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Revista do Departamento de Psicologia. UFF

Print version ISSN 0104-8023

Rev. Dep. Psicol.,UFF vol.19 no.2 Niterói July/Dec. 2007

http://dx.doi.org/10.1590/S0104-80232007000200001 

EDITORIAL

 

 

Com o lançamento deste número encerramos uma importante etapa na história da Revista do Departamento de Psicologia – UFF uma vez que, seguindo a tendência atual dos periódicos científicos, a partir do próximo ano a Revista será publicada apenas em formato eletrônico e não mais impresso. Com o novo formato esperamos não só reduzir os custos da publicação, mas principalmente, ampliar o número de artigos publicados por fascículo, agilizar o processo de avaliação e tramitação dos textos, entre outras facilidades que o formato eletrônico viabiliza. Lembramos que estas mudanças coincidirão com os 20 anos de existência da Revista. Esta data será por nós celebrada com estas e outras novidades a serem conhecidas por nossos leitores na ocasião do lançamento do nosso 20º número.

Neste fascículo da Revista o leitor encontrará 14 artigos, uma experiência em debate e os trabalhos apresentados em eventos.

O psicanalista Juan Carlos Cosentino assina o artigo Sueño: discurso y escritura. Neste trabalho o autor parte do texto freudiano para tecer interessantes considerações acerca do sonho e indicar que "através do sonho se produz uma ativação dos restos do visto e do ouvido, do tesouro da língua materna".

Um exercício rigoroso de investigação clínica, de Angélica Bastos, tem como objetivo central comentar criticamente os eixos principais da investigação de Juan Carlos Cosentino. Trata-se, portanto, de um artigo que apresenta ao leitor as contribuições do psicanalista argentino para a releitura da obra de Freud.

Pedro Teixeira Castilho, autor de Uma discussão sobre a angústia em Jacques Lacan: um contraponto com Freud, propõe uma releitura do caso Hans, descrito e analisado por Freud, a fim de discutir a noção de angústia articulando as teses lacanianas com a perspectiva freudiana acerca deste tema.

Do determinismo psíquico às escolhas subjetivas é o título do texto de Daniela Scheinkman Chatelard no qual a autora discorre acerca das distinções e articulações entre a noção de cogito, tal como aparece na filosofia cartesiana, e a concepção de sujeito do inconsciente, tal como é proposta na psicanálise.

Jorge Luís Gonçalves dos Santos e Roberto Calazans afirmam que há uma compatibilidade entre a psicanálise e o pensamento científico. Para estes autores há no pensamento freudiano um questionamento da lógica clássica, calcada na ilusão da unidade da razão. Tal questionamento é central para a fundamentação da hipótese levantada pelos autores do artigo intitulado Compatibilidade entre psicanálise e lógica.

Anna Carolina Lo Bianco e Aline Vieira de Araújo assinam o artigo Fragmentos: a construção do histórico em Freud. As autoras fazem uma cuidadosa releitura do texto de Freud Moisés e o Monoteísmo para discutir as distinções entre a acontecer histórico, a historiografia e o adjetivo histórico.

A reforma psiquiátrica e as andorinhas é o título do texto de Maria Lúcia Boarini e Izildinha Quijo. O trabalho traz importantes contribuições para o campo da Reforma Psiquiátrica já que apresenta uma experiência de implantação de um Centro de Convivência como parte de uma rede substitutiva de atenção à saúde mental no município de Maringá. A autora conclui reafirmando, entre outras coisas, que para a consolidação da Reforma Psiquiátrica, tem fundamental importância a parceria entre gestores, profissionais de saúde em geral e usuários dos serviços de saúde mental.

Partindo de uma pesquisa de campo com 200 graduandos do curso de Psicologia de uma universidade privada, Nilton S. Formiga analisa questões que dizem respeito a preconceito, valores humanos e sexismo ambivalente. Com o inventário levantado, o autor do texto Valores humanos e sexismo ambibalente indica que "o critério de orientação valorativa pessoal relacionou-se com o sexismo hostil e benévolo, já o social apenas com o benévolo. Assim, os valores que visam um individualismo foram capazes de fomentar tanto o preconceito sutil quanto tradicional, e que os que apontam para uma orientação social, salientou também uma discriminação sutil".

Em seu artigo Os sintomas depressivos e as relações sociais na terceira idade, Marilia Ramos discorre sobre "o efeito das trocas sociais nos sintomas depressivos dos idosos". Para tanto realiza um primeiro grupo de entrevistas com 871 idosos, dos quais 551 foram entrevistados uma segunda vez. O conjunto dos dados apresentados nessas entrevistas leva a autora a reafirmar a importância das trocas sociais para o decréscimo dos referidos sintomas.

A temática do trabalho feminino ligada às questões da maternidade e dos cuidados infantis está presente no trabalho de Leila Sanches de Almeida intitulado Mãe, cuidadora e trabalhadora: as múltiplas identidades de mães que trabalham. Nele a autora coloca em questão como as mulheres de diferentes classes sociais lidam com as múltiplas e contraditórias identidades presentes na condição de mães trabalhadoras.

Tendo como tema central os processos de normatização da infância e da família brasileiras a partir de discursos/práticas de especialistas, Nelson Gomes de Sant'Ana e Silva Júnior e Ângela Nobre de Andrade constroem o artigo "É melhor pra você!": normatização social da infância e da família no Brasil. A pesquisa que o sustenta tem base genealógica, discute "conteúdos veiculados nos Arquivos Brasileiros de Higiene Mental" e fomenta a desnaturalização de verdades universais presentes no campo estudado.

Em Devir vírus, Marcos Adegas de Azambuja e Neuza Maria de Fátima Guareschi trazem discussões produzidas nos encontros no Programa de Educação a Distância (EAD) da PUCRS Virtual, problematizando as novas Tecnologias da Informação e da comunicação, a produção de subjetividades, formação e educação à distância.

Por fim, dois artigos que se fazem acompanhar de Sartre. Um primeiro, O movimento progressivo-regressivo na dialética universal e singular, de Kátia Maheirie e Zuleica Pretto, discute o movimento progressivo-regressivo desenvolvido pelo filósofo. No segundo, intitulado A experiência do "súbito" nas ficções de Lispector e Sartre, é a produção literária da obra de Sartre que é convocada, para junto com os textos de Clarice Lispector, conduzir a "compreensão da experiência do "súbito" na psicoterapia existencial".

Fechando este número apresentamos aos leitores as seguintes seções: Experiência em Debate com o trabalho Ser na Psicologia: diálagos sobre a profissão, de autoria de Arthur Arruda Leal Ferreira, Lívia Matias Simão e Nelson Coelho Júnior. Por fim, na seção eventos, são publicados três trabalhos que marcam a co-autoria entre professores orientadores e alunos.

 

Marcia Moraes

Maria Lívia Nascimento