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Cadernos Pagu

versão impressa ISSN 0104-8333versão On-line ISSN 1809-4449

Cad. Pagu  no.46 Campinas jan./abr. 2016

http://dx.doi.org/10.1590/18094449201600460151 

DOSSIÊ: GÊNERO E CUIDADO

Subjetividade e sexualidade no trabalho de cuidado*

Helena Hirata** 

**Socióloga, diretora de pesquisa emérita da equipe Genre, Travail, Mobilités (GTM) – Centre de Recherches Sociologiques et Politiques de Paris (CRESPPA) do Centre National de la Recherche Scientifique (CNRS), Paris, França.

Resumo

O artigo analisa resultados de pesquisa de comparação internacional Brasil-França-Japão no trabalho de cuidados a pessoas idosas dependentes em instituições (ILPI) e no cuidado domiciliar, atentando para a dimensão da sexualidade – tanto do beneficiário quanto do provedor de cuidados – nesse trabalho, e para a dimensão de gênero na relação entre cuidadora e pessoa cuidada. Poucas pesquisas tratam da dimensão da sexualidade no trabalho de cuidado. Porém fica claro pelos exemplos apresentados neste artigo que levar em consideração essa questão é fundamental, inclusive para a formação da cuidadora e para sua competência e sua qualificação plena para o exercício dessa atividade profissional.

Palavras-Chave: Gênero; Sexualidade; Cuidado; Qualificação; Formação

Introdução

Assiste-se hoje, na França, a novas orientações na sociologia do trabalho, do gênero e do care.

Se durante os anos 1980 a 2000 as pesquisas sobre trabalho e emprego dentro de uma perspectiva de gênero dominaram o panorama dos gender studies na França1, pode-se dizer que nos últimos dez anos tem-se avolumado o campo de pesquisas em que a dimensão da sexualidade é central. Além de pioneiros nessa área como Michel Bozon (1991, 1999), pode-se notar um desenvolvimento significativo de pesquisas nesse campo (Eric Fassin, 2003, 2005; Isabelle Clair, 2008; Elsa Dorlin, 2008 2). Também os lugares da sexualidade e do corpo na análise do trabalho, inscritos nos trabalhos anglo-saxões desde os anos noventa (Adkins, 1995), se tornaram visíveis num período mais recente na França, a partir das pesquisas sobre o trabalho do care das auxiliares de enfermagem (Molinier, 2009) ou o trabalho das enfermeiras (Giami et al, 2013).

Uma outra orientação que tem suscitado interesse crescente na sociologia do trabalho e do gênero diz respeito aos lugares da subjetividade, do afeto e do trabalho emocional. Se os trabalhos pioneiros em psicodinâmica do trabalho de Christophe Dejours (1980) deram um forte destaque ao tema “subjetividade e trabalho” e tiveram certa repercussão e influenciaram os sociólogos do trabalho desde o início dos anos noventa3, a obra de Arlie Hochschild (1987), pioneira na incorporação da dimensão “emoções” na análise do trabalho e iniciadora de uma nova sub-disciplina, a sociologia das emoções, só começou a ter uma certa receptividade na França nos últimos anos, graças sobretudo às pesquisas sobre o trabalho do care.

As dimensões do trabalho do care

Segundo Angelo Soares (2012), cujas pesquisas se inspiram na sociologia das emoções, cinco dimensões do trabalho do care podem ser detectadas, entre as quais a dimensão corpórea e sexual está claramente presente: 1) dimensão física: o contato corporal, presente em atividades como limpar excrementos, dar banho, colocar sondas, realizar a higiene de partes íntimas, etc; 2) dimensão cognitiva: conhecer a medicação, observar horários, reconhecer sintomas clínicos; 3) dimensão sexual: utilização do corpo da trabalhadora na produção dos cuidados; 4) dimensão relacional: interação, comunicação, capacidade de escuta; 5) dimensão emocional: importância das emoções no trabalho de cuidado; prescrição de emoções para a realização do trabalho e do controle emocional. Pascale Molinier (2012) também apresenta cinco diferentes facetas ou cinco descrições do trabalho do care: o care como gentleness, o care como know-how discreto, o care como trabalho sujo, o care como trabalho inestimável e o care como narrativa política (cf. Molinier, 2012:30-41). O “savoir-faire discreto” é uma noção que remete ao trabalho invisível e portanto pouco reconhecido; trabalho ao mesmo tempo atencioso e discreto. Mais interessantes e diretamente relacionadas com o tema deste artigo são as suas pesquisas em unidades de cuidado de idosos dependentes, onde a autora mostra como o aspecto sexual faz parte da atividade de trabalho e das competências profissionais das cuidadoras. Molinier (2009) apresenta o caso do Sr. Georges, que sofre de demência senil. Ele só se acalmava durante a higienização ou a troca de roupas e deixava de se agitar se as cuidadoras o deixassem tocar uma parte erótica diferente de seus corpos, segundo cada uma: “beijos no pescoço, mão na bunda, mãos em volta da cintura, e mesmo tentativa de tocar nos seios de uma corpulenta matrona” (Molinier, 2009:237). Longe de ser excepcional, esse comportamento é comum e recorrente, segundo a autora, nas instituições de longa permanência para idosos. Dentro desse contexto, o “bom” care seria aceitar de forma medida e circunscrita os avanços do idoso. Mas essa aceitação controlada teria que ser fundamentalmente objeto de discussão e construção normativa dentro do coletivo de trabalho. Isso significa a socialização dos problemas enfrentados pelas cuidadoras no contato com o idoso, o debate e a intercomunicação sobre tais questões, e o estabelecimento de regras e normas aceitas pelo coletivo de trabalho após discussão.

Trabalho de care e sexualidade

As características do trabalho do care acima apontadas e a relação entre o sexual e o cuidado mostram a complexidade do trabalho do care e a dificuldade em apreender as fronteiras entre suas diferentes dimensões: o amor, o afeto, as emoções não são do domínio exclusivo das famílias; e o cuidar, o fazer, as técnicas não parecem ser do domínio exclusivo das trabalhadoras do care. A sociologia das emoções pode ser utilmente convocada para auxiliar na análise do trabalho de cuidado.

É notável a ausência da dimensão da sexualidade nas teorias e nas práticas profissionais do care, com raríssimas exceções, quando a gerontologia se empenha em mostrar que a sexualidade não se extingue na velhice. Como dizem Debert e Brigeiro (2012), para a Gerontologia “não há velhice bem sucedida sem uma vida sexual gratificante”.

Constituindo uma exceção, as pesquisas de Pascale Molinier (2005, 2009) sublinham a invisibilidade do trabalho do care que recorre aos “savoir-faire discretos”. Ela mostra que esse trabalho não pode ser pensado independentemente do sexual. Embora possa ser menos problemático separar desejo sexual e velhice, por um lado, e sexualidade e competências profissionais, por outro, é impossível evacuar essa dimensão do sexual, constitutiva das relações de cuidado, em instituição ou a domicílio. Com exemplos concretos, como o do Sr. Georges apresentado acima, Molinier mostra até que ponto o trabalho de care e a criação de coletivos dependem dessas interações, nas quais o sexual está presente e as respostas possíveis à demanda do beneficiário de cuidados fazem parte do ofício e da construção da profissionalidade.

A partir de pesquisas sobre cuidadoras domiciliares migrantes em Buenos Aires, e o trabalho concreto, muitas vezes dirty work4realizado por elas junto a pessoas idosas, Natacha Borgeaud Garciandia (2012) responde à questão: “cuidar de um homem ou de uma mulher é a mesma coisa?” E como reagir a diferentes gestos sexuais, por vezes reificando o corpo da cuidadora, criando uma situação degradante, e por vezes como gesto suscetível de simbolização e de reinvestimento no trabalho? (Marché-Paillé, 2010:43). Para N. Borgeaud Garciandia (2015), a análise da sexualidade e da intimidade do idoso dependente é indissociável da análise do cuidado e do cuidador de que ele é beneficiário: “O sexual e a sexualidade fazem parte dessas dimensões do cuidado que engaja o indivíduo na sua totalidade, sua subjetividade, sua intimidade e sua própria sexualidade, seus afetos” (Borgeaud Garciandia 2015:5).

A partir dessas perspectivas teóricas que integram a subjetividade, o corpo sexuado e as emoções na análise da atividade de trabalho, examino e apresento a seguir alguns resultados de pesquisa sobre teoria e prática do care numa perspectiva de comparação internacional.5

Trabalho e subjetividade

Partimos da interrogação do filósofo Eric Hamraoui (2013): “O que denominamos sofrimento no trabalho não diz respeito sobretudo à relação com a vida e a morte?”. No prolongamento da psicodinâmica do trabalho de Christophe Dejours (1980, 2009), Hamraoui indica que o sofrimento preexiste à face a face com a situação de trabalho.

Nascido do encontro de uma resistência oposta à vontade ou ao desejo, o sofrimento constitui, de um ponto de vista antropológico e clínico, o modo de transformação, de desenvolvimento e de revelação a si mesma da subjetividade (Hamraoui, 2013:117).

No cuidado com os idosos, a interrogação de Hamraoui citada acima é uma evidência, mas o sofrimento também pode advir da discriminação (racismo) ou das políticas de gestão (“falta de efetivos”).

Sofrimento no trabalho: o racismo

Um cuidador homem, negro, de 45 anos, de origem estrangeira, exprime sofrimento e revolta contra o racismo dos idosos residentes em uma instituição francesa pública que lhe diziam: “o que você está fazendo no meu país? Quando vai embora?”. Ele conta também o caso de um idoso que dizia a um cuidador negro, mas que nasceu na França: “vá embora para o seu país”; ou o caso de uma idosa que procurou uma estagiária branca para lhe aconselhar: “não faça esse trabalho, deixe esse trabalho aos ‘outros’”, a mesma idosa que escondia sua caixa de bombons para oferecer apenas às/aos cuidadoras/es brancas/os.

Quanto ao sofrimento causado pelas políticas de gestão do tipo lean production, com “enxugamento” máximo dos efetivos e falta de pessoal para a execução de todo o trabalho, nas instituições pesquisadas nos três países, o número de idosos para cuidar em relação às poucas cuidadoras foi ressaltado pelas trabalhadoras/es, sobretudo as trabalhadoras polivalentes cuidando dos doentes com mal de Alzheimer organizados em pequenos grupos na França, pois elas tinham por tarefa o cuidado dos idosos, a preparação das refeições e dos lanches, a limpeza, a lavagem das roupas, etc. Havia uma divisão dessas tarefas em quase todas as instituições, e a preparação das refeições, a limpeza, a lavagem das roupas, etc. eram terceirizadas, com raras exceções.

Relação subjetiva ao trabalho do care: a morte dos idosos

“No dia seguinte, ela faleceu, a senhora, isso me... muitas vezes eu sonho (...) Isso (o que aconteceu) me marcou”. Podemos apreender claramente nessa citação os limites do trabalho emocional, do controle das emoções. Não se pode controlar o funcionamento psíquico, os sonhos, as dificuldades ligadas ao sono.

Esse dia um colega diz: a Sra. X não está bem (…) ela não largou o meu braço até que ela se foi tranquilamente (…). A filha dela quis saber. Ela ficou contente (que eu estava com a mãe dela). Depois, fiquei em estado de choque. Não estava bem. Deprimi. Uma crise de angústia (...) Sentir o peso. Contar. Depois de dois dias (estava melhor). Isso me marcou demais! (cuidadora em uma instituição de longa permanência de idosos na França).

As consequências do trabalho de cuidado que envolve a doença e a morte sobre a saúde mental e psíquica da trabalhadora ficam claras nessa resposta à nossa questão: “há algum fato inesquecível, algo que lhe marcou na sua vida de trabalho?”. A depressão e a angústia ressentida, sobretudo quando se tratava de idosos com os quais houve uma convivência de muitos anos, como era frequentemente o caso nessas narrativas, ficaram marcadas duravelmente em suas memórias. A culpabilidade é um outro sentimento despertado na relação subjetiva ao trabalho.

Depois de muitos anos, cuidadores de uma instituição pública de longa permanência de idosos na França ainda se recordam do desaparecimento de um residente com o mal de Alzheimer que saiu do prédio burlando a vigilância e nunca mais foi encontrado: “Não fomos suficientemente vigilantes. Não há código no elevador ou na porta de saída”. Também, anos depois, os cuidadores de uma instituição de longa permanência de idosos no Japão ainda se recordam do suicídio de um idoso que pulou de um segundo andar: “Não fomos suficientemente vigilantes. Ele pulou pela janela na nossa frente e não pudemos fazer nada”.

Trabalho e sexualidade: care e qualificação “tácita”

A culpabilidade pode estar diretamente relacionada, em alguns casos, com a sexualidade. Entrevistamos uma jovem cuidadora, de 21 anos, no Japão, que se sentia responsável pela queda de um homem idoso que a “bolinou” no momento em que ela ia lhe dar o banho.

Um acidente. Deixei escorregar o residente no momento do banho. Tive muito medo. Um residente que gostava de bolinar. Mas ele não fez isso por mal. Meu sentimento é que ele tinha suas razões. Difícil, o care [kaigo] (Sueko, Japão, 21 anos).

Esse episódio ocorrido nos primeiros meses de trabalho dessa jovem, que disse que tinha um namorado, coloca a questão levantada por Molinier, que evocamos acima, sobre o “bom” care e a competência profissional que implica uma posição em relação à sexualidade, tanto do provedor quanto do beneficiário do care. Deixar cair o idoso de quem se cuida não demonstra a qualificação necessária para o posto, mas não se pode obrigar a trabalhadora a aceitar o assédio sexual do idoso sob o pretexto de que ele tem problemas cognitivos e de domínio de si. Saber reagir a uma situação de imprevisto é a prova da qualificação, como na indústria de processo contínuo ou na aeronáutica, em que a qualificação do trabalhador é demonstrada em situações de imprevisto, pois durante longas horas de rotina nada se passa.

É preciso saber reagir, não podemos ser bruscos, precisamos fazer compreender que estamos aqui, respeito, eles não podem fazer isso (...) temos aqui um senhor que realmente (...) nos fala, diz coisas e é necessário enquadrá-lo, dizendo a ele, não, não estamos aqui, estamos aqui para lhe ajudar, não estamos aqui para ser bolinada ou para ser tocada. O senhor me deve respeito, assim como eu lhe devo respeito. Mas, sabe, é normal, é a vida (Sandra, França, 52 anos).

É necessário pensar na relação entre a experiência traumatizante de Sueko e a formação requerida para ser cuidadora (care worker). Todas as profissionais entrevistadas nos três países afirmaram que não havia módulos de formação quanto à questão da sexualidade no trabalho de cuidado. Entretanto, cuidadoras na França apontaram para uma alternativa, também evocada por Molinier: expor o acontecido e discutir em reuniões do coletivo de trabalho. “Deixar acontecer” poderia fazer parte do saber-fazer “discreto”. Molinier ressalta a importância do coletivo para construir “acordos normativos”. O papel do grupo para discutir e pensar conjuntamente as soluções e estabelecer normas face a essa irrupção da sexualidade no trabalho de cuidado parece fundamental e pouquíssimo presente nas instituições. Na solidão do trabalho de cuidado no interior do domicílio a questão é ainda mais difícil e crucial (Borgeaud-Garciandia, 2012).

Conclusão

Pensamos que teoria da sexualidade (cf. Dejours, 2002) e teoria da divisão sexual do trabalho (cf.Kergoat, 2001, 2012) podem ser combinadas para apreender a dimensão do trabalho no funcionamento psíquico e, inversamente, para apreender as funções psíquicas que operam na divisão sexual do trabalho. A atividade de cuidado, pela sua complexidade, representa um locus heurístico para pensarmos essas inter-relações e apreendermos o lugar da sexualidade na atividade de trabalho, nos determinantes da qualificação e da competência, e nas questões identitárias relacionadas ao provedor e ao beneficiário dos cuidados. Trata-se ainda de uma pista de pesquisa pouco explorada, pois a questão da sexualidade é pouco tratada na literatura sobre o trabalho de cuidado, tanto na França quanto no Brasil, e por isso mesmo é necessário prosseguir.

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1 Seria difícil mencionar todas as pesquisas e as pesquisadoras desse período, e mesmo mencionando apenas dois nomes, o de Danièle Kergoat e de Margaret Maruani, a obra delas é tão vasta que seria difícil citar aqui todas as referências necessárias; pode-se mencionar a 4ª edição, em 2011, de Travail et emploi des femmes, de Margaret Maruani (2011), editado pela primeira vez em 2000, e que faz uma síntese dos conhecimentos adquiridos ao longo dos dois decênios precedentes graças às suas pesquisas e às do coletivo de pesquisadoras da área de gênero e trabalho na França e o livro Se battre, disent-elles, de Danièle Kergoat (2012), coletânea dos seus principais textos, publicados a partir de 1978.

2 Esse livro analisa, dentro de uma perspectiva feminista, as relações entre sexo, gênero e sexualidade, três dimensões ou acepções, segundo a autora, do sexo.

3 Assim, Danièle Kergoat (2001:89) dizia que na medida em que “a atividade de trabalho é produção de si”, não podemos “pensar o trabalho, inclusive sociologicamente, sem levar em conta a subjetividade”.

4 Esse conceito de Everett Hughes (1951, 1956), dos anos cinquenta, foi retomado de maneira bastante sistemática pelas teóricas do care na França, a partir de meados dos anos 2000, na medida em que aponta para uma característica central da atividade de cuidado, que ao mesmo tempo é ocultado na descrição idealizada dessa atividade. Cf., por exemplo, o dossiê “Sale boulot, boulot sale” da revista Travailler (2010) e Molinier (2012). Embora o trabalho material de limpeza dos dejetos (fezes, urina, suor, esperma, sangue, etc) seja considerado “trabalho sujo”, na minha pesquisa quase unanimemente as cuidadoras e os cuidadores consideravam que o trabalho que realizavam não era dirty work.

5 Comparação Brasil, França e Japão, realizada em 2010-2011 junto a cuidadoras domiciliares e a cuidadoras em instituições de longa permanência de idosos, no Brasil com o apoio da USP e do CEBRAP, e financiamento da FAPESP; no Japão, com o concurso da Universidade Hitotsubashi e a equipe IMAGE, e o financiamento da Fundação Japão; na França, com o apoio da Universidade de Paris 8 e do CNRS. Em cada um dos três países, realizei em 3 estabelecimentos cerca de 30 entrevistas com cuidadoras, auxiliares/técnicos de enfermagem e enfermeiras. As entrevistas com cuidadoras domiciliares foram realizadas nas associações (França), empresas sem fins lucrativos (Japão) ou nos sindicatos (Brasil). Realizamos, no total, 330 entrevistas semi-diretivas (geralmente entre 35m à 1h15): 235 care workers trabalhando em instituições e 95 trabalhando nos domicílios. Colaboraram para a realização das entrevistas e discussão sobre o campo, Myrian Matsuo, pesquisadora da Fundacentro de São Paulo, Efthymia Makridou, na época doutoranda da Universidade de Paris 8/CRESPPA-GTM e Ayaka Kashiwazaki, na época estudante de mestrado da Universidade Hitotsubashi, que não realizou entrevistas, mas ajudou a preparar a pesquisa de campo no Japão.

Recebido: 28 de Junho de 2015; Aceito: 2 de Dezembro de 2015

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