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Horizontes Antropológicos

Print version ISSN 0104-7183On-line version ISSN 1806-9983

Horiz. antropol. vol.4 no.9 Porto Alegre Oct. 1998

http://dx.doi.org/10.1590/S0104-71831998000200002 

Artigos

Pessoa e dor no Ocidente (o “holismo metodológico” na Antropologia da Saúde e Doença)*

Luiz Fernando Dias Duarte1 

1Museu Nacional/Universidade Federal do Rio de Janeiro – Brasil


Resumo

Este trabalho aborda questões centrais presentes em uma antropologia a respeito de fenômenos ditos da “doença” e “saúde”, que busca desconstruir a arraigada percepção de uma “naturalidade” das experiências do sofrimento, do adoecimento e de suas terapêuticas. No entanto, há toda uma produção no campo da assim chamada antropologia médica, em que o corpo volta a estar no primeiro plano, não mais apenas como organismo natural determinante, mas como ente que serve de palco ativo da experiência ou vivência dos sujeitos. Aponta-se criticamente os limites desta posição que lança mão, de fato, de uma concepção de Pessoa (como ser autônomo, singularizado, interiorizado, dependente de um corpo naturalizado, cujo conhecimento e manipulação depende dos saberes científicos especializados), concepção esta que está enraizada na ideologia central da cultura ocidental moderna, o individualismo. A proposta aqui apresentada é a da necessidade de um “culturalismo radical”, de um estranhamento simbólico radical de todas as experiências humanas, percebendo a sua inseparabilidade do horizonte integrado de cada cultura e buscando entendê-lo a partir de categorias mais estruturantes. A ciência social para ser ciência do social necessita de uma “relativa relativização” do sistema ideológico que sustenta o seu próprio projeto de ser ciência e deve buscar aproximar-se do modo pelo qual o homem se realiza no mundo.

Abstract

This paper approaches key issues in the scope of an Anthropology of the so-called phenomena of “disease” and “health” which seeks to deconstruct the common perception where the experiences of suffering, of illness and their therapeutics resources seem “natural”. One stream of this Medical Anthropology, however, has taken the body to be pre-eminent, not only as a natural determining organism, but as an entity that serves as the active locus for the experience of the self. This line of study is seen as limited and biased because it is embedded in a specific notion of Personhood (as a singularized, interiorized subject, dependent upon a naturalized body of which the knowledge depends on specialized scientific knowledge). This notion of Personhood has its roots in an ideology of the individualism that is central to the modem western culture. The quest here points out the need for a “radical relativism” and for a radically symbolic heuristic strangeness toward any human experience, in order to grasp its inseparability from its structuring categories within each cultural system. In order for a social science to be a science of the social it needs a “relative relativization” of the ideological system that supports its own project as a science and it should try to get closer to the way man fulfills himself in the world.

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*Trabalho apresentado na Mesa Redonda 18: “Cultura, Saúde e Doença: Uma Abordagem Antropológica” da XX Reunião Brasileira de Antropologia – ABA, 1996 – Salvador.

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