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Horizontes Antropológicos

Print version ISSN 0104-7183On-line version ISSN 1806-9983

Horiz. antropol. vol.8 no.17 Porto Alegre June 2002

http://dx.doi.org/10.1590/S0104-71832002000100009 

ARTIGOS

 

Grupos Focais de Intervenção no projeto Sexualidade e Reprodução

 

 

Maria de Nazareth Agra Hassen

Faculdades Integradas Ritter dos Reis – Brasil

 

 


RESUMO

O projeto Sexualidade e Reprodução (1998-2001) criou uma sistemática de intervenção junto a grupos populares, abordando temas relativos à sexualidade e saúde reprodutiva. A coleta de dados foi feita por meio da metodologia de Grupos Focais de Intervenção (GFI), nos quais pessoas foram reunidas conforme afinidades e traços culturais e, sob orientação dos antropólogos-pesquisadores do nupacs, Núcleo de Pesquisa em Antropologia do Corpo e da Saúde, discutiram temas de seu interesse e, posteriormente, elaboraram materiais de divulgação de suas idéias. Esses materiais serviram como base para que outros grupos debatessem questões como gravidez na adolescência, primeira relação sexual, contracepção, DSTs e AIDS, violência sexual, e criassem outros materiais que se inserissem nesse continuum.

Palavras-chave: educação, formação, metodologia, saúde, sexualidade, materiais educativos.


ABSTRACT

The Sexuality and Reproduction project (1998-2001) created a method of intervention in low income social groups, dealing with themes related to sexuality and reproductive health. The data collection was carried out through the Focal Intervention Groups (Grupos Focais de Intervenção – GFI), where people were gathered into groups according to cultural affinity and traits and, under the guidance of anthropologist researchers from NUPACS/UFRGS (Núcleo de Pesquisa em Antropologia do Corpo e da Saúde/UFRGS), discussed themes that interested them and then elaborated materials to publicize their ideas. These materials were the basis for other groups to debate issues such as teenage pregnancy, the first sexual relation, contraception, STDs and AIDS, sexual violence, and to create other materials that would be part of this continuum.

Key words: education, formation, methodology, health, sexuality, educational materials.


 

 

Origem do projeto

O projeto Sexualidade e Reprodução foi elaborado por um grupo de pesquisa constituído de antropólogos, com atenção dirigida a questões de sexualidade e saúde. Dentre essas questões, incluem-se o início da vida sexual, a contracepção, a prevenção a Doenças Sexualmente Transmissíveis (DSTs) e AIDS, a violência sexual, entre outros. Ele teve sua origem em pesquisa anteriormente realizada pelo NUPACS, Núcleo de Pesquisa em Antropologia do Corpo e da Saúde (UFRGS), na qual populações de quatro vilas populares de Porto Alegre foram estudadas1.

A partir desse levantamento nas vilas, foi pensada uma metodologia não mais de apenas pesquisa, mas que propusesse intervenções, isto é, ações voltadas para melhorar o nível de informação e para influenciar na mudança de comportamento em relação a temas relacionados à sexualidade e à saúde reprodutiva. Dentre esses comportamentos, estariam a prevenção à gravidez na adolescência ou não desejada, prevenção a doenças transmitidas através da atividade sexual, o enfrentamento da violência sexual, entre outros.

Para alcançar esse intento, partimos de uma de nossas hipóteses: que as pessoas não devem ser apenas receptoras passivas das mensagens, mas necessitam, para que as informações sejam assimiladas, ser envolvidas em alguma atividade mobilizadora relacionada aos temas. Ao se envolver efetivamente em torno das questões, elas aprenderiam mais e ainda passariam a divulgadoras daquelas idéias junto a outras pessoas.

Assim, pensou-se que era preciso reunir grupos de pessoas com afinidades (interesses, idade, local de moradia ou de encontro, nível socioeconômico, etc.), discutir as questões de maneira informal, trocar informações e idéias e propor, no seguimento, que elas escolhessem uma forma de apresentar essas idéias de maneira lúdica, bem compreensível e que, enfim, servisse de motivo de discussão para outros grupos de pessoas com forma de viver semelhante a delas. Foi assim que, dessas reuniões entre grupos com semelhanças no modo de viver, orientados por antropólogos2, surgiram os materiais desse projeto.

Nossa outra hipótese é que, quando os materiais de divulgação de idéias e mensagens contêm uma expressão e uma linguagem genuínas, isto é, próprias das pessoas, eles apresentam uma penetração maior, pois têm chances de serem mais bem compreendidos e, assim, mais bem aceitos.

Esses materiais didáticos deveriam, então, ser divulgados com base na convicção de que outros grupos de pessoas com perfil aproximado poderiam deles fazer uso não só como veículos (culturalmente apropriados) de informações e discussões, mas também, depois dessas discussões, como base propulsora para outros materiais, isto é, novas formas de propagação de informações.

 

Metodologia do projeto: os grupos focais de intervenção

Grupo focal é uma técnica de pesquisa, dentre as consideradas de abordagem rápida, que permite a obtenção de dados de natureza qualitativa a partir de sessões em grupo, nas quais 6 a 20 pessoas, que compartilham alguns traços comuns, discutem aspectos de um tema sugerido. A técnica de grupo focal permite a identificação e o levantamento de opiniões que refletem o grupo em um tempo relativamente curto, otimizado pela reunião de muitos participantes e pelo confronto de idéias que se estabelece, assim como pela concordância em torno de uma mesma opinião, o que permite conhecer o que o grupo pensa. Em alguns poucos encontros, é possível conhecer percepções, expectativas, representações sociais e conceitos vigorantes no grupo.

É fundamental para o sucesso da técnica que o ambiente seja acolhedor. Por isso, pela nossa metodologia, os grupos focais aconteceram em locais de familiaridade dos participantes (suas casas, sede de associação de moradores, centro comunitário, centro de umbanda ou sala de aula, no caso de estudantes). O mediador tem o papel de suscitar o debate e encorajar os participantes a expressarem livremente suas opiniões e sentimentos sobre os temas. Ao mesmo tempo, deve cuidar para que nenhum participante monopolize a discussão, e que todos possam encontrar ocasião de se expressar.

No projeto Sexualidade e Reprodução, adicionamos ao grupo focal o caráter de intervenção, e não somente de pesquisa. Por essa razão, chamamos a técnica de Grupo Focal de Intervenção (GFI). Nos GFIs, as opiniões são levantadas, mas há também um caráter educativo e informativo. Assim, segundo nossa metodologia, o mediador deve estar capacitado a tirar dúvidas específicas sobre os temas concretos ou deve ser auxiliado por quem o seja (médico, enfermeiro, professor de biologia ou qualquer pessoa reconhecidamente informada). Poderá utilizar livros, cartilhas e cartazes sobre os temas, em especial quando se trata de questões de saúde reprodutiva.

Após algumas rodadas de debates, de socialização de informações e quando o mediador percebe que o grupo já está maduro para fazer proposições, o passo seguinte é pedir que se pense uma questão dentre as debatidas, cuja divulgação entendam mais necessária.

A seguir, decide-se conjuntamente qual a forma a ser adotada para fazer essa divulgação. Pode ser uma música, uma dramatização ou um mural pintado pelos participantes. Quando o grupo escolhe a forma, deve se dedicar a construí-la. Sendo o grupo muito grande, pode ser dividido em pequenos grupos e, ao final, podem ser conciliadas as propostas, julgadas e escolhida a mais representativa e que, posteriormente, agregue as demais.

O importante é que esse material possa ser apresentado a algum outro grupo (de outra sala, de outra escola ou formado na comunidade), e assim a idéia vai sendo reproduzida mais vezes.

Normalmente o processo de GFI demanda um número considerável de encontros, sobretudo em função da fase de construção de material de divulgação. Assim, se a técnica de grupo focal é relativamente rápida, já não se dá o mesmo nos GFIs. É preciso garantir tempo para a definição do tema a ser apresentado, para a escolha do tipo de material, depois a forma de apresentá-lo e, por fim, a discussão a partir da qual surgem roteiro, diálogos, letra de música ou o que for propriamente conteúdo do material. Pela nossa experiência recente, um GFI necessita, no mínimo, 10 encontros, podendo passar de 16.

Embora preconizemos a possibilidade de os materiais serem artesanais, temos contado com o apoio da Fundação Ford, que financiou também a confecção dos materiais gráficos e sua reprodução em escala, para efeitos de apresentação e de incentivo. Os materiais têm sido distribuídos, adotando-se o critério de que eles sirvam de motivadores de novos GFIs.

O NUPACS realizou, através de seus antropólogos-pesquisadores, 9 grupos focais, dos quais resultaram vídeos, fotonovelas, músicas (uma de pagode e um rap) e jogo de tabuleiro. Dentro da concepção do projeto, os materiais devem ser utilizados, na medida do possível, junto a grupos semelhantes em idade e forma de viver. Como na segunda fase do projeto, a atenção voltou-se especialmente para escolares, sugerimos que eles servissem, em sala de aula, de ponto de partida para discussões e para confecção de outro material.

Esquematicamente, essas seriam as fases da metodologia do GFI:

• Encontros, que incluem a explicitação do tema sexualidade e saúde reprodutiva. Debate a partir de dúvidas. Proposição de questões genéricas dentro do tema.

• Escolha pelo grupo de um foco dentro do tema sexualidade e saúde reprodutiva. Essa escolha deve surgir do interesse preponderante de cada grupo.

• Escolha de um tipo de material educativo que atenda aos quesitos: interesse do grupo, adequação ao tema escolhido e viabilidade.

• Confecção do material escolhido: definição de roteiro. Divulgação do material junto a outros grupos, a partir da qual terá início outro GFI.

As fases de 1 a 3 demandam entre 4 e 6 encontros, conforme o nível de informação e familiaridade prévias com o tema. A fase quatro pode chegar a 10 encontros, dependendo do tipo de produção necessária para o material escolhido.

 

Observação quanto aos debates

Nos primeiros encontros, cabe ao mediador explicar ao grupo que assuntos estão incluídos no tema sexualidade e saúde reprodutiva: primeira relação sexual, contracepção, gravidez, doenças sexualmente transmissíveis e AIDS, violência sexual, sexo e gênero, fases da vida, afetividade, entre outros.

Todavia, os debates incluem também questões mais profundas e não só relacionadas à informação. Por esse motivo, é importante que o mediador seja capacitado não só a tratar das questões técnicas, mas que também tenha sensibilidade para abordar os assuntos e para ouvir o grupo sem pré-julgamentos. O tema gravidez, por exemplo, exigirá do mediador flexibilidade e compreensão. Precisa atentar para o fato de que os motivadores da gravidez na adolescência não são apenas a desinformação. O importante, ao abordar esse e outros temas, é que o mediador não imponha sua visão de mundo sobre a dos demais participantes.

Ele pode colocar no quadro três colunas com os títulos sugeridos abaixo:

 

 

Começando pela primeira coluna, o mediador distribuirá aos alunos papéis em branco, nos quais eles deverão colocar uma ou mais idéias sobre por que algumas meninas engravidam cedo. O mediador recolherá os papéis, não identificando os autores, e colará no quadro as idéias apresentadas. Depois discutirá com o grande grupo cada uma delas, promovendo debates. Nesse momento, ele estará coordenando um grupo focal. A seguir, passará à segunda e à terceira colunas, repetindo os passos. O objetivo dessa técnica é levar o jovem a pensar no máximo de possibilidades, e isso, por si só, preferencialmente sem juízos de valor expressos pelo mediador, será altamente produtivo. A decisão sobre o comportamento sexual do adolescente sempre será dele e não nos cabe impor nossa noção de certo e de errado. Entendemos como um avanço a criação de espaços de discussão e de trocas entre os adolescentes. Conselhos, cartilhas e lições de moral têm muito pouco efeito numa fase em que a contestação é marca da personalidade.

Apenas a título de exemplo de algumas dessas trajetórias de materiais, descreverei o caminho de duas fotonovelas, de duas músicas e de um jogo, criados dentro do Projeto.

 

Contracepção e uso de preservativo nas fotonovelas

Um dos grupos focais de intervenção aconteceu na Vila Dique, zona norte de Porto Alegre3. O grupo era constituído por mulheres donas de casa de classe popular. Em vários encontros, acontecidos na casa de uma das participantes, foram discutidos temas relativos à saúde e à sexualidade. As coordenadoras do grupo propunham temas para serem debatidos e, à medida que as dúvidas iam sendo manifestadas, as coordenadoras procuravam saná-las. Depois desses encontros instrutivos, o grupo passou à fase seguinte, que seria a da decisão sobre qual tema era mais importante para as pessoas que viviam e pensavam como elas. Escolheram a gravidez na adolescência como um problema relacionado à sexualidade e à reprodução e que tinha conseqüências importantes no grupo, já que este era composto por mulheres que tiveram filhos cedo e que tinham receio de que suas filhas e filhos seguissem o mesmo caminho.

As mulheres lembraram a fotonovela como um veículo ao mesmo tempo prático e atraente. A fotonovela pode circular facilmente, sem necessidade de tecnologia, e a única condição é a capacidade de leitura compreensiva. As mulheres do grupo eram todas alfabetizadas. Compartilhavam da opinião de que as mulheres se sentem atraídas pela fotonovela, que conjuga história e imagem.

A partir daí, o grupo passou a discutir o roteiro que deveria contemplar a questão da gravidez na adolescência. Decidiu-se apresentar a história de duas meninas que têm relações desprotegidas com seus namorados. Ambas engravidam, sendo que uma delas descobre que o namorado poderia ser soropositivo. A fotonovela recebeu o sugestivo título de A paixão é cega.

Um dos aspectos abordados na história foi o período fértil, já que no GFI havia aparecido a noção equivocada de que o período fértil coincide com a menstruação4. Em relação à AIDS, resultou a necessidade de se enfocar o uso de preservativo e as conseqüências da crença em grupos de risco. Essa noção de grupo de risco, como se sabe, fez com que especialmente mulheres casadas se imaginassem livres da possibilidade de contraírem AIDS.

Pela metodologia do projeto, os materiais não são vistos como produto acabado, encerrando em si uma campanha finalizada a respeito dos temas abordados. Cada material deve servir de base para discussões em outros grupos, que, por sua vez, deverão elaborar novo material. Quando um novo grupo focal foi realizado na Escola de I e II Graus Rafaela Remião (uma escola pública da rede estadual, localizada na Lomba do Pinheiro, comunidade de baixa renda de Porto Alegre), a fotonovela A paixão é cega foi apresentada aos alunos5. Eles haviam debatido questões selecionadas dentro do tema. A seguir, criticaram a fotonovela, especialmente o final feliz, que, segundo sua percepção, não traduzia a vida real6.

O grupo cursava o segundo ano do nível médio e era misto. A presença dos meninos conferiu diferenças significativas na condução dos debates, possibilitando uma visão mais enriquecida e conflitante dos temas.

O debate a respeito de A paixão é cega suscitou nos alunos o desejo de criarem a sua própria fotonovela, com um roteiro que superasse a forma idealizada para resolver as questões utilizada pela outra. Como já foi dito, a fotonovela A paixão é cega havia sido elaborada por um grupo de mulheres adultas (que elegeram o tema gravidez na adolescência por voltarem sua preocupação principalmente para a problemática relacionada aos filhos). Embora centrada em questões de jovens e adolescentes, a perspectiva naturalmente foi materna (lembrando sempre que os materiais resultantes dos GFIs são construídos pelos participantes). A partir da leitura e das críticas que a mesma recebeu, os alunos se motivaram a escrever o novo roteiro.

Os estudantes, ao proporem uma fotonovela totalmente encenada por eles e na sua perspectiva, praticamente suprimiram o papel dos adultos e propuseram uma história centrada nas suas preocupações e em como eles lidam com tais questões. Assim, se a primeira fotonovela abordava a gravidez e sua repercussão na família, a fotonovela criada pelos adolescentes excluiu o processo familiar e se concentrou na relação interna do grupo.

Uma observação necessária é a de que, como a fundamentação do projeto era o respeito aos traços culturais de cada grupo, interferiu-se no roteiro apenas no sentido da correção das informações, mantendo-se a história original criada pelo grupo. Por isso, a fotonovela dos adolescentes expõe a diferença de perspectivas que o gênero confere a esse grupo. Esse dado fica bastante explícito numa das questões presentes na história, que se refere a um episódio de suposta violência sexual. Na perspectiva feminina, um dos personagens força uma relação sexual. Já na perspectiva dos meninos, era desejo da moça ter a relação sexual, ou ela não teria se comportado de forma a incentivar o rapaz. Nos momentos de definição do roteiro, o tema foi amplamente discutido e provocou debates sobre comportamento e intenção das meninas, contrastantes com a interpretação dos meninos a esses comportamentos.

Além disso, a fotonovela dos estudantes abordou outros temas de sua realidade de classe popular urbana jovem: a batida policial, a contravenção, o uso de drogas, a instituição para adolescentes infratores, a morte prematura de jovens, e também a festa, a alegria, a amizade, a solidariedade, a azaração, o ficar/transar.

A turma que fez a fotonovela Com amor e com camisinha foi a primeira da escola a concluir o nível médio, razão pela qual se investia de grande importância para a Escola Rafaela Remião. A repercussão na mídia consolidou uma imagem altamente positiva da escola (que recebeu ofício de congratulação da Secretaria Estadual de Educação pela fotonovela). Os alunos da escola, naquele ano, foram convidados a participar das atividades relacionadas ao Dia dos Namorados, voltadas para adolescentes e jovens e promovidas pela Secretaria Municipal de Saúde. Além disso, outro desdobramento importante foi o convite para que algumas das alunas que participaram da fotonovela palestrassem em escola vizinha. Motivadas com o novo papel, voltaram a nos procurar buscando mais informações e recursos visuais para as palestras.

 

Prevenção e solidariedade: o pagode e o rap

A música é um veículo importante para a juventude, que, a partir dela, expressa, além do gosto estético, suas mensagens. "A música não se constitui numa arte atemporal e socialmente descontextualizada, mas é uma prática artística que cumpre sempre funções muito concretas na sociedade" (Brusatti, 1978). Os jovens, por meio da música, expressam sua visão de mundo e seus desejos.

São vários os estilos de música que coexistem atualmente, cada qual expressando estilos de vida distintos ou exprimindo a convivência estética entre esses diferentes estilos. Há jovens que consomem rock, pagode, rap, samba, heavy metal, e há jovens que, ao adotar um dos estilos como preferência e identidade, rejeitam os outros.

O primeiro GFI a adotar a música como veículo para divulgação do debate estava originalmente previsto para ser um grupo de rapazes jovens moradores da Vila Mirim7. Amigas e namoradas acabaram participando do grupo. Como fosse seu hábito e gosto a música do estilo pagode, eles decidiram compor uma música a partir do GFI. A música chama-se Macaco Velho não põe a Mão em Cumbuca: usa Camisinha. A imagem do título é explicada pelo refrão, que faz uma alusão ao uso do preservativo: "se estiver usando luva, vai ser legal".

Macaco Velho não põe a Mão em Cumbuca: usa Camisinha
Gerson, Gel, Luiz e Fernando

Se tiver usando luva,
Vai ser melhor.
Macaco velho não sai à toa na garoa
Só mesmo de guarda-chuva,
Não arrisca o pé no chão.
Tem gente que pensa que anda na linha
Sai com uma bela guria,
Mas esquece a camisinha
E acaba entrando numa fria
E na hora do H
I V
Vê que o lance não era esperto
E que o macaco tava certo.
Pois é, quem vê cara não vê o resto
E o resto, às vezes, não presta
Já que quem tá com a danada não leva escrito na testa
Tem gente que pensa que isto é careta,
Que é como chupar bala com papel,
E não usa camisa-de-vênus, não,
O burro pensa que é de outro planeta
Então, siga os conselhos do macaco
Que sabe onde mete o nariz
Camisinha, pandeiro e cavaco
Pra ficar numa boa e mais feliz
Um amigo meu saiu na noite
Vejam só no que deu
O cara também tá no cemitério
Mas antes ele do que eu.
E assim, na hora do rala-e-rola
Para não pintar mais confusão.
Que fique cada macaco no seu galho
Cuidando do seu mico-leão.

O segundo GFI8 a produzir música aconteceu mediante contato com alunos do Projeto Supletivo Jardim Universitário. Esse projeto foi iniciativa de universitários da UFRGS, que ministraram aulas a moradores de uma região da Vila Aparecida, localizada próximo ao Campus Agronomia (por isso denominada Jardim Universitário). Dois desses estudantes pertenciam ao movimento hip-hop9 e, a partir do projeto, compuseram uma música tendo como tema a AIDS. Com isso, reuniram mais alguns amigos da Vila Aparecida/Santa Isabel, município de Viamão, Grande Porto Alegre, e criaram o Aparecida Rappers. Eles entenderam que a prevenção à AIDS seria o tema mais necessário de ser discutido no seu meio. O tema foi debatido no GFI, e a música enfatizou o cuidado na relação sexual e no uso de drogas injetáveis, além de destacar a importância da solidariedade aos soropositivos.

Normalmente, os grupos de rap se identificam com campanhas contra violência e racismo. O Aparecida Rappers tem esse perfil, mas adotou também o tema da prevenção à AIDS, o que se tornou um diferencial. A partir da música sobre a AIDS, vem sendo convidado para apresentações em eventos organizados pela Prefeitura Municipal de Viamão ou por entidades como a AVAPA (Associação Viamonense de Apoio e Prevenção à AIDS), e também tem se apresentado em Porto Alegre em campanhas de iniciativa da Secretaria Municipal da Saúde de Porto Alegre.

Mano com AIDS
Aparecida Rappers

Se ligue e preserve a sua vida
A síndrome da AIDS não é fantasia
Esse assunto é sério
Não é mentira, não é brincadeira.
Se tu não se cuidar, morre de bobeira
Conheci uma parceria
Que era muito esperto
Jogava pra ganhar
E só dava o bote certo.
Num segundo de bobeira,
Sangue bom vacilou
Não usou a camisinha
E a AIDS o pegou.
Agora parceria espera a morte numa cama
E sua amada mulher
Tá também no mesmo drama.
Como tu foste fazer uma coisa dessa?
Não usou a camisinha
E agora fica pagando promessa
Ei, mano, como tu foste pegar isso
É, dando um rolé, encontrei uma mina
Muito bonita
Era o que eu queria
Na hora, fiquei surdo e cego
Não enxergava nada.
Vieram me dizer
Que ela estava com o HIV
Pode crer, pode crer, pode crer
Mas a AIDS não se pega só com relação sexual
Tu tens que te ligar também com a seringa, meu irmão.
Agora, fazer o quê? você está com esse vírus.
Mas por causa disso
Não vou, não vou, não vou deixar de ser o seu amigo
E digo que te conheço há um bom tempo, mano
E fico triste por isso.
Se tivesses te cuidado não tinha acontecido isso
Mano, obrigado pela força que vocês estão me dando
Mas eu vou viver mais um pouco
Aparecida Rappers, mano
Se quiser pode contar conosco.
Como é que tu foste fazer uma coisa dessa
Não usou a camisinha
E agora fica pagando promessa.

Em ambas as letras, fica bem marcada a visão masculina sobre os temas. Em Macaco Velho, o pagode, a noção da malandragem, comum desse gênero musical, vem associada à esperteza que significa usar o preservativo, além de uma pitada de individualismo, que, ao demarcar a diferença entre o verdadeiro malandro e o que apenas pensa que é esperto, faz constar que, se o desprevenido morreu, "antes ele do que eu". Já a música de rap, estilo que mobiliza outro tipo de relações, ao mesmo tempo em que alerta, revela-se mais tolerante com o erro, que ali não é tomado como falta de malandragem ou esperteza, mas próprio da natureza humana: o instante de "bobeira", a "vacilada" quando se fica "surdo e cego". Feito o mal (a relação ou o uso de drogas injetáveis sem proteção), se contraído o vírus, resta incentivar a solidariedade e descrever o sentimento de tristeza pelo amigo. Por outro lado, um dos versos da versão original do rap mencionava que "a mina estava estragada". Tal fato mereceu uma retomada dos debates com o grupo, no sentido de que reformassem não só a letra, mas a compreensão do que é ser soropositivo. A partir da discussão, substituíram o verso por "vieram me dizer que ela estava com o HIV", alterando assim um juízo de valor equivocado por uma constatação.

 

Crescer, o jogo da sexualidade e da vida

Um importante grupo focal desse projeto foi o jogo infanto-juvenil, Crescer: o jogo da sexualidade e da vida. Esse jogo foi resultante de um GFI10 ocorrido no Centro Comunitário no Bairro Ipiranga, zona nordeste de Porto Alegre. Nesse centro são realizados trabalhos de socialização das crianças, sobretudo de lazer, no turno oposto ao da escola. As crianças, na faixa etária de 9 a 13 anos, já faziam parte de uma turma com atividades de recreação no Centro e logo aceitaram participar da atividade. Por serem menores de idade, um consentimento foi pedido aos pais ou responsáveis, após terem sido informados do conteúdo do projeto. Apenas um pai não autorizou a filha a participar das atividades de projeto e, posteriormente, soube-se que este pai abusava sexualmente da criança.

Além do jogo, as crianças criaram um jornal televisivo chamado Jornal da Saúde, com entrevistas e informações sobre os temas abordados. Ocorre que essa foi uma forma encontrada pelo coordenador do grupo para, desde o início, manter as crianças ludicamente envolvidas com os temas. No momento de definir que material educativo elas poderiam criar visando atingir outras crianças, a primeira definição do grupo foi que seu material deveria ser um jogo, e que deveria agregar o maior número possível de participantes. Também deveria ter a possibilidade de ser jogado por equipes. Outra definição foi a de que ele proporia questões, as quais deveriam ser fonte de debates e não só de erro e acerto. O jogo era baseado em outros já existentes, em que percursos diferenciados são propostos num tabuleiro, e os participantes percorrem esses percursos conforme avanço determinado pelo dado. Definido o tipo de jogo, o momento mais significativo da construção coletiva foi a definição das perguntas. Algumas delas já haviam sido alvo de discussão desde os primeiros encontros com o grupo. Outras foram sendo acrescidas nessa fase. Assim, resultaram as seguintes questões, que podemos subdividir em dois grupos: questões de conhecimento, para as quais existe resposta correta, e questões motivadoras de debate, às quais não se atribui valor de verdade.

Questões de conhecimento: O que é menstruação? O que é uma relação sexual? Como nascem os bebês? O que é camisinha e para que serve? Como devemos nos cuidar para não pegar AIDS? Quais as diferenças no corpo de meninas e de meninos? E no corpo de homens e mulheres? O que é AIDS? Como é que a mulher engravida?

A maior parte das questões, porém, era aberta a discussões. São elas: o que é uma família? O que é amor? Quando é que as pessoas se casam? O que é ser pai? O que é ser mãe? O que é namorar? Qual é a diferença entre um beijo de amizade e um beijo de namoro? Quando o rapaz se torna homem? Como a menina se torna moça? Quando o menino se torna rapaz? Como foi seu primeiro beijo ou se você ainda não foi beijado(a), como acha que será? Como você pediria alguém em namoro? Como você gostaria que lhe pedissem em namoro? Como seria a pessoa que você escolheria para casar? O que é uma pessoa violenta? Como você imagina que será seu futuro quando for adulto(a)? O que você ensinaria a seus filhos? Qual a profissão que você vai querer ter?

Por fim, o grupo propôs que houvesse tarefas nas quais as equipes tivessem que criar novas questões. Nesse caso, o próprio grupo deveria formular perguntas para a outra equipe, sendo três os temas: AIDS, drogas e ficar/transar. Havia umas casinhas no tabuleiro, em que o professor-mediador deveria ele próprio fazer as questões. Em outros casos, o professor-mediador deveria responder a uma questão proposta pelas equipes.

O jogo refletiu uma preocupação daquelas crianças, isto é, as fases da vida e os marcos dessas fases. A sua dinâmica permitia o confronto de idéias, o surgimento de diferentes pontos de vista, o levantamento de hipóteses e a busca constante de resoluções de situações-problema. É fundamental que o mediador tenha bem claro que o jogo está fundamentado numa dinâmica de interação e troca constante entre seus participantes, embasada no diálogo, no respeito à diversidade nas opiniões e nas formas de pensamento. Por meio da exposição e do compartilhamento dessas opiniões, desses hábitos e das crenças, cria-se também um espaço de ressignificação de problemáticas afetivas vividas no contexto familiar, escolar, relacional e social.

Esses espaços de troca e de interação se constituem em momentos significativos de reconhecimento da capacidade de cada participante, potencializando os conhecimentos já adquiridos, o que desencadeia um reconhecimento de si e conseqüente valorização de seus pares. Com isso, cada participante ocupa um lugar de ação, de protagonista na construção do conhecimento. Por todas essas razões, o vínculo afetivo estar estabelecido de antemão é fundamental para o sucesso de cada rodada do jogo.

O jogo foi distribuído a algumas escolas da rede pública, uma vez que o tema da sexualidade se tornou obrigatório como um tema transversal dentro dos chamados Parâmetros Curriculares Nacionais. Assim como outros temas, a sexualidade deve ser trabalhada inter e transdisciplinarmente nas escolas. Há uma grande carência de materiais didáticos nesse campo, principalmente se aliados à ludicidade. Como decorrência desse acesso a escolas, nossa equipe passou a dar assessoria aos professores interessados em utilizar o jogo em aula.

Curiosamente, o jogo acabou sendo também utilizado pelo NUPACS em grupos focais com jovens e adultos jovens, a partir de demandas deles próprios, que, ao conhecer o jogo, quiseram jogá-lo e adaptaram algumas questões, como é o objetivo da metodologia.

 

Violência na percepção do grupo: "violência moral é a pior"

Um outro GFI foi realizado numa das regiões consideradas mais violentas de Porto Alegre, a chamada Grande Cruzeiro, especificamente a Vila Tronco, conhecida por vizinhar com um dos grandes postos de saúde da cidade, o PAM 3. Nesse caso, houve uma intencionalidade de nossa parte em trabalhar o tema da violência, no caso a violência sexual, e assim o grupo foi constituído a partir de uma jovem que exerce uma liderança espontânea no local. Em razão das intercorrências de que o grupo foi vítima (prisões de maridos, necessidade de as participantes se mudarem com urgência, etc.), não se chegou a produzir o material de divulgação, que teria sido um programa de rádio comunitária.

Logo que propusemos que se falasse sobre violência, em princípio surgiram comentários sobre assaltos no interior da vila, brigas e disputas que terminavam em tiroteio, muitas vezes com mortes.

Pareceu surpreendente nos comentários sobre violência do grupo a ênfase conferida à violência não-física, de onde foi possível avaliar o quanto essa visão sociológica está presente nas pessoas de fora do meio acadêmico, ao produzirem análises finas e revelando uma percepção acurada de sua posição no mundo. As participantes dirigiram sua atenção para a questão da ação policial, percebendo a polícia como um aparato montado para assegurar proteção não dos moradores da vila, mas dos moradores dos bairros limítrofes contra a vila, jamais pressupondo que os de dentro também possam ser vítimas de violência.

Entre essas violências, a discriminação foi a mais ressaltada pelos participantes. Três grandes causas de discriminação foram apontadas pelo grupo: pobreza, racismo e preconceito de gênero. As mulheres todas mencionaram a dor da discriminação, e as negras queixaram-se do racismo. No decorrer dos encontros, pudemos perceber que outras formas de violência são bastante constitutivas, estruturais, do seu modo de viver. A prisão de amigos, vizinhos e maridos não é causadora de manifestação de estranheza. Uma das narrativas dava conta do caso de uma mulher que fora estuprada recentemente no interior da vila. E gostara. Tanto que, ao ver o estuprador embarcar num ônibus logo após o ato, ela ficara abanando. Hoje, procura por ele, tendo intenção de reencontrá-lo e repetir a experiência. A situação do estupro foi detalhada sempre em meio a risos.

Enquanto a narradora minimizava a violência do estupro, a mais jovem ressaltava a importância da presença dos traficantes, que conferem, por essas vias tortuosas da violência, proteção contra estupro.

Para entender a forma como o crime se apresenta atualmente, é preciso entender a relação entre violência e tráfico. O tráfico traz, ao mesmo tempo, uma espécie de paz e uma espécie de guerra, ou seja, altera o panorama do crime. Os traficantes e suas organizações disciplinam a bandidagem que assalta e estupra, a fim de tentar manter a polícia o mais longe possível de seus territórios. Por outro lado, os grupos de traficantes rivais disputam os pontos de drogas, em geral a tiros, pois a medição de forças é que garante a preponderância de um grupo sobre outro, dificilmente havendo possibilidade de acordo. Os moradores têm isso bastante claro, e essa ambivalência do tráfico se reflete na postura que produz as declarações do grupo: diminuição do risco de estupro e assalto, e aumento do risco de bala perdida.

De certa forma, ali a violência está incorporada. Na medida em que práticas violentas se incorporam à vida cotidiana, elas acabam por se tornar uma modalidade da sua cultura. Entretanto, no momento do discurso das mulheres, isto é, quando convocadas a manifestar-se sobre o tema da violência, esta é, curiosamente, abordada sob outro prisma. As pessoas se percebem como vítimas de um tipo de violência que não está presente no seu cotidiano e que as atinge fora do espaço da familiaridade. Daí as representações do grupo sobre violência assumirem um distanciamento grande da projeção que o observador faria, dada a recorrência de narrativas e fatos de violência física.

Assim, violento para aquelas pessoas é o impacto de suas presenças fora da vila. É fora dela que se dá a discriminação que as faz sentir, no íntimo, o tipo de violência que mais condenam, e que, segundo seus depoimentos, mais constrange e perturba. São as violências que ainda permanecem estranhadas, que provocam resistência e que aguçam uma noção de justiça aviltada.

 

Conclusão

Somos conscientes de que o alcance do projeto é insignificante quando se pensa em resultados quantitativos. Mesmo os resultados positivos qualitativos se dão sobre apenas um percentual de pessoas da totalidade trabalhada. As dificuldades da metodologia são bem conhecidas dos antropólogos: das ausências a desistências de participantes; encontros que não acontecem pela falta da maior parte do grupo; desentendimentos que começam com as decisões sobre o material e que acabam por atingir questões pessoais; demora para atingir consenso, com necessidade de mediação; impossibilidade de agradar a todos. Esses fatos acontecem em maior ou menor escala, conforme o grupo. Em razão desses e de outros motivos, o certo é que nunca conseguimos cumprir o cronograma, mesmo quando programado de forma bem folgada. Essas interveniências e dificuldades, aliás, devem estar incluí-das desde o início no planejamento, por serem inerentes a qualquer metodologia que se alimente da dialogicidade e da busca do consenso ou da valorização de todas as vozes.

De qualquer forma, acreditamos que esse projeto testou uma metodologia bastante simples, cujo maior mérito é reconhecer as especificidades culturais, respeitá-las e tê-las como referência todo o tempo, e não apenas como ponto de partida. É preciso ouvir e trocar, jamais impor. Ao ouvir, chega-se a definições. No caso do jogo, por exemplo, a pesquisa acabou sendo a análise das questões que as crianças elaboraram, ou seja, uma boa forma de conhecer as crianças foi ouvir as perguntas que elas acharam que deveriam ser feitas.

Depois, a metodologia sugere que as pessoas sejam envolvidas ao máximo para se sentirem realmente atores do processo. E que toda essa participação se dê o mais perto possível de suas realidades, garantindo que estejam, elas mesmas, atuando diretamente: sua imagem, suas vozes, suas idéias.

Por essa simplicidade e plasticidade, a metodologia do projeto Sexualidade e Reprodução pode ser repetida em outros lugares, com outras situações, pois as principais características do projeto não estão vinculadas a uma dada realidade. Basta que o fundamento seja mantido para que o projeto possa ser desenvolvido em diferentes contextos.

Em todos os públicos, a resposta à dinâmica dos GFIs e aos materiais deles resultantes tem sido bastante positiva, o que nos torna convictos de que o caminho adotado nessa forma de intervenção foi acertado. A identificação com os materiais se dá de forma imediata, mesmo quando os termos ou as soluções encontradas são contestados. Eles são bem aceitos enquanto materiais, circulam, despertam interesse e são motivadores. Um dos traços do projeto, porém, é sua plasticidade e sua abertura às modificações que cada grupo imprime; portanto, ele molda-se, altera-se a cada edição de GFI. Esse caráter de inacabado e de flexível é um de seus méritos, pois permite a renovação, ao mesmo tempo em que deixa de se apresentar como uma metodologia fechada.

Somos conscientes de que o tema sexualidade naturalmente interessa aos jovens, entendemos que nossos materiais têm o traço positivo de não abordar tais temas com preconceito ou com falsa aceitação. Por outro lado, sendo os materiais fontes primárias para discussões que a eles devem se seguir, a forma de abordagem pelos mediadores (professores, oficineiros, entre outros) deve ser cuidadosa, e esses precisam estar preparados, tanto no nível da informação quanto no manejo de temas delicados, tais como sexua-lidade, gravidez, doenças e fases da vida.

 

Referências bibliográficas

BRUSATTI, Otto. Nationalismus und ideologie in der musik. Tutzing: Schneider, 1978.        [ Links ]

LEAL, Ondina. Sangue, fertilidade e práticas contraceptivas. In: LEAL, O. (Org.). Corpo e significado: ensaios de antropologia social. Porto Alegre: Editora da UFRGS, 1995.        [ Links ]

SPOSITO, Marilia. A sociabilidade juvenil e a rua: novos conflitos e ação coletiva na cidade. Tempo Social, São Paulo, n. 5, nov. 1994.        [ Links ]

VÍCTORA, Ceres. As imagens do corpo: representações do aparelho reprodutor feminino e reapropriações do modelo médico. In: LEAL, O. (Org.). Corpo e significado: ensaios de antropologia social. Porto Alegre: Editora da UFRGS, 1995.        [ Links ]

 

 

1 Essa pesquisa anterior foi coordenada por Ondina Fachel Leal e se intitula Body, sexuality and reproduction: a study of social representations. Project 91378 BSDA Brazil. Special programme of research development and research training in human reproduction, World Health Organization. O atual projeto Sexualidade e Reprodução, financiado pela Fundação Ford, também foi concebido e executado, na sua primeira edição, sob a coordenação da professora Ondina Fachel Leal, do Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, e na segunda edição, foi coordenado por Daniela Riva Knauth e por mim.
2 Este artigo sintetiza o trabalho realizado por um grupo de pessoas vinculadas ao NUPACS: Janie Pacheco, Daniela Knauth, Ceres Víctora, Ben Berardi, Lisiane Lecznieski, Andrea Leal, Roseli Buffon e João Trois.
3 Esse grupo foi coordenado por Roseli Buffon e Lisiane Lecznieski.
4 Sobre a noção de que período fértil e menstruação se sobrepõem, ver Leal (1995) e Víctora (1995).
5 Esse grupo foi coordenado por Janie Pacheco e Andrea Leal.
6 A fotonovela foi discutida em outro projeto, Prevenindo DSTs e AIDS em Mulheres de Baixa Renda: a Produção de Cartilhas Dentro do Processo Educativo, vinculado ao Grupo Hospitalar Conceição e coordenado por Margarita Diercks. A crítica que recebeu daquelas participantes foi a de que as atrizes de A Paixão é Cega estavam mal arrumadas e pobremente vestidas.
7 Esse grupo foi coordenado pelos antropólogos Ben Berardi e Lisiane Leckznieski.
8 Esse grupo foi coordenado por Andrea Leal e João Carneiro.
9 O hip-hop é um movimento composto pelo RAP (Rhythm and Poetry), juntamente com o break (dança originada nas ruas e praças da cidade) e o grafite (forma visual de ocupação do espaço urbano). Para mais dados sobre o hip-hop, rap e juventude, ver Sposito (1994).
10 Esse grupo foi coordenado por João Trois, e as conclusões aqui apresentadas estão baseadas no relatório de seu coordenador.

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