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Revista do Departamento de Psicologia. UFF

versión impresa ISSN 0104-8023

Rev. Dep. Psicol.,UFF v.19 n.2 Niterói jul./dic. 2007

http://dx.doi.org/10.1590/S0104-80232007000200020 

EVENTOS

 

A clínica sob custódia: discursos e práticas dos psicólogos em presídios*

 

 

Ana Claudia Nery Camuri NunesI; Cristina Mair Barros RauterII

IAluna de Psicologia da Universidade Federal Fluminense e Bolsista de Iniciação Científica (PIBIC/CNPq)
IIProfessor Associado I da Universidade Federal Fluminense. Instituo de Ciências Humanas e Filosofia - Universidade Federal Fluminense. Campos do Gragoatá, Bloco O Sala 214. São Domingos. CEP: 24220-350 - Niteroi, RJ. E-mail: c.rauter@terra.com.br

 

 


Palavras-Chaves: Subjetividade Contemporânea. Criminalidade. Clínica.


 

 

A pesquisa analisa a produção de subjetividades no contemporâneo, especificamente a relacionada à criminalidade e a sua interseção com as práticas psicológicas. Para realizar a pesquisa de campo, utilizamos o método cartográfico, que visa acompanhar o processo de produção, estabelecendo algumas pistas que visem coletivizar a experiência do cartógrafo. As ferramentas utilizadas foram a observação participante e a entrevista semi-dirigida, ambas com Psicólogos do Sistema Penitenciário do município do Rio de Janeiro. Partimos da hipótese de que neste espaço não só o detento se encontra sob custódia, mas também o psicólogo com seus discursos e práticas. Discutimos a formação do dispositivo da delinqüência, assim como, os efeitos da prisão no que diz respeito à produção de subjetividades. Essa discussão é desdobrada a partir de alguns autores que tratam da temática da criminalidade como dispositivo de controle social no contexto das transformações atuais do capitalismo. Nesse universo, os profissionais "psi" são convocados a ocupar o lugar de agentes deste controle social, através da confecção do Exame Criminológico e da participação nas Comissões Técnicas de Classificação (CTC) exercendo funções de vigilância e controle freqüentemente em desacordo com sua ética profissional. São analisadas as leis e regulamentações referentes à função do Psicólogo no Sistema penitenciário, que estão na Lei de Execuções Penais - LEP de 1984 e 2003 e no Regulamento Penitenciário do Estado do Rio de Janeiro – RPERJ. Analisaremos o que se produz a partir do encontro entre a instituição e os psicólogos nela inseridos, pois observamos a dificuldade e o sofrimento de se trabalhar 'com' e 'no' Sistema (Judiciário, Penal e Penitenciário), o que consideramos um efeito institucional que atinge internos e profissionais, tendo em vista que todos são atravessados constantemente por forças destruidoras de subjetividades, como a violência, a tortura, o desrespeito aos direitos humanos e a vida. Podemos considerar que tais forças são "micro-facismos" que permeiam o campo social. São linhas segmentarias que barram os processos moleculares de transformação e ajudam a compor subjetividades depressivas, pessimistas, irritadiças, contraditórias e agressivas. A pesquisa fornece subsídios para a construção de estratégias resistência aos processos de mortificação que ocorrem no interior da engrenagem carcerária, que apontem para a coletivização e para criação de dispositivos para o trabalho clínico com grupos. Desse modo, pensamos que os micro-facismos e as linhas segmentarias possam ser combatidos e dissolvidos fazendo emergir novos sentidos, subjetividades, discursos e práticas mais potentes e criativos no sentido de fazer face ao controle social contemporâneo. Desse modo, a clínica psicológica é pensada em seu caráter eminentemente político.

 

Agência Financiadora: PIBIC/CNPq

 

 

* Este trabalho foi apresentado no V CONGRESSO NORTE-NORDESTE DE PSICOLOGIA, realizado em Maceió-AL, no Centro Cultural e de Exposições de Maceió, no período de 23 a 26 de Maio de 2007.

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