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História, Ciências, Saúde-Manguinhos

versão impressa ISSN 0104-5970versão On-line ISSN 1678-4758

Hist. cienc. saude-Manguinhos v.12 n.1 Rio de Janeiro jan./abr. 2005

https://doi.org/10.1590/S0104-59702005000100010 

FONTES

 

Ciência, política e paixão: o arquivo de Carlos Chagas Filho

 

Science, politics, and passion: the Carlos Chagas Filho archive

 

 

Ana Luce Girão Soares de LimaI; Cecília Chagas de MesquitaII; Francisco dos Santos LourençoIII; Leonardo Arruda GonçalvesIV; Ricardo Augusto dos SantosV

IPesquisadora do Departamento de Arquivo e Documentação da Casa de Oswaldo Cruz Av. Brasil, 4365, 21040-900 Rio de Janeiro – RJ –Brasil analuce@coc.fiocruz.br
IIBacharel em história pela Universidade Federal Fluminense ceciliacmesquita@ig.com.br
IIIPesquisador do Departamento de Arquivo e Documentação da Casa de Oswaldo Cruz flourenc@coc.fiocruz.br
IVBacharel em história pela Universidade Federal Fluminense arruda@coc.fiocruz.br
VPesquisador do Departamento de Arquivo e Documentação da Casa de Oswaldo Cruz raugusto@coc.fiocruz.br

 

 


RESUMO

Este texto tem por objetivo apresentar a relevância do arquivo de Carlos Chagas Filho como manancial de informações para os estudos da história da ciência no século XX. Pelo estudo dos documentos referentes às instituições em que atuou – tais como a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura e a Academia Pontifícia de Ciências do Vaticano – e naquelas de que foi criador – como o Instituto de Biofísica da Universidade Federal do Rio de Janeiro –, podemos resgatar facetas de sua trajetória dentro dos processos de formulação de políticas públicas de desenvolvimento e valorização da prática científica no Brasil e no exterior.

Palavras-chave: história da ciência, Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura, Academia Pontifícia de Ciências, Instituto de Biofísica, Carlos Chagas Filho, arquivos de ciência e tecnologia.


ABSTRACT

The text highlights the Carlos Chagas Filho archive as a rich source of information for studies of the history of science during the twentieth century. Using documents related to the institutions in which Carlos Chagas Filho was active (such as UNESCO and the Vatican's Pontifical Academy of Science) as well as those he helped create (like the Federal University of Rio de Janeiro's Biophysics Institute), the study uncovers facets of his trajectory, both within public policymaking in the field of development and in the effort to foster scientific practice in Brazil and abroad.

Keywords: history of science, UNESCO, Pontifical Academy of Science, Biophysics Institute, Carlos Chagas Filho, science and technology archives.


 

 

A história de vida é uma dessas noções que entraram como contrabando no nosso universo científico.
(Bourdieu, 1996, p. 183)

 

Vivemos um período em que, com a valorização da história cultural, os pesquisadores debruçam-se cada vez mais sobre as biografias, aqui entendidas não apenas como um gênero literário, mas também como aquelas que nos são descortinadas pelos arquivos – esses nossos velhos conhecidos.

Um arquivo pessoal está longe de ser uma biografia, mesmo porque lhe falta a retórica, inerente ao trabalho do historiador, ou o estilo literário do escritor. Enfim, a relação de causa e efeito, a narrativa lógica da concatenação linear ou não dos fatos. Entretanto, não pode ser comparado a um mero vestígio à espera de quem lhe dê sentido, pois é rico portador de uma infinidade de registros, a verdadeira dimensão material da memória. É naquela ausência que pretendemos buscar a sua maior riqueza.

Obviamente as exigências de historiadores e romancistas não são as mesmas, embora estejam aos poucos se tornando mais parecidas. Nosso fascínio de arquivistas pelas descrições impossíveis de corroborar por falta de documentos alimenta não só uma renovação na história narrativa, como também o interesse por novos tipos de fontes, nas quais se poderiam descobrir indícios esparsos dos atos e das palavras do cotidiano. Além disso, reacendeu o debate sobre as técnicas argumentativas e sobre o modo pelo qual a pesquisa se transforma em ato de comunicação por intermédio de um texto escrito. (Levi, 1996, p. 169)

Logo, um interesse pela biografia contextualizada, não pelo indivíduo em si, mas inserido numa sociedade de um determinado período e local, bem como as ligações que ele estabelece em seu meio, a rede de relações que tece, os processos de tomada de decisões, os estágios intermediários, são os elementos de partida para o desenvolvimento de um trabalho arquivístico a contento. No caso de arquivos de cientistas, podemos também conhecer as experiências que não deram certo, que não foram publicadas, os trabalhos abandonados pelo meio, avanços, recuos, bem como a gama de sentimentos aí envolvidos.

Sob esta ótica é lícito afirmar que o estudo do processo de acumulação e a história arquivística dos documentos pessoais são registros tão eloqüentes quanto podem ser a correspondência, a produção intelectual, um diploma ou uma fotografia. Quem trabalha em centros de documentação sabe que um arquivo pessoal pode nos chegar às mãos das mais diversas formas: totalmente desordenado, sendo esta desordem fruto do caminho que percorreu até o destino, ou da falta de critério em sua acumulação; revelador da triagem sofrida na origem pelo próprio titular do arquivo ou por seus familiares, desejosos de construir para a posteridade uma bela imagem; ou ainda acumulado segundo uma ordenação coerente com a intenção de preservar sua memória, inclusive transferindo-a para um "lugar de memória", termo cunhado por Pierre Nora (1993) e plenamente adotado por historiadores, tudo isso apenas para citarmos algumas situações possíveis.

Além disso, há a subjetividade envolvida no diálogo entre o titular do arquivo e o pesquisador que se debruça sobre ele, sendo o historiador um personagem privilegiado: trata-se de um caminho de mão dupla. Um documento, em sua unicidade, excetuando-se aqueles monumentalizados como marcos inaugurais ou de ruptura, é um suporte para a informação.1 A relação que se estabelece no conjunto, na coleção e em seu ordenamento traz em si um dos discursos dos quais nos apropriamos para nossas pesquisas.

No entanto, seria ingenuidade pensar que toda série documental que leva a chancela de pessoal é obrigatoriamente autêntica, uma vez que não nasceu com a vocação histórica de um arquivo institucional público ou privado. A vontade de guardar (Vianna; Lissovsky e Sá, 1986), seja ela por intenção autobiográfica, seja em função da preservação de uma ideologia, de uma filosofia de vida, ou de uma trajetória que se quer tornar exemplar, seja pelo motivo que for, deve estar sempre na frente de qualquer crítica a respeito da origem documental.

Após essas premissas básicas, apresentamos aqui o arquivo de Carlos Chagas Filho. Esse conjunto se insere em um fundo familiar do qual fazem parte os arquivos pessoais de seu pai, Carlos Justiniano Ribeiro das Chagas, e de seu irmão, Evandro Serafim Lobo Chagas. Seus documentos foram doados ao Departamento de Arquivo e Documentação da Casa de Oswaldo Cruz/Fiocruz em duas fases: a primeira, pelo próprio cientista, e a segunda, após a morte deste em 2000, por Anna Chagas, sua viúva. Os documentos têm diversas procedências, entre elas destacamos o Instituto de Biofísica da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).

O arquivo possui 42 metros lineares ou cerca de 74 mil documentos, dos quais podemos destacar uma riquíssima correspondência científica e uma produção intelectual contendo discursos, palestras e conferências, em que o titular expõe seu pensamento político, social e científico, articulando estas duas últimas vertentes à sua religiosidade. Prova disso são as tarefas por ele desempenhadas durante os 16 anos em que esteve à frente da Academia Pontifícia de Ciências (APC) do Vaticano, quando demonstrou uma visão esclarecida sobre a Igreja Católica, aproximando fé e ciência. Em suas próprias palavras, resumiu a experiência espiritual e a militância científica da seguinte forma: "Estou procurando mostrar que não há incompatibilidade entre a verdade científica e a revelação: são duas coisas que tratam de espaços diferentes. Uma trata da realidade da vida, a outra trata do transcendental" (apud SBPC, 1998, p. 63).

Dentre os grandes blocos temáticos presentes no arquivo, destacamos os seguintes: a fundação do Instituto de Biofísica, matriz para a elaboração de uma política científica no Brasil; as pesquisas com o peixe-elétrico ou poraquê, Electrophorus electricus, e o curare, substância com ação farmacológica comprovada, extraída de vá-rias espécies de vegetais, ambos obtidos da região Amazônica; a atuação em órgãos internacionais, como a Unesco e a APC.

O titular do arquivo nasceu no Rio de Janeiro a 12 de setembro de 1910. Médico, formado pela Faculdade de Medicina da Universidade do Rio de Janeiro, teve como legado uma fortíssima herança científica, a qual carregava até mesmo no nome. Embora profundamente ligado à tradição da pesquisa realizada no Instituto Oswaldo Cruz, privilegiou tanto a carreira acadêmica no interior da universidade quanto a atuação em organismos internacionais, como atesta a procedência e o conteúdo de seu arquivo.

 

 

A carreira de Chagas Filho, cientista engajado no processo de formulação de políticas públicas de desenvolvimento e valorização da prática científica no Brasil, foi construída sobre as atividades realizadas no Instituto de Biofísica.2 Criado por ele em 1945, a partir do Laboratório de Biofísica da Faculdade Nacional de Medicina da Universidade do Brasil, atual UFRJ, o instituto tem papel de destaque nas transformações pelas quais passou o campo científico-acadêmico brasileiro a partir da segunda metade do século XX. Sua trajetória se confunde com a própria história de vida de seu criador, refletindo as relações com o Estado, a sociedade e a comunidade científica internacional.

Chagas Filho desenvolveu as linhas de pesquisa do instituto a partir de objetos nacionais, como o peixe-elétrico e o curare. Deste modo, construiu um discurso de legitimação da produção do conhecimento pelo conhecimento, do qual fez uso durante toda sua carreira, e que era fundamentado na importância de uma ciência nacional baseada no uso de técnicas avançadas em modelos autóctones (Schall, 2001; Almeida, 2003).

Foi a partir dessas atividades que ele conseguiu introduzir a prática da ciência experimental naquela universidade, criando princípios hoje consolidados no meio acadêmico, tais como a articulação ensino-pesquisa e a 'invenção' da biofísica como campo autônomo de investigação (Góes Filho, 1997; Mariani, 1982). Entretanto, devemos ressaltar que a ausência de fronteiras deste campo, como sinônimo de potencial científico, capaz de arregimentar capitais simbólicos e materiais, teve por objetivo desvincular a ciência pura da ciência aplicada.

Referente ao período em que esteve ligado ao Instituto de Biofísica, isto é, da criação até o fim de sua vida, destacam-se em seu arquivo documentos de foro privado e profissional, que revelam a rotina do instituto, sua estrutura de funcionamento, as linhas de pesquisas privilegiadas, além das relações do cientista com outras instituições nacionais e internacionais, como a Academia Brasileira de Ciências, a Fundação Oswaldo Cruz, a Organização Mundial da Saúde e a Academia de Ciências do Terceiro Mundo. São eles: impressos, correspondência, currículos, separatas, convites e artigos científicos, entre outros. Sobressaem, nesse conjunto documental, as inúmeras cartas trocadas entre Chagas Filho, seus pares e sua família, que versam sobre questões e acontecimentos da época, como também o termo de sua posse como diretor do Instituto de Biofísica e o título de decano da Universidade do Brasil.

 

 

 

 

Em parte como reflexo das atividades desenvolvidas no âmbito da universidade brasileira, Chagas Filho construiu, em paralelo, uma brilhante carreira junto a organismos e instituições internacionais, que nasceram no pós-Segunda Guerra Mundial. Um novo momento na história do desenvolvimento da ciência em escala planetária teve início com a explosão da bomba atômica. Posteriormente, no contexto da Guerra Fria, foram estreitados seus laços com práticas políticas, visando à demarcação das áreas dos blocos capitalista e soviético. Chagas Filho não ficaria imune a essas transformações que a comunidade científica viveria e das quais os próprios cientistas seriam protagonistas.

Em 1946, ele viajou para a França como convidado do governo francês para as celebrações do cinqüentenário da morte de Louis Pasteur e como um dos representantes do Brasil na I Conferência Geral da Unesco, fato que se repetiu em ocasiões posteriores, conforme os dados contidos nos marcos cronológicos em anexo. A partir deste momento o brasileiro alcançaria definitivamente um patamar especial no campo da ciência "como participante do que poderíamos chamar de diplomacia da Ciência" (Góes Filho, 1997, p. 131). Contudo, devemos ressaltar que, desde a década de 1930, Chagas Filho já percorria com razoável desenvoltura os espaços das relações científicas internacionais, quando realizou estágios de aperfeiçoamento com os professores René Wurmser e Alfred Fessard, em Paris, e Archibald V. Hill, em Londres, após sua posse como professor concursado da cátedra de física biológica da Universidade do Brasil, em 1937.

Esta atuação internacional em nenhum momento implicou um abandono das atividades desenvolvidas no Instituto de Biofísica, mas serviu para catalisar seu progresso. Dentre os mais significativos postos ocupados por ele, destacam-se: membro do Comitê Assessor de Pesquisas Médicas da Organização Mundial da Saúde (1951-1962/1971-1973); presidente do Comitê Científico das Nações Unidas para o Estudo dos Efeitos das Radiações Atômicas (1956-1957);3 secretário-geral da I Conferência das Nações Unidas para Ciência e Tecnologia, em Genebra (1962-1966); presidente do Comitê para a Aplicação da Ciência e Tecnologia para o Desenvolvimento, do Conselho Econômico e Social das Nações Unidas (1966-1970); embaixador e chefe da Missão Permanente do Brasil junto à Unesco (1966-1970); presidente do Comitê Internacional da Salvaguarda de Veneza (1979) e vice-presidente da Academia de Ciências do Terceiro Mundo (1983).

No exercício destas atividades como 'cidadão-cientista' do mundo foram produzidos e acumulados inúmeros documentos, que ora integram seu arquivo. São textos, relatórios, palestras e correspondência que nos permitem recuperar facetas de sua atuação. Nestes, por exemplo, está registrada a saída de Paulo Carneiro4 do posto de embaixador do Brasil junto à Unesco, a quem Chagas Filho substituiu em 1966, por designação do presidente Castelo Branco, e o intercâmbio científico mantido com René Maheu, diretor-geral do órgão5.

 

Figura 4

 

 

 

Outro período de destaque em sua longa trajetória internacional está focalizado junto à APC.6 Seu ingresso no corpo acadêmico da instituição se deu no ano de 1961, por indicação informal do cientista belga Corneille Heymans, prêmio Nobel de fisiologia ou medicina de 1938, que havia visitado o Instituto de Biofísica em fins da década de 1950. A partir deste momento, estreitou seus laços com a Igreja e seus membros mais eminentes. Merece destaque a ligação com o padre dominicano Enrico di Rovasenda, chanceler da academia e seu amigo pessoal, com quem travou interessantes debates sobre fé e religião católica, fato que o aproximou ainda mais do cristianismo.

No ano de 1972, Chagas Filho foi escolhido pelo papa Paulo VI para o cargo de presidente da APC, em substituição ao padre jesuíta Daniel O'Donnel. Na época, dois outros brasileiros exerciam postos no Vaticano: o cardeal Agnelo Rossi, prefeito da Congregação para a Evangelização dos Povos, e o professor Deoclécio Redig de Campos, diretor-geral de seus museus. Esse episódio ainda hoje é acompanhado por um questionamento: quem o teria indicado para a função junto à Santa Sé. Nem ele próprio soube responder, apenas pôde conjeturar a respeito:

Penso que influíram a voz de Dom Eugenio Sales e a do cardeal Benelli, que me conhecera quando estava eu na Unesco e era ele o observador do Vaticano. Com Benelli estabeleci relações bastante cordiais, continuação dos entretenimentos que havíamos tido no Rio, ainda que esparsos, quando Benelli era um dos membros da Nunciatura Apostólica (Chagas Filho, 2000, p. 174-175).

Sua trajetória nesta instituição deixou marcas que até hoje podem ser notadas. Como exemplos de seus atos realizados na condição de presidente, podemos citar a inserção de novos membros no corpo da academia, anteriormente composto por cientistas católicos. Estes novos acadêmicos foram escolhidos de acordo com a área de atuação e competência, relegando a segundo plano as crenças religiosas de cada um. Dentre outras importantes realizações, que estão representadas em seu arquivo, destacamos os documentos referentes à datação do Santo Sudário, o processo de absolvição de Galileo Galilei pelo Vaticano, em consonância com a comunidade científica internacional, e a discussão sobre a utilização de armas nucleares no contexto da Guerra Fria.

Chagas Filho presidiu a APC durante 16 anos, tendo cada mandato a duração de quatro anos. As consecutivas reeleições demonstram a sua importância junto à Igreja. Seu último mandato teve fim no ano de 1988. Sua saída foi lamentada por diversos acadêmicos, fato que podemos constatar através da correspondência relativa ao período. Citemos como exemplo a carta de Robert Joseph White, neurologista norte-americano, na qual este sugere que a saída do brasileiro foi motivada por problemas de saúde, em virtude de ele não apresentar mais condições de viajar.

A passagem do cientista pela presidência da instituição encontra-se fartamente documentada em cartas, discursos, atas de reuniões, entre outros registros, tais como: artigo escrito por Chagas Filho, em 1984, intitulado 'Academia Pontifícia de Ciências, sua atividade, sua ação e sua posição em face da guerra nuclear'; carta de 1983 endereçada ao papa João Paulo II agradecendo pela presença na semana de estudos La Science au Service de la Paix; discurso do papa abrindo a semana de estudos anteriormente citada; carta sobre a quarta reeleição para a presidência da instituição. Somam-se a estes outros documentos que refletem a importância da APC na trajetória do cientista, pois durante esse período organizou de diversas conferências e mesas-redondas internacionais na condição de seu representante máximo, nas quais discursou acerca da utilização de armamento nuclear e seu impacto climático, a evolução dos primatas e sobre o cérebro e o comportamento humano, entre outros temas.

 

 

 

* Este artigo é fruto das atividades dos projetos 'A memória da ciência no Rio de Janeiro: organização e socialização do Arquivo Pessoal de Carlos Chagas Filho', financiado pela Faperj, sob a coordenação de Paulo Gadelha, e 'Instituições intergovernamentais e política científica no Brasil: a contribuição de Carlos Chagas Filho e Paulo Carneiro (1940-1970)', coordenado por Marcos Chor Maio e com financiamento do Papes III/Fiocruz. Ambos os projetos são desenvolvidos no Departamento de Arquivo e Documentação da Casa de Oswaldo Cruz (COC/Fiocruz). Não podemos deixar de agradecer a Darcy Fontoura de Almeida, amigo e biógrafo de Carlos Chagas Filho, pelos cordiais ensinamentos envolvendo aspectos do universo das práticas científicas e pela revisão final deste artigo.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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1 "O documento não é inócuo. É antes de mais nada o resultado de uma montagem, consciente ou inconsciente, da história da época, da sociedade que o produziu, mas também das épocas sucessivas durante as quais continuou a viver, talvez esquecido, durante as quais continuou a ser manipulado, ainda que pelo silêncio. O documento é uma coisa que fica, que dura, e o testemunho, o ensinamento (para evocar a etimologia) que ele traz devem ser em primeiro lugar analisados desmistificando-lhe o seu significado aparente. O documento é monumento. Resulta do esforço das sociedades históricas para impor ao futuro – voluntária ou involuntariamente – determinada imagem de si próprias".(Le Goff, 1996,p. 547-548)
2 Em 1985, por requerimento unânime dos membros de seu Conselho Departamental, o nome do instituto foi alterado para Instituto de Biofísica Carlos Chagas Filho, com o objetivo de homenagear o septuagésimo quinto aniversário do cientista. Como Oswaldo Cruz, Chagas Filho teve em vida o reconhecimento do conjunto de sua obra.
3 Adotamos esta denominação por ser a mais constante nos documentos, mesmo sabendo que existe a variante Comitê de Estudos dos Efeitos das Radiações Ionizantes, sendo esta fruto de diferentes traduções.
4 Paulo Estevão de Berredo Carneiro (1901-1982) desenvolveu destacadas atividades científicas, acadêmicas e culturais nos campos da química vegetal e animal, da preservação da memória patrimonial e intelectual do filósofo Augusto Comte e das políticas nacionais e estrangeiras de fundação de diversas instituições, como a Unesco, por exemplo, de onde foi ministro, embaixador e delegado brasileiro durante as décadas de 1940 e 1980. Nesse período, propôs vários projetos na instituição, como o da criação do Instituto Internacional da Hiléia Amazônica (Fraiz, 2000).
5 Em longos depoimentos prestados ao (CPDOC) Centro de Pesquisa e Documentação da História Contemporânea do Brasil (1984) e à Fundação Oswaldo Cruz (1991), Chagas Filho comenta as inúmeras cartas e ofícios trocados com René Maheu durante o período em que esteve na Unesco.
6 Fundada pelo romano Federico Cesi no ano de 1603, como Accademia dei Lincei, ela somente foi incorporada ao Estado Papalino em 1847, no pontificado do Papa Pio IX, sob a denominação de Accademia dei Nuovi Lincei. Esta instituição foi a primeira a tratar de assuntos relacionados à ciência no ocidente, alcançando reconhecimento internacional. Em 1936, o papa Pio XI lhe conferiu o atual nome (Chagas Filho, 1991). Possui um conselho composto por 80 cientistas, homens e mulheres, não necessariamente católicos. Merece destaque o fato de Galileo Galilei ter sido membro da referida Academia.

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