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Revista Brasileira de Saúde Ocupacional

Print version ISSN 0303-7657

Rev. bras. saúde ocup. vol.30 no.112 São Paulo July/Dec. 2005

http://dx.doi.org/10.1590/S0303-76572005000200008 

Capacidade para o trabalho, saúde e ausência por doença de trabalhadoras de um centro de pesquisa por grupos de idade1

 

Work ability, health and sickness absence  of brazilian female workers in a research center by age group

 

 

Maria Silvia MonteiroI; Juhani IlmarinenII; Jorge da Rocha GomesIII

IProfessora Adjunta do Departamento de Enfermagem da Universidade Fede­ral de São Carlos
IIChefe do Departamento de Fisiologia do Finnish Institute of Occupational Health, Helsinque, Finlândia
IIIProfessor Titular da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo

 

 


RESUMO

Este estudo avaliou a capacidade para o trabalho de trabalhadoras brasileiras por grupo de idade e ocupação e analisou as ausências por doença registradas durante um ano. A capacidade para o trabalho das mulheres foi avaliada através do Índice de Capacidade para o Trabalho, desenvolvido por pesquisadores finlandeses. Este instrumento é baseado na autopercepção dos trabalhadores e é composto de sete itens. A pesquisa foi desenvolvida no Centro de Pesquisa e Desenvolvimento de uma companhia de alta tecnologia. A taxa de resposta final dos sujeitos foi de 38%. Este artigo inclui somente as trabalhadoras (n=43). A idade dos sujeitos variou de 35 a 54 anos e 79% deles tinham curso universitário. O índice de capacidade para o trabalho médio foi semelhante no grupo mais jovem e no grupo mais velho. A análise dos itens do índice mostrou diferença estatisticamente significante em relação às exigências físicas do trabalho na direção do grupo mais jovem. Em relação ao número de doenças com diagnóstico médico, à ausência por doença no último ano e aos recursos mentais, o grupo mais velho teve melhor desempenho. A promoção de atividades deve ser planejada com o objetivo de reduzir a carga física de trabalho das trabalhadoras mais velhas e de prevenir as doenças mais prevalentes entre todas as trabalhadoras.

Palavras-chaves: trabalhadores em envelhecimento, capacidade para o trabalho, índice de capacidade para o trabalho, gênero.


ABSTRACT

This study evaluated the work ability of female Brazilian workers by age group and occupation and analysed women's registered sickness absences during one year. The work ability of the women was assessed using the Work Ability Index, developed by Finnish researchers. The instrument is based on the self-perception of the workers and is composed of seven items. The research had been developed at the Center for Research and Development of a high-technology company. The final response rate of the subjects was 38%. This article includes only the female workers (n=53). The age of the subjects ranged from 35 to 54 years and 79% of them had undergraduate education in the University. The mean work ability was about the same in the younger and older female group. The analysis of the WAI items showed statistically significant difference in relation to the physical demands in the direction of the younger group. In relation to the number of diseases diagnosed by a physician, the sick leave during the past years and the mental resources, the older group had better performance.  The promotion of activities should be planned with the aim to reduce the physical workload of the older employees and to prevent the most prevalent diseases of all employees.

Keywords: aging workers, work ability, female workers, work ability index, gender.


 

 

Introdução

O Brasil é um país com vasto território e amplas diferenças entre as regiões em relação à educação e às condições de vida e de trabalho. O envelhecimento da população tem sido rápido nas últimas décadas, tendo a esperança de vida ao nascer aumentado de 66,7 anos para mulheres no período de 1980-1985 para a previsão, no período de 2005-2010, de 74,7 anos (IBD, 2002).

A taxa de participação de mulheres nas atividades econômicas em áreas urbanas durante o período 1990-2000 foi de 51% no grupo de 15 a 24 anos, 67% no grupo de 25 a 34 anos e de 28% no grupo de 50 anos e mais (CEALC, 2002).

O envelhecimento da população, entre outras coisas, tem resultado em modificação na legislação sobre aposentadoria nos últimos anos. A idade mínima de aposentadoria para mulheres é de 55 anos desde que tenha ocorrido contribuição durante 30 anos ao Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS); se este pré-requisito não for cumprido, a mulher deverá trabalhar até que este tempo se complete (BRASIL, 2003). Por outro lado, políticas e programas com o objetivo de manter e melhorar a capacidade para o trabalho não foram ainda propostas ou desenvolvidas.

Este trabalho descreve e discute alguns aspectos relativos à capacidade para o trabalho de trabalhadoras por grupo de idade. Ele é parte de tese de doutorado desenvolvida num Centro de Pesquisa e Desenvolvimento de uma companhia de alta tecnologia.

 

Material e Métodos

Este estudo teve por objetivo avaliar a capacidade para o trabalho de trabalhadoras por grupo de idade e ocupação. Foram analisados também os registros de ausências por doença relativos ao período de um ano.

A capacidade para o trabalho foi avaliada através do Índice de Capacidade para o Trabalho (ICT), desenvolvido por pesquisadores finlandeses (TUOMI et al., 1994, 1997 e 1998). Esse instrumento é baseado na autopercepção dos trabalhadores e é composto pelos sete itens seguintes: capacidade para o trabalho atual comparada com a melhor de toda a vida, capacidade para o trabalho em relação às exigências do trabalho, número atual de doenças diagnosticadas por médico, perda estimada para o trabalho devido a doenças, faltas ao trabalho por doenças no último ano, prognóstico próprio da capacidade para o trabalho daqui a dois anos e recursos mentais.

O ICT é calculado pela soma de pontos obtidos em cada um dos itens. A variação do índice é de 7 a 49 pontos e o escore é classificado em quatro categorias de capacidade para o trabalho: baixa (7 a 27 pontos), moderada (28 a 36 pontos), boa (37 a 43 pontos) e excelente (44 a 49 pontos).

De acordo com a classificação da capacidade para o trabalho, devem ser adotadas medidas com o objetivo de restaurar, melhorar, apoiar ou manter esta capacidade.

Também foram coletados dados relativos à idade, ao gênero, ao grau de escolaridade, à ocupação e ao desenvolvimento de tarefas domésticas.

Os questionários foram administrados de acordo com os seguintes passos: todos os empregados da companhia receberam uma cópia do questionário acompanhado por uma carta assinada pela pesquisadora e por seu orientador e uma carta oficial da universidade responsável pelo curso de doutorado explicando os objetivos da pesquisa e dando instruções sobre como preencher os questionários e quando e onde  os retornar à pesquisadora. Para aumentar a participação da população de estudo, o questionário foi enviado uma segunda vez. Em ambas as ocasiões não houve identificação dos sujeitos no preenchimento do questionário.

Do total de 679 sujeitos, 262 responderam e 24 questionários foram excluídos devido à perda de informação. A taxa de resposta final foi de 38%.

Este artigo apresenta somente os resultados relativos às trabalhadoras e, entre elas, a taxa de resposta foi de 40% (n=53).

A idade dos sujeitos variou de 35 a 54 anos e 79% destes tinham cursado a universidade, percentagem muito maior do que a da população do país.

Uma análise descritiva dos dados foi feita compreendendo o cálculo de médias, o desvio-padrão e o teste de associação pelo qui-quadrado utilizando o programa Epi-Info versão 6.04d.

Uma análise da ausência por doença registrada na companhia durante um ano (n=127) foi também desenvolvida. Entretanto, a qualidade dos registros deixava a desejar e parte das informações estava incompleta.

A idade dos sujeitos que tiveram ausência por doença variou de 25 a 50 anos e 70 registros eram relativos a trabalhadoras, os quais serão aqui analisados.

Os registros incluíram informação sobre a idade, a ocupação, a duração do afastamento por doença e a razão da ausência. As trabalhadoras que exerciam ocupações de maior qualificação, doravante aqui denominadas "outras" foram a maioria (60%) no grupo de idade mais jovem, de 25 a 34 anos. O grupo de maior idade, de 40 a 54 anos, incluiu predominantemente (85%) trabalhadoras de ocupações com menos qualificação, doravante denominadas "técnicas".

No grupo de idade de 35 a 39 anos, a distribuição entre os dois grupos de ocupações foi equilibrada.

 

Resultados

A Figura 1 mostra os escores indivi­duais do ICT por grupo de idade. A nota média nos escores foi de 40,5 (5,5) para o grupo de idade de 35 a 39 anos, e 40,8 (5,8) para o grupo de idade de 40 a 54 anos.

 

 

Além dos dois grupos de idade, os dados foram analisados em duas categorias ocupacionais: a primeira, chamada "técnicas", incluiu todas as ocupações que exigem nível médio educacional, e a segunda, chamada "outras", abrangeu as ocupações com maior grau de escolaridade (de nível universitário).

As ocupações do grupo "técnicas" incluí­ram: assistente administrativa, técnicas de computação e desenhistas. As ocupações do grupo "outras" abrangeram: analistas de sistemas, engenheiras, pesquisadoras, assistente social, contadora, enfermeira, nutricionista e gerente.

A Tabela 1 mostra a distribuição das categorias de capacidade para o trabalho segundo o grupo de idade e o grupo ocupacional. Nas categorias de capacidade para o trabalho baixa e moderada, a distribuição foi similar em ambos os grupos etários. Entretanto, as duas categorias mais baixas entre as "técnicas" foram mais comuns que entre o grupo das "outras". Mas não houve diferença estatisticamente significante.

 

 

A Figura 2 mostra a distribuição por grupo de idade segundo a nota atribuída pelos indivíduos no item 1 do ICT: capacidade para o trabalho atual comparada com a melhor da vida. A distribuição foi similar nos dois grupos etários.

 

 

A Tabela 2 mostra a categoria da capacidade para o trabalho em relação às exigências físicas e mentais para o trabalho por grupo de idade. O grupo de mais idade referiu capacidade para o trabalho em relação às exigências físicas mais baixas do que o grupo mais jovem (p = 0,0004).

A Tabela 3 mostra o número atual de doenças na própria opinião dos respon­dentes e também daquelas diag­nosticadas por médico segundo o grupo de idade. Quase 1/4 dos indivíduos mais jovens não referiram doenças, mas, de acordo com o diagnóstico médico, quase 1/3 não tinha doença. No grupo mais velho, esta dife­rença entre a própria opinião e o diag­nóstico médico foi menor. Somente 14% das trabalhadoras mais velhas refe­ri­ram uma doença, enquanto ocorreu diag­nóstico médico de uma doença em 43% delas.

Uma em cada cinco trabalhadoras mais velhas referiu quatro ou mais doenças na própria opinião, enquanto o diagnóstico médico foi feito somente para um pequeno número de sujeitos nesta categoria. Geral­mente, os trabalhadores mais velhos esti­mam seu estado de saúde pior do que os mé­dicos o fazem. As diferenças entre as opiniões ocorreram principal­mente nas doenças musculoesqueléticas e nas doenças mentais.

A Tabela 4 descreve as principais doenças atuais na própria opinião dos sujeitos e com diagnóstico médico por grupo de idade. As principais doenças atuais referidas pelo grupo mais jovem foram mentais, musculoesqueléticas e lesões devido a acidentes. No grupo de mais idade, a maioria das doenças e suas taxas de prevalência foram similares àquelas encontradas no grupo mais jovem. As principais doenças diagnosticadas por médico no grupo mais jovem foram as musculoesqueléticas e as mentais, correspondendo à percepção dos próprios sujeitos. Entretanto, no grupo de mais idade, a doença com maior freqüência de diagnóstico foi a neurológica/sensorial e quase 1/3 teve lesão devido a acidentes. A maior diferença entre a própria opinião dos sujeitos e o diagnóstico médico ocorreu no grupo mais velho. Enquanto houve menos diagnóstico para as doenças musculoesqueléticas e mentais comparado à própria opinião dos sujeitos, houve mais diagnóstico médico de doenças neurológicas e lesões por acidentes do que os próprios sujeitos referiram. As diferenças nas taxas de prevalência foram de quatro vezes nas doenças musculoesqueléticas e mentais.

 

 

O impedimento estimado ao trabalho de­vido a doenças por grupo de idade é apre­sentado na Tabela 5. Há uma leve dife­rença na tendência para as trabalhadoras mais velhas, que precisam de mais ajustes no trabalho do que as trabalhadoras jovens.

 

 

A Tabela 6 apresenta o prognóstico próprio dos sujeitos em relação à sua capacidade para o trabalho para daqui a dois anos por grupo de idade. Existe uma leve tendência das trabalhadoras mais velhas em referir mais freqüentemente a pior categoria: ser improvável conseguir realizar o mesmo trabalho daqui a dois anos.

 

 

A Tabela 7 mostra o escore de pontos em recursos mentais por grupo de idade. O grupo mais jovem referiu melhores recursos mentais que o grupo mais velho, mas não houve diferença estatisticamente significante.

 

 

A Tabela 8 mostra os itens do ICT nos quais foram identificadas diferenças com significância estatística e também a direção destas diferenças.

A ausência por doença registrada segundo os grupos de idade (Tabela 9) foi menor no grupo de 35 a 39 anos de idade do que nos outros dois grupos.

 

 

As ausências por doença com duração de 16 a 60 dias foram mais comuns no grupo mais velho (29,6%), mas o grupo mais jovem teve mais ausências com duração de mais de 61 dias do que os outros dois grupos; 14,5% das ausências duraram mais de 300 dias. Nenhum indivíduo do grupo mais velho esteve ausente por mais de 180 dias. 

As principais razões de ausência devido a doenças no grupo mais jovem foram as doenças musculoesqueléticas (31,8%), as neurológicas, as digestivas e as de pele (9,1% cada). No grupo de idade de 35 a 39 anos, 11,1% tiveram doença musculoesquelética e respiratória, seguidas pelas doenças mentais, digestivas, gênito-urinárias, de pele e endócrinas (7,4% cada). As causas mais comuns de ausência por doença no grupo mais velho foram os tumores (22,2%), seguidos pelas doenças digestivas (18,5%) e pelas doenças mentais (11,1%).

 

Discussão

O escore médio no ICT foi aproximadamente o mesmo nos dois grupos etários. Do grupo mais velho, 14,2% encontravam-se nas categorias "baixa" e "moderada" e 85,8% estavam nas categorias "bom" e "excelente". No grupo mais jovem, 20% estavam na categoria "moderado".

Bellusci et al. (1999) avaliaram a capacidade para o trabalho de trabalhadores forenses brasileiros com média de idade de 36,2 (8,7) anos; entre as trabalhadoras, quase 30% estavam nas categorias "baixa" e "moderada" e 47,2%, na categoria "boa".

Fischer et al. (2000) estudaram trabalhadores de saúde de um hospital filantrópico que fazem trabalhos em turnos. Da amostra, 72,1% eram mulheres e a média de idade foi de 35,9 (8,1) anos. O ICT foi agrupado em duas categorias: adequado (>36,5 pontos) e inadequado (<36,5 pontos). Somente 9,9% das trabalhadoras de saúde obtiveram um "ICT inadequado", o que é bem menos do que o encontrado neste estudo na mesma faixa etária (20%).

O valor de referência finlandês (TUOMI, 1994, 1997 e 1998) do ICT para trabalhadoras em trabalhos com exigências predominantemente mentais no grupo de idade de 50 anos na categoria "boa" é 46%. Em nosso estudo, 53,7% das mulheres de 40 a 54 anos de idade estavam na categoria "boa". Então, as comparações com outros estudos sugerem que o grupo mais jovem nesta pesquisa tem melhor ICT que os trabalhadores forenses brasileiros, mas um ICT pior que trabalhadores de saúde brasileiros. O grupo mais velho neste estudo obteve um ICT melhor que os valores de referência para mulheres finlandesas.

A análise dos itens do ICT mostrou, como esperado, que a capacidade física para o trabalho atual era melhor no grupo mais jovem do que no grupo mais velho. Por outro lado, os recursos mentais no grupo mais velho foram melhores do que no grupo de jovens.

As mulheres mais velhas apreciam suas atividades diárias, conseguem manter-se ativas, alertas e cheias de esperança para o futuro mais freqüentemente do que as mais jovens, com diferença estatisticamente significante.

No grupo mais velho, 42,9% conseguiam freqüentemente apreciar as atividades diárias comparado com somente 4% no grupo mais jovem. A maioria das trabalhadoras fazia tarefas domésticas no lar. No grupo mais jovem, 96% e, no grupo mais velho, 78,6% relataram desenvolver atividades domésticas. No grupo mais jovem, 76% utilizaram mais de 19 horas por semana nestas atividades e, no grupo mais velho, somente 39,6%. A grande quantidade de tarefas domésticas realizadas pelas mulheres mais jovens pode ter influenciado seus recursos mentais.

Apesar das diferenças nos itens do ICT entre os grupos de idade, tanto a capacidade para o trabalho atual comparada com a melhor da vida quanto o valor médio no ICT não estiveram relacionados à idade neste estudo. Esses achados indicam que os resultados piores das mulheres mais velhas em alguns itens foram compensados por melhores resultados em outros. Os trabalhadores mais velhos perceberam sua saúde de maneira pior em relação às avaliações médicas. A diferença mais gritante refere-se às doenças musculoesqueléticas.

Outro estudo brasileiro de capacidade para o trabalho de trabalhadores de uma instituição pública de saúde foi desenvolvido e um projeto de pesquisa a ele relacionado (REPULLO JR. et al., 2003) avaliou a associação entre dores nas costas referidas pelos sujeitos e o diagnóstico médico destes sintomas. As características do trabalho foram analisadas e foram feitos exames médicos, radiografias e ressonância magnética. A opinião dos sujeitos sobre a existência de doença foi confirmada pelos exames médicos.

Geralmente as diferenças entre a própria opinião dos sujeitos pode ser explicada parcialmente pela definição de doença: provavelmente os sintomas (se severos e contínuos) podem ser interpretados como doenças pelos trabalhadores. A informação dos indivíduos é muito importante para os profissionais de saúde ocupacional, tendo em vista a prevenção, já que os sintomas podem ser curados mais facilmente que as doenças.

A principal causa de ausência por doen­ça no grupo mais jovem foi a mesma que a doença mais prevalente de acordo com a própria opinião: as doenças musculoesqueléticas. No grupo mais velho, entretanto, somente as doenças mentais coincidiram com as doenças mais prevalentes. As ausências por doença registradas mostraram que o grupo mais jovem teve as mais longas ausências por doenças: mais de 61 dias no período de um ano, o que não era esperado. Neste caso, a principal causa foi as doenças musculoesqueléticas.

A Organização Mundial de Saúde (WHO, 1993) definiu como trabalhadores em envelhecimento aqueles com 45 anos de idade ou mais (ageing workers). Neste estudo, as trabalhadoras mais velhas tiveram a mesma capacidade para o trabalho que as mais novas e, em alguns itens, estas últimas tiveram pior desempenho que aquelas, como, por exemplo, nos recursos mentais. Em adição, as trabalhadoras mais jovens tiveram as mais longas ausências por doenças.

Estes resultados sugerem que a capacidade para o trabalho das trabalhadoras mais velhas neste Centro de Pesquisa estava melhor que o esperado e que as mulheres mais jovens apresentaram alarmantes evidências de problemas na capacidade para o trabalho. É possível que ações preventivas devam ser iniciadas mais precocemente na vida no trabalho nos países em desenvolvimento do que naqueles desenvolvidos.

Este estudo teve uma baixa taxa de resposta e por isso conclusões definitivas não podem ser feitas. Entretanto, deve-se notar que não há tradição no Brasil de realização deste tipo de estudo em empresas. A situação econômica instável e desafiante do país se reflete na vida de trabalho, afetando a cooperação dos trabalhadores em relação ao desenvolvimento de pesquisas.

Levando em consideração as condições limitantes de não ter havido uma amostra mais representativa nesta pesquisa, este estudo demonstra a necessidade urgente de desenvolvimento de pesquisas sobre a capacidade para o trabalho.

A capacidade para o trabalho desta população trabalhadora selecionada sugere que a análise dos itens do ICT aqui conduzida pode oferecer subsídios para a promoção da capacidade para o trabalho.

A promoção de atividades deve ser planejada para as trabalhadoras das ocupações do grupo "técnicas" de forma a reduzir a carga física de trabalho das trabalhadoras mais velhas e prevenir as doenças musculoesqueléticas e mentais para todos os trabalhadores. Além disso, a opinião das trabalhadoras sobre seus problemas de saúde deve ser utilizada como subsídio para o desenvolvimento de ações com o propósito de prevenção.

 

Agradecimentos

Agradecemos ao Dr. Olli Korkomen, do Finnish Institute of Occupational Health, por sua valiosa contribuição neste estudo, à CAPES, pela bolsa de estudos concedida durante parte dos estudos de doutorado de Maria Silvia Monteiro, ao CNPq, pela bolsa de estudos concedida durante o período de estágio de Maria Silvia Monteiro no Occupational Health, e à FAPESP, por apoiar a participação de Maria Silvia Monteiro no 1st Symposium of Work Ability, em 2001, Tampere, Finlândia.

 

Referências bibliográficas

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1 Este trabalho é uma versão para o português do artigo Work ability, health and sickness absence of Brazilian female workers in a research centre by age group, de Monteiro, Ilmarinen e Gomes, publicado originalmente em inglês Past, present and future of work ability: proceedings of the 1st International Symposium on Work Ability, 5-6 september 2001, University of Tampere, Finland, na série People and Work Research Reports 65. Helsink: Finnish Institute of Occupational Health, 2004.p.60-70. Sua publicação em português foi autorizada pelos editores.

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