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Varia Historia

Print version ISSN 0104-8775

Varia hist. vol.24 no.39 Belo Horizonte Jan./June 2008

http://dx.doi.org/10.1590/S0104-87752008000100016 

ARTIGOS

 

De granito e de bronze – marcos da identidade carbonífera em cidades catarinenses*

 

From granite to bronze – coal mining identity signs in Santa Catarina's cities

 

 

Dorval do NascimentoI; João Batista BitencourtII

IDoutor em História (UFRGS), Professor do Curso de História da UNESC. Av. Universitária, 1105 - Bairro Universitário - C.P. 3167 - CEP: 88806-000. Criciúma – SC. dna@unesc.net
IIDoutor em História (UFRGS), Professor do Curso de História da UNES. Av. Universitária, 1105 - Bairro Universitário - C.P. 3167 - CEP: 88806-000. Criciúma – SC. jbbit@pop.com.br

 

 


RESUMO 

Neste artigo são analisados dois monumentos públicos de cidades do Sul do estado de Santa Catarina para, a partir deles, compreender o envolvimento de tais cidades com os ideais de progresso que, fruto do bom desempenho da indústria carbonífera, contagiou a região em meados do século passado. Monumentos públicos são erguidos para fazer lembrar, destacar na polifonia do espaço urbano determinados valores à coletividade. Referências a momentos passados ou presentes, são eles "lugares de memória" e, como tal, servem como estratégia no forjar de identidades. Para o historiador o monumento público é igualmente um documento, evidência que permite adentrar e desvendar contextos pretéritos.

Palavras-chave: cidade, monumento, identidade


ABSTRACT 

In this article two public monuments located at southern cities of Santa Catarina State are analyzed to understand how these cities were engaged with the progress ideals spread in this region as a result of the good performance of the coal industry in the final period of the last century. Public monuments are built to remember certain values to the collectivity and point out them from the polyphony of the urban spaces. References to past and present moments are "places in memory", and in spite of this are used as strategies to forge the identities. For historians, the public monument is equally a document, evidence that consent one to enter and reveal past contexts.

Key words: city, monument, identity


 

 

Derivado de monere (advertir, lembrar), a palavra latina monumentum remete "aquilo que trás à lembrança alguma coisa".1 A autora lembra que, ao trabalhar com a memória pela mediação da afetividade, o monumento trás em si um determinado investimento simbólico em um passado selecionado, que contribui para manter a identidade da comunidade. Erguido em geral pelo poder público, o monumento comemorativo possui uma carga de intencionalidade, em apoio a determinadas posições políticas e culturais, que o transforma em um eficaz instrumento de poder. A relação do historiador com o documento, que Jacques Le Goff apresenta como sendo aquela de revelar as suas condições de produção e de mostrá-lo como sendo instrumento de poder, rompendo com sua suposta objetividade, pode ser a mesma que devemos ter com o monumento.2 Aliás, essa operação de descortinar as intencionalidades presentes no documento é enfatizada pelo autor como resultado da transformação do documento em monumento pelo historiador. Se o documento torna-se monumento na visão de Le Goff, o contrário também ocorre, na medida em que o monumento é expressão também de uma certa objetividade presente no mundo social e que se presentifica nas representações que ele porta, já que "como documentos, os monumentos são criações marcadas social e historicamente; testemunham, porém, melhor a época de sua execução do que o período que pretendem evocar".3

Nossa proposta é explorar dois monumentos públicos erguidos em cidades do sul de Santa Catarina, buscando articular a conjuntura de sua construção e seus elementos constitutivos com a construção de um imaginário4 na região carbonífera de Santa Catarina que conjugava carvão e progresso, e que proporcionava às populações e cidades da região um esquema identitário que tinha na atividade carbonífera seu ponto de apoio. Consideramos útil fazer uma distinção entre o que institui as representações sociais e em que elas se constituem, por um lado, e as representações propriamente ditas de outro.5 A instituição das representações sociais refere-se às práticas sociais que estabelecem determinadas representações no nível da sociedade, no caso através dos monumentos em questão. A investigação da instituição de representações prioriza o estudo dos grupos sociais e das lutas por instituir as representações próprias de cada grupo, as lutas de representação.6 O que as constitui refere-se à forma como a representação é inscrita na sociedade, o seu caráter de obra propriamente dita, para este estudo as formas que os monumentos se inscreveram, com seus elementos constitutivos. Há determinadas formas que potencializam a eficácia social da representação e outras que a limitam, porém, todas importantes para a compreensão daquela dada sociedade. Por fim, a representação propriamente dita refere-se à determinada visão de mundo e valores sociais que as representações sociais põem em circulação, ou seja, o seu significado para a sociedade, o grupo ou grupos que a representação valoriza, as relações de poder. A partir deste conjunto distinto de categorias, pretendemos desvendar determinadas significações inscritas nos monumentos e que se descortinarão na medida em que os explorarmos.

 

Uma pedra de carvão no meio da cidade

No chuvoso dia 29 de dezembro de 1946 os populares da pequena Criciúma se acotovelaram na praça Nereu Ramos para ouvir o prefeito Addo Caldas Faraco discursar por ocasião da inauguração de um monumento público denominado Aos Homens do Carvão, com a estátua de um mineiro no alto de um pedestal, e erguido bem no centro da principal praça da cidade. O monumento expressava a importância que o carvão havia adquirido para a modesta Criciúma, cidade que havia sido fundada por imigrantes italianos, mas que devia seu crescimento a exploração do carvão mineral, iniciada no município por volta de 1916 e verdadeiramente impulsionada a partir da crise de abastecimento do minério no contexto da segunda guerra mundial. O monumento tornou-se o principal símbolo da cidade carbonífera, expressando a importância que havia adquirido o imaginário do carvão em relação à identidade urbana de Criciúma.

Infelizmente, as fontes para o estudo do monumento são precárias. Perdeu-se o seu projeto de construção e mesmo a materialidade do monumento já não existe, tendo sido destruído no início da década de 1970. A principal fonte de informações que utilizaremos é a parte histórica da obra Criciúma: Amor e Trabalho, elaborada por José Pimentel e Mário Beloli, com inúmeras fotografias, editada em 1974 pela Prefeitura Municipal de Criciúma na gestão do prefeito Algemiro Manique Barreto.7

Ao lado do prefeito postava-se o Frei Bernardino Vilas Boas, atração do Congresso Eucarístico Sul Catarinense que se realizou em Criciúma de 25 a 29 de dezembro do mesmo ano de 1946. O monumento foi inaugurado exatamente no último dia do Congresso. A igreja católica teve uma participação importante na construção do monumento, juntamente com a indústria carbonífera. A sua inauguração dentro das festividades do Congresso Eucarístico mostrava a alta influência que o catolicismo detinha, pretendia também repercutir o acontecimento já que o Congresso Eucarístico "foi sem favor nenhum, acontecimento de repercussão nacional, com a emissão de selo e a inauguração do monumento comemorativo do 33º aniversário da implantação, no sul catarinense, da indústria carbonífera".8 A relação entre o Congresso Eucarístico, as comemorações do aniversário da implantação da indústria carbonífera no sul de Santa Catarina e a inauguração do monumento não estão bem esclarecidas. Porém, levando-se em conta uma correspondência enviada por Nereu Ramos, então vice-presidente da república, ao prefeito de Criciúma percebe-se que o Congresso Eucarístico é parte das comemorações do aniversário da indústria carbonífera, e não o contrário, comemorações que incluem também a inauguração do monumento. Afirma Ramos que havia tomado conhecimento do "programa organizado para comemorar o 33º aniversário da indústria carbonífera cresciumense, figurando entre as solenidades um Congresso Eucarístico".9 Assim, a iniciativa foi das empresas carboníferas e do poder público municipal, com as atividades centradas em torno do carvão, elemento principal de galvanização identitária da cidade.

 

 

De qualquer forma, Congresso Eucarístico, indústria carbonífera e monumento mesclam-se na aparente intenção de tutelar os trabalhadores mineiros, numerosos e em crescimento naquela conjuntura, a um projeto de controle político e ideológico da classe, criando uma espécie de salvaguarda ideológica a influências esquerdistas através da reafirmação do catolicismo e do reconhecimento da importância do operário mineiro, presente na colocação da estátua no pedestal. Nas fotografias de inauguração do monumento destaca-se a estátua do mineiro, em tamanho natural, colocada em um alto pedestal.

Nos versos do Hino do Congresso Eucarístico, cuja letra foi elaborada pelo padre Agenor Marques, vigário auxiliar da paróquia São José no centro da cidade e um dos organizadores do Congresso, transparece a intenção, por parte de empresários e hierarquia católica no município, de tutelarem os trabalhadores mineiros.

Rejeitando essas falsas doutrinas
Ressurgidas de um mundo pagão;
De Jesus pelas sendas divinas,
Anda alegre o operário cristã.10

As falsas doutrinas podem ser identificadas com tudo àquilo que concorria com o catolicismo entre o operariado, no caso o mineiro, praticamente o único contingente da classe operária no município e região. Entre elas, as mais fortes provavelmente seriam o surgimento de igrejas protestantes no município, como a Presbiteriana em 1942 e a Assembléia de Deus em 1943/1944,11 e o crescimento do Partido Comunista Brasileiro – PCB em nível nacional neste período, cujo principal alvo de base de apoio era exatamente a classe operária. De fato, o PCB havia tido uma importante participação nas eleições de 1945, quando elegera vários deputados federais e o senador Luis Carlos Prestes. Isso assustava a igreja católica e os mineradores, ainda mais que o contexto internacional era o do início da guerra fria, o que justificava a necessidade de combate ao comunismo, visto como uma ideologia antiocidental e anticristã. A eclosão de movimentos reivindicativos locais, como a fundação do Sindicato dos Mineiros de Criciúma em 1945 e a greve dos mineiros da Carbonífera Próspera também em 1945 podem também ter reforçado, entre clero e patrões, a urgência de atuar com o objetivo de controlar as populações mineiras, expresso no Congresso Eucarístico e na inauguração do monumento.12

A denominação que foi dada ao monumento, Aos Homens do Carvão, demonstra bem esta intenção. No pedestal, em seu lado frontal, havia a inscrição "Criciúma aos Homens do Carvão 1913 – 1946", tendo abaixo o escudo do Congresso Eucarístico.13 Se por um lado essa denominação pode ser lida como uma homenagem aos mineiros, os homens do carvão representados na estátua, por outro, a presença de outras figuras no monumento, no caso empresários de carboníferas, nos mostra que a denominação tem um sentido mais amplo e aponta para a intenção de harmonizar as duas classes sociais que atuavam no processo de extração do carvão, os mineradores e os mineiros. A forma que o monumento assumiu em seu processo de construção denota essa intenção de maneira cristalina, tão própria ao símbolo como figura de linguagem.

Os mineiros são representados no monumento através de uma estátua de bronze de um mineiro, em tamanho natural e portando picareta e gasômetro, seus principais instrumentos de trabalho. O mineiro não tem nome, diferentemente dos empresários presentes no monumento, como veremos a seguir. A representação do mineiro no monumento é feita de forma a demonstrar o aspecto impessoal e coletivo da classe operária. Não tendo meios individuais de riqueza e prestígio para poder figurar publicamente, o mineiro é representado através de seu trabalho coletivo, presente em suas roupas e instrumentos de trabalho, cujo esforço coordenado é que propicia a retirada do carvão mineral do fundo da terra, base para o crescimento da região. A multidão de mineiros é representada por uma estátua anônima de um mineiro pronto para trabalhar. O mineiro é figurado no monumento como o herói – operário, o herói do trabalho e bom mineiro, representado como aquele que produz o carvão para as carboníferas.

Esse discurso de glorificação do mineiro através do trabalho era fundamental em Criciúma e região no período "clássico" do carvão.14 Podemos perceber esse discurso, por exemplo, em uma crônica memorialista publicada em 1959 com o título Criciúma, Exemplo de Trabalho, na qual Manoel Martins trata de vários aspectos da cidade de Criciúma, para onde havia se mudado há 20 anos quando ainda menino, entre eles os mineiros:

Teus operários, os homens do carvão, quais baluartes de coragem e amor ao trabalho, se embrenham ao alvorecer do dia pelas galerias adentro, arrancando da terra o sustento para suas famílias e o pedestal inexpugnável da grandeza da pátria brasileira.15

A forma de descrever os mineiros como homens corajosos que se embrenham na escuridão das galerias, ao alvorecer, para arrancar o carvão a terra, sustento de suas famílias, é bastante comum na região como estratégia discursiva. Acrescenta, no entanto, o autor em sua descrição duas outras qualificações. A primeira refere-se ao "amor ao trabalho" como uma das características dos mineiros e que se transfere para toda a cidade, como sugere o título. E a segunda refere-se a "grandeza da pátria brasileira", deixando entrever um vínculo entre o trabalho dos mineiros e parte do carvão que se destinava aos fornos de Volta Redonda, especialmente importante no contexto do fim da segunda guerra mundial. O discurso do carvão como combustível nacional e a sua utilização como estratégica ao país, é que fornece o substrato para apresentar os mineiros como operários da pátria. Os mineiros, no fim das contas, são apresentados como heróis corajosos, que amam seu trabalho e o fazem em proveito de suas famílias e da pátria, instituições vitais para a sociedade. As representações sociais que estabelecem um vínculo entre mineiros, trabalho e progresso, através do carvão, formam a base de afirmação de uma ideologia do trabalho nas áreas de mineração de Santa Catarina.

Os mineradores, os outros homens do carvão que o monumento enuncia, estão nele representados através de efígies em forma de medalhões afixados no pedestal que sustentava a estátua do mineiro. O empresário com maior destaque no monumento era Henrique Lage, um dos primeiros e principais empresários nacionais a realizar investimentos vinculados ao carvão no sul do Estado, no início do século. Eram também homenageados no monumento Gonzaga de Campos e Paulo de Frontin.16 Ficamos sabendo pelo selo comemorativo do Congresso Eucarístico,17 onde há um desenho do monumento, que o medalhão de Henrique Lage ocuparia um local mais central, em sua parte frontal, onde foi posteriormente colocado o escudo do próprio Congresso. A intenção, ao que parece, era fazer representar os homens do carvão na dupla Henrique Lage – estátua do mineiro e, assim, concretizar a idéia de congraçamento entre as duas classes carboníferas.

Se os mineiros são representados no monumento a partir de sua condição de trabalhadores do carvão, os mineradores são homenageados como pioneiros da indústria carbonífera, ou seja, suas representações são fixadas no monumento a partir do carvão. De fato, o monumento Aos Homens do Carvão, erguido em dezembro de 1946 e presente na praça central de Criciúma até outubro de 1971,18 foi na verdade um monumento ao carvão mineral, que a partir do imaginário que o vincula ao progresso da cidade e região sustentou a homenagem que se fez a mineiros e mineradores. Nesse sentido, o elemento constitutivo do monumento, que representa a presença não nomeada do carvão mineral, é o pedestal de granito, base que sustenta a estátua do mineiro e na qual foram afixados os medalhões dos mineradores. O pedestal como forma de constituição da representação do carvão no monumento remete para o seu caráter de sustentador do progresso da região carbonífera, como a base a partir da qual as cidades carboníferas puderam empreender seu crescimento. O tamanho do pedestal no conjunto do monumento demonstra também a importância que se dá ao carvão mineral no presente e no futuro daquelas cidades, em especial Criciúma, por ocasião de sua construção. Finalmente, a solidez do pedestal, feito em granito,19 busca referir para a capacidade da indústria carbonífera em sustentar a vida de uma multidão de pessoas, mineiros e seus dependentes, e – talvez – para o enriquecimento de outras pessoas, os mineradores. Como se fora uma pedra de carvão erguida bem no meio da cidade carbonífera, o monumento Aos Homens do Carvão foi um marco a evocar a base real e imaginária do crescimento econômico e urbano das cidades carboníferas da região sul de Santa Catarina. E lá esteve enquanto a economia e o imaginário do carvão o sustentou. Quando o monumento foi destruído e reconstruído na praça Etelvina Luz, contígua a Nereu Ramos, a estátua e os medalhões para o novo monumento foram transferidos. O pedestal foi dispensado.

 

O que anda nas cabeças não brota das entranhas da terra

A inauguração ficou um tanto apagada, os jornais de época que restaram e outras fontes consultadas não possibilitaram determinar o momento, mas sua construção movimentou as municipalidades do sul de Santa Catarina. Erguido no bairro Magalhães, em frente ao novo porto carvoeiro, o monumento a Getúlio Vargas e aos trabalhadores do carvão, minas e portos, é um grande portal para adentrarmos as complexidades do mundo social lagunense no contexto da expansão da indústria carbonífera catarinense dos anos 40 do século passado e permite observar o quanto a exploração do carvão constituiu-se em um elemento fomentador de um imaginário de progresso para a região.

Em 30 de outubro de 1941, a convite de Giocondo Tasso, prefeito municipal de Laguna, vários edis sul catarinenses compareceram na cidade para participar de uma reunião na qual o chefe do executivo lagunense apresentou a proposta de ali erguer um monumento a Getúlio Vargas em relação à indústria carbonífera. Naquela ocasião compareceram os prefeitos de Tubarão, Jaguaruna, Orleans, Imaruí, Urussanga e Criciúma, denotando que, mesmo sendo erigido em Laguna, o monumento ao "grande chefe da nação brasileira" tinha um caráter regional, compunha-se como uma obra panegerical e de agradecimento ao mandatário da nação, pelo progresso que se constatava no sul catarinense com a economia do carvão. Também porque, embora a iniciativa tenha sido levada a efeito por Giocondo Tasso, esse assim o fez respondendo a uma sugestão do Interventor Nereu Ramos.20

 

 

Encomendado ao escultor Hildegardo Leão Veloso, o grandioso monumento de 11,50m de altura teve iniciada sua construção, com apoio financeiro das municipalidades envolvidas, em 1943. A parte central da estrutura em granito é bastante elevada e embora seja quadrada chega a lembrar uma chaminé de indústria, a colocação das pedras de forma desencontrada, feito tijolos de uma parede, cujas frestas dos intervalos laterais resultantes dos encontros dos tijolos de cada camada se posicionam no meio dos tijolos da camada seguinte e assim sucessivamente, ajudam a causar tal impressão. O acesso ao projeto de Veloso talvez corroborasse tal observação. Sem essa possibilidade, vamos partir da materialidade da obra para, na cogitação com outras informações daquele contexto, conjecturar seus sentidos. Isto é, passar da descrição do significante à decifração de significados.

Porém, antes de caminharmos no sentido de compreender a menção ao desenvolvimento econômico relativo à indústria carbonífera que está presente no monumento, analisar-se-á a conotação política nele empregada e que, embora não seja o foco do que aqui se pretende analisar, contribui para o seu entendimento. Sua estrutura em blocos de granito formando uma unidade de formas lineares e a maneira como a esfinge de Vargas é nela colocada proporcionam uma interpretação vinculada à cultura política do Estado Novo, mais exatamente a dois elementos lhe é bastante característica: o Estado personalista e a noção corporativa de nação. Os ideólogos do Estado Novo concebiam a nação com dois pólos: corpo e cabeça, povo e "chefe". Assim, pode-se entender a união dos blocos de pedra, que formam um conjunto sólido de traços retilíneos, como a diversidade que deveria ser apagada em nome do grande ideal, a nação brasileira. Divisões internas de qualquer ordem deveriam desaparecer diante do congraçamento de todos em favor das diretrizes traçadas pelo "grande chefe", um povo, um poder e uma única aspiração. A frase que acompanha a imagem de Vargas no monumento explicita o sentido: "Habituei-me a ver a pátria como um todo sem fronteiras internas, formando perfeita unidade moral e material".

A metáfora da nação como um organismo está lá, o povo-corpo e o chefecabeça. No corpo de blocos de granito unidos está encravada a imagem de Vargas, somente sua face, a cabeça, pois ele é a mente que guia o corpo. Mas sua esfinge é encravada na pedra, pois o "chefe" é corpo e cabeça, ele é povo e é algo mais, é o "líder", e assim capaz de conduzir o corpo ao seu destino, o Brasil grande potência. O fato de ser cabeça e corpo lhe garante a providência de saber, antes do próprio povo, os seus anseios e demonstra a face autoritária do regime, que via o povo apenas como cumpridor dos desígnios da mente. A idéia de nação se concentra no papel do Estado e este na figura do presidente, desse modo atuar em prol da grandeza da nação é servir aos rumos definidos pelo "chefe", uma vez que para o organismo funcionar corretamente, o corpo não raciocina, cumpre as funções ditadas pela mente.21

Voltando à relação entre o monumento e a indústria carbonífera, podese dizer que a mesma é bastante evidente. Além da estrutura em granito, cuja parte central se eleva fazendo lembrar uma chaminé industrial, outros elementos colocam mais explicitamente essa relação. O monumento é composto de dois elementos, dois materiais, o granito da estrutura e o bronze dos adereços que a circundam. As partes em bronze podem ser divididas em dois grupos: os das laterais e os de frente e fundo.

Nas laterais encontram-se dois grupos de homens que trabalham na extração do carvão. Esses trabalhadores são representados de uma forma bastante peculiar, não lembram, de antemão, os operários das minas. Anatomicamente elegantes, fortes e vigorosos, eles estão desnudos desvelando uma musculatura exuberante, mas sem exageros, beirando a estética da escultura clássica de referência grega. A beleza da anatomia dos corpos contrasta com a ação que exercem; o trabalho representado é rudimentar, é esforço físico brutal, os trabalhadores estão em meio ao carvão, se grudam e se mesclam a ele. Uns o extraem de forma aparentemente bastante dificultosa, usando como ferramenta apenas um pedaço de ferro, outros carregam sobre os ombros, de maneira não menos sofrível, o material extraído. Há um primitivismo na simbologia do trabalho. Embora de composição harmônica, a alegoria parece destoar entre a forma dos corpos e o exercício do trabalho, o homem demasiadamente humano da anatomia antropocêntrica é submetido a um grande esforço, não há tecnologia e emprego de artefatos que facilitem o trabalho, a natureza parece difícil de ser controlada, ocupada, subjugada. Pode-se ainda remeter a um outro contraste, as formas bem torneados, da visão humanística do belo, se chocam ao retilíneo da geométrica estrutura em granito.

O outro grupo de adereços em bronze, formado pelos elementos de frente e de fundo, parece responder ao destoar constatado no das laterais. A visão de trabalho árduo, de rudimentar aparelhamento e de esforço extremo, é convertida em uma outra na imagem encontrada no painel do fundo, torna-se algo racional e organizado. No painel, homens vestidos trabalham na extração, embarque e no emprego siderúrgico do carvão e, bem diferente das representações laterais, há a utilização de equipamentos e máquina. Fechando a alegoria, e atribuindo lógica ao conjunto, na parte frontal do monumento acha-se a esfinge de Getúlio Vargas. Assim colocados, os adereços narram uma trajetória, contam um desenvolvimento; a extração carbonífera antes precária e pouco aproveitada se transforma, com Vargas, em indústria. O trabalho e o emprego do carvão vistos de forma precária nas laterais são alçados com Vargas ao nível racional e tecnológico, do manejo artesanal chega-se a uma atividade industrial, dinâmica e próspera. No monumento o carvão representa o progresso e o desenvolvimento do sul catarinense, mas para efetivar-se foi necessária a ação do estadista. Assim o presidente aparece na parte frontal do monumento, à frente das inovações constatadas entre as laterais e o painel de fundo.

Na época em que foi construído o monumento, indiscutivelmente a região sul catarinense vibrava com os empolgantes números da economia carbonífera. Conhecida como segunda fase da indústria do carvão em Santa Catarina, o período entre 1931 e 1953 é inicialmente marcado pelo acumulo de leis protecionistas ao carvão nacional, uma carga bastante extensa de legislação federal procurava regulamentar, financiar e incentivar a sua exploração e utilização.22 O crescimento da atividade carbonífera no sul de Santa Catarina observado nos anos 40 do século XX, quando em função de restrições impostas pelo contexto da segunda grande guerra e do investimento na indústria de base com a criação da Companhia Siderúrgica Nacional - CSN, levado a efeito pelo governo nacionalista de Getúlio Vargas, os índices de produção do minério subiram, passando de 45.026 toneladas em 1930 para 1.005.174 em 1950,23 traduzia-se para Laguna em uma perspectiva de desenvolvimento. A cidade pretendia tornar-se o escoadouro daquela produção e grandes investimentos e obras foram realizadas para adaptar seu porto aos novos padrões produtivos. Tal intento estava afinado com os discursos do poder público local que, na figura do prefeito Giocondo Tasso, reproduzia o maneirismo da cultura política estadonovista. Tasso fazia crer que o município respirava uma atmosfera de progresso e procurou expressá-la no espaço urbano. Em seu governo foram realizadas obras de infra-estrutura como rede de distribuição de água e de energia elétrica, canalização de esgoto, calçamento de ruas, assim como aterros e edificações públicas e particulares que alteravam a paisagem urbana e arquitetônica da cidade, além de grandes obras que facilitaram o acesso ao município, como o aeroporto e estrada Laguna - Florianópolis. Devese igualmente destacar a construção do novo porto que redimensionou o perímetro urbano, dando notoriedade ao bairro Magalhães.

Outras facetas do maneirismo político de Vargas e da cultura política estadonovista são também bastante acentuadas na administração daquele prefeito. Questões caras ao Estado Novo como a relação com o operariado, as ações eugênicas de constituição de uma raça forte e o condicionamento cívico, com uma série de eventos patrióticos, nos quais a população civil é praticamente militarizada e colocada em marcha em festivas celebrações ao regime e a seus "chefes", são facilmente observados na Laguna daquele período. Bem como o uso da propaganda política, acionando mitologias presentes no imaginário da população, para a construção da imagem pública dos governantes.

Laguna era o lugar central da rede urbana sul catarinense. Na década de 1940 tal posição ainda era evidente24 e possivelmente essa tenha sido uma das razões para o Interventor sugerir a construção de um monumento de caráter regional em seu território. Porém, já se afiguravam dificuldades que faziam temer a manutenção daquele status. A forma como o desenvolvimento se apresentava colocava em cheque tal posição caso alguns problemas não fossem imediatamente resolvidos. O progresso da região estava vinculado à exploração do carvão, minério cujas jazidas não se estendiam ao subsolo lagunense, a participação do município dentro daquela próspera economia se dava como escoadouro da produção extraída no espaço territorial de municípios circunvizinhos. Nesse sentido a grande questão a ser equacionada dizia respeito à viabilidade de seu porto.

A imagem que o prefeito Tasso construía para a cidade associava-se ao universo de prosperidade e desenvolvimento próprio da visão estadonovista, o que fazia da exigência de melhorias na barra e no porto a questão nodal do enquadramento da municipalidade naquela aura de progresso. A transferência do porto carvoeiro do centro da cidade para o bairro Magalhães foi uma medida que buscava contemplar o problema. Mais perto da barra e bem maior que o antigo, o novo porto dispensava os navios de passarem pela lagoa, bastando adentrarem o canal. Ainda assim as dificuldades persistiam. No final da década de 1930 diversos estudos técnicos procuravam dar direcionamentos eficazes à solução dos problemas, visto que, com aquela inoperância, grande parte da produção começava a ser escoada pelo vizinho porto de Imbituba. Com os trabalhos realizados observou-se um maior dinamismo, foi possível uma grande diminuição do banco de areia localizado na barra, desobstruindo a entrada de grandes navios.25

Em 1940, quando da visita de Getúlio Vargas a Santa Catarina, surgiu a grande notícia: em encontro com o presidente, Tasso obteve a garantia de que o porto carvoeiro estadual seria efetivado em Laguna.26 No ano seguinte as promessas do presidente se objetivavam, mais de 600 operários eram empregados no grande volume de obras para tornar o porto no principal escoadouro da produção carbonífera, intensificaram-se os trabalhos de viabilidade da barra e do porto, assim como uma série de obras complementares, como estrada de acesso, via férrea, rede elétrica, depósito de carvão, armazéns, etc. A esperança de ver a cidade ser incorporada ao dinamismo trazido pelo carvão ganhava vida e inflava os desejos presentes no imaginário de progresso que a "hulha negra" carregava. Segundo o jornal local O Albor aquelas obras afirmavam "a certeza de um futuro cheio de vida progressiva e bastante promissor a nossa terra".27 "Grandeza econômica" com "comercio vibrante" e "chaminés fumegantes" compunham a representação de uma "feliz realidade" futura que os jornais veiculavam. As obras do porto respondiam a velhas aspirações e colocavam a cidade em sintonia com a prosperidade da economia do carvão, os discursos que davam vazão ao sonho de desenvolvimento industrial viam Laguna encontrar sua "marcha para o progresso" e assim alcançar seu desejado destino.28

Tasso e os avatares do progresso lagunense daquele contexto, no entanto, viram anos mais tarde seus sonhos se esboroarem diante da persistência dos problemas. As perspectivas de um grandioso futuro econômico presente no imaginário do "ouro negro" sucumbiram diante do crescimento da própria empresa. O salto que a exploração carbonífera experimentou a partir de 1945, com a criação da usina de Volta Redonda, exigia um transporte muito mais vultoso que, mesmo com as transformações ocorridas, o porto de Laguna não conseguiu acompanhar, as obras realizadas não deram condições de entrada para navios de grandes calados que a nova fase da economia do carvão necessitava. Já em 1942, com parte dos trabalhos realizados, os engenheiros responsáveis afirmavam que condições naturais adversas teimavam em desafiar as soluções técnicas empregadas, o que não permitia fazer grandes previsões sobre o futuro da barra.29 Contudo a esperança em encontrar soluções permanecia, juntamente com a crença no amanhã. Um relatório da Junta Executiva Regional em Santa Catarina do Conselho Nacional de Estatística de 1945 afirmava a possibilidade do porto de Laguna, "futuramente", abrigar navios de 4000 toneladas.30

Comparado o monumento Aos Homens do Carvão erguido em Criciúma na década de 40 ao monumento de Laguna, pode-se observar alguns elementos de distinção do posicionamento das duas cidades em relação à economia do carvão para o sul catarinense. A estrutura do monumento de Laguna faz lembrar a imagem de uma chaminé de indústria e a de Criciúma remete à solidez e grandiosidade do carvão, a "pedra fundamental do progresso". Enquanto a segunda cidade concentrava em seu território grandes jazidas do minério, a primeira só poderia firmar-se dentro do que se passou a chamar de região carbonífera como escoadouro, porto de embarque da produção, ou ainda, como tencionava o poder público, sediando a instalação de uma siderúrgica. Assim, as formas materiais dadas a ver nos monumentos refletem em grande medida os enquadramentos das cidades naquele contexto econômico. A pobreza do subsolo lagunense permite ainda uma outra leitura: em vista de não apresentar o minério que passou a ser o expoente do progresso da região, fazer parte daquele desenvolvimento econômico requeria uma fértil política. Assim, a materialidade do monumento erguido em Laguna não expressa somente o sonho de prosperidade vinculado ao imaginário do carvão que emergiu naquele contexto, mas igualmente as relações políticas para sua obtenção.

 

 

* Artigo recebido em: 01/10/2007. Aprovado em: 15/01/2008.
1 CHOAY, Françoise. A alegoria do patrimônio. São Paulo: Estação Liberdade/Editora da UNESP, 2001.         [ Links ]
2 LE GOFF, Jacques. Documento/monumento. In: História e memória. 5ª.ed. Campinas: Editora da UNICAMP, 2003, p.525-541         [ Links ]
3 FREIRE, Cristina. Além dos mapas: os monumentos no imaginário urbano contemporâneo. São Paulo: Sesc, Annablume, 1997, p.95.         [ Links ]
4 Na trilha aberta por Bronislaw Baczko conceituamos imaginário como um conjunto complexo de representações sociais que, vinculadas umas as outras, reporta-se a uma matriz comum que lhes dá sentido. BACZKO, Bronislaw. Imaginação social. Lisboa: Imprensa Nacional, Casa da Moeda, 1985. (Enciclopédia Einaudi).         [ Links ]
5 ORY, Pascal. L'Histoire Culturelle. Paris: PUF, 2004, p.13.         [ Links ]
6 CHARTIER, Roger. À beira da falésia – a História entre certezas e inquietude. Porto Alegre: Editora Universidade/ UFRGS, 2002.         [ Links ]
7 PREFEITURA MUNICIPAL DE CRICIÚMA (Comissão Municipal de Turismo). Criciúma: amor e trabalho. Itajaí: Uirapuru, 1974.         [ Links ]
8 PREFEITURA MUNICIPAL DE CRICIÚMA (Comissão Municipal de Turismo). Criciúma: amor e trabalho, p.38.         [ Links ]
9 BELOLLI, Mário; QUADROS, Joice e GUIDI, Ayser. História do carvão de Santa Catarina. v.I (1790 – 1950). Criciúma: Imprensa Oficial do Estado de Santa Catarina, 2002, p.262.         [ Links ]
10 PREFEITURA MUNICIPAL DE CRICIÚMA (Comissão Municipal de Turismo). Criciúma: amor e trabalho, p.38.         [ Links ]
11 GONÇALVES, Gesiel S. O vento sopra onde quer – primeiros anos da Igreja Assembléia de Deus em Criciúma. Criciúma: Edição do Autor, 2000, p.41 e 44.         [ Links ]
12 GOULARTI FILHO, Alcides; LIVRAMENTO, Ângela Maria Antunes. Movimento operário mineiro em Santa Catarina nos anos 1950 e 1960. In: Memória e cultura do carvão em Santa Catarina. Florianópolis: Cidade Futura, 2004, p.75.         [ Links ]
13 CAROLA, Carlos Renato. Dos subterrâneos da História – as trabalhadoras das minas de carvão de Santa Catarina. Florianópolis: Editora da UFSC, 2002, p.229.         [ Links ]
14 Período "clássico" do carvão é aquele de constituição das características principais, sociais e culturais, das cidades carboníferas do sul de Santa Catarina e, em geral, abrange a década de 1940 ao final da década de 1960, a partir de quando a economia diversificou-se e o imaginário do carvão enfraqueceu socialmente passando a sofrer a concorrência de outros imaginários sociais como o da imigração, por exemplo.
15 MARTINS, Manoel. Criciúma, exemplo de trabalho. Tribuna Criciumense, 04 de Maio de 1959, p.8.         [ Links ]
16 "(...) Henrique Lage, Gonzaga de Campos e Paulo de Frontin, essa trilogia magnífica de pioneiros do carvão nacional, perpetuados no monumento – obelisco de Criciúma, a encantadora Capital do Carvão (...)". Discurso do engenheiro Galba de Bôscoli em 31 de julho de 1948. Apud: BELOLLI, Mário; QUADROS, Joice e GUIDI, Ayser. História do carvão de Santa Catarina, p.261.         [ Links ]
17 PREFEITURA MUNICIPAL DE CRICIÚMA (Comissão Municipal de Turismo). Criciúma: amor e trabalho, p.38.         [ Links ]
18 Mineiro já desceu do pedestal. Tribuna Criciumense, 23 de outubro de 1971, p.1.         [ Links ]
19 BOA NOVA JR., Francisco de Paula. Problemas médico-sociais da indústria carbonífera sul-catarinense. Rio de Janeiro: Departamento Nacional de Produção Mineral – DNPM, 1953, Boletim número 95, p.17.         [ Links ]
20 Ofício do Prefeito Municipal de Laguna, Giocondo Tasso, ao Interventor Federal, Nereu Ramos. Laguna, 30 de outubro de 1941.
21 CAPELATO, Maria Helena R. Multidões em cena: propaganda política no varguismo e no peronismo. Campinas: Papirus, 1998.         [ Links ] LENHARO, Alcir. Sacralização da política. 2ª.ed. Campinas: Papirus, 1986.         [ Links ] PARANHOS, Adalberto. O roubo da fala: origens da ideologia do trabalhismo no Brasil. São Paulo: Bom Tempo, 1999.         [ Links ]
22 CAROLA, Carlos Renato. Dos subterrâneos da História, p.17.         [ Links ]
23 SOUTO, Américo A. da Costa. Evolução histórico-econômica de Santa Catarina: estudo das alterações estruturais (século XVII-1960). Florianópolis: Centro de Assistência Gerencial de Santa Catarina - CEAG/SC, 1980, p.166.         [ Links ]
24 Segundo Victor A. Peluso Júnior: "a preponderância de Laguna na sua rede era evidente em 1940. Lugar central de ordem superior, não tinha concorrente senão em cidades distantes, de difícil acesso". PELUSO JR., Victor A. A evolução urbana de Santa Catarina no período de 1940 a 1970. Revista do Instituto Histórico e Geográfico de Santa Catarina, Florianópolis, 3ª fase, nº.1, p.103-180, 128, 2º.sem.1979         [ Links ]
25 Relatório do Prefeito Municipal de Laguna, Giocondo Tasso, apresentado a Câmara de Vereadores. Laguna, 04 de março de 1937, p.4.         [ Links ] Relatório do Prefeito Municipal de Laguna, Giocondo Tasso, apresentado ao Interventor Federal, Nereu Ramos. Laguna, 1940, p.16.         [ Links ] Carta do Prefeito Municipal de Laguna, Gicondo Tasso, ao Interventor Federal, Nereu Ramos. Laguna, 07 de fevereiro de 1940.         [ Links ]
26 O Albor. Laguna, 16 de março de 1940, p.01         [ Links ]
27 O porto carvoeiro e suas obras complementares. O Albor. Laguna, 12 de julho de 1941.
28 Laguna e o governo Getúlio Vargas. O Albor. Laguna, 18 de janeiro de 1941, p.1.; Revendo Laguna (impressões). O Albor. Laguna, 14 de dezembro de 1940, p.01.; Em avanço progressivo os grandes sonhos de Laguna – obras da barra e porto carvoeiro. O Albor. Laguna, 30 de novembro de 1940.; O porto de Laguna. O Albor. Laguna, 06 de abril de 1940.
29 Sul do Estado. Laguna, 14 de fevereiro de 1942, p.01.         [ Links ]
30 Relatório da Junta Executiva Regional em Santa Catarina do Conselho Nacional de Estatística. 1945, p.100.
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