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Mana

versão impressa ISSN 0104-9313versão On-line ISSN 1678-4944

Mana vol.15 no.1 Rio de Janeiro abr. 2009

http://dx.doi.org/10.1590/S0104-93132009000100010 

DOCUMENTA: HOMENAGEM A LYGIA SIGAUD

 

A"ponta do novelo": em busca da trajetória de Lygia Sigaud

 

 

José Sergio Leite Lopes

Professor do PPGAS/MN/UFRJ. E-mail: jsergiollopes@gmail.com

 

 

 

 

Em um de seus últimos textos, Lygia Sigaud planejava, em uma dentre outras linhas de pesquisa, contribuir para fazer avançar o saber sobre as condições de possibilidade do exercício da autonomia intelectual.1

Este propósito, que ela havia iniciado em alguns artigos e pretendia ainda aprofundar, poderia ser o fio condutor do eventual estudo futuro de sua própria trajetória. Ao debruçar-se na investigação de uma história social da Antropologia nos campos nacionais em que inicialmente tal disciplina se institucionalizou, através das trajetórias de Mauss, Malinowski e Leach, Lygia Sigaud já havia trabalhado por muitos anos com o material de sua etnografia de longa duração na área açucareira de Pernambuco. Este trabalho tinha como um de seus eixos a maneira como as inovações jurídicas têm efeitos sobre o mundo social. Desde sua dissertação de mestrado A nação dos homens, uma análise regional de ideologia, de 1971, ela havia se deparado com a forte presença de uma linguagem dos direitos entre os trabalhadores rurais canavieiros no início dos anos 70, em pleno auge do regime militar. A análise da relação entre direito e mundo social e dos usos do direito na regulação de conflitos foi se aperfeiçoando ao longo do tempo, paralelamente à observação das transformações sociais na área. Foi este olhar sobre os efeitos sociais do direito que a fez praticar outra leitura do Ensaio sobre o dom, de Marcel Mauss, diferentemente da interpretação hegemônica entre os antropólogos, em seus cursos de Teoria Antropológica ou de Modos de Regulação Social, no Museu Nacional.

Este foi o mote inicial de um desafio implícito na arrogância incorporada, e o mais das vezes não-intencional, das Ciências Sociais dos antigos centros metropolitanos do planeta diante de campos científicos periféricos, mas em trajetória ascendente; um desafio feito na linguagem mesma do avanço científico. Este aspecto da institucionalidade e da vida social acadêmica, Lygia pôde experimentar em seu período de pós-doutorado e em sucessivas estadias na França e na Inglaterra, de forma contrastiva com a colaboração de cientistas sociais norte-americanos, franceses e ingleses na formação e no desenvolvimento do PPGAS-MN que ela havia vivenciado.2 Mas sua presença internacional nos últimos vinte anos foi crescendo de importância na medida mesma da elaboração de seu desafio,3 e da demonstração da inversão de posições consolidada com a colaboração feita com a École Normale Supérieure de Paris, onde foi professora visitante durante alguns anos. Ela pôde ali estabelecer relações frutíferas com os professores da casa e formar uma equipe de jovens pesquisadores e estudantes franceses que, ao lado de estudantes do PPGAS-MN, ela trouxe para o campo na zona da mata de Pernambuco, quando presenciou, no início dos anos 90, as transformações por que passava a área, com a crise na indústria açucareira e com ocupações de terra pelos trabalhadores rurais. Com o material de pesquisa desse período ela coordenou a exposição "Lonas e Bandeiras" no Museu Nacional, e subsequentemente uma exposição mais sucinta na École Normale Supérieure.4

Assim, para entender a própria pertinência crítica de seus artigos e investigações sobre as trajetórias dos antropólogos clássicos acima mencionados e sobre a recepção destes no campo das Ciências Sociais, assim como nos diferentes campos nacionais, é a solidez mesma de sua etnografia de longa duração e a contínua elaboração analítica de seu corpus empírico que a fazem notabilizar-se no Brasil e no exterior.

Sua morte interrompeu um trabalho em andamento de sistematização dessa contínua elaboração no seu momento de maturidade, com mais de trinta anos de experiência empírica na referida área canavieira, paralela à sua experiência acadêmica. Na falta do memorial de titular, posto acadêmico que lhe caberia por mérito, mas que não consta em sua biografia devido à escassez de vagas para este posto de culminação de carreira no MN-UFRJ (e que se constitui em fonte importante para o estudo de biografias, tanto como informação quanto como forma de autoapresentação), podemos nos valer de seus textos mais recentes, publicados ou em estado preparatório para este fim. Alguns destes textos são de balanço e consolidação de sua produção ao longo do tempo e nos fornecem uma autoanálise de sua própria trajetória.5 Além disto, alguns deles, inacabados, nos passam a sensação de trabalho em andamento, dando sentido ao conjunto de sua obra e assim fazendo perpetuar seu capital simbólico.

Com uma experiência anterior de escola primária e secundária em tradicional estabelecimento católico (Colégio Sion, na época só para moças), Lygia Sigaud passou pela experiência liminar do movimento estudantil secundarista,6 antes de entrar para a Escola de Sociologia e Política da PUC do Rio de Janeiro, que foi, nos anos 60, importante celeiro de futuros cientistas sociais profissionais. Nos seus últimos anos na graduação de sociologia, L.S. trabalhava como jornalista na área internacional do Jornal do Brasil. Foi com essa experiência anterior que entrou em agosto de 1968 na primeira turma de mestrado do PPGAS-MN.7 Ali teve aulas com os fundadores do PPGAS, Roberto Cardoso de Oliveira e David Maybury-Lewis (que foi seu orientador de mestrado), e com ex-alunos destes e de Castro Faria no Departamento de Antropologia do Museu Nacional (e que eram pesquisadores do Projeto Brasil Central, Harvard/Museu Nacional, no período anterior ao PPGAS) - DaMatta, Laraia, Melatti.8 Participou do projeto Estudo Comparativo do Desenvolvimento Regional - que fazia do PPGAS em seu início um programa de ensino acompanhado de um projeto de pesquisa - como também ocorreu com seus colegas de turma inicial, fazendo um survey na região Nordeste (a outra região contemplada sendo a do Centro-Oeste). Depois, no fim de 1969 e no primeiro semestre do ano seguinte, em Pernambuco, já com sua pesquisa individual sobre as representações coletivas elaboradas por trabalhadores rurais, foi para a zona da mata pernambucana com Moacir Palmeira.9

Antes mesmo de defender, em abril de 1972, sua dissertação de mestrado, a chamado de Roberto Cardoso, passou a dar aulas no PPGAS, inicialmente focalizadas em seu curso sob a ementa "Teorias da Ideologia e da Cultura", que percorria uma literatura em torno das representações coletivas (Marx, Durkheim & Mauss, Lévi-Strauss, Bourdieu e outros), temática esta que já havia sido o foco de suas primeiras idas ao campo para estudar os trabalhadores rurais nos engenhos na zona da mata de Pernambuco. Assim, ao lado de Moacir Palmeira, responsável pela área do Nordeste no projeto Estudo Comparativo do Desenvolvimento Regional,10 e que orientaria a maior parte das equipes subsequentes que se incorporaram ao estudo da área canavieira, L.S. já teria um interesse próprio bem definido "no estudo das categorias através das quais os grupos humanos ordenam o mundo social", para assim analisar as categorias usadas pelos trabalhadores rurais da plantation em relação à sua concepção de tempo, assim como em relação à hierarquia daquele mundo social específico (Sigaud 2008a:75).11 Ela escolheu a categoria nativa "direitos" como centro de sua análise, como marcador do tempo histórico e como operador central na vida cotidiana na área estudada.

Assim, sua carreira pode ser acompanhada através das diferentes variações em seu relacionamento com o campo empírico de pesquisa, onde a zona da mata pernambucana tem um lugar especial. Entre 1969 e 1971, descobriu a importância da categoria nativa "direitos", acima referida. Durante toda a sua trajetória, ela analisou de diversos ângulos as percepções e as apropriações desta entrada efetiva do direito (e suas condições de possibilidade) no mundo tradicional da plantation canavieira. Ela assim descreve o que viu em fins de 1969 e 1970:

Os direitos, seis anos depois de sua outorga, eram um tema que se impunha nas conversas: os patrões se queixavam do peso das obrigações trabalhistas na folha de pagamento e se diziam incapazes de cumprir a lei; os trabalhadores se serviam dos direitos para periodizar e interpretar sua história recente (os tempos "antes" e "depois" dos direitos), e para avaliar o comportamento dos patrões, denunciados como "sonegadores"; os sindicalistas se atribuíam a missão de difundir os direitos, e se apresentavam como seus guardiões (Sigaud 2008b:4).12

Em 1972, ela foi ao campo juntamente com os pesquisadores orientados por Palmeira13 e já começava a coletar material sobre o processo de expulsão, pelos patrões, dos trabalhadores residentes nos engenhos, protegidos pelos direitos (o Estatuto do Trabalhador Rural, de 1963, e o Estatuto da Terra, de 1964). Os patrões alegavam que com a efetivação dos direitos não podiam mais manter a maior parte dos moradores; já os trabalhadores e os sindicalistas alegavam que as expulsões eram motivadas pela sonegação dos direitos. "Era também em relação aos direitos que eram identificados e se identificavam os dois segmentos da força de trabalho: os fichados, com contrato e com direitos, e os clandestinos, sem contrato e sem direitos" (Sigaud 2008b:4). Os trabalhadores expulsos foram se instalando nas pequenas cidades da zona da mata, em novos bairros precários chamados de ponta de rua. Dali passariam a ser recrutados por empreiteiros para os trabalhos nas propriedades canavieiras.

Esta pesquisa teve um segundo período de campo14 em 1974, e foi defendida na USP, em 1977, como tese de doutorado. A tese, intitulada Os clandestinos e os direitos; Estudo sobre os trabalhadores da cana-de-açúcar de Pernambuco, foi publicada em 1979.15 O livro se divide em duas partes. A primeira, "Dos engenhos às pontas de rua", analisa a liquidação da morada, os mecanismos de expulsão dos trabalhadores, o enfrentamento entre estes e os patrões quando se dá o rompimento entre eles e, finalmente, o estabelecimento dos trabalhadores nas pontas de rua das pequenas cidades da área. A segunda parte, "Trabalho e cativeiro", percorre as novas formas de submissão da força de trabalho, faz uma etnografia da relação entre empreiteiros e trabalhadores clandestinos, descreve as estratégias contra o desemprego durante a entressafra (com o trabalho da família e pequenos trabalhos na pequena cidade), e analisa nos dois últimos capítulos, por um lado, a utopia dos trabalhadores do engenho liberto, isto é, da improvável reunião entre as vantagens da ordem tradicional e os benefícios dos direitos e, por outro lado, a relação dos clandestinos com o sindicato.16

Nesse período, suas preocupações éticas e políticas podiam se manifestar fortemente através de suas próprias pesquisas científicas. O desvendamento de formas de dominação tradicionais e de suas transformações em novas formas de dominação, através do acesso às experiências dos trabalhadores rurais na época de auge da ditadura militar, era motivo de seu entusiasmo na abertura de novas possibilidades de ação sobre o mundo. O convívio com os trabalhadores rurais e seus sindicatos a fez antever (com seus colegas de projetos), desde o início dos anos 70, o que apareceria como importante na cena política nacional no final daquela década e durante os anos 80. Em 1973, fez uma etnografia do 2º. Congresso dos Trabalhadores Rurais (com Vera Echenique), realizado pela CONTAG, em Brasília. Em maio de 1979, acompanhou o 3º. Congresso da CONTAG, junto com outros colegas de pesquisa, e depois esteve presente durante as campanhas salariais e as greves na zona da mata pernambucana, iniciadas em setembro de 1979, e que voltaram a ocorrer, de forma generalizada, em 1980 e nos anos seguintes. Logo após o final da maior delas, a de 1980, L.S. publicou em outubro daquele ano o livro Greve nos Engenhos, com a descrição e a análise do que observou e da documentação disponível.

Desse período, sua filha Maria Rita, no texto que leu em nome de seus irmãos no ritual de despedida de Lygia Sigaud, observou: "Por alguns anos, durante o mês de outubro, eu e meus irmãos aprendíamos por que passávamos semanas sem vê-los (a ela e meu pai): eles precisavam participar das campanhas salariais dos trabalhadores rurais, a quem ambos dedicaram suas pesquisas".

Nos anos 80, L.S. continuou na mesma dinâmica em que podiam se encontrar suas preocupações éticas por justiça social e seu trabalho científico. Ao voltar em 1980 de seu período de dois anos de trabalho na UnB como professora visitante, onde deixou marcas por meio de seu ensino e orientação, esteve presente na segunda diretoria da recém-formada Associação dos Docentes da UFRJ como vice-presidente, participando, através de seu local de trabalho, da ânsia pela redemocratização do país. Ao mesmo tempo, continuou a acompanhar o movimento social dos trabalhadores canavieiros em Pernambuco. Em 1984, por solicitação de sindicalistas, L.S. coordenou um trabalho de levantamento, junto aos sindicatos com base municipal, do cumprimento das convenções coletivas firmadas após os movimentos grevistas.

Coordenou também um censo dos processos trabalhistas (tendo como peça-chave as "petições iniciais") que passavam pelas Juntas de Conciliação e Julgamento nas comarcas da área canavieira.17 Desta experiência ela pôde se servir posteriormente para refinar a sua análise da entrada do direito (com todos os seus personagens) no mundo social, o que a ocupou até o final da vida. Desde meados dessa década dos 80 abriu uma nova linha de pesquisa, a das repercussões sociais das grandes barragens hidrelétricas sobre a população camponesa, ao participar de projeto em conjunto com a COPPE-UFRJ sobre o impacto social e ambiental destas grandes obras de engenharia. Com uma equipe de mestrandas18 estudou os efeitos sociais das barragens de Sobradinho (no sertão da Bahia) e Machadinho (entre os estados do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina).19

Com base nesta experiência acumulada de etnografias embebidas em preocupações teóricas, L.S. começou a divulgá-la no campo internacional, assim como a interagir com centros internacionais de pesquisa. Passou diversos períodos curtos na École des Hautes Études en Sciences Sociales de Paris, como diretora de estudos, e períodos mais longos na forma de pós-doutorado. Colaborou com o Centre de Sociologie de l'Éducation et de la Culture e com o Centre de Recherches sur le Brésil Contemporain, ambos da EHESS, e foi professora visitante do Département de Sciences Sociales da École Normale Supérieure (ENS) de Paris. Assim, nas décadas de 1990 e 2000, L.S. centrou sua atuação nas repercussões propriamente acadêmicas de sua produção intelectual - no PPGAS-MN, em revistas internacionais, com equipes em centros de pesquisa franceses e, mais recentemente, com a Antropologia e a Sociologia da Unicamp e com equipes da Universidade de Buenos Aires.

Poder-se-ia dividir suas quatro décadas de produção antropológica em dois grandes períodos. Um primeiro período em que a pesquisa de L.S. teria tido uma proximidade maior com suas preocupações políticas, nos anos 70 e 80 (assim como foi o caso para as pesquisas de colegas do grupo de pesquisa de 1972 na zona da mata, por exemplo), e outro período em que teria prevalecido a construção da presença de seus trabalhos (cujos resultados se acumulavam no longo prazo) na cena nacional e internacional dos antropólogos e cientistas sociais, nas décadas de 1990 e de 2000.

No entanto, esta periodização deve ser nuanceada. "Podemos também pensar que os próprios objetos estudados têm especificidades históricas no momento em que são tomados como objeto de análise", como argumenta L.S. (2008b:2) no contexto da colocação de seus trabalhos, em uma referência comparativa com as análises feitas por autores clássicos na antropologia e com a importância das propriedades dos grupos sociais e dos processos estudados.

Em prosseguimento à sua análise sobre a especificidade histórica dos objetos de pesquisa, podemos também salientar que dentre estas especificidades históricas estão as diferentes possibilidades da repercussão política dos processos analisados e dos grupos sociais estudados. Determinados períodos (como os dos anos 70 e 80, sob o efeito da ditadura militar e seus desdobramentos posteriores) são propícios para que a pesquisa tenha determinados efeitos-teoria de retorno para os próprios grupos, na escala de proximidade com as redes estudadas. Outros períodos (de maiores liberdades democráticas) são propícios a efeitos mais gerais de uma "antropologia pública". Neste último sentido, a efetivação da exposição "Lonas e Bandeiras" no Museu Nacional, em 2002, provocou o efeito de pôr em cena as ocupações de terra na zona da mata pernambucana para um público geral no Rio de Janeiro, em um de seus espaços simbólicos nobres, assim como o de trazer para a universidade alguns dos principais personagens entre os trabalhadores para os debates que ocorreram na semana inaugural da exposição. O catálogo ilustrado da exposição, vinte anos depois da publicação de Greve nos engenhos e à sua semelhança, passou a ser uma relíquia entre os movimentos sociais da área canavieira pernambucana.

O investimento de L.S. nos últimos anos, conforme sinalizado no início deste texto, foi no sentido de aprofundar o efeito explicativo de suas etnografias, dando-lhes uma perspectiva mais geral pelo uso sistemático de referências pertinentes à história social da antropologia, que ela bem conhecia e para a qual também fez contribuições. Inversamente, a sua linha de pesquisa sobre a história social da antropologia podia trazer resultados originais por ser lastreada na sua longa experiência empírica particular, fornecendo motes e questões bem fundados que desvendam aspectos pouco explorados da prática teórica da disciplina. L.S. encontrava-se em plena proximidade da obtenção da forma mais adequada de publicar estes resultados de pesquisa nestas duas frentes de trabalho, frentes estas que por sua vez se entrelaçavam.

Ao ser convidada para fazer a apresentação da tradução do livro clássico de Edmund Leach, pela Editora da Universidade de São Paulo, L.S. viu a ocasião de servir-se do instrumental de análise de trajetórias em um campo intelectual específico.20 Desta apresentação de 45 páginas, Sigaud fez uma leitura meticulosa de várias fontes publicadas e de uma carta de circulação restrita ao Kings College, escrita, logo após a morte de Leach, por Stephen Hugh-Jones, enviada para ela pelo autor (ver fontes na pág. 11 de sua apresentação, nota 2). Ao defrontar-se com a aceitação acadêmica de um antropólogo considerado herético e explicitamente desafiante dos principais autores da disciplina, L.S. foi se interessando pelas condições de possibilidade da "originalidade" e da "inovação" científicas reconhecidas pela própria doxa estabelecida. Em seguida, levada pelo mote de suas pesquisas sobre o direito e o mundo social, praticou a crítica "herética" à leitura hegemônica de Ensaio sobre o dom, de Marcel Mauss, interessando-se pelas condições de possibilidade da formação da doxa da disciplina.21 É interessante que os resultados desta linha de pesquisa tenham sido publicados na Inglaterra,22 enquanto os resultados das linhas de pesquisa que se baseavam em etnografias o foram em diversos artigos na França.23

A linha de pesquisa "Direito e mundo social",24 por sua vez, estava prestes a culminar com um livro sistematizador e de última forma das múltiplas elaborações já feitas em artigos anteriores. Este livro, por conter material e formulações de toda a sua carreira profissional, desde o início dos anos 1970, é como se fosse um balanço de toda a sua vida de pesquisadora. Sua versão, em estado avançado de finalização, terá sua publicação aguardada por seus amigos e colegas com aquela ponta de mistério de uma obra inacabada. O manuscrito "A ponta do novelo: um estudo sobre direito e regulação social", versão preliminar da introdução do livro, apresenta (em sua parte final) de forma sintética os nove capítulos que comporiam o livro. Em sua parte inicial esta introdução apresenta de imediato o tema do livro25 e situa o seu ineditismo:

O modo como inovações jurídicas desencadeiam efeitos no mundo social não tem sido objeto de análise dos estudos socioantropológicos a respeito do direito. Minha hipótese é de que não se trata de uma negligência do olhar, mas de uma decorrência da ausência de sinais pertinentes nos universos pesquisados. [...] Os problemas postos para a análise não constituem apenas o produto de uma articulação entre preocupações teóricas e conhecimento acumulado. São também tributários das especificidades históricas dos universos empíricos, no momento em que são tomados como objeto de análise.26 [E conclui:] O mundo dos engenhos da mata pernambucana é um daqueles casos propícios para focalizar o modo como o direito "entra" na vida social (Sigaud 2008b:2).

A "ponta do novelo" foi desvendada através do censo das reclamações trabalhistas que se seguiram às convenções coletivas obtidas nas greves do início dos anos 1980. Na análise dos resultados do censo, a pesquisadora percebeu que os trabalhadores não recorriam à justiça logo após o descumprimento das obrigações trabalhistas pelos patrões, como era de se esperar. O recurso à justiça poderia ser feito muito tempo depois. Ou, ainda, não o faziam ao término do contrato como era costume entre os trabalhadores urbanos. A autora se pergunta: "Como explicar então o ato de botar questão?" No trabalho de reflexão posterior, a autora percebe que suas perguntas anteriores destacavam "o ato de ir à justiça e ignorava a história das relações sociais no mundo dos engenhos". Nesse sentido, era necessário fazer perguntas anteriores, como aquela que se preocupa em saber por que trabalhadores submetidos a um modo de dominação legitimado por regras tradicionais passam a crer na legitimidade dos novos direitos inscritos no Estatuto do Trabalhador Rural. A autora responde:

O ato de botar questão era apenas a ponta de um novelo a ser desembrulhado. O problema consistia em explicar e compreender como o direito, suas normas e instituições haviam entrado no mundo dos engenhos. Foi então que me dei conta de que estava diante de um bom caso para examinar o modo como as inovações jurídicas produzem efeitos sobre o mundo social (Sigaud 2008b:8).

Esperamos que esse desembrulhar da ponta do novelo venha à luz em futura publicação para que possamos "vestir" o tricotar da exposição de sua demonstração.

Em outro texto que podemos considerar como de balanço de sua trajetória, L.S. reflete sobre as experiências de etnografia coletiva que pontilharam sua vida de pesquisadora e de autora. Escrito para um público internacional e publicado na revista Social Science Information em 2008 (Sigaud 2008a), o artigo "A collective ethnographer: fieldwork experience in the Brazilian Northeast" parece ter sido desencadeado para dar conta de sua relação com o conjunto maior de equipes com as quais trabalhou, após uma reflexão sobre o trabalho de campo mais recente com aquelas equipes, por ela coordenadas, sobre as ocupações de terra e temas correlatos na mata litorânea sul de Pernambuco.27 Dentre estas equipes, ela dá ênfase àquela com a qual compartilhou uma acumulação prévia de estudos individuais simultâneos e discutidos coletivamente a partir de uma temática comum.

"O tipo de pesquisa etnográfica que produzimos - de longo prazo, focalizada em um mundo social preciso e envolvendo um grupo de pesquisadores que trabalham em questões inter-relacionadas - é única na história da antropologia". [L.S. faz em seguida comparações com] empreendimentos coletivos, mas que foram projetos de curta duração relativa, como a expedição do estreito de Torres, os estudos de comunidade em Porto Rico, coordenados por Julian Steward; b) pesquisas de longa duração sobre o mesmo universo empírico, com vários períodos de trabalho de campo, mas estas envolveram pesquisadores individuais ou duplas de pesquisadores, como aquelas sobre Tikopia (Firth), e a de Sochaux na França (Pialoux e Beaud); c) locais pesquisados revisitados por outros pesquisadores, como na Melanésia (Weiner) ou no México (Lewis), mas tais projetos não compartilhavam a mesma problemática (:74).28

A referência ao grupo de pesquisa pode ser duplamente interpretada: ela se refere seja à equipe de 1972, que lhe serve de modelo de equipe (e que foi coordenada por Palmeira), seja ao conjunto de outras equipes por ela coordenadas.29

Como a etnografia coletiva narrada é uma experiência coletiva, seus diferentes membros individuais terão necessariamente variados pontos de vista sobre esta experiência comum (ou até o mesmo indivíduo, em tempos retrospectivos diversos).

Uma lacuna no relato de L.S. neste texto refere-se à equipe do Projeto Emprego e Mudança Social no Nordeste, coordenado por Palmeira, que reunia vários pesquisadores da equipe de 1972, muitos deles da mesma geração ou mais novos, aos quais se agregaram outros, compartilhando de problemáticas e instrumentos de pesquisa. Inicialmente, dois surveys coletivos foram feitos neste âmbito, além do posterior trabalho de campo individual efetuado em subprojetos. Tal ausência justifica-se pelo fato de L.S. não ter participado nem desses surveys, nem do trabalho de campo individual durante a vigência do projeto (1975-1977), embora fosse membro do mesmo e integrante do pequeno grupo que o redigiu antes de sua aprovação pelo FINEP/IBGE/IPEA.30 Nesta ocasião, L.S. estava em plena redação de sua tese de doutorado, Os clandestinos e os direitos.31

Como L.S. foi a pesquisadora do grupo que mais permaneceu na zona da mata pernambucana estrito senso ao longo do tempo, a singularidade da pesquisa coletiva na história da antropologia por ela assinalada provavelmente tem (merecidamente) como centro a sua própria trajetória.32

Ao mesmo tempo, mais adiante no artigo, diz ela que "A experiência de 1972 provou ser única na história do grupo" (:91). No parágrafo anterior, ela justifica esta afirmação enumerando as contribuições para o seu (dela própria) processo de elaboração ao longo do tempo, dos resultados de pesquisa de (por ordem de citação) Garcia Jr., Heredia, Leite Lopes, Garcia e Palmeira. Esse período de 1972, que ela chama de uma reprodução ampliada (sem passar pela reprodução simples, numa metáfora marxiana) do conhecimento da problemática produzida no grupo, é referido ao período anterior, de uma acumulação primitiva em 1969 e 1970, quando os pesquisadores da área eram Moacir Palmeira e ela mesma. Da mesma forma, ela se refere a períodos posteriores de pesquisa na área com outras equipes (trabalho de campo de 1974, campo do início dos anos 1980, campo dos anos 1990 e 2000 e suas respectivas equipes). Embora houvesse em todas elas "a experiência de catarses diárias" e a discussão no campo e no pós-campo, "no entanto a intensidade [destas experiências] foi menos marcada do que a de 1972" (:91).

Assim, sua busca por autonomia intelectual, que poderia ser o fio condutor de sua biografia (referida no início deste artigo) combina-se com a experiência do trabalho de pesquisa coletivo e tem nele o seu lastro. A alta conta que tem da experiência do trabalho em equipe faz do carisma de grupo da equipe de 197233 um forte componente de seu capital simbólico como autora. As ferramentas e os truques da arte foram forjados neste trabalho coletivo, que de resto extrapolam este(s) grupo(s) de pesquisa.34

Ao finalizar o artigo, entre as condições favoráveis à continuidade de sua pesquisa na mesma área (em diferentes escalas) e com problemáticas que são como variações em torno de um tema central (que reforçam o seu impacto), Lygia Sigaud destaca "os laços afetivos que nos uniam como grupo". Esta é mais uma das revelações que nos trazem seus derradeiros textos.35

Esta dimensão afetiva, que vinha se aperfeiçoando com a sua maturidade (apesar do "lendário rigor da professora" mencionado na carta de sua filha Rita Palmeira), contempla os múltiplos grupos e indivíduos com os quais se relacionou ao longo de sua trajetória - grupos e indivíduos que por ela tinham sentimentos afetivos e que neste momento gostariam de expressar isto.36

Dentre as outras condições favoráveis ao desenvolvimento de suas pesquisas, que constam do seu texto, além dos "laços afetivos que nos uniam como grupo", são mencionados o Museu Nacional e as instituições financiadoras. Pode se tomar o apoio do Museu por ela referido para, através de seus colegas do PPGAS e do Museu, salientar o afeto recíproco e o profundo respeito que lhe tinham, para além de sua rede de amigos, muitos colegas universitários ou intelectuais, assim como as pessoas dos pesquisados com as quais foi se encontrando pela vida.

Nos últimos anos, dedicou muitas energias ao funcionamento desta Mana, como editora da revista. Mais uma vez, ela acionava seu senso de responsabilidade institucional, que também a caracterizava. O entusiasmo controlado desta dedicação era o mesmo que aparecia no exercício de suas responsabilidades de cidadã e de lutadora pela ampliação da democracia e da igualdade, outra de suas características. Estes subtextos de sua obra, da qual ela nos revelou a "ponta do novelo", poderão ser usufruídos junto com a permanência de seu capital simbólico, incorporado em suas obras materiais e imateriais, e demonstrado durante sua trajetória.

 

Notas

1 Em seu projeto de atividades para o primeiro semestre (2008-2009) da Cátedra Sergio Buarque de Hollanda, da Maison des Sciences de l'Homme de Paris, estadia não realizada devido ao surgimento de sua enfermidade. "História Social da Antropologia" aparece como uma de suas linhas de pesquisa em seu Currículo Lattes. Em artigos anteriores sobre Edmund Leach, ela fala em condições sociais de possibilidade da "originalidade" ou da "inovação" na disciplina antropológica. Agradeço os comentários de Rosilene Alvim, Moacir Palmeira, Afrânio Garcia Jr., Beatriz Heredia e Marie-France Garcia que leram este artigo. Suas imperfeições são de minha responsabilidade.

2 O próprio PPGAS-MN foi criado através de uma colaboração de Roberto Cardoso de Oliveira com David Maybury-Lewis, num convênio Museu Nacional/Harvard. Sucessivos professores visitantes estrangeiros estiveram no PPGAS e com ele colaboraram: Shelton Davis, Anthony Seeger, Howard Becker, Monique de Saint Martin, Michael Pollak, Abdelmalek Sayad, Michel Pialoux, Patrick Manget, Theodor Shanin, Huw Beynon, Luc Boltanski, Elisabeth Claverie, entre muitos outros (menciono os colegas de países de ciências sociais hegemônicas; para efeitos da argumentação não conto a colaboração com latino-americanos, como Jorge Graciarena, Guilhermo Bonfil Batalla etc., assim como os convênios com instituições de seus países). Vários convênios com centros de pesquisa franceses e ingleses foram feitos, como aqueles com a EHESS (CSEC, CRBC etc.), Collège de France (LAS, CSE), ENS, Manchester, Nanterre etc; alguns destes convênios incluindo terceiras instituições brasileiras, como foi o caso do IFCS-UFRJ. Muitas vezes, antropologias (e sociologias) "periféricas" e "outsiders-ascendentes", como a brasileira, acabam sendo mais universais que aquelas que se consideram detentoras do universal.

3 Isto é, o desafio de contribuir, nos países centrais, com artigos na área da chamada "teoria antropológica", ao invés da esperada contribuição empírica para a ilustração matizada da teoria elaborada por estes centros.

4 Ver o catálogo da exposição "Lonas e bandeiras em terras pernambucanas", Lygia Sigaud (curadora) e André Weller (design de montagem); Museu Nacional, 2002 (agosto a novembro); além de Lygia Sigaud e Benoît de L'Estoile (orgs.). 2006. Ocupações de terra e transformações sociais: uma experiência de etnografia coletiva. Rio de Janeiro: FGV Editora. A exposição "Nous sommes devenus des personnes, nouveaux visages du Nordeste Brésilien", realizada em 2003 (maio a julho), teve como curador Benoît de L'Estoile. Materiais das duas exposições estão disponíveis na página www.diffusion.ens.fr/bresil. L.S. foi também professora visitante várias vezes na EHESS e na Universidade Paris 1.

5 Estes textos são: "A ponta do novelo: um estudo sobre direito e regulação social" (2008b), manuscrito preparatório de introdução ao seu livro que estava terminando; "A collective ethnographer: fieldwork experience in the Brazilian Northeast" (2008a), artigo em revista internacional, e "Law and the social world: an ethnographic and historical approach" (2008c), texto lido em colóquio na Universidade de Rosário e a ser publicado por Peter Fry como editor de Vibrant, revista virtual internacional da ABA, em seu próximo número.

6 Numa grande assembleia de secundaristas no início dos anos 1960 no Sindicato dos Metalúrgicos do Rio de Janeiro, de localização não muito distante do Museu Nacional, ela encontrou-se com seus futuros colegas Gilberto Velho e Afrânio Garcia Jr., que faziam parte da delegação de representantes do Colégio de Aplicação da então FNFi-UB (futura UFRJ), assim como com a esquerda secundarista comunista do Colégio Pedro II.

7 Para a análise da constituição do PPGAS-MN e seus antecedentes imediatos, cf. Garcia Jr. 2009. Ver também Correa 1995, Amorim 2001, Leite Lopes 1992, Cardoso de Oliveira 1992 e memoriais de titular de O. G. Velho, G. Velho 1992 e M. Palmeira 1994.

8 De Roberto DaMatta e Roque Laraia, L.S. teve importantes contribuições em seus respectivos cursos para sua formação antropológica. DaMatta, recém-chegado de seu doutorado em Harvard, teve um peso nas origens da preocupação de L.S. com a temática durkheimiana-maussiana e straussiana de representações e classificações, e nas suas possibilidades de operacionalização empírica.

9 Moacir Palmeira havia sido recrutado por Cardoso de Oliveira, por indicação de Otávio Velho (seu colega de graduação na sociologia da PUC), para ser professor no PPGAS e responsabilizar-se pela região Nordeste no Projeto Estudo Comparativo do Desenvolvimento Regional. Havia terminado a redação de sua tese de doutorado, Latifúndium et capitalisme, lecture critique d'un débat, feita para a Universidade de Paris-Sorbonne, que acabou defendendo, por razões operacionais, somente em 1971.

10 Palmeira havia elegido esta área como desdobramento empírico para o desvendamento da formação social específica da plantation (a partir de Sidney Mintz e Eric Wolf), noção que romperia com as vicissitudes do anterior debate feudalismo x capitalismo nas relações sociais presentes na agricultura brasileira que sacudia o campo político e intelectual entre os anos 1930 e 70, e que seria mais pertinente à complexidade das transformações ocorridas no mundo dos engenhos e das usinas açucareiras. Outra subárea no Nordeste localizava-se no Cariri cearense, onde Neuma Aguiar tinha outro subprojeto e Rosilene Alvim fez sua dissertação de mestrado sobre o artesanato do ouro em Juazeiro do Norte.

11 Moacir Palmeira assinala de passagem em seu memorial de titular que L.S., diferentemente dos outros pesquisadores incorporados ao projeto da plantation canavieira dois anos após sua primeira ida a campo (com L.S.), e que eram orientandos dele, guardava uma autonomia destacada no interior do grupo de pesquisa em formação: "Lygia Sigaud, movida por uma preocupação pessoal com a questão das representações, [...] [concentrou] sua atenção sobre moradores e trabalhadores de ponta de rua" (Palmeira 1994:16; grifo meu). A leva subsequente de pesquisadores (em que estive incluído junto com colegas de turma, inseridos no PPGAS nas seleções para 1970 e 1971) teve como informações e orientações, para a feitura de seus respectivos projetos individuais, as observações e as anotações do trabalho de campo dos dois em 1969 e 1970. Esta "preocupação pessoal" e forte autonomia (na minha interpretação) pôde, no entanto, usufruir da erudição precoce e da formulação de um amplo projeto empírico de longo prazo com frentes e entradas para múltiplos pesquisadores, próprias de Moacir Palmeira.

12 Podemos nos servir mais uma vez de Palmeira (1994:17) para complementar esta descrição da surpresa na descoberta da efervescência pelos direitos na zona da mata pernambucana em pleno período recém-AI-5 da ditadura militar: "Que a zona da mata de Pernambuco conhecera movimentos sociais de peso antes de 1964 e que continuava sendo uma área de tensão social era um fato de domínio público. Mas eu jamais teria pensado em encontrar ali em 1969 e 1970 sindicatos atuantes, a Justiça do Trabalho abarrotada de reclamações, trabalhadores reunidos na porta das Juntas de Conciliação e Julgamento pressionando por decisões favoráveis a seus reclamos, eleições sindicais disputadíssimas e muito menos uma Federação de Trabalhadores à frente de toda essa movimentação". Ver também Palmeira 1979.

13 Foram eles: Afrânio Garcia Jr., Beatriz Heredia, Marie-France Garcia, Roberto Ringuelet, eu mesmo, Vera Echenique e Luiz Maria Gatti. Gatti e Echenique não terminaram a redação da dissertação; Gatti logo depois se estabeleceu no México e Echenique como assessora da Confederação dos Trabalhadores Agrícolas (CONTAG), em Brasília. Ringuelet voltou para a Argentina. Garcia Jr., Heredia, Garcia e eu mesmo acabamos participando de uma etnografia de longo prazo conjunta e de sua discussão ao longo do tempo, em torno da plantation em um sentido amplo (por diversas regiões e estados, assim como da extensão de práticas da plantation para o universo industrial de fábricas têxteis), grupo este que foi ampliado quando do Projeto Emprego e Mudança Social no NE. Sobre este projeto, ver Palmeira et alli 1977 e Leite Lopes et alli 1979, assim como os agradecimentos em Sigaud 1979a.

14 Nesse período, L.S. contou, além da presença de Palmeira que desenvolvia suas próprias pesquisas sobre as feiras da área, com a ajuda de alguns alunos do PPGAS-MN ou afins (Silvana Miceli, sua então assistente de pesquisa, assim como Regina Novaes, Denis Barsted, e Leilah Landim, então assistentes do projeto de Palmeira).

15 O fato de a nova pesquisa sobre os trabalhadores clandestinos (de janeiro a março de 1972) ter se iniciado pouco antes da própria defesa de dissertação de mestrado (em abril de 1972) contribuiu para que ela adiasse a publicação como livro da dissertação, pois estava imersa em novos dados que completariam, segundo ela, sua análise anterior, fazendo dela uma análise em processo. O rigor que tinha consigo própria fez com que desistisse de publicá-la como livro, mas sob a forma, mais restrita à comunidade dos especialistas, de grande artigo pela revista Anuário Antropológico, n. 78, que saiu em 1979, mesmo ano de publicação de sua tese de doutorado.

16 Logo após ter o título de mestre, L.S. inscreveu-se no doutorado da USP, inicialmente com Marialice Foracchi e, com o falecimento desta, com Ruth Cardoso, que lhe deu todo o apoio, conforme consta dos agradecimentos da tese e do livro. Também em São Paulo, L.S. teve o apoio de Sergio Miceli, seu amigo desde a graduação na Sociologia da PUC-Rio, então estabelecido na FGV-SP (e que sempre esteve presente em sua trajetória desde a entrada na universidade), e de Andrea Loyola, sua amiga no PPGAS-MN e que também fazia seu doutorado na USP.

17 Do projeto do censo resultou a dissertação de mestrado no PPGAS-MN por ela orientada, intitulada Espaço de Honra e de Guerra; etnografia de uma junta trabalhista, de Moema de Miranda (1991).

18 Ana Daou e Ana Luiza B. Martins fizeram dissertações sobre a barragem de Sobradinho e Sandra Faillace na de Ita (RS e SC). Posteriormente Aurélio Vianna Jr. fez sua dissertação de mestrado sobre a ocupação da fazenda Annoni, no Rio Grande do Sul, e a de doutorado sobre o Movimento de Atingidos por Barragem, também entre aquele estado e o de Santa Catarina. Entre os numerosos orientados de Lygia Sigaud, os dois primeiros no mestrado foram Luiz Fernando Duarte e Regina Novaes; no doutorado, Rosilene Alvim e eu mesmo.

19 A extensão do corpus empírico das etnografias realizadas e coordenadas por L.S., de Pernambuco para o sertão baiano e para municípios entre Rio Grande do Sul e Santa Catarina, nos anos 80, já havia sido feita também no início dos anos 70 para a região da Transamazônica, numa pesquisa desenvolvida com Roberto DaMatta e Alfredo Wagner de Almeida. Mais recentemente, orientou trabalhos de pesquisa sobre a história das ocupações de terra no Rio de Janeiro (Marcelo Ernandez) e no Rio Grande do Sul (Marcelo Rosa).

20 L.S. pôde assinalar a elaboração deste instrumental por Pierre Bourdieu ao ser convidada para fazer o seu verbete para uma nova edição do Dictionnaire de l'ethnologie et de l'anthropologie, organizada por Pierre Bonte e Michel Izard, publicada em 2000. As edições anteriores não continham este verbete e é significativo que a tenham convidado para fazê-lo, justamente o deste personagem forte e herético no campo francês das ciências sociais. A edição brasileira de Sistemas políticos na Alta Birmânia foi publicada em 1996.

21 "Desde a década de 1960, antropólogos de diferentes tradições nacionais veem no ensaio uma teoria da troca cujo princípio de explicação seria a identificação entre o espírito do doador e a coisa dada. Essa interpretação terminou por se impor como uma verdade a respeito do texto de Mauss, conforme atesta sua consagração, por exemplo, na biografia escrita por Marcel Fournier e no verbete troca da Encyclopedia of social and cultural anthropology. Tal interpretação contrasta fortemente com a dos contemporâneos de Mauss, a qual retinha do texto suas dimensões relativas ao direito, às obrigações e às prestações totais. [...] O tema do direito também chamou a atenção de Bronislaw Malinowski: em uma carta de 1925, escreveu ter chegado a conclusões muito semelhantes às de Mauss ao trabalhar sobre problemas relativos ao direito. A partir dos anos 1960, contudo, os antropólogos não mais se interessaram pelas análises de Mauss no que tangia ao direito e às obrigações. Apoiando-se sempre na mesma passagem do texto - relativa à etnografia maori - eles passaram a discutir a explicação mística das trocas no ED. [...] [No entanto] entre historiadores que se inspiraram em Mauss, como Moses Finley e Paul Veyne, bem como entre estudiosos da produção do grupo de Durkheim, como Paul Vogt, essa interpretação não foi levada em conta. [...] Desde a publicação, o ED foi objeto de interpretações diversas. Não se trata aqui de discuti-las, tampouco de tomar uma posição nos debates que elas suscitaram. Meu interesse reside numa questão precisa: explicar e entender como uma interpretação, em meio a tantas outras disponíveis no mercado de ideias, pôde se tornar hegemônica. [...] Trata-se, portanto, de examinar como se produzem e reproduzem tais fenômenos de crença coletiva (Sigaud 2007:129-130). Os resultados parciais da pesquisa de história social da antropologia foram publicados na Inglaterra.

22 "The vicissitude of the gift" no Social Anthropology, 2002, após sair na Mana em 1999; e "The essential of Edmund Leach", no Jounal of the Royal Anthropological Institute, 2004a. Em francês estão publicados vários artigos relativos às suas pesquisas empíricas, tanto relativas à zona da mata pernambucana quanto aos efeitos sociais das barragens. Geralmente, os artigos em língua estrangeira tiveram versões anteriores ou posteriores publicadas também no Brasil.

23 L.S. participou também do comitê editorial consultivo para a edição do Biographical dictionary of social and cultural anthropology (org. Vered Amit, Routledge, 2004), no qual conseguiu introduzir os verbetes de Roberto Cardoso de Oliveira, Roberto DaMatta, Moacir Palmeira e Gilberto Velho (que eu acabei fazendo por solicitação dela) e de Darcy Ribeiro (feito por Henyo Barretto Filho) e Florestan Fernandes (por Stephen Baines).

24 Fortemente ancorada na leitura de Max Weber.

25 "O modo como normas e instituições, oriundas de um novo ordenamento jurídico, se tornam reguladoras de relações sociais, objeto de representações e referência para as condutas é o tema deste livro" (Sigaud 2008b:1).

26 E o texto prossegue: "Alguns são mais propícios que outros para identificar e pensar modos de funcionamento do mundo social, como as [...] Ilhas Trobriandesas para as relações de troca compreendidas na instituição do kula, as aldeias Kachin e Shan na década de 40 para perceber os modelos ideais como referência dos comportamentos" (Sigaud 2008:2).

27 Ver Sigaud e L'Estoile 2006. "Introdução: Uma etnografia coletiva em terras pernambucanas", pp. 7-18. Outro texto, focalizado na pequena escala do município de Rio Formoso, sobre a história das ocupações de terra para fazerem pressão pela política de reforma agrária e assentamento, "Uma saga pernambucana", foi inicialmente discutido no Núcleo de Pesquisas em Cultura e Economia (NuCEC) do PPGAS, ao qual ela pertencia, e que é coordenado por Federico Neiburg, com quem frequentemente debatia seus trabalhos nos últimos anos, desde que este ingressou como professor do Programa.

28 A afirmação de que esta experiência seria única (por mais lisonjeira que seja para quem dela participou) pode ser audaciosa e refletir o justo entusiasmo no processo de sistematização de sua própria trajetória, ao mesmo tempo de autonomia intelectual e de forte investimento em pesquisas e elaborações coletivas. Trata-se certamente de uma experiência rara.

29 Além desta sistematização de L.S., ver Palmeira (memorial de titular, 1994), Garcia Jr. 1993, Leite Lopes 2003, e os próprios agradecimentos contidos em Sigaud, Os clandestinos e os direitos, 1979a, o que não impede que mais relatos desta experiência sejam produzidos ou aprofundados.

30 Tal projeto, negociado por dois anos junto ao Banco Mundial (sem sucesso) e afinal assumido pela FINEP, na gestão José Pelúcio Ferreira, tinha por objetivo garantir uma volta ao campo para a equipe de 1972, no período de crise do PPGAS que sucedeu à retirada dos recursos da Fundação Ford. A negociação com a FINEP acabou originando uma linha de financiamento de longa duração para a instituição - além de ter sido feita pressão sobre a UFRJ para a contratação de professores não-pertencentes ao quadro da universidade, como Otávio Velho, Moacir Palmeira, Lygia Sigaud, Francisca Keller e Anthony Seeger, que acabaram sendo efetivados em 1975, durante a gestão de Roberto DaMatta na coordenação do PPGAS.

31 Há que se considerar ainda um fator de gênero que condicionava a produção em alguns períodos, dela mesma e de colegas de grupo de pesquisa: a gravidez e o nascimento dos filhos. Os dela, Rita, Miguel e Tereza nasceram em 1975, 1978 e 1982.

32 Alinho aqui de forma radicalmente resumida os destinos dos membros do grupo de 1972 que permaneceram plenamente em contato. Entre o final dos anos 1970 e toda a década de 1980, Moacir Palmeira foi assessor educacional da CONTAG (em tempo integral, quando se licenciou do PPGAS-MN, ou em tempo parcial), a partir de um convite (de dirigentes sindicais e, em particular, de José Francisco da Silva, então presidente da entidade) feito em função do conhecimento da pesquisa que coordenava sobre a zona canavieira, e depois sobre diferentes situações-tipo no Nordeste (Projeto Emprego e Mudança Social no NE). Durante um curto período, foi diretor do INCRA, na equipe do primeiro Ministério da Reforma Agrária da Nova República, que sucedeu ao regime militar em 1985. Com base no conhecimento empírico nacional adquirido nestas experiências, a partir do início dos anos 90, começou a desenvolver um projeto de Antropologia da Política, com Beatriz Heredia, posteriormente estendido em um projeto PRONEX do Ministério da Ciência, incorporando vários pesquisadores da UFRJ, da UnB e da UFC (do Ceará). Afrânio Garcia Jr. e Marie-France Garcia estabeleceram-se na França em meados dos anos 90 (na EHESS e no INRA de Paris, respectivamente). Garcia Jr. também foi assessor educacional da FETAG-RJ, entre 1977 e 1983. Eu mesmo passei, nos anos 90, por temáticas como a história social da sociologia do trabalho, história social do esporte e antropologia do meio ambiente, para voltar, nos anos 2000, com Rosilene Alvim (que vinha estudando questões sobre a infância e a juventude das classes populares), à rede de trabalhadores têxteis em PE por nós estudada desde 1976 (Alvim 1997, Leite Lopes 1988).

33 Que de fato passa pela experiência ampliada do projeto Emprego e mudança social no Nordeste entre 1976 e 78, e cuja parcela dos membros de então permanece com problemáticas comuns, dado o fato de cada indivíduo continuar sendo referência para os demais. Além do grupo de 1972, no projeto Emprego, de 1976, somaram-se Alfredo Wagner de Almeida, Neide Esterci, Rosilene Alvim, Eliane Cantarino, Regina Novaes, Leilah Landim, Doris Rinaldi, Luis Antonio Machado, dentre outros colegas (ver referências mais completas em Palmeira et alli 1977 e Leite Lopes et alli 1979 e nos agradecimentos nas teses e livros que resultaram do referido projeto).

34 Da história de cooperação e competição entre diferentes linhas de ensino e pesquisa no PPGAS-MN e da experiência comum com colegas de diferentes gerações desta instituição, LS também tira sua força, assim como de sua rede de contatos regulares de trabalho em outras instituições. Por outro lado, esta busca da autonomia intelectual e do reconhecimento internacional é comum a seus colegas, alguns com grandes períodos de trabalho em instituições de ensino internacionais (como Roberto DaMatta, Afrânio Garcia Jr. e outros). O caso de LS é tomado aqui como altamente significativo por suas singularidades.

35 Ela foi conseguindo uma harmonia entre o entusiasmo pelo trabalho intelectual (fato social total de sua biografia) e sua vida familiar, como é ilustrado por este trecho da carta de Rita Palmeira ("Em meu nome e dos meus irmãos", lida no dia da cerimônia religiosa de sétimo dia) que segue abaixo da citação anterior feita neste artigo: "Anos depois, já adulta, fui com ela ao campo: passamos dias indo aos engenhos da região de Rio Formoso e conversando animadamente sobre tudo o que víamos. Voltar ao Rio de Janeiro ou a Campinas, onde eu morava na época, dava-me a dimensão do que ela me ensinava: o Brasil é muito maior do que a rua Araucária ou do que Barão Geraldo". "Mais para frente, quando nos reuníamos no meio do caminho entre o Rio e São Paulo, na praia do Bonete, em Ubatuba, um refúgio de descanso e trabalho (porque, afinal, ela nunca parava), pude acompanhar de perto a formulação de seu "Vicissitudes do Ensaio sobre o dom", que li e comentei, numa parceria que ia muito além da relação costumeira entre mãe e filha. Do café da manhã ao jantar falávamos de Mauss, Malinowski e Leach, como falávamos de coisas que são faladas entre mãe e filha. Entre meu irmão, Miguel, que é historiador, e minha mãe, essa cumplicidade era ainda mais forte. Trocavam textos, indicações e afetos - e a tese de doutorado de meu irmão é em muito devedora das conversas que os dois tinham sobre as condições de produção no campo intelectual. Minha irmã Tereza, que é médica, traz de minha mãe a atenção e o interesse pelo outro. Ao escolher a medicina, Tereza pôde lhe dar, além das muitas alegrias que normalmente têm os pais de filhos médicos, o conforto de, nos últimos meses, ter sido assistida com tanto afeto".

36 Além das cerimônias fúnebres que lhe foram feitas por seus familiares, amigos e colegas no Rio, além de obituário nas páginas da ABA e do PPGAS-MN, uma reunião foi realizada no refeitório da École Normale Superieure, em torno de vinho e comida, os seus amigos franceses lhe tendo feito uma emocionante homenagem póstuma (segundo o relato transmitido por Afrânio e Marie-France Garcia). A revista Ruris da Unicamp está lhe dedicando um texto de Emilia Pietrofesa de Godoy, assim como a revista Dados encomendou um artigo a Afrânio Garcia Jr.

 

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