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Horizontes Antropológicos

Print version ISSN 0104-7183On-line version ISSN 1806-9983

Horiz. antropol. vol.7 no.15 Porto Alegre July 2001

https://doi.org/10.1590/S0104-71832001000100003 

ARTIGOS

 

Uma sociedade em mudança: antropologia de uma "transição" na Bulgária

 

 

Sophie Chevalier*

Université Franche-Comte Besançon - França

 

 


RESUMO

Este artigo trata da transição econômica e política na Bulgária. A autora pretende compreender as experiências individuais dos habitantes de uma pequena cidade - em nível local - e ao mesmo tempo as transformações históricas do país. Ela constrói quatro "espaços" conceituais que são quatro esferas de intercâmbio (parentesco; mercado; Estado; Europa). Examina suas situações no espaço (rural e urbano), as relações sociais em cada uma destas esferas, e as identidades invocadas pelas pessoas. Por fim, descreve as conseqüências econômicas e políticas da irrupção de uma nova esfera, a Europa.

Palavras-Chave: Bulgária, esfera de intercâmbio, integração européia, mercado, transição econômica, troca.


Keywords: Bulgary, economic transition, european integration, exchange, interchange sphere, market.


RESUMÉ

L'article porte sur la transition économique et politique en Bulgarie. L'auteur tente d'appréhender les expériences individuelles de ses informateurs - au niveau local - avec les transformations historiques du pays en construisant quatre "espaces" conceptuels qui sont quatre sphères d'échanges (parenté; marché; Etat; Europe). Elle analyse leur inscription spatiale (rural et urbain), les relations sociales mises en œuvre dans chacune de ces sphères et la référence identitaire invoquée. Enfin, elle examine les conséquences économiques et politiques de l'irruption d'une nouvelle sphère qui est celle de l'Europe.


 

 

Depois de 1989, como os outros países da Europa Central e Oriental, a Bulgária atravessa um período de mudanças brutais e extremamente rápidas com profundas repercussões na população. Por isto será necessário fazer referência, às vezes, ao passado próximo e à ruptura que presidiram as transformações que o país conhece hoje.

Este processo de "transição" se acelerou nos últimos tempos. De fato, a Bulgária foi chamada a abrir rapidamente negociações com a União Européia em dezembro de 1999 na reunião em Helsinke, devido a instabilidade regional. A realização de mudanças na sociedade búlgara tem sido apresentada como uma condição ao mesmo tempo ideológica e prática para a entrada deste país na União Européia e freqüentemente legitimada na política interna por esta referência européia.

Estas transformações dizem respeito, certamente, ao sistema político, mas também ao domínio econômico. Estas duas dimensões da vida social estão estreitamente ligadas, se bem que não de uma maneira "natural", como quis durante muito tempo o Ocidente. A transição é descrita com freqüência em termos de oposições como: partido único versus pluripartidarismo e democracia; economia estatal e planificada versus economia de mercado; esfera de influência soviética versus esfera de influência ocidental; etc.

Entretanto, estas descrições não dão conta de um processo complexo, que se passa em vários níveis, sobretudo no cotidiano vivido pelos indivíduos. O olhar antropológico nos permite apreender as experiências dos búlgaros através da etnografia de um lugar. Assim, durante três anos, desenvolvemos uma pesquisa de campo "clássica" em uma pequena cidade do noroeste da Bulgária - Tchiprovtsi - onde procuramos estudar a economia doméstica local através de um estudo dos sistemas de trocas. Ao mesmo tempo, no âmbito de um programa sobre o desenvolvimento (ou expansão européia1), havíamos iniciado um trabalho sobre os programas institucionais de desenvolvimento da economia de mercado (em particular os micro créditos ao desenvolvimento), sob o prisma da "pedagogia da economia de mercado". Para esta pesquisa realizamos entrevistas em Bruxelas e em Sofia, além das realizadas em Tchiprovtsi.

É sabido que um dos grandes desafios da antropologia hoje é dar conta de vários níveis da realidade, relacionando o local com o global, para compreender os processos históricos. Tentamos fazê-lo, construindo quatro "espaços" conceituais - parentesco, Estado, mercado e "Europa" - que entendemos como esferas de trocas, ordenadas por relações sociais diferentes dos indivíduos e seus engajamentos específicos na sociedade. Estes instrumentos nos permitem analisar as estratégias individuais de trocas que se dão nestas esferas e colocam em jogo diferentes espaços, com status distintos, em particular o rural e o urbano. Tchiprovtsi é o ponto de observação etnográfica privilegiado de estudo em oposição aos outros espaços que são urbanos: Montana, a capital do distrito, e Sofia, a Capital do país, que permanece fortemente centralizada2. Pareceu-nos também pertinente introduzir a esfera "Europa", novo autor institucional político-econômico, que começa a ter influências diretas sobre a vida dos habitantes de Tchiprovtsi, encarnando algumas de suas esperanças.

Começaremos por apresentar rapidamente Tchiprovtsi e a evolução da vida econômica local.

 

Tchiprovtsi

Tchiprovtsi situa-se a cerca de 150 km de Sofia, no noroeste do país, na cadeia dos Balcãs e a 10 km da fronteira sérvia (geograficamente, é um cantão cuja situação é agravada pela guerra na ex-Ioguslávia). Esta localidade teve um papel considerável na história do país como cidade católica que se revoltou, em 1688, contra os Otomanos, com a ajuda dos Austro-Húngaros. Esta revolta fracassou e os habitantes foram deportados para Banat, onde encontramos, ainda hoje, seus descendentes. Ela permanece conhecida historicamente pela sua escola de órfãos, da mesma época e, hoje, pela sua produção de tapetes "kilims".

A cidade está também situada numa região onde nasceram vários dirigentes comunistas e ainda permanece politicamente "vermelha" (cor da prefeitura da cidade). Aliás, em recentes eleições, foi eleito prefeito a mesma pessoa que já o fora antes de 1989. Se os católicos desapareceram, uma missão evangélica se instalou e estabeleceu uma pequena comunidade. As residências agrupam freqüentemente várias gerações que constituem ao mesmo tempo uma unidade de produção e de consumo. Assim, sobre esta base familiar, se elaboram os projetos "empreendedores". O sistema de parentesco é patrilocal: as jovens mulheres vão viver nas famílias de seus maridos. A cidade organiza-se em vários bairros cuja origem é a presença de uma família importante. Isto conforma os conjuntos de interconhecimento e ajuda.

Se em 1990 sua população atingia cerca de 4.000 habitantes, hoje eles não passam de 3.000. Se tomarmos a totalidade do município, este número se eleva hoje a pouco mais de 6.000 habitantes. Esta situação está ligada ao desaparecimento progressivo das atividades econômicas. As maiores transformações ocorreram após 1989, mas a redução das atividades econômicas continua, e de um ano para outro podemos observar as mudanças. Até hoje, as principais empresas eram: 1) as minas que rapidamente não puderam mais estar em condições de pagar os salários, o que provocou seu fechamento progressivo; 2) a usina "Revolução" de peças desmontadas pelos "kalashnikovs" que acaba de fechar; 3) uma cooperativa de pão que fechou; 4) uma usina cooperativa de têxteis, criada há três anos, em substituição à antiga cooperativa que emprega umas vinte mulheres3; 5) pequenas cooperativas agrícolas, que surgiram com o desmantelamento da cooperativa agrícola, e que têm permitido aos habitantes colocar seus recursos em comum.

Poucas atividades novas foram criadas com exceção de alguns locais de comércio e de uma pequena padaria industrial. Subsistem ainda os serviços públicos, onde os empregados são pagos por intermitência.

A restituição de terras, iniciadas em 1993, vem sendo feita lentamente e com uma certa resistência. A dificuldade de cultivar a terra por falta de instrumentos agrícolas adequados, a dispersão das terras e a ausência de um líder comunitário têm tornado a agricultura desta região pouco atraente e pouco rentável. Uma grande parte da população é indiferente à esta restituição, pois não vê aí nenhum interesse econômico imediato.

Os habitantes de Tchiprovtsi foram sempre autorizados a cultivar um pedaço de terra para seu próprio consumo. Em geral, eles possuem uma horta em torno de suas casas, das quais eles são, aliás, os proprietários, e terras nos arredores da cidade a alguns quilômetros, acessíveis a pé, mesmo porque os carros são raros. Não somente esta prática sobreviveu às mudanças políticas, como também ela se desenvolveu. Assim, as pessoas que não cultivavam nada em suas terras, porque tinham uma atividade profissional remunerada que lhes permitia alimentarem-se, passaram a cultivar estas terras sobre as quais tiveram que pagar impostos. Os habitantes locais praticam também a pecuária, a colheita e a caça. Todas estas atividades agrícolas produzem pouco ou nada de excedente para além do consumo doméstico da família extensa.

Pouco a pouco as atividades econômicas foram se reduzindo apenas à agricultura, que se tornou a principal atividade de subsistência para a maioria da população. Esta situação é vivida pelos habitantes como um retorno a um status "camponês", desprestigiado e humilhante4 como uma "regressão" social e econômica. Ela contradiz, ao menos provisoriamente, os esforços levados pelo regime precedente para industrializar o mundo rural, e mergulha Tchiprovtsi numa ruralidade inédita na sua história. Como se sabe, a construção histórica nacional havia feito desta pequena cidade industrial um lugar de resistência contra a opressão.

Já a inscrição no espaço da União Européia vai promover uma nova ruptura rural/urbana através dos programas de desenvolvimento, que correm o risco de reinscrever definitivamente esta pequena cidade no mundo rural.

 

As esferas de trocas

Postulamos que estes diferentes espaços, Montana e Sofia de um lado e o município de Tchiprovtsi de outro, dispõem de recursos que permitem aos atores exteriorizar e revelar suas estratégias econômicas individuais e coletivas. Estas, por sua vez, se inscrevem em quatro esferas de trocas distintas que se organizam segundo diferentes modos relacionais: 1) do parentesco; 2) do Estado; 3) do mercado; 4) das instituições internacionais, em particular européias.

Cada uma destas esferas repousa sobre valores diferentes, que são a base das trocas e formas de integração social.

Vamos analisar as três primeiras. A quarta será somente descrita na conclusão. Veremos que certos bens são exclusivos de uma esfera, enquanto que outros se encontram em várias. Estas esferas de circulação se inscrevem espacialmente no mundo rural e urbano e seus atores usam diferentes modos de trocas, monetários e não monetários. Somente o dinheiro circula em todas estas esferas, e não somente na do mercado. É preciso também especificar que a "esfera do mercado" não é igual a "economia de mercado": se esta esfera é dominante em um sistema que denominamos economia de mercado, ela existia também no período da economia planificada. No nosso caso, ela inclui também as trocas não-monetarizadas, as atividades econômicas dos indivíduos e as relações sociais dispostas em cada uma das esferas.

A esfera do parentesco

Se o parentesco é a forma dominante das redes tecidas nesta esfera, ela não é exclusiva dos amigos e dos vizinhos. Para simplificar empregamos o termo "parentes" mesmo quando estamos tratando de redes sociais mais extensas. Este termo serve de qualquer forma de modelo descritivo para os laços estreitos, de longa data, entre os indivíduos.

A esfera familiar é aquela da produção alimentar. Em Tchiprovtsi, a atividade ligada a esta esfera se faz no seio da unidade doméstica, incluindo pais e filhos. Os membros deste grupo doméstico divide a mesma casa que pode conter residências distintas. A ausência de máquinas agrícolas necessita de uma mão de obra humana: parentes, amigos e vizinhos se ajudam.

Se os produtos cultivados são destinados primeiramente ao autoconsumo doméstico em Tchiprovtsi, eles também circulam sob forma de conservas em toda a rede de parentesco, em particular para os filhos que vivem na cidade, em Montana e em Sofia. No fim do verão, pode-se observar uma intensa circulação de recipientes vazios no sentido cidade/Tchiprovtsi e cheios no outro sentido. Em contrapartida aos produtos alimentares, os filhos adultos, que vivem nas cidades, retornam regularmente (em determinadas épocas do ano) para dar uma ajuda aos pais, quando não moram muito longe. Estas visitas à vila permitem aos jovens casais verem seus filhos pequenos, deixados aos cuidados de seus pais (da avó materna, em geral).

Vários habitantes de Tchiprovtsi possuem apartamentos em Montana, ou mesmo em Sofia, que são ocupados pelos filhos que ali estudam ou trabalham. Os parentes podem encontrar aí hospitalidade em suas idas à cidade, e suporte em situações de demandas administrativas ou compras importantes.

Antes de 1989, as transferências monetárias familiares e geracionais se faziam sobretudo dos pais para os filhos que viviam na cidade, graças às boas aposentadorias. Hoje, no entanto, as aposentadorias não permitem mais nem mesmo subvencionar as necessidades vitais dos indivíduos idosos que precisam ser ajudados pela geração mais jovem.

Estas trocas entre cidade e campo, no seio do parentesco, vão para além dos bens materiais, certamente necessários à sobrevivência familiar. Elas permitem também o acesso a recursos simbólicos, como o demonstra o exemplo de um jovem casal, Manol e Tsvetelina, recentemente casados. Ambos são originários do município de Tchiprovtsi, mas se conheceram em Sofia. Retornaram para Tchiprovtsi para se casarem, respeitando os rituais tradicionais do casamento. Os pais de Manol construíram um andar suplementar em sua casa para acolher o jovem casal. Mas, incapazes de encontrar trabalho remunerado em Tchiprovtsi, partiram para Sofia, onde vivem em um minúsculo apartamento. Tsvetelina permanece em casa e se ocupa de seu filho pequeno. O salário modesto de Manol não lhes permitem sobreviver sem a ajuda dos pais de Tsvetelina que lhes fornecem quase que a totalidade da alimentação de que precisam. Eles retornam de tempos em tempos a Tchiprovtsi para ajudar seus familiares.

Bens materiais e simbólicos estão intimamente ligados e circulam no seio da rede de parentesco, entre Tchiprovtsi e as grandes cidades, sob diversas formas. Os habitantes de Tchiprovtsi trocam dinheiro (sob a forma de empréstimos) e alimentos em troca de trabalhos agrícolas. O emprego (nas pequenas empresas familiares na cidade) pode também ser um bem de troca, tendo como contrapartida um pequeno aporte em capital. A hospitalidade é outra "moeda" de troca corrente, tanto na cidade quanto no campo.

Tchiprovtsi oferece a possibilidade aos indivíduos de se afirmarem em sua identidade como membros de uma linhagem e de uma comunidade, que se define em relação a um território. Uma maneira concreta, e bem comum, de reafirmarem sua identidade local é o trabalho na terra. A posse de terras não permite somente a sobrevivência do grupo doméstico no campo e na cidade, mas ela ancora a linhagem em um espaço. Os habitantes sem acesso a uma terra vivem não somente com dificuldades econômicas, mas também se encontram à margem da comunidade ou com um status particular (como o pastor pentecostal, por exemplo). Retornar para se casar em Tchiprovtsi, como Manol e Tsvetelina, ou ao menos para cumprir uma parte do ritual, ou ainda, participar do ritual do "Courban"5, festa anual na cidade no dia 6 de setembro, são maneiras de afirmar a identidade. Entretanto, o acesso ao consumo de bens característicos do modo de vida urbano, graças à ajuda de parentes (transporte e habitação, por exemplo), confere prestígio a seu beneficiário. Assim, a dimensão simbólica das trocas é com certeza tão importante quanto a circulação de mercadorias ou dinheiro.

Observam-se que as trocas na esfera de parentesco são relativamente equilibradas, que a cidade e o campo oferecem recursos e fontes diversificadas de bens, dos quais dependem seus produtores para negociar, afim de conservar, ou mesmo aumentar, seu capital material e simbólico. A integração no seio desta espera repousa sobre a identidade individual e familiar de origem.

A esfera do Estado

As trocas, em termos econômicos e financeiros, entre cidade e campo, na esfera do Estado, diminuíram sensivelmente com as mudanças nos últimos anos. De fato, Tchiprovtsi não produz mais quase nada em termos de produtos industriais (as minas e usinas foram fechadas). As pequenas cidades não têm mais como viver da produção rural, uma vez que o campo está cada vez mais limitado à uma agricultura de subsistência. Os impostos e taxas recolhidas nestas localidades são portanto mínimas.

As transferências monetárias do Estado, por sua vez, são raras e aleatórias, o que produz uma grande carência de dinheiro no meio rural. Quanto às prestações do Estado, em termos de serviços públicos, estão em declínio. O mesmo ocorre em relação ao seu papel no desenvolvimento econômico: ele fecha e liquida as empresas existentes que não são rentáveis, mas não cria empregos. Entretanto, a "produção" de caráter estatal é sempre importante em termos eleitorais e administrativos, o que produz um quadro, no nível local, cuja aplicação se faz com maior ou menor entusiasmo e às vezes com uma certa re-interpretação por parte dos funcionários públicos locais. As relações de Tchiprovtsi com o governo central são em geral impregnadas de desconfiança e marcadas pelas diferenças de cores políticas (vermelho/azul). Mesmo com um governo relativamente estável, nestes últimos anos, os habitantes locais não lhe conferem nenhuma confiança, como tivemos oportunidade de observar quando do evento da guerra em Kosovo. De modo que o Governo não pode esperar legitimidade democrática de uma municipalidade que se situa na oposição. Desta forma, a grande cidade, em particular Sofia, permanece no lugar do poder do Estado e como centro político do país. Os habitantes de Tchiprovtsi se deslocam portanto para Montana ou Sofia para se beneficiarem de uma forma de patronagem política, necessária ao sucesso de um projeto público.

Um dos critérios de legitimidade do Estado e de sua burocracia é sua capacidade de redistribuir bens e serviços. Verdery (1991) mostra que esta foi uma das características da economia planificada e que o objetivo dos burocratas era controlar bens e serviços a fim de redistribui-los em um sistema de "patronagem". Este papel do Estado é preenchido atualmente no nível local (prefeitura) e regional com muita dificuldade, dada a falta crucial de financiamentos (nos domínios dos serviços sociais, da educação e da saúde). O Estado vem sendo substituído pelos empreendedores locais que reproduzem relações de clientelismo. As redes tradicionais desapareceram, ou não podem mais ser utilizadas. A prefeitura de Tchiprovtsi, por exemplo, após a chegada ao poder dos "azuis", se encontra privada de suas redes clientelistas nacionais.

Os habitantes de Tchiprovtsi têm a impressão de que dão mais ao Estado do que recebem em troca, e que este tem poucos recursos para lhes oferecer, com exceção dos documentos administrativos indispensáveis para conferir certa legitimidade às transações (por exemplo os títulos de propriedade ou documentos de Estado Civil). Mas eles precisam agir primeiramente na esfera do parentesco para obter estes documentos. É também verdade que uma parte dos impostos e taxas estatais migraram da esfera pública para a do mercado, ou ainda para a esfera "européia", através das Organizações Não-Governamentais (ONGs)6, o que disfarça certas deficiências do sistema político em reconstrução.

Esta relação com o Estado se construiu sobre a cidadania, forma de integração do indivíduo na sociedade. Antes de 1989, podemos levantar a hipótese que a cidadania estava ligada ao pertencimento ao partido comunista, que conferia prestígio simbólico e permitia ao indivíduo aceder mais facilmente a certos recursos materiais e simbólicos7. Hoje, trata-se de colocar em ação estratégias diferentes que se impuseram com a mudança do sistema político. Assim, para o morador de Tchiprovtsi hoje, ser membro do Partido socialista búlgaro, quer dizer de oposição, é uma vantagem local, mas não o é no nível do distrito, nem no nacional. Deste modo, a cidadania se joga em vários níveis e segundo vários registros, cuja complexidade conduz os nossos informantes tanto a se dobrarem no nível local, quanto a se apoiarem sobre as redes européias.

A esfera do mercado

As mudanças que ocorreram na esfera do mercado são de dois tipos: monetárias e não monetárias. A escassez de dinheiro impede o desenvolvimento de uma esfera de mercado completamente monetarizada. E ainda, as mudanças não monetárias desempenharam um papel não negligenciável na economia planificada antes de 1989. O sistema de trocas informais constitui um importante fator na esfera de mercado e isto diz respeito sobretudo aos bens produzidos como excedente, entre aqueles que são destinados ao consumo doméstico e que são a base de trocas no âmbito do parentesco. Estas trocas se dão entre indivíduos, que se conhecem, e cujo laço fundamental é o de parceria. De fato, as mudanças nesta esfera repousam sobre os laços contratuais de caráter informal.

As batatas são assim produzidas em quantidade necessária para permitir a permuta8. As trocas se dão entre moradores de Tchiprovtsi, no mercado local, aos domingos pela manhã, ou na cidade vizinha, Montana. No nível da municipalidade, este tipo de permuta requer que cada um possua um conhecimento aproximado da quantidade produzida e do gênero de produção de sua rede de relações. Se os parceiros em um processo de troca não se conhecem - caso não morem em Tchiprovtsi - um acordo tácito sobre as mercadorias trocadas se torna indispensável, dado que se tem que prestar contas à comunidade dos produtos comercializados. O mercado está organizado de tal maneira que os moradores de Tchiprovtsi ofereçam alguns produtos e os de Montana outros. Mas a parceria não funciona sempre: certos moradores nos explicaram que nem sempre encontram parceiros para trocar seus produtos, ou os tipos de mercadorias que desejavam permutar.

Assim, os habitantes de Tchiprovtsi oferecem principalmente batatas em troca de milho para alimentar seus animais. Mas outros produtos podem ser trocados: batatas por carne, por uva para fabricar vinho, por legumes para conservas nos anos de má colheita, etc. As transações são baseadas sobre o preço dos produtos nos mercados locais. Estas trocas também dizem respeito a outros tipos de bens como vestimentas, ou mesmo serviços: reparação, trabalho de costura, transporte em automóvel, etc.

Além disso, uma parte dos salários é paga sob forma de mercadorias: os operários da usina têxtil recebem vestimentas, os empregados de uma padaria recebem três pães por dia, que eles revendem ou trocam em seguida. Igualmente, uma dívida pode ser saldada em troca de um trabalho. Assim, Anatoli, o proprietário da padaria, propôs a clientes muito endividados executarem pequenos trabalhos para ele como forma de compensá-lo. Estas trocas particulares entre indivíduos se efetua, portanto, em um espaço geograficamente reduzido.

Já as trocas monetarizadas se dão em um espaço mais vasto, articulando normalmente o mundo rural e o urbano. Alguns bens produzidos, ou mesmo coletados, também são vendidos. Os champignons, as mirtilhas, as nozes são compradas na estação por comerciantes que circulam nas cidades da região e que as revendem aos grandes empresários de conservas de Sofia ou de outras cidades. Um de nossos informantes, um jovem mineiro desempregado, coleta 200 quilos de champignons por ano. Ele guarda uma pequena parte para o consumo de sua família e revende o restante no atacado, para comerciantes que lhe fixam o preço. O mesmo acontece com a produção doméstica de kilims, que também são revendidos aos comerciantes. Estes passam, às vezes, as encomendas aos produtores locais, fornecendo-lhes o material necessário para a confecção dos tapetes. Alguns de nossos informantes viajam regularmente a Sofia para vender os kilims, sem passar por intermediários. Outros habitantes de Tchiprovtsi fazem também pequenos comércios, como a revenda de peças taxadas por preço menor na província que em Sofia. Estas atividades se organizam sobre bases familiares ou de amizade bastante frouxas.

Quanto à compra de outras mercadorias, é possível certamente comprá-las nas lojas locais. A oferta de produtos alimentares frescos é bastante reduzida, dado que os clientes mesmo produzem-nos. As lojas não oferecem refrigerantes, conservas industrializadas, doces, gelo ou cigarros. Quanto ao pão, alimento básico, está à venda em um único estabelecimento - ligado a uma pequena padaria industrial - que tem o monopólio. Esta está nas mãos de um casal de empresários, Anatoli e Tania, que fazem parte do grupo de famílias que enriqueceram nos últimos anos. Duas pequenas butiques oferecem também vestimentas raras. O mercado dominical é um lugar de passeio e de provisão bastante apreciado, sobretudo pela presença de vendedores de sementes e de animais domésticos.

As compras simbolicamente importantes, como um vestido de casamento, são efetuados na cidade - enquanto que este poderia ser confeccionado por uma costureira local - e, se possível, em Sofia. Outros bens, como aparelhos eletrônicos, têm seu valor aumentado se eles foram adquiridos em Sofia ou, ainda melhor, em uma cidade estrangeira. A capital encarna o novo sistema econômico que se dinamiza e do qual nossos informantes retém sobretudo a dimensão do consumo, único aspecto positivo, a seus olhos, pois também representa para eles o desemprego.

Mas Sofia ou qualquer outra grande cidade são também os lugares em que é possível encontrar trabalho assalariado, legal ou ilegal, ou ainda entrar no circuito de atividades mafiosas. O espaço urbano oferece paradoxalmente as condições de desenvolvimento das atividades agrícolas. Com efeito, é impossível encontrar créditos para a agricultura no circuito normal, sem oferecer as garantias sob forma de bens "urbanos". No estado atual da legislação, as terras não são consideradas como garantias econômicas para empréstimos bancários. Como disse um de nossos interlocutores: "se queres emprestar dinheiro para comprar uma vaca, é melhor possuir um apartamento em Sofia, senão não tens nenhuma chance".

Na esfera de mercado, em princípio, tudo pode ser trocado, ou pelo menos as trocas podem assumir uma forma monetarizada, pois, caso contrário, os bens vão estar constrangidos a circular em um espaço restrito. A escassez de moeda no meio rural reproduz e mantém o sistema das troca, que freia o desenvolvimento de uma esfera de mercado monetário, base para o consumo de massa. Os moradores de Tchiprovtsi lançam mão de toda a sorte de estratégias de trocas, estabelecidas sobre os laços contratuais, personalizados ou não. Estas trocas articulam o espaço rural e urbano, fazendo circular os bens e serviços, utilizando produtos ou dinheiro, dentro de um mercado muito pouco regulado pelo Estado.

 

Esferas de trocas e transição

Diferentes espaços demarcam as três esferas analisadas, mesmo se a esfera de parentesco, que sempre existiu, se apoie essencialmente sobre o espaço rural, e a esfera estatal sobre o espaço urbano. Laços de complementaridade existem e sempre existiram entre Tchiprovtsi, Montana e Sofia. As trocas não buscam somente vantagens materiais, mas também simbólicas, as quais são indispensáveis às estratégias econômicas de nossos informantes.

Entretanto, o equilíbrio desta complementaridade se transformou nos últimos anos, devido a mudanças de peso nestas esferas de trocas e na relação de umas com as outras. Anteriormente, a esfera do Estado dominava a esfera de mercado e pesava sobre a esfera de parentesco, encorajando a "industrialização" do mundo rural. Hoje, sua influência direta nas trocas diminuiu consideravelmente com as transformações do sistema político, mesmo sendo o Estado ainda o ator principal da "modernização" do país, especialmente através do processo de adesão à União Européia.

Quanto à esfera de parentesco, não só se manteve, como se desenvolveu. Os urbanos dependem do campo para sua alimentação, que lhes chega através das trocas informais no seio da rede familiar e que são reembolsados através de trabalho. Este não lhes proporciona apenas uma vantagem material, mas também simbólica. Em Tchiprovtsi, a produção de alimentos, mesmo limitada, se tornou um dos únicos critérios de avaliação social e de pertencimento ao grupo e a uma linhagem já para os que permaneceram em Tchiprovtsi, esta esfera de trocas, na medida em que repousa quase que unicamente na agricultura, pode parecer uma espécie de "prisão". Krasimir (mineiro desempregado, 35 anos, casado com dois filhos) descreve com amargor: "Certamente eu vou trabalhar no campo, mas eu o faço sem vontade. Eu vou, mas eu não vejo nenhum sentido. Eu fui formado como mineiro e não como agricultor [...]. As pessoas dizem que a gente pode produzir para suprir nossas necessidades, mas isto não é verdade, com exceção das batatas, a gente acaba sempre no mercado... Se eu for embora, eu perco a casa. Mesmo que a gente more aqui entre dez pessoas - que é o inferno - o que nós produzimos? Anteriormente não permitiam às pessoas se deslocarem, e agora elas não podem se deslocar por razões econômicas. Nossa condição é a mesma que a dos servos camponeses."

Podemos interpretar estes comentários como uma aspiração ao desenvolvimento de uma divisão social do trabalho - no sentido de Durkheim - com uma esfera econômica impessoal que permitiria uma certa autonomia individual.

A importância crescente da esfera de mercado, de trocas monetárias, das quais numerosos habitantes de Tchiprovtsi estão em parte excluídos, por falta de dinheiro, provoca uma certa amargura. Se examinarmos o uso e o valor atribuído ao dinheiro em Tchiprovtsi, a partir das narrativas, encontramos várias razões que explicam o antes e o depois de 1989. Durante o período anterior às reformas econômicas, os habitantes de Tchiprovtsi tinham a sua disposição vários meios que lhes permitiam aumentar seus ganhos (salário direto, parcela de terra individual, etc). Mas estes meios não lhes asseguravam necessariamente o acesso ao consumo, uma vez que a esfera de mercado era muito reduzida. As pessoas eram então forçadas a fazerem poupança e o ganho monetário não se transformava automaticamente em mercadorias e serviços. O acesso aos bens de consumo dependia do desenvolvimento de redes de solidariedade, sobretudo familiar, e da manutenção da auto produção para subsistência.

Hoje, a disponibilidade dos bens a adquirir em troca de dinheiro é muito maior, ao menos nas grandes cidades, como Sofia. Por outro lado, certos bens e serviços que antes não custavam quase nada, pois eram amplamente subvencionados, se tornaram muito caros (como os serviços médicos) por causa do desengajamento financeiro do Estado. Estes elementos concorrem para dar ao ganho monetário um lugar cada vez mais importante na economia doméstica. Entretanto, paradoxalmente, o dinheiro se torna escasso, pois a desindustrialização do campo conduz numerosas pessoas ao desemprego e aqueles que conseguiram manter seus empregos nem sempre recebem a totalidade de seus salários. Assim, a importância dada ao dinheiro na nova economia, em particular na esfera doméstica, produz nos informantes um sentimento crescente de pobreza que não está necessariamente ligado a uma transformação de suas condições objetivas de vida. De fato, se a gente considera os bens de posse, a maioria dos informantes possui bens imobiliários em Tchiprovtsi ou em uma grande cidade, terras, animais e, às vezes, carro. Este sentimento de pobreza não está pois ligado a propriedade de bens, mas antes a escassez de dinheiro que poderia comprar serviços e mercadorias.

Tchiprovtsi, até o momento, é indispensável aos nossos informantes por razões de sobrevivência econômica e identitárias. No entanto, a grande cidade torna-se pouco a pouco dominante, não apenas como lugar do poder estatal, mas também devido a importância crescente da esfera de mercado, mesmo que se seu desenvolvimento esteja limitado pela escassez de dinheiro. Pode-se sugerir a hipótese que o declínio da esfera estatal produz a cidadania como forma de integração social, em detrimento do processo de identidade familiar e comunitária local e dos laços contratuais de caráter, formal ou informal.

 

Conclusão - O aparecimento de uma nova esfera, a Europa

Convém agora interrogar-se sobre a introdução de uma nova esfera de trocas que repousa sobre o pertencimento a uma entidade mais vasta, supranacional, européia. Neste sentido, seria interessante comparar as esferas de trocas supranacionais no quadro da União Européia e aquelas que existiram no período de domínio da URSS ou mesmo as do Império Otomano. Para certos autores (Ditchev, 2000), a integração à Europa constitui uma terceira onda de integração9 e de retomada histórica.

Esta integração, ao mesmo tempo que aparece como um espaço abstrato para nossos informantes, também possui um poder de redistribuição econômica bem real. No processo de integração da Bulgária à União Européia, foi desenvolvido um programa que concernente não somente às instituições nacionais ou às transformações do mercado econômico, mas também que possibilita aos búlgaros propor projetos que visam a redistribuição de bens e serviços na sociedade, os quais, aliás, os indivíduos podem trocar em seguida na esfera estatal ou de mercado. Entretanto, estas trocas se fazem mais freqüentemente através da mediação das ONGs. Estas podem ser nacionais ou locais ou mesmo estar ligadas à prefeitura. A partir de 1989, os financiadores ocidentais que consideram que as estruturas dos estados comunistas não eram confiáveis, passaram a encorajar a criação de ONGs, a fim de ter parceiros para receber os financiamentos e gerar programas. Estas organizações rapidamente foram instrumentalizadas pelo Estado não apenas como fontes de legitimação e de poder, mas também com o fim de coletar fundos estrangeiros. Para as pessoas que trabalham nas ONGs, elas são trampolins em direção à política e ao emprego. Nos dois últimos anos, elas também se tornaram um elemento importante nas relações de forças entre o poder central e local.

Até o momento, para se beneficiar de relações de trocas no seio da esfera européia, é ainda necessário passar pela mediação do Estado e das grandes ONGs estabelecidas em Sofia. Assim, os empregados do museu local fizeram um projeto para o programa "Phare". Para viabilizá-lo, eles utilizaram sua rede em Sofia para se fazer aconselhar e elaborar uma melhor proposição. Mas uma primeira seleção no Ministério da Cultura lhes foi desfavorável. Este fracasso foi interpretado como uma decisão política. O museu espera o momento para reapresentar diretamente seu projeto a uma instância européia, sem passar pela esfera das instituições estatais que lhes parecem hostis, a priori, por razões políticas10.

Se Sofia ainda desempenha um papel preponderante como mediação de trocas possíveis com a Europa, cada vez mais a estrutura dinamizada e proposta por Bruxelas favorece o regionalismo e permite ao mundo rural e aos governantes locais estabelecerem diretamente relações com as instituições européias que lhes interessam. Às municipalidades também interessa - sobretudo aquelas na oposição "vermelha" - construir laços diretos com Bruxelas e organizar suas próprias ONGs para gerenciar os programas europeus. De modo que numerosos prefeitos tentam ultrapassar o nível regional e nacional para se dirigirem diretamente aos parceiros europeus, seja através dos programas da União Européia, seja de acordos bilaterais com um determinado país europeu. No entanto, paralelamente, o governo central tenta coordenar as ações dos atores estrangeiros que agem em seu território, criando instâncias estatais de mediação obrigatórias. Assim, o novo plano de desenvolvimento regional (1999) criou direções regionais (não eleitas) que atuam como instâncias mediadoras nos fundos europeus, obrigando as ONGs da região a se agruparem nestas instâncias regionais. No entanto, é preciso enfatizar que a participação na esfera européia, apesar da necessidade de uma integração política na esfera estatal, depende fundamentalmente da dinâmica relacional, freqüentemente personalizada que permite escapar do nível nacional. Assim, paradoxalmente, a integração à esfera européia depende de um engajamento que repousa sobre a dinamização de uma cidadania local e regional e sobre uma identidade política específica. Ela inclui indivíduos que possuam competências particulares para entrar em relação, como, por exemplo, falar uma língua estrangeira que não o russo.

A influência da ação européia é múltipla. Ela produz ao mesmo tempo uma redefinição, na escala européia, do que é uma zona rural e uma zona urbana, induzindo projetos distintos. Se foi Sofia que decidiu sobre a redistribuição do território nacional11 e a designação das zonas prioritárias, a negociação das ações e projetos se deram principalmente entre a região e Bruxelas, redefinindo as relações de complementaridades entre estes diferentes espaços. A região de Tchiprovtsi vai se tornar, a partir do próximo ano, região "objetivo 1", isto é, uma das duas regiões do país destinatárias dos fundos estruturais europeus. Parece, pois, lógico pensar que esta esfera européia terá cada vez mais um impacto direto sobre a vida dos habitantes de Tchiprovtsi e sobre suas estratégias de trocas. Como acabamos de ver, esta dimensão econômica, através da introdução de programas de desenvolvimento, tem conseqüências diretas sobre a vida política local e sobre a maneira pela qual os indivíduos e as instituições fazem a experiência do político (Angelidou, 2000, p. 12). A esfera estatal torna-se então o teatro dos jogos políticos e dos conflitos entre o centro e a periferia e dos confrontos entre práticas locais e modelos europeus.

A comparação entre as quatro esferas permite mostrar a complexidade da transição, enquanto processo histórico, mas especialmente para os indivíduos. As esferas de trocas repousam sobre diferentes valores relacionais que estão ancorados na experiência individual, cuja importância varia historicamente: a identidade pessoal, o contrato, a cidadania e enfim a comunidade transnacional. Em um outro nível, observa-se o desenvolvimento de uma esfera de mercado, monetarizada ou não, que é concomitante com a manutenção da esfera de parentesco. A esfera estatal continua presente, mas o que aí circula é principalmente de caráter não monetário, e a reciprocidade das trocas é colocada em questão. Dinheiro, trabalho, prestígio e legitimidade circulam na esfera européia que se inscreve em concorrência ou complementaridade com a esfera estatal.

 

Referências

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Tradução de Cornelia Eckert
* Sophie Chevalier foi professora visitante do Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social da Univesidade Federal do Rio Grande do Sul, com bolsa da Fundação de Amparo à Pesquisa do Rio Grande do Sul no ano de 2000.
1 A primeira pesquisa se inscreveu numa convenção franco-búlgara em colaboração com o Instituto do Folclore da Academia Búlgara de Ciências. O outro programa foi conduzido no âmbito do Laboratório de Antropologia das Instituições e das Organizações Sociais/MSH, Paris, à qual somos associadas. Nossa equipe compreendia pesquisadores franceses e búlgaros. Este artigo diz pois respeito não somente as nossas próprias análises, mas somos também tributários das discussões com colegas, em particular búlgaros.
2 Aparentemente, nos primeiros tempos a "transição" foi seguida por uma certa emancipação dos poderes locais em relação ao centro. Mas depois da chegada ao poder dos "azuis" (União das Forças Democráticas - centro-direita) em 1997, o centro tenta retomar gradualmente o controle, com mais ou menos sucesso quando se trata de municipalidades governadas pela oposição "vermelha" (Partido Socialista Búlgaro).
3 Muitas mulheres tecem ainda os kilims em suas casas.
4 Nós não temos aqui, infelizmente, espaço para examinar as representações dos camponeses na Bulgária. Ver Credd (1993).
5 Festa durante a qual uma ou mais ovelhas são sacrificadas, sua carne é cozida em comum e depois distribuída entre as famílias e parentes.
6 As ONGs são seguidamente designadas sob o termo "Terceiro Setor".
7 O pertencimento ao partido comunista era então o fundamento da identidade política e social dos indivíduos.
8 Por exemplo, em uma família onde dois casais de gerações diferentes participam do cultivo, produz-se mais de uma tonelada de batatas.
9 A primeira se deu com a liberação do jugo otomano no fim do século XIX e início do século XX e a segunda com a instauração do comunismo em 1944.
10 Ver também o fracasso da candidatura da cidade de Lovetch, a cidade "vermelha", a um projeto das Nações Unidas por causa de um veto ministerial (Angelidou, 2000).
11 É preciso sublinhar que estas seis macro-regiões foram criadas - sobre a demanda expressa da União Européia - para servir unidades administrativas através das quais se realizaria a distribuição decentralizada dos fundos estruturais europeus, por exemplo.

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