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Varia Historia

versão impressa ISSN 0104-8775versão On-line ISSN 1982-4343

Varia hist. vol.32 no.59 Belo Horizonte mai./ago. 2016

http://dx.doi.org/10.1590/0104-87752016000200001 

Editorial

"Promessa é dívida": ou por que os resumos são mais que um detalhe

"A Promisse is a Debt": Why Abstracts Are More Than a Detail

Regina Horta Duarte1 

1Editora Chefe de Varia Historia, Universidade Federal de Minas Gerais, Av. Antônio Carlos 6627, Belo Horizonte, MG, 31.270-901, Brasil. reginahortaduarte@gmail.com

Uma das bases da confiança entre as pessoas é o firme cumprimento da palavra empenhada. Há promessas que os pais fazem aos seus filhos. Há aquelas sussurradas entre os apaixonados. Aqueles que partem, respiração entrecortada, dão garantias de retorno ou de saudade, enunciadas em voz alta, na corrida para não perder o avião ou o trem. Parceiros selam solidariedade e fidelidade. Entretanto, filhos, amantes, amigos, cor-religionários, são tantos aqueles que, não raro, se decepcionam pelo caráter vazio de promessas lançadas em vão. Dar a palavra e esforçar-se efetivamente para honrá-la é uma das formas mais loquazes de expressar caráter, compromisso, confiabilidade e respeito ao outro, além de - por que não? - construir uma imagem positiva em um círculo social, seja ele o meio familiar, o círculo de amigos, o trabalho, a vida política e cidadã.

Há também promessas acadêmicas. Ao lidar com uma revista e o meio intelectual ao qual ela se conecta, um editor depara com uma das mais básicas exigências de todos os bons indexadores científicos: a revista deve ter abstracts bem estruturados, claros, e que expressem o conteúdo essencial do artigo, explicitando sua real contribuição. A pertinência dessa observação, nem sempre valorizada suficientemente, evidencia-se na medida em que constatamos que o resumo/abstract não é nada mais nada menos que uma promessa feita pelo autor aos seus leitores.

No caso específico de Varia Historia, desejamos que o resumo indique claramente o tema abordado e o objeto específico, marcos cronológicos/espaciais/teóricos contemplados, argumento original e condutor do artigo, fontes consultadas e metodologia, além das principais conclusões que o tornam uma contribuição original e inovadora. Para executar tudo isso em cerca de duzentas palavras, o autor deve exercer toda a sua capacidade de síntese, objetividade e precisão. O resumo é uma ferramenta para o leitor decidir se consultará o artigo e, também, ao fim da leitura, apreciar em que medida o autor realmente executou a bom termo sua proposta de análise, e qual sua efetiva contribuição.

Nem sempre a área de história valorizou suficientemente a escrita dos resumos. Muitas vezes, restringem-se a duas ou três mal traçadas linhas. Outras vezes apresentam-se excessivamente longos e imprecisos, sem realmente definirem as questões indispensáveis num resumo. Não é raro que os autores titubeiem, dizendo que seu artigo "espera contribuir", "tentará analisar", "buscará compreender", e nisso resta a impressão de que dizem: "Talvez, quem sabe, muito antes pelo contrário, eu não quero me comprometer muito...". O uso excessivo de tempos verbais compostos e da voz passiva por vezes sinaliza falta de objetividade. Invariavelmente, dificulta a tradução para o inglês.

Escrever um bom resumo/abstract é procurar o diálogo, é lançar um apelo atrativo para que "Leiam, sim, o artigo! Sou autor e tenho algo inovador a comunicar, a contribuição está na roda!".

Desde o resumo, o autor se oferece ao julgamento entre os pares, à leitura crítica de seu artigo. Ele facilita, aos pesquisadores, uma consulta rápida e eficaz nas bases de pesquisa, possibilitando a pesquisa bibliográfica ampla, em diálogo com a produção acadêmica mundial. Esse é o sentido do resumo e da sua inserção nos indexadores.

Enfim, o resumo, além de ser promessa, é provocação, é convite.

Varia Historia acaba de ser aceita na base Scopus, um dos mais importantes indexadores de pesquisa e inovação do conhecimento na área de humanas. Uma das exigências foi a qualidade de resumos/abstracts. E vimos que temos muito o que melhorar. Nosso plano é implementar, nos próximos números, uma política rigorosa para julgar e aprimorar os resumos/abstracts de nossos artigos. Somada a isso, a tradução profissional dos resumos para o inglês, implementada já neste número 59, contribuirá para a confiabilidade de Varia Historia nos meios acadêmicos internacionais.

Seguimos, assim, perseguindo a qualidade. Outra mudança já implementada neste número é o maior detalhamento de nossos processos editoriais. Analisados em sistema double-blinded, os artigos raramente são aprovados sem que os pareceristas tenham oferecido sugestões para revisões simples ou complexas. Por isso, nossa revista passa a registrar esses passos, indicando não só o recebimento inicial dos artigos, mas também das versões revistas, e sua aprovação final.

Varia Historia tem exposto aos leitores seu crescente compromisso com a qualidade acadêmica. Todos os nossos esforços estão empenhados. A promessa está lançada.

Agradecimentos

Agradeço a Armando Olivetti pela revisão do texto, e ao Tom, pela interlocução

Creative Commons License Este é um artigo publicado em acesso aberto (Open Access) sob a licença Creative Commons Attribution, que permite uso, distribuição e reprodução em qualquer meio, sem restrições desde que o trabalho original seja corretamente citado.