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História, Ciências, Saúde-Manguinhos

versão impressa ISSN 0104-5970

Hist. cienc. saude-Manguinhos vol.20 no.1 Rio de Janeiro mar. 2013

 

Pesquisa destaca modelos distintos de classificação das plantas na América do Norte no século XVIII

 

 

Estudo sobre classificação de plantas da América do Norte no século XVIII amplia conhecimento sobre métodos divergentes de classificação e sobre como as pessoas se relacionavam com a natureza. O trabalho do professor Michel Kobelinski, da Universidade Estadual do Paraná, revela que, ao longo da história, os aspectos científicos, medicinais e alimentares, além das questões práticas e mesmo fantasiosas em torno das plantas fazem parte de saberes que incorporaram experiência e observação.

Na investigação do que levou o jesuíta Pierre-François-Xavier de Charlevoix a preterir o modelo taxionômico de Lineu e o que pretendia ao divulgar um catálogo de curiosidades botânicas da Nova França, Kobelinski analisou a obra História e descrição geral da Nova França, especialmente o capítulo "Descrição das principais plantas da América Setentrional" (1744) e a correspondência por ele encaminhada à duquesa de Lesguesdières entre 1720 e 1723. O pesquisador constatou que o modelo de classificação de Charlevoix era proveniente da Idade Média, estabelecendo relações entre as formas das plantas e as funções dos seres humanos. Isso se contrapunha ao método lineano, que estudava as plantas por critérios sexuais, o que atentava contra a moral religiosa.

Charlevoix como religioso, historiador e naturalista procurava se firmar junto ao sistema de poderes na sociedade do Antigo Regime francês. Além dos textos clássicos, utilizou-se das representações iconográficas e discursivas dos naturalistas dos séculos XVI e XVII, procurando relacioná-los à colonização e às missões religiosas, divulgando os fatos pitorescos da história e da natureza canadense em jornais da época. Para atingir públicos distintos como a nobreza e membros instruídos da burguesia e chamar a atenção para os problemas nos territórios ultramarinos, como a perda de identidade, a falta de financiamento e assistência aos colonos, ou mesmo o enfraquecimento da Companhia de Jesus, Charlevoix "procurava conciliar dois tipos de linguagens, uma popular e uma mais elaborada. Soube muito bem conciliar a ideologia cristã com o método crítico e uma visão teológica da história. Sua concepção de mundo vai além da botânica." Suas ideias influenciaram os sistemas de ensino e pensamento da França oitocentista e iluministas como Voltaire, Chateaubriand e Rousseau.

O estudo desenvolvido pelo historiador, "O inventário das curiosidades botânicas da Nouvelle France de Pierre-François-Xavier de Charlevoix (1744)" está publicado na revistaHistória, Ciências, Saúde - Manguinhos, v.20, n.1., jan.-mar. 2013, disponível em http://www.scielo.br/hcsm.

 

 

Contato
Michel Kobelinski
mkobelinski@yahoo.com.br
55 42 35219100
Universidade Estadual do Paraná, Campus de União da Vitória

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