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História, Ciências, Saúde-Manguinhos

versão impressa ISSN 0104-5970versão On-line ISSN 1678-4758

Hist. cienc. saude-Manguinhos v.12 n.2 Rio de Janeiro maio/ago. 2005

http://dx.doi.org/10.1590/S0104-59702005000200004 

ANÁLISE

 

A concepção sobre saúde do escolar entre professores do ensino fundamental (1ª a 4ª séries)

 

The concept of student health as viewed by early elementary school teachers (1st- 4th grades)

 

 

Marcos Henrique FernandesI; Vera Maria RochaII; Djanira Brasilino de SouzaIII

IMestrando em ciências da saúde pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) Rua Jaguarari, 1358 – Barro Vermelho 59030-500 Natal – RN Brasil marcos.ferreira@agr.unicamp.br
IIProfessora da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN); Caixa Postal 1587 – Campus da UFRN – Nova Lagoa 59078-970 Natal – RN Brasil
rvera@ufrnet.br
IIIProfessora da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN); Parque das Serras, Bloco B, ap. 702 – Morro Branco; 59056-140 Natal – RN Brasil djabraza@zaz.com.br

 

 


RESUMO

O presente estudo investiga a concepção sobre a saúde do escolar entre os docentes do ensino fundamental e caracteriza a formação desses profissionais nessa temática. Utilizou-se metodologia qualitativa, numa amostra constituída por 45 professores. Os dados foram coletados por meio de um questionário semi-estruturado e posteriormente analisados seguindo a proposta de análise temática. Observou-se que 77,7% dos docentes estudaram conteúdos de saúde e 33,33% apresentam dificuldades em trabalhar essa temática, principalmente por falta de material didático adequado. Com relação aos Parâmetros Curriculares Nacionais no tema transversal saúde, 75,55% dos entrevistados participaram dessa capacitação. Observa-se que os professores do ensino fundamental necessitam uma capacitação específica e maior suporte com relação à prática da saúde escolar.

Palavras-chave: saúde escolar; educação em saúde; docente.


ABSTRACT

The study investigated the attitudes of early elementary school teachers towards student health and characterized their training in this area. Using qualitative methodology, a sample of forty-five teachers responded to a semi-structured questionnaire, subsequently analyzed in accord with the proposed topical approach. Findings showed that 77.7% of the teachers had studied health content, while 33.33% encountered problems working with this topic, chiefly because they lacked suitable teaching material. Further, 75.55% had taken part in training related to Brazil's National Curriculum Parameters and the transversal theme of health. When asked about the importance of addressing the health topic, 28.33% referred to the need to take care of one's health. In conclusion, early elementary teachers need specific training and greater support in dealing with the topic.

Keywords: school health; health education; teachers.


 

 

Introdução

Durante a infância, época decisiva na construção de hábitos e atitudes, a escola assume um papel importante por seu potencial para o desenvolvimento de um trabalho sistematizado e contínuo. Os valores que se expressam na escola em seus diferentes aspectos geralmente são apreendidos pelas crianças na sua vivência diária.

Para Focesi (1990), a maior responsabilidade do processo de educação em saúde é a do professor, cabendo a este colaborar para o desenvolvimento do pensamento crítico do escolar, além de contribuir para que as crianças adotem comportamentos favoráveis à saúde. Os docentes da educação fundamental desempenham um importante papel nesse contexto, por estarem atuando diretamente com crianças em processo de formação intelectual e desenvolvimento de condutas.

Diante dessas perspectivas, o Ministério da Educação e do Desporto (1998), criou o referencial curricular nacional para a educação fundamental, no qual a saúde é tida como um tema transversal a ser trabalhado e assumido com responsabilidade no projeto de toda a escola; alunos, professores e o ambiente escolar tornam-se sistematicamente elementos chaves para essa realização.

Apesar das normas existentes, o professor em suas práticas diárias não vem cumprindo de maneira eficaz o que está previsto nos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs), o que se pode atribuir ao processo de formação docente. As escolas também não se sentem responsáveis pela prática da saúde em seus ambientes e geralmente reproduzem o paradigma de caráter assistencialista, priorizando o indivíduo e a doença, em detrimento da coletividade e da prevenção. Nesse contexto decidiu-se questionar os docentes do ensino fundamental (1ª à 4ª séries) do município de Natal, capital e maior cidade do estado do Rio Grande do Norte, no que concerne à prática de saúde no ambiente escolar e, mais especificamente, buscar informações sobre o processo de formação para docência e sobre os conteúdos de saúde previstos nos PCNs. Objetivou-se neste estudo investigar não apenas as formas de preparação dos professores para o trabalho com a temática 'saúde' no ambiente escolar, mas também as principais dificuldades para tal prática.

 

Metodologia

Esta pesquisa se caracteriza como 'qualitativa', e buscou a compreensão dos significados e as características situacionais apresentadas pelos professores. A população foi formada por professores de 1ª a 4ª séries do ensino fundamental, e a amostra, estratificada por região geográfica do município de Natal, Rio Grande do Norte, constituiu-se através de sorteio de uma escola pública e de uma escola privada em cada uma das zonas da cidade de Natal, perfazendo o total de oito instituições de ensino. Do total de 53 docentes atuando nas escolas sorteadas, 45 aceitaram participar voluntariamente da pesquisa, assinando um termo de consentimento. Obtivemos junto ao Comitê de Ética de Pesquisa da Universidade Federal do Rio Grande do Norte um parecer favorável à realização deste estudo.

Para a coleta de dados utilizou-se um questionário auto-explicativo, com perguntas abertas e fechadas. A pesquisa só foi efetuada após a adequação do instrumento de coleta de dados através de um estudo piloto, que permitiu a identificação de algumas falhas presentes no questionário e no processo de aplicação.

Os registros dos questionários foram submetidos a uma análise temática na qual as freqüências das unidades de significação definem os valores de referências e os tipos de comportamentos presentes no discurso dos participantes com relação à saúde do escolar.

Todas as respostas foram listadas e organizadas em categorias e, quando necessário, em subcategorias. Na definição operacional das categorias levou-se em consideração a forma e o conteúdo das respostas, e posteriormente verificou-se a freqüência relativa das aparições das palavras e dos temas selecionados, podendo uma resposta ser enquadrada em mais de uma categoria.

 

Resultados

Dos 45 professores que participaram do estudo, 15 eram de escolas privadas (33,3%) e trinta de escolas públicas (66,6%), todos do sexo feminino. A faixa etária de maior prevalência entre os docentes foi a de "acima de quarenta anos", com 26 professores (57,7%), seguida de "36 a 40 anos", com sete professores (15,5%), e "31 a 35 anos", com cinco professores (11,1%).

Sobre a formação acadêmica dos participantes, observou-se que 21 (46,6%) têm o terceiro grau completo; entre esses, cinco (11,09%) são de escolas privadas e dezesseis (35,51%) de escolas públicas; outros cinco professores (11,1%) afirmam ter o terceiro grau incompleto, entre os quais quatro (8,88%) atuam em escolas privadas e um (2,22%) em escola pública; dezoito (40%) possuem apenas o magistério, entre os quais, seis (13,34%) são da rede privada e doze (26,66%) da pública; apenas um (2,2%) não forneceu tal informação.

A diferença mais significativa entre os docentes de escolas 'públicas' e 'privadas' encontra-se na idade: os primeiros se enquadram mais na faixa etária superior a quarenta anos, com um percentual de 51,04%; por sua vez, os professores da rede privada têm apenas 6,65% enquadrados nessa faixa etária. Outra diferença entre os dois grupos é a qualificação profissional: a maior parte dos docentes das escolas públicas possuem terceiro grau completo (35,51% do total de entrevistados), ao passo que os das escolas privadas, em sua maioria, possuem apenas o magistério (13,34% do total).

Quando questionados sobre a abordagem do tema 'saúde' em sua formação para docência, 35 (77,7%) deles responderam que estudaram conteúdos sobre saúde, sendo treze (28,86%) dos quais docentes de escolas privadas e 22 (48,84%) de escolas públicas; outros dez (22,2%) responderam não terem recebido nenhum tipo de informação, apenas dois (4,44%) entre eles da rede privada. Dos que estudaram, 23 (65,71%) acharam satisfatório o estudo e doze não o consideraram satisfatório. Destes últimos, 50% argumentaram que as informações eram trabalhadas de maneira superficial, justificando assim suas respostas.

Com relação aos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs), 34 (75,55%) responderam ter estudado seus conteúdos, sendo doze (26,66%) deles professores de escolas privadas e 22 (48,88%) de escolas públicas. Sete (15,55%) professores afirmaram não terem estudado — três (6,66%) de escolas privadas e quatro (8,88%) de escolas públicas. Mais especificamente a respeito do tema transversal 'saúde', 29 (64,44%) professores afirmaram tê-lo estudado, oito (17,77%) dos quais da rede privada e 21 (46,66%) da rede pública. Quatro (8,88%) professores de escolas privadas e três (6,66%) de escolas públicas, num total de sete (15,55%), responderam não ter estudado o tema transversal 'saúde'. Tanto em relação ao estudo dos PCNs, quanto ao tema transversal saúde, quatro (8,88%) dos docentes deixaram de responder cada questão.

Quando os participantes do estudo foram questionados sobre sua preparação para trabalhar com o tema transversal 'saúde' dentro do ambiente escolar, 27 (60%) responderam que se sentiam preparados e dezoito (40%) que não se sentiam prontos para o desenvolvimento desses conteúdos. Dos que responderam positivamente, nove (20%) são docentes de escolas privadas e 21 (40%) de escolas públicas. Com relação aos que alegaram não estar preparados, seis (13,33%) eram da rede particular e doze (26,66%) da pública. A falta de conhecimento mais profundo sobre saúde constituiu a justificativa de maior prevalência, correspondendo à resposta de quinze indivíduos (68,38%), cinco (27,79%) dos quais são docentes de escolas privadas e dez (45,58%) da rede pública. O outro motivo citado foi a falta de material didático adequado, com seis (27,27%) respostas, apenas uma (4,54%) das quais relacionada a docente da rede privada. Apenas uma pessoa não quis revelar o motivo de não se sentir preparada para trabalhar o tema 'saúde'.

Outro questionamento focalizou a existência de dificuldades em trabalhar o tema 'saúde' no ambiente escolar. Trinta (66,66%) docentes revelaram não encontrar dificuldades, e quinze (33,33%) afirmaram que elas existiam. Dos que responderam negativamente, onze (24,44%) são professores de escolas privadas e dezenove (42,21%) de escolas públicas. Entre os que afirmaram haver dificuldades, quatro (8,88%) são de escolas privadas e onze (24,44%) de escolas públicas. Foram citadas vinte respostas diferentes com relação ao tipo de dificuldades; entre elas, as mais comuns referem-se à falta de material didático, com oito (40%) das respostas, e a falta de capacitação específica sobre o tema, com quatro (20%) das respostas. (Tabela 1)

 

 

Investigou-se, também, a opinião dos docentes sobre a importância em trabalhar a saúde com os alunos. Houve sessenta respostas diferentes, agrupadas em sete categorias, e o maior número delas relacionou-se com a importância da saúde e de seus cuidados com 17 (28,33%) das respostas e "prevenir e conhecer as doenças" com 12 (20%) delas. (Tabela 2)

 

 

Discussão

De uma maneira geral, as características da amostra deste trabalho se assemelham às citadas em Espósito et al. (1998), onde se expõe um estudo para caracterizar os professores do 1º grau dos estados de São Paulo, Maranhão e Minas Gerais. Aqueles autores verificaram que 94% dos entrevistados eram do sexo feminino e 49% se concentravam na faixa etária compreendida entre 35 e 45 anos. Nesse estudo a maior parte dos docentes tinham o terceiro grau completo. Davis et al. (1998), com o intuito de caracterizar os professores que atuam nas séries iniciais no estado de São Paulo, desenvolveram outro estudo, no qual a totalidade dos docentes pesquisados era do sexo feminino e o número de docentes com o terceiro grau completo (39%) era equivalente ao dos que possuíam apenas o magistério (40%). Dessa maneira podem-se observar algumas tendências entre os professores do ensino fundamental: são do sexo feminino, têm idade superior a 35 anos e possuem titulação de curso superior e de magistério.

Com relação ao tema 'saúde' no processo de formação para docência, 77,7% dos professores afirmaram ter estudado conteúdos de saúde; destes, 26,64% não consideraram tal estudo satisfatório. Os principais motivos alegados referem-se às informações – passadas de maneira superficial (50%) – e à qualidade do material didático utilizado (16,66% das respostas). Observou-se que entre os docentes insatisfeitos com tal estudo, apenas 24,99% eram de escolas privadas, contra 74,98% de escolas públicas. Tais dificuldades, relatadas pelos docentes no comentário à sua formação, também foram descritas por Focesi (1992). Para esse autor, as formas pedagógicas devem ser repensadas na busca de uma maior e melhor capacitação ao enfocar-se a temática de saúde. Acrescentando-se aos trabalhos já citados, Misrachi et al. (1994) advogam a adoção de outras metodologias no processo de capacitação dos docentes, no que se refere à temática da saúde.

Quando os professores que participaram do estudo foram indagados sobre os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs), a grande maioria respondeu tê-los estudado (75,55%); apenas 15,55% não o estudaram. Com relação ao estudo do tema transversal 'saúde', os percentuais foram os mesmos citados anteriormente. Não se percebeu diferença significativa entre o percentual de docentes que forneceram tais respostas nas escolas privadas e nas públicas. Estes dados chamam atenção, uma vez que todos os professores deveriam ter feito tal estudo. Afinal, cabe a eles grande parte da responsabilidade para a implementação do modelo educacional proposto pelos PCNs.

Perguntamos aos docentes se eles se consideravam preparados para trabalhar o tema transversal 'saúde', e 60% responderam afirmativamente. Este último percentual chama atenção pelo fato de representar uma considerável parcela dos participantes, não ocorrendo diferença entre o número observado nas escolas privadas e nas públicas. A falta de conhecimento mais aprofundado sobre saúde (68,38%) e a falta de material didático adequado (27,27%) foram os motivos alegados pelos professores para a falta de tal preparo. Esses achados chamam atenção para a necessidade de um bom processo de formação para a docência e de capacitações que envolvam temáticas de saúde. Alguns autores retratam questões que também evidenciam tal preocupação, como Ferriani e Ubeda (1998), que evidenciaram as dificuldades dos professores ao depararem com problemas de saúde de seus alunos, quando geralmente recorrem aos profissionais dessa área. Oliveira (1997) ressalta que os docentes geralmente não conhecem as características do desenvolvimento dos escolares, o que pode dificultar o trabalho de questões ligadas à saúde. Conceição (1994), em seus estudos também conclui que os professores não são adequadamente preparados para trabalhar com o ensino de saúde, idéia corroborada por Oliveira e Silva (1990), os quais caracterizam o processo de formação dos docentes como falho nessa área, geralmente centrado nas práticas pedagógicas transmissoras de informações desvinculadas da realidade.

Ao serem questionados sobre as possíveis dificuldades em se trabalhar a temática 'saúde' no ambiente escolar, 66,66% dos professores responderam não perceber tais dificuldades. Entre os professores de escolas públicas, 24,44% notaram dificuldades. Entre as dificuldades encontradas, a falta de material didático (40%) foi a mais relatada nos dois grupos, seguida da falta de capacitação sobre a temática de saúde (20%). Outros tipos de dificuldades também foram citados: a falta de apoio no ambiente familiar dos alunos (15% do total de respostas), e a falta de recursos humanos (10% das respostas), por exemplo. Todas estas últimas categorias foram relatadas por docentes de escolas públicas, segundo os quais, seus trabalhos não têm continuidade dentro do ambiente familiar dos alunos em virtude da falta de estrutura social existente (nível educacional dos pais, falta de condições de higiene, moradia e alimentação, por exemplo). A falta de recursos humanos foi a resposta mais comum em relação à ausência de profissionais de saúde trabalhando nas escolas. Segundo os docentes, esses profissionais deveriam dar subsídios às práticas de saúde desenvolvidas nas escolas. Nesse aspecto, Focesi (1990) ressalta as funções a serem desenvolvidas dentro do ambiente escolar, como a de apoiar as atividades de saúde desenvolvidas pela escola de uma maneira geral, o que vem ao encontro da opinião dos professores que apontaram tais problemas. Alguns relatos presentes nos estudos já publicados fazem referência à questão do ambiente familiar. Segundo o Ministério da Educação e do Desporto (1998), as crianças geralmente trazem para o ambiente escolar comportamentos de saúde oriundos de suas famílias. Tal idéia também é citada por Krebs (1995), e pode representar um vínculo a ser utilizado entre a escola e a família, já que o escolar ser encontra em um contexto que compreende as inter-relações entre os diferentes sistemas. Desta forma, é pertinente a preocupação com o ambiente familiar citada por alguns docentes participantes deste estudo.

Quando questionados sobre a importância de trabalhar a temática 'saúde' com os alunos, os professores responderam de maneira pouco específica, ressaltando a "Importância da saúde e dos seus cuidados", com 28,33% de respostas, seguido da categoria "Prevenir e conhecer as doenças", com 20%. A questão de "Cuidados com a higiene e a alimentação" também foi citada, com 15%, mesmo nível da categoria "Preparar e capacitar os alunos", outro exemplo de resposta pouco específica, generalista. Em menor percentual (8,33%), embora de grande importância, surge o "Respeito à cidadania e à qualidade de vida" — a maior parte dessas respostas provindo da rede privada de ensino (6,66%).

Pode-se observar, por essas respostas, que os professores não conseguem ver a saúde como uma questão global, que não envolve questões apenas relacionadas a higiene, alimentação e doenças. Poucos foram os que conseguiram desenvolver uma conexão importante da saúde com as questões da qualidade de vida e da cidadania, temáticas mais abrangentes e complexas. Uma grande parte também não consegue apresentar um discurso mais consistente sobre a importância da saúde; relatam as idéias de forma vaga – "preparar e capacitar os alunos", por exemplo – , não se detendo em questões mais específicas. Um estudo que vem confirmar os dados encontrados nesse questionamento é o de Bicudo et al. (1990), que observou, entre professores de 1ª a 4ª séries, a percepção de que sua função primordial estava relacionada à transmissão de conhecimentos, principalmente, de higiene.

Conceição (1990), conceitua "saúde do escolar" como um conjunto de diversas ações que devem envolver tanto os profissionais da área da saúde como os da educação, com o objetivo de promover, proteger e recuperar a saúde das coletividades integrantes do sistema educacional. Desta forma, observa que a questão da saúde escolar precisa ser mais bem trabalhada com os docentes – os quais ainda não concebem muito bem o real significado dessa prática – e com toda a escola. É necessária a realização de capacitações e treinamentos para os profissionais do campo educacional, além de um maior envolvimento dos profissionais da área da saúde. Estes últimos devem dar uma maior contribuição para um bom desenvolvimento das ações de saúde no ambiente escolar, em especial fornecendo um maior suporte aos educadores – elementos fundamentais no processo de construção e mudança de comportamento.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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Recebido para publicação em maio de 2003.
Aprovado para publicação em setembro de 2003.

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