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Anais da Sociedade Entomológica do Brasil

Print version ISSN 0301-8059

An. Soc. Entomol. Bras. vol.29 no.2 Londrina June 2000

http://dx.doi.org/10.1590/S0301-80592000000200022 

COMUNICAÇÃO CIENTÍFICA

 

Parasitismo em larvas de Phyllocnistis citrella Stainton (Lepdoptera: Gracillariidae) no estado do Rio de Janeiro

 

Parasitism in larvae of Phyllocnistis citrella Stainton (Lepidoptera: Gracillariidae) in the state of Rio de Janeiro, Brazil

 

 

Francisco N. do NascimentoI; Wyratan da S. SantosII; Jonas de M. PintoI; Paulo C. R. CassinoIII

IMestrando C. P. G. Fitotecnia - UFRRJ, Bolsista PICD/CAPES, IB- Centro Integrado de Manejo de Pragas, 23851-970, Seropédica, RJ
IIBolsista CNPq, graduando de Agronomia, UFRRJ, RJ
IIInstituto de Biologia- DBV, Entomologia, UFRRJ, 23851-970, Seropédica, RJ

 

 


ABSTRACT

A survey of natural enemies of Phyllocnistis citrella Stainton in citrus orchards, in the Campus of the Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, State of Rio de Janeiro, Brazil, was conducted from March 1997 to December 1998. The emergence of Cirrospilus sp., Horismenus sp. (Chalcidoidea: Eulophidae) and Elasmus sp. (Chalcidoidea: Elasmidae) from larvae of P. citrella was observed.

Key words: Insecta, citrus, biological control.


 

 

Phyllocnistis citrella Stainton (Lepidoptera: Gracillariidae) após alimentar-se do tecido paliçádico da folha, forma galerias (dano direto) favorecendo a infecção da planta por agentes fitopatogênicos (dano indireto), permitindo o desenvolvimento de doenças como o cancro cítrico, causado pela bactéria Xanthomonas citri (Sohi & Sandhu 1968, Cônsoli et al. 1996, Coutinho 1996).

Em 1994 após P. citrella ser registrada no México e em vários países da América Central, no Brasil já se alertava para a possibilidade da introdução dessa praga (Gravena et al. 1994, Lourenção & Muler 1994, Lourenção et al. 1994). Após sua citação em 1996 na citricultura do Estado de São Paulo, rapidamente a praga se espalhou por todo o território brasileiro ocasionando danos irreversíveis, principalmente em viveiros e pomares de laranjeiras recém-instalados. Nascimento (1998) observou ainda, que em pomares de laranjeiras recém-instalados no Tocantins, a praga esteve presente durante todo o ano, uma vez que em função das irrigações no período de estiagem as plantas emitiram brotações de janeiro a dezembro de 1997, período em que se realizou o estudo.

Em estudos de campo, Huang et al. (1989), identificaram os fatores-chave de mortalidade de P. citrella. Os estudos revelaram que os inimigos naturais, principalmente os parasitóides e predadores caracterizaram-se como principal fator de mortalidade das gerações de verão e de outono da larva minadora. Diversos pesquisadores têm encontrado grande número de inimigos naturais de P. citrella em seus diversos locais de distribuição, especialmente parasitóides da ordem Hymenoptera, segundo levantamento de Cônsoli et al. (1996). No Brasil já foram encontradas vespas predadoras Brachygastra lecheguana (Börner), Protenectarina sylveirae (Saussure) e Polybia spp. associadas à larva minadora. Formigas e aranhas também são predadoras gerais ( Coutinho 1996, Prates et al. 1996).

Durante o período de março de 1997 a dezembro de 1998, no Campus da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, folhas de Citrus sinensis e C. reticulata, contendo larvas de P. citrella em diferentes estágios foram coletadas, mensalmente; durante o estudo os pomares não foram tratados com inseticidas. As folhas foram levadas para laboratório e acondicionadas em placas de Petri vedadas com algodão, permanecendo em condições ambientais. A emergência dos parasitóides se deu entre seis e 15 dias após a coleta das folhas.

Foram observadas 418 larvas, obtendo-se a emergência de 152 adultos de P. citrella e 24 microhimenópteros parasitóides da larva (Tabela 1).

 

 

Cirrospilus sp. (Chalcidoidea: Eulophidae) mostrou-se mais freqüente em larvas coletadas de julho a dezembro de 1997, enquanto que Elasmus sp. (Chalcidoidea: Elasmidae) teve maior freqüência no primeiro semestre de 1998. Foi encontrado apenas um espécime de Horismenus sp. (Chalcidoidea: Eulophidae). Ressalta-se, porém, que parte significativa das larvas coletadas morreu prematuramente em função do rápido ressecamento das folhas destacadas.

O presente estudo demonstra que existem inimigos naturais nativos de P. citrella na localidade estudada e que se sucedem em diferentes épocas do ano.

 

Agradecimentos

À Dra. Angélica Maria Penteado-Dias, Universidade Federal de São Carlos, pela identificação dos parasitóides.

 

Literatura Citada

Cônsoli, F.L., R.A Zucchi & J.R.S. Lopes. 1996. Phyllocnistis citrella Stainton, 1856 (Lepidoptera: Gracillariidae: Phyllocnistinae) a lagarta minadora dos citros. FEALQ, 39p.         [ Links ]

Coutinho, A. 1996. Revista do FUNDECITRUS, Órgão Informativo do Fundo Paulista de Defesa da Citricultura, Ano XII, 76: 16p.         [ Links ]

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Huang, M.D., C.X. Dheng, S.X. Li, X.H. Mai, W.C. Tan & J. Szetu. 1989. Studies on population dynamics and control strategy of the citrus leaf miner. Acta Entomol. Sin. 32: 58-67.         [ Links ]

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Sohi, G.S. & M.S. Sandhu. 1968. Relationship between Citrus leaf-miner (Phyllocnistis citrella Stainton) injury and Citrus canker (Xanthomonas citri (Hasse) Dowson) incidence on citrus leaves, J. Res. Punjab Agric. Univ. 5: 66-69.         [ Links ]

 

 

Recebido em 23/09/98. Aceito em 15/03/00.