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Varia Historia

versão impressa ISSN 0104-8775versão On-line ISSN 1982-4343

Varia hist. vol.34 no.64 Belo Horizonte jan./abr. 2018

http://dx.doi.org/10.1590/0104-87752018000100006 

ARTIGOS

Recolher as âncoras em busca da liberdade: Gênero e viagem em Nísia Floresta (Europa, 1856-1885)

Collecting Anchors in the Search of Liberty: Gender and Travel in Nísia Floresta in 19th Century Europe

LUDMILA DE SOUZA MAIA1 

1Department of History, Rice University, 6100 Main MS-42, Huma 325, Houston, Texas, 77005, US, ludmilasouzamaia@gmail.com

Resumo

A escritora brasileira Nísia Floresta (1810-1885) deixou o Brasil em 1856 com destino à Europa, onde passou a viver até o fim de seus dias. Nesse período, publicou uma série de textos, dentre os quais dois relatos de viagem. Neste artigo, analiso sua trajetória enquanto viajante e escritora na Europa. Através da literatura que produziu e de outras fontes históricas sobre seu percurso, procuro demonstrar como Floresta deixou o Brasil em buscar de uma liberdade de gênero que lhe permitisse escapar das amarras da vida familiar e da sociedade patriarcal. Meu argumento é de que a viagem foi para sua vida e sua pena uma experiência libertadora. No entanto, seus escritos revelam também uma tensão, ao enfatizar e defender as expectativas da sociedade burguesa e patriarcal para as mulheres de sua condição como ideais a serem defendidos.

Palavras-chave Nísia Floresta; século XIX; escritora viajante

Abstract

Brazilian female writer Nísia Floresta (1810-1885) traveled from Brazil to Europe in 1856 and lived there until her death. In this period abroad, she published a series of writings, among them, two travel accounts. In this article, I analyze her trajectory as a female traveler in Europe as well as a prolific writer. Through her writing and based on historical primary sources about her experience, I demonstrate how Nísia Floresta left her home country in the search of her freedom of gender, aiming to escape patriarchal norms of Brazilian family and society. My argument is that her travels were a liberating experience that enabled her to defy the social expectations imposed on upper-class women of patriarchal and bourgeois societies.

Keywords Nísia Floresta; nineteenth century; woman travel writer

Introdução

No dia 10 de abril de 1856, a escritora brasileira Nísia Floresta Brasileira Augusta e sua filha embarcaram no paquete Cádix para a Europa, dessa vez sem a companhia masculina de seu filho Augusto Américo, como fizera na primeira viagem de 1849, quando Nísia e os dois filhos viajaram por dois anos pela Europa.1 Nísia partiu apenas 8 meses depois da morte de sua mãe D. Antonia Freire e o cumprimento de sua "missão" enquanto filha e mãe,2 já que o filho já se emancipara.3 Lívia juntou-se à ela. A viagem, sem dúvida, a livraria da temível denominação de "solteirona" e a alijaria das pressões sociais relativas à sua condição de mulher culta e sozinha, uma vez que ela se distanciaria do universo da família, optando pelo anonimato da vida de viajante no estrangeiro. Essa não seria, contudo, uma viagem de curta duração como a primeira, mas, antes uma mudança definitiva para o continente europeu, no qual elas não parariam de viajar.4 Nísia retornaria uma vez mais ao Rio de Janeiro por um período de aproximadamente 3 anos. A filha Lívia jamais faria a travessia de volta.5

Para muitas contemporâneas de Nísia Floresta que compartilhavam sua condição social, a viagem surgia como uma possibilidade quando as ditas "obrigações femininas" foram concluídas. Muitas viajantes do Oitocentos esperaram o momento certo para partir. No caso de Nísia, as viagens fizeram sempre parte de sua vida desde a infância, mas os deslocamentos físicos decorriam de guerras ou de busca por uma oportunidade de trabalho. Em 1849, ela desfrutou de uma viagem em busca de instrução e lazer ao lado dos filhos, mas a debilitada saúde de sua mãe a fez interromper a vida de viajante. Deste modo, embora cultivasse o desejo de seguir vivendo em diferentes países da Europa, Nísia aguardou a morte da mãe e a emancipação do filho para tornar-se novamente viajante. O mesmo fez a viajante austríaca Ida Pfeiffer, que só se lançou aos mares depois da emancipação dos rebentos. Outras, como Isabella Bird, solteira e enferma, iniciaram suas aventuras seguindo prescrições médicas depois de completar 40 anos. Marianne North cuidou do pai até sua morte e também com 40 anos decidiu partir pelo mundo para desenhar e pintar borboletas, um hobby adquirido nos anos que passou à cabeceira do pai. Mary Kingsley partiu aos 30 anos, depois de ter cuidado da mãe, cuja morte a liberou para percorrer os confins da África, sobre os quais havia lido durante os serões ao lado da enferma (Lapierre; Mouchard, 2007, p.22-150).

Como Nísia, essas mulheres cumpriram as obrigações sociais antes de tornaram-se viajantes, mesmo que a viagem tenha sido sempre um desejo que tivessem. Muitas delas aguardaram ou aproveitaram um luto, a morte dos pais, do marido, a emancipação dos filhos, ou o fim da pressão social em relação à maternidade e ao casamento com a vinda da maturidade para tornarem-se viajantes. Há também outras que viajaram mais novas como a filha de Nísia ou a holandensa Alexine Tinne, que viajou ao Egito acompanhada pela mãe em busca de aventura e fugindo, provavelmente, das convenções sociais do casamento e da maternidade (Lapierre; Mouchard, 2007, p.22-150).

Como procuro demonstrar neste artigo, no caso de Floresta, a viagem constituiu-se enquanto experiência libertadora, capaz de livrá-la das normas e da moralidade da sociedade patriarcal, brasileira e europeia, ao mesmo tempo em que, como autora, ela construiu uma retórica conciliatória com as ditas regras, das quais ela cumprira, mas parecia distanciar-se. Seus escritos desse momento revelam uma tensão entre sua vida de liberdade e deslocamentos na Europa, com a defesa de ideais burgueses da mulher como rainha do lar e mãe, realizando um movimento de transposição da domesticidade para a vida itinerante.

A escritora brasileira assemelhou-se a dezenas de viajantes da mesma época, que além da saia e da "crinolina", compartilharam outras características. Em meados do século XIX, mulheres de todo o mundo se lançaram aos mares, diligências e expressos para percorrer o mundo por motivos variados. As mulheres sempre viajaram, mas muitas contemporâneas de Nísia compartilharam, de certo modo, uma série de atitudes em relação à viagem e à condição da mulher que muito nos informa sobre seus anseios e suas possibilidades. Essas viajantes evitaram, em geral, romper relações com a família ou esquecer suas obrigações "femininas" com o lar, com os parentes, ou com sua honra mesmo em lugares distantes (Mouchard, 1987, p.7-8).

Nísia Floresta nascera em 1810 em Papary, capitania do Rio Grande do Norte. Filha de grandes proprietários rurais, passou a infância entre sua vila natal e a capitania de Pernambuco (Câmara, 1941; Duarte, 1995). Ali, seu pai foi assassinado quando tinha 18 anos,6 mesma época em que conheceu o homem que ela chamou de marido e com quem teve um casal de filhos7. Em Pernambuco, publicou uma tradução do francês e teve sua primeira filha. Logo em seguida, transferiu-se com o marido, a filha, a irmã e a mãe para o sul do país, talvez por medo dos assassinos do pai e para que seu marido iniciasse uma carreira como advogado ao lado do irmão que lá vivia. Pouco tempo depois de instalada, enviuvou aos 22 anos na província de São Pedro do Sul, atual Rio Grande do Sul, logo após o nascimento de seu segundo filho (Flores, 1992). Ainda no Sul, trabalhou como professora e dirigiu sua própria escola (Flores, 1992).

No final dos anos 1830, se mudou com os filhos, a mãe e irmãos solteiros para a cidade do Rio de Janeiro, onde seguiu ensinando e montou uma escola para moças, tornando-se arrimo da família. Nessa época, iniciou também sua carreira de escritora e publicou vários textos na imprensa, além de alguns livros.8 Entre 1849 e 1852, viajou para a Europa com seus dois filhos e retornou às pressas para o Rio de Janeiro em razão da debilitada saúde de sua mãe que morreu em 1855.9 No período que viveu no Rio cuidando da mãe, escreveu cartas para o amigo e zoólogo Duvernoy em Paris, sempre mencionando o desejo de retornar a Paris. Pouco depois da morte da mãe, Nísia cumpriu seu desejo e mudou-se com sua filha para a Europa no ano de 1856, onde viveu até sua morte em 1885.10

A escritora e educadora brasileira Nísia Floresta escreveu diversas obras enquanto viveu na Europa, incluindo dois relatos de viagens, e foi esse período um dos momentos mais prolíficos de sua carreira como escritora. Seus escritos revelam uma procura incessante de um sentido para a vida e em busca da cura para as aflições da alma, como a tristeza decorrente da morte recente da mãe e de lutos antigos como o do pai e do marido. Sua obra demonstra ainda uma procura incansável por conhecimento e instrução. Ao mesmo tempo, não deixou de discorrer sobre as angústias de viver apartada do filho, da família e de seu país natal, sem que tais saudades a fizessem retornar ao Brasil ou a impedissem de explorar por longos anos diversas partes da Europa.11

Neste artigo, pretendo mostrar que a busca de Nísia Floresta pelo conhecimento e cura dos males da alma, sob a retórica do luto, das saudades do filho, da família e da pátria camuflava uma procura maior: a busca pela liberdade, autonomia e realização pessoal fora das expectativas sociais para as mulheres de sua condição social, sendo ela branca e integrante de uma classe proprietária. Apenas na vida itinerante que construiu na Europa, longe das amarras patriarcais da família e da sociedade brasileira de meados do Oitocentos, e, de certa forma, alheia às regras patriarcais das sociedades europeias, Nísia Floresta conseguiu dar sentido à sua existência e saciar seus anseios intelectuais. A viagem foi para Nísia tão libertadora quanto para tantas mulheres burguesas contemporâneas a elas (Lapierre; Mouchard, 2007). No entanto, essa procura pela liberdade foi, cuidadosamente, arranjada sob a retórica das saudades da família e da vigilância da honra e com um esforço de incorporar a domesticidade em seus escritos de modo que seus leitores não confundissem seus anseios de liberdade e busca por conhecimento com a famigerada libertinagem, talvez o pior dos pecados femininos no Oitocentos. Mais do que isso, seus escritos revelam, ainda, uma contradição entre sua vida de viajante que se diverte e tem prazer com uma retórica de saudades da família, vazio existencial em razão do luto e defesa das funções femininas de rainha do lar e mãe dedicada.

Luto, melancolia, viagem e instrução

Segundo seus escritos publicados, a motivação principal para a mudança, segundo Nísia, era o seu estado de tristeza em razão da morte de D. Antonia, ocorrida em 1855. Em 26 de agosto de 1856, Nísia se dirigiu à família, no relato de viagem que publicou em 1857: "Vocês haviam pensando que Paris exerceria em mim sua costumeira magia. Pois bem, revi-a com indiferença(...). O abalo cruel [a morte da mãe] que sacudiu todo o meu ser moral mantém-me ainda incapaz de apreciar, como outrora, a vida intelectual de que se frui nesta Atenas moderna".12 Segundo seus escritos publicados, além dessa tristeza, Nísia experimentaria ainda uma outra ausência: a de seu amigo e famoso zoólogo George-Louis Duvernoy, morto no ano anterior, e quem tanto almejava reencontrar no seu retorno à Paris e com quem trocou, ao menos, duas cartas enquanto viveu no Rio de Janeiro.13

Se seus escritos falavam em tristeza e desinteresse por Paris, Floresta não deixou de retomar suas aulas nas instituições públicas de ensino daquela cidade, como, por exemplo, o Collège de France, a Sorbonne, o Muséum D'histoire Naturelle, ou a Bibliothèque Impériale. Ia sempre acompanhada pela filha e por muitas amigas dos salões parisienses. Ela e outras alunas seriam lembradas no artigo de Eugène Vignon na Revue Française sobre o Collège de France, na década de 1860, como as mais ilustres e assíduas alunas dos cursos livres daquela instituição.14 Vignon chega a destacar a fama de escritora de Floresta e a erudição da filha Lívia.

Segundo Vignon,era o costume das mulheres chegar mais cedo para tomar seus lugares, já que havia ampla concorrência e muitos alunos tinham que ficar de fora. Costumavam conversar entre si e realizar trabalhos manuais como o tricô, enquanto esperavam o professor. A elas era reservado a "l'enceinte des dames", um setor separado por uma balaustrada, de modo a isolá-las dos alunos do sexo oposto, organizadas pela administração do Collège. Nessa época, Nísia deve ter feito o curso "Sur la litterature dans ses rapports avec les Beaux-Arts" [Curso de literatura e suas relações com as belas artes]. Possivelmente, isso a tenha estimulado a visitar outras regiões da Europa, como a Alemanha ou a Itália, ambas consideradas berço da história da arte no século XIX. Entre uma aula e outra, Nísia reencontrou antigos professores e colegas retomando velhas amizades. Por volta do mês de agosto de 1856, aproximou-se novamente do filósofo Auguste Comte, que havia lhe ministrado um curso em 1851 sobre a filosofia positivista, quando viveu em Paris com seus dois filhos e com quem trocou cartas.15

O retorno aos estudos interrompeu-se, contudo, na manhã do dia 24 de agosto de 1856, quando Floresta partiu para uma viagem de pouco mais de um mês pela Bélgica e Alemanha. Durante o passeio, a escritora produziu um relato, em primeira pessoa, escrito na forma epistolar em que elege como interlocutores privilegiados sua própria família e seus amigos íntimos. Cada dia da viagem é narrado em uma espécie de diário, no qual destaca suas impressões íntimas e subjetivas dos lugares que percorreu, destacando o dia, a hora, o lugar e as circunstâncias de sua escrita.16 Sua amiga, Eugénie Pelserf, escreveu no prefácio de Itinéraire d'un voyage en Allemagne17 [Itinerário de uma viagem à Alemanha], que o seu relato era "cheio de poesia e sentimento" e deveria interessar amigos e conhecidos da autora. Seu relato é cheio de digressões biográficas implícitas, o que viria irritar um de seus críticos literários.18

A viagem foi organizada, segundo a narradora, com o propósito de distrai-la da data da morte da mãe, pois Paris se tornava "insuportável, à medida que o triste aniversário se avizinhava". Decidiu então viajar para curar os males da alma que lhe afligiam: "Era-me necessário percorrer novos países, neles haurir novas impressões, sob um horizonte mais amplo, em atmosfera mais livre",19 pois para Nísia: "Viajar (...) é o meio mais seguro de aliviar o peso de uma grande dor que nos mina lentamente",20 como escreveu em seu relato. A nova viagem aparece, novamente, como remédio para aflições da alma.

Dessa vez, ela escolheu como destino a Alemanha, "a digna pátria de Leibniz e Kant", que a atraiu pela segurança e rigor dos costumes "patriarcais". Os tais costumes, segundo a autora, lhes protegeriam de correr riscos e de viver aventuras. Ela não deixa de enfatizar a preocupação com a segurança e a honra já no início de seu relato, mostrando-se mulher respeitável e mãe dedicada. Decidiu chegar à Alemanha passando pela Bélgica e retornando para a França, via Estrasburgo, para realizar uma lúgubre visita. Se a viagem tinha o propósito de distraí-la do luto da mãe, ela procurava ainda fazer as honras fúnebres de uma outra perda: "Propondo-me realizar uma peregrinação ao túmulo do venerável amigo, o sábio e bom Duvernoy".21 Tanto uma razão como outra confirmavam ao leitor a moralidade inquestionável da escritora, que se constituía como devota à memória da mãe e do mestre amigo, a quem comparava a um pai. Deste modo, a narrativa nega a viagem como um momento de diversão e prazer per se para assumir a função moralizadora de um dever filial, ou mesmo, uma maneira de curar as aflições da alma de forma respeitável e adequada ao seu lugar de mulher.

Nessa obra, emerge o tema das saudades da pátria, de seus familiares mortos e da família que vivia no Brasil, o que seria também uma constante nos diversos escritos de sua primeira década na Europa. Com frequência, as saudades do Brasil resultavam em digressões autobiográficas e sobre a natureza brasileira, onde suas emoções e seu ufanismo costumavam ser espacialmente alocados. As comparações entre os elementos naturais dos dois continentes são uma constante desses relatos a partir de sua mudança para a Europa e revelam seu ufanismo exacerbado pela distância do Brasil. A liberdade que desfrutava na viagem era, paradoxalmente, associada às preocupações e às saudades da família e das antigas funções de mãe e filha.

A história dos lugares que visita, com seus grandiosos acontecimentos, além dos monumentos antiquíssimos, tornou-se tema da pena da viajante brasileira. Em Heidelberg, admirou-se com uma residência, em particular: "Uma das curiosidades desta cidade é a casa do cavaleiro de São Jorge, histórica, muito sombria e antiga".22 Em outro momento, se deslumbra com reminiscências de artistas famosos: "visitamos a casa de Ibach, na rua Sterngasse, n. 10, que Rubens habitou". Em Bonn, fala de uma igreja que coroou reis famosos: "Para chegar-se ao altar-mor, é necessário subir dezenove degraus. Foi lá que o Contra-imperador Frederico da Áustria e Carlos IV foram coroados Imperadores da Alemanha", ou, ainda, "Em Valenciennes, paramos mais demoradamente para jantar e ver melhor, a velha cidade em que Clóvis II e Carlos Magno realizaram, em 603 e 771, assembleias gerais" (FLORESTA, 1998, p.39).23 Nessas e em outras passagens, demonstra sempre seu interesse pela história e pela cultura, assim como evidencia sua erudição adquirida antes ou durante a viagem, que se constitui como lugar e momento privilegiados para o aprendizado. A autora destaca o conhecimento como uma forma moralizada de experimentar a liberdade, sendo ela mulher. Embora Nísia não esconda o gênero de sua autoria, ela não deixa de enfatizar o desejo pela instrução como motivação principal para se estar longe da esfera doméstica e familiar.

Contudo, encantada com a cultura dos lugares que visita, Nísia Floresta também se entrega com Lívia aos prazeres da ópera e do balé, os quais tinha o costume de condenar nas brasileiras.24 Em seus escritos anteriores a 1856, como, por exemplo, na crônica "Passeio ao aqueduto da Carioca"25 ou como no tratado de educação das moças Opúsculo Humanitário,26 a autora reprovava o prazer dos bailes e óperas das mulheres cariocas e, por isso, as considerava frívolas. Do outro lado do Atlântico, no entanto, ela escreveu no dia 24 de setembro de 1856: "(...) chegamos ao teatro, onde assistimos a uma tocante representação (O Desertor). A bela voz da primeira cantora e a do tenor supriram para mim o sentido das palavras alemãs, que ainda não compreendo. Gisela, famoso balé em que o amor de um rapaz desperta em toda sua grandeza sublime (...) tocou-me profundamente",27 lembra emocionada. Na Europa, Nísia se encanta com a antiguidade do passado e os feitos dos grandes reis e heróis de tempos remotos, além de se permitir apreciar os prazeres, antes interditos, imorais ou frívolos como a ópera, enfatizando, contudo, a história moralizadora do balé que assistiu.

Em seus escritos de 1850, anteriores à mudança para a Europa, Nísia condenava os prazeres femininos que não fossem as obrigações da mulher com os filhos, com a família e com o lar. A leitura, o estudo e a contemplação romântica da natureza seriam as únicas formas de prazer considerados adequados para as mulheres. No entanto, seu deslocamento para o velho continente e as diversas viagens que lá empreendeu transformaram seu julgamento moral sobre o prazer feminino, ampliando as possibilidades de divertimento que ela experimentou na prática. Todavia, ainda assim, a escrita de Nísia parece revelar as contradições entre sua experiência de prazer e diversão nas viagens e sua necessidade de justificar ou transformá-la em uma busca de cura para os males da alma ou mesmo como um dever moral de busca por instrução, conhecimento ou melhoramento moral. Nesse sentido, se por um lado Nísia parecia escapar dos limites das normas patriarcais do Brasil e da Europa ao lançar-se aos mares e ferrovias como viajante desapegada da sociedade, por outro lado, sua escrita permanecia prisioneira dos mesmos costumes dos quais parecia se distanciar.

Domesticidade alhures

A tensão entre liberdade e obrigação feminina se faz presente em seu relato sobre a Alemanha. Nesse escritos, emerge a falta da família, a quem se dirige na narrativa: "Todas essas cidades que visito, tudo o que observo tem para mim apenas uma fraca atenção, pois meu espírito e meu coração não podem separar-se de vocês: esta preocupação constante não me permite senão fraca apreciação dos objetos que me tocam aos olhos".28 No excerto, a narradora se mostra inexoravelmente ligada à família, o que a impedia de usufruir da viagem e de seus prazeres. Nesse sentido, o relato procura, com frequência associar, o que poderia parecer indissociável: a imagem de mãe e rainha do lar com a figura da viajante livre, pintando-se aos leitores como alguém que transporta a esfera doméstica da família para uma vida itinerante.

Os lugares que visita evocam imagens do passado, de momentos compartilhados em família ou de paisagens observadas: "percorrendo a Universidade de Heidelberg, pensava em ti, meu filho bem-amado, que talvez virás um dia frequentá-la junto de mim",29 ou quando diz: "Abstraí da ferrovia e todo o belo espetáculo de uma civilização avançada, que circundava na estrada de Stuttgart, e deixei meu espírito viajar na direção da Floresta [nome do sítio no qual nasceu], entre seus bosquezinhos de laranjeiras e outras árvores".30 As imagens retóricas de saudades da família, do filho e da pátria pareciam mostrar ao leitor que a narradora-personagem não se divertia ao viajar, mas apenas transportava sua domesticidade para o interior do passeio, mostrando-se como mãe, irmã e cunhada zelosa. Seus sentimentos perderam-se no passado, mas Nísia Floresta trabalhou em seus escritos publicados para convencer seus leitores de que além de autora, era mãe zelosa, filha devota e viúva dedicada à memória do marido, cumprindo, portanto, as funções, consideradas por muitos contemporâneos, como primordiais para uma mulher de sua condição social.

A viagem à Alemanha se conclui com sua nobre missão de visitar o túmulo do amigo e Nísia retorna à Paris no início de outubro de 1856. A despeito do passeio de mais de 1 mês, retornava para sua casa, segundo seu relato, "fatigada e enfraquecida", pois havia empreendido a viagem "nas tristes disposições em que se acha[va] [seu] espírito".31 Se as tristezas e saudades a cercavam realmente ou se era apenas parte de uma persona literária que construía em suas digressões autobiográficas, o fato é que Nísia escrevia cada vez com mais empenho. Sem dúvida, esses primeiros anos na Europa foram os de maior produtividade como escritora, justamente quando havia se libertado das funções femininas de filha, de mãe de filhos dependentes e da função de família enquanto morava do outro lado do Atlântico. Finalmente, alcançara o tempo livre necessário e a segurança material para dedicar-se à escrita. A saudade, sentida e/ou tematizada por Floresta, não a impediu de viver 16 anos na Europa apartada de seus familiares e da pátria.

Pionerismo e aventura de saias

Depois de viver em Paris por um período de 1 ano, Nísia e Lívia deixaram a cidade luz em um expresso em direção à Marseille, no dia 19 de março de 1858, de onde partiram para uma viagem que durou 3 anos, percorrendo regiões da Itália, da Sicília e da Grécia. Essa temporada no sul da Europa resultou em um longo relato de viagem publicado em dois volumes na França. O primeiro volume de Trois ans en Italie suivis d'un voyage en Grèce saiu em 1864 e o segundo, sem data, foi provavelmente publicado em 1872, ambos pelo editor Dentu, depois que Floresta retornou à França.32

Ela assina com a vaga alcunha de "Une Brésilienne, auteur de plusieurs ouvrages littéraires et moraux, et publié à Rio de Janeiro, à Florence et à Paris" [Uma Brasileira, autora de muitas obras literárias e morais, e publicadas no Rio de Janeiro, em Florença e em Paris]. A escolha da assinatura revela a ideia da própria autora ou mesmo do editor de enfatizar a circulação espacial da escritora, bem como seu gênero feminino. Tratava-se de uma forma de chamar a atenção do público para o inusitado: uma brasileira que escreve e publica em francês sobre uma viagem que realizou pela Itália, o que aliás já havia feito em sua obra sobre a Alemanha. A estratégia utilizada na divulgação da obra demonstra a ideia da autora de ressaltar a mobilidade e o cosmopolitismo de sua trajetória. Dessa vez, "Une Brésilienne" abandonou o estilo epistolar de Itinerário de uma viagem à Alemanha, sem deixar de construir, contudo, uma narrativa confessional, subjetiva e, sobretudo, autobiográfica. Ela organiza a exposição de sua viagem a partir das cidades que visitou, por vezes com indicações de tempo, como fizera também na obra sobre a Alemanha.

Nísia encontraria uma Itália sacudida pelas guerras de unificação, que ela registra em várias passagens de Trois ans en Italie suivis d'un Voyage en Grèce.33 A autora descreve o encontro com a guerra como obra do acaso. Porém, a decisão de viajar para uma zona tomada por conflitos nos parece mais fruto de um cálculo do que simples obra do destino. O testemunho das batalhas parece ter resultado de sua vontade de ver de perto as grandes revoluções de sua época.

No final da década de 1850, jornais de todo o mundo narravam as disputas em torno da unificação italiana e contavam os feitos do papado contra os nacionalistas, além de destacar os processos contra os heróis nacionalistas italianos, como Manzini e Garibaldi, que eram vivamente festejados por boa parte da imprensa progressista na Europa. Muitos desses líderes contrários ao papa ganharam enorme apoio de mulheres, que, em toda a Europa, protestaram contra seus aprisionamentos e condenações.34 Talvez tal repercussão na imprensa parisiense tenha motivado mãe e filha se aventurar ao sul do continente, fazendo-as trocar a vida pacata parisiense pelo calor dos acontencimentos na penísula itálica.

Seu anseio de ver e fazer história sendo testemunha ocular de grandes eventos políticos compõe muitos de seus escritos. Em vários dos textos anteriores de Nísia Floresta fica evidente a preferência da autora em narrar e explicar sua vida a partir de eventos políticos e sociais importantes, como as revoluções pernambucanas de 1817 e 1824 e a Farroupilha, além das guerras de unificação italiana.35 Se a política era um domínio masculino e pouco aberto às mulheres e autoras, naquele período, Floresta utilizou seu relato para fazer um mergulho proibido nesse mundo, opinando abertamente sobre o conflito italiano.

Nesse sentido, a autora encobre sua liberdade de caminhar por um terreno considerado por muitos contemporâneos como inapropriado para as mulheres de sua condição social, ao jogar no acaso a responsabilidade pelo encontro com a política e com a guerra. Ao justificar sua partida para Perúgia, que acabara de ser atingida pela guerra de unificação, a autora afirma que, a princípio, pensou em mudar os planos de conhecer a cidade para evitar as assombrosas cenas do massacre realizado pelas forças contrárias aos nacionalistas e a favor do papa:

Os bárbaros atos que a tropa suíça cometeu contra a população de Perugia, em nome do pobre papa, não tão horríveis quanto os que Augusto ordenou antigamente, porém mais abomináveis e monstruosos porque partiram do chefe do cristianismo (...). Ao saber em Roma das notícias do massacre de Perugia pensei em retornar à Florença por outra estrada, para não ver de perto o triste contraste entre uma população horrorizada com os quadros sanguinários que testemunhara (...) [Grifos meus].36

No entanto, segundo a autora, seus temores em ver as cenas da guerra foram menores que seu anseio em conhecer a cidade e seus tesouros:

Porém, não quis deixar de ver as obras primas de arte de Perugia, desprezando a ocasião que me oferecia a vizinhança da cidade de Assis, onde deveria parar. Invoquei para essa parte da península italiana, como para todas as outras, a realização das palavras do último profeta da Itália, o nobre Gioberti e apoiei-me, ao aproximar-me da infeliz Perugia, na esperança que animou este grande coração: "As nações cristãs podem ficar doentes, podem agonizar, mas não podem morrer".37

Sua justificativa para se dirigir ao olho do furacão da guerra parece pouco convincente ao leitor, sobretudo porque Nísia não parecia ter pressa em deixar a Itália, e, em 1859, já tinha planos concretos de ali residir, como aliás o fez. O que parece mais evidente é o seu vivo desejo de ver a história acontecer como testemunha ocular, algo aliás que valorizaria seu relato de viagem no mercado editorial e serviria como um diferencial em relação a outros textos de viagens sobre a Itália. Ao narrar o acontecer da história do Risorgimento italiano, Floresta talvez quisesse fazer parte daqueles acontecimentos, sentindo, contudo, a necessidade de exibir uma retórica de desinteresse pela política, um domínio masculino por excelência e, em geral, interdito às mulheres. Sua liberdade de ver algo pouco convidativo ao universo "delicado" das damas era constraposto a uma retórica que jogava no desejo de instrução a responsabilidade pela imprudência de adentrar uma zona de guerra. Experimentava a liberdade em seus deslocamentos, mas a revestia em uma retórica que reconhecia e confirmava o lugar da mulher no universo da delicadeza, da sensibilidade, da religião, como por exemplo, quando se refere às preces que fez. Retórica e prática estavam, todavia, dissociadas.

Nísia viajava em busca das questões políticas latentes daquela região, mas sem dúvida, também estava vivamente interessada na história, na cultura e no passado grandioso da civilização romana e das obras do Renascimento, como ela própria afirmou em seu prefácio. Ao partir para uma viagem em busca de conhecimento e instrução, ela empreendeu um verdadeiro grand tour, semelhante aos realizados por gerações de autores românticos que, desde o fim do século XVIII e ao longo de toda a primeira metade do século XIX, foram à Itália e escreveram sobre o que viram transformando suas viagens e passeios em jornadas literárias de imenso sucesso (Lúcio, 1999, p.IV).

Um dos exemplos mais marcantes foi o romance Corinne ou L'Italie, escrito por Madame De Staël após uma viagem pela Itália em 1803. A obra contava a história de uma mulher talentosa, que vivenciou um ambiente cosmopolita, e, segundo a estudiosa e tradutora de Floresta, Sônia Lúcio, fez uma geração de mulheres sonhar com viagens pela Itália. Nísia e Lívia talvez fizessem parte desse grupo de leitoras de Stäel (Lúcio, 1999, p. iv). Lúcia Ferreira, estudiosa de Nísia, apontou como a viagem da brasileira pela Alemanha foi uma forma de refazer os passos de Madame de Staël e do seu relato De L'Alemagne (Ferreira, 1990).

Na Itália, ela talvez seguisse mais uma vez a trajetória literária de uma das mais famosas escritoras naquele momento. No entanto, sua inspiração também vinha dos grandes autores homens de seu tempo e, por mais de uma vez, Floresta cita passagens das obras de Victor Hugo e Chateubriand sobre a Itália. Foi, também. em busca dessa liberdade e das experiências literárias de autores canônicos que Nísia empreendeu suas viagens (Lúcio, 1999, p.LXIII). Nísia Floresta deslocava-se para reviver suas experiências de leituras, que de certa forma, garantia a moralidade de suas viagens e a protegia das ideias difamatorias do ideal burguês de reclusão para as mulheres de alta classe, tanto na Europa quanto no Brasil.

Enquanto vivia no exterior, Nísia não apenas foi escritora prolífica e leitora assídua dos clássicos de seu tempo, mas preocupou-se também em se fazer publicar. A própria Nísia Floresta informa o leitor, em sua obra sobre a Itália, sua experiência com publicações por onde passa:

Duas pequenas obras que escrevi em italiano, publicadas em Florença, foram recebidas com muita simpatia e mereceram elogios muito acima do seu mérito. A bondosa apreciação que dignaram-se a fazer as pessoas do nosso círculo, e as cartas que recebi de outras cidades da Itália, encheriam de orgulho o meu espírito, se ele fosse susceptível. Pois, apenas duas coisas devem ter suscitado aos meus leitores as belas e gentis palavras que me endereçaram: a novidade de lerem obras de uma Brasileira, escritas na sonora e poética língua italiana, e a expressão de amor materno e élan humanitário dessas pequenas obras.38

Na passagem, ela destaca sua habilidade de escritora, seu sucesso com o público italiano, ao mesmo tempo, sua modéstia e humildade de autora. Além disso, destaca novamente o inusitado de ser uma escritora brasileira que escreve em italiano e publica, com algum grau de repercussão, na própria Itália. Ela mostra como isso, aliás, causou o espanto dos leitores e o sucesso da obra, além de ressaltar sua identidade de mãe, algo que considerava universal e, portanto, capaz de provocar a empatia irrestrita no público leitor.

Ao enfatizar sua maternidade, a autora preocupava-se em destacar seu lugar de mulher e, como tal, sentia-se privilegiada para tratar de certos temas considerados "femininos", por excêlencia, pelos contemporâneos. Em Roma, durante as festividades da semana santa, Floresta crítica as atividades de "pomposa caridade" das princesas e senhoras ricas romanas, cuja tradição de ajudar os pobres se restringia a uma única semana por ano, a qual, além disso, elas praticavam com o propósito de se envaidecerem e não com o espírito verdadeiro da caridade:

As damas romanas - cercadas por tão grande multidão, que corre para vê-las e que com esforço vem buscar comida e um lava-pés durante oito dias na barulhenta instituição - cumpririam melhor a função, me parece, de verdadeiras irmãs de caridade acolhendo e servindo essas infelizes longe da multidão, com a modéstia que deve envolver as ações desse tipo [Minha tradução].39

Nísia utiliza as descrições sobre as mulheres para empreender suas pregações moralizantes a respeito do que ela julga a caridade ideal ou as funções ideais da mulher, comparando sempre com aquilo que vê.

A caridade, naquele momento, era uma atribuição feminina, percebida como uma extensão das funções domésticas femininas. Segundo Michelle Perrot, o aumento de problemas de ordem social no século XIX, na Europa, transformou a caridade de uma atividade e dever de cristãos em uma extensão pública das obrigações domésticas das mulheres. Essa seria a razão, segundo Michelle Perrot, para o engajamento de mulheres de classe alta nessas atividades. O trabalho voluntário de ajuda aos pobres deveria ser realizado, contudo, no anonimato, sendo interdito às mulheres explorarem a notoriedade disso, pois a publicização de tais atividades seria incompatível com o ideal de modéstia esperado das mulheres burguesas (Perrot, 1991, p.468).

Assim Floresta se julgava conhecedora e praticante das funções sociais ideais "da mulher" de seu tempo, algo que ela não deixa de informar aos leitores sempre que possível. Mais do que isso, a autora reafirma o modelo patriarcal de mulher que deveria ser um exemplo de conduta moral e seguir as obrigações cristãs que lhes eram destinadas, ainda que, na prática, ela tenha se desligado das ditas tarefas femininas ao viajar e se distanciar dessas funções quando deixou sua família e amigos no Brasil.

Em sua obra sobre a Alemanha, as mulheres foram tema de seu olhar perspicaz e o seu velho e bom tom moralizador foi acionado para falar das senhoras daquele país. Na cidade de Spa, por exemplo, observou "com pesar" a cena de mulheres jogando na companhia de homens. Na "rica casa de jogos", que frequentou na companhia de amigos, viu o que julgou uma prática abominável: "Numerosa reunião de homens e mulheres, sentados em torno de enormes mesas cobertas de pilhas de ouro, prata, cheques, entregava-se ao funesto entretenimento do jogo, que arruinou tantas famílias!".40 Ela condenava o jogo e observava os efeitos maléficos do hábito imoral, em homens e em mulheres: "Esses seres, de corações dessecados, olhos fatigados por virgílias contínuas, em meio a esse turbilhão infernal, o olhar sombrio ou ávido, conforme a oportunidade boa ou má, excitaram minha profunda piedade, em contraste com o luxo desenfreado que os cercava".41

Mas se o jogo fazia mal a ambos os sexos, ela destacou sua maior decepção com as mulheres: "criaturas destinadas a fazer as delícias e a felicidade do lar, tão deslocadas em torno dessas mesas, juntavam-se aos homens no furor do jogo!". Em Baden-Baden, novamente o jogo lhe causa repulsa:

Somente as mesas cercadas de jogadores e jogadoras me chocaram profundamente e entristeceram aqui, como em Spa e Wiesbaden. A mulher, sobretudo, entregue a essas ignóbeis emoções que o risco do jogo faz nascer, pareceu-me um espetáculo tão revoltante, tão fora do lugar, que eu me perguntei se verdadeiramente estava ali um desses seres destinados pela natureza e pela sociedade a exercer funções doces e carinhosas.42

Nísia realizava a pregação moral contra o vício do jogo nas mulheres, ao mesmo tempo em que criava para o leitor sua imagem de mulher honrada e vigilante dos bons costumes mesmo fora da circunscrição familiar e doméstica.

Entretanto, é cuiroso que a autora não deixou de frequentar o lugar em que a jogatina ocorria, revelando sua liberdade em circular por ambientes que, possivelmente, eram considerados inapropriados para as mulheres no Brasil. Ou, talvez, as casas de jogos fossem também lugares pouco bem vistos para as mulheres na Europa, mas ao viajar apenas na companhia da filha, Nísia não parece ter se importado com as prescrições patriarcais nem da sociedade brasileira, nem da europeia. Sua condição de viajante e seu consequente desenraizamento a tornava, absolutamente, anônima e isso a concedeu liberdade de frequentar os lugares que lhe conviessem. Novamente, a retórica nisiana contrapõe prazer e dever, diversão e moralidade.

Uma outra característica importante de suas obras de viagens é a grande distinção de classe que ela enfatiza ao demonstrar sua condição social privilegiada em muitos de seus textos, sem que pouca evidência sobre o tamanho e origem de sua riqueza tenha sido, até hoje, encontrada. Era uma infinidade de barões, condes, marquesas de quem era amiga e que a convidavam para jantares e passeios, ou que lhe faziam a corte ou à sua filha.

No texto sobre a Alemanha, ela ressalta as escolhas de viajante privilegiada: "mudamos de viatura para tomar um trem belga cujos lugares de primeira classe são tão bonitos e cômodos como os da França".43 Na viagem para Bonn, ela revela ao leitor seu alto poder aquisitivo: "Depois de uma hora de viagem, em grande velocidade, em lugares de primeira classe, bem superiores pelo luxo e conforto aos das ferrovias francesas, chegamos a esta cidade de Bonn (...)".44 Na viagem para a Itália, ela se recusa, por exemplo, a viajar em diligência devido ao cansaço: "Como não queria ir até Roma em diligência mandei procurar um carro, e enquanto o preparam escrevo algumas palavras sobre minha curta e agradável travessia de Livorno à Civitavecchia",45 demonstrando sua possibilidade de ser uma viajante exigente.

Não apenas nos transportes ela demonstrava seu alto padrão de consumo, mas também nas hospedagens. No final de sua jornada pela Alemanha, ela retorna à França, mas é criteriosa no momento de eleger o hotel: "Tão logo instaladas no melhor hotel de Estrasburgo (o cidade de Paris)".46 Também evidencia seu privilégio em igrejas lotadas ou lugares de visitações concorridos: "A tribuna das princesas romanas, bem ao lado dos lugares reservados onde nos encontrávamos, estava ocupada por duas pequenas princesas alemães e sua corte".47 No acidente de trem que sofreu na Itália, ela conta ainda que uma mala repleta de dinheiro que trazia de Paris incendiou, mas que ao ser indenizada por uma parte da soma, ela doou para caridade em agradecimento a Deus por ter lhe conservado a vida. Muitas das observações que faz em relação à sua classe parecem apenas ter o propósito de se mostrar como uma dama da sociedade, o que talvez seria algo positivo para atrair leitores da mesma condição social, capazes de viajar pelos mesmos lugares que descrevia. Mas a descrição de suas riquezas revela também que sua liberdade ao deslocar-se dependia diretamente de sua condição social, que lhe proporcionava o que seria impossível para mulheres de condição social inferior. Nísia tinha poder aquisitivo suficiente para financiar viagens e desfrutar de tempo livre para se dedicar à escrita. Sua maturidade a havia libertado das inúmeros funções femininas que desempenhou em décadas anteriores e da função de arrimo de família.

A descrição de sua classe social, entretanto, também se relaciona à construção de sua identidade de mãe e mulher honrada. Nísia realiza um movimento conflitante ao mencionar sua condição social confortável, pois, ao mesmo tempo em que destaca seu alto padrão de viajante e turista, também condena o luxo e recusa a vida elegante de frivolidades. Ela conta a insistência de um viajante, o "renomado médico Barão d'Ey***" em lhe fazer diversos convites, ora oferecendo sua luxuosa carruagem, ora convidando-a para jantar. Porém, é enfática ao expor suas recusas: "preferindo nossa humilde solidão à companhia dessa importante personalidade, ficamos bem à vontade, minha filha e eu, em nossa modesta viatura, entregues a nossos pensamentos íntimos, à nossa meditação habitual".48 Segundo a narradora, ela renuncia o amor, para viver para os outros, para os filhos e para a família, uma vez que seu marido e eleito do coração morrera, explicitando as sugestões furtivas de que o tal Barão lhe fazia a corte:

Jovem colosso de virtudes! Tombastes na tua 25ª primavera sob a mão implacável da morte, quando o mais belo destino, o amor e a pátria, te sorriam com seus mais sedutores sorrisos. E eu desde então, renunciando a toda a felicidade pessoal, só encontrei na ternura por nossos filhos e na felicidade do próximo, consolação e força para atravessar, sem ti, esse tempo tão longo e tão doloroso do isolamento do coração!49

A alusão a essa Corte, e também sua recusa, poderia servir de justificativa aos leitores sobre seu estado de viuvez, destacando que era antes fruto de uma escolha bem pensada que uma falta de opção. Além disso, demonstra que a decisão de ficar sozinha e de errar pelo mundo não era feita sem respeitar os costumes burgueses e a moral esperada das mulheres "honradas", tanto no Brasil como na Europa.

Além do Barão, ela enumera a condessa russa que a convidou para jantar, a anfitriã inglesa que lhe insistiu para visitar a princesa Januária, irmã de D. Pedro, em Nápoles, e muitos outros convites que ela faz questão de mencionar, ao mesmo tempo em que se enaltece por tê-los recusados todos, em troca da tal meditação e contemplação romântica. Deste modo, ela revela ao seu público seu lado respeitável e austero de recusa do luxo, das futilidades, do amor carnal, que tanto gostava de condenar, demonstrando transportar os valores domésticos para suas viagens, sua vida e, principalmente, para seus escritos.

Além da moral vigilante, Nísia julgou importante para os leitores justificar também a solteirice de Lívia, que já passava dos 35 anos, enquanto perambulava pela Europa. Talvez, por isso, expusesse os "inúmeros" pedidos de casamento feitos a ela ao longo das viagens. Era um Barão que a cortejou em Paris, um conde na Itália, além de inúmeros outros que ela apenas alude sem detalhar. Floresta também menciona seus conselhos dados à filha em refletir sobre as vantagens de um casamento com alguém de tais posições. Porém, afirma que Lívia os recusou um a um, em troca de uma vida dedicada ao estudo e às viagens em companhia da mãe. A solteirice da filha era, portanto, assim como a viuvez da mãe, fruto de uma escolha raciocinada da jovem e não resultante da famigerada ausência de pretendentes.50

Joan Scott, em seu trabalho sobre Olympe de Gouges, percebeu o mesmo movimento em sua biografada. Para Scott, os biografados, por vezes, são capazes de exercer um controle da imagem de si legada à posteridade. Tal pressuposto precisa ser levado em conta e pensando mais como uma construção de si, feita pelo biografado, do que como um espelho da realidade (Scott, 1998, p.57-98). A imagem de viajante que buscava incessantemente o conhecimento, que dedicava-se a uma extrema vigilância dos costumes da família burguesa, que apesar de rica, vivia na austeridade por escolha e convicção moral parece ter sido resultado de um cuidadoso movimento de escrita da própria autora.

Neste artigo, procurei demonstrar como a imagem pública constituída por Nísia Floresta em seus relatos de viagens produzidos na Europa, entre 1856 e 1872, enfatizaram a transposição da domesticidade esperada de mulheres brasileiras e europeias de sua condição sócio-econômica para sua vida itinerante e exploratória na Europa. Seus discursos sobre as expectativas morais em relação às mulheres parecem ter servido como uma temática que conflitava com seus anseios de viajante, de viver livre e desenraizada, longe das expectativas familiares e sociais da sociedade patriarcal brasileira e europeia. Como demonstrado, Floresta buscava a plena liberdade de movimento, em oposição ao ideal de reclusão doméstica, muito em voga entre os contemporâneos, tanto no Brasil como na Europa (Toussaint-Samson, 2003, p.151-153). Contudo, seus escritos demonstram uma tensão entre sua prática de viajante livre e a defesa do ideal de domesticidade feminina que ela procurava associar paradoxalmente com sua vida itinerante. Nessa busca da liberdade, Floresta procurava também a instrução plena, em contraposição às restrições que as mulheres, sobretudo as brasileiras, podiam experimentar em sua instrução, além de buscar o prazer e diversão nos passeios, óperas, balés, casa de jogos e estação de águas. Se na Europa como no Brasil, o ideal de reclusão era um valor a ser cultuado, o fato de mãe e filha viajarem por conta própria e sem uma companhia masculina, desenraizadas de seus familiares e conhecidos de longa data, as fizeram encontrar apenas na condição de viajante sua libertação das amarras patriarcais oitocentistas.

Em 1861, Nísia Floresta e Lívia retornaram a Paris. Ali, elas reencontrariam os saudosos amigos, retomariam seus saraus e continuariam suas vidas itinerantes, enquanto Floresta preparava a publicação do relato de viagem sobre a Itália. As saudades do filho e da família continuaram a ser tema de seus escritos públicos mas, da Europa, Nísia não sairia antes da década seguinte.

Entre 1856 e 1872, no auge de sua maturidade, a autora produziu uma enorme quantidade de textos, publicando-os em várias cidades da Europa, por onde circulou. Na Europa, adotou a alcunha de "Brasileira" como principal assinatura de suas obras, destacando para os leitores do velho continente sua nacionalidade. A vida itinerante e intelectual que abraçou na Europa transformou várias de suas percepções anteriores e provocou mudanças de paradigmas em sua forma de pensar e escrever. A partir de seu retorno a Paris, sua vida de viagens não parece ter se encerrado, mas a escritora brasileira não mais escreveria relatos sobre elas. Por onde quer que tenha andado e o que quer que tenha buscado, a Europa foi o lugar em que Nísia desfrutou plenamente a liberdade de ser escritora e viajante.

1"Rio de Janeiro: Crônica Diária", Diário do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 10 abr. 1856. "Movimento do Porto". Jornal do Comércio, Rio de Janeiro, 11 abr. 1856. Disponível em: www.bn.br/hemerotecadigital. Acesso: 01 jun. 2015.

2Carta do dia 13 ago. 1852, endereçada a George Louis Duvernoy, por Nísia Floresta. Cf. Correspondência de George-Louis Duvernoy, remetida por BRASILEIRA (Augusta). MS 2743. Bibliothèque Central - Muséum National d'Histoire Naturelle, Paris, França.

3Em 1855, Augusto Américo de Faria estudava na escola militar. Correio Mercantil, Rio de Janeiro, 26 mai. 1855, p.1. Disponível em: www.bn.br/hemerotecadigital Acesso: 01 jun. 2015.

4Certidão de óbito de Nísia Floresta Brasileira Augusta. Registres paroissiaux et d'état civil, Mariages, décès, naissance, décès n.28, 1885. Archives départementales de la Seine-Maritime, Bonsecours-dit Blosseville, Disponível em: http://recherche.archivesdepartementales76.net/?id=viewer&doc=accounts%2Fmnesys_ad76%2Fdatas%2Fir%2Fserie_E_seigneuries_familles_notaires_etat_civil%2FFRAD076_IR_E_etat_civil%2Exml& Acesso: 20 jan. 2015.

5FLORESTA, Nísia. Itinerário de uma viagem à Alemanha. Santa Cruz do Sul: Ed.UNISC; Florianópolis: Editora Mulheres, 1998, p.120. Utilizei nesse artigo a versão traduzida para o português da obra original publicada em francês.

6Há menções à morte do pai de Nísia no Diário de Pernambuco. Cf. Diário de Pernambuco, Recife, 12 set. 1828. Disponível em: www.memoria.bn.br. Acesso: 02 set. 2014.

7Há rumores de um casamento anterior de Nísia Floresta e a dúvida sobre a realização do segundo casamento com o pai de seus filhos mencionados por um biógrafo de Nísia Floresta, CÂMARA, 1941, p.18.

8A partir do anúncio de venda da tradução assinada por Floresta no ano de 1837 feita pelo livreiro Albino Jordão, no Diário do Rio de Janeiro, é possível sugerir que foi esse o ano da mudança de Nísia Floresta para a Corte imperial. Cf. Diário do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro, 04 nov. 1837. Disponível em: www.bn.br/hemerotecadigital. Acesso: 01 mai. 2015.

9"Obituário". Correio Mercantil, Rio de Janeiro, 27 ago. 1855. Disponível em: www.bn.br/hemerotecadigital. Acesso: 01 jun. 2015.

10"Rio de Janeiro: Crônica Diária", Diário do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro. 10 abr. 1856. "Movimento do Porto". Jornal do Comércio, Rio de Janeiro, 11 abr. 1856. Disponível em: www.bn.br/hemerotecadigital. Acesso: 01 jun. 2015.

11FLORESTA, Nísia. Itinerário de uma viagem à Alemanha; BRÉSILIENNE, Une. Trois ans en Italie suivis d'un voyage en Grèce. Paris: E. Dentu, 1864. Disponível em: http://gallica.bnf.fr/ark:/12148/bpt6k8414652.r=Grece Acesso: 23 out. 2016.

12FLORESTA, Nísia. Itinerário de uma viagem à Alemanha, p.37.

13Carta do dia 02 mar. 1855. Correspondência de George-Louis Duvernoy, remetida por BRASILEIRA (Augusta). MS 2743. Bibliothèque Central - Muséum National d'Histoire Naturelle, Paris, França.

14Eugene Vignon, Revue française (1861).Tomo 4, Paris: Bureaux de la Revue Française, 1863, p.128-129. Disponível em: http://gallica.bnf.fr/ark:/12148/bpt6k63444472/f1.item.r=enceinte %20de%20dames. Acesso: 05 jan. 2016.

15Carneiro cita trechos de outras cartas de Comte na apresentação da correspondência de Nísia com Comte. Cf. CARNEIRO, 1928.

16Stella Scatena realiza uma excelente análise das duas obras de viagens de Nísia Floresta e discute em um capítulo específico as temporalidades dessas obras. Cf. SCATENA, 1998, p.99-117.

17BRASILEIRA, Madame Floresta A. Itinéraire d'un voyage en Allemagne. Paris, Firmin Didot Frères, Fils et Co; Rio de Janeiro: Morizot, 1857. Bibliothèque Nationale de France, Paris, França. FLORESTA, Nísia. Itinerário de uma viagem à Alemanha.

18CHERBULLIEZ, Joël. Revue critique des livres nouveaux/ rédigée par Joël Cherbulliez, Géneve - imprimerie Rambo et Schuchardt. Seconde Série - 1re année. 26eme année de la collection. Paris e Genebra: Chez Joel Cherbuliez Librarie, 1858. Disponível em: http://gallica.bnf.fr/ark:/12148/bpt6k6348182q/f9.item.r=brasileirA.zoom. Acesso: 15 out. 2014.

19FLORESTA, Nísia. Itinerário de uma viagem à Alemanha, p.37.

20FLORESTA, Nísia. Itinerário de uma viagem à Alemanha, p.129.

21FLORESTA, Nísia. Itinerário de uma viagem à Alemanha, p.37-38.

22FLORESTA, Nísia. Itinerário de uma viagem à Alemanha, p.157.

23FLORESTA, Nísia. Itinerário de uma viagem à Alemanha, p.39.

24FLORESTA, Nísia. Itinerário de uma viagem à Alemanha, p.174-175.

25"Passeio ao aqueduto da Carioca". O Brasil Illustrado, Rio de Janeiro, 15 jul. 1855. Disponível em: www.bn.br/hemerotecadigital Acesso: 01 jun. 2015.

26FLORESTA, Nísia. Opúsculo Humanitário. Introdução e Notas de Peggy Sharpe- Valadares. São Paulo: Cortez Editora, 1989.

27FLORESTA, Nísia. Itinerário de uma viagem à Alemanha, p.174-175.

28FLORESTA, Nísia. Itinerário de uma viagem à Alemanha, p.69.

29FLORESTA, Nísia. Itinerário de uma viagem à Alemanha, p.156.

30FLORESTA, Nísia. Itinerário de uma viagem à Alemanha, p.178.

31FLORESTA, Nísia. Itinerário de uma viagem à Alemanha, p.197.

32BRÉSILIENNE, Une. Trois ans en Italie suivis d'un voyage en Grèce.

33BRÉSILIENNE, Une. Trois ans en Italie suivis d'un voyage en Grèc.

34BERTON, Caroline. Lettre d'une française à Garibaldi... 7 décembre 1867. Florença: Imprimerie Fioretti, 1867, p.1-8. Bibliothèque Nationale de France, Paris, França.

35AUGUSTA, Madame Brasileira. Fragments d'un ouvrage inédit: Notes biographiques. Paris: A. Chérié Éditeur, 1878. Microfilme, Bibliothèque Nationale de France, Paris, França. AUGUSTA, Nísia Brasileira. Fany ou o modelo das donzelas. In: DUARTE, Constância Lima (org.). Inéditos e dispersos de Nísia Floresta. Natal: Ed. UFRN, 2009.

36AUGUSTA, Nísia Floresta Brasileira. Três anos na Itália seguidos de uma viagem à Grécia. In: LÚCIO, Sônia Valéria Marinho. Uma viajante Brasileira na Itália do Risorgimento: tradução comentada do livro Trois ans enItalie suivis d'un voyage en Grèce de Nísia Floresta Brasileira Augusta. (vol. 1, 1864, vol. 2, s.d.). 1999. 755f, Tese (doutorado em Teoria Literária) - Instituto de Estudos da Linguagem, UNICAMP, Campinas-SP, p.184.

37AUGUSTA, Nísia Floresta Brasileira. Três anos na Itália seguidos de uma viagem à Grécia, p.184.

38AUGUSTA, Nísia Floresta Brasileira. Três anos na Itália seguidos de uma viagem à Grécia, p.670.

39BRÉSILIENNE, Une. Trois ans en Italie suivis d'un voyage en Grèce.

40FLORESTA, Nísia. Itinerário de uma viagem à Alemanha, p.66-67.

41FLORESTA, Nísia. Itinerário de uma viagem à Alemanha, p.66-67.

42FLORESTA, Nísia. Itinerário de uma viagem à Alemanha, p.183.

43FLORESTA, Nísia. Itinerário de uma viagem à Alemanha, p.40.

44FLORESTA, Nísia. Itinerário de uma viagem à Alemanha, p.88.

45FLORESTA, Nísia. Itinerário de uma viagem à Alemanha, p.187.

46FLORESTA, Nísia. Itinerário de uma viagem à Alemanha, p.187.

47AUGUSTA, Nísia Floresta Brasileira. Três anos na Itália seguidos de uma viagem à Grécia, p.47.

48FLORESTA, Nísia. Itinerário de uma viagem à Alemanha, p.154.

49AUGUSTA, Nísia Floresta Brasileira. Três anos na Itália seguidos de uma viagem à Grécia, p.153.

50AUGUSTA, Nísia Floresta Brasileira. Três anos na Itália seguidos de uma viagem à Grécia, p.35-36.

Agradecimentos

Agradeço à Profa. Dra. Alida Metcalf e à Rice University pelo apoio ao longo do pós-doutoramento e também à Joice de Souza Oliveira pela leitura de uma versão inicial deste artigo.

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Recebido: 02 de Agosto de 2017; Revisado: 10 de Novembro de 2017; Aceito: 26 de Novembro de 2017

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