SciELO - Scientific Electronic Library Online

 
vol.17 issue2Thinking technological and biological beings: Gilbert Simondon's philosophy of machines author indexsubject indexarticles search
Home Pagealphabetic serial listing  

Revista do Departamento de Psicologia. UFF

Print version ISSN 0104-8023

Rev. Dep. Psicol.,UFF vol.17 no.2 Niterói July/Dec. 2005

http://dx.doi.org/10.1590/S0104-80232005000200001 

Editorial

 

 

Apresentamos aos nossos leitores mais um número da Revista do Departamento de Psicologia UFF. A partir de 2005 passamos a disponibilizar em nossa homepage os textos completos que publicamos na versão impressa da Revista. Nossa meta é disponibilizar os textos completos dos números anteriores a 2005 em breve.

Neste número, o artigo de Henning Schmidgen discute a importância do pensamento de Gilbert Simondon para os estudos acerca dos objetos técnicos e da história dos experimentos em psicologia. Pesquisador no campo da História da Psicologia, Schmidgen discute o seu trabalho na entrevista que nos concedeu. Nesta entrevista o leitor terá oportunidade de conhecer mais de perto o enfoque do autor acerca da história dos experimentos em psicologia e das contribuições da filosofia de Simondon para este campo de estudos.

Os textos de Natalie Depraz, André do Eirado e Virgínia Kastrup foram apresentados na Jornada Internacional de Pesquisa "O devir-consciente e a pragmática da experiência: em torno de `On becoming aware', de Natalie Depraz, Francisco Varela e Pierre Vermersch", que ocorreu de 19 a 26 de abril de 2004 no Instituto de Psicologia da UFRJ e no Departamento de Psicologia da UFF. A Jornada focou as metodologias de pesquisa em primeira, segunda e terceira pessoas, bem como a discussão sobre novas estratégias de intervenção, individuais e coletivas, baseadas no conhecimento e na descrição da experiência da virtualidade do si. Além da filósofa Natalie Depraz e de professores da UFF e da UFRJ, participou também do evento o psiquiatra Frédéric Mauriac, do ERIC - Equipe Rapide Intervention de Crise -, que trouxe sua contribuição sobre experiências de intervenção no campo da saúde mental na França. Os textos apresentados neste número trazem a um público mais amplo parte das discussões ocorridas. A organização da Jornada foi realizada através de uma parceria entre o Programa de Pós-Graduação em Psicologia e o Núcleo de Pesquisas "Cognição & Coletivos" da Universidade Federal do Rio de Janeiro, o Mestrado em Psicologia da Universidade Federal Fluminense e o Departamento de Filosofia da Universidade de Paris IV-Sorbonne.

Diferentes enfoques sobre a importância do brincar são apresentados em dois artigos distintos. No primeiro, Regina Lucia Sucupira Pedroza, que assina o artigo Aprendizagem e subjetividade: uma construção a partir do brincar, discute o processo de aprendizagem e a subjetividade na perspectiva epistemológica qualitativa. A pesquisa de campo foi realizada com professores e alunos do ensino fundamental no Distrito Federal e os resultados apontam para a importância do brincar no desenvolvimento da subjetividade. Já no segundo artigo sobre este tema, intitulado "O brincar como portador de significados e práticas sociais", Adriana Batista Guimarães, Cristiane Elise Vieira, Luciana Nazaré de Souza Franck e Maria Isabel Steinherz Hippert apresentam as concepções sobre o brincar de três professoras da educação infantil da pré-escola de uma instituição pública. A análise dos dados indica que são paradoxais as narrativas das professoras sobre o brincar. De um lado, as professoras concebem o brincar como espaço de criação. De outro, relacionam o brincar às estratégias pedagógicas.

Ana Cabral Rodrigues, Carlos Alberto R. Costa, Marcos E. A. Silva e Edson Pereira da Silva são autores do trabalho "Psicanálise, saber e conhecimento". Neste texto os autores investigam as condições de produção do conhecimento em psicanálise, destacando dois pontos de vista. Primeiro, lançando um olhar epistemológico sobre a psicanálise e em seguida, refletindo sobre a epistemologia a partir do conceito de inconsciente.

"Ética e direitos humanos na e pela pesquisa e extensão: transversalizações do tempo e da subjetividade"é o trabalho assinado por Fernanda Spanier Amador. A autora discute a ética e os direitos humanos na e pela pesquisa e extensão, fazendo uso dos conceitos de tempo e subjetividade nas concepções de Deleuze, Guattari e Foucault. Nesta perspectiva, Fernanda nos convida a refletir sobre a produção do conhecimento e sobre nossa prática de pesquisadores e proponentes de atividades de extensão.

Anna Elisa de Villemor Amaral, Ricardo Primi, Renata da Rocha Campos Franco, Flávia Helena Zanetti Farah, Lucila de Moraes Cardoso e Telma Claudina da Silva apresentam o trabalho "O teste de Pfister e sua contribuição para o diagnóstico da esquizofrenia". Dada a escassez de pesquisas de validade do teste de Pfister para diagnóstico em psicopatologia, os autores deste artigo procuram identificar neste teste os indicadores que podem auxiliar nos diagnósticos de pacientes esquizofrênicos. É interessante observar que neste trabalho os autores também discutem os alcances e limites do uso dos testes psicológicos.

Na seção Eventos, o leitor encontrará três trabalhos situados em três importantes territórios de pesquisa e prática em psicologia. O primeiro trabalho, intitulado "Trajetórias do encontro entre a psicologia e o judiciário", é de autoria de Celso Campos Bivar, Fernanda Machado Maciel, Vitor Ferreira Isidro, Lygia Santa Maria Ayres e Cecília Maria Bouças Coimbra. Fazendo uso de um referencial teórico que se fundamenta nos enfoques de Michel Foucault e Félix Guattari, os pesquisadores colocam em análise as práticas da psicologia no espaço do Judiciário.

O segundo RESUMO, intitulado "Atendimento Psicológico ao Paciente Cirúrgico: Aspectos Psicológicos do Tratamento de Diabéticos do Tipo I SPAC/GSI/HUAP" é assinado por Fernanda Brito, José Henrique Valentim, Paulo Roberto Mattos da Silva, Roberta Freire Cardoso Meirelles. Neste trabalho os autores apresentam alguns resultados de um projeto de extensão desenvolvido com pacientes cirúrgicos e levantam a reflexão acerca do papel do psicólogo no espaço do hospital geral.

Por fim, no resumo "A constituição histórica do campo psicológico em sua dispersão", Aline Gabriela Simon, Ana Luiza de Britto Silva, Felipe Alves Fonseca, Paula Rego-Monteiro Marques Vieira, Sara Costa Cabral Mululo, Paulo Cardoso Ferrerira Pontes e Arthur Arruda Leal Ferreira partem de uma reflexão sobre a história da psicologia para discutir o tema de sua dispersão prática e teórica.

Convido os leitores a estudarem os instigantes temas discutidos nos artigos deste número da Revista, na certeza de que a leitura destes trabalhos abrirá novas reflexões.

 

Marcia Moraes