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Entomología y Vectores

Print version ISSN 0328-0381On-line version ISSN 1980-5349

Entomol. vectores vol.11 no.4 Rio de Janeiro Oct./Dec. 2004

https://doi.org/10.1590/S0328-03812004000400009 

NOTA DE PESQUISA RESEARCH NOTE

 

Flebotomíneos de municípios do norte do estado do Paraná, sul do Brasil

 

Sandflies of municipalities in North of Paraná State, South of Brazil

 

 

Norberto Assis MembriveI; Gesse RodriguesI; Umberto MembriveI; Wuelton Marcelo MonteiroII; Herintha Coeto NeitzkeII; Maria Valdrinez Campana LonardoniII; Thaís Gomes Verzignassi SilveiraII; Ueslei TeodoroII

ISecretaria de Saúde do Paraná, 16ª Regional de Saúde de Apucarana, Núcleo de Entomologia Médica de Arapongas, Rua das Pombas 1294, Centro, CEP: 86701-410 Arapongas, Paraná, Brasil
IIDepartamento de Análises Clínicas da Universidade Estadual de Maringá, Av. Colombo 5790, CEP: 87020-900 Maringá, Paraná, Brasil. Email: uteodoro@uem.br

 

 


ABSTRACT

This work reports the results of sandfly collections in several places, during 2001 and 2002, in Bom Sucesso, Jardim Alegre, Kaloré, Londrina and Sabáudia municipalities, North of the State. The sandflies catches were performed with Shannon and Falcão traps in domiciliary areas, domestic animal shelters, barns and in the forest. A total of 4,019 specimens of 8 species were captured. Nyssomyia whitmani predominates in all of the municipalities. The species Migonemyia migonei, Nyssomyia neivai and N. whitmani may be involved in the epidemiology of American Tegumentary Leishmaniasis in this state.

Key words: American Tegumentary Leishmaniasis, Nyssomyia whitmani, insect vectors, sandflies


 

 

A leishmaniose tegumentar americana (LTA) tem recrudescido na América Latina, principalmente no Brasil, onde o número de casos chegou a 490.606, no período de 1980 a 2001 (Ministério da Saúde, 2003). Nesse período, 10.384 casos foram notificados na Região Sul, representando 2,1% dos casos do Brasil, dos quais 10.345 (99,6%) foram no estado do Paraná (Ministério da Saúde, 2003), onde a LTA é conhecida desde o início do século passado com registro de casos até o final da década de 50. A doença voltou a ser notificada em 1980, principalmente nas regiões norte e oeste do estado do Paraná (Lima et al., 2002).

A notificação da LTA em diversos municípios no norte do estado do Paraná mostra a necessidade de estudar a diversidade da fauna e a freqüência de flebotomíneos no ambiente domiciliar, em abrigos de animais domésticos e nas matas remanescentes, nas áreas onde essa doença é endêmica, tendo em vista a busca de meios para diminuir a densidade da população de flebotomíneos no domicílio e peridomicílio.

Coletaram-se flebotomíneos nos municípios de Bom Sucesso, Jardim Alegre, Kaloré, Londrina e Sabáudia. no norte do estado do Paraná, localizados entre 51º e 52º longitude Oeste e 23º e 24º5' latitude Sul (Fig. 1). Nas localidades onde foram feitas as capturas de flebotomíneos (Tab. I), foram registrados casos de LTA em mulheres, crianças de ambos os sexos e cães. Estas localidades foram selecionadas para o estudo da epidemiologia da LTA porque a paisagem ambiental tem um perfil favorável à transmissão, domiciliar ou peridomiciliar, de Leishmania. Este tipo de paisagem compreende as áreas rurais onde, na maioria das vezes, há grande proximidade de domicílios e anexos (galinheiros, chiqueiros, paióis e outros) de matas remanescentes, com a possibilidade de persistirem focos enzoóticos de Leishmania. Este "modus vivendi" é fruto da colonização de paulistas e mineiros que provinham geralmente da zona rural, dedicando-se ao cultivo do café, substituído, mais tarde, por outras culturas; desenvolviam, ainda, uma agricultura de subsistência, nos moldes tradicionais do pomar com bananeiras e cítricos, das roças de milho, mandioca e feijão; no peridomicílio tinham galinheiros, chiqueiros de porcos e estábulos, sempre dispostos muito próximos à residência. Esta forma de ocupação, semelhante à descrita para o "Norte Velho", no estado do Paraná (IPARDES/PARANÁ, 2003), perdura até hoje, constituindo um ambiente que possibilita a formação de criadouros de flebotomíneos (vetores) nas áreas de solos úmidos e com acúmulo de matéria orgânica, como freqüentemente acontece no peridomicílio.

 

 

As coletas de flebotomíneos foram feitas com armadilhas luminosas de Shannon e Falcão nos municípios supramencionados, em os mais distintos períodos, geralmente, durante 4 horas, entre 18:00 e 23:00 horas (Tab. I). A armadilha de Shannon foi instalada sempre ao lado de uma residência, enquanto as armadilhas de Falcão foram instaladas em residências, pocilgas, galinheiros e tulhas, uma vez que estes ecótopos são muito comuns nas áreas rurais onde se realizaram as coletas de flebotomíneos. Os flebotomíneos coletados foram acondicionados em pequenas caixas de papelão e, posteriormente, processados e identificados no laboratório do Núcleo de Entomologia da 16ª Regional de Saúde de Apucarana, situado na cidade de Arapongas. A nomenclatura das espécies segue Galati (1995).

Nota-se na tabela I que foram coletadas as 8 espécies seguintes de flebotomíneos: Expapillata firmatoi (Barretto, Martins & Pellegrino, 1956), Pintomyia fischeri (Pinto, 1926); Migonemyia migonei (França, 1920); Pintomyia monticola (Costa Lima, 1932), Nyssomyia neivai (Pinto, 1926), Pintomyia pessoai (Coutinho e Barretto, 1940), Psathyromyia shannoni (Dyar, 1929) e Nyssomyia whitmani (Antunes e Coutinho, 1939). Em Bom Sucesso coletou-se o maior número de espécies e em Kaloré, o menor. As espécies M. migonei, N. neivai, N. whitmani, P. fischeri e P. pessoai foram coletadas em quase todos os municípios, representando 99,1% dos flebotomíneos coletados.

Verifica-se na tabela I que, na armadilha de Shannon, o maior número de flebotomíneos (1.748 exemplares) foi coletado no Sitio Toca do Beija-Flor, município de Londrina. Nas armadilhas de Falcão destaca-se o Sítio Bananal (798 exemplares), no município de Bom Sucesso.

Nota-se que N. whitmani prevaleceu em todas as localidades (Tab. I). N. neivai foi a segunda espécie mais freqüente nos municípios de Bom Sucesso e Sabáudia, enquanto M. migonei foi a segunda nos demais municípios. N. whitmani (82,6%), N. neivai (6,7%) e M. migonei (5,0%) foram as espécies mais freqüentes, representando 94,3% do total de flebotomíneos coletados.

Provavelmente, o número de espécies de flebotomíneos nesses municípios seja maior do que o constatado, uma vez que as horas de coletas foram poucas em cada um deles. A presença de grande número de flebotomíneos no domicílio e peridomicílio, assim como a prevalência de N. whitmani ou de N. neivai são fatos notórios no norte do Paraná (Luz et al., 2000; Teodoro et al., 2001a; 2001b; 2003).

M. migonei, N. neivai, N. whitmani, P. fischeri e P. pessoai têm sido constantes em ambientes antrópicos em áreas endêmicas de LTA, no estado do Paraná (Luz et al., 2000; Teodoro et al., 2001a; 2001b; 2003). Como as espécies M. migonei e N. whitmani já foram assinaladas com infecção natural por protozoários do gênero Leishmania, em outras regiões do Brasil (Azevedo et al., 1990a; 1990b), não se descarta a possibilidade desses flebotomíneos estarem envolvidos na transmissão desses protozoários nos municípios em pauta. Ressalte-se que a espécie Leishmania (Viannia) braziliensis já foi isolada de N. whitmani, no norte de Paraná (Luz et al., 2000). O flebotomíneo descrito nesta região como N. neivai é parte do complexo L. intermedia s.l. (Marcondes, 1996), daí a possibilidade da primeira espécie também estar envolvida na epidemiologia da LTA nesse estado.

Apesar das alterações antrópicas serem muito acentuadas nas áreas onde foram feitas as coletas de flebotomíneos, as condições ambientais que permitem o ciclo biológico de Leishmania continuam a existir no norte do Paraná. O que se comprova, em parte, pela ocorrência de casos humanos e caninos de LTA e pela presença das espécies M. migonei, N. neivai e N. whitmani no domicílio e peridomicílio, já que essas espécies podem estar envolvidas na epidemiologia da LTA, nesse estado.

Resumindo, coletaram-se 8 espécies de flebotomíneos, com a presença de M. migonei, N. neivai, N. whitmani e P. fischeri em quase todas as localidades; verificou-se que há grande freqüência de flebotomíneos no domicílio e peridomicílio. Sugere-se que no estado do Paraná, nas áreas endêmicas de LTA, se implante a vigilância entomológica e venham a ser adotadas medidas de controle para baixar a densidade da população de flebotomíneos no domicílio e peridomicílio.

 

Referencias Bibliográficas

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Recebido em: 11/08/2004.
Aceito em: 09/10/2004.
Com auxílio do CNPq Proc nº 400227/99-1, Fundação Araucária, Fundação Nacional de Saúde

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