaram a trabalhar ali como assistentes-alunos. Até fins de 1933, trabalhavam no LEM 27 pessoas, sendo nove engenheiros e as demais assistentes e colaboradores. O laboratório possuía então três sessões técnicas — Aglomerantes e Concretos, Madeiras e Metais — além da diretoria, secretaria, oficinas e biblioteca.
     A atividade voltada para a urbanização de São Paulo era tão intensa, na época, que a maioria dos engenheiros formados pela Escola Politécnica de São Paulo dirigia-se à construção civil (Ficher, 1989). Assim, com a transformação do gabinete em Laboratório de Ensaios de Materiais ocorreu um visível incremento dos ditos "ensaios solicitados por terceiros", como pode ser observado no gráfico 3. O decréscimo das solicitações, em 1929, explica-se pela crise mundial, que provocou a paralisação de obras e empreendimentos.
     A demanda por ensaios, no período em estudo, ocorreu nas esferas de atuação das três seções do LEM, com a seguinte produção: com a difusão do método racional de dosagem do concreto multiplicou a demanda por ensaios relacionados ao mesmo; estes compunham a maior parte dos realizados pelo laboratório; a indústria e o comércio madeireiros puderam contar com a identificação das madeiras nacionais, com a determinação de suas características mecânicas, assim como com novas aplicações para madeiras antes utilizadas apenas como lenha, tais como tacos para soalhos, colas, vernizes e as primeiras aplicações aeronáuticas em planadores; e, por fim, quanto aos metais, destacou-se uma série de ensaios muito detalhados, realizados entre 1929 e 1930, focalizando as propriedades mecânicas e a estrutura micrográfica de amostras de chapas e tubos destinados a uma usina hidrelétrica, encomendados pela Light (Boehringer, 1998, pp. 27-8).16

Gráfico 3: Ensaios realizados (1925-31)
Fonte: Elaborado a partir de dados extraídos do Boletim do IPT, nº 5.

     As pesquisas de interesse geral também continuaram a ser desenvol-vidas normalmente, em especial aquelas relativas ao concreto e seus componentes.17 Mas a contribuição tecnológica mais importante do LEM naquele período foi a elaboração e difusão do método de dosagem racional dos concretos. Uma segunda versão do mesmo, o método simplificado, alcançou enorme difusão e, já na década de 1930, era aplicado em praticamente todas as obras de grande porte.18 A dosagem empírica, além de ser antieconômica, não garantia uma resistência do concreto adequada aos esforços aos quais a estrutura seria submetida. Já o método racional garantia a ambos a máxima economia e a precisão na obtenção de resistência adequada ao uso requerido (Torres, 1929). A publicação do Boletim do IPT no 1, em julho de 1927, documentou dez anos de pesquisa desenvolvida no gabinete, enquanto a do Boletim do IPT no 3, simplificando o método, permitiu a divulgação do mesmo.
     O método fundamentava-se na Lei de Abrahams, que estabelece a relação água/cimento como determinante da resistência do concreto resultante, sendo que a resistência do concreto e a quantidade de água empregada seriam inversamente proporcionais para argamassas plásticas.19 O controle passou a ser exercido não só sobre a quantidade de água usada para o amassamento em si, como também sobre a água carregada para a argamassa juntamente com o agregado, principalmente a areia, na qual a umidade chega a variar de 1 a 8%. Foram então desenvolvidos meios para a correção da umidade do agregado e ábacos de fácil utilização que determinavam a relação água/cimento a ser empregada em função da resistência desejada. O LEM exercia controle periódico do concreto das obras, através do recebimento de corpos de prova cilíndricos, confeccionados e sazonados de forma idêntica, segundo definições do laboratório, para que os resultados obtidos nos testes de compressão utilizados para determinar sua resistência fossem comparáveis (Torres, 1936, 1929).
     O crack da Bolsa de Nova York e seu impacto na diminuição de obras e empreendimentos foram imediatamente sentidos através da queda da demanda de ensaios ao LEM. A situação requeria um redirecionamen-to dos trabalhos do laboratório. Até então, devido ao crescente número de ensaios (de trinta em 1925 passou-se a 1.125 em 1929), o trabalho voltado às especificações não avançara. O LEM voltou-se então para o estabelecimento de normas e especificações para a recepção de materiais. Segundo Romano (1931, p. 32), o Brasil tinha se tornado "o receptáculo da escória dos produtos da indústria mundial". Assim sendo, "uma especificação inteligentemente elaborada contribuirá eficazmente para que deixemos de aceitar aquilo que os países mais organizados recusam".
     Essa discussão logo atingiu as repartições públicas, nas quais vigia o vago conceito de que os materiais adquiridos deveriam ser de "primeira qualidade". As especificações, quando existentes, constituíam-se em cópias de especificações estrangeiras que incluíam testes impraticáveis nas condições brasileiras, tornando as concorrências públicas de julgamento precário e duvidoso. Não havia parâmetros para estabelecer uma relação custo/benefício e nem padrões de qualidade para a avaliação dos produtos oferecidos (Silva, 1931; Torres, 1931).
     Buscou-se então estabelecer as características físicas e químicas dos produtos em aquisição como os limites numéricos mínimos e máximos que levassem em consideração as condições locais, através de testes laboratorias. Ademais, seria imprescindível a colaboração de fabricantes, técnicos e consumidores para a elaboração de cada especificação, que nunca poderia ser definitiva, acompanhando o desenvolvimento da indústria e do comércio. Iniciou-se então um programa de estudos, baseado nas possibilidades do LEM, concentrando inicialmente os esforços nos materiais de construção, segundo a tradição de pesquisas de laboratório. A idéia era ampliar o campo de ação posteriormente para outras áreas da produção industrial (Silva, 1931). O LEM realizava ainda palestras e reuniões periódicas com fabricantes, engenheiros, enfim, diferentes representantes do meio técnico, visando o esclarecimento e discussão a respeito destas questões.20


1. Socamento da última camada 2. Remate dos CP 3. Alisamento do topo dos CP 4. CP cobertos com chapa apropriada

      Os laboratórios aperfeiçoariam os métodos de ensaio e as sociedades técnicas deveriam acompanhar os resultados da adoção das especificações em vigor. Havia uma clara percepção, entre os técnicos do LEM, da necessidade de uma ação conjunta de várias instituições. Visava-se com isto a criar uma sociedade autônoma nos moldes da Association for Standards and Testing Materials (ASTM) americana que viesse a trabalhar pela normalização. Na mesma linha, defendia-se ainda a padronização dos produtos industriais, resultante da aplicação de especificações racionais e da simplificação (Ludolf, 1931). O momento em que se evidenciou o apoio do meio técnico para a questão das especificações, visando à adoção posterior da normalização foi o do I Congresso da Habitação, em 1931, promovido pela Prefeitura de São Paulo e pelo Instituto de Engenharia. Durante o congresso, buscou-se unificar barras para concreto e tijolos e introduziu-se um novo método de ensaio de cimento (Romano, 1931).
     A participação do LEM no congresso não se restringiu ao trabalho em prol da normalização. Rômulo de Lemos Romano apresentou, na ocasião, um método de ensaio para cimentos, o qual se aproximava, tanto quanto possível, do processo que ocorria no canteiro de obras, a fim de que fosse difundido e adotado pelo meio técnico a partir daquela reunião. Esse trabalho iniciou-se com um estudo crítico dos métodos de ensaio adotados pelos países mais desenvolvidos e, a seguir, buscou unificar métodos empregados na prática dos laboratórios locais. Segundo o engenheiro, no Brasil, havia espaço para o desenvolvimento de uma solução inovadora e que estivesse mais de acordo com o estado-da-arte e com a realidade dos canteiros de obras. "Nós ocupamos, como sempre, uma posição privilegiada: não temos tradições a respeitar e nem grandes indústrias a proteger", afirmava, então, Romano (op. cit., p. 32).

5. Desmoldagem 6. CP prontos para o ensaio de compressão 7. Ensaio 8. Aspecto da ruptura

     De fato, o LEM abandonaria o método tradicional,21 adotando o da argamassa plástica, de mais fácil execução e mais próximo à prática do canteiro de obras. Uma vez que esse método demandava uma mescla fina e bem graduada, o laboratório teve que optar entre importar areia de Otawa graduada, ou adaptar a areia do rio Tietê. Foi necessário provar que a argamassa plástica dispensava a utilização de uma areia de procedência única para que se implementasse a segunda solução. Os corpos de prova cilíndricos, homólogos aos corpos de provas de concreto, tornaram os resultados dos dois materiais comparáveis. O tipo de ensaio adotado foi o de compressão, dado o uso do cimento para a fabricação do concreto.22
     Esse método foi continuamente revisado durante a década de 1930, tornando-se standard nacional em 1939. Durante a década de 1940, difundiu-se internacionalmente, dada a sua praticidade, tornando-se conhecido correntemente como the Brazilian test. Através de uma série de reuniões dos laboratórios de ensaios de todo país que pontuaram a segunda metade da década de 1930, fundou-se finalmente a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) em 1940.23

A criação do Instituto de Pesquisas Tecnológicas de São Paulo

Com o movimento constitucionalista de 1932, a atividade do LEM foi profundamente afetada. A Congregação da Escola Politécnica e todo o seu corpo de docentes e técnicos aprovou por unanimidade um voto de solidariedade ao governador Pedro de Toledo, sendo solicitada a formar o Serviço de Engenharia da Força Pública do Estado. A escola e seus laboratórios foram requisitados. O LEM tornou-se indústria bélica, produzindo granadas de mão e munição para artilharia pesada. Além disso, o laboratório encarregou-se da preservação dos parâmetros do estado. Ary Torres estava em licença fora de São Paulo, quando estourou o movimento, e Adriano Marchini dirigia os trabalhos do laboratório. Apesar dos cuidados e do controle experimental sistemático houve vítimas.24
     No final de 1933, o laboratório possuía uma ficha de serviços prestados ao meio técnico e industrial que garantiram confiança e apoio para uma nova reestruturação e ampliação das atividades, para que pudesse atender a demanda por apoio técnico de outros setores industriais, além da indústria da construção, especialmente através da química aplicada. Neste momento também se articulava a fundação da Universidade de São Paulo (USP) e se percebia a necessidade de se conferir um status institucional mais adequado à pesquisa tecnológica. Diversas entidades interessadas enviaram memorial ao interventor Armando Salles de Oliveira no sentido de transformar o LEM em Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), anexo à Escola Politécnica. A solicitação foi atendida e concretizou-se, com o decreto no 6375 de 3 de abril de 1934, por intermédio do qual criou-se o IPT, com os seguintes objetivos: realizar pesquisas de caráter experimental de interesse da indústria e das construções; desempenhar a função de laboratório estadual de ensaio de materiais e de metrologia; fornecer os dados experimentais necessários à formulação de normas e padrões; ministrar as aulas de prática laboratorial para os diferentes cursos oferecidos pela Escola Politécnica; formar, entre os alunos graduados pela Escola Politécnica, técnicos especializados nos vários ramos industriais.
     Com isto o antigo LEM ganhava mais autonomia e um novo arcabouço institucional. As dificuldades financeiras do estado, no entanto, só permitiram ao mesmo oferecer dotação orçamentária ao novo instituto de 180 contos, enquanto que a reforma e a aquisição de máquinas para as novas seções — Química, Verificação de Estruturas e Metrologia — estavam orçadas em cerca de mil contos.25 Um grupo de industriais abriu uma lista de subscrições e a reforma foi viabilizada. Apoiado nessas novas bases, o IPT avançou com a pesquisa tecnológica, importante instrumento para o projeto nacional industrializante que se esboçava na década de 1930.

Gráfico 4: Contribuições iniciais para a formação do IPT
Fonte: Elaborado a partir de dados extraídos do Boletim do IPT, nº 20.

     A partir deste curto relato sobre as origens da pesquisa tecnológica do concreto em São Paulo, é possível adiantar algumas observações. Como em outros países, o ensino superior de engenharia surgiu vinculado à necessidade de construção de uma infra-estrutura urbana, energética e de transportes. No caso de São Paulo, a pesquisa tecnológica fazia parte da estrutura de ensino adotada pela Escola Politécnica, que associava o curso fundamental, voltado para o desenvolvimento industrial, aos cursos de especialização de acordo com a tradição germânica. Formava-se assim um conjunto de profissionais com uma orientação diversa da tradicional, que buscava equacionar não só os problemas concernentes à requalificação e infra-estruturação do território, de início e, mais tarde, à urbanização e industrialização à luz dos valores da ciência e da técnica de seu tempo.
     O Gabinete de Resistência dos Materiais proporcionou um veículo institucional adequado não só à transferência da tecnologia do concreto para São Paulo assim como para a formação dos primeiros pesquisadores locais e para a manutenção de relações constantes com os centros internacionais inovadores na área. Porém, foi apenas na década de 1920, através do LEM, que a pesquisa tecnológica consolidou-se, estabe-lecendo relações mais sólidas com um emergente meio empresarial local. A indústria da construção civil, com a sua nova diversidade, veio reunir-se ao setor elétrico, presente através da Light, e ao ramo ferroviário do estado de São Paulo, compreendendo, naquele momento, a importância do desenvolvimento dessas pesquisas não apenas para a produção em si, mas também para a formação de um quadro técnico de que, então, todos esses setores necessitavam para a sua consolidação e desenvolvimento.
     Aparentemente, o processo de conscientização do setor produtivo com relação aos benefícios que a aplicação da ciência à técnica traria à produção, foi gradativo, partindo dos pesquisadores, ao contrário do que ocorreu nos Estados Unidos.26 O governo do estado de São Paulo foi, sem dúvida, o maior fomentador das atividades de pesquisa e de formação de técnicos e profissionais qualificados, através da criação das escolas superiores e, mais tarde, da universidade pública. Assim, o ensino superior afirmou-se como elemento insubstituível na modernização e industrialização de São Paulo. A criação do IPT é um marco dentro desse processo, uma vez que, a cada reorganização e ampliação de suas atividades, mais a instituição consegue envolver-se com os problemas do meio empresarial, sensibilizando a este com relação à necessidade da pesquisa tecnológica. Com a crise de 1929 e a adoção de um projeto industrial no âmbito da nação, tornava-se imprescindível o crescimento da substituição de importações, e no bojo desta compreendeu-se que um instituto de pesquisas tecnológicas poderia tornar-se importante instrumento.
     Concluindo, a projeção internacional em tecnologias correlatas ao cimento e ao concreto alcançada posteriormente pelo Brasil, durante a década de 1940, decorre não apenas das dificuldades enfrentadas pelos pesquisadores europeus, durante a Segunda Guerra Mundial, mas também do trabalho acumulado do governo estadual, de escolas, instituições de pesquisa tecnológica, de empresas e de engenheiros, que, durante mais de trinta anos, construíram instituições, transferiram tecnologia, adaptaram conhecimentos produzidos no exterior às condições locais, e buscaram a inovação, mesmo enfrentando condições difíceis em momentos de crise. Só assim puderam posteriormente, em um momento crítico mundialmente, fazer valer a capacidade produtiva criada, fornecendo a base material e técnica em que se apoiaram os vôos da arquitetura moderna brasileira.

Notas

1 O Gabinete de Resistência dos Materiais surge como um laboratório didático da Escola Politécnica, mas voltado para a realização de pesquisas relevantes para as obras então realizadas em São Paulo. Entre as figuras ligadas ao gabinete, destacam-se a do fundador da escola, Paula Souza, a de Wilhelm Ficher e a de Hippolyto Pujol Júnior, introdutores da tecnologia do concreto em São Paulo. Um estudo específico sobre o gabinete é o de Gitahy (1994).

2 Para compreender o estabelecimento das construtoras em bases empresariais é preciso, ao mesmo tempo, atentar para o aspecto predominantemente urbano desse ramo industrial. Xavier Pereira (1990) estudou a constituição do mercado de trabalho nesse ramo da indústria em articulação com a formação do mercado imobiliário no período. As transformações das relações de trabalho são abordadas em conjunto com as transformações da propriedade e renda da terra urbana. Assim, também aponta o autor, é preciso entender o mercado de compra e venda de imóveis (terras e edifícios) em conjunto com o mercado de locação. Já em 1886, 70% dos chefes de família da cidade de São Paulo moravam em casa cedida ou alugada (Xavier Pereira, 1988, p. 68).

3 A atuação de Ramos de Azevedo foi bastante estudada. Ver, por exemplo, Gonçalves (1977), Gitahy (1986), e Lemos (1993).

4 O escritório de Samuel e Christiano das Neves, criado na época, é outro exemplo de empresa bem-sucedida (Espírito Santo, 1988; Sampaio, 1994).

5 Outra grande construtora, fundada em 1912 por Roberto Simonsen, foi a Companhia Construtora de Santos. Sobre essa empresa, ver Lima (1963), Caetano (1994), Silva e Gitahy (1996).

6 Nas estatísticas do período, encontramos dados sobre esse setor sob as designações: "indústria extrativa": extrai-se areia, pedregulho, caulim. Estabelecem-se pedreiras, olarias (telhas e tijolos), "minerais não metálicos": incluindo as fábricas de cimento e materiais sanitários; e mesmo "indústria metalúrgica": pregos, encanamentos, ferragens, serralheria. Na "mecânica", a diversificação fica por conta de uma fábrica de elevadores, apontando para a verticalização da cidade já na década de 1920 (Ribeiro, 1996).

7 A construção de uma infra-estrutura energética, urbana e de transportes, começou pela implantação da rede ferroviária ainda em plena escravidão. A modernização dos portos e as reformas sanitárias requalificaram os espaços urbanos na virada do século XIX para o XX.

8 Ribeiro (1996) aponta que entre 1900 e 1910 a média anual de prédios construídos era de mil, já entre 1910 e 1929 esta média sobe para quase três mil.

9 Com o cimento Rodovalho, buscou-se iniciar a substituição de importações no campo do cimento em São Paulo, já no final do século XIX. No entanto, a substituição bem-sucedida e com continuidade inicia-se com a Companhia Brasileira de Cimento Portland Perus (canadense), durante a década de 1920. Até 1950, instalaram-se oito fábricas de cimento no Brasil, de 1951 a 1960, instalaram-se mais de trinta. A produção anual em 1930 era de 87.160 toneladas e em 1964 era de 5.583.008 toneladas. No período 1926-39, 94% do consumo de cimento passa a ser suprido pela indústria local (Francesconi, 1996, pp. 33).

10 Meiller et al. (1949, p. 48) fornecem algumas informações sobre Machado de Almeida. Quando assumiu a chefia do gabinete, era recém-formado e havia conquistado um prêmio de viagem na escola, além disso trabalhara como assistente no Gabinete de Física Experimental. Em 1917, substituiu Pujol na chefia do gabinete e no seu cargo de lente substituto. Através de concursos, passou a lente substituto nomeado, em 1920, e a catedrático, em 1922.

11 Sevcenko (1992, p. 24) aponta que 1918 fora um ano terrível para a cidade, assolada pelos "cinco gês": "a gripe (espanhola), a guerra, a geada, os gafanhotos e as greves".

12 A Escola Politécnica concedia todos os anos uma viagem ao exterior ao melhor aluno da turma, durante os cinco anos, ao formar-se. Oscar Machado de Almeida e Ary Frederico Torres receberam este prêmio.

13 Ary Torres (1900-73), nascido em Porto Alegre, foi para São Paulo ainda menino. Ingressou na Escola Politécnica em 1919, vindo a participar ativamente do grêmio. No último ano, abriu uma pequena firma de terraplanagem com um colega. Ao formar-se, casou-se, deixou a firma e partiu para a Europa. Trabalhou seis meses no Laboratório de Ensaios de Materiais de Zurique, então sob reestruturação conduziriam pelo prof. Ros. Estudou tecnologia do concreto com o engenharia Stadelmann e participou de pesquisas e debates que conduziriam à organização das normas suíças para madeiras. Freqüentou, no ETH, as seções de Estática das Construções e Construção de Pontes. Em Paris, trabalhou com o prof. Guillet em seu Laboratório de Metalografia no Conservatoire des Arts et Métiers. Visitou ainda outros laboratórios na Suíça, França, Alemanha, Bélgica, Itália e Holanda. Na volta, apresentou o relatório de viagem a Mário Whately e Vítor da Silva Freire, que o publicaram no Diário Oficial (Bastos, 1997).

14 A escolha de Ary Torres para a transformação do gabinete em instituto de pesquisas foi uma opção liderada por Ramos de Azevedo. Segundo entrevista realizada com José Roberto Torres (1996), Ramos teria confiado esta missão ao engenheiro, que não poupou esforços para atingir esta meta após a morte do primeiro em 1928.

15 Decreto no 4167, de janeiro de 1927 (Boehringer, 1998, p. 11).

16 Esses ensaios foram realizados pela Seção de Ensaios Mecânicos dos Metais do LEM, e seus resultados fazem parte da documentação apresentada pelos engenheiros da Light durante a Exposição de Chicago, em 1933.

17 Até 1934, foram realizados 140 estudos completos para a determinação de curvas de resistência de quarenta marcas diferentes de cimento.

18 Até 1934 foram rompidos mais de dez mil corpos de prova cilíndricos de concreto, em ensaios de compressão, para o controle de qualidade do concreto nas obras. Há um artigo a respeito da aplicação do método nas obras da Adutora de Rio Claro, que informa que as diversas obras de saneamento da capital, imediatamente após a sua elaboração, tomam conhecimento e aplicam o método. No caso da mencionada adutora, obra conduzida por Theodoro Ramos, os alunos da Escola trabalharam na dosagem do concreto e na recepção dos materiais (apud Bastos, 1997, pp. 55-82).

19 Abrahams chegou a essa lei fundamental em fins de 1918, alterando profundamente a técnica até então utilizada (Torres, 1936).

20 A primeira dessas reuniões ocorreu a 6.12.1928 discutindo diversas questões. Ary Torres tratou de dar continuidade a essas sessões, como fazia o prof. Ros, sucessor de Tetmayer no Laboratório de Zurique, pois compreendia a importância de informar e envolver o meio técnico nas atividades do laboratório. Com a crise, foi fácil redirecionar essas reuniões para a questão das especificações (Bastos, 1997).

21 O método tradicional utilizava a argamassa úmida, havendo necessidade de moldar os corpos de prova mecanicamente, o que deturpava as qualidades do aglomerante, era muito lento e exigia muita habilidade para a obtenção de resultados comparáveis, além de não corresponder à realidade vivida nos canteiros de obras (Boehringer, 1998, p. 55).

22 O método compreende ensaios de finura, pega, expansibilidade e resistência à compressão. Os três primeiros eram similares aos realizados no exterior, porém o último era original (Bastos, 1997).

23 Sobre as reuniões dos laboratórios em 1936, 1937, 1938 e 1939 e sobre a fundação da ABNT, ver Inoue (1997-98).

24 Faleceram os engenheiros Douglas McLean, Joaquim Böhn e o estudante José Greff Borba, todos voluntários. Os engenheiros Cyrillo Florence e Rômulo de Lemos Romano sofreram graves lesões pelo amonal, vindo este último a falecer prematuramente em 1936, uma grande perda para a pesquisa tecnológica do concreto. Ficaram mutilados o engeiro Adriano Marchini e o voluntário Mário Bretachi. A participação do LEM no movimento de 1932 merece um estudo à parte e não será detalhada aqui (Bastos, 1997).

25 O LEM dispunha de excelentes equipamentos para ensaios mecânicos de materiais de construção e ensaios microscópicos de metais e de madeiras, porém faltavam os aparelhos para as novas seções (Boehringer, 1998, p. 14).

26 Naquele país, a iniciativa partiu dos empresários que, muito cedo, buscavam novos métodos produtivos para implementar sua lucratividade. A própria criação de instituições de ensino técnico superior, ou o estabelecimento de cadeiras técnicas em colleges e universidades tradicionais partiu do setor privado. O Estado só veio a atuar nessa direção com o Morril Act de 1862. Naquele momento, porém, tais cursos, que já estavam instalados, apenas multiplicaram-se (Noble, 1979).

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

Assis, Omar de Paula abr.-maio 1930 'Dosagem racional dos concretos'. Revista Politécnica. São Paulo, pp. 55-82.        [ Links ]

Bastos, Daniela Souza Coelho Pereira 1997 O Laboratório de Ensaio de Materiais da Escola Politécnica de São Paulo,1926-1934. Fontes para uma história social da tecnologia do concreto no Brasil. Relatório final da Bolsa do PIBIC/CNPq, São Paulo, FAU/USP.         [ Links ]

Boehringer, Nicole 1998 A pesquisa tecnológica vinculada ao ramo da construção 1998 civil em São Paulo, 1930-1964. Fontes para um estudo da contribuição técnica do Instituto de Pesquisas Tecnológicas de São Paulo à construção econômica. Relatório final da bolsa de IC/Fapesp, São Paulo, FAU/USP.        [ Links ]

Caetano, Coraly Gará 1994 Desvendando mistérios: Roberto Simonsen e a luta de classes. Tese de doutoramento, Campinas, Departamento de História/IFCH/Unicamp.         [ Links ]

Espírito Santo, José Marcelo 1988 'Samuel/Christiano das Neves'. Catálogo de desenhos de arquitetura da Biblioteca da FAU/USP. São Paulo, FAU/USP.         [ Links ]

Ficher, Sylvia 1989 Ensino e profissão: o curso de engenheiros-arquitetos da Escola Politécnica de São Paulo. Tese de doutoramento, São Paulo, FFLCH/USP.         [ Links ]

Francesconi, Léa 1996 O Estado e o papel estratégico da indústria de cimento no Brasil. Tese de doutoramento, São Paulo, FFLCH/USP, Departamento de Geografia.         [ Links ]

Gitahy, M. L. C. e Xavier Pereira, P. C. 29-31 out. 1997 'A construção habitacional em São Paulo na década e 1930'. Em Convenção USP de História da Ciência e da Tecnologia. São Paulo.         [ Links ]

Gitahy, Maria Lucia Caira set. 1994 'O papel do Gabinete de Resistência dos Materiais da Escola Politécnica na transferência da tecnologia do concreto para São Paulo, 1899-1925'. Cadernos IG, no 2, vol. 4.        [ Links ]

Gitahy, Maria Lucia Caira 1986 'Qualificação e urbanização em São Paulo: a experiência do Liceu de Artes e Ofícios, 1873-1934'. Em Maria Alice Rosa Ribeiro, Trabalhadores urbanos e ensino profissional. Campinas, Editora da Unicamp.         [ Links ]

Gonçalves, Ana Maria do Carmo Rossi 1977 'A obra de Ricardo Severo'. Trabalho de graduação Interdisciplinar, São Paulo, FAU/USP.         [ Links ]

Gordon, Hélio Júlio 1986 'O IPT, um marco na tecnologia nacional'. Dissertação de mestrado, São Paulo, Departamento de História, FFLCH/USP.         [ Links ]

Inoue, Luciana Massami 1997-98 A ABNT (1940-1964) e a normalização da construção civil habitacional. Fontes para uma história social das propostas modernas de habitação econômica. Relatórios parciais da bolsa do PIBIC/CNPq, São Paulo, FAU/USP.         [ Links ]

Lemos, Carlos A. C. 1993 Ramos de Azevedo e seu escritório. São Paulo, Pini.         [ Links ]

Lima, Heitor Ferreira 1963 Mauá e Simonsen: dois pioneiros do desenvolvimento. São Paulo, Edaglit.         [ Links ]

Ludolf, Mário Leão 1931 'Especificação, prática simplificada, padronização'. Boletim do IPT, nº 4.         [ Links ]

Meiller, João Luiz e Araujo Silva, Francisco Ignácio 1949 'Meio século de tecnologia (1899-1949)'. Boletim do IPT, nº 34.        [ Links ]

Noble, David 1979 America by design. Science, technology, and the rise of corporate capitalism. Nova York, Alfred A. Knopf.         [ Links ]

Ribeiro, Maria Alice Rosa 1996 'A cidade de São Paulo nos anos vinte'. Em Sérgio S. Silva e T. Szmrecsányi (orgs.), História econômica da Primeira República. São Paulo, Hucitec/Fapesp.         [ Links ]

Romano, Rômulo Lemos 1931 'Especificações para os cimentos. Balanço da nossa situação. Orientação a seguir para se obter uma especificação racional'. Boletim do IPT, nº 5.         [ Links ]

Sampaio, Maria Ruth Amaral de set. 1994 'Christiano Stockler das Neves: uma atuação polêmica'. Comunicação apresentada ao XII Encontro Regional de História da ANPUH, Campinas.         [ Links ]

Sevcenko, Nicolau 1992 Orfeu extático na metrópole. São Paulo — sociedade e cultura nos frementes anos vinte. São Paulo, Companhia das Letras.         [ Links ]

Silva, Francisco Ignácio de Araújo 1931 'Deficiências na recepção dos materiais nas repartições técnicas. Necessidade de especificações'. Boletim do IPT, nº4.         [ Links ]

Silva, F. T. e Gitahy, M. L. C. 1996 'O movimento operário da construção civil santista durante a Primeira Guerra Mundial, 1914-1918'. História Social. Revista da Pós-Graduação em História. Campinas, IFCH/Unicamp, nº 3.         [ Links ]

Somekh, Nadia 1994 A cidade vertical e o urbanismo modernizador, 1920-1939. Tese de doutoramento, São Paulo, FAU/USP.         [ Links ]

Torres, Ary Frederico 1939 'Instituto de Pesquisas Tecnológicas. Histórico de sua evolução'. Boletim do IPT, nº 20.         [ Links ]

Torres, Ary Frederico 1936 'Dosagem dos concretos'. Boletim do IPT, nº 1, 3ª ed.         [ Links ]

Torres, Ary Frederico 1931 'Organização de cadernos de especificações para o recebimento de materiais'. maio Boletim do IPT, nº 4.         [ Links ]

Torres, Ary Frederico 1931 'Instalações distribuidoras de concreto'. São Paulo, LEM.         [ Links ]

Torres, Ary Frederico 1929 'Dosagem racional dos concretos'. Boletim do IPT, nº 3.         [ Links ]

Torres, José Roberto 25.7.1996 Entrevista concedida à profa. dra. Maria Lucia Caira Gitahy e bolsistas do PIBIC/CNPq.

Vargas, Milton 20.9.1996 'Habitação econômica e arquitetura moderna no Brasil, 1930-1964'. Palestra proferida na FAU/USP no âmbito do Projeto Temático Fapesp.

Vargas, Milton maio-ago. 1988 'A industrialização de construção e a pesquisa tecnológica no Brasil'. Quipu, vol. 5, nº 2.         [ Links ]

Vargas, Milton 1987 'O início da pesquisa tecnológica no Brasil'. Revista do Instituto de Engenharia, nº 462.         [ Links ]

Vasconcellos, Augusto Carlos de 13.1.1998 Entrevista concedida à profa. dra. Maria Lucia Caira Gitahy e bolsistas de IC/Fapesp e PIBIC/CNPq.

Vasconcellos, Augusto Carlos de 1985 O concreto no Brasil: recordes, realizações, história. São Paulo, Copiare/Camargo Corrêa.        [ Links ]

Xavier Pereira, Paulo César 1990 Questão da construção: urbanização e industrialização em São Paulo, 1872-1914. Tese de doutoramento, São Paulo, FFLCH/USP.         [ Links ]

Xavier Pereira, Paulo Cesar 1988 Espaço, técnica e construção. São Paulo, Nobel.        [ Links ]

 

Recebido para publicação em outubro de 1999.
Aprovado para publicação em maio de 2000

Creative Commons License All the contents of this journal, except where otherwise noted, is licensed under a Creative Commons Attribution License