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Cadernos Pagu

versão impressa ISSN 0104-8333versão On-line ISSN 1809-4449

Cad. Pagu  no.58 Campinas  2020  Epub 03-Ago-2020

https://doi.org/10.1590/18094449202000580001 

ARTIGO

O ativismo das jovens feministas em Madri pós-15M *

Young Feminist Militancy in Madrid Post-15M

Rosangela Schulz** 
http://orcid.org/0000-0001-8820-5083

Maria Almudena Cabezas González*** 
http://orcid.org/0000-0002-6988-2633

** Professora do Departamento de Sociologia e Política (DESP) e do Programa de Pós-Graduação em Ciência Política da Universidade Federal de Pelotas (UFPel). Pelotas , RS , Brasil . rosangelaschulz@gmail.com

*** Professora do Departamento de Historia, Teorías y Geografía Políticas na Facultad de Ciencias Políticas y Sociología da Universidad Complutense de Madrid (UCM), Madrid , Espanha . macabeza@ucm.es


Resumo

O artigo tem como proposta debater a nova dinâmica política espanhola a partir de dois eixos: o crescente ativismo de jovens feministas na cidade de Madri; as relações das ativistas com as novas forças políticas e partidos que movimentam o jogo político eleitoral da Espanha. Está dividido em duas partes: uma breve apresentação da metodologia e do aparato empírico; a análise das entrevistas com foco em quatro grandes temas – a trajetória das ativistas, as novas formas de fazer política a partir do 15M, a questão intergeracional e o local dos feminismos nos novos partidos políticos. A pesquisa nos permitiu constatar que a atuação no 15M gerou crescimento da consciência feminista e de uma forma de pedagogia ou educação cidadã. Além disso, é possível afirmar que a mudança geracional se traduz em uma maior densidade e diversidade do tecido feminista na cidade de Madri, com uma mudança de elites, tanto em termos dos movimentos sociais como em relação aos partidos políticos. Entretanto, no momento de criação dos partidos políticos, as posturas hierárquicas, tão marcadas nos partidos tradicionais, reaparecem quando se trata da agenda feminista.

Palavras-Chave: Ativismo; Feminismo; Jovens; Madri; 15M

Abstract

This paper discuss new dynamics in Spanish politics from two perspectives: the growing activism of young feminists in the city of Madrid and the relationship between those activists and the new political forces and parties that articulate electoral political dynamics in Spain. The paper is divided into two sections: the first offers a brief introduction to the methodology and empirical apparatus used. The second analyses the interviews, focusing on four major themes: the trajectories of these activists, the new forms for political action inaugurated by the 15M demonstrations, the intergenerational question, and the place of feminisms within the new political parties. The study found that the 15M demonstrations increased feminist awareness and stimulated a kind of pedagogy or citizen’s education. It is also possible to affirm that a generational change is expressed in a greater density and diversity in the fabric of Madrilenian feminism, with a change in its elites, in both social movements and political parties. However, as new political parties have been created, hierarchical attitudes towards the feminist agenda have reemerged as visibly as in traditional political parties.

Key words: Activism; Feminism; Young; Madrid; 15M

As manifestações que tomaram as praças da Espanha em maio de 2011, conhecidas como 15M 1 , produziram efeitos importantes no campo político espanhol e impactaram a dinâmica política feminista. No caso específico de Madri, durante o período em que os ativistas permaneceram acampados na Praça do Sol, entre as inúmeras comissões criadas, nasceu a comissão Feminismos Sol 2 . Entre embates internos para sua consolidação e as performances de rua chamando atenção para velhas e novas bandeiras de luta, a comissão uniu feministas históricas e jovens mulheres que não possuíam prática como ativistas. Estas gritavam slogans pelas ruas, dois deles se destacam por mostrarem a complexidade do quadro político espanhol no período, dominado por dois grandes partidos (PP e PSOE 3 ). A primeira, “¡No nos representan!”, era um grito direto aos políticos dos partidos tradicionais e apontava para a crise de legitimidade que enfrentava o sistema político espanhol. A segunda, “¡La revolución será feminista, o no será!”, demonstrava o sentido e a força política que as feministas davam ao movimento. Passados alguns anos, um novo quadro político se apresenta, novos partidos e forças políticas disputam o poder. Os jovens ativistas do 15M agora adentram o campo político eleitoral, inclusive feministas que contribuíram com instigantes entrevistas para nossa pesquisa.

Para abordar a nova dinâmica política, o artigo tem como propósito debater o ativismo feminista pós-15M na Espanha a partir de dois eixos: 1. o crescente ativismo de jovens feministas na cidade de Madri; 2. as relações das ativistas com os partidos políticos e as novas forças políticas que movimentam o jogo político eleitoral da Espanha, em especial Podemos e Ganemos 4 que juntos no projeto AhoraMadrid saíram vitoriosos do processo eleitoral municipal de 2015. O artigo está dividido em duas partes: uma breve apresentação da metodologia e do aparato empírico; a análise das entrevistas com foco em quatro grandes temas - a trajetória das ativistas, as novas formas de fazer política a partir do 15M, a questão intergeracional e o local dos feminismos nos novos partidos políticos. Por fim, apresenta algumas considerações.

I. Algumas palavras sobre a metodologia e o aparato empírico 5

As informações trabalhadas resultam da observação participante nas assembleias do Feminismos Sol e entrevistas semiestruturadas centradas no ativismo das jovens feministas e na relação entre as feministas e os novos partidos e forças políticas 6 . As entrevistas são centrais, pois permitiram trazer os atores sociais para o centro da discussão e obter insights sobre as visões pessoais e coletivas das feministas, bem como as imaginações, as esperanças, as expectativas, as críticas do presente e as projeções do futuro das ativistas envolvidas na pesquisa (Blee; Taylor, 2002). Porém, outras informações complementares ocupam um papel importante.

Durante o trabalho de campo, assistimos as Jornadas de Jovens Feministas em Madri, onde contatamos com ativistas que atuam em pequenos coletivos e foram incorporadas ao estudo como a parte mais jovem das jovens feministas 7 . Igualmente, estivemos presentes nos debates de Ganemos Feminismos , no encontro feminista de AhoraMadrid e no ato de campanha feminista da candidata e atual Prefeita ( Alcadelsa) de Madri, Manuela Carmena 8 .

Embora tenhamos entrevistado um total de 18 mulheres com idades compreendidas entre 17 e 52 anos, pertencentes a diferentes coletivos, neste artigo optamos por utilizar apenas 13 entrevistas. Assim, para organizar os dados e dar sentido ao texto, optamos por começar com as considerações das mais jovens (são três mulheres, sendo que duas delas militam em partidos políticos). Nossa narrativa sobre as posições em torno dos quatro aspectos selecionados para análise iniciam sempre a partir delas. Assim, o testemunho da jovem ativista, que não milita em partidos políticos (Mamen), é seguido pelas falas das duas jovens militantes (Antonia y Lua); após, apresentamos as opiniões das jovens ativistas do Feminismos Sol (Sara, Aitana y Ana) que não militam nos novos espaços partidários eleitorais; fechamos com a perspectiva de uma jovem ex-militante de Podemos (Altea). As opiniões das feministas mais experientes entram no texto com o propósito de conhecer o processo de construção da comissão Feminismos Sol e confirmar ou negar as imagens que expressaram as jovens. Além disso, permitem assinalar questões que estão na agenda feminista e que não apareceram nos relatos das demais entrevistadas (Amaya, Nora, Sandra, Rosa, Sonia e Emilia) 9 .

II. Quatro temas que emergem das entrevistas

As trajetórias de ativismo das feministas em Madrid na construção de uma identidade coletiva

As entrevistadas permitem catalogar três formas de construção da trajetória de ativismo das feministas madrilenhas na tentativa de construção da identidade coletiva, que não são mutuamente excludentes: as relações de parentesco - as mulheres foram influenciadas pelas mães, pais ou avós ativistas de movimentos sociais, sindicatos ou militantes de partidos políticos; o ativismo solitário (Gómez-Ramírez y Cruz, 2008) – se percebiam como ativistas, porém não atuavam em nenhum coletivo antes de participar da comissão Feminismos Sol ou de outros coletivos feministas; e, por último, as relações sociolaborais ou relações de entorno - incluímos as mulheres que foram convidadas por amigas e colegas para participar de coletivos e, de forma genérica, aquelas que iniciaram a trajetória no ativismo laboral ou estudantil.

As participantes mais jovens (Mamen e Antonia) sofreram influência de membros que militavam em partidos de esquerda de sua família, algo habitual nas formas de socialização política de jovens espanholas (Echeverri, 2010), porém, também entram na categoria de ativismo solitário, pois viveram “su feminismo más en el aislamiento, por lo que no es sorprendente que muchas de ellas sean autodidactas” (Gómez-Ramírez; Cruz, 2008:399). Acessavam (e acessam) literatura feminista em bibliotecas ou através de informações disponíveis na internet. Juntas, criaram um coletivo nacional que só existe nas redes sociais e que conta com 40 ativistas na comunidade de Madri, com idades compreendidas entre 16 a 20 anos 10 .

A militância política de Antonia também está vinculada a sua trajetória familiar

yo llego a Podemos porque soy una persona que viene de una familia muy luchadora, mi tío abuelo fue compañero de Paco El Cura 11 en comisiones, mi abuelo de PCE (Partido Comunista Español), muy luchadores todos y a mí me metieron eso.

Lua representa o ativismo solitário e o ativismo por relações de entorno, ela se pensava como ativista, porém sem um lugar claro para atuar. Em determinado momento de sua vida foi convidada por uma amiga e juntas criam uma associação para mulheres que sofrem maus-tratos, o que constitui seu primeiro passo para adentrar o movimento feminista de Madri, posteriormente inicia a militância em Podemos , onde cruza os temas feminismo e migração.

Por outro lado, as três ativistas jovens de Feminismos Sol possuem trajetórias distintas. Ana se enquadra dentro da categoria de relações sociolaborais ou por entorno, pois iniciou o ativismo no movimento universitário, onde participou da criação de um coletivo feminista. Mais tarde, se incorporou a um coletivo de trabalhadoras do sexo onde continua atuante. Aitana foi protagonista da comissão Feminismos Sol desde seu início e permaneceu até 2014, quando abandonou por falta de tempo. Possui uma trajetória de ativismo solitário, pois se considerava uma pessoa politizada, mas não ativista. Segundo seu depoimento, se converteu em ativista na Acampada 15M . Ela se introduziu no Feminismos Sol um ano depois de sua fundação e segue formando parte da comissão. De fato considera que “el activismo se ha convertido en un segundo trabajo o un primer trabajo en mi vida (…). Una forma de vivir, al final”. Por último, Sara inicia sua militância por relações de parentesco e relações sociolaborais, já que provém de uma família que participava do movimento feminista, atuou no movimento universitário e num coletivo feminista antes de chegar ao Feminismos Sol .

Igualmente, Altea é uma militante de ativismo solitário e de relações sóciolaborais, afirma que antes do 15M

justo cuando comenzó el proceso, era una isla. Porque yo venia un poco de militar en movimiento estudiantil, acabada de salir de la universidad, iniciaba a trabajar, entonces estaba todavía no perteneciendo a nada.

Ela se considera ativista a partir do 15M e teve forte implicação nas assembleias de bairros. Em seu relato, afirma que o ativismo no 15M salvou sua vida:

Pues es que yo reviví en el 15M (…) yo soy de las que digo que desperté, porque salí muy escaldada de los movimientos estudiantiles (…). Y, estar en la calle y que había un montón de gente igual que yo, que quería cambiar las cosas, igual que yo. Y (…) que teníamos la fuerza para hacerlo fue como, ostras, venga! (…). Fue como revivir! (Altea).

As ativistas feministas mais experientes compartilham o fato de ter formado parte da comissão Feminismos Sol , quatro delas não militam em partidos (Rosa, Sandra, Amaya e Emilia), duas são parte de Ganemos Feminismos e participaram do projeto AhoraMadrid (Nora e Sonia). Elas participaram do despertar do feminismo em sua diversidade como definido por Silvia Gil (2011) para o caso espanhol. Algumas tiveram participação em partidos clássicos, sempre no campo da esquerda, como Sandra que inicia a militância por relações familiares no PCE (Partido Comunista Español) e também por entorno, pois fez parte do movimento sindical alternativo e do movimento autônomo de base. Rosa vem do mundo da cooperação e participa de um dos principais coletivos feministas de Madri. Por fim, Emilia nunca havia militado no feminismo até chegar ao 15M.

As entrevistas permitem constatar que a construção de uma identidade coletiva como feministas segue os parâmetros destacados por Della Porta e Diani (2015:127), ou seja, é baseada na mudança pessoal que resulta em empoderamento e do fortalecimento do eu originados na ação coletiva e na continuidade da vida pessoal graças a um sentido de pertencimento coletivo. Outras falas, ao longo do texto, reforçam este sentido.

Novas formas de fazer política e o feminismo a partir do 15M

Após quatro anos da efervescência social que inaugurou o novo ciclo de protestos por democratização da política e da sociedade espanhola, é pertinente perguntarmos: quais foram as consequências do ciclo nas formas de fazer política nos feminismos e nos partidos políticos?

A nova política não é circunscrita aos partidos políticos, pois como recordam algumas das participantes daquele maio global de 2011, o 15M foi um fortalecimento do fazer político feminista em Madri, tanto em seu surgimento quanto posteriormente (Rosa), porque foram muitas as mulheres que tomaram as ruas. O convite elaborado pela Comissão Feminismos Sol para estimular a participação nas Asambleas de Barrios y Pueblos de Madrid sob o título II Pensarnos” permite algumas pistas para entender o papel político das feministas:

(…) la idea no es hablar sobre la participación de la comisión de feminismos en Sol, sino llevarlo más allá: pensar cómo pensamos, o incluso cómo nos piensa, el o los feminismos en relación al 15M. Nos surgían algunas dudas: “Pero, ¿y qué es el 15M?”. Anticipamos: no podemos decir qué es, pero sabemos que no queremos cerrarlo en palabras que lo constriñan, limitándolo a la estructura organizativa actual o a determinados lugares y momentos simbólicos. Preferimos entenderlo, por ahora y para la discusión, como una fuerza difusa, compleja y heterogénea, un acontecimiento con el que nuestros cuerpos se han visto sacudidos, descentrados, o también, como un proceso cultivado al calor de una política distinta y de la que nos hemos empapado, hecho y sentido parte. La discusión se expande más allá de las fronteras de la comisión de feminismos de Sol porque ni el 15M puede limitarse a Sol ni el feminismo a la comisión 12 .

Para os feminismos de Madri, o 15M permitiu a incorporação de novas ativistas e novos coletivos à ação. Além disso, a forma que adotou o processo, a horizontalidade e a frescura com que se espraiou, permitiu uma suspensão temporária da dinâmica competitiva entre os diferentes coletivos e gerou um espaço novo. Nas palavras de Nora, a ideia de que as feministas

(…) pueden tejer alianzas se plasma en una asamblea que es capaz de recoger todas esas diferencias, de donde pone cada una la fuerza (…). Es un nuevo hacer político porque permite recoger esas diversidades y ponerlas en un Asamblea y ser capaces de hacer en común.

Sob o guarda-chuva comum da indignação expressa na frase “¡No nos representan!”, que demarcou a não atuação em nome dos partidos, as integrantes da assembleia tomaram consciência de que a sociedade não assumiu os postulados mínimos da igualdade 13 . As pretensões do coletivo iam muito além, com demandas em torno da equidade, da cidadania e de propostas que ultrapassam a agenda dos feminismos institucionalizados. Por isso, uma parte do intenso trabalho da Comissão foi uma sorte de pedagogia com uma dupla incidência - em direção ao exterior e ao interior do 15M – expressa por uma explosão de oficinas, performances e ações diretas somadas a encontros nacionais e internacionais 14 .

Como já mencionado, as feministas mais jovens entre as jovens não foram protagonistas do 15M, porém têm uma visão positiva do desenvolvimento do feminismo no processo. Elas opinam que o ciclo de protestos incorporou novos temas na agenda e que as redes sociais fizeram diferença. Somente duas delas assinalam que a maior novidade reside no surgimento de partidos políticos. Mamen, a mais jovem que não atua em partidos, considera o 15M como uma “manera distinta de hacer las cosas”, um espaço muito democrático que ofereceu um lugar para conhecer pessoas, para a formação e a divulgação do movimento feminista.

Os discursos das jovens que militam em Podemos já possui outro foco, pois elas veem um novo fazer político a partir do 15M, com os olhos voltados para os partidos políticos. Sem dúvida, o momento político de campanha para as eleições municipais de 2015 influi seus olhares. Antonia afirma que “Desde mi punto de vista personal considero a Podemos una organización política nueva (…) es así como la organización que nace como del 15M”. Lua é uma jovem migrante que formou parte das listas de candidaturas às primárias da Plataforma AhoraMadrid em Podemos , e compreende o 15M como tendo sido “otra forma de participar con más pasión en el término de la política”, um espaço que permitiu mudanças nas formas de ver a democracia, de expressar a insatisfação, de “expresar tú opinión en ese sentido de ¡Estoy harta de esto! Quiero cambiar las cosas”. Seu olhar se centra no desgaste das pessoas com a política tradicional, na necessidade de mudança e no nascimento de novas coisas, inclusive de Podemos, “que hizo que la gente sintiera como suyo el hacer político” (Lua).

Das entrevistas de três feministas jovens integrantes de la Comissão Feminismos Sol emerge a importância da categoria horizontalidade como um eixo central em relação às formas de decidir e de fazer política. Porém, reconhecem que as decisões horizontais não são uma novidade do 15M, mas uma prática que já existia nos movimentos sociais autônomos, de ocupação e libertários (de raiz anarquista). Igualmente, elas assinalam a inclusão de novos temas na agenda feminista, como o transfeminismo e os micromachismos, por exemplo, ao mesmo tempo que se mantém os temas clássicos do feminismo, como o aborto.

Logo, cada uma delas realiza uma leitura pessoal. Para Aitana houve uma mudança nas formas de fazer política, com o agrupamento de diferentes coletivos, a coesão e a proximidade de mulheres que não atuavam anteriormente em coletivos feministas. Igualmente, destaca que há “nuevas formas de trabajar, nuevos debates internos, no solo por formas mas democráticas (…) mas con gente mas diversa”. Uma visão similar tem Ana, ainda que contesta de forma negativa a pergunta sobre a mudança na forma de fazer política pós-15M, recordando a existência prévia do feminismo autônomo em Madri que “se ha reactivado con el 15M”. Para ela, a novidade está nos repertórios com “acciones en la calle” 15 e, sobretudo, na ruptura dos feminismos com os partidos políticos. Seu relato versa sobre o avanço democrático das organizações de base, em contraste com as instituições partidárias. Por último, Sara também crê que as formas não são novas, pois tem a sensação de que “son formas que se habían perdido”. Para ela a novidade está na potencialidade das novas tecnologias e na introdução de novos temas à agenda.

Por último, uma integrante de distintas assembleias do 15M – de bairro e temática –, que não participou em Feminismos Sol , porém trabalhou com o tema gênero na prática profissional, utiliza a educação cidadã como categoria central de seu discurso sobre as novas formas de fazer política no ciclo de protesto. Em suas próprias palavras, afirma que “lo que sí que noto es una conciencia feminista, que ha permeado a la sociedad (…) que es la educación que reciben del 15M (…) Ese mirar distinto”. Seu relato é muito organizado, considera que há mudanças em termos de intensidade e de forma. Em relação a intensidade destaca que “hay mas participación, que hay más interés de la gente por la política y que hay más gente educada en política”; com respeito a forma, considera que “pasa a haber mucho descontento con las formas tradicionales y la gente empieza a interesarse por los colectivos que se organizaban de una manera distinta”.

Em resumo, as novidades para a entrevistada eram os repertórios de ação: as assembleias na rua, a assistência às Juntas ciudadanas (Juntas municipais) e as campanhas de incidência política. A categoria horizontalidade é também central em seu discurso.

As ativistas mais experientes, com anos de participação nos movimentos feministas, coincidem ao dizer que não houve novidade no fazer político, porém destacam que o 15M foi um momento de unidade para muitos coletivos feministas de Madri que anteriormente trabalhavam separados. A partir deste consenso, apontam matizes que cada uma delas deseja fazer notar, por exemplo: Rosa afirma que a mudança que trouxe o 15M é “que consigue dar visibilidad a los feminismos en el movimiento y visibilidad al género en la política”; para Sandra os aspectos fundamentais e novos foram: a grande diversidade de idades e a questão da cidadania, pouco visíveis antes do 15M.

As entrevistas permitem constatar que o ciclo de protestos tem fortalece o fazer político feminista, com destaque para duas categorias: a horizontalidade e os repertórios de ação. A horizontalidade nas decisões é vista como positividade do 15M, além disso parece ser o modelo decisório que dá sentido ao fazer ( quehacer ) político feminista em contraponto ao formato hierárquico percebido nos partidos políticos. As ações de rua são resgates de memória de repertórios de ação 16 dos movimentos feministas, que durante o 15M se acentuam e trazem novos elementos como a teatralidade e o humor no tratamento de temas clássicos e novos dos feminismos.

A questão intergeracional

As mulheres entrevistadas que participaram no 15M coincidem em afirmar que a experiência intergeracional na Comissão Feminismos Sol foi única, ainda que há evidências de alguns conflitos que foram superados entre aquelas mulheres mais experientes e mais identificadas com o feminismo “clássico” e as mais jovens e/ou defensoras do transfeminismo 17 durante a Acampada Sol (Galcerán, 2012) 18 .

Esta questão se comprova nos relatos das mais jovens e das jovens ativistas do Feminismos Sol , já que o transfeminismo é parte dos novos temas irrenunciáveis como um eixo central do ativismo. Porém, não é um aspecto compartido em outras comissões de gênero, de mulheres ou feministas de bairros do 15M, nem por ativistas de outras organizações feministas em Madri. Está marcado como um dos novos temas da agenda que deve ser trabalhado pelas ativistas experientes (Emilia), obviamente, sem abandono dos temas clássicos.

Por outro lado, identificamos uma distinção no tratamento do tema geracional entre o ativismo das mulheres em coletivos feministas e aquelas dos partidos políticos, sobretudo entre as mais jovens que não atuaram no Feminismos Sol . Mamen destaca de forma positiva a diversidade de idade e afirma que o coletivo de mulheres muito jovens recebe apoio ou ajuda dos coletivos com longa trajetória:

En la verdad nosotras estamos muy contentas sobre todo de la gente mayor, nos ven jóvenes pero estamos en su misma línea, así que nos prestan ayuda. Estas señoras mayores que ya han hecho bastante quieren que vengamos chicas como nosotras, gente nueva con ganas de luchar.

No entanto, ela mesma ressalta que em relação a temas como prostituição há um certo desacordo entre as posições abolicionistas e não abolicionistas e constata que as primeiras fazem “otro tipo de feminismo”. Há um contraste com o relato das duas jovens militantes de Podemos que fazem referência ao preconceito em relação à juventude que vivenciam dentro do partido político, ainda que uma das marcas da identidade da nova política é o reclamo de juventude.

As ativistas do Feminismos Sol utilizam palavras como enriquecimento, orgulho, crescimento e solidariedade para referir-se a questão intergeracional. Sara é a única a assinalar que “las diferencias no eran tanto la edad más por las diferentes formas de ver y de entender el feminismo” e chama atenção sobre a presença de uma “ola muy joven de transfeministas con un discurso bastante rompedor y bastante diferente”. Como já destacamos anteriormente, esta é uma diferença muito clara com os discursos de gerações prévias (Gil, 2011; Martinez González, 2007). Como as demais ativistas, Altea vê com bons olhos o corte geracional no 15M e destaca que o movimento foi impulsionado por gente muito jovem, por gente universitária entre 25 y 30 anos, complementa dizendo que sua experiência mostra que as pessoas maiores de 35 anos entraram para atuar fortemente nas assembleias de bairros. Se produziu então

(…) una mezcla generacional como muy chula que tuvo sus cosas positivas y aprendemos mucho ambos (…) Aprendimos también de historia, de cómo se había organizado antes la gente, cuando era difícil. (Aitana).

As mulheres adultas tanto de Feminismos Sol como participantes em Ganemos confirmam este ponto, Sandra comenta que havia “muchas mujeres jóvenes bien pensantes, y una retaguardia de mujeres empoderadas”, razão para que agora “somos muchas más”. Rosa assinala que parte das jovens, por exemplo na Comissão Feminismos Sol , sabe cuidar-se mais, seu ativismo é mais seletivo e que

(...) las nuevas generaciones feministas tienen efectivamente su propia literatura y sus propias narrativas (…). Hay más fuerza en la capacidad de agencia para apropiarse de todas esas narrativas que tienen que ver con la sexualidad, la diversidad y el transito en todas sus recipientes (Nora).

Destaque para o compartilhamento geracional, bem como para os novos temas introduzidos na discussão feminista pelas ativistas jovens, particularmente o transfeminismo que passa a ser uma bandeira forte dos feminismos jovens e, inclusive, vivenciado como prática política em suas identidades coletivas e individuais.

Os feminismos e os novos partidos políticos

A relação entre as mulheres e os partidos políticos é complexa e, apesar dos muitos avanços sociais conquistados pelos movimentos feministas, segue sendo de difícil degustação. Os partidos políticos concebidos como estruturas patriarcais sempre colocaram obstáculos à inclusão das mulheres. As próprias feministas ainda questionam se o movimento deve manter-se autônomo em relação aos partidos ou deve lutar para que as mulheres ocupem postos de comando e disputem eleições nas democracias 19 .

Os partidos de esquerda sempre foram pensados como mais abertos à inclusão das mulheres. Porém, na prática políticas as mulheres continuam alijadas dos principais cargos e as bandeiras feministas são esquecidas ou colocadas num segundo plano, não sendo incorporadas como demandas gerais e urgentes no momento de definir a plataforma eleitoral mesmo no campo progressista (Lovenduski; Norris, 1993; Lovenduski, 1997; Astelarra, 2003; Avelar, 2001).

Passados mais de quatro anos das manifestações do 15M, o mês de maio de 2015 apresentou um marco eleitoral totalmente distinto do tradicional confronto PP versus PSOE, com novos partidos e coalizões eleitorais que agitaram o campo político madrileno (aliás, de toda Espanha). Duas novas forças políticas - Podemos 20 e Ganemos 21 – se uniram para a disputa municipal formando a Plataforma AhoraMadrid, destaque para o fato de que as duas se apresentavam como herdeiras do 15M 22 .

Podemos, Ganemos e EQUO juntos em AhoraMadrid buscaram contabilizar para si os votos dos manifestantes do 15M, inclusive das feministas. A relação entre os novos espaços eleitorais e as jovens feministas é uma história a levar em conta quando tratamos de compreender a novidade da chamada nova política espanhola 23 .

Podemos e Ganemos possuem espaços específicos para a discussão feminista, como pode ser constatado em suas plataformas políticas disponibilizadas em seus sites na internet 24 . Sem dúvida, os dois tiveram em conta as lutas feministas do 15M e a forte presença das mulheres nas mobilizações no momento de sua fundação (Pastor, 2013; Johnson, 2014). A relação entre feminismos e os novos partidos políticos passa a ser foco neste momento.

Para dar sentido ao texto, pensamos a partir das entrevistas com as feministas que atuam ou não em partidos, considerando a relação entre os feminismos e os novos partidos políticos. As falas permitem codificar algumas categorias a partir da noção de mudança: as ativistas que creem que a mudança do sistema não se dará pela via institucional; aquelas que creem que a mudança está nas mãos dos novos partidos; e, por último, as feministas pragmáticas que não creem no modelo institucional, porém pensam ser necessário disputar o poder político municipal nas eleições de 2015.

Mamen não é militante de nenhum partido e se justifica dizendo

Soy muy joven, ahora mismo en un partido no sirvo para nada, lo que me pueden dar es formación, me pueden ayudar. Estuve barajando en varias ocasiones meterme en algún tipo de Juventud Comunista pero la verdad es que fue el tema del feminismo que me echó atrás de meterme en ningún sitio de estos.

Começamos por sua opinião sobre o papel dos feminismos nos novos partidos: ela acredita que “en todos los partidos se deja al feminismo como de lado”, destaca a complexa relação entre ativismo feminista e militância partidária, considerando que nos partidos os machismos estão presentes e os temas caros ao feminismo são relegados a um segundo plano 25 .

O discurso das duas jovens que militam nos partidos é muito interessante, pois mostra claramente os limites para o tratamento de determinados temas nos novos partidos que buscam romper com o modelo político tradicional. Antonia constata que temas clássicos do feminismo – como as violências, os maus-tratos e os micromachismos –, estão presentes em Podemos. Porém, afirma que não há espaço para temas mais “polêmicos”, já que o partido necessita atrair eleitores diversos 26 . Um aspecto que Lua aborda desde outro ângulo, ao destacar que os partidos estão marcados por duas questões: a primeira é a argumentação ou comunicação política que, segundo ela, limita o que é possível falar 27 , por exemplo: “Es mucho más bueno hablar de mujeres que de feministas porque no todas en España son feministas y en lo que utilizó la palabra feminista como que crea rechazo”. Como o partido tem que atrair eleitores necessita buscar a melhor forma de comunicação, e afirma: “Eso te va enseñando el partido”. Esta visão utilitarista do feminismo tem sido uma das principais críticas que tem recebido Podemos frente a afirmação “¡La revolución será feminista o no será”! (Lua).

Outra questão que ela destaca trata dos temas dos cuidados e da confiança, quando afirma que

Me he sentido cansada porque me han cansado muchas cosas de muchos temas que me gustaría se hablaran y que no se hablan. Al final acabo entendiendo, es una línea programática de comunicar dentro del partido entonces lo aceptas o trae negación también, cosas que te gustaría que se dijeran pero tienes que buscar lo mejor para el partido (…). Son como dos formas diferentes, una es como más flexible, tú puedes sentir las cosas, y otra es interrelacionarse (Lua).

Uma diferença fundamental se encontra em Nora (como em outras participantes da plataforma eleitoral AhoraMadrid ), ao referir-se positivamente sobre a relação entre as mulheres candidatas e a forma com que elas buscaram unir-se para fazer uma campanha com foco feminista. Matiza que “fue un proceso difícil. Es un proceso cansado”. Algo que podemos constatar na reunião organizada por Ganemos no bairro de Atocha 28 . Na oportunidade, as participantes da Plataforma, junto a mulheres de outros coletivos feministas de Madri, discutiram sobre a ausência da potência feminista na oratório pública e a necessidade de colocá-la em cena. Naquela oportunidade, inclusive, se fazia referência a dificuldade de organizar atos feministas dentro da campanha eleitoral, mesmo aqueles atos que já estavam previstos (e marcados) pela direção de campanha 29 .

Importante destacar que o debate não era uma novidade, pois durante a preparação da grande manifestação de 08 de março de 2015 em Madri, estava presente a discussão sobre o lugar que os partidos políticos deviam ocupar na marcha. Destaque para o tratamento igualitário dado aos novos e aos velhos partidos políticos, ou seja, deveriam se colocar no final da manifestação, depois dos diferentes coletivos feministas. Interessante, já que algumas das participantes eram militantes dos novos espaços de disputa eleitoral ( Podemos e Ganemos ), mas optaram por atuar como um dos sujeitos de sua prática ativista.

O segundo grupo de mulheres, pertencentes ao Feminismos Sol, tem uma posição muito clara de desilusão com a política partidária e eleitoral. Ainda que afirmem a importância da atuação de companheiras feministas nos partidos políticos e a necessidade de mudanças que, em muitos casos, passam pela tomada do poder, as três entrevistadas podem ser enquadradas como ativistas que acreditam que a mudança do sistema não é possível pela via institucional. No entanto, no momento das entrevistas, estavam dispostas a votar na Plataforma AhoraMadrid , mais por uma necessidade de tirar o PP do poder do que por acreditarem nos discursos dos novos partidos políticos. Aliás, em relação a estes vertem fortes críticas.

Para Aitana os novos partidos não são uma causalidade, bebem das práticas e “algunas personas usan el 15M como trampolín, usan la oportunidad”. No entanto, destaca alguns avanços ainda que limitados: “Podemos si hubiera sido creado antes del 15M sería más machista, aunque todavía lo sea”. Quando é questionada sobre a militância em partidos, afirma que não existe um partido que a convença a implicar-se, pois não crê “en las formas de organización jerárquicas”. A ausência de horizontalidade também é o argumento de Ana para não militar e, segundo ela, desde o princípio havia dois 15M: um de base, resistente às instituições e, outro, partidista que recorre a muitas das reivindicações presentes no 15M. Além disso, não crê que haja espaço para os feminismos nestes partidos. Da mesma forma, Sara é muito crítica, principalmente em relação a Podemos:

No nace do nada, ya existía Izquierda Anticapitalista (…). Hay una parte de oportunismo (…). Me parece bastante ruin intentar hablar en nombre de los movimientos sociales, creo que deberían ser mas humildes y colocarse en otro lugar (…). Saben que hay mucha gente de los movimientos sociales que va a perder, saben perfectamente que a mucha gente de los movimientos sociales que probablemente los votemos, porque es mejor eso que nada (…). Soy muy consiente de que no espero nada en concreto, pero hay mucha gente que espera mucho (Sara).

Contesta dizendo que sua criação era previsível, pois “por mucho que el 15M empezara diciendo que no lo identificaba con un partido político, desde fuera se pedía continuamente era eso”. Porém, acredita ser difícil uma mudança real, com uma nova lógica, pois considera as estruturas velhas e difíceis de modificar. Em relação aos novos partidos, afirma que “me asusta mucho es que han vaciado de pronto muchos espacios de los movimientos sociales” e completa dizendo

además cuando no hace algo que ha dicho (…) pero cuando es alguien que ha militado codo a codo es una desolación (…) pierde toda la confianza en un cambio profundo (…). Mejor ellos que otros, pero con muchas y muchas reservas (Sara).

É possível sintetizar estas criticas em três pontos: em primeiro lugar, o entendimento de que algumas pessoas compreendem (e utilizam) o 15M como uma estratégia de oportunidade política para a construção de partidos 30 ; a crença que os novos partidos não mudam as “más” práticas dos partidos tradicionais; e a ausência de horizontalidade nas decisões internas e externas dos partidos políticos, que justificam em muito suas opções por não militarem. Alguns destes aspectos, especialmente o último, é confirmado por uma das entrevistas que ocupou um posto de liderança dentro de Podemos . Em relação a estratégia de oportunidade, Altea considera que o 15M desemboca em uma maior participação cidadã, através da criação de plataformas e coletivos nos quais as pessoas começam a trabalhar em rede, a trabalhar por determinados objetivos. Destaca que alguns tentam capitalizar todo esse trabalho e criar partidos políticos institucionais. Ela marca uma questão fundamental:

(…) no es del 15M a un partido político, [mas] del 15M a la creación de red, creación de educación política y a la ciudadanía. La ciudadanía participando de colectivos y plataformas distintas y, de ahí, surge la posibilitad de tomar las instituciones a través de un partido político o a través de una coalición electoral (Altea).

Desde seu ponto de vista, os novos partidos políticos querem passar a imagem de que são nascidos dos movimentos sociais, querem estar em contato com a cidadania e têm a intenção de fazê-lo, porém “no dejan de ser partidos políticos”. Considera que

Lo que pasa a la hora de institucionalizarse es que esa relación se hace mas complicada porque las instituciones no son horizontales y (…) en feminismos se nota mucho. Yo en Podemos sí que lo he notado. En Podemos hay una, como una vertiente que no es la principal del movimiento feminista y que quiere cambiar las cosas con otra perspectiva, pero no es la linea hegemónica (Altea).

A partir do balanço de sua experiência de militância em Podemos , Altea decide abandoná-lo, ainda que se mantenha como colaboradora especializada para alguns trabalhos relacionados ao programa eleitoral. Sua decisão está baseada em duas questões: a falta de horizontalidade na tomada de decisões; o fazer concreto da política dia-a-dia, onde primam formas de fazer política masculinas, como “imponer la opinión a gritos”. Ela indica:

Las mujeres en la política no lo hacemos gritando (…) es mas por respecto, por otras dinámicas, tu hablas (…) que quieres decir tu. En realidad, que era una dinámica masculina (…) y fui algo que me sentí muy incomoda y hablaba con otras mujeres que me decían el mismo (Altea).

Soma a falta de horizontalidade nas decisões, marca inegável do 15M, a outros dois tópicos: a realização de ações de rua e o companheirismo. São fatores que Altea sente falta no partido. Reflete sobre as complicações na organização de um partido, salientando que é um trabalho muito duro, muito intenso e muito forte, onde se sentia muito solitária. Comenta que o acolhimento que recebeu no partido foi por parte das mulheres:

Las llamaba – chicas me siento sola –, no me siento empoderada ni para levantar la mano y opinar porque eso ya había sido discutido entre algunos cuantos, chicos en la mayoría, y no me siento con espacio para decir nada porque si no lo grito mucho nadie me va a escuchar (Altea).

Seu relato confirma os pressupostos clássicos das dificuldades para a participação das mulheres nos partidos políticos.

As feministas mais experientes também apontam críticas aos novos partidos. Sandra fala sobre Podemos e afirma: “No se puede construir un partido desde la gente y luego hacerlo desde las elites”. Rosa indica que o surgimento destes espaços eleitorais supõe uma descapitalização dos movimentos sociais, e completa dizendo que “los partidos políticos desdibujan el discurso feminista. Ellos dejan en segundo lugar a las mujeres y dejan en segundo plan las cuestiones de las mujeres”. Em relação ao Podemos , diz Rosa: ojalá hubiera salido otra cosa del 15M”.

A ausência de espaços de fala às mulheres, debate presente na literatura feminista e crítica constante aos partidos políticos tradicionais, se faz presente quando o foco são os novos partidos (principalmente Podemos). Além disso, novamente a noção de horizontalidade (sua ausência) aparece como marca negativa dos novos partidos.

Considerações finais

O propósito do artigo foi debater a nova dinâmica política que ocorria na cidade de Madri no período de 2011 a 2015 sob a ótica feminista, particularmente buscamos apresentar resultados da investigação sobre as relações entre os feminismos e as novas formações políticas que surgiram para dar via eleitoral as demandas de democracia real. Não propomos grandes conclusões, antes sugerimos alguns olhares para o diálogo.

Em relação ao ativismo das mais jovens, constatamos que o 15M foi uma escola prática (e teórica) de ativismo feminista. Com isso queremos dizer que a atuação das feministas nas assembleias na Plaza del Sol e nos bairros permitiu o crescimento da consciência feminista e de uma forma de pedagogia ou educação cidadã. Além disso, a relação intergeracional das feministas possibilitou um intercâmbio de informações e conhecimentos que contribuem para a diversidade dos sujeitos feministas. Desta forma, se constata que é necessário falar de feminismos em Madri, não é mais possível tratar o feminismo no singular.

Apesar do intercâmbio, as mais jovens feministas parecem desconhecer as complexas e dolorosas relações do feminismo com os partidos políticos, que geram obstáculos à presença das mulheres e de temas caros ao feminismo no campo da política. Demonstram um certo desconhecimento ou uma “inocência” ao pensar que podem mudar as relações tradicionais e patriarcais presentes nos partidos, tanto nos velhos como nos novos. É interessante como constatam a existência de tais relações no partido em que militam, porém crêem que é parte do jogo eleitoral, da estratégia política.

A segunda consideração se relacionada com a questão intergeracional. É possível afirmar que a mudança geracional se traduz em uma maior densidade e diversidade do tecido feminista na cidade de Madri. A partir da Acampada Sol novas cortes feministas compartilham espaço com ativistas de maior experiência nas lutas dos movimentos sociais. Nesse lugar se produz um intercâmbio interessante, exemplos são as traduções de novos temas como o transfeminismo, os cuidados ou os micromachismos. Assim, transformam a agenda, ainda que esta não logra, em sua maior parte, trasladar-se à agenda dos partidos. Há também mudanças nas formas da militância, pois as jovens do Feminismos Sol não deixam sua vida privada de lado em função da ação política, e sabem guardar espaços próprios para o cuidado e a reflexão, sem responder a uma agenda marcada por outros atores sociais e políticos.

Vimos como as mais jovens abraçam a participação nos novos partidos políticos ou coalizões eleitorais crendo verdadeiramente em uma mudança política profunda, enquanto as jovens ativistas do Feminismo Sol e as ativistas experientes têm uma posição utilitarista, inclusive algumas seguem alimentando espaços autônomos e auto-organizativos, porém coincidem em participar nas eleições municipais de 2015 por causa da conjuntura concreta, praticando o que se conhece como voto útil.

A pesquisa de campo permitiu constatar que não há grandes novidades na configuração política, mas que estamos assistindo na cidade de Madri a uma mudança de elites, tanto em termos dos movimentos sociais como em relação aos partidos políticos. O 15M é o momento que nutriu uma nova corte de participantes e que, como bem destacaram as feministas em suas narrativas, não se tratou de uma transformação direta. Nos encontramos com elites que avançam em uma e em outra direção, criando novas organizações sociais e também novos partidos políticos. O que ocorre é que as novas formas vão em direção a uma política deliberativa, o que identificamos como formas horizontais, na hora da participação e da tomada de decisão são um indicativo iniludível do tipo de fazer político que marca profundamente o lugar da ação.

Entretanto, no momento de criação dos partidos políticos, as posturas hierárquicas, tão marcadas nos partidos tradicionais, reaparecem quando se trata da agenda feminista. Neste sentido, o ponto que nos parece importante destacar é que para os feminismos contemporâneos a horizontalidade é uma peça central para a inclusão das diversidades, ou seja, tanto para a inclusão de novos sujeitos, como de novos temas, sobretudo para marcar a agenda dos direitos que devem ser respeitados. As novas formas de nos relacionarmos e de nos contemplarmos como seres corpóreos não podem ser pensadas sem romper com as hierarquias. Assim, as feministas jovens e experientes que protagonizaram o Feminismos Sol acabam por ter uma posição pragmática em relação aos novos partidos: melhor eles do que os já conhecidos (e decepcionantes), porém não creem em uma ruptura profunda, já que os temas que defendem (velhos ou novos) não ocupam um papel relevante nas propostas eleitorais, e têm muito claro, de forma distinta às muito jovens, que a instrumentalização dos feminismos parece afetar todos os partidos quando entram no jogo institucional.

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1 O 15M resulta do agravamento da crise econômica iniciada em 2008, a princípio tratava-se de mais uma manifestação de descontentamento contra o modelo político que gerou desemprego, desalojamentos e pobreza na Espanha. Porém, o que era para ser apenas um protesto acabou se transformando em uma “tomada” da Praça do Sol - local símbolo das manifestações em Madri. A permanência dos manifestantes na praça acabou por gerar a acampada (acampamento), ou seja, uma mobilização permanente que se dizimou por outras praças do país. Organizado em uma estrutura de assembleia, dividida em diversas comissões (entre elas, a comissão Feminismos Sol ) e grupos de trabalho temáticos (Bringel, 2015; Castells, 2012; Fernández-Planells; Pampols; Figueroas-Maz, 2013).

2A comissão Feminismos Sol nasceu no 15M, como um lugar específico para o debate e para ações em torno do tema gênero. A justificativa para sua formação está centrada na constatação das feministas de que havia uma desqualificação dos temas feministas nas demais comissões. Sua presença no 15M não foi desprovida de conflitos. Após a desmobilização dos acampamentos em Sol, a comissão passou a fazer assembleias na Eskalera Karakola , um espaço ocupado e que se dedica a desenvolver projetos com temática de gênero no bairro Lavapiés ( http://www.sindominio.net/karakola/IMG/pdf_ekkatripticooctb2010.pdf - acesso em 15 mar 2016). A comissão continua atuante, embora tenha sofrido uma renovação em termos geracionais. ( Dossier de Feminismos Sol no site https://n-1.cc/file/download/540220 - acesso em 15 mar 2016).

3 Ao longo das últimas décadas o Partido Popular (PP) e o Partido Socialista Obrero Español (PSOE) dominaram a política espanhola, elegendo as maiores bancadas e ocupando os principais postos eletivos. Porém, pequenas agremiações partidárias marcaram presença, algumas com significativa força nos estados (comunidades) ou municípios.

4 Ao longo do texto, apresentamos as linhas gerais tanto do partido político Podemos quanto da força política Ganemos .

5Trata-se de pesquisa desenvolvida em colaboração entre as duas pesquisadoras no projeto de Estágio Sênior financiado pela Capes.

6A princípio, a opção era entrevistar somente as ativistas do Feminismos Sol atuantes durante a realização do trabalho de campo, porém nos deparamos com falas muito similares. Assim, acreditamos necessário ampliar a amostra para incluir ativistas que pertenceram ao coletivo e no momento da pesquisa atuavam em outros grupos. Além disso, consideramos algumas feministas que participaram das listas de candidaturas de Podemos e Ganemos para as eleições municipais de 2015, buscando cruzamentos entre os feminismos e as novas forças políticas. Entrevistamos um total de 18 mulheres, entre outubro de 2014 a julho de 2015.

7As Jornadas aconteceram na Universidade Complutense de Madri no dia 06 de março de 2015 [ http://www.rednosotrasenelmundo.org/Radio-en-Directo-I-Jornada-de – acesso em 12 mar 2016].

8O ato aconteceu no Cine Palafox no dia 21 de maio de 2015. A presença de ativistas foi tão significativa que a rua em frente ao cinema acabou tomada pelos militantes e teve de ser bloqueada para o trânsito.

9Todos os nomes são falsos, a fim de preservar o anonimato das entrevistadas. Importante destacar que as entrevistas foram feitas antes, durante e depois do processo eleitoral das eleições municipais e autonômicas de Madri que ocorreu em 25 de maio de 2015.

10Colectivo ScumGirls de Madrid [ http://scumsgirls.blogspot.com.es - acesso em 12 mar 2016].

11O Cura Paco , Francisco García Salve foi um ator fundamental para o surgimento do movimento obreiro no Bairro de Entrevías em Madri dos anos 1960 [ http://www.rebelion.org/docs/198957.pdf - acesso em 20 mar 2016].

13Nem mesmo os ativistas do 15M, já que ocorre um incidente no acampamento quando um cartaz feminista é arrancado por um ativista homem.

14Ver o Dossier de Feminismos Sol no site https://n-1.cc/file/download/540220 - acesso 15 mar 2016.

15Durante 2011, coletivos feministas de Madri realizam ações de rua, performances que formam parte do repertório político feminista desde os feminismos radicais da década de 1970. Como exemplo, ver ações de Las Tejedoras [ https://youtu.be/RskQFmdi020 - acesso em 15 maio 2015].

16Ver definições em Tarrow (2009); McAdam; Tarrow; Tilly (2009).

17Interessante discussão sobre as jovens feministas na Espanha a partir da categoria subversão que toma como base a Teoria Queer (Butler, 2007) encontra-se em Martínez González, 2007.

18Ter autonomia sobre os próprios corpos "se refere principalmente a um modelo de experimentação, que entretanto não negligencia a transformação política, cultural e das relações interpessoais, é experimentado como subjetividade" pelas jovens ativistas (Gomes; Sorj 2014:438).

19A complexa e lenta incorporação das mulheres no processo eleitoral levou à implementação de ações afirmativas em vários países (Lovenduski; Norris, 1993; Lovenduski, 1997). No caso espanhol a presença de mulheres na política é significativa, independente das cores ideológicas dos partidos, ainda que não seja uma participação substantiva (Carvajal et al., 2013; Fernández; Monferrer; Jordi, 2013).

20Podemos foi criado em 11 de março de 2014 como movimento político dirigido às eleições europeias de maio do mesmo ano. A horizontalidade nas decisões (através dos Círculos) é sua bandeira. Porém, na prática mantém a centralidade das decisões nas mãos do jovem líder Pablo Iglesias. Ver o Manifesto [ https://drive.google.com/file/d/0Bw8r3dTfkfUrd2RWVmxma1dmUGR6SW9EYU5oaUhoTm1yZUJr/edit - acesso 20 mar 2016].

21Ganemos teve seu manifesto discutido e aprovado em 27 de setembro de 2014 em Madri como uma iniciativa municipalista que aglutinava movimentos sociais do município e se postulava como espaço de confluência ou frente comum. Tem uma forte presença de ativistas feministas. Ver o Manifesto na página http://ganemosmadrid.info/ganemos-madrid/ - acesso 22 mar 2016.

22 Também integra a colisão o partido político EQUO, partido ecologista, nasceu no ciclo do 15M (04/07/2011), porém com pouco êxito eleitoral. Ver o Manifesto em [ http://partidoequo.es/quienes-somos/nuestras-ideas - acesso 20 mar 2016].

23Importante ressaltar que a plataforma saiu vitoriosa ao alcançar 31,8% dos votos (20 vereadores - concejales ), ainda que para governar necessitou do apoio dos nove vereadores eleitos pelo PSOE (15,2% dos votos).

24 Para maiores informações ver: Circulo Feminista Podemos Madrid [ https://www.facebook.com/pages/C%C3%ADrculo-Feminista-Podemos-Madrid/1469287496625477 - acesso em 22 mar 2016] e Grupo de Trabalho Feminismos Ganemos [ http://ganemosmadrid.info/grupo-de-trabajo-de-feminismos/ - acesso em 22 mar 2016].

25Ver esta discussão em Hernández, 2014.

26 Por exemplo, em plena crise aberta pela ameaça de modificação da Ley de Interrupción del Embarazo (lei do aborto) por parte do ex-ministro Alberto Ruiz Gallardón (PP), as declarações de Pablo Castaño Tierno, um dos líderes do Podemos, publicadas em Pikara Online Magazine no dia 13 de novembro de 2014, deixaram transparecer que o tema não era prioritário para o partido [ http://www.pikaramagazine.com/2014/11/podemos-y-el-feminismo/ – acesso em 23 jan 2016].

27O tema dos diferentes espaços de fala foi desenvolvido de forma interessante por Young (2000), porém não há espaço para desenvolver seu argumento neste artigo.

28A reunião ocorreu em 04 de maio de 2015 e estiveram presentes aproximadamente 60 representantes de diferentes coletivos, sindicatos, instituições (cabe salientar que havia poucas feministas jovens presentes).

29A força do coletivo feminista no interior da Plataforma termina por ser visibilizada através de atos de campanha informais - como a Merienda que aconteceu na Pradera de San Isidro com a candidata Manuela Carmena (19 de maio de 2015) e o ato da candidata que, finalmente, foi chamado de feminista no Cine Palafox de Madri (21 de maio de 2015).

30Autores ligados a Teoria do Confronto Político tem utilizado a noção de estratégia de oportunidades políticas para analisar as ações coletivas, só recentemente esta tem sido aplicada aos partidos políticos (Della Porta; Diani, 2015; Tarrow, 2009; McAdam; Tarrow; Tilly, 2009).

Recebido: 21 de Junho de 2017; Aceito: 26 de Outubro de 2018

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