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Horizontes Antropológicos

Print version ISSN 0104-7183On-line version ISSN 1806-9983

Horiz. antropol. vol.4 no.9 Porto Alegre Oct. 1998

http://dx.doi.org/10.1590/S0104-71831998000200012 

Artigos

Doença e cura: sistema médico e representação entre os Hupdë-Maku da região do Rio Negro, Amazonas

Renato Athias1 

1Universidade Federal de Pernambuco – Brasil


Resumo

Este trabalho analisa os itinerários terapêuticos com relação às doenças contagiosas e apresenta uma síntese do sistema médico dos Hupdë-Maku. Os dados desta pesquisa foram colhidos através de trabalho de campo realizado no Rio Negro durante o ano de 1997. A população indígena da região está em contato com as frentes de colonização desde o século XVII e tem-se notícias que ocorreram inúmeras epidemias que dizimaram parte da população. Mesmo existindo – de uma forma precária – serviços de saúde na região e os próprios índios já conhecem a "eficiência" do sistema médico ocidental, desta forma existe uma escolha seletiva do intinerário terapêutico a ser seguido pelos próprios indígenas. Como se dá esta escolha? Qual é o papel do pajé(s)? E como os pajés operam no interior deste sistema? Até então se tem referido em doenças de índios e doenças de branco como categorização na seleção do itinerário terapêutico. No entanto, a lógica na elaboração de representações das assim chamadas doenças-de-branco apenas poderá ser compreendida a partir do entendimento do mito e da cosmologia que, em última instância, estrutura as relações no interior do grupo étnico e no conjunto das relações interétnicas da bacia do Alto Rio Negro. Portanto, a compreensão da existência de interpretações, justapostas ou paralelas, dentro de categorias como doença-de-branco e doenças-de-índios não é apoiada, na prática e nem pela a escolha dos processos terapêuticos.

Abstract

This paper analyses the therapeutic process regarding contagious diseases and it also presents a synthesis of the Hupdë-Maku’s medical system. The data presented were collected through fieldwork accomplished in Rio Negro during the year of 1997. The indigenous population of this area have been in contact with the colonisation fronts since the 17th century. There is information of countless epidemic diseases since this contact, which has decimated the population. Although currently there are health services in the area – precariously provided by government agencies – and therefore the Indians already know the "efficacy" of the western medical system. The research points out the indigenous selective choice of the therapeutic resources. How is this choice made? What is the role of the shaman? And how does the shaman operate inside this system? Researchers have been referring to two categories in the selection of the therapeutic itinerary: diseases- of-Indians and disease-of-white. However, the logic of the representations about the disease-of-white can only be understood throughout their myths and cosmology, in the context of inter-ethnic relationships in the Rio Negro basin. Therefore, the understanding of the categories as disease-of-white and disease-of-Indians, which may be juxtaposed or parallel, are not based on social practices, nor on the choice for therapeutic resources.

Texto completo disponível apenas em PDF.

Full text available only in PDF format.

Referências

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