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Horizontes Antropológicos

Print version ISSN 0104-7183On-line version ISSN 1806-9983

Horiz. antropol. vol.5 no.12 Porto Alegre Dec. 1999

http://dx.doi.org/10.1590/S0104-71831999000300011 

Artigos

A sina de curar: a palavra de um terapeuta religioso*

Núbia Rodrigues1 

Carlos Caroso1 

1Universidade Federal da Bahia – Brasil


RESUMO

Este artigo discute as experiências da vida de um curador afro-descendente, a partir de fragmentos biográficos iniciais, escritos do seu próprio punho e intitulada “Entrada em vida de sofrimento e amargura”. Retornando à tradição antropológica de análise de narrativas e buscando aplicar a proposta de leitura etnocrítica, interpretamos seu discurso para compreender a) sua estratégia narrativa, b) a técnica de construção do texto e c) os significados contextuais do seu discurso, elaborado para reforçar sua condição de sofredor, que constitui o elemento recorrente, a partir do qual ele formula para si uma explicação para sua “sina” de lidar com os sofrimentos e a dor de outrem.

Palavras-Chave: análise de narrativas; cura; etnocrítica; experiências de vida

ABSTRACT

This article discusses the life experiences of an afro-descendent medicine man, based on fragments of his early biography, hand written by himself and named “Entry into a life of suffering and bitterness”. Returning to the anthropological tradition on the study of narratives, and aiming to apply an ethnocritical approach to the reading of the narrative, we have interpreted his discourse in order to understand a) his narrative strategy, b) the technique of text construction and c) the contextual meanings of his discourse, elaborated to reinforce his condition of being a sufferer, and that constitutes the recurring element, out of which he formulates his explanation for his “fate” of healing other peoples suffering and pain.

Key words: ethnocritical approach; medicine; the life experiences; the study of narratives

Texto completo disponível apenas em PDF.

Full text available only in PDF format.

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*Este estudo relaciona-se ao INECOM, Internacional Network for Cultural Epidemiology and Community Mental Health, liderada por Gilíes Bibeau, Université du Montreal, e Ellen Corin, McGill University, Canadá. A pesquisa “Práticas Familiares e Culturais em Saúde Mental na Bahia” e “Estudo dos Signos, Significados e Práticas em Saúde Mental” tiveram suporte do CNPq., Processos 523829/94.9 e 524250/96-0, sendo bolsistas Adenilson Fonseca, Cláudia Oliveira D’Arede e Mônica Lima, Clarice Mota e Adriana Bastos. Versões anteriores foram discutidas com Luiz Fernando Duarte, Luiz Eduardo Soares, Lia Zanotta, Ondina Leal, Tullio Seppilli, Jean-Michel Vidal e Stanley Yoder. Gilles Bibeau, Naomar Almeida-Filho, Ceci Noronha e Lígia Rangel fizeram cuidadosa leitura, oferecendo comentários e sugestões parcialmente incorporados. Agradecemos ainda a todos que leram e fizeram sugestões a este texto.

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