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Danos de percevejos e de lagartas em cultivares e linhagens de soja de ciclos médio e semi-tardio

Damage caused by defoliators and stink bugs to cultivars and lines of soybean of two maturity groups

Resumos

Objetivou-se avaliar a resistência de genótipos de soja de dois grupos de maturação em relação à infestação de insetos. Instalaram-se dois experimentos, um envolvendo germoplasma de ciclo médio e outro, germoplasma de ciclo semi-tardio, na Estação Experimental de Ribeirão Preto (IAC), SP, nos anos agrícolas 1995/96 e 1996/97. Infestação de lagartas de Anticarsia gemmatalis Hüb. ocorreu apenas no primeiro ano. Os percevejos Piezodorus guildinii (West.) (predominante), Euschistus heros (Fabr.) e Edessa meditabunda (Fabr.) ocorreram nos dois anos agrícolas, com maior infestação no primeiro. Os danos de lagartas foram avaliados mediante estimativa da percentagem de área foliar cortada e, os de percevejos, através da percentagem de retenção foliar (PRF), índice percentual de dano na vagem (IPDV) e produção. Para o experimento com genótipos de ciclo médio, baseando-se principalmente no primeiro ano, pode-se considerar que a linhagem IAC 90-2971 apresentou resistência a lagartas e a percevejos, comparável à da linhagem IAC 78-2318, o controle resistente. Para o experimento de genótipos de ciclo semi-tardio, detectou-se suscetibilidade na linhagem IAC 93-2162 a lagartas e a percevejos, apesar de apresentar baixa PRF. Fato oposto ocorreu com a linhagem IAC 90-1970, com alta PRF mas com baixas injúrias foliares causadas por lagartas, baixo IPDV e boa produção. Além do bom comportamento de IAC 90-1970, devem ser destacados o desempenho da cultivar IAC 9 e da linhagem IAC 90-3052 em relação aos menores danos provocados por percevejos.

Pentatomidae; anticarsia gemmatalis; resistência varietal; Glycine max


The performance of soybean cultivars and lines belonging to two maturity groups (135-140 and 145-160 days of cycle) was evaluated during the 1995/96 and 1996/97 seasons in relation to damages caused by stink bugs and caterpillars in the field, at Ribeirão Preto, State of São Paulo, Brazil. Two experiments, one for each maturity group, were carried out, in each growing season, using a complete randomized block design. Infestation of Anticarsia gemmatalis Hüb. occurred only in the first year. Stink bugs, Nezara viridula (L.), Euschistus heros (Fabr.) and predominantly Piezodorus guildinii (West.), occurred in both years with more severe infestation in the first year. The caterpillar defoliation was estimated by the percentage of eaten leaf area (PAFC). Three criteria were used to evaluate the damage caused by stink bugs: percentage of foliar retention (PRF), index of percent pod damage (IPDV) and yield. Based mainly in the first year, and regarding the earlier maturing genotypes, it can be considered that the line IAC 90-2971 presented resistance to caterpillars as well as to stink bugs similar to the line IAC 78-2318, the resistant control. In the experiment with the longer cycle genotypes, line IAC 93-2162 showed susceptibility to both caterpillars and stink bugs, in spite of presenting low PRF. The opposite occurred with line IAC 90-1970, with high PRF but low leaf injuries caused by ceterpillars, low IPDV and high yield. Besides the good performance of IAC 90-1970, the behavior of the cultivar IAC 9 and the line IAC 90-3052 could also be distinguished in relation to the low damages caused by stink bugs.

Insecta; Pentatomidae; Anticarsia gemmatalis; varietal resistance; Glycine max


PROTEÇÃO DE PLANTAS

Danos de percevejos e de lagartas em cultivares e linhagens de soja de ciclos médio e semi-tardio

Damage caused by defoliators and stink bugs to cultivars and lines of soybean of two maturity groups

André L. LourençãoI; José C.V.N.A. PereiraI; Manoel A. C. de MirandaI; Gláucia M.B. Ambrosano II

IInstituto Agronômico, IAC, Caixa postal 28, 13001-970, Campinas, SP

IIUniversidade Estadual de Campinas, UNICAMP, FOP, Caixa postal 52, 13414-018, Piracicaba, SP

RESUMO

Objetivou-se avaliar a resistência de genótipos de soja de dois grupos de maturação em relação à infestação de insetos. Instalaram-se dois experimentos, um envolvendo germoplasma de ciclo médio e outro, germoplasma de ciclo semi-tardio, na Estação Experimental de Ribeirão Preto (IAC), SP, nos anos agrícolas 1995/96 e 1996/97. Infestação de lagartas de Anticarsia gemmatalis Hüb. ocorreu apenas no primeiro ano. Os percevejos Piezodorus guildinii (West.) (predominante), Euschistus heros (Fabr.) e Edessa meditabunda (Fabr.) ocorreram nos dois anos agrícolas, com maior infestação no primeiro. Os danos de lagartas foram avaliados mediante estimativa da percentagem de área foliar cortada e, os de percevejos, através da percentagem de retenção foliar (PRF), índice percentual de dano na vagem (IPDV) e produção. Para o experimento com genótipos de ciclo médio, baseando-se principalmente no primeiro ano, pode-se considerar que a linhagem IAC 90-2971 apresentou resistência a lagartas e a percevejos, comparável à da linhagem IAC 78-2318, o controle resistente. Para o experimento de genótipos de ciclo semi-tardio, detectou-se suscetibilidade na linhagem IAC 93-2162 a lagartas e a percevejos, apesar de apresentar baixa PRF. Fato oposto ocorreu com a linhagem IAC 90-1970, com alta PRF mas com baixas injúrias foliares causadas por lagartas, baixo IPDV e boa produção. Além do bom comportamento de IAC 90-1970, devem ser destacados o desempenho da cultivar IAC 9 e da linhagem IAC 90-3052 em relação aos menores danos provocados por percevejos.

Palavras-chave: Insecta, Pentatomidae, anticarsia gemmatalis, resistência varietal, Glycine max.

ABSTRACT

The performance of soybean cultivars and lines belonging to two maturity groups (135-140 and 145-160 days of cycle) was evaluated during the 1995/96 and 1996/97 seasons in relation to damages caused by stink bugs and caterpillars in the field, at Ribeirão Preto, State of São Paulo, Brazil. Two experiments, one for each maturity group, were carried out, in each growing season, using a complete randomized block design. Infestation of Anticarsia gemmatalis Hüb. occurred only in the first year. Stink bugs, Nezara viridula (L.), Euschistus heros (Fabr.) and predominantly Piezodorus guildinii (West.), occurred in both years with more severe infestation in the first year. The caterpillar defoliation was estimated by the percentage of eaten leaf area (PAFC). Three criteria were used to evaluate the damage caused by stink bugs: percentage of foliar retention (PRF), index of percent pod damage (IPDV) and yield. Based mainly in the first year, and regarding the earlier maturing genotypes, it can be considered that the line IAC 90-2971 presented resistance to caterpillars as well as to stink bugs similar to the line IAC 78-2318, the resistant control. In the experiment with the longer cycle genotypes, line IAC 93-2162 showed susceptibility to both caterpillars and stink bugs, in spite of presenting low PRF. The opposite occurred with line IAC 90-1970, with high PRF but low leaf injuries caused by ceterpillars, low IPDV and high yield. Besides the good performance of IAC 90-1970, the behavior of the cultivar IAC 9 and the line IAC 90-3052 could also be distinguished in relation to the low damages caused by stink bugs.

Palavras-chave: Insecta, Pentatomidae, Anticarsia gemmatalis, varietal resistance, Glycine max.

Percevejos fitófagos da família Pentatomidae e lagartas desfolhadoras (principalmente Anticarsia gemmatalis Hüb.) constituem as principais pragas da soja para muitas regiões brasileiras. Diversos estudos sobre a natureza dos danos de percevejos em soja têm demonstrado que, ao se alimentarem da planta, os insetos podem provocar puncturas, manchas (geralmente associadas ao fungo Nematospora coryli Peglion), deformações e diminuição do tamanho das sementes, redução do teor de óleo, elevação do teor de proteína, atraso na maturação foliar (retenção foliar), redução do poder germinativo das sementes e diminuição da produção (Daugherty et al. 1964, Miner 1966, Daugherty 1967, Turner 1967, Jensen e Newsom 1972, Todd et al. 1973, Yeargan 1977, Panizzi & Slansky Jr. 1985). A produção pode ser afetada também de acordo com o grau de desfolhamento causado por insetos mastigadores e o estádio fenológico das plantas nesse momento (Thomas et al. 1974, Fehr et al. 1981).

A incorporação de fatores de resistência a percevejos e a desfolhadores em soja tem sido um objetivo importante em programas de melhoramento conduzidos em diversos países, em virtude das vantagens desse método de controle e a disponibilidade de fontes de resistência, que se iniciou após a identificação de três introduções resistentes ao besouro mexicano Epilachna varivestis Muls. (Duyn et al. 1971). Todavia, nos últimos anos, também tem-se dado ênfase a pesquisas de resistência à mosca branca Bemisia argentifolii Bellows & Perring (Lambert et al. 1995, McAuslane 1996, Lambert et al. 1997).

Com o objetivo de se avaliar a resistência de cultivares e linhagens de soja em relação à infestação de percevejos e lagartas desfolhadoras desenvolveu-se o presente estudo.

Material e Métodos

Germoplasma de ciclo médio. Na Estação Experimental de Ribeirão Preto (IAC), foi instalado um experimento englobando genótipos IAC de ciclo médio (135-140 dias) em 22/11/1995 e repetido no ano seguinte, em 11/11/1996. O delineamento utilizado foi o de blocos ao acaso, com seis tratamentos e seis repetições. Cada parcela foi representada por três linhas de 3m, com espaçamento de 0,5m entre linhas. Após desbaste, as linhas ficaram com densidade aproximada de vinte plantas por metro. A adubação foi feita na linha, seguindo as recomendações para a cultura (Raij et al. 1996), de acordo com análise de solo da gleba experimental. Durante todo o ciclo das plantas não se procedeu a nenhuma aplicação de defensivos agrícolas. O germoplasma avaliado (Tabela 1) abrangeu as linhagens IAC 78-2318, com resistência múltipla a insetos (Lourenção & Miranda 1987), IAC 90-2917, IAC 90-2971 e IAC 93-334, que se destacaram em anos anteriores em ensaios regionais em termos de produtividade, e as cultivares IAC 8-2, suscetível a desfolhadores, e IAC 19, padrão de produtividade.

Germoplasma de ciclo semi-tardio. Um segundo experimento com materiais de ciclo semi-tardio (145-155 dias) foi instalado nessa estação experimental, ao lado do experimento anterior, nas mesmas datas, durante os dois anos agrícolas. O delineamento foi o de blocos ao acaso, com cinco tratamentos e seis repetições. O tamanho da parcela, estande, espaçamento entre linhas, procedimentos para adubação e condução foram idênticos aos utilizados para o experimento de germoplasma de ciclo médio. Os tratamentos estudados (Tabela 1) compreenderam a cultivar IAC 9, padrão de produtividade e as linhagens IAC 90-1970, IAC 90-3052, IAC 93-2162 e IAC 93-3303, selecionadas pela produtividade em ensaios regionais.

Avaliações de danos de desfolhadores e de percevejos. O desfolhamento das plantas foi avaliado estimando-se visualmente a porcentagem de área foliar cortada (PAFC) em toda a parcela. Para se avaliarem os danos causados por percevejos fitófagos pentatomídeos, utilizaram-se os três critérios relacionados por Lourenção et al. (1997): a) índice percentual de dano na vagem (IPDV), obtido mediante exame de cem vagens colhidas na parte mediana de vinte plantas da linha central de cada parcela, após completa maturação das vagens (Rossetto et al. 1986, Nagai et al. 1987); b) percentagem de retenção foliar (PRF), obtida através da estimativa visual do percentual de plantas exibindo retenção foliar ou haste verde, considerando-se toda a parcela; c) produção da linha central, pesando-se apenas os grãos tipos 1 e 2, segundo Jensen & Newsom (1972), que seriam, respectivamente, aqueles sem danos visíveis e os grãos apenas com puncturas de alimentação de percevejos, mas sem deformações. Nas análises estatísticas, os valores obtidos de PAFC, PRF e IPDV foram convertidos em arc sen √ x/100 e os referentes à produção, utilizados sem transformação. Foram efetuadas análises de variância por ano e conjunta e as médias comparadas pelo teste de Tukey (P<0,05).

Resultados e Discussão

Germoplasma de ciclo médio. No primeiro ano agrícola, no início de fevereiro de 1996, houve infestação de lagartas de A. gemmatalis quando as plantas encontravam-se na fase inicial de formação de vagens, que se refere ao estágio R3, segundo Fehr & Caviness (1977). Houve discriminação do germoplasma, sendo as linhagens IAC 90-2971 e IAC 90-2917, juntamente com a cultivar IAC 19, as mais resistentes, com médias próximas à de IAC 78-2318, o controle resistente (Tabela 2). A linhagem IAC 93-334 foi a mais suscetível, com 36,7% de desfolha, diferindo significativamente dos demais tratamentos, com exceção de IAC 8-2, com 28,3% de área foliar cortada. Devido à ocorrência do fungo Nomuraea rileyi (Farlow) Samson, a infestação foi controlada quando as parcelas mais injuriadas alcançavam cerca de 40% de desfolha. No ano seguinte, a infestação de A. gemmatalis foi muito reduzida, impedindo a avaliação do germoplasma.

A infestação de percevejos na gleba experimental no primeiro ano agrícola iniciou-se ainda na fase R3, alcançando nível de dano econômico (quatro percevejos por 2m de linha de soja, segundo Panizzi et al. 1977) em R4 (formação de legumes) e mantendo-se nesse nível até o final da maturação. Houve ocorrência de Piezodorus guildinii (West), Euschistus heros (Fabr.) e Edessa meditabunda (Fabr.), sendo predominante a primeira espécie. Em 1996/97, a partir de R3, iniciou-se a infestação de percevejos, ocorrendo as três espécies do ano anterior e também com predominância de P. guildinii. Os níveis de infestação foram mais baixos nesse ano, tendo sido atingido o nível de dano apenas em R6 (máximo volume de grãos), caindo a seguir e mantendo-se em níveis inferiores até o final da maturação. A maior infestação no primeiro ano influiu de forma marcante nos danos causados pelos percevejos, o que refletiu significativamente na médias por ano dos três critérios utilizados, tanto para os genótipos de ciclo médio como para os de ciclo semi-tardio (Tabelas 2,3,4,5,6 e 7). Para o ciclo médio, interações ano-tratamento foram significativas para o critérios IPDV e produção, o que pode ser devido a variações climáticas associadas à maior infestação de percevejos que ocorreu em 1995/96.

Para PRF não houve interação ano-tratamento, podendo-se considerar como semelhante o comportamento das cultivares e linhagens nos dois anos agrícolas (Tabela 2). A linhagem IAC 90-2971, com a média de 5,8%, foi o tratamento com menor retenção foliar diferindo, com exceção de IAC 78-2318, de todos os demais. A cultivar IAC 19 teve o pior desempenho, com 42,5% de PRF.

Com relação ao IPDV, em 1995/96 os tratamentos com menores percentagens de danos nas vagens foram IAC 90-2971 e IAC 78-2318, que diferiram significativamente de IAC 19 e IAC 93-334, os mais danificados (Tabela 3). No ano seguinte, apenas o controle resistente IAC 78-2318 destacou-se como o menos danificado, tendo suas médias diferido da das cultivares IAC 8-2 e IAC 19.

Os tratamentos não diferiram significativamente quanto à produção no primeiro ano, embora fosse constatada diferença considerável entre a maior média, que foi de 502,5g/3m para a linhagem IAC 90-2971, e a menor, de 396,2g/3m para a cultivar IAC 8-2 (Tabela 4). Já no ano seguinte, observaram-se aumentos nas médias dos tratamentos e diminuição da variabilidade, o que pode ser atribuído em grande parte à menor infestação de percevejos ocorrida nesse ano. Exceção a esses aumentos nas médias foi verificada na linhagem IAC 90-2971, justamente a que apresentou o maior valor no ano anterior. A linhagem IAC 78-2318, embora com valor médio maior em 1996/97, teve médias muito próximas nos dois anos, independentemente das maiores infestações de percevejos no primeiro ano, o que indica que possivelmente tolerância seja o tipo de resistência presente nessa linhagem.

Baseando-se principalmente no primeiro ano, quando os genótipos estiveram submetidos a maior pressão de insetos, pode-se considerar que a linhagem IAC 90-2971 apresentou resistência comparável ao controle resistente IAC 78-2318, tanto para percevejos como para A. gemmatalis. Este comportamento pode ser explicado pelo fato de IAC 90-2971 ter-se originado a partir de cruzamento envolvendo IAC 80-1177, que tem como ancestrais duas fontes de resistência (D 72-9601-1 e PI 227687) e IAC 79-1823, que também é derivada de D 72-9601-1 (Tabela 1). A linhagem D 72-9601-1, descendente de PI 229358, foi selecionada nos EUA para resistência a Pseudoplusia includens (Walk.) (Rezende et al. 1980) e as introduções PI 227687 e PI 229358 apresentam resistência múltipla a insetos (Kogan 1989). Seria, portanto, desejável realizar novos experimentos regionais com a linhagem IAC 90-2971 para avaliação de outras características agronômicas e também para esclarecer o motivo da queda de produção no ano agrícola 1996/97.

Germoplasma de ciclo semi-tardio. Devido ao fato de este experimento ter sido instalado ao lado do de ciclo médio, as infestações de insetos a que foi submetido envolveram as mesmas espécies em intensidades semelhantes, apenas com maior tempo de exposição aos percevejos, em virtude da fase reprodutiva das plantas de ciclo semi-tardio ser mais longa. Em 1995/96, a infestação de lagartas de A. gemmatalis ocorreu quando as plantas encontravam-se nos estádios R2/R3. A linhagem IAC 90-1970 foi o tratamento com menor índice de PAFC (18,3%), diferindo de IAC 93-2162 e de IAC 90-3052, os de maiores perdas de área foliar (Tabela 5). IAC 90-1970 também apresentou baixas injúrias foliares devido à ação de desfolhadores com predominância de A. gemmatalis em avaliações feitas durante a fase de florescimento das plantas em experimentos conduzidos em Campinas (1993/94) e em Ribeirão Preto (1994/95) (Lourenção et al. 1997). Da mesma forma que o experimento com germoplasma de ciclo médio, em 1996/97, a baixa infestação de A. gemmatalis impediu a avaliação de desfolhamento.

Enfocando-se os percevejos, interações ano-tratamento não foram significativas para os critérios IPDV e produção, havendo, contudo significância para o critério PRF. Com base neste último critério, podem ser destacadas pelas menores taxas as linhagens IAC 93-2162 e IAC 93-3303, com médias próximas de 6%, considerando-se os dois anos agrícolas (Tabela 5). Já a linhagem com maiores médias de retenção foliar foi IAC 90-1970, com 76,7% no primeiro ano, o de maior infestação de percevejos, e 20% no segundo, indicando sensibilidade a essa desordem fisiológica induzida por esses insetos.

Com relação ao IPDV, as linhagens IAC 90-1970 e IAC 90-3052 e a cultivar IAC 9 apresentaram as menores médias, o que significa menor número de vagens danificadas nas amostragens realizadas, diferindo significativamente de IAC 93-2162, a mais danificada pelos percevejos (Tabela 6). Analisando-se o critério produção, as duas maiores médias, muito próximas entre si, foram de IAC 9 e IAC 90-3052, embora sem diferirem significativamente de IAC 90-1970 e de IAC 93-3303 (Tabela 7). Novamente IAC 93-2162 teve o pior desempenho, com média nos dois anos de 365,3g/3m.

Considerando-se todos os critérios de avaliação de danos (lagartas e percevejos), verifica-se que a linhagem IAC 93-2162 comportou-se como suscetível em relação aos outros genótipos, tendo apenas apresentado pouca retenção foliar quando submetida a infestação de percevejos. O inverso deste fato, ou seja, o genótipo mostrar alta retenção foliar e boa produção, observado na linhagem IAC 90-1970 no primeiro ano agrícola, já foi detectado para outras linhagens e cultivares (Rossetto et al. 1986, Lourenção et al. 1987, Lourenção et al. no prelo). Também deve-se destacar o bom comportamento, além de IAC 90-1970, da linhagem IAC 90-3052 e da cultivar IAC 9 com respeito aos menores danos causados por percevejos.

Literatura Citada

Recebido em 17/06/98. Aceito em 27/01/99.

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Datas de Publicação

  • Publicação nesta coleção
    26 Maio 2006
  • Data do Fascículo
    Mar 1999

Histórico

  • Aceito
    27 Jan 1999
  • Recebido
    17 Jun 1998
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