SciELO - Scientific Electronic Library Online

 
vol.18 issue1Do social ao individual: a psicologia das massas de Sigmund Freud author indexsubject indexarticles search
Home Pagealphabetic serial listing  

Services on Demand

Journal

Article

Indicators

Related links

Share


Revista do Departamento de Psicologia. UFF

Print version ISSN 0104-8023

Rev. Dep. Psicol.,UFF vol.18 no.1 Niterói Jan./June 2006

https://doi.org/10.1590/S0104-80232006000100014 

EVENTOS

 

Psiquiatria infantil sem paredes1

 

 

Hugo Leonardo Rodrigues SoaresI; Isabele de Lima de BarrosI; Jairo Werner JuniorII

 

 

INTRODUÇÃO: A Universidade Federal Fluminense tem sido pioneira no campo da "Psiquiatria Infantil e da Saúde Mental da Criança e do Adolescente", sendo a única Universidade pública brasileira que há mais de 30 anos proporciona essa área de conhecimento aos alunos do curso de Medicina - está presente na grade curricular obrigatória do 5º ao 8º períodos, nas disciplinas optativas de Neuropsiquiatria infantil e Desenvolvimento Infantil e no Estágio Supervisionado de Psiquiatria Infantil (internato eletivo). Essa experiência interdisciplinar de formação no campo da Saúde Mental infantil encontra-se fundamentada na perspectiva histórico-cultural, e vem sendo realizada não apenas no curso Médico e no Mestrado de Saúde da Criança e do Adolescente, mas também em outros cursos da UFF: de graduação (Psicologia, Enfermagem, Serviço Social, Odontologia) e de extensão (Curso Interdisciplinar para Problemas Relacionados ao Uso de Álcool e Outras Drogas).
As atividades de ensino encontram-se articuladas com projetos de pesquisa e de extensão, destacando-se o projeto comunitário denominado "Psiquiatria infantil sem paredes", que se caracteriza como atendimento inovador de crianças e adolescentes com transtornos mentais e de comportamento, fundamentado no princípio da "interação social como principal fator constitutivo dos processos psíquicos individuais".
Sabe-se que o conhecimento psiquiátrico hegemônico está relacionado aos paradigmas e modelos mecanicista e organicista - influenciando tanto a compreensão da criança como determinando as classificações e metodologias diagnósticas. Baseado em Vygotsky (1978, 1989), Werner (1997, 2000) propõe, em contraposição, o paradigma histórico-cultural, no qual a criança é compreendida "como ser social e simbólico, constituído intrinsecamente nas e pelas relações sociais, culturais e históricas".
OBJETIVOS: Construir propostas de intervenção no campo da Saúde Mental, fundamentadas no modelo da Psicologia Histórico-Cultural, voltadas para a criança e o adolescente, prioritariamente das camadas populares.
METODOLOGIA: A metodologia se desenvolve em duas etapas. A primeira refere-se aos seguintes procedimentos: identificação das características sociodemográficas e epidemiológicas da clientela atendida (idade, local de residência, encaminhamento, motivo da consulta, diagnóstico/problemática, tempo de tratamento); monitoramento da situação atual (em atendimento, abandono, alta, encaminhamentos, intercorrências); problemas associados (sociais, legais, familiares, escolares, sexuais); atendimentos realizados (individuais: consulta médica, psicoterapia, terapia familiar; e, em grupo: informática, atividades expressivo-criativas, teatro, orientação e educação popular com pais e responsáveis). Na segunda etapa, os procedimentos de base mais qualitativa direcionam-se para a criação e valorização da co-construção crítica de novos conhecimentos junto à clientela atendida, principalmente nos espaços coletivos de expressão e educação popular.
RESULTADOS E CONCLUSÕES: O trabalho vem possibilitando: a) identificação da necessidade de estabelecer políticas e programas voltados para prevenção e tratamento de problemas relacionados às seguintes questões: fracasso escolar, abuso de drogas, violência doméstica; b) viabilização do acesso a propostas terapêuticas de qualidade e inovadoras; c) ampliação de campo de formação interdisciplinar para alunos da graduação e de pós-graduação; d) despatologização/desmedicalização de problemas como hiperatividade, desatenção, dislexia, entre outros; e) constituição de espaço de participação, produção e de construção de cidadania para os pais e responsáveis, inclusive com a organização de cooperativa.

Palavras-Chave: Psiquiatria Infantil. Psicologia. Histórico-Cultural. Educação Médica.

 

 

1 Trabalho apresentado na XXVIII Semana Científica da Faculdade de Medicina da UFF, Associação Médica Fluminense, Niterói, Rio de Janeiro.
I Graduando do curso de Medicina da UFF, monitor das disciplinas de Neuropsiquiatria Infantil e Desenvolvimento Infantil; graduanda do curso de Medicina da UFF, Bolsista de Extensão da PROEX/UFF.
II Orientador e professor adjunto IV, responsável pela área de Psiquiatria da Infância e Adolescência da Faculdade de Medicina (Departamento Materno Infantil) do Centro de Ciências Médicas da UFF. Médico e Doutor em Saúde Mental -UNICAMP e Mestre em Educação - UFF.
Endereço: Departamento Materno-Infantil - Faculdade de Medicina - Hospital Universitário Antônio Pedro (HUAP) - Rua Marquês do Paraná, 303, Centro, Niterói - RJ, CEP 24303-900.
E-mail: jwerne3@attglobal.net

Creative Commons License All the contents of this journal, except where otherwise noted, is licensed under a Creative Commons Attribution License