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História, Ciências, Saúde-Manguinhos

Print version ISSN 0104-5970On-line version ISSN 1678-4758

Hist. cienc. saude-Manguinhos vol.15  suppl.0 Rio de Janeiro  2008

http://dx.doi.org/10.1590/S0104-59702008000500013 

NOTA DE PESQUISA

 

Emilia Snethlage (1868-1929): uma naturalista alemã na Amazônia

 

Emília Snethlage (1868-1929): a german naturalist in the Amazon

 

 

Miriam Junghans

Mestranda do Programa de Pós-graduação em História das Ciências e da Saúde da Casa - de Oswaldo Cruz/Fundação Oswaldo Cruz - Rua Justiniano da Rocha, 100/201 - 20551-010 Rio de Janeiro - RJ Brasil. miriamjung@gmail.com

 

 


RESUMO

A ornitóloga alemã Emilia Snethlage (1868-1929) desenvolveu sua carreira científica no Brasil, trabalhando no Museu Paraense Emilio Goeldi e no Museu Nacional do Rio de Janeiro. Um dos pontos altos da sua obra científica foi o "Catálogo das aves amazônicas", publicado em 1914. Outro foi a travessia que realizou a pé, acompanhada apenas por guias índios, entre os rios Xingu e Tapajós, em 1909, percorrendo um território até então desconhecido. A historiografia das ciências no Brasil apresenta, até agora, poucos exemplos da atuação feminina no campo das ciências naturais antes da fundação das universidades na década de 1930. A análise da trajetória de Emilia Snethlage, articulando questões de história das mulheres e o estudo das formas de inserção da cientista em redes institucionais e sociais, poderá contribuir para o melhor entendimento de campos historiográficos pouco percorridos.

Palavras-chave: Emilia Snethlage (1868-1929); mulheres cientistas; ciências naturais; museus.


ABSTRACT

The German ornithologist Emilia Snethlage (1868-1929) spent her scientific career in Brazil, working at the Museu Paraense Emilio Goeldi in the state of Pará and at the Museu Nacional in Rio de Janeiro. One of the highlights of her scientific work was her catalog of Amazonian birds, published in 1914. Another was her travels by foot through the unknown regions between the Xingu and Tapajós rivers in 1909, accompanied solely by Indian guides. To date, the historiography of the sciences in Brazil has provided few examples of female engagement in the field of the natural sciences prior to establishment of universities in the 1930s. Conjoining issues in women's history with the study of the roles played by this female scientist in institutional and social networks, this analysis of Emília Snethlage's career can help us better understand little explored fields of historiography.

Keywords: Emilia Snethlage (1868-1929); women scientists; natural sciences; museums.


 

 

A zoóloga alemã Emilia Snethlage (1868-1929) chegou a Belém do Pará em 1905. Sua carreira científica como ornitóloga, desenvolvida no Brasil, foi bastante produtiva e é reconhecida pelos profissionais da área. Uma das suas realizações mais importantes foi a organização do "Catálogo das aves amazônicas" (Snethlage, 1914a). A travessia que realizou a pé, acompanhada apenas por guias índios, entre os rios Xingu e Tapajós, em 1909, percorrendo um território até então desconhecido pela cartografia, teve repercussão internacional (Snethlage, 1912b). Em 1914 foi nomeada diretora interina do Museu Paraense Emílio Goeldi e, a partir de 1922, trabalhou como naturalista viajante para o Museu Nacional do Rio de Janeiro. Em 1926 tornou-se membro da Academia Brasileira de Ciências.

A historiografia das ciências no Brasil apresenta, até agora, poucos exemplos da atuação feminina no campo das ciências naturais antes da fundação das universidades na década de 1930. Além disso, a produção historiográfica recente revela especificidades no processo de institucionalização das ciências no Brasil. De maneira diferente do que ocorreu em outros países latino-americanos1, as ciências no Brasil não se institucionalizaram segundo o modelo do eixo norte-atlântico, a partir das universidades, e sim por meio dos museus e dos institutos de pesquisa (Lopes, 1997, p.21). A análise da trajetória de Emilia Snethlage, articulando questões de história das mulheres com o estudo das formas de inserção da cientista em redes institucionais e sociais poderá contribuir, portanto, para o melhor entendimento de campos historiográficos até agora pouco percorridos.

 

'Senhorinha doutora'

Nascida em 13 de abril de 1868, na província de Brandenburgo, ao norte de Berlim, Emilia, como assinava nos textos publicados no Brasil, era filha de um pastor luterano, Emil Snethlage, e de sua esposa Elisabeth. Aos quatro anos ficou órfã de mãe e foi educada em casa pelo pai, como ocorria muitas vezes nas famílias protestantes. Aos 21 anos prestou o exame oficial do governo prussiano que lhe permitia lecionar. Após passar um ano na Suíça, aperfeiçoando os seus conhecimentos de francês, começou a trabalhar como preceptora na Inglaterra, na Irlanda e na própria Alemanha. Na análise de Michelle Perrot (1993, p.169), a atuação das mulheres como preceptoras ou governantas, no século XIX, era uma opção profissional para as filhas das elites empobrecidas ou da burguesia intelectual e lhes concedia certa liberdade, acompanhada no entanto por uma identidade social ambígua. Por um lado, lhes era permitido circular por todo o continente, numa emulação da Bildungsreise, do Grand Tour tão desejável para a formação profissional e socialização masculinas. Por outro, o trabalho tinha vários aspectos negativos, e a reputação daquelas que a ele se dedicavam não era das melhores. Forçadas a conviver com a intimidade de uma família que não era a sua, as mulheres sozinhas, solteiras e sem filhos representavam um perigo potencial para a estabilidade emocional dos casais para os quais trabalhavam. Sua posição de intermediárias entre os filhos e os pais não era menos delicada. O cotidiano das preceptoras e governantas era marcado por fortes contradições: sua educação permitia que elas aspirassem a um lugar de gentlewoman, ao passo que suas atribuições as equiparavam, muitas vezes, às criadas sem educação formal. Sua identidade social é permeada pelo que Elias (1997, p.37) denomina "sentimento geral de incerteza", originado pela indeterminação das relações de poder. A zoóloga e militante feminista Bertha Lutz (1849-1976) nos legou um esboço biográfico de Snethlage2, no qual considera a opção profissional das preceptoras uma "trilha que sufocou muitas vocações brilhantes". Emilia Snethlage, ao contrário, parece ter feito dessa trilha um caminho para atingir maior independência pessoal.

Em 1899, com mais de 30 anos, Snethlage inscreveu-se na Universidade de Berlim para estudar história natural. Não são claros os fatores que a levaram a redirecionar sua vida, embora seja razoável imaginar que redes familiares e sociais desempenharam papel importante nessa decisão. No final do século XIX e nos primeiros anos do XX, as universidades alemãs, pressionadas por movimentos pelos direitos femininos, começaram a aceitar oficialmente a matrícula de mulheres em seus cursos. Até então era permitido a mulheres, em casos excepcionais, assistir a aulas como ouvintes, e algumas chegavam a graduar-se.3 Emilia Snethlage esteve entre as primeiras mulheres a cursar a universidade na Alemanha. Estudou história natural em Berlim, Jena e Freiburg, onde doutorou-se em 1904, summa cum laude, com tese sobre a origem da inserção da musculatura dos insetos, por ela mesma ilustrada.

Na transição do século XIX para o XX a zoologia, na Alemanha, estava sob o influxo poderoso de dois expoentes do darwinismo, Haeckel (1834-1919) e Weismann (1834-1914), os quais, de acordo com o zoólogo brasileiro Alípio de Miranda Ribeiro (mar. 1926, p.81), foram professores de Snethlage. Ernest Haeckel, discípulo de Virchow (1821-1902), pontificava em Jena, centro do darwinismo na Alemanha de então. Tendo traduzido Darwin para o alemão, era conhecido como o "buldogue de Darwin no continente".4 No estudo dos processos evolutivos, Haeckel propôs o que seria conhecido (e contestado) mais tarde como a teoria da recapitulação embrionária, que liga a ontogenia (desenvolvimento da forma) à filogenia (descendência evolutiva). Foi professor de anatomia comparada e zoologia em Jena durante quase cinqüenta anos, de 1862 a 1909. Já Friedrich Weismann, aluno de Rudolph Leuckart (1822-1898) em Gießen, foi, de acordo com Ernst Mayr, o nome mais importante da teoria da evolução depois de Darwin. Num momento em que a zoologia conquistava espaço como disciplina independente, separando-se da medicina, foi de Weismann a primeira cátedra da nova disciplina na Alemanha. Ele lecionou em Freiburg am Breisgau, onde Snethlage se formou, entre 1863 e 1912.

Tendo completado seus estudos em 1905, a 'senhorinha doutora'5 voltou a Berlim, onde passou a trabalhar no Museu de História Natural como assistente de zoologia, sob as ordens do decano do museu, o ornitólogo alemão Anton Reichenow (1847-1941). Seu contato com Reichenow fortaleceria as ligações profissionais estabelecidas a partir da sua passagem pelas universidades e se mostraria essencial em vários sentidos. Foi por intermédio de Reichenow que Snethlage soube que estava aberto o cargo para um profissional de zoologia num museu da América do Sul, em Belém do Pará. Além disso, Reichenow estava no centro das redes que ligavam os profissionais da ornitologia alemã. No início da conturbada história da ornitologia alemã - cujos meandros e desdobramentos ultrapassam o âmbito deste trabalho -, estava presente o sogro de Reichenow, Jean Louis Cabanis (1816-1906), um dos fundadores da Deutsche Ornithologen-Gesellschaft (DO-G; Sociedade dos Ornitólogos Alemães) em 1850. Cabanis fundou, em 1853, o Journal für Ornithologie e, em 1867, a dissidência da DO-G, a Deutsche Ornithologische Gesellschaft (DOG; Sociedade Alemã de Ornitologia), da qual o Journal tornou-se órgão oficial.

Reichenow foi eleito secretário-geral da DOG em 1893 e entre esse ano e 1921 foi redator-chefe do Journal für Ornithologie, além de editar o Ornithologishe Monatsberichte.6 Nessas duas publicações, que estavam entre os mais importantes órgãos de divulgação da ornitologia em língua alemã e eram internacionalmente reconhecidas, vieram à luz 21 dos mais de quarenta artigos publicados por Snethlage com base em seu trabalho no Brasil. Mas estamos nos adiantando; retornemos a Belém do Pará em 1905.

 

Uma 'colônia científica'

No Brasil, o final do século XIX viu surgirem ou serem reestruturados grandes museus de história natural que contribuíram para a profissionalização das atividades científicas, formando a base sobre a qual se estabeleceram as ciências naturais no Brasil (Lopes, 1997, p.21). O positivista Lauro Sodré (1858-1944), governador do Pará entre 1891 e 1897, organizou e incentivou diversas instituições culturais que deveriam funcionar como 'vitrine' para o grau de civilização alcançado pela sociedade paraense, testemunhando seu progresso material7, bem como contribuir para o esclarecimento e cosmopolitismo das suas elites. Entre essas instituições estava o Museu Paraense, fundado em 1866. Com o objetivo de reorganizar a instituição sob uma diretriz científica, o governador contratou em 1894, para dirigi-la, o zoólogo suíço Emilio Goeldi (1859-1917) (Sanjad, 2005). Goeldi havia estudado zoologia e anatomia comparada em Leipzig e Jena, onde alguns anos mais tarde estudou Emilia Snethlage.

Como vimos, as universidades alemãs estavam, na segunda metade do século XIX, sob o impacto da teoria evolucionista de Darwin, em especial no campo zoológico. Snethlage e Goeldi compartilharam dos ensinamentos de Haeckel, e Goeldi foi aluno de Leuckart, professor de Weismann, sob cuja orientação Snethlage estudou em Freiburg. Essas universidades, interligadas por linhagens acadêmicas, formavam uma matriz institucional na qual se falava, de maneira geral, a mesma linguagem científica; ou seja, o conhecimento era produzido em um marco teórico e prático semelhante. Para Goeldi, Snethlage e outros cientistas que trabalharam no Museu Paraense, como veremos adiante, essa linguagem comum teve forte influência na produção científica ali desenvolvida.

Goeldi veio para o Brasil logo depois de formado, atendendo a convite de Ladislau Netto (1838-1894), diretor do Museu Nacional do Rio de Janeiro, e trabalhou como zoólogo nessa instituição durante cinco anos. Ao transferir-se para Belém do Pará, em 1894, deu início a profunda reestruturação do Museu Paraense, que o consolidou, além de ter formulado, pela primeira vez no país, de acordo com Sanjad (jul.-dez. 2006, p.455), um "projeto científico claro e coerente para a Amazônia". A reorganização do museu incluiu um novo nome - Museu Paraense de História Natural e Etnografia8 - além de "um regimento, uma produtiva equipe de cientistas e infra-estrutura adequada para a investigação e para as atividades museológicas" (p.455). As novas instalações do Museu Paraense deveriam seguir o modelo empregado internacionalmente no final do século XIX, tanto em museus metropolitanos como em museus coloniais, que, inspirados nos templos clássicos gregos, passaram a ocupar edifícios monumentais e impressionantes, para atender ao prestígio nacional e ao orgulho cívico (Sheets-Pyenson, 1986).

Mesmo as instalações ocupadas a princípio provisoriamente, reproduziam um espaço distante e idealizado: a Europa. Sob a orientação de Goeldi e situando-se em local um pouco distante do centro da cidade, as dependências do museu tomaram uma forma bastante peculiar: o lago das aves aquáticas apresentava os contornos do lago Maggiore, da Itália, e o lago para as vitórias-régias inspirava-se no formato do Mar Negro, na Rússia. Além disso, "todas as residências e os laboratórios construídos tiveram a forma de chalés suíços". Como observa Sanjad (2005, p.171), "ali, apenas plantas e animais eram amazônicos, o restante, Europa transplantada".

Mas não apenas no aspecto físico o renovado museu lembrava a velha Europa. O regulamento estabelecido por Goeldi para a contratação de pesquisadores exigia a formação em ciências naturais, especialidade inexistente no Brasil. Para preencher os cargos ele recorreu ao seu círculo de relações acadêmicas nos museus e universidades da Europa Central. Além das condições claramente expressas no regulamento, havia outras, como a obrigatoriedade do domínio da língua alemã, o que, na prática, limitava a origem dos candidatos às instituições científicas centro-européias. Esses cientistas mantinham-se diretamente conectados às suas instituições e redes sociais e acadêmicas de origem. Além disso, por sua proveniência e formação homogêneas, mantinham entre si forte unidade cultural e científica (Sanjad, 2005, p.187-188). O conhecimento que era produzido e circulava entre o Museu e a Europa não necessitava tradução. Formava-se, assim, o que Goeldi denominou "uma colônia científica" (Goeldi, 1897, p.14, citado em Sanjad, 2005, p.169), constituída pelo imbricamento de vários planos.

Em meados de 1904, o auxiliar de zoologia suíço Gottfried Hagmann (1874-1946) teve um desentendimento com Goeldi e afastou-se do Museu. Para substituí-lo, o diretor acionou a sua rede de contatos nas universidades e museus da Europa, exigindo "formação em ciências naturais", a publicação de "trabalhos originais" e "probidade científica" (Regulamento..., 1894, p.26, citado em Sanjad, 2005, p.26). Em Berlim, o ornitólogo Anton Reichenow conhecia uma pessoa que preenchia esses requisitos e estaria disposta a viver no Brasil.

Na sua chegada, Emilia Snethlage encontrou um meio geográfico, a Amazônia, e uma coletividade, a sociedade belenense do início do século XX, muito diferentes daqueles nos quais vivera até então. Para o coletivo social e cultural local, também a cientista representava uma diferença, um 'corpo estranho'. Isso poderia ter inviabilizado sua permanência no Brasil, pois os contrastes, em ambos os sentidos, eram bastante acentuados. A instituição que a acolheu, no entanto, estava plenamente inserida num duplo registro, o do contexto científico internacional e o da estrutura social local. O museu dedicava-se à produção e à difusão de conhecimentos sobre a Amazônia e contava com o apoio dos governantes locais e a admiração da população, que o freqüentava com assiduidade. No museu, 'Europa transplantada', Emilia Snethlage pôde manter-se conectada a sua origem profissional, social e cultural, e foi esse núcleo homogêneo que permitiu sua inserção no reino tradicionalmente masculino do espaço público.

Chegando a Belém do Pará em 1905, aos 37 anos, a doutora Snethlage deu início a sua carreira profissional como ornitóloga, campo no qual deixou uma contribuição expressiva para a ciência brasileira.9 A profissionalização da ornitologia ocorreu de forma diferente das demais disciplinas das ciências naturais. A forte tradição amadora européia, a partir da qual as outras disciplinas se institucionalizaram no século XIX, persistiu na ornitologia até a década de 1970 (Ainley, 1987, p.60), o que certamente levou a disputas mais acirradas pelos cargos existentes e minimizou a possibilidade de participação das mulheres.10 Mariza Corrêa (2003) levanta dados referentes aos Estados Unidos, dos quais depreende ter havido reduzidas possibilidades de uma mulher fazer pesquisas próprias nessa área; muito mais provável seria passar toda sua vida profissional no papel de assistente.

Embora possamos apenas conjecturar sobre os fatores considerados por Emilia Snethlage ao aceitar o convite de Goeldi, a oportunidade de desenvolver uma trajetória profissional de alcance mais amplo podia estar entre eles, e sua decisão mostrou-se, nesse aspecto, acertada. A cientista foi contratada pelo Museu Goeldi para trabalhar como assistente da Seção de Zoologia, cuja direção Goeldi acumulava com a direção do Museu. Com o retorno deste à Suíça em 1907, Snethlage passou à diretora da Seção, chegando a diretora interina da instituição após a morte do então diretor, o botânico suíço Jacques Huber (1867-1914), função que ocupou até 1917, quando o Brasil declarou guerra à Alemanha. Cessadas as hostilidades foi reempossada, permanecendo no cargo até 1921 (Cunha, 1989, p.94).

A primeira atividade de Snethlage como assistente foi um levantamento do material disponível para estudos e comparações, que lhe pareceu incompleto. Solicitou então ao ornitólogo alemão Hans von Berlepsch (1850-1915) que a auxiliasse a determinar o material existente antes da sua chegada, passando então a fazer ela mesma a classificação dos espécimes coletados, com o apoio da rede de contatos profissionais que estabelecera durante sua formação e seu trabalho na Europa. O discurso de Miranda Ribeiro, por ocasião da recepção da doutora Snethlage como membro da Academia Brasileira de Ciências, em 1926, permite reconstruir parte dessa rede de relações e nos fornece um panorama dos profissionais da ciência zoológica da época. Na ornitologia, segundo ele, além de ter trabalhado em conjunto com o grande colecionador alemão que foi Berlepsch, Snethlage estava em contato com o austríaco Carl (Charles) Hellmayr (1878-1944), especialista em ornitologia neotropical que, como curador de ornitologia do Museu de Munique, estudou os pássaros levados a Viena por Spix, e com Ernst Hartert (1859-1933), ornitólogo alemão que viajou pela América do Sul e foi curador do Museu Tring, em Hertfordshire, na Inglaterra, sede da British Ornithologist's Union, da qual Snethlage foi Honorary Lady Member. Outro de seus interlocutores foi Olfield Thomas (1858-1929), chefe da Seção de Mamíferos do Museu Britânico de História Natural entre 1880 e 1929, que descreveu 848 mamíferos dos neotrópicos. O contato com o Museu de História Natural de Viena era feito por intermédio do ictiólogo austríaco Franz Steindachner (1834-1919), especialista em fósseis.

Suas muitas viagens de coleta e estudos pela região, somadas ao trabalho de classificação e sistematização dos espécimes, resultaram em grande número de publicações no Brasil e no exterior. Para difundir o seu trabalho, Snethlage contou principalmente com o Journal für Ornithologie e o Ornithologische Monatsberichte, de Reichenow. Um levantamento dos trabalhos publicados por Snethlage relaciona 43 artigos, dos quais 25 estão em alemão, um em inglês e o restante em português, estes tendo sido publicados nos boletins do Museu Paraense e do Museu Nacional. A produção científica de Emilia Snethlage permite perceber com clareza uma das características da ciência praticada pelos cientistas estrangeiros nos museus de História Natural no Brasil, no início do século XX, que é a forte inserção na produção científica internacional. As instituições brasileiras, no entanto, também comparecem com um número expressivo de publicações, até mesmo com algumas traduções de obras publicadas anteriormente em alemão.

O ponto alto da produção de Snethlage é o "Catálogo das aves amazônicas", de 1914, baseado nas coleções do Museu, obra elaborada sob orientação de Goeldi e que complementava o seu Álbum de aves amazônicas, de 1900. O Catálogo inicia com um esboço da região e um resumo das explorações ornitológicas feitas primeiramente pelo naturalista alemão Humboldt (1769-1859)11 e, depois, por Spix (1781-1826) e segue com o exame do material disponível até 1913. Suas descrições e análises técnicas serviram de base para os estudos ornitológicos dos setenta anos seguintes (Cunha, 1989, p.91).

 

Travessias

Parte importante das atividades de um ornitólogo consiste no trabalho de campo, o que foi muitas vezes apresentado como impedimento para a efetiva participação das mulheres nas ciências naturais. A vida profissional de Emilia Snethlage caracterizou-se por um intenso trabalho de campo, em viagens e excursões para coleta de espécimes, em geral acompanhada por um preparador. Outras mulheres percorreram a região amazônica antes da naturalista, mas em geral com objetivos bastante diferentes do trabalho científico por ela desenvolvido. Os dois exemplos seguintes apresentam casos que, embora próximos ao de Snethlage no aspecto científico, diferem em relação a outros fatores significativos. A princesa Teresa da Baviera (1850-1925), doutora honoris causa pela Universidade de Munique e ávida coletora de espécimes para suas coleções, percorreu parte da Amazônia em 1888, acompanhada da sua dama de companhia e de dois ajudantes (Bussmann, Neukum-Fichtner, 1997). E, a partir de 1895, Ottile Coudreau (1870-1910), cartógrafa, desenhista e topógrafa, com seu marido, o explorador e geógrafo francês Henri Coudreau (1859-1899), fez pesquisas na região amazônica; com a morte do esposo, e para honrar o contrato firmado com o governo do Pará, assumiu o controle das expedições e publicou os resultados (Corrêa, 2003, p.220). Essas mulheres diferenciam-se de Snethlage principalmente por seu estatuto de visitantes ocasionais e temporárias na sociedade da qual a naturalista participou de forma mais permanente. Ademais, elas eram legitimadas, uma, por um título de nobreza ligado às casas mais importantes da Europa, e outra, por estar ali numa missão profissional atribuída ao seu marido, ainda que a tenha assumido posteriormente. Já a legitimidade de Snethlage provinha da sua atuação profissional e da instituição que representava.

Na trajetória científica de Emilia Snethlage as viagens tiveram papel essencial, tanto durante a sua permanência na Amazônia quanto a partir de 1922, quando passou a desempenhar a função de naturalista viajante do Museu Nacional do Rio de Janeiro. A mais importante dessas jornadas, que repercutiu intensa e favoravelmente nos meios científicos do Brasil e do exterior, foi a travessia entre os rios Xingu e Tapajós, em 1909, acompanhada apenas por índios e tendo que vencer toda sorte de dificuldades (Snethlage, 1912b). A região ainda não havia sido percorrida por nenhum branco. O alemão Van den Steinen (1855-1929), em 1884, e Coudreau, em 1895-1896, haviam explorado o curso médio desses rios sem avançar para o interior. Coudreau levantou a hipótese de uma comunicação hidrográfica entre esses afluentes do Amazonas; a suposta ligação entre os rios brasileiros, mesmo se fosse temporária e existisse apenas durante o inverno, tempo das cheias, facilitaria o povoamento e a exploração econômica da região. Emilia Snethlage, no entanto, quando iniciou a travessia, já tinha conhecimento da inexistência dessa suposta ligação. O inesperado foi encontrar, durante a parte terrestre da viagem, uma serra granítica de aproximadamente quinhentos metros de altura, que teve de ser atravessada com os parcos meios de que dispunham. O resultado da expedição foi o traçado do curso do rio Jamanxim, principal tributário da margem direita do Tapajós, que corrigiu as informações "escassas e não sempre exatas" deixadas por Coudreau. Suas descrições do percurso são repletas de detalhes etnográficos12, e com base em suas pesquisas e anotações Snethlage pôde publicar um vocabulário comparativo dos Chipaya e Curuahé (Snethlage, 1912c).

A descrição da travessia também permite examinar as relações dos cientistas do Museu com os habitantes da região. Os funcionários recebiam especial apoio dos proprietários de fazendas e seringais, que procuravam facilitar o trabalho dos viajantes proporcionando abrigo e meios de transporte, fazendo contato com guias índios e colocando seus empregados à disposição dos pesquisadores. Desses relacionamentos amistosos, que incluíam a aceitação da presença de Snethlage como cientista, pode-se depreender tanto a legitimidade adquirida pelo Museu Paraense sob a direção de Goeldi, quanto o renome alcançado pela doutora, que foi representada, num livro de Raimundo de Morais sobre a região, como a "alemoa do Museu. [Que] sabe de um tudo" (citado em Corrêa, 2003, p.78).

Apesar da legitimidade profissional e institucional que a acompanhava, Snethlage tinha consciência da ambigüidade do seu estatuto social. No discurso de Miranda Ribeiro (mar. 1936) na Academia Brasileira de Ciências, podemos reconhecer sua consciência em relação a isso: "A maior satisfação que eu tive ... foi receber uma carta com o endereço 'Ao dr. Emilio Snethlage': isso convenceu-me de que havia feito um trabalho de homem" (p.79). Para reduzir o impacto dessa indeterminação, Snethlage procurava manter uma aparência física sóbria e feminina. Usava calças compridas apenas quando ia a campo e mantinha os cabelos longos, embora admitisse: "a moda dos cabelos curtos seria de fato muito cômoda para uma naturalista, mas as senhoras, no interior, poderiam estranhar" (Cunha, 1989, p.98). O cuidado demonstrado com o aspecto físico, o renome profissional e o reconhecimento público proporcionado pela instituição da qual fazia parte somavam-se para demarcar o lugar de Emilia Snethlage na vida e no imaginário social de Belém do início do século passado. Em determinado momento, no entanto, essa bem urdida trama começou a esgarçar.

Assim como o grande momento do Museu Paraense configurou-se em razão de vários fatores, também seu declínio não aconteceu de maneira abrupta; para ele contribuíram, entre outros, elementos econômicos e políticos, institucionais, regionais e internacionais. Em 1907 Emilio Goeldi solicitou seu afastamento do Museu e retornou à Suíça natal. Em seu lugar ficou o botânico Jacques Huber, e Snethlage passou a diretora da Seção de Zoologia. O inesperado falecimento de Huber, em 1914, "impele inevitavelmente" a cientista para a direção interina do museu (Cunha, 1989, p.91). A primeira mulher a dirigir um museu no Brasil parece ter chegado a esse cargo de maneira bem pouco triunfal. E o tom melancólico continua durante toda sua gestão, conturbada pelo desenrolar da crise política européia que levou à Primeira Guerra Mundial, alguns meses depois de ter assumido a direção do Museu.

A 'Europa transplantada' foi fortemente influenciada pelos eventos da 'velha Europa'. O governador do Pará, que era novamente Lauro Sodré, demitiu-a do cargo de diretora em 1917, após a entrada do Brasil no conflito, permitindo, porém, que ela permanecesse na chefia da Seção de Zoologia. Em 1918, no entanto, a posição do Brasil em relação à Alemanha tornou-se crítica, em razão do torpedeamento dos navios mercantes, e mais uma vez o governo do estado interveio na administração do Museu, afastando completamente Snethlage enquanto duraram as hostilidades. Com o fim da guerra ela foi reempossada e permaneceu no cargo até 1921.

Quando Snethlage voltou à direção do Museu em 1919, a situação social e econômica da Amazônia se alterara profundamente. O Pará entrava na grande depressão que se estenderia até 1930 e atingiria duramente a instituição. Os cientistas de origem germânica haviam, quase todos, se afastado. A doutora Emilia Snethlage estava deslocada, como mulher sozinha e estrangeira, num espaço social e institucional que se mostrava hostil (Corrêa, 2003, p.104). A situação tornou-se insustentável em 1921, quando a diretora foi acusada, entre outras coisas, de desviar alimentos destinados aos animais e reparti-los entre os funcionários mais necessitados. Ou seja, no registro de ambivalência das suas funções sociais, ela foi acusada de agir 'como mulher', guiada pela emoção, pela compaixão, quando o que se esperava era que 'fizesse um trabalho de homem' e mantivesse a lei e a ordem na instituição. Exonerada das suas funções pelo governador Emiliano de Souza Castro, Snethlage permaneceu na chefia da Seção de Zoologia até transferir-se em 1922 para o Museu Nacional do Rio de Janeiro, como naturalista viajante, a convite do paraense Bruno Lobo, então diretor dessa instituição (Cunha, 1989, p.94).

A serviço do Museu Nacional, Snethlage realizou inúmeras viagens científicas pelo Maranhão, Espírito Santo, Minas Gerais, Bahia, do Paraná ao Rio Grande do Sul, Argentina e Uruguai, além de percorrer um longo trecho do rio Araguaia. Em 1926 foi convidada a ingressar na Academia Brasileira de Ciências. Decidiu, em 1929, percorrer o rio Madeira, o único dos grandes afluentes ao sul do Amazonas que não tinha explorado como desejava. Pretendia ainda estudar a avifauna das fronteiras do Brasil com a Colômbia e com o Equador. A viagem pelo rio Madeira, no entanto, não chegou a se realizar. A doutora Emilia Snethlage faleceu em Porto Velho no dia 25 de novembro de 1929.

 

Considerações finais

Uma mulher chegou a Belém do Pará em 1905: sozinha, cientista, estrangeira. A cada adjetivo acrescentado, o objeto da nossa pesquisa parece distanciar-se mais dos registros historiográficos correntes, apresentando-nos um território não mapeado e (talvez por isso mesmo) inóspito. Ao trabalhar com trajetórias científicas, é impossível não ter em mente o alerta de Bourdieu (1996), de que não é possível separar indivíduo e sociedade. Privilegiar uma instância em detrimento da outra pode lançar-nos, por um lado, de volta aos relatos biográficos triunfalistas e exemplares e, por outro, num enraizamento do indivíduo no contexto. Considerar a ciência uma atividade social que mantém "relações estreitas de interdependência com as esferas do político, do social, do econômico e do cultural" (Figueirôa, 2001, p.243) permite estabelecer um equilíbrio entre os campos. O que Levi (1996) chama de biografia e contexto nos parece particularmente adequado ao estudo da trajetória de Emilia Snethlage: "qualquer que seja a sua originalidade aparente, uma vida não pode ser compreendida unicamente através de seus desvios ou singularidades, mas, ao contrário, mostrando-se que cada desvio aparente em relação às normas ocorre em um contexto histórico que o justifica" (p.176). Esta opção historiográfica apresenta-se capaz de produzir ao mesmo tempo extensão e profundidade, dando relevo à personagem estudada, sem no entanto aprisioná-la em padrões preconcebidos ou numa teleologia. Partindo das singularidades é possível traçar superfícies de análise, imbricamentos sociais, redes de relações que permitem compreender como a experiência única articula-se com o tecido social. A trajetória ímpar de Emilia Snethlage apresenta-nos, então, não uma exceção, mas novas possibilidades.

 

AGRADECIMENTO

A Nelson Sanjad, que gentilmente me cedeu a relação dos artigos publicados por Emilia Snethlage.

 

NOTAS

1 Para uma comparação com a Argentina, ver Garcia, jul.-dez. 2006.

2 Bertha Lutz trabalhava no Museu Nacional na época em que Snethlage foi contratada como naturalista viajante por essa instituição. O esboço biográfico está no discurso feito por Bertha por ocasião do 139º aniversário do Museu Nacional, em 1957.

3 O primeiro país de língua alemã a aceitar mulheres na universidade foi a Suíça, em 1865, seguida pela Áustria, que desde 1878 permitia-lhes assistirem às aulas como ouvintes. Na Alemanha, a Universidade de Freiburg foi a primeira a aceitar oficialmente a matrícula de mulheres, a partir do semestre 1899/1900. As primeiras mulheres doutoraram-se em Freiburg em 1901 e em Jena, em 1904 (o mesmo ano do doutoramento de Snethlage). Na Prússia as mulheres passaram a ser aceitas em caráter oficial na Universidade de Berlim em 1908.

4 Em contrapartida a Thomas Huxley (1825-1895), o "buldogue de Darwin" na Inglaterra. Haeckel era médico e artista, seus desenhos impressionantes influenciaram a art nouveau, mas não impediram que ele fosse envolvido, em 1909, numa controvérsia científica e acusado de modificar seus desenhos para adequá-los à sua teoria. Propôs, entre outros, os termos filo, protista e ecologia.

5 Assim a denominava Alípio de Miranda Ribeiro.

6 Cf. Roland Prinzinger, da Universidade de Frankfurt. Disponível em: http://www.bio.uni-frankfurt.de/stp/; acesso em 25 ago. 2007.

7 A reforma tributária de 1891 que se seguiu à proclamação da República redirecionou para os estados a arrecadação dos impostos sobre exportação, antes drenados pelo governo central. A isso somaram-se a alta da cotação da borracha no mercado internacional e a abertura de novas frentes de exploração extrativista, ocasionando um salto na arrecadação do Pará (Silva, 1996, p.208, citado em Sanjad, 2005, p.141).

8 Nome alterado, em 1900, para Museu Goeldi e, em 1931, para Museu Paraense Emilio Goeldi.

9 Conforme o ornitólogo alemão Helmut Sick (1910-1991), que dedicou a Snethlage o seu livro clássico sobre ornitologia no Brasil, ela foi responsável pela catalogação de sessenta espécies e subespécies novas de aves (Corrêa, 2003, p.218).

10 Uma análise profunda das tradições amadoras na história natural européia, em especial na Inglaterra, pode ser encontrada em Allen (s.d.).

11 Embora tenha percorrido parte da região amazônica na sua viagem de 1799 a 1804, Alexander von Humboldt não chegou a visitar o Brasil.

12 Os trabalhos de etnografia de Snethlage são analisados por Mariza Corrêa no seu livro Antropólogas & antropologia (2003).

 

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Recebido para publicação em fevereiro 2007.
Aprovado para publicação em maio de 2007.

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