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Horizontes Antropológicos

Print version ISSN 0104-7183On-line version ISSN 1806-9983

Horiz. antropol. vol.4 no.9 Porto Alegre Oct. 1998

http://dx.doi.org/10.1590/S0104-71831998000200007 

Artigos

A produção simultânea de masculinidades hegemônicas e subalternas*

Michael S. Kimmel1 

1Department of Sociology, SUNY at Stony Brook – Estados Unidos


Resumo

Meu ponto de partida é o argumento de Andre Gunder Frank, que, em seus estudos clássicos sobre América Latina, apontou que o desenvolvimento e o subdesenvolvimento não eram estágios pelos quais todos os países passavam, mas que havia uma relação entre o desenvolvimento e o subdesenvolvimento, em que o desenvolvimento de alguns países implicava o subdesenvolvimento deliberado e específico de outros. Neste sentido, a criação da metrópole implicava simultaneamente a criação da periferia. Assim como no caso do desenvolvimento económico, este processo ocorre também com gênero, no que diz respeito à construção histórica dos significados de masculinidade. À medida que o ideal hegemônico de masculinidade se estabelece, este é criado por oposição a um feixe de “outros”, cuja masculinidade foi problematizada e desvalorizada. O hegemônico e o subalterno emergem em mútua e desigual interação, em uma ordem social e econômica com uma demarcação prévia distorcida de gênero (gendered ). Neste trabalho, localizo a emergência histórica da versão hegemônica de masculinidade nos Estados Unidos e na Europa Ocidental, do século XVIII até o presente. Descrevo as formas pelas quais o “self-made-man” superou e desacreditou outras versões de masculinidade – a de homens negros, imigrantes, homossexuais, velhos, homens de classe alta, homens de classe trabalhadora –, bem como a mulher, na medida em que este se transformava na forma dominante de sucesso com um bias de gênero na arena pública. Descrevo a versão hegemônica de masculinidade – o capitalista globalizado que, em cada país, assiste CNN em hotéis de luxo, fala por telefone celular, usa gravatas poderosas e faz refeições com o poder – como um descendente direto do comerciante do século XVIII.

Abstract

I take the argument of Andre Gunder Frank in his classic studies on Latin America, that economic development and underdevelopment were not simply stages through which all countries pass. Rather, he argued, there was a relationship between development and underdevelopment, that, in fact, the development of some countries implied the specific and deliberate underdevelopment of others. The creation of the metropole was simultaneous and coordinated with the creation of the periphery. As with economic development, so too with gender, with the historical constructions of the meanings of masculinity. As the hegemonic ideal was being created, it was created against a screen of “others" whose masculinity was thus problematized and devalued. Hegemonic and subaltern emerged in mutual, but unequal interaction in a gendered social and economic order. In this paper, I trace the historical emergence of the hegemonic version of masculinity in the United States and Western Europe from the 18th century to the present. I describe the ways in which the “self-made man" displaced and discredited other versions of masculinity – of men of color, immigrants, gay men, older men, upper class men, working class men – as well as women as it became the dominant form of gendered success in the public arena. I then describe the contemporary version of hegemonic masculinity – the global capitalist, watching CNN in luxury hotels in every country, talking on his cell phone, wearing power ties and eating power lunches – as the direct descendent of the 18th century merchant.

Texto completo disponível apenas em PDF.

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Referências

1 GOFFMAN, E. Stigma . Englewood Cliffs: Prentice-Hall, 1963. [ Links ]

2 KIMMEL, M. Manhood in America: a cultural history. New York: The Free Press, 1996. [ Links ]

*Trabalho traduzido por Andréa Fachel Leal. Este trabalho foi originalmente apresentado no Seminário Masculinidades y Equidad de Genero en América Latina, FLACSO, Santiago, Chile, Junho de 1998. Uma versão em espanhol deste texto será publicada no livro com o mesmo título, organizado por Teresa Valdes e com o suporte de FLACSO e UNFPA, Santiago, Chile, 1998.

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