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Varia Historia

versão impressa ISSN 0104-8775versão On-line ISSN 1982-4343

Varia hist. vol.33 no.61 Belo Horizonte jan./abr. 2017

http://dx.doi.org/10.1590/0104-87752017000100011 

Artigo

Penachos de ideias. A Guerra de Sucessão da Espanha e a formação de Pedro Miguel de Almeida Portugal, 3o conde de Assumar

Plumes of ideas. The Spanish War of Succession and the Coming-of-age of Pedro Miguel de Almeida Portugal, 3rd Earl of Assumar

David Martín Marcos1 

Rodrigo Bentes Monteiro2 

1Centro de História d'Aquém e d'Além-Mar, Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, Universidade Nova de Lisboa, Av. de Berna, 26-C, Lisboa, 1069-061, Portugal, martinmarcos@fcsh.unl.pt

2Companhia das Índias, Instituto de História, Universidade Federal Fluminense, Campus do Gragoatá, bloco O, sala 450, Niterói, RJ, 24210-201, Brasil, rodbentes@historia.uff.br

Resumo

O artigo aborda a atuação de Pedro Miguel de Almeida Portugal (1688-1756) na Guerra de Sucessão da Espanha (1701-1714), em meio à embaixada de seu pai, João de Almeida Portugal, 2o conde de Assumar, junto às forças aliadas a Carlos de Habsburgo. Realiza um balanço historiográfico da participação portuguesa no conflito, considera os relatos de batalhas sobre a participação do jovem nobre, e analisa a vida social em Barcelona na estada de pai e filho. A experiência nos âmbitos guerreiro e cortesão contribuiu para a formação do governador da capitania de São Paulo e Minas do Ouro a partir de 1717. Divulgar os feitos de sua casa nobre, representar a monarquia portuguesa numa terra distante, a concepção hierática de sociedade e a erudição conjugada à apologia da violência são posturas e aspectos presentes em escritos atribuídos ao futuro 3o conde de Assumar.

Palavras-chave: Guerra de Sucessão da Espanha; Pedro Miguel de Almeida Portugal; nobreza portuguesa

Abstract

The article discusses the role of Pedro Miguel de Almeida Portugal (1688-1756) in the Spanish War of Succession (1701-1714), during the embassy of his father, João de Almeida Portugal, 2nd Earl of Assumar, alongside the forces allied to Charles of Habsburg. The text reviews the historiography on the Portuguese participation in the conflict, considers the battle reports on the participation of the young nobleman, and analyzes the social life in Barcelona while father and son were there. The experience as a warrior and a courtier contributed to the education of the governor of the São Paulo e Minas do Ouro captaincy from 1717 onward. The dissemination of the achievements of his noble house, the representation of the Portuguese monarchy in a distant land, the hieratic conception of society and the erudition coupled with the condonation of violence are postures and aspects present in writings attributed to the future 3rd Earl of Assumar.

Keywords: Spanish War of Succession; Pedro Miguel de Almeida Portugal; Portuguese nobility

Memórias e história

Ao escrever décadas após a entrada do exército aliado em Madri em junho de 1706, António Caetano de Sousa afirmou que, embora essa empresa honrasse as armas de Portugal, no futuro recordar-se-ia mais o comandante das tropas lusas. O teatino e membro da Academia Real da História, autor das Memórias históricas e genealógicas dos grandes de Portugal, referia-se a António Luís de Sousa (1644-1721), 2o marquês das Minas.1 Por muito tempo a historiografia associou a participação portuguesa na Guerra de Sucessão espanhola quase exclusivamente ao seu nome.2 Pouco importava que a trajetória do general fosse truncada depois pela derrota na batalha de Almansa em abril de 1707, sendo ele substituído e chamado de volta a Lisboa, e que a contenda continuasse durante quase 6 anos. Desde então a "conquista de Madri" foi utilizada como símbolo da afirmação de Portugal ante a monarquia hispânica, e o marquês das Minas evocado em épocas de exaltação nacional.

Em meados do século XX os manuais escolares do Estado Novo aludem sumariamente ao conflito sucessório, para detalhar a entrada do exército luso em Madri (Monteiro, 2004b, p.15). O regozijo com o herói podia atrair os estudantes, ao equiparar António de Sousa aos grandes da nação lusitana, como Viriato, o condestável Nuno Álvares Pereira ou Vasco da Gama. Ante a ameaça do vizinho maior, o feito do marquês era como uma revanche. Conforme a intelectualidade do regime, o avanço português em Madri compensava a conquista de Lisboa em 1580 pelo duque de Alba. Em conferência no Porto em 1938, Francisco Pereira de Sequeira, antigo membro de Juventude Monárquica Conservadora, emula o marquês das Minas mediante outros lusitanos ilustres (Sequeira, 1938). O estudo da sua personalidade estrategista legitimava uma conduta heroica, face aos excessos das tropas espanholas na Lisboa quinhentista (Valladares, 2008, p.23-53). Segundo Sequeira, das Minas e seus soldados seriam "valorosos e disciplinados", sem notar que a desobediência das tropas, tal qual as de Alba, contribuiu para o exíguo apoio social aos aliados em Castela (León Sanz, 2013, p.47-48). Uma visão coerente com o Estado, que pautava sua sobrevivência no desconhecimento ou na omissão de fontes para defender um modelo conservador de sociedade.

Em 2006 a Comissão Portuguesa de História Militar ainda comemoraria a tomada de Madri em razão de seu tricentenário.3 A efeméride resulta de uma certa inércia laudatória, resistente aos esforços das últimas gerações de historiadores portugueses e estrangeiros em proporcionar uma visão do conflito sucessório para além do elogio ao marquês das Minas e à efêmera entrada em Madri. Nesse tempo os pesquisadores já oferecem um relato mais integrado da participação portuguesa na Guerra de Sucessão, num panorama marcado pela renovação das ciências sociais. Mas a celebração do mito do marquês reflete a pertinência das palavras de António Caetano de Sousa sobre a memória do general.

Surgem assim trabalhos sobre diplomatas portugueses em diálogo com congêneres europeus nas negociações de paz seguintes ao conflito (Cluny, 1999; 2006; Silva; Faria; Miranda, 2014; Martín Marcos, 2012, p.151-175); estudos das embaixadas estrangeiras em Lisboa e suas clientelas (González Mezquita, 2007; Miranda, 2014, p.51-74); comentários de aspectos militares das campanhas (Costa, 2003, p.71-96; Monteiro, 2004a, p.301-306); ou sínteses da experiência lusa no contexto amplo da Guerra de Sucessão (Cluny, 2002, p.63-92; Cardim, 2009, p.205-256; Marchena Fernández, 2009, p.29-111; Martín Marcos, 2014, p.153-223). Retoma-se então a senda aberta na década de 1970 pelo pioneiro Alan David Francis e o menos conhecido Andrew Szarka (Francis, 1966; 1975; Szarka, 1976). Mas ainda faltam investigações sobre o impacto da contenda nas elites envolvidas, e os reflexos dessa participação na cultura política portuguesa.

A atenção dos historiadores ao tratado de Methuen de 1703, como fator modelador do século XVIII lusitano e seu discutido atraso econômico, explica parcialmente essa lacuna. A sincronia entre o conflito e a aliança anglo-portuguesa, sobre a qual refletiram vários intelectuais (Pereira, 2001, p.87-112), levou à marginalização do tema da guerra na agenda acadêmica. Um contrassenso, pois os atores políticos que deliberaram sobre o desenvolvimento econômico português no século XVIII ocuparam-se também da Guerra de Sucessão como marco gerador de um espaço internacional, sobre o qual assentavam-se Portugal e suas conquistas ultramarinas. Se o Testamento político de Luís da Cunha era a base das reformas do futuro marquês de Pombal em busca de uma classe mercantil competitiva (Maxwell, 1995), suas Memórias da paz de Utreque foram uma grande crônica portuguesa do conflito sucessório e suas negociações de paz, refletindo sobre o status quo internacional e o novo equilíbrio de forças.4

Embora tenha apenas revigorado as elites lusas, a contenda proporcionou uma experiência bélica aos jovens nobres até então ofuscados pelas memórias das batalhas dos Restauradores, e permitiu a esses últimos, mais velhos, um reencontro com a guerra. O contato com as armas aproximou os nobres portugueses de seus homólogos europeus, avivando também receios dos estrangeiros ocuparem postos de mando. Recuperou ainda o ethos guerreiro no discurso de justificação da nobreza. No presente já não se entende esse estamento como uma elite militar stricto sensu , sustentada no conhecimento de competências e saberes sobre as armas, mas como um grupo social privilegiado que, naturalmente , expressava sua distinção nos postos de comando do exército (Costa, 2005, p.169-190). A guerra pela sucessão hispânica foi uma conjuntura de especial interesse na promoção dessa imagem nobiliária.

Esse foi o caso dos 2o e 3o condes de Assumar, João de Almeida Portugal (1663-1733) e seu filho Pedro Miguel. Seus antepassados possuíam vínculos com o governo do Estado da Índia, e apoiaram a Guerra de Restauração (1640-1668). Sua casa nobre fora elevada à grandeza em 1677, na regência do príncipe d. Pedro (1668-1683), num período de acomodação política, receios e tensões entre as monarquias ibéricas (Martín Marcos, 2014). Conquanto tenham vivido na Índia - o primeiro na juventude, acompanhando o pai vice-rei, o segundo na fase final de vida, quando lá exerceu o governo - os dois nobres distinguiram-se complementarmente no conflito sucessório espanhol.

João de Almeida foi nomeado embaixador extraordinário de Pedro II (1683-1706) junto ao arquiduque Carlos de Áustria, candidato ao trono espanhol pela coalizão. Em 1705 acompanhou desde o estuário do Tejo o pretenso Carlos III em sua viagem à Espanha por mar, situando-se primeiro em Valência, depois em Barcelona, onde o arquiduque instalou sua corte. Como representante do governo luso, o 2o conde de Assumar participou da maioria das juntas de guerra celebradas pelo pretendente Habsburgo entre 1706 e 1711 com ministros, generais e agentes diplomáticos aliados, incluindo ingleses, holandeses, imperiais e portugueses, na luta contra os Bourbons. Nessas sessões Assumar destacou-se, atuando também na supervisão das praças fortes no leste catalão ou na defesa de condições para os soldados portugueses. Travou assim estreitas relações com o arquiduque Carlos e alguns nobres da primeira nobreza castelhana. João de Almeida tomou então notas de viagens, de cartas por ele escritas, suas impressões da guerra ou sobre querelas cerimoniais, compondo um grande diário manuscrito em quatro tomos, hoje em vários arquivos, a ser analisado em sua totalidade (Martín Marcos, 2015, p.263-284).5 Ainda em Barcelona, onde permaneceu até 1713, foi nomeado conselheiro de Estado por d. João V (1707-1750), e de volta a Portugal seria membro da Academia Real da História, exercendo outras funções prestigiosas na corte.

Combate em pluma

O artigo concentra-se na formação do primogênito do 2o conde. Suas primeiras instruções foram feitas em casa, sob influência de Rafael Bluteau, com quem Pedro Miguel e a mãe Isabel de Castro correspondiam-se. O clérigo teatino, em viagem ou recluso no mosteiro de Alcobaça, com problemas com sua identidade francesa ante o reposicionamento luso na Guerra de Sucessão (Martínez Bermejo, 2015), indicava leituras e dava conselhos ao jovem Almeida Portugal (Norton, 1967, p.15; Pereira, 2016, p.81). Na conhecida carta de junho de 1704 escrita pela condessa de Assumar, quando o marido acompanhava o arquiduque e Pedro II até a fronteira, e Pedro Miguel preparava-se para ingressar no conflito, a mãe aconselhava-o a honrar o pai e os antepassados Almeidas e Mascarenhas. E recomendava consultar os livros durante o tempo livre, "porque a aplicação às letras, não embaraça o uso das armas, antes mais airoso maneja estas, quem está mais senhor daquelas, [...] entendei que para todos os lances as ciências são boas armas, e não vos deixeis esquecer do que tendes aprendido com tanto trabalho" (apud Boxer, 1974, p.273).

Vieram a guerra, o retorno a Portugal e a nomeação régia em dezembro de 1716 para o governo da capitania de São Paulo e Minas do Ouro, para o qual contaram, além da nobreza e dos cargos ocupados na Índia pelos ancestrais, os predicados de Pedro Miguel.6 Aos 28 anos incompletos, deixando no reino a mulher e um filho pequeno, ele embarcou em Lisboa em abril de 1717, levando auxiliares de confiança. Conhece-se o périplo da viagem marítima até o Rio de Janeiro e o percurso até Ribeirão do Carmo pelas duas partes de um relato manuscrito, separadas pelo mês em que permaneceu no Rio, sobre o qual há silêncio. Por aspectos não comprovados conjectura-se ser Pedro Miguel o autor deste relato (Távora; Cobra, 1999, p.9-13).7 O tom descritivo da narrativa também lembra as notas diárias do pai João de Almeida (Martín Marcos, 2015, p.266). Iniciam-se assim as relações entre a guerra, a produção letrada e a divulgação dos feitos da casa de Assumar no continente americano.

No meio da viagem terrestre, enquanto o antecessor Brás Baltasar da Silveira aguardava-o em Ribeirão do Carmo, os vereadores da vila de São Paulo, sede oficial da capitania, empossaram o novo governante em setembro de 1717. No discurso proferido na Igreja de Nossa Senhora do Carmo, Pedro Miguel de Almeida disse:

que mais com os próprios penachos se adornam as pessoas, que com os que por herança lhe vem de seus antepassados; de uns não menos que de outros foi Deus servido que eu tivesse em abundância. Digam as histórias dos mais acreditados autores; os mares, e as campanhas do Oriente, donde os meus antecessores expuseram e perderam a vida no serviço do seu rei, o que eles obraram. A Europa, onde sou bem conhecido, e nela Valença de Alcântara, Albuquerque, Barcelona, Catalunha, Almenara, Saragoça, Vila Viçosa, todos campos de sanguinolentas batalhas, referiram as minhas ações; pela qual razão posso dizer com toda a confiança, que poucas pessoas terão em Portugal arriscado mais vezes que eu a sua vida pelo seu rei, e pela sua pátria (apud Souza, 1999, p.36).8

A evocação denota o orgulho pelo passado bélico no ambiente europeu, dotando-o de uma bagagem especial para representar o rei de Portugal na América. Este artigo verifica como o itinerário do jovem nobre no exército aliado e a estada em Barcelona propiciaram um incremento político-cultural na formação daquele futuro conde de Assumar. Alguns registros referiram suas ações nas "sanguinolentas batalhas".

Em maio de 1705 Pedro Miguel participou na conquista de Valência de Alcântara e Albuquerque, integrando o exército do Alentejo. Eram as primeiras ações militares em terras castelhanas após um começo desesperador de Portugal na contenda: no ano anterior a jornada da Beira, pela qual Pedro II pretendeu introduzir o arquiduque em Castela, fracassou às portas de Cidade Rodrigo, enquanto o exército bourbônico, na primeira incursão portuguesa, tomou Castelo Branco. Por isso aqueles avanços foram celebrados em Lisboa. Pedro II percebeu como os aliados privilegiavam a via marítima, e não a terrestre por Portugal. A divulgação do êxito modesto em Valência de Alcântara, no itinerário rumo à Estremadura espanhola pelo Alentejo, era uma forma de reivindicar o papel luso. O texto impresso do conde das Galveias, um dos dirigentes das tropas portuguesas e primo dos Almeidas, difundiu a nova da vitória, explicando como o rei ordenara atos litúrgicos ao arcebispo de Lisboa.9 Ademais, Pedro II sofrera um ataque de apoplexia, minando o ânimo dos vassalos, e temia-se que os portugueses firmassem um acordo com a França, afastando-se do conflito.10

Mas as tropas portuguesas prosseguiram na contenda, como na viagem marítima que levou o jovem nobre e seu pai a Valência e Catalunha pelo oriente peninsular. Em setembro Pedro Miguel participou de um episódio mais transcendente para o curso da guerra, o assalto ao castelo de Montjuic, nas imediações de Barcelona. O sucesso foi registrado no diário do progenitor, sobre a tomada da fortaleza erigida na revolta catalã de 1640, depois reforçada pelo vice-rei bourbônico Francisco de Velasco. Ali, 2.400 homens do exército aliado, comandado pelo príncipe austríaco Jorge de Darmstadt (falecido no ataque) e pelo inglês Charles Mordaunt, conde de Peterborough, conseguiram tomá-la em 3 horas. Segundo o pai, Pedro Miguel, presente na investida, comportara-se "como quem era".11

A referência à linhagem associava-se ao comportamento do varão. A integração de Pedro Miguel no exército dotava-o de uma marca particular que ultrapassava a vigilância do pai; por outro lado, a vinculação do caráter nobiliárquico às armas reforçava seu perfil. Como evidencia o desejo do arquiduque em promover o jovem nobre na função de ajudante geral na primavera seguinte - após a presença austracista em Barcelona consolidar-se, repelindo uma tentativa bourbônica para recuperar a praça. Destaca-se o respeito do soberano Habsburgo ao titular da casa.12 Segundo João de Almeida, a intenção foi notificada pelo arquiduque a um de seus ministros, o príncipe António de Liechtenstein, que consultou ao pai e tutor do beneficiado. Pedro Miguel era capitão de infantaria no terço de São Julião da Barra, em Lisboa. Recebera licença do rei de Portugal para servir como voluntário na guerra,13 e o novo cargo podia não ser compatível com a oferta. O conde de Assumar escreveu então a Pedro II. O monarca português, por carta do secretário de Estado substituto Tomás de Almeida, respondeu que "estava bem informado do como meu filho havia procedido em todo o sítio de Barcelona, e principalmente no assalto do Castelo de Monjuic". João de Almeida aceitou assim a proposta, e o príncipe de Liechtenstein avisaria a Pedro Miguel por carta que Carlos III nomeara-o para o posto, por seus feitos, e pelos "zelo" e "caráter" do embaixador de Portugal.14

Estão aí expostos o brio do jovem Pedro Miguel e a filiação nobiliárquica pela tutela de seu pai. O decreto expedido por Carlos de Áustria sancionando a nomeação denota o peso da atuação militar. O arquiduque desejava prover no posto um "sujeto de calidad, acreditado valor, servicios, platica y experiencia". E escolhera Pedro Miguel por exercer essas características "con buena orden y disciplina militar".15 A disciplina de base neo-estoica nos exércitos condicionava atitudes individuais em prol da sobrevivência de estruturas supra-familiares, como os Estados modernos europeus (Oestreich, 2008, p.258-273).

Doravante Pedro Miguel demonstraria a liderança natural da nobreza mediante o seu valor. Embora não se conheça sua participação na entrada aliada em Madri em junho de 1706 e na derrota em Almansa 1 ano depois, seu nome tornou-se frequente nos relatos após ser promovido pelo marquês das Minas a coronel de cavalaria em outubro de 1707, e no novo comando das tropas portuguesas de Pedro Manuel de Ataíde, 5º conde de Atalaia.

Desde meados daquele ano as tropas bourbônicas empreendiam uma nova estratégia para entrar na Catalunha, sem tentar ocupar Barcelona. Era fundamental apossar-se de Lérida, principal ponto fortificado de comunicação com Castela, e Balaguer (Albareda Salvadó, 2012a, p.275). No relato do ocorrido no campo de Cervera, próximo à vila de Tárrega, em julho de 1708 ele foi mencionado no meio de altos oficiais, distinguido como coronel.16 Na notícia de setembro de 1709, publicada pela Gazeta de Barcelona 3 dias após o acontecido na cercania de Balaguer, foi citado oito vezes como brigadeiro de cavalaria, pois seus dois esquadrões derrotaram dois outros bem maiores, fizeram vários prisioneiros e tomaram muitos cavalos, fazendo os soldados fugirem. E junto a Francisco Xavier de Távora17 atacou o comboio em retirada de um coronel inimigo, tomando-lhe 100 cavalos, mais prisioneiros e perseguindo os fugitivos até perto do campo de Felipe V, o duque de Anjou. Sua atuação foi decisiva para a vitória dos aliados: "siendo muy loable, y aplaudida la buena conducta del General Don Francisco Xavier de Távora, y del Brigadier Don Pedro de Almeida, en los cuales se ha observado además del valor que corresponde a su gran nacimiento una prudencia superior a sus años".18

No tom encomiástico da notícia reconhecia-se a estirpe e a virtù do jovem nobre, com 21 anos incompletos. Em agosto de 1710, na relação dos movimentos aliados após a batalha de Almenara, e sobre a vitória em Saragoça sob comando do conde e marechal austríaco Guido de Starhemberg, do conde e general inglês James Stanhope e do conde de Atalaia, Pedro Miguel foi citado cinco vezes como sargento-mor de batalha. Sobretudo ao cobrir com ousadia a retaguarda de Stanhope, adiantando-se em função do recuo de esquadrões palatinos e holandeses pelo impacto do combate, permitindo-lhes a recomposição. O feito seria reconhecido:

fazendo o referido Sargento mor de Batalha nesta valorosa, & bem advertida ação grande perda aos inimigos, em mortos, & prisioneiros, & com tanta felicidade, que só o cavalo em que ia montado lhe feriram: & do valor, & boa disposição com que obrou na batalha, fez Relação especial a S. Majestade Católica o Marechal de Starhemberg.19

E pelas notícias dos episódios da ofensiva aliada naquele ano, o general Stanhope e Pedro de Almeida derrotaram um grande corpo da cavalaria inimiga perto de Madri.20 Contudo, Felipe V entrou de novo na capital castelhana em dezembro de 1710, enquanto as tropas aliadas, sem recursos e praticando a rapina, retiravam-se para Aragão. No caminho Stanhope acampou em Brihuega, e Starhemberg perto de Cifuentes. Na cercania Stanhope foi derrotado e preso em 9 de dezembro. No dia seguinte Starhemberg combateu o inimigo em Villaviciosa de Tajuña. A vitória Bourbon parece ter sido nítida também neste segundo embate, mas houve diversas versões para o choque (León Sanz, 2003, p.190-191; Albareda Salvadó, 2012a, p.303). É o que se depreende da carta escrita por Starhemberg ao arquiduque sobre a batalha no campo de Alcarria, entre Cifuentes e Brihuega, na qual Pedro de Almeida foi mencionado como um dos três únicos generais que atuaram com louvável e "famosa actividad", disposição e grande resolução, apesar das perdas que forçaram a retirada austríaca.21

Por fim, em virtude da trégua assinada em novembro de 1712 nas negociações de Utrecht, as tropas lusas começaram a sair dos quartéis na Espanha em janeiro de 1713, todavia com um novo comandante:

& porque o Mestre de Campo General Conde de Atalaia, que as governava com tanta glória própria, & da Nação, se achava doente, as veio mandando o Sargento Maior de Batalha D. Pedro Miguel de Almeida, que na dilatada, & difícil marcha de 180. léguas mostrou com louvor dos mesmos inimigos, que nos seus anos sabia igualar a prudência com o valor, que tem acreditado desde o princípio da guerra em Portugal, & Catalunha, mostrando-se digno filho do Conde de Assumar Dom João de Almeida, Conselheiro de Estado, & Embaixador Extraordinário a Sua Majestade Cesárea na corte de Barcelona, desempenhando o seu caráter nas ocasiões políticas, & militares com o maior acerto, & luzimento nos oito anos da sua comissão.

Em março do mesmo ano chegaram a Portugal cinco regimentos com 1.500 cavaleiros e 700 soldados, dois deles sob comando do filho e do irmão do conde de Atalaia. Junto a Pedro de Almeida eles seriam "dignos imitadores das ações de seus pais".22 O documento narra ainda uma altercação entre Pedro Miguel e o comissário castelhano por conta do número de cavalos retirados.

As memórias do 1o conde de Povolide elucidam o protagonismo de Pedro de Almeida no desfecho luso da Guerra de Sucessão. Conforme Tristão da Cunha de Ataíde, em 1711 João V nomeara, dentre outros, o 2o conde de Assumar conselheiro de Estado. O fato desagradara ao 5o conde de Atalaia, comandante das tropas portuguesas, ao considerar-se equivalente em idade e qualidade ao embaixador. Embora o novo imperador Carlos VI estivesse ausente da Espanha desde outubro de 1711, João de Almeida permaneceu em Barcelona até março de 1713, acompanhando o governo-geral na Catalunha da imperatriz Isabel Cristina de Brunswick-Wolfenbüttel. Desse modo Pedro Manuel de Ataíde recusou o convite régio a ele feito para o Conselho da Guerra, e pediu licença para continuar servindo em guerras a Carlos VI. Em Lisboa ministros se teriam reunido para opinar sobre a procedência de confiscar a casa de Atalaia por desobediência. Após cartas ao rei luso escritas pelo imperador e por Atalaia, este permaneceu servindo ao soberano Habsburgo em postos na Sardenha e em Nápoles, morrendo em Viena (Saldanha; Radulet, 1990, p.231, p.241; León Sanz, 2003, p.201-208).

Assim explica-se a doença alegada no relato. O motivo da ausência do comandante na retirada das tropas portuguesas foi a rivalidade entre Assumar e Atalaia, e o descontentamento do último com o rei luso - o que fortalecia sua vontade de permanecer na órbita do Sacro Império. Nesta nova relação de forças os respectivos filhos também contavam. O acontecimento repercutiu nas convicções de Pedro Miguel. Aos 24 anos ele fora elevado pelas circunstâncias da fortuna, pelas ações do pai e por suas próprias a representar a monarquia lusitana, conforme a autoconfiança manifesta no discurso de posse no governo de São Paulo e Minas.

Mas não somente. 20 anos depois, na morte do 2o conde de Assumar em 1733, o teatino José Barbosa elaborou uma oração fúnebre para João de Almeida, feita sob os auspícios e com as informações do filho, doravante titular da casa e reabilitando-se ante a coroa de seus excessos em Vila Rica. O cronista da casa de Bragança elogiou os varões antepassados dos Almeidas: "Parece esta Família o tesouro político, militar, e Sagrado da nossa Monarquia, quando vejo o grande número de Embaixadores, Vedores da Fazenda, Presidentes, Monteiros Mores, e Conselheiros de Estado. Parece a Oficina de Marte nos Capitães, e Generais, que honradamente ambiciosos da fama, e da glória dos seus Príncipes derramaram liberalmente o sangue".23

E após descrever os feitos do 2o conde o acadêmico real comentou em minúcias a trajetória bélica do astro lusitano com base nos folhetos compilados pelo irmão Diogo Barbosa Machado, mas também com informes e o ponto de vista de Pedro Miguel (alguns dados não aparecem nos impressos): o prelúdio da guerra no forte de Paço de Arcos aos 16 anos, o serviço no regimento do marquês de Fontes, a campanha da Beira, os sítios de Valença de Alcântara e de Albuquerque, a patente de capitão de infantaria, o embarque com o pai para a Catalunha, o assalto de Monjtuic, o sítio de Barcelona, o posto de "general ajudante", as campanhas com o marquês das Minas, a patente de brigadeiro, os feitos de Balaguer, a carta do rei e a patente de sargento-mor de batalha, a batalha de Almenara, o apresamento de cavalos junto a Stanhope, a batalha de Saragoça, os agradecimentos de Starhemberg a Carlos III e a carta de João V, a ida com o exército a Madri, o feito com Stanhope, o comando interino das tropas portuguesas pelo governo de Atalaia em Toledo, a marcha para Aragão, a batalha de Villaviciosa, novos elogios de Starhemberg, Carlos III e João V, o comando na fronteira de Cervera, a campanha de Prats del Rey, a suspensão de armas, o impedimento de Atalaia, o "governo" das tropas portuguesas pela Espanha, e até o conflito com o marquês de Bay, enviado de Madri para reconhecer as tropas lusas, a quem respondeu: "revestido de todo o brio Português, e militar, lhe mandou dizer, que estava pronto para ser reconhecido por Sua Excelência na mesma forma, em que o fora na batalha de Zaragoça, que o mesmo General havia perdido; e mandando repartir pólvora, e bala pelos Soldados se preveniu para todo o sucesso". Finalmente, a entrada em Portugal em março de 1713, "com fama de experimentado General, quando excedia pouco de vinte e cinco anos de idade" - na realidade menos que isso, tendo nascido em setembro de 1688.24

O tom laudatório desses documentos contrasta com o relato de frei Domingos da Conceição, capelão que percorreu a península ibérica integrado ao exército português na contenda. Em seu diário, escrito sem aparente intenção de publicação e/ou enaltecer figuras coetâneas, frei Domingos fez breves referências a Pedro de Almeida: na tomada de Balaguer; ou mencionando-o como brigadeiro no comando de toda a cavalaria na ausência de Atalaia; e na vitória em Saragoça, todavia detendo-se nos talentos de Starhemberg.25 O 3o conde de Assumar pediu o manuscrito emprestado ao frei, e após lê-lo disse que discordava de muitas coisas. E ficou com o documento original, devolvendo a Domingos da Conceição apenas uma cópia.26 Faz-se evidente o vínculo entre feitos bélicos, o empenho na produção e na seleção de uma memória escrita, e a construção de uma personalidade pública ligada à guerra. Convém examinar o ambiente cultural dessa formação.

Cidade em movimento

Por volta de 1700, no principado da Catalunha, Barcelona possuía economia pujante e vida social intensa, protagonizadas pelo patriciado urbano, por negociantes e artesãos. A ausência régia coadunava-se à estrutura jurídico-política própria, pautada pelas constituições, pelo sistema representativo (Albareda Salvadó, 2012b, p.47-48) e por uma corte vice-real, conforme outros centros políticos da monarquia hispânica. Desde antes do cerco feito pela marinha bourbônica ao fim da Guerra dos 9 Anos (1688-1697) esboçava-se um sentimento anti-francês, reforçado pela concorrência comercial (Jané Checa, 2001). Com base nos dados de duas principais paróquias estima-se a sua população em 9.000 habitantes, com alterações durante a guerra. Com o estabelecimento da corte austracista na capital catalã na Guerra de Sucessão, nobres, funcionários e servidores chegavam à ciudad condal , enquanto partiam as forças bourbônicas, seus partidários e "famílias". Em 1708, devido ao avanço Bourbon no conflito, valencianos, aragoneses, bem como castelhanos, navarros e refugiados de outros locais, partidários dos Áustrias, iam para Barcelona. Todavia os seguidores de Carlos III que lutavam nas campanhas ausentavam-se frequentemente (Garcia Espuche, 2014, p.619-645, p.665-673).

A instalação da corte acentuou os extremos daquela sociedade. Os proprietários que alugavam casas e quartos, os mercadores, pequenos vendedores e provedores de materiais ao exército aproveitavam a vinda de estrangeiros e exilados para vender produtos a preços elevados. Mas muitos imigrados eram servidores públicos agora sem renda, em difícil situação econômica. O ambiente singular também propiciava o estabelecimento de músicos, artistas e viajantes (Garcia Espuche, 2014, p.619-621).

João de Almeida e o filho residiram na Calle Ancha , perto do palácio real, na casa dos duques de Sessa - felipistas que deixaram a cidade.27 Já em 1706 publicou-se em Barcelona um soneto dedicado ao conde de Assumar, nas exéquias de Catarina de Bragança na igreja de Santa Maria del Mar, então capela real, ao estilo cerimonial de Viena, em contínuo ao luto pelo imperador Leopoldo.28 Pelas circunstâncias da guerra as exéquias de Pedro II em 1707 ocorreram em Valência. Mas em fevereiro de 1709, após um grande empenho para efetuar este consórcio, Assumar festejou o casamento de Mariana de Áustria - irmã de Carlos III e do novo imperador José I - com João V. Junto ao conde de Atalaia e a Francisco Xavier de Távora, o brigadeiro de cavalaria Pedro de Almeida integrou a luxuosa comitiva que acompanhou o pai ao palácio real para uma audiência prévia com os soberanos. A descrição encomendada destaca os coches, cavalos, pajens, lacaios e vestimentas, sobretudo a de João de Almeida, que brilhava e distinguia-se por seus caráter e magnificência. A nobreza acompanhava o trajeto de suas janelas, e das ruas o povo.

Na volta à residência do embaixador houve refeição, iluminada com achas e fogos de artifício. No outro dia o conde ofertou um banquete a 70 pessoas, dentre damas do palácio real e da cidade, chefes e criados das casas reais, ministros estrangeiros, grandes de Espanha, generais aliados, cavaleiros espanhóis e oficiais portugueses. No brinde fontes de vinho branco e tinto jorraram para o povo. João de Almeida ainda pediu emprestado o salão da deputação de Barcelona, onde montou-se um teatro em perspectiva, pintado pelo artista bolonhês Ferdinando Galli-Bibiena e decorado com tapetes. No salão iluminado às 17 horas iniciou-se a serenata, enquanto no teatro exibiam-se alegorias. Homens e mulheres fantasiados dançaram minuetos. Ao fim serviram-se doces, bebidas geladas e chocolates. Após o intervalo os reis vieram incógnitos ao baile, dançando por várias vezes até a madrugada.29

Em janeiro de 1712 Assumar recebeu a notícia do nascimento da princesa Maria Bárbara - chamada no documento de Eleanor. O embaixador logo pediu audiência à nova imperatriz, saindo de seu palácio acompanhado de Atalaia e de vários oficiais em coches, com lacaios ricamente vestidos - o documento não menciona Pedro de Almeida, provavelmente em campanha. Na volta o conde ofereceu doces, refrescos e bebidas aos que lhe cumprimentavam, sendo as janelas de sua residência iluminadas por 3 noites. No dia seguinte a imperatriz Isabel Cristina convidou o embaixador e mais de 60 pessoas - dentre damas, ministros estrangeiros, conselheiros de Estado, generais aliados, homens de câmara, nobres e cavaleiros - para uma refeição. Houve depois concerto de música, sarau, doces e bebidas várias, em salão especialmente adornado. No 3o dia o conde embaixador proporcionou novos banquete e sarau a ministros, oficiais, damas do palácio e senhores da corte.30

Pelas publicações anônimas em castelhano destaca-se o empenho do embaixador extraordinário na publicitação de atos em meio ao conflito na monarquia hispânica, perpetuando seu dispêndio de tempo e recursos como propaganda dos serviços prestados a Portugal. Quando não estava em batalhas Pedro Miguel de Almeida viveu neste âmbito cortesão plural, que procurava seguir o modelo imperial e austríaco, dentre várias sociabilidades e etiquetas: da nobreza espanhola, de oficiais ingleses, neerlandeses e portugueses, para além da marca das principais famílias catalãs. Ele acompanhou os investimentos do pai no requinte e na arte efêmera de comitivas, banquetes, teatros, saraus e bailes, bem como na edição dos textos (Francisco, 2010, p.133-153).

Conquanto esses registros cerimoniais não denotem a pompa das embaixadas posteriores no reinado joanino - pela própria conjuntura bélica a delimitar o tempo da festa -, por eles o 2o Assumar respondia pela dinastia de Bragança no âmbito europeu. Sua capacidade articuladora revelava-se na residência de estirpe, no insólito empréstimo do grande salão pelos deputados de Barcelona, na contratação do célebre artista italiano, ou pela presença do casal real disfarçado no baile, validando o evento promovido pelo embaixador português.

Os dispêndios provavelmente agravaram o endividamento financeiro dos Almeidas, repercutindo no interesse e na nomeação posterior de Pedro Miguel para o governo de São Paulo e Minas (Norton, 1967, p.31; Souza, 2006, p.202). Ademais, na linguagem hiperbólica dos folhetos, no ciclo de vida dos príncipes que suscitava eventos suntuosos no estrangeiro, no classicismo de alegorias em sonetos e peças, forjava-se a formação cultural e política do futuro 3o conde de Assumar. Ele e seu pai representavam de modo complementar a monarquia portuguesa num peculiar ambiente de guerra, letrado e cortesão, afeito à divulgação dos feitos particulares e de sua casa. Essa mescla de percepções e posturas expressar-se-ia, por exemplo, no discurso de posse do governo da capitania e no Discurso histórico e político, documentos nos quais Pedro de Almeida deixou sua marca.

Os folhetos encomendados por João de Almeida provêm da tipografia de Rafael Figueró, nomeado impressor régio em 1706 por Carlos III, com o monopólio de publicar gazetas, relações e papéis políticos. Desde meados do século XVII alguns impressores de Barcelona apostaram na difusão de notícias em pequenos textos, em maioria sobre temas políticos e militares. No início da guerra a cidade possuía 11 tipografias, equiparando-se a Madri. A de Rafael Figueró (pai e filho) era a mais equipada e produtiva da Catalunha, favorecida pelo privilégio real e por sua fidelidade à causa Habsburgo. Com a perda do mercado castelhano em 1705, a imprensa local especializou-se na produção de opúsculos. A maior parte das gazetas e relações de Barcelona continha notícias já publicadas em Madri, Paris, Viena, Roma ou Amsterdã, com tiragem mínima de mil exemplares. Entretanto, também publicavam-se relações de festas às expensas de autoridades, para propagandear alguma celebração (Camprubí i Pla, vol. I, 2013).

Durante o conflito editava-se em Barcelona entre 15 e 25 livros por ano, sendo parte dessa produção exportada por terra ou mar. Mas a localização geográfica privilegiada possibilitava aos mercadores-editores locais importar livros dos grandes centros editoriais de Lyon ou Veneza. A cidade era um grande ponto de redistribuição de informação, sobretudo por suas ligações com a península itálica, principal foco das aspirações da frente imperial na guerra (Quirós Rosado, 2015).

Vindo de Nápoles, em sua volta ao mundo Giovanni Francesco Gemelli Careri chegou a Barcelona em julho de 1708, a tempo de assistir na capela real ao casamento de Isabel Cristina de Brunswic-Wolfenbüttel com Carlos de Habsburgo, de quem o viajante buscava favores. No ano seguinte Gemelli Careri estava na festa ofertada por Assumar no salão de Sant Jordi da deputação, descrevendo-a em detalhes. Frequentou também outros bailes da corte catalã. Para Albert Garcia Espuche, os relatos do napolitano outsider possibilitam perceber o contraste entre a vida dos nobres e a dos servidores e refugiados após a derrota de Almansa. Em sua estada o viajante visitou duas vezes a farmácia do rei, interessado no gabinete de curiosidades e nas plantas medicinais recolhidas na passagem do arquiduque por Portugal. Na botica familiar e régia os estrangeiros conversavam, fossem farmacêuticos ou interessados em ciência. Conforme Gemelli, dentre eles encontrava-se Pedro de Almeida. Pode-se imaginar a sua presença, quando não em batalhas, também nos cafés e tavernas de Barcelona (Garcia Espuche, 2014, p.82-149)?

Os dados do intercâmbio letrado e livresco do jovem nobre português em sua estada catalã são mais áridos. Tempos depois, quando já era marquês de Castelo Novo e vice-rei na Índia, ele interveio junto a João V para custear a publicação em Barcelona do livro Epítome histórico del portentoso santuario y real monasterio de Nuestra Señora de Montserrate , de Pedro Serra i Postius, dedicado ao rei luso.31 Rezava a lenda que São Pedro, de quem o nobre era devoto, viera com a imagem morena de madeira ao "monte serrado", lugar do mosteiro. Supõe-se que Pedro Miguel de Almeida e o autor Pedro Serra conheceram-se no principado durante a Guerra de Sucessão da Espanha (Betrán; Espino; Toledano, 1992, p.319). O título do livro consta no inventário da biblioteca do falecido 1º marquês de Alorna (Norton, 1967, p.336).

Em meados do século XVIII Pedro Serra era membro da Academia de Barcelona, instituição herdeira da Academia de los Desconfiados, extinta por Felipe V antes da chegada do arquiduque à Catalunha. A academia de nobres e eruditos incluía a participação dos filhos de famílias nobres, os meninos . Esses eram alunos do colégio jesuíta de Cordellas, além de escolares acadêmicos. Nas sessões incentivava-se a leitura das criações literárias juvenis para o aprimoramento letrado, com vistas ao seu desempenho em futuros cargos (Riquer, 1955, p.4).

O fundador desta academia foi Pablo Ignacio de Dalmases - cronista do principado por Felipe V, marquês de Vilallonga por Carlos III. Em novembro de 1712 Dalmases mostrou sua rica livraria de história e manuscritos a Manuel Caetano de Sousa. O teatino português, vindo de um périplo italiano, esteve bastante próximo dos Almeidas, pai e filho, em sua passagem por Barcelona, hospedando-se primeiramente em sua casa quando doente. Na estada catalã Sousa teria estabelecido relações com os eruditos da cidade, visitando coleções e bibliotecas. Voltou a Portugal no início de 1713, junto às tropas comandadas por Pedro Miguel na suspensão de armas, conforme o relato do futuro artífice da Academia Real da História Portuguesa, compilado por Thomaz Caetano de Bem.32

O poeta português Francisco Botelho de Morais e Vasconcelos também foi eleito membro honorário da Academia Desconfiada, tendo passado boa parte de sua vida na Espanha. Tornou-se conhecido por seus poemas heroicos escritos em castelhano: Nuevo mundo , dedicado a Felipe V e publicado em Barcelona em 1701, e Alfonso - em homenagem ao rei Afonso Henriques (Barbosa Machado, 1747, p.119-121). Depois aderiu à causa aliada, publicando um relato em prosa inspirado em Tácito, sobre a participação de seu primo Leopoldo na guerra como sargento-mor. No opúsculo em castelhano o autor diminuiu o valor do marquês das Minas por este não ser tão letrado, sendo o conde de Atalaia apenas um tanto mais erudito. Os dois foram contrastados ao virtuosismo do conde embaixador português, exemplo de prudência, solicitude, magnetismo e eloquência, à maneira de Hércules. Ao tratar do filho, Morais e Vasconcelos prosseguiu no elogio: "Ayudaron mucho a la brillantez de su esplendor las hazañas de su Hijo Primogénito el Conde del Assumar Don Pedro, Heredero como de los Estados y Honores, también de los talentos y Virtudes del Padre". Mencionou então o referido no episódio de Balaguer; a promoção a sargento-mor de batalha; o primo Leopoldo junto a Pedro de Almeida e Stanhope no apresamento de 40 cavalos antes de Saragoça; o mérito do general em Villaviciosa; enfim a liderança na suspensão de armas e o enfrentamento com o marquês de Bay.33

Morais e Vasconcelos teria publicado em novembro de 1743 a obra Vida de hum sargento mór de dragões, com o titulo de Epitome da guerra de Filipe V., e Carlos III, em que louva muito os dous condes de Assumar D. Joaõ, e D. Pedro de Almeida, sem notas tipográficas, infelizmente não localizada.34 Seria esta uma versão em português do opúsculo anterior? De qualquer modo o subtítulo denota a ênfase no protagonismo da casa de Assumar durante a Guerra de Sucessão. A menção laudatória e retrospectiva ocorria pouco antes da nomeação de Pedro Miguel como 1o marquês de Castelo Novo e de sua ida para o vice-reinado na Índia em 1744, quando o letrado já era membro da Real Academia Española.

Estamos assim ante pistas de uma sociabilidade erudita de Antigo Regime envolvendo os dois nobres em tela, paralela à atividade bélica. Ela manifestava-se por demonstrações de autoridades e hierarquias de corte, vínculos de prestígio e capacidades realizadoras em cerimônias e impressos. Mas também pela interlocução erudita em torno de ciência, letras, história e política, no convívio plausível com as personagens citadas. Se não se pode explicitar por falta de dados as leituras de Pedro Miguel de Almeida em seu tempo livre, conforme lhe orientara a condessa, há sinais indiretos de que elas se deram, sob a forma dos traços ressaltados (Ginzburg, 1989, p.143-179). Como entrecruzar essa experiência do jovem Assumar ao registro textual que o notabilizou no Brasil?

Já vimos como o discurso de posse proferido em São Paulo aludia à experiência bélica pregressa do novo governador. Contudo o Discurso histórico e político sobre a sublevação que nas Minas houve no ano de 1720 é um códice muito mais extenso atribuído a este nobre português, com ares de tratado político, para além da narrativa da revolta. Como se sabe, ele teria sido redigido em parceria com os jesuítas Antonio Correia e José Mascarenhas ante os acontecimentos de Vila Rica, e já se tentou uma visão de conjunto das leituras e remissões nele presentes, por meio de sua última versão impressa (Souza, 1994; Monteiro, 2015, p.179-221). O manuscrito foi copiado com esmero e encadernado no Brasil ou em Portugal, no retorno de Pedro de Almeida ao reino em 1721. Não há como fazer aqui uma análise filológica do códice ora reencontrado, mediante a contemplação de suas muitas notas marginais, ainda não publicadas. Mas é possível fazer algumas inflexões.35

Por exemplo, acerca da frequência dos termos guerra, arma, soldado, força, exército, tropa, cavalo, espada, violência, Marte e derivados no texto: 203 vezes, em 240 fólios. Ou sobre a incidência de autores e obras nas notas: Camões é citado em 41 delas, Salústio e Virgílio em 37 cada, Cícero em 34, Ovídio em 30 e Sêneca em 22. Evidencia-se o peso da cultura clássica - especialmente romana - no documento, pois esses nomes e livros representam 46%, e apenas este subgrupo mais expressivo de autores latinos, 37% do total de notas. Os nomes e obras citados portavam significados, embora não raro tivessem suas ideias intermediadas por compilações de terceiros, e fossem recrutados de forma heterodoxa para respaldar a defesa do castigo antecipado sem montar uma junta de justiça - como esperado à época numa capitania do Estado do Brasil.

Se o classicismo onipresente na fonte relaciona-se mais a metamorfoses e reapropriações (Quondam, 2013) feitas por Pedro de Almeida nos idos de 1720 do que a autores e obras seminais citados, importa perceber os elementos dispostos pelo governante ultramarino. Ele beneficiou-se do ambiente vivido em Barcelona, dos contatos eruditos e livros adquiridos - como a Historia de Catalv ña de Bernardo Desclot, cronista medieval cuja primeira edição em castelhano foi manejada por Pedro Miguel (Genis i Mas, 2006),36 presente no Discurso . Também sorveu, por leituras ou convívio bélico, ideias de brio militar, disciplina e valores neo-estoicos, que reinterpretavam Sêneca, Cícero, Tácito, Lívio e outros. E entrou em contato com o tema das razões de Estado, pródigo na Espanha seiscentista. Giovanni Botero, Virgilio Malvezzi (traduzido por Francisco de Quevedo) e Juan Márquez são autores já datados nos primeiros decênios dos setecentos, mas com remissões eloquentes no Discurso - para além do Maquiavel dissimulado (Monteiro, 2015, p.204-212).

A guerra pela sucessão hispânica não foi explicitamente mencionada no Discurso histórico , como ocorreu em 1717 no discurso de posse. A situação era outra, havia de se demonstrar erudição e não se dispunha nas Minas de livros de síntese sobre o conflito recente. Contudo procurou-se aqui entender como o contexto anterior vivido pelo jovem nobre foi importante para a gestação do discurso - entendido como conjunto de significados - de Pedro Miguel de Almeida em São Paulo e Minas. Naquele âmbito guerreiro, cortesão e internacional, o filho general e o pai embaixador desempenharam papéis relevantes para a monarquia portuguesa; também preocuparam-se com a divulgação escrita de seus feitos. Há muitas passagens e aspectos no Discurso histórico que permitem explorar esses sentimentos e percepções vividos anteriormente na Espanha, relacionados à perspectiva de representar o seu rei numa terra distante, à concepção hierática de sociedade, à erudição e à apologia da violência. Seu desenvolvimento permanece como ensejo para futuros trabalhos. Como vimos, ante o vínculo tradicional do marquês das Minas como síntese da participação portuguesa no conflito, a saga dos Assumar revelou-se mais proeminente. Talvez por isso o futuro 3o conde tenha atuado e escrito nas Minas com tanta verve.

Agradecimentos

Márcia Almada, Maria Fernanda Bicalho, Douglas Coutinho Dias, Joana Fraga, Renato Franco, José Norton, Beatriz Helena Nunes e Alain Tramont. Projetos CNPq (163188/2015-7), FCT (SFRH/BPD/102497/2014) e MINECO (HAR2012-37560 C02-01).

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TÁVORA, Maria José; COBRA, Rubem Queiroz. Um comerciante do século XVIII: Domingos Rodrigues Cobra procurador do conde de Assumar. Brasília: Athalaia, 1999. [ Links ]

VALLADARES, Rafael. La conquista de Lisboa: violencia militar y comunidad política en Portugal, 1578-1583. Madri: Marcial Pons, 2008. [ Links ]

1SOUSA, António Caetano de. Memórias históricas e genealógicas dos grandes de Portugal . Lisboa: Joseph Antonio da Sylva, 1742, p.137.

2Entre mais antigas exceções encontram-se os trabalhos de PERES, 1931; PRESTAGE, 1938.

3Comemorando os 300 anos da conquista de Madrid. Sessão de homenagem a D. António Luiz de Sousa, 2º marquês das Minas. Lisboa: Comissão Portuguesa de História Militar, 2006. Nesta linha, o estudo de BORGES, 2003.

4As Memórias nunca foram impressas, seu autor mandou copiá-las em quatro luxuosos volumes. Os dois primeiros encontram-se na British Library, Additionals 20817 e 20818; o quarto volume e uma cópia de menor qualidade caligráfica do terceiro estão na Biblioteca Nacional de Portugal [BNP], Coleção Pombalina, 449 e 450.

5O diário do 2º conde de Assumar em sua embaixada daria conta dos "sucessos de Catalunha e de toda Europa" e seus quatro tomos abarcavam o período de 1705 a 1708. BARBOSA MACHADO, Diogo. Bibliotheca lusitana historica, critica, e cronologica na qual se comprehende a noticia dos authores portuguezes, e das obras, que compuzeraõ deste o tempo de promulgação da ley de graça até o tempo prezente, t. II. Lisboa: Ignacio Rodrigues, 1747, p.582. No presente só se conhece o paradeiro dos três primeiros: Arquivo dos Condes da Ribeira Grande [ACRG]. Diario que comessa em 28 de junho [de 1705], no inventariado; Arquivo Nacional da Torre do Tombo [ANTT], Casas de Fronteira e Alorna, 76. C[ontin]uação d[o diário e de tudo o que se] vay sucedend[o em] Cathalunha [e na] monarchia de Esp[anha, onde se] acha empenhado [Dom Carlos] 3º a quem venho por [embaixador] extraordinario del rey [Dom Pedro] segundo de Portug[al] e tem principio [no primeiro de março de 1706]; e BNP, Reservados, 747. Continuação do diario e de tudo o que vay sucedendo nesta expedição de Espanha e das mães partes da ditta monarchia em que com armaz del rey Dom Pedro segundo de Portugal meu senhor, e dos mães princepes aliados se pertende meter de posse de toda ella a el rey Católico Carlos 3º a quem venho por embaixador extraordinário del rey de Portugal meu senhor e tem prencipio este livro em 11 de outubro de 1706.

6Pedro de Almeida não consta entre os opositores inscritos para o cargo. Arquivo Histórico Ultramarino [AHU], Consulta do Conselho Ultramarino, consultas mistas, 21, f.114v-117v. Lisboa, 06 jul. 1715.

7A primeira parte do diário possui 40 páginas e registra os fatos e a rota de navegação até o Rio de Janeiro; a segunda, com 71 páginas, detalha a viagem do Rio até Minas. Os dois textos encontram-se na Biblioteca da Academia das Ciências de Lisboa [BACL], Manuscrito 382-v, miscelânea, tom. I, n. 7 e 8 A, e constituem o apêndice do livro citado. TÁVORA; COBRA, 1999, p.183-221.

8A transcrição feita por Laura de Mello e Souza considerou uma cópia manuscrita na Biblioteca da Ajuda, Manuscritos, 54/XIII/16, e outra na Biblioteca Pública de Évora, CXVI/2-13, n. 27. SOUZA, 1999, p.32-34.

9Biblioteca Nacional do Brasil [BNB], Obras Raras [OR], Coleção Barbosa Machado [CBM], 23, 4, 5. Notícia dos sucessos militares entre as armas portuguesas, e castelhanas. Reynando em Portugal o sereníssimo monarcha D. Pedro II, tom. II; CASTRO, Dinis de Melo de. Última noticia da expugnaçam da praça de Valença de Alcantara, & relação da de Albuquerque rendida com capitulaçoens pelo exercito da provincia de Alem-Tejo governado pelo Conde de Galveas. Lisboa: Valentim da Costa Deslandes, 1705, p.8.

10The National Archives, State Papers, 89/18/122, f.210-213, John Methuen a Charles Hedges, Lisboa, 07 jan. 1705.

11ACRG, Diario que comessa em 28 de junho [de 1705], f.54r-54v. A morte de Darmstardt, vice-rei da Catalunha antes de Francisco de Velasco e popular em Barcelona como comandante das forças austríacas, resolveu um problema de liderança entre os aliados em benefício de Peterborough. ALBAREDA SALVADÓ, 2012a, p.219-221.

12Tristão da Cunha de Ataíde, 1o conde de Povolide, também referiu o fato. SALDANHA; RADULET, 1990, p.174.

13ANTT, Conselho de Guerra, Decretos, maço 64, doc. 111. Lisboa, 16 jun. 1705.

14ANTT, Casas de Fronteira e Alorna, C[ontin]uação d[o diário e de tudo o que se] vay sucedend[o em] Cathalunha, maço 76, 07 abr. 1706, f.28r-28v.

15BNP, Reservados, 439, f.8. Decreto de nominación. Barcelona, 06 abr. 1706.

16BNB, OR, CBM, 23, 4, 6. Notícia dos sucessos militares entre as armas portuguesas, e castelhanas. Reynando em Portugal o sereníssimo monarcha D. Ioao V, tom. I. Relacion del feliz svcesso, que ha logrado el deftacamento comandado por el excelentifsimo señor conde de Atalaya, [...] que fe ha dicho aver marchado à Cervera [...]. Barcelona: Rafael Figueró, 1708.

17Francisco Xavier de Távora (1687-1723) governou a capitania do Rio de Janeiro de 1713 a 1716, lidando com a devassa contra o ex-governador Francisco de Castro Morais (em 1711 ele entregara a cidade a Duguay-Trouin), o reforço das fortificações após as invasões francesas, e conflitos com a câmara. SANTOS, 2012, p.60-113; BICALHO, 2003, p.268-298. Como em Pedro Miguel de Almeida, o Conselho Ultramarino valorizou a experiência bélica e a nobreza na nomeação para contextos delicados na América. Na investida de 1710 o mestre-de-campo Gregório de Castro Morais (irmão do então governador e falecido na contenda) comentou que os homens de Duclerc podiam julgá-los "bizonhos para a peleja" e temerosos dos "guerreiros". A guerra europeia opunha-se à vivência na América, conforme o discurso de posse de Pedro Miguel. BNB, Manuscritos, Coleção Estado do Rio de Janeiro, 8, 3, 9 n. 3. Narração do assalto que os francezes fizeram ao Rio de Janeiro, governados por Du Clerc, e a vitoria que deles alcançou o governador da cidade Francisco de Castro e Moraes no ano de 1710 .

18BNB, OR, CBM, 23, 4, 7. Noticia dos sucessos militares [...] D. Ioao V, tom. II. Gazeta de Barcelona [...]. Barcelona: Rafael Figueró, 1709, p.3.

19BNB, OR, CBM, 23, 4, 7. Noticia dos sucessos militares [...] D. Ioao V, tom. II. Relaçam dos movimentos, e acçoens, que depois da batalha de Almenara obrou o exercito de sua magestade Catholica, & da feliz vitória, que ultimamente alcançou das armas do duque de Anjou, junto a Saragoça [...]. Com a copia de hua carta da mefma magestade Catholica para a el rey noffo senhor. Lisboa: Antonio Pedrozo Galraõ, 1710, p.9.

20BNB, OR, CBM, 23, 4, 7. Noticia dos sucessos militares [...] D. Ioao V, tom. II. Relaçam das ultimas noticias que vieraõ [...]. Lisboa: Antonio Pedrozo Galram, 1710, p.1.

21BNB, OR, CBM, 23, 4, 7. Noticia dos sucessos militares [...] D. Ioao V, tom. II. Copia de la carta, qve el señor mariscal conde Guido de Starhemberg, efcrivió [...] al rey nueftro señor [...] relacionando la gloriofa batalla [...] en el campo de Alcarria, entre Cifuentes, y Brihuega. Barcelona: Rafael Figueró, [1710], p.3.

22BNB, OR, CBM, 23, 4, 7. Noticia dos sucessos militares [...] D. Ioao V, tom. II. Relaçam da campanha de Alem-Tejo no outono de 1712 [...]. Lisboa: Miguel Manescal, 1714, citações: p.51-52.

23BNB, OR, CBM, 24, 1, 4. Elogios funebres, oratórios, e poeticos dos duques, marquezes, condes, e fidalgos de Portugal, tom. II. BARBOSA, José. Elogio do excellentissimo senhor D. Joaõ de Almeida e Portugal, conde e senhor do Assumar, gentil-homem da câmera de Sua Magestade, do conselho de Estado, e Guerra [...]. Lisboa: Joseph Antonio da Sylva, 1735, p.2.

24BNB, OR, CBM, 24, 1, 4. Elogios fúnebres [...] José Barbosa. Elogio [...] Joaõ de Almeida e Portugal [...], p.49-55, citações: p.54-55.

25BACL, Série Vermelha, 45, f.77v-78, 110-110v e 115v-116v. O diário, até então pouco conhecido, foi traduzido do original em português para o castelhano e editado na Espanha. ALBAREDA SALVADÓ; LEÓN SANZ, 2013.

26É o que se depreende pelo escrito na primeira página do documento existente na BACL.

27João de Almeida escreveu que aquela outrora fora a residência real. ACRG, Diario que comessa em 28 de junho [de 1705], f.77v-78. O palacete se conserva, com forte remodelação ocorrida na segunda metade do século XVIII. Em carta de 1746 ao pai vice-rei na Índia, seu filho João de Almeida (homônimo ao avô) informou ter passado 4 dias em Barcelona e conhecido a referida casa, bem como o marquês de Rauben, que disse ter sido prisioneiro de Pedro Miguel em Brihuega, conservando a espada por ele ofertada. MONTEIRO, 2000, p.58.

28BNB, OR, CBM, 24, 1, 1. Elogios oratorios, e poeticos dos duques, marquezes, e condes de Portugal, tom. I. Al excelentissimo señor Don Juan de Almeyda, conde de Assvmar [...] En dia, que nueftro amado rey Carlos, haze en la excelentiffima Barcelona, reales exéquias á la sereniffima señora Doña Catalina, hermana del rey de Portugal, y reyna de Inglaterra [...]. Barcelona: Bartholomé Giralt, 1706.

29BNB, OR, CBM, 23, 2, 2. Epithalamios de reys, raynhas e príncipes de Portugal , tom. III. Nvmeroso cvlto, mvsico festejo, en aplavso de las felicíssimas, y reales bodas del avgvstissimo, y sereníssimo señor rey de Portugal Don Juan Quinto, con la sereníssima archidvqvesa Doña Mariana de Avstria. Mandado celebrar en el Grande Salon de San Jorge de la dipvtacion de Barcelona por el excelentíssimo señor conde de Assvmar, embaxador extraordinário de Portugal a la magestad de el rey católico Carlos terceiro. Barcelona: Rafael Figueró, 1709; BNB, OR, CBM, 25, 3 bis, 10. Notícia das embaxadas que os reys de Portugal mandaraõ aos soberanos da Europa , tom. III. Relacion de la avdiencia pvblica, que el dia 3. de febrero de 1709. tuvo de las majestades católicas el excelentíssimo señor conde de Assvmar, embaxador extraordinario de Portugal, a sv magestad católica, participandoles la notica del real defpoforio del serenifsimo señor rey de Portugal Don Juan Quinto con la sereníssima señora reyna doña Mariana de Avstria y las destivas demonstraciones, qve por efpacio de três dias fucceffivos mandò hazer fu excelencia, en aprecio de efta tan feliz vnion, y dichofo arribo de fu Mageftad à la corte de Lisboa. Barcelona: Rafael Figueró, 1709.

30BNB, OR, CBM, 23, 1, 3. Genethliacos dos sereníssimos reys, rainhas, e princepes de Portugal, tom. III. Relacion, de la forma en qve el exmo. señor conde de Assvmar, embaxador extraordinário de sv magd. portvgvesa en esta corte, participò a la sra. emperatriz reyna, el nacimiento de la princesa Eleonor, hija primogênita de los sres. reyes de Portugal . Barcelona: Rafael Figueró, s. d.

31SERRA I POSTIUS, Pedro. Epítome histórico del portentoso santuario y real monasterio de Nuestra Señora de Montserrate . Barcelona: Pablo Campins, 1747, p.14.

32BEM, Thomaz Caetano de. Memorias historicas chronologicas da sagrada religião dos clerigos regulares em Portugal, e suas conquistas na India oriental, vol. 1. Lisboa: Regia Officina Typografica, 1742, p.446-451. No inventário da biblioteca de Alorna consta o título de Manuel Caetano de Sousa. Expedição hispânica , 2 vols. NORTON, 1967, p.339.

33MORAES I VASCONCELOS, Francisco Botelho de. Progressos militares de Leopoldo Enrique Botelho de Magalhaens , s.d., p.52, p.46-76. Disponível em: http://purl.pt/15383/1/index.html#/48/html; Acesso em: 31 mai. 2016.

34Barbosa Machado, Diogo. Bibliotheca lusitana historica, critica, e cronologica na qual se comprehende a noticia dos authores portuguezes, e das obras, que compuzeraõ deste o tempo de promulgação da ley de graça até o tempo prezente , t. IV. Lisboa: Francisco Luiz Ameno, 1759, p.128.

35Discurso histórico e político sobre a sublevação que nas Minas houve no ano de 1720. Arquivo Público Mineiro [APM], Seção Colonial, AVC-07. O exemplar mais completo do APM (há uma cópia resumida do século XVIII no Instituto de Estudos Brasileiros da Universidade de São Paulo e outra de 1825 na BNB) possui 481 páginas manuscritas com a mesma letra e cerca de 433 notas marginais ao texto principal. A transcrição operada contém 124 páginas digitadas em letra Arial, 12, espaço 1,5 cm entre linhas, com formatação normal em Word. Trata-se de pesquisa em curso, que visa examinar em termos materiais e filológicos o documento e investigar o destino do códice até 1895, quando foi comprado em Lisboa pelo governo de Minas Gerais.

36DESCLOT, Bernardo. Historia de Catalvña. Barcelona: Sebastian de Cormellas, 1616.

Recebido: 21 de Junho de 2016; Aceito: 12 de Setembro de 2016

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