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Anais da Sociedade Entomológica do Brasil

Print version ISSN 0301-8059On-line version ISSN 1981-5328

An. Soc. Entomol. Bras. vol.28 no.4 Londrina Dec. 1999

https://doi.org/10.1590/S0301-80591999000400008 

SISTEMÁTICA, MORFOLOGIA E FISIOLOGIA

 

Caracterização taxonômica, novos registros de distribuição e de hospedeiros de Anastrepha turpiniae Stone (Diptera: Tephritidae), no Brasil

 

Taxonomic characterization, new records of distribuition and host plants of Anastrepha turpiniae Stone (Diptera: Tephritidae), in Brazil

 

 

Elton L. AraujoI; Valquíria R. S. VelosoII; Francisco M. Souza FilhoIII; Roberto A. ZucchiI

IDepartamento de Entomologia, Fitopatologia e Zoologia Agrícola, ESALQ/USP, Caixa postal 9, 13418-900, Piracicaba, SP
IIDepartamento Fitossanitário, UFG, Caixa postal 131, 74001-970, Goiânia, GO
IIIInstituto Biológico, Caixa postal 70, 13001-970, Campinas, SP

 

 


RESUMO

O ápice do acúleo de A. turpiniae Stone é muito semelhante ao de A. fraterculus (Wied.) e de A. zenildae Zucchi. Conseqüentemente, A. turpiniae pode ser confundida com essas duas espécies. Entretanto, A. turpiniae difere de A. fraterculus e de A. zenildae por possuir o ápice do acúleo mais delgado. Além disso, o ápice do acúleo de A. turpiniae é mais longo do que o de A. fraterculus e a serra é mais curta do que a de A. zenildae. Anastrepha turpiniae já havia sido registrada no Estado de Minas Gerais (hospedeiro desconhecido). Novos registros de distribuição e de hospedeiros apresentados são: Estado do Amazonas (em Terminalis catappa), Estado de Goiás (em T. catappa e Andira humilis) e Estado de São Paulo (em Eugenia dodoneifolia, Psidium guajava, Prunus persica e Syzygium jambos).

Palavras-chave: Insecta, moscas-das-frutas, ápice do acúleo, grupo fraterculus, identificação.


ABSTRACT

The aculeus tip of Anastrepha turpiniae Stone resembles those of A. fraterculus (Wied.) and A. zenildae Zucchi. Therefore, A. turpiniae can be confused with these two species. However, A. turpiniae differs from A. fraterculus and from A. zenildae by having aculeus tip more slender. Additionally, its aculeus tip is longer than in A. fraterculus and the serrate portion is shorter than in A. zenildae. Anastrepha turpiniae had been previously recorded in Brazil, in the State of Minas Gerais (unknown host). New distribution and host records, based on this paper, are: State of Amazonas (from Terminalia catappa), State of Goiás (from T. catappa and Andira humilis) and State of São Paulo (from Eugenia dodoneifolia, Psidium guajava, Prunus persica and Syzygium jambos).

Key words: Insecta, fruit flies, aculeus tip, identification, fraterculus group.


 

 

Anastrepha turpiniae Stone, 1942 foi descrita de exemplares oriundos do Panamá, coletados em frutos de Turpinia paniculata (Staphylaceae) e Dovyalis hebecarpa (Flacourtiaceae) (Stone 1942). Posteriormente, foi detectada apenas no Brasil, em Minas Gerais (R. A. Zucchi, inf. pessoal), sem informações sobre o hospedeiro.

A. turpiniae pertence ao grupo fraterculus e apresenta o ápice do acúleo semelhante ao de A. fraterculus (Wied.) e ao de A. zenildae Zucchi. Conseqüentemente, em levantamentos recentes de moscas-das-frutas, A. turpiniae tem sido confundida com A. fraterculus. Portanto, visando auxiliar os trabalhos de identificação, é apresentada a caracterização taxonômica de A. turpiniae comparando-a com A. fraterculus e A. zenildae. Novos registros de distribuição e de hospedeiros são também apresentados.

As moscas-das-frutas examinadas foram obtidas diretamente dos frutos. A identificação específica foi realizada com base no exame ventral do ápice do acúleo. As fêmeas tiveram o acúleo extrovertido, destacado da membrana eversível e montado entre lâmina e lamínula, utilizando-se Hoyer. Após a montagem, o ápice do acúleo foi desenhado num aumento de 40X, utilizando-se uma câmara clara adaptada a um microscópio. Todo material estudado está depositado na coleção ESALQ/USP (Entomologia).

Caracterização Taxonômica - Dentre as espécies pertencentes ao grupo fraterculus, A. turpiniae é mais próxima morfologicamente de A. fraterculus e A. zenildae. Contudo, em A. turpiniae, o ápice do acúleo é delgado, com a porção serreada ultrapassando levemente a metade apical (Figs. 1, 2 e 3); os comprimentos do acúleo e do ápice variam entre 1,60 - 2,15 mm e 0,30 - 0,37 mm, respectivamente. O ápice do acúleo de A. fraterculus apresenta uma distinta constrição antes da porção denteada; os dentes estendem-se aproximadamente até a metade apical (Fig. 4); os comprimentos do acúleo e do ápice variam entre 1,40 - 1,90 mm e 0,20 - 0,30 mm, respectivamente. A. zenildae possui o ápice do acúleo com uma suave constrição antes da porção denteada; os dentes estendem-se por mais ou menos 2/3 apical (Fig. 5); os comprimentos do acúleo e do ápice variam entre 1,70 - 2,10 mm e 0,28 - 0,36 mm, respectivamente. Portanto, A. turpiniae difere de A. fraterculus e de A. zenildae pela forma mais delgada do ápice do acúleo; além disso, o ápice do acúleo é mais longo do que em A. fraterculus e a porção serreada é mais curta do que em A. zenildae.

Hospedeiros e Distribuição - A. turpiniae foi coletada no Estado do Amazonas (Manaus), em frutos de castanhola Terminalia catappa (Combretaceae); no Estado de Goiás (Paraúna), em frutos de castanhola e grão-de-galo Andira sp. (Fabaceae); no Estado de São Paulo (Narandiba, Neves Paulista, Presidente Prudente e Regente Feijó), em frutos de uvaia azeda Eugenia dodoneifolia (Myrtaceae), goiaba Psidium guajava (Myrtaceae), pêssego Prunus persica (Rosaceae) e jambo Syzygium jambos (Myrtaceae), respectivamente. Estes são novos registros de distribuição e de hospedeiros de A. turpiniae. Segundo Norrbom & Kim (1988), os únicos registros conhecidos de hospedeiros e de distribuição de A. turpiniae eram os alistados na descrição original (Stone 1942), T. paniculata e D. hebecarpa, no Panamá. Os exemplares de A. turpiniae, coletados em Manaus (Silva et. al. 1996), foram erroneamente identificados como A. fraterculus.

Portanto, A. turpiniae apresenta uma ampla distribuição e está associada a vários hospedeiros no Brasil. É preciso levar esse fato em consideração, nos levantamentos realizados em todo o território nacional, para uma correta identificação das amostras de espécies do grupo fraterculus.

 

Agradecimentos

Os autores agradecem ao Prof. Dr. Neliton M. da Silva (FUA - Fundação Universidade do Amazonas) pela amostra de material enviada.

 

Literatura Citada

Norrbom, A.L. & K.C. Kim. 1988. A list of the reported host plants of the species of Anastrepha (Diptera: Tepritidae). USDA-APHIS, 81-52, 114 p.         [ Links ]

Silva, N.M., S. Silveira Neto & R.A. Zucchi. 1996. The natural host plants of Anastrepha in the state of Amazonas, p. 353 - 357. In B.A. McPheron & G.J. Steck (ed.), Fruit fly pest: a word assessment of their biology and management. Delray Beach, St. Lucie Press, 583 p.         [ Links ]

Stone, A. 1942. The fruit flies of the genus Anastrepha. USDA, 439, 112p.         [ Links ]

 

 

Recebido em 20/12/98. Aceito em 30/08/99.

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