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Cadernos Pagu

versão impressa ISSN 0104-8333

Cad. Pagu  no.40 Campinas jan./jun. 2013

http://dx.doi.org/10.1590/S0104-83332013000100010 

ARTIGOS

 

Masculinidade corporativa e o contexto global: um estudo de caso de dinâmica conservadora de gênero

 

Corporate Masculinity and the Global Context: A Case Study of Conservative Gender Dynamics

 

 

Raewyn Connell

Universidade de Sydney. raewyn.connell@sydney.edu.au

 

 


RESUMO

A pesquisa sobre masculinidade atualmente é mundial, oferecendo-nos ricas bases para o entendimento desse tema em arenas globais. O tema da globalização tem, cada vez mais, entrado em foco nos estudos de gênero, e especificamente na pesquisa sobre masculinidade. Este trabalho mostra a utilidade de uma aproximação de história de vida para se entender gênero, baseada essencialmente na psicanálise, embora modificada para utilização em trabalho de campo sócio-científico. Apresenta-se um estudo de caso que representa a contribuição australiana para um estudo realizado em vários países, compreendendo a masculinidade corporativa. Diz respeito a um administrador de meia idade na indústria de construção, que revela uma forma conservadora de masculinidade hegemônica. Isso foi gerado em sua família de origem, em sua educação e na indústria de construção que é pesadamente masculinizada. Seu processo de trabalho administrativo é uma espécie de bricolagem de negociações e relacionamentos que são mais locais e concretos do que abstratos e globalizados. Esse padrão de masculinidade se articula com a economia global, mas não reproduz exatamente a masculinidade hegemônica das corporações transnacionais, que são, por contraste, caracterizadas por altos níveis de escolaridade e envolvimento tecnológico. Dois locais de contradição estão presentes na vida desse administrador: sua corporalidade e suas relações familiares, o que pode causar problemas para uma condução sem percalços de sua vida. Na entrevista há também um curioso momento de utopia, que coloca em questão seu projeto de gênero.

Palavras-chave: Masculinidade Hegemônica, Corporações Transnacionais, Administradores, Corporalidade, Família, Relações de Gênero.


ABSTRACT

Research on masculinity is now worldwide, offering us rich bases for understanding masculinities in global arenas. The issue of globalization has increasingly come into focus in gender studies, and research on masculinity specifically. This paper shows the usefulness of a life-history approach to understanding gender, based ultimately on psychoanalysis though modified for use in social-scientific field work. A case study from the Australian part of a multi-country study of corporate masculinities is presented. It concerns a middle-aged manager in the construction industry, who reveals a conservative form of hegemonic masculinity. This was fostered in his family of origin, in his education and in the heavily-masculinized construction industry. His managerial labour process is a kind of bricolage of negotiations and relationships that are more local and concrete than abstract and globalized. This pattern of masculinity is articulated with the global economy but does not exactly reproduce the hegemonic masculinity of transnational corporations, which are by contrast marked by high levels of education and technological involvement. Two sites of contradiction in this manager's life, i.e. his embodiment and his family relations, are identified, which may cause problems for the smooth management of his life. There is also in the interview a curious moment of utopia that calls into question his gender project.

Key Words: Hegemonic Masculinity, Transnational Corporations, Managers, Embodiment, Family, Gender Relations.


 

 

Introdução: masculinidades e o cenário global

Uma das características mais marcantes da pesquisa contemporânea de masculinidade é seu alcance mundial. O programa de pesquisa e documentação mais consistente a esse respeito foi lançado no meio da década de 1990, não no Norte global, mas sim no Chile. Esse programa atraiu pesquisadores de toda a América Latina, e produziu uma longa série de publicações (Valdésand Olavarría, 1998; Olavarría 2009). Não existem apenas estudos individuais, mas também coletâneas publicadas de pesquisa descritiva e estudos aplicados sobre a masculinidade, para praticamente cada um dos continentes e regiões culturais. Essas incluem masculinidades do Oriente Médio (Ghou ssouband Sinclair-Webb, 2000), masculinidades da África (Shefer et alii, 2007), masculinidades Islâmicas (Ouzgane, 2006), masculinidades em mutação na India (Chopra, 2007), e mais. Dessa forma, temos uma base empírica cada vez mais rica para pensar sobre as masculinidades nas arenas globais.

Na segunda metade do século vinte, o capitalismo foi restabelecido sob a hegemonia americana como um sistema global de relações econômicas. Firmas transnacionais, inicialmente chamadas de corporações multinacionais, tornaram-se instituições chaves na produção e marketing. Nos anos 60, inicialmente devido à necessidade das multinacionais por financiamento para transações internacionais, um novo corpo de capital sem pátria tornou-se visível. Nos anos 80, já existia uma interação crescente entre o capital e os mercados de câmbio dos maiores poderes econômicos, e as corporações multinacionais tinham adotado estratégias de aquisição internacional de seus componentes, o que resultou numa descentralização global da produção industrial. Economias em desenvolvimento e de baixos salários como México, Brasil, China, sul da Ásia e outros locais, tornaram-se subitamente importantes para as estratégias das grandes corporações, e a desindustrialização começou a ocorrer nos velhos centros de indústria pesada na Europa e América do Norte, tais como o vale do Ruhr e o norte da Inglaterra.

Os jornalistas que escreviam sobre negócios nos anos 80 começaram a escrever sobre "globalização" como uma forma de resumir tais mudanças. A ideia ganhou força com a ascensão da ideologia e da política neoliberais, a partir do final dos anos 70, que direcionou o crescimento do comércio internacional e dominou os regimes políticos da maior parte dos países. Nos anos 90, a ideia de globalização se tornou popular entre os sociólogos e teóricos culturais, bem como entre os economistas. A literatura sobre essa nova forma de sociedade, supostamente produzida pela globalização, tornou-se influente (ver minha resenha crítica sobre essa literatura: Connell, 2007).

O assunto também foi abordado por estudiosas feministas, e começou a surgir literatura sobre gênero e globalização (Chow, 2003). A maior preocupação dessa pesquisa residia em documentar o impacto da globalização nas vidas e lutas políticas das mulheres. No final dos anos 90, tais preocupações haviam também adentrado o campo da pesquisa da masculinidade, e iniciaram-se discussões sobre "masculinidades e globalização" (Connell, 1998).

O estudo das masculinidades é importante para os estudos de gênero, bem como para o pensamento feminista, sendo crucial para o entendimento do poder de gênero, os privilégios e as dinâmicas das relações de gênero. Nas sociedades contemporâneas, as estruturas econômicas e de poder envolvem instituições de grande escala. Portanto, uma parte chave do estudo de masculinidades, é pesquisar não somente indivíduos, mas instituições inteiras, nas quais as masculinidades se encontram incrustadas, e que possuem peso na escala social. Isso inclui o estado, os serviços de segurança, corporações, os mercados de capital e de commodities. O estudo das masculinidades administrativas é uma chave para o entendimento do poder de gênero nas condições modernas, e foi realizado com pioneirismo particularmente na Inglaterra (Collinson e Hearn, 1996).

Trabalhos mais recentes procuram conectar masculinidades de elite com poder e estratégias de classe. Dois projetos de sociólogos australianos, Mike Donaldson e Scott Poynting (2007), Ruling Class Men ("Homens que mandam"i), e de Michael Gilding (2002), Secrets of the Super Rich ("Segredos dos Super Ricos"), apontam nessa direção. Mas, como as relações de classe agora funcionam internacionalmente, isso requer atenção também para os cenários globais. As masculinidades na administração de corporações transnacionais, mercados, e nas indústrias que as servem dessa forma surgem como um assunto chave. A construção da masculinidade no cenário transnacional corporativo foi estudada, em nível cultural, por Charlotte Hooper (2000). Como bem mostrou Juanita Elias (2008), a corporação multinacional é uma instituição com um forte viés de gênero, dominada por homens que operam com masculinidades especificamente hegemônicas, e isso modela as vidas de mulheres empregadas, bem como de homens.

 

Método de história de vida

Este trabalho apresenta um estudo de caso, partindo de uma abordagem de história de vida quanto à construção coletiva de masculinidades. Nas ciências sociais, o ponto de partida é a obra de William Thomas e Florian Znaniecki (1927), The Polish Peasant in Europe and America ("O Camponês Polonês na Europa e na América"). Este livro inspirou um gênero de pesquisa social que continuou em gerações mais tarde, e se espalhou para outros campos. A amplitude e a flexibilidade do método de história de vida estão enfatizados na obra Documents of Life ("Documentos da Vida"), por Ken Plummer (2001), que fez ele mesmo um uso notável dessa aproximação na pesquisa social sobre sexualidade. Um dos projetos fundadores na sociologia contemporânea da masculinidade é de Michael Messner (1992), Power at Play("Poder em Jogo"), baseado nas entrevistas sobre a história de vida de esportistas profissionais.

O desenvolvimento mais importante do método de história de vida surgiu com a psicologia profunda. Os estudos de caso de Sigmund Freud, sobretudo Aus der Geschichte einer infantilen Neurose ("O caso do 'Homem Lobo'", 1918), estabeleceram dois pontos chaves. Primeiro, que as narrativas não são homogêneas; elas são locais de contradição, que Freud decodificou nas formas de ambivalência, formação de sintomas, etc. Segundo, que a memória autobiográfica é estrutural, não simples, e que é modelada pelo esquecimento, que Freud teorizou como repressão.

A relevância do método psicanalítico para a ciência social foi estabelecida pelo sociólogo norte-americano John Dollard, autor da obra de 1935, Criteria for the Life History ("Critérios para História da Vida"), na qual fez um exame detalhado da história da vida em ambos os campos. A sua continuação, Caste and Class in a Southern Town ("Casta e Classe em uma Cidade Sulista", Dollard, 1957) realizou uma brilhante demonstração de como os dados gerados por entrevistas de história de vida podem prover um quadro da estrutura social e das dinâmicas sociais com uma profundidade emocional que não se pode alcançar por outros métodos de pesquisa. Da última obra de Sartre, Search for a Method ("A Procura por um Método", 1968), eu adotei o conceito de uma configuração de prática como um "projeto" estendido ao longo do tempo, enquanto aderia ao sentido de Freud, de que a vida pessoal tem uma estrutura contraditória. Do brilhante estudo de encontros coloniais na India, realizado por Ashis Nandy, The Intimate Enemy ("Inimigo Intimo",1982), eu adotei a ideia da interação de formações da masculinidade dentro do encontro colonial ou pós-colonial.

O método de história da vida, como Messner (1992)demonstrou, é rico em possibilidades para o estudo das masculinidades (e, é claro, das feminilidades). Em outro trabalho, eu discuti em mais detalhes o método e sua aplicação aos casos de estudo em corporações (Connell, 2010b). Neste artigo, eu focalizo sua relevância para o estudo das masculinidades na globalização neoliberal, um tópico que tem sido de interesse por mais de uma década (Connell, 1998).

Juntamente com colegas no Chile, Japão e África do Sul, tenho estudado as masculinidades na área empresarial, no contexto da economia global (Taga et alii, 2011; Connell, 2010a, 2010b; Olavarría, 2009). Entrevistas com administradores em negócios, envolvidos ou impactados pelo comércio global e fluxos de capital, dão uma visão dos antigos e novos processos modelando as masculinidades de elite.

A maior parte de nossas entrevistas foi realizada com pessoas da faixa etária da próxima geração que irá liderar os negócios de topo. Entrevistas semiestruturadas seguiram uma agenda traçada com base na teoria de base de gênero e masculinidade (Connell, 2005). Elas geralmente duraram uma hora, foram gravadas em fitas, com a permissão dos participantes, e transcritas mais tarde. E juntamente com as notas dos entrevistadores, formaram a base de estudos de caso individuais, um dos quais é apresentado aqui. Esses estudos de caso, por sua vez, foram agrupados e comparados. As descobertas principais do estudo derivaram dessas comparações. Neste trabalho, porém, eu focalizo a discussão no nível da vida individual e seus projetos e trajetórias.

 

Entrevista e decurso da vida

Roger foi entrevistado em seu escritório, em uma cidade australiana, no meio dos anos 2000. Foi uma entrevista fluida e firme. Ele estava feliz em falar sobre sua vida e experiências, e precisou de poucas, senão de algumas perguntas ocasionais para guiá-lo. Tinha cerca de 50 anos na época da entrevista.

Roger é filho de uma família com boa situação, de classe média, mas não rica. Seu pai era um diretor de escola e sua mãe, após um curto tempo como professora, acomodou-se como "deusa doméstica", ou seja, dona de casa. Sua primeira infância foi passada em uma pequena cidade, e o final da infância em um subúrbio arborizado e confortável de uma grande cidade. Roger foi bastante bem nos estudos, embora tenha dito que não se considerava com muito talento acadêmico. Ele se qualificou para a universidade e realizou um curso em uma disciplina técnica.

Isso fez com que ele conseguisse um trabalho em uma pequena fábrica e firma importadora. Após cinco ou seis anos, ele decidiu que essa indústria na Austrália não estava indo a lugar nenhum. Ele tinha razão - as fábricas na Austrália estavam em declínio nessa época (e quase sumiram desde então), com o advento da política econômica neoliberal em uma economia pequena e dependente, nos anos 80, e com a mudança de estratégias para as "vantagens comparativas".

Felizmente, Roger ainda guardava alguns contatos do seu tempo de universidade, e isso o ajudou a conseguir um trabalho como assistente de administração em um grande incorporador, uma empresa que criava, construía e vendia edifícios de escritório. Quando seu chefe saiu da empresa, Roger foi promovido, e se tornou um gerente de projetos muito jovem. Ele se saiu bem, no meio rude da indústria de construção, e isso o colocou na carreira que continua até hoje.

Ele se casou nessa época e agora têm filhos, todos em escolas particulares caras. A família vive numa casa com portão elétrico, em um subúrbio afluente. Eles também possuem uma fazenda, que visitam nos finais de semana.

Roger trabalhou para dois grandes construtores ao longo dos quinze anos seguintes. Nesse meio, ele ocupou uma variedade de papéis. A julgar pelas histórias que ele conta sobre batalhas com os sindicatos, uma grande parte de seu trabalho envolvia administração de projetos e relações industriais. Mas ele também tem bons conhecimentos sobre o lado financeiro e empreendedor dos negócios. Recentemente, ele saiu dessas empresas grandes, para trabalhar em uma muito menor, que cria e formata projetos de construção para empresas maiores. Roger não deu detalhes sobre as circunstâncias de sua mudança de emprego, mas ele parece acreditar que isso lhe dá uma chance de se tornar um sócio (portanto, ganhar muito melhor), se o atual presidente da companhia, que é seu fundador, puder ser convencido a vender tudo e se aposentar.

 

O processo de administração do trabalho

Roger nos conta muito sobre sua empresa, mas não muitos detalhes sobre seu próprio processo de trabalho. A empresa trabalha principalmente em uma base de projetos, e nesse ponto pode ter adotado as técnicas de administração neoliberais desde muito cedo. Os incorporadores trabalham primeiro encontrando um local, então definem uma demanda - por escritórios, casas populares, hotéis, etc. Eles ganham uma opção para adquirir o terreno, então tentam interessar uma grande financiadora (como por exemplo, uma companhia de seguros) em financiar o projeto. Se isso é aprovado, eles reúnem rapidamente uma força de trabalho e realizam a construção.

Existe um ciclo na demanda por novos prédios. Cada vez, uma força de trabalho específica precisa ser reunida: este foi, de fato, o processo que colocou Roger na indústria, quando a empresa envolvida teve uma súbita necessidade por pessoas com suas habilidades técnicas. As habilidades genéricas de Roger eram o mínimo suficiente. Ele entrou em um intenso processo de aprendizado, aprendendo como fazer a administração de um projeto de construção. Outros administradores têm que fazer o mesmo.

Seu trabalho, portanto, é uma espécie de "bricolagem", embora seja sempre o mesmo tipo de bricolagem. Eles negociam com clientes, confrontam os sindicatos, recrutam funcionários, trabalham com assuntos empresariais do dia a dia, questões de segurança, suprimento de materiais e assim por diante. Roger se lembra, discutindo suas negociações frustrantes com os sindicatos sobre assuntos de segurança, quando havia uma fila de gente do lado de fora de seu escritório, todos com assuntos urgentes para falar com ele. Tudo isso tem que ser entrelaçado em uma agenda que possa cumprir os prazos do projeto, e tempo é dinheiro. A habilidade de tecer essas tramas, mais do que um conhecimento de alta tecnologia administrativa, é o que determina o resultado e define a reputação do administrador. Roger faz uma referência, meio em tom de brincadeira, ao fato de uma companhia usar técnicas de administração da NASA (a agência espacial dos EUA). Mas não há nada altamente técnico no que eles fazem: está claro que Roger confia em sua rede de conhecidos, em seu amplo conhecimento e agressividade para perseguir o sucesso. Conseguir fazer as coisas, resolver os problemas, levar à frente o projeto, é o que importa nesse negócio.

Em seu local de trabalho atual, Roger não tem um papel bem definido. Ele foi obviamente trazido com um alto salário, mas ele não administra uma força de trabalho. Na verdade, ele diz que isso foi sua estratégia, deliberadamente. Ele queria estabelecer a si mesmo e sua reputação antes de assumir uma autoridade formal:

Então eu vim e disse eu não quero chegar e receber um título grandioso, e começar como se fosse muito importante. Pois as pessoas se ressentem disso. Se eles já estão aqui há um bom tempo, e uma pessoa nova chega, e é dito para elas que ele é muito bom...

Ele parece ter principalmente uma função de desenvolvimento de negócios, planejando novos projetos e assim mostrando que consegue manter a empresa em funcionamento. Roger descreve a empresa como tendo "várias flechas no seu arco": eles realizam consultoria para outras empresas administrarem suas propriedades; administram projetos, ou seja, administram propriedades para grandes empresas; e desenvolvem projetos, que "começam a partir do zero", que é onde se ganha mais dinheiro. Por exemplo, ele trabalhou com uma empresa biomédica, que tinha crescido muito rápido e necessitava de uma sede nova, e Roger planejou um novo conjunto de edifícios para ela.

Roger está, então, em uma posição que é um nicho dentro de uma empresa que também é um nicho, em um ambiente de "grandes empresas", e provê um serviço que é necessário em longo prazo. Esse é um ponto interessante sobre a economia neoliberal, com seu foco em contabilidade e lucros de curto prazo. As "grandes empresas" podem terceirizar um pouco de seu planejamento de longo prazo para pequenas empresas como a de Roger.

 

Conexões internacionais

O padrão de relações internacionais de Roger é mais ou menos determinado pelo nicho de sua empresa, e pelo fato de que os grandes incorporadores para os quais ele trabalhou antes costumam trabalhar cercados por outras empresas financeiras e industriais. As operações de Roger, por si sós, não são transnacionais, mas talvez a maioria de seus clientes seja. Ele diz de um cliente atual:

Uma empresa australiana grande não conta muito, a não ser que seja global. Esta para a qual estou trabalhando é uma empresa australiana, mas eles operam no mundo inteiro, praticamente. E todas essas empresas são tipicamente estrangeiras, ou a versão australiana disso.

Suas recordações da vida na indústria da incorporação incluem frequentes menções a clientes transnacionais, ou a empresas australianas que operam internacionalmente.

Eu trabalhei com vários tipos de empresas internacionais, mas sempre vi somente o lado australiano disso. Você sabe, você pode até fazer um tour ao redor do mundo para dar uma olhada, e ver quais são os melhores serviços e coisas assim. Mas você sempre acaba voltando para a sua situação local.

Especializando-se em grandes projetos na área financeira e corporativa, Roger é precisamente uma das pessoas descritas na obra de Sassen (1991), The Global City ("A Cidade Global"): são profissionais com altos salários, que proveem a economia local de serviços que permitem à economia multinacional operar.

Mas Roger tem uma interpretação interessante desse processo, que vai contra o entendimento convencional de globalização. Se você é um incorporador, e tenta se tornar global, você perde as conexões locais que fazem com que tenha sucesso. Mesmo tentando padronizar as operações ou fazer acordos em nível nacional já é muito amplo. Os administradores locais fazem negócios melhores localmente:

Seja por qual for a razão, há uma desculpa para que um sujeito de uma outra empresa venha e ofereça um preço nacional menor. E você pode tentar com muita força fazer negócios nacionalmente, mas em longo prazo isso não funciona. E eu acho que você pode até tentar com muita força "vou examinar todos os trabalhos das empresas transnacionais ao longo do mundo", mas no final das contas um cara que está na América do Sul não quer ouvir o que fazer quando estiver trabalhando para uma empresa. E essa relação pode funcionar muito bem na Austrália, pode funcionar muito bem na Europa, mas ser uma coisa bem diferente em outros lugares.

As especificidades da economia local são, portanto, uma limitação para a lógica da globalização. Sob o ponto de vista de Roger, isso significa que sempre haverá um lugar para pessoas como Roger. E ele pode estar certo.

Mesmo assim, a referência de Roger ao "tour" ao redor do mundo também indica uma limitação ao local. A tecnologia que sua empresa utiliza é importada. Os estilos em que eles constroem são internacionais, muitos derivados dos americanos. As técnicas de administração também são influenciadas por modelos internacionais, tais como indica a sua referência aos procedimentos da NASA.

 

Relações de gênero em casa e no trabalho

Em vista de sua infância transcorrida num lar onde imperava um arranjo de gênero convencional (pai provedor e mãe dona de casa), seu diploma técnico e uma vida de trabalho estruturada em torno de projetos, não é surpresa descobrir que Roger veio a ter uma família na qual ele ganha o pão e sua esposa é uma dona de casa. Sua racionalidade em termos das demandas do trabalho é a seguinte:

Eu penso que, particularmente no ramo da construção, e talvez no ramo da propriedade imobiliária em geral, isso é um negócio apaixonante, ao qual você tem que se dedicar, que consome muito tempo. E você toma muito café, e isso te deixa sentindo muito cansado. Mas quando você chega em casa, você acaba caindo numa poltrona. E você não vai para casa tão seguido e tão cedo quando deveria. Então, a pobre e velha família... Sente falta de Papai. Trabalhando com todos esses sindicatos, e com os peões, e a construção, há sempre mais um pouco de trabalho a fazer...você acaba fazendo uma outra incorporação, escrevendo um papel para alguém apresentar em uma reunião da diretoria, para que eles possam apresentar um outro projeto de centenas de milhões de dólares - há sempre uma razão urgente para dizer "bom, isso é mais importante do que ir para uma noite de discursos" (cerimônia do último dia de aula nas escolas)".

Então Roger deixa os cuidados das crianças com sua esposa. Quase tudo é por conta dela - por exemplo, a esposa de Roger diz que seu filho mais novo está tendo dificuldades com a leitura, mas Roger diz: "eu não sei". Ele também deixa para a esposa fazer a comida, cuidar da casa, que é um trabalho grande com um marido e várias crianças, "a casa fica bem desarrumada às vezes". Eles têm pessoas para fazer a limpeza, mas as faxineiras nunca ficam por muito tempo.

"Lidando com todos esses 'caras'" parece ser o resumo da ideia que Roger faz da empresa de construção. Chamar esse ambiente de dominação masculina talvez seja uma declaração muito fraca; essa indústria parece epitomizar a masculinidade. Entre as características mais masculinas está o ambiente de risco (histórias de Roger sobre as questões de segurança parecem propositais para desacreditar os sindicatos, mas existem, é claro, problemas de segurança reais nesse negócio), a dependência de redes masculinas (Roger tem várias - conexões escolares, conexões gerais, conexões corporativas), o estilo de confronto das relações no trabalho, os "acordos" de alto risco que caracterizam a estrutura do negócio.

Perguntado especificamente sobre as mulheres no local de trabalho, Roger dá um relato condescendente de

algumas secretárias de quem eu gosto são tão boas de digitação que tornam as minutas e formato dos documentos quase arte. Mas, em geral, a equipe de digitação e secretárias de cópia carbono não são o que costumavam ser quando eu era um menino.

Perguntado especificamente sobre as mulheres na gestão do projeto, Roger admite que as coisas mudaram ao longo dos anos, e agora existem algumas mulheres nesse setor. Antecipando uma pergunta sobre a ação afirmativa (na verdade não foi feita pelo entrevistador), ele insiste que essas mulheres estão lá "porque são muito boas nisso". Ele então explica que as mulheres são mais persistentes do que os homens, e, em seguida, lembra as mulheres que ele conhecia que eram boas no trabalho:

Possivelmente o meu Gerente de Projetos favorito, como cliente, e alguém que construía edifícios para mim [ou seja, em seu papel como um incorporador], foi uma mulher. Ela era muito sensata. Ela tinha uma série de fraquezas humanas, mas principalmente não era egoísta. E só queria ir em frente, e sempre muito eficiente. E todos os caras trabalharam muito bem para ela.

Esse paradigma, no entanto, foi excepcional. Questionado sobre os números reais, ele diz que sua empresa tem cerca de dez mulheres em cargos de escritório, entre o resto do staff; num total de cerca de trinta anos, houve "provavelmente duas" mulheres. Basicamente, Roger está satisfeito com a divisão sexual do trabalho em sua indústria masculinizada, e com privilégio econômico global dos homens. Essa questão não é apenas importante para ele. Ele sabe o suficiente para aceitar a igualdade de oportunidades, mas também pode oferecer clichês sobre as diferenças de sexo sem pensar muito.

 

Construção da masculinidade

A construção da masculinidade na vida de Roger é, na sua maior parte, simples. Roger foi criado com o modelo de um pai como chefe de família e figura de autoridade, e uma mãe que seguiu os movimentos da carreira do pai e teve todos os cuidados para com as crianças. Essa situação edipiana clássica foi seguida por uma educação no vórtice masculinidade de um diploma técnico. E que foi seguida pelos trabalhos em indústrias masculinizadas, primeiramente em fábricas, e depois na indústria da construção.

Roger segue, portanto, um padrão esperado: trabalha longas horas e deixa a casa com sua esposa; reconhece ter um equilíbrio trabalho/vida unilateral; tem uma abordagem de confronto nas relações laborais, mitigado pela necessidade de relações boas o suficiente com os trabalhadores para manter seus projetos em movimento; se apresenta como um negociador duro; tem um senso agudo das relações de poder dentro da empresa, por exemplo, está consciente do complexo problema de inserir-se nas políticas mal definidas de sua empresa atual, e posiciona-se para a sucessão.

Em termos de sua corporalidade, não sabemos muito sobre os primeiros estágios de sua vida. Soubemos que ele teve problemas com seu peso - "Eu não tenho tempo suficiente para ser saudável". Um par de anos atrás, ele teve esse problema, começou uma dieta e adotou um regime de exercício diário. Foi bem-sucedido, perdeu 20 kg, mas depois de 12 meses "ficou chato", e não parecia ser muito importante, então todo o peso voltou. Em seu novo trabalho ele tem estado "muito ocupado à noite, fazendo várias coisas", e não consegue encontrar tempo para ir fazer uma caminhada.

Há duas coisas que apontam para uma maior complexidade na masculinidade de Roger. Ele enviou seus filhos para uma determinada escola privada de elite, onde estudaram muitos de seus amigos do sexo masculino. Acontece que ele, em sua infância, teve oportunidade de frequentar essa escola, e recusou. Ele agora acha que cometeu um erro no envio de seus filhos para lá: "estamos pagando um monte de dinheiro e não parece ajudar muito." Descreve a escola como "boofy", um termo coloquial australiano sugerindo "estupidez masculina". Ele não está feliz com a escola, e em breve poderá enviar seus filhos para outro lugar.

Isso sugere uma tensão na prática empresário/arrimo de família. Assim como Roger delegou as tarefas da casa para sua esposa, delegou a educação para a escola, e a delegação não tem funcionado bem. As crianças precisam de algo mais. Roger leva-os em viagens regulares para a sua fazenda, e afirma que a longa viagem conta como "tempo de qualidade", mas claramente não é! Ele às vezes tem sua pescaria e leva as crianças no fim de semana "a pescaria é muito fácil, mas formamos um belo time". Assim, ele reconhece a necessidade de ser um pai na prática, mas evidentemente tem pouco tempo para isso. Esse é um dilema que encontramos em outros casos, embora geralmente entre os homens mais jovens.

A outra indicação de problemas vem logo após a discussão da escolarização das crianças e do peso de Roger. Ele fala sobre suas mudanças de papel no local de trabalho. "Pouco a pouco estou caindo em uma área onde eu poderia fazer alguma coisa a mais por mim mesmo, e fazer algum dinheiro com isso". Ele se lembra de um período de transição entre empregos, em que tinham muito mais lazer, e "era apenas idílico".

Comecei a pensar que talvez todos esses leões e tigres que ficam sob as árvores na savana, e é só pegar e comer uma gazela quando estão com fome - então talvez este seja o verdadeiro fim da vida. E tudo isso de acordar cedo, e se preocupar com as coisas, e fazer coisas para outro - você sabe, escrever minutas das reuniões, porque parece ser o seu trabalho para fazê-lo; de um jeito ou de outro, você está indo - que desperdício de uma vida. Bem, talvez fazendo todas essas coisas pesadas, seria agradável se pudesse fazer diferente.

Então aqui está a utopia burguesa - deitar debaixo de uma árvore e ter coisas boas ao alcance da mão - e a obra de Roger parece, por um momento, "um desperdício de uma vida". Mas ele imediatamente recupera a situação e diz que espera continuar a trabalhar "por algum tempo ainda". Ainda não fez a fortuna que ele gostaria e nem encontrou qualquer outra fonte de significado. Ele perdeu sua fé religiosa, embora gostasse de frequentar a igreja perto de sua fazenda como uma ocasião social com seus filhos.

 

Masculinidade hegemônica em um canto da economia global

Minha leitura da entrevista é que Roger construiu muito o tipo de masculinidade que é hegemônica na sua classe, a indústria e o subúrbio. Seus temas são familiares em outros estudos australianos (Tomsen e Donaldson, 2003; Connell, 2005): o foco no trabalho, a heterossexualidade como coisa indiscutível, a divisão sexual de trabalho nítida em casa, a combatividade em situações de conflito.

Na verdade, a masculinidade de Roger é tão convencional, que ele é um pouco antiquado em termos da economia como um todo. Não é orientado à alta tecnologia e não tem seguido o ensino superior além de sua formação técnica. Isso, sabemos de outros casos, pode vir a ser um sério obstáculo se Roger quiser subir de posto em uma grande empresa multinacional. Mas essa forma de masculinidade funciona com êxito em sua vida organizacional local e no contexto do papel de apoio que o seu ramo de negócios desempenha na economia global.

Metodologicamente, eu desconfio do que parece ser a encenação de um papel de gênero convencional, e da reprodução social de papéis sem falhas. Como mencionado acima, a psicanálise nos ensinou a ver a vida das pessoas como totalidades contraditórias. Embora no campo científico-social, em entrevistas, raramente tenhamos acesso ao inconsciente, e em uma entrevista de uma hora haver limites severos para a profundidade de conhecimento possível, muitas vezes é possível detectar contradições e limites nas configurações da prática do que são masculinidades. No caso de Roger, dois locais de contradição aparecem.

Um deles é referente a sua corporalidade: a luta contra o excesso de peso. Esse é, naturalmente, um problema crônico na masculinidade gerencial, em uma vida de trabalho sob pressão que não envolve trabalho manual; já vimos isso em outros casos. O corpo tem papel ativo nos processos de gênero, e pode aparecer como antagonista dentro da masculinidade hegemônica. Isso foi documentado pela primeira vez em Messner (1992), através da descoberta de doenças crônicas e dor nas vidas posteriores de desportistas profissionais.

O outro problema se dá com as relações familiares. Roger assumiu o papel do empresário convencional, delegando os cuidados infantis, a educação e o trabalho doméstico para sua esposa, mas isso se tornou problemático. Ele pode até enfrentar sérias dificuldades com seus filhos, porque suas exigências de trabalho são incompatíveis com ser um pai envolvido. Mas essas questões ainda não vieram à tona. Se ele for bem sucedido em sua estratégia de tomar posse de sua empresa atual, elas podem se tornar piores ainda.

Na pesquisa sobre a história de vida, as diferenças que aparecem na pesquisa transversal simplesmente como variação (em estudos quantitativos) ou incoerências (em estudos qualitativos) tornam-se inteligíveis como divergência e convergência de projetos através do tempo. Isso é extremamente importante para a compreensão do fato que se tornou de importância central na pesquisa social sobre a sexualização dos homens: a multiplicidade de masculinidades.

O tempo visto na história de vida não é apenas o tempo de geração, o ciclo de reprodução, crescimento e envelhecimento. Também é, fundamentalmente, o tempo histórico. Globalização neoliberal, como já afirmei em outro lugar (Connell, 2007), não é uma generalização abstrata de uma modernidade existente (ou pós-modernidade) na metrópole. No nível macro, é uma transformação de uma economia imperial em todo o mundo antigo, que envolve diferentes trajetórias na periferia e metrópole, e que atinge transformações específicas das instituições locais.

As pesquisas sobre gênero e globalização analisam principalmente a globalização como um dado, especialmente como um processo econômico, e questionam quais são os efeitos que tem sobre as relações de gênero, principalmente na vida das mulheres. Mas, em alguns estudos, a própria globalização é vista como sendo constituída por meio de processos de gênero. Elisabeth Prügl (1999), por exemplo, usa imaginativamente os debates da OIT sobre o emprego baseado em casa para definir a construção do gênero no que ela chama de "espaço global".

Um estudo de caso como o presente mostra que o espaço global do capitalismo neoliberal não é homogêneo. As corporações transnacionais que operam na Austrália dependem de empresas como a de Roger, mas não os obrigam a produzir exatamente o mesmo tipo de masculinidade gerencial como suas próprias operações globais exigem. O que eles precisam é um fornecimento local de serviços e, mais amplamente, a manutenção local de um contexto social e político favorável para a sua operação. Citei anteriormente a alegação de Roger que as operações nacionais e transnacionais não conseguem fazer esse tipo de coisa tão bem quanto as operações baseadas localmente, e ele está certo, sem dúvida. Vemos, nessa articulação institucional, a diferenciação espacial das masculinidades hegemônicas, conforme já observado por Connell e Messerschmidt (2005).

 

Agradecimentos

O estudo Masculinidades nas Empresas Transnacionais faz parte do projeto "Masculinidades, Mudança e Conflito na Sociedade Global", financiado pelo Conselho de Pesquisa Australiano. Meus colegas no estudo de masculinidades no mundo dos negócios são Futoshi Taga, Teresa Valdés, José Olavarría, Pontso Moorosi e Julian Wood. Agradecimentos particulares a Julian Madeira pela entrevista na qual este estudo de caso foi baseado.

 

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Recebido para publicação em 18 de janeiro de 2013.
Aceito em 11 de abril de 2013.

 

 

Nota da Tradução: As obras cuja tradução do título está em itálico não correspondem necessariamente a publicações nacionais, apenas o título foi traduzido para melhor compreensão do leitor.

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