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Revista do Departamento de Psicologia. UFF

versão impressa ISSN 0104-8023

Rev. Dep. Psicol.,UFF v.18 n.1 Niterói jan./jun. 2006

http://dx.doi.org/10.1590/S0104-80232006000100013 

EVENTOS

 

Do social ao individual: a psicologia das massas de Sigmund Freud

 

 

Marcus M. P. LeopoldinoI; Claudio OliveiraII

 

 

A afirmativa de Freud, na introdução de seu artigo sobre as massas, de que a Psicologia Individual é ao mesmo tempo Psicologia Social pode levantar algumas dúvidas. Afinal, de que social e de que individual Freud está falando? Certamente ele não os considerava como entidades separadas, mas sim como algo que "naturalmente constituía um nexo único" (FREUD, 1921-1976). Por isso, mesmo sozinho (ou seja, fora de algum grupo psicológico), no indivíduo há sempre a presença do outro, pondo o social em questão na clínica psicanalítica. Sendo o indivíduo indissociável do social, não faz sentido falar sobre algum momento especial em que aconteceria a interação entre ambos. Assim, a questão se existe uma "pulsão social" agindo nesses momentos, em contraposição a uma "pulsão individual", que seria o que a psicanálise teria como objeto de estudo, perde seu sentido, já que existiria apenas uma pulsão. Entretanto, a despeito dessa constância da relação do indivíduo com o social, esta pode ser transformada sob certas circunstâncias, como quando acontece a chamada formação de Massa (ou Grupo). Tomando então as massas como objeto de estudo, Freud vai partir do seguinte problema em sua investigação: inserido na massa, o indivíduo pensa, sente e age de maneira diversa de quando está sozinho. Para descobrir o porquê disso, Freud utilizará basicamente dois autores, Le Bon e McDougall, em suas descrições da vida anímica coletiva. Invariavelmente, Le Bon e McDougall (e outros autores citados por Freud, como os da sociologia) atribuem à sugestão quase toda a responsabilidade pelas mudanças ocorridas nos indivíduos reunidos em grupo. Mas apesar disso, não dão uma explicação que justifique o funcionamento dessa sugestão. Diferentemente dos demais, Freud utilizará o conceito de Libido, tirado de suas práticas anteriores, para explicar a sugestionabilidade descrita por esses autores.

Palavras-chave: Psicanálise. Social. Grupo. Massa.

 

 

I Aluno da graduação da UFF Universidade Federal Fluminense.
Endereço: Alameda São Boaventura, 1025, apto. 2003, Fonseca, Niterói RJ, CEP 24130-001. Bolsista do programa de monitoria pela PROAC, disciplina História da Filosofia II (professor Cláudio Oliveira).
E-mail: marcusmpl.uff@bol.com.br
II Doutor em filosofia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), professor do Departamento de Filosofia da Universidade Federal Fluminense (UFF), onde participa também do corpo docente do Curso de Especialização em Psicanálise e Laço Social e coordena o Laboratório de Psicanálise e Laço Social (LAPSO).
Endereço: Rua Ministro João Alberto, 100/109, Jardim Botânico, Rio de Janeiro RJ, CEP 22461-260.
E-mail: claudio.oliveira@uol.com.br

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