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Anais Brasileiros de Dermatologia

On-line version ISSN 1806-4841

An. Bras. Dermatol. vol.77 no.5 Rio de Janeiro Sept./Oct. 2002

http://dx.doi.org/10.1590/S0365-05962002000500002 

EDUCAÇÃO MÉDICA CONTINUADA

 

Genética Molecular das Epidermólises Bolhosas*

 

 

Hiram Larangeira de Almeida Jr.

Professor Adjunto de Dermatologia, Universidade Federal de Pelotas

Endereço para correspondência

 

 


RESUMO

O estudo das alterações moleculares das epidermólises bolhosas tem contribuído para que se compreenda melhor essas enfermidades. Na epidermólise bolhosa simples a maioria dos casos está associada com alteração nas citoqueratinas basais 5 (gen KRT5) e 14 (gen KRT14), o que modifica o citoesqueleto na camada basal da epiderme, levando à degeneração dessa camada, formando bolha intra-epidérmica. Mutações na plectina (gen PLEC1), componente da placa interna do hemidesmossoma, levam também à clivagem intra-epidérmica. Na epidermólise bolhosa juncional vários gens estão envolvidos, em decorrência da complexidade da zona da membrana basal, todos levando ao descolamento dos queratinócitos basais na lâmina lúcida, pela disfunção da aderência entre esses e a lâmina densa. Alterações na laminina 5 (gens LAMA3, LAMB3 e LAMC2), integrina a6b4 (gens ITGA6 e ITGB4) e colágeno XVII (gen COL17A1) foram descritas. Por fim, na epidermólise bolhosa distrófica apenas um gen está mutado, alterando o colágeno VII (gen COL7A1), principal componente das fibrilas ancorantes, produzindo clivagem abaixo da lâmina densa, variando fenotipicamente de acordo com a conseqüência da mutação. Outra aplicação importante dessas informações refere-se ao diagnóstico pré-natal, com a perspectiva no futuro da terapia gênica.

Palavras-chave: Diagnóstico pré-natal; epidermólise bolhosa; genética bioquímica; mutação; reação em cadeia da polimerase.


 

 

INTRODUÇÃO

Antes da descoberta e padronização da reação em cadeia da polimerase (PCR) o seqüenciamento gênico era tarefa lenta, levando-se muito tempo para analisar pequenos segmentos. A PCR permite a amplificação rápida de segmentos de DNA, os quais são posteriormente seqüenciados, tendo trazido enorme evolução nessa área. Por ocasião dessa revisão, ao se utilizar PCR como palavra-chave no Medline, estavam disponíveis mais de 150.000 publicações com essa técnica, num período de pouco mais de 12 anos, ilustrando a importância da mesma na pesquisa médica.

O princípio da PCR é bastante simples: o primeiro passo é o isolamento de DNA, por exemplo a partir de sangue, fazendo uso de sua insolubilidade e precipitação em alguns solventes e de sua hidrossolubilidade, havendo comercialmente vários kits para essa função.

Posteriormente uma parte do DNA obtido é incubado com uma polimerase termorresistente (já que o mesmo é aquecido para que a cadeia dupla se desfaça) juntamente com seqüências conhecidas de DNA, os chamados primers (iniciadores). Havendo no DNA em questão seqüência igual à do primer, a polimerase amplificará esse segmento de DNA. Os nucleotídeos (adenina, timidina, citosina e guanina) fazem parte da reação, para que obviamente a enzima tenha a matéria-prima necessária à polimerização. Ciclos de aquecimento e resfriamento são repetidos inúmeras vezes, aumentando cada vez mais o produto da PCR. Posteriormente é feita eletroforese para identificar a presença de uma banda de DNA, mostrando a positividade ou não da reação.

Numa etapa posterior o produto obtido pela PCR é seqüenciado, o que é feito com uma variante da PCR. O seqüenciamento é atualmente automatizado, sendo feita uma leitura a laser, obtendo-se gráficos policromáticos, representando a cor azul, citosina; a cor vermelha, timidina; o preto, guanina; e o verde, adenina (Figura 1). A comparação do resultado obtido no paciente investigado e em seus genitores com a seqüência normal do gen pode demonstrar mutação e o padrão da herança.

 

 

Cada conjunto de três bases do DNA codifica um aminoácido para a síntese protéica no ribossoma; havendo uma mutação, ou seja, a troca de uma base, haverá durante a síntese protéica a inserção de outro aminoácido, alterando a estrutura da proteína, com as conseqüências que isso pode acarretar.

Inúmeros gens já foram seqüenciados, estando sua composição disponível em bancos de dados digitais. O mais utilizado é o Genbank, do Centro Nacional de Informação em Biotecnologia dos Estados Unidos, disponível no endereço eletrônico: www.ncbi.nlm.nih.gov.

As mutações são descritas citando-se os aminoácidos ou as bases envolvidas. Primeiro é citado o aminoácido/base que deveria constituir a proteína/gen, seguido por um número, o qual corresponde à localização do mesmo na proteína/gen investigado, e por fim o aminoácido/base inserido no lugar do primeiro, como, por exemplo, Glu20Arg, ou seja, o vigésimo aminoácido deveria ser uma glutamina, mas a mutação leva à inserção na proteína de uma arginina, o que altera sua estrutura. Algumas seqüências de bases codificam o final da síntese protéica; uma mutação pode levar a essa interrupção, o chamado premature termination codon (códon finalizador prematuro), a qual é descrita da seguinte forma: Lys472Stop, ou seja, em vez da inserção de uma lisina, na posição 472, foi interrompida a síntese protéica. Encontram-se também descrições abreviadas com apenas uma letra, sendo a interrupção da síntese descrita com X; o exemplo acima ficaria L472X.

As dermatoses bolhosas são capítulo fascinante da dermatologia, constituídas por defeitos adquiridos ou natos da adesão intra-epidérmica ou dermoepidérmica, levando a bolhas espontâneas ou provocadas por trauma mínimo, decorrentes do defeito dessa adesão.

Nas epidermólises bolhosas (EB) esses defeitos são natos e podem ser identificados por seqüenciamento gênico, o que traz maior compreensão à base molecular das mesmas,1,2 complementa o diagnóstico clínico-histológico e talvez a médio prazo modifique em parte a classificação dessas dermatoses.

Três subgrupos de EB são reconhecidos:2 a epidermólise bolhosa simples (EBS), na qual a clivagem ocorre dentro da epiderme; a epidermólise bolhosa juncional (EBJ), cuja clivagem é subepidérmica, na lâmina lúcida; e a epidermólise bolhosa distrófica (EBD), sendo também subepidérmica, mas abaixo da lâmina densa. A EBJ e a EBD não podem ser diferenciadas apenas por microscopia ótica. Existem diversas classificações, sendo adotada aqui a do segundo consenso international sobre diagnóstico e classificação das epidermólises bolhosas.3

Epidermólise Bolhosa Simples

O grupo da EBS tem vários subtipos de acordo com a intensidade e localização das bolhas, sendo todos de herança autossômica dominante;4 são também chamados de EB epidermolítica, pois o defeito é intra-epidérmico.3 O aspecto histológico mais comumente encontrado é a degeneração da camada basal, na ausência de infiltrado inflamatório e sem depósito de anticorpos no tecido.

A forma mais grave da EBS é a Dowling-Meara (EBS-DM),5 na qual bolhas disseminadas, envolvendo também as mucosas, são acompanhadas de hiperqueratose palmoplantar. A forma mais leve é a Weber-Cockayne (EBS-WC) com lesões restritas às palmas e plantas.5 Existe uma forma intermediária com bolhas disseminadas, mas com quadro menos intenso do que o da EBS-DM, denominado EBS - Koebner (EBS-K), que certos autores consideram variante leve da EBS-DM.6

Algumas citoqueratinas são expressadas nas células epiteliais aos pares,7 os quais formam heterodímeros, ou seja, a união das duas moléculas, configurando o citosqueleto dos epitélios, havendo especificidade de acordo com o epitélio envolvido.7 A camada basal diferencia-se de outros epitélios e dos segmentos suprabasais da epiderme pela expressão das citoqueratinas 5 e 14.

As citoqueratinas 5 e 14 são reguladas pelos gens KRT5 e KRT14, localizados nos cromossomas 17 e 12, respectivamente. É interessante observar que defeitos genéticos distintos na EBS, um afetando a citoqueratina 5, outro, a 14,6,8,9 levam à mesma alteração histológica, pois todos esses defeitos produzem alterações estruturais de uma ou outra citoqueratina,10 impedindo a função estrutural das mesmas no citoesqueleto 11 - a formação dos heterodímeros, responsáveis pela configuração tridimensional da célula. Essa alteração é vista facilmente na histologia e culmina com a formação das bolhas, sendo esse o único subgrupo das EB decorrente de citólise e não de defeito de adesão.

As citoqueratinas são constituídas por quatro segmentos helicoidais, 1A, 1B, 2A e 2B,12 tendo sido a maioria das mutações da EBS-DM descrita no início do segmento 1A e no final do segmento 2B (Figura 2)13,14 das citoqueratinas basais. As mutações da EBS-K têm localização semelhante,15 reforçando a hipótese de ser variante da EBS-DM. Na EBS-WC a maioria das mutações localiza-se no segmento não-helicoidal entre 1B e 2A das mesmas citoqueratinas, sem que com isso se explique a localização palmoplantar das lesões.

Um quarto tipo de EBS é descrito, no qual não ocorre citólise na camada basal. É a EBS com distrofia muscular tardia, decorrente de alteração da plectina, presente na placa interna do hemidesmossoma (Figura 3). Como a clivagem ocorre dentro da epiderme, é incluída nesse grupo. A plectina é regulada pelo gen PLEC11 e está também envolvida no citoesqueleto da musculatura lisa,16 daí a miopatia associada.1,17 Outro componente da placa interna do hemidesmossoma é o antígeno do penfigóide bolhoso de 230 KD de peso molecular, não havendo até o momento descrição de mutação no gen que o regula.1

Epidermólise Bolhosa Juncional

Dada a complexidade da zona da membrana basal, alterações de várias proteínas envolvidas na adesão dermoepidérmica podem levar aos diversos quadros clínicos da EBJ; para que se compreendam essas alterações moleculares, é importante conhecer as substâncias responsáveis pela adesão entre os queratinócitos basais e o colágeno IV- a lâmina densa (Figura 3).

Na placa externa do hemidesmossoma encontram-se o antígeno do penfigóide bolhoso de 180 KD e a integrina a6b4, os quais são proteínas transmembranosas.18

O antígeno do penfigóide bolhoso de 180 KD é na realidade um colágeno transmembranoso, sendo denominado colágeno XVII, e é regulado pelo gen COL17A1.1 Cada segmento da integrina a6b4 é regulado por dois gens distintos, ITGA6 e ITGB4, sendo a mesma expressa na pele e no tubo digestivo.1,18

Finalmente algumas substâncias presentes na lâmina lúcida complementam essa rede molecular,1 sendo a mais importante a laminina 5. As lamininas são heterotrímeros, ou seja, são constituídas por três classes distintas de polipeptídeos a, b e g,18-20 e daí reguladas por três gens. A laminina 5 é composta por uma classe a3, uma b3 e uma g2, reguladas pelos gens LAMA3, LAMB3 e LAMC2, respectivamente.

A ausência ou alteração dessas substâncias produz a ruptura dessa rede de adesão, com a formação das bolhas.2 De algumas mutações decorre o chamado "premature termination codon" (PTC), o que provoca a interrupção da síntese protéica e conseqüentemente a ausência da proteína no tecido, com quadro clínico mais grave.

Várias correlações genofenotípicas já foram feitas. Como a integrina a6b4 é expressa na pele e no intestino, suas mutações levam a formas de EBJ com atresia pilórica, sendo o quadro clínico variável de acordo com sua associação com PTC ou não.

Na EBJ generalizada atrófica benigna, caracterizada por bolhas disseminadas com distrofia ungueal, na qual a imuno-histoquímica com anticorpo contra o colágeno XVII é negativa, foi demonstrada PTC no gen COL17A,1,21 o que correlaciona com a ausência tecidual do colágeno XVII. Alguns autores denominam essa forma, por ter curso brando e expectativa de vida normal, de EBJ não-Herlitz.21,22

Semelhante às mutações dos componentes do hemidesmossoma descritas acima, as mutações da laminina também provocam o descolamento da epiderme. A maior parte das mutações dos gens da laminina 5 leva à PTC, provocando ausência da proteína e quadro clínico intenso,23,24 caracterizado por lesões disseminadas afetando também as mucosas,23 com sobrevida curta em função das complicações bacterianas, denominadas EBJ tipo Herlitz ou EBJ letal.

As alterações já foram demonstradas no três gens que codificam a laminina 5,25 não havendo diferença fenotípica de acordo com o segmento envolvido,26 sugerindo que todos são importantes para a função adesiva da mesma.26,27 Oitenta por cento das mutações residem no gen LAMB3,22,24,28-30 havendo duas delas recorrentes (R635X e R42X),26,28 as quais perfazem metade das mutações no LAMB3.1 Nesse gen já foram relatadas 35 mutações diferentes.22

Existem relatos de mutação da laminina 5 em pacientes nos quais a imuno-histoquímica consegue demonstrar diminuição da laminina 5, e não ausência, como na EBJ-Herlitz, e, em decorrência disso, o quadro clínico não é tão grave.31,32 Essas formas têm sido também denominadas EBJ não-Herlitz,33 as quais clinicamente são semelhantes às formas decorrentes da mutação do colágeno XVII.33

Todas as formas de EBJ são autossômicas recessivas.23

Epidermólise Bolhosa Distrófica

A característica clínica principal das EBD são as cicatrizes decorrentes da perda tecidual, pois a clivagem ocorre abaixo da lâmina densa.34 Como nos outros grupos, há variantes de acordo com o quadro clínico; apesar dessas variantes, o defeito genético foi localizado em um único gen, o COL7A1.35 Esse gen é responsável pela codificação do colágeno VII, principal constituinte das fibrilas ancorantes,35 as quais participam da aderência da lâmina densa com a derme (Figura 3), daí também a denominação EB dermolítica. Nesse grupo existem formas com herança autossômica dominante e recessiva.

Para que se entenda a correlação entre genótipo e fenótipo na EBD é necessário que se entenda também o papel do colágeno VII na adesão dermoepidérmica.

O mesmo é produzido pelos queratinócitos e possui uma tripla hélice de colágeno, precedida e seguida por segmentos não colágenos (NC-1 e NC-2, respectivamente).36,37 No centro da tripla hélice há pequeno segmento não colágeno, o qual provavelmente dá flexibilidade à proteína. Posteriormente, no nível extracelular, ocorrerá com duas dessas moléculas uma fusão com perda do segmento NC-2, formando dímeros antiparalelos. A união de vários dímeros forma as fibrilas ancorantes34,36,37 (Figura 4).

 

 

Três subtipos da EBD estão bem caracterizados: a EBD recessiva Halloupeau-Siemens (EBD-RHS), com quadro clínico intenso, produzindo retrações acrais com sinéquia dos dígitos e acometimento do tubo digestivo;37 a EBD recessiva Mitis (EBD-RM), na qual a intensidade do quadro clínico é bem menor em comparação ao da EBD-RHS, com lesões localizadas nas áreas de maior trauma, como joelhos e extremidades; e a forma dominante (EBD-D), com quadro semelhante ao da EBD-RM,37 associada com distrofia ungueal e, em alguns casos, com lesões albo-papulóides.

A microscopia eletrônica e a caracterização imuno-histoquímica com anticorpos contra colágeno VII mostram alteração nas fibrilas ancorantes, indo da ausência das mesmas, na EBD-RHS, à diminuição nas formas mais leves, EBD-RM e EBD-D.38 Em alguns casos a imuno-histoquímica é positiva, sem que se observe as fibrilas ancorantes na microscopia eletrônica, o que demonstra a presença de parte da molécula, mas com alteração de sua estrutura.38

A identificação das mutações responsáveis pela EBD trouxe maior compreensão a esse espectro (Figura 5).

Na EBD-RHS a alteração genética é uma PTC, com conseqüente interrupção na síntese do colágeno VII,39 o que correlaciona com a intensidade do quadro clínico e com os achados de microscopia eletrônica e imuno-histoquímica, com os quais não se detectam as fibrilas ancorantes.34,37

Na EBD-RM a maior parte das mutações ocorre no final do segmento colágeno e no NC-2, interferindo na formação dos dímeros antiparalelos, alterando a conformação da proteína, estando, porém, presente, decorrendo um quadro clínico mais leve e a presença de fibrilas ancorantes na microscopia eletrônica.37,40

Na EBD-D a alteração característica é a substituição de uma glicina no segmento colágeno,41,42 alterando sua estabilidade e talvez propiciando sua degradação.36,37,43 Como na EBD-RM, as fibrilas ancorantes estão presentes, mas com sua função comprometida. A maior parte das mutações localiza-se logo depois do segmento não colágeno do centro da tripla hélice;42 a mutação G2043R é a mais comumente descrita.36,41 Também já foi demonstrado que a alteração funcional da fibrila ancorante depende da localização da substituição da glicina,34,44 o que, por sua vez, contribui para a variabilidade clínica. Não existe explicação convincente a respeito de por que a substituição de glicina é herdada de forma dominante.

A maioria dos casos da forma pré-tibial da EBD é autossômica dominante, tendo sido descrita também a substituição de glicina.45 Casos recessivos foram igualmente publicados,45 podendo ser considerados variantes das formas leves de EBD, não se sabendo o porquê da ocorrência localizada das lesões.

Cerca de 100 mutações diferentes já foram descritas na EBD,34 sendo encontradas em 80% dos casos examinados.37 Assim como nas outras formas de EB, algumas mutações não se enquadram no esquema acima exposto, pois, por exemplo, algumas substituições de glicina foram encontradas na EBD-RM;37,40,41 razão de, nesses casos, os genitores que apresentam essa substituição de glicina serem normais, ou seja, a mutação não ser dominante, só se expressando de forma recessiva, com a herança de dois alelos mutados, e até o momento não pôde ser esclarecida.41

Alguns quadros clínicos intermediários, de difícil classificação clínica, já foram também descritos com essas mutações incomuns, como, por exemplo, EBD recessiva com uma PTC em um alelo e uma substituição de glicina em outro.46

 

DISCUSSÃO

Os novos aspectos moleculares, tanto gênico quanto protéico, mostram o quão variado é o espectro da EB (Tabela 1). Na EBS os defeitos genéticos das citoqueratinas basais produzem alteração histológica em função da modificação do citoesqueleto na camada basal da epiderme, sendo que a alteração da plectina, componente da placa interna do hemidesmossoma, também leva à clivagem intra-epidérmica. Na EBJ vários gens estão envolvidos, devido à complexidade da zona da membrana basal, mas todos levam ao descolamento dos queratinócitos basais da lâmina densa, ou seja, a clivagem ocorre na lâmina lúcida. Por fim, na EBD apenas um gen está mutado, alterando o colágeno VII, sendo a clivagem abaixo da lâmina densa, mas, mesmo, assim variando fenotipicamente, de acordo com a conseqüência da mutação.

Apesar de contribuir com importantes avanços na compreensão dessas enfermidades, o seqüenciamento gênico deve ser utilizado em conjunto com a clínica, histologia, microscopia eletrônica e a imuno-histoquímica no diagnóstico da EB.47

Outra aplicação importante da genética molecular ocorre no diagnóstico pré-natal (DPN),2,48 examinando-se o DNA fetal obtido do córion e não a pele fetal. O DPN feito a partir das lesões necessita da obtenção de fragmento da pele, o qual deve ser representativo da enfermidade, para evitar resultado falso-negativo, devendo-se esperar até a décima oitava ou vigésima semana.43 O seqüenciamento tem a vantagem de poder ser feito em torno da décima semana, o que permite, nos países em que a gestação pode ser interrompida nessas situações, decisão mais precoce. Além disso as complicações da fetoscopia com biópsia ocorrem entre quatro e 7% dos casos, e na biópsia coriônica em 1%.43

O seqüenciamento genético já foi utilizado no DPN de todas as formas de EB,23,24,43,49-51 já tendo sido também realizado antes da implantação, a partir de célula obtida de embrião com número de células variável de cinco a oito.52 Aconselhamento genético é outra aplicação importante dessas novas informações, pois ajuda a esclarecer o padrão de herança, principalmente tratando-se de mutações freqüentes e bem conhecidas. Também no caso de mutações de novo, quando o exame do DNA dos genitores é normal e a mutação só é encontrada no paciente, pode-se afirmar que o risco para uma próxima gestação é muito baixo. Com relação à prole do paciente, dependerá do tipo da mutação encontrada, dominante ou recessiva,42 ou seja, presente em um só alelo ou em dois.

Em função dessas recentes informações sobre a expressão gênica,53 novas perspectivas terapêuticas existem para as EB, embora ainda em fase experimental. Já há relatos da manipulação ex vivo de queratinócitos de portadores de EBJ, incapazes de produzir a cadeia b3 da laminina 5, os quais, após transferência gênica, se mostraram capazes - ainda que transitoriamente - de sintetizá-la, abrindo novas perspectivas terapêuticas para esse grupo de genodermatoses.54 Modelo animal com ratos transgênicos, simulando a doença humana, tem acrescentado informações relevantes na pesquisa das EB.10,12

Alguns autores consideram que as correlações entre genótipo e fenótipo estejam apenas começando34 e que a expansão dos bancos de dados sobre as alterações gênicas seja de extrema importância, pois permitirá, cada vez mais, que se melhore essa correlação e talvez até se reclassifique, com base em aspectos moleculares, parte das genodermatoses.38

 

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Endereço para correspondência
Prof. Dr. Hiram Larangeira de Almeida Jr.
Departamento de Medicina Especializada
Faculdade de Medicina da UFPEL
Av. Duque de Caxias, 250
Pelotas RS 96030-002
E-mail: hiramalmeidajr@hotmail.com

Recebido em 30.01.2002.
Aprovado pelo Conselho Consultivo e aceito para publicação em 30.07.2002.

 

 

* Trabalho realizado com bolsa de pós-doutorado da Capes e da Fundação Alexander von Humboldt, no Laboratório de Diagnóstico Genético, Universidade de Colônia, Alemanha (Serviço do Prof. Thomas Krieg)

 

 

Questões e Resultados das Questões

Assinale a alternativa correta:

1. Qual a herança genética no grupo da EBS?

a) autossômica dominante

b) autossômica recessiva

c) ligada a X dominante

d) ligada a X recessiva

e) poligênica

2. Com respeito à EBS qual dos achados abaixo não é encontrado?

b) clivagem sub-epidérmica

c) ausência de infiltrado inflamatório

d) ausência de anticorpos no tecido

e) citólise

3. Quais das proteínas abaixo está alterada no grupo da EBS?

a) citoqueratina 14

b) citoqueratina 10

c) laminina 5

d) colágeno XVII

e) colágeno VII

4. Qual manifestação extra-cutânea está descrita na EBS?

a) atresia de piloro

b) porfíria cutânea tarda

c) paralisia espástica

d) distrofia muscular tardia

e) estenose de esôfago

5. Em que parte do gen das citoqueratinas basais localiza-se a maioria das mutações da EBS- Weber-Cockayne?

a) no início do segmento 1A

b) no final do segmento 2B

c) no segmento não-helicoidal entre 1B e 2A

d) no início do segmento 2B

e) no final do segmento 1A

6. Qual a herança genética no grupo da EBJ?

a) autossômica dominante

b) autossômica recessiva

c) ligada a X dominante

d) ligada a X recessiva

e) poligênica

7. Em qual das proteínas abaixo não foi ainda descrita mutação?

a) plectina

b) antígeno do penfigóide bolhoso de 180 KD

c) antígeno do penfigóide bolhoso de 230 KD

d) laminina 5

e) integrina a6b

Assinale a alternativa incorreta:

8. Qual manifestação extra-cutânea está descrita na EBJ?

a) atresia de piloro

b) megacólon

c) estenose de esôfago

d) distrofia muscular tardia

e) acloridria

9. Assinale a alternativa falsa.

a) As mutações tipo premature termination códon (PTC), levam à interrupção da síntese proteica com ausência da proteína no tecido e quadro clínico mais grave

b) As mutações já foram demonstradas nos três gens que codificam a laminina 5, não havendo diferença fenotípica de acordo com o segmento envolvido

c) O antígeno do penfigóide bolhoso de 180 KD é um colágeno transmembranoso

d) No grupo da EBJ não ocorrem mutações recurrentes

e) A integrina a6b é uma proteína transmembranosa

10. Qual proteína está envolvida na EBJ tipo Herlitz ou EBJ Letal?

a) integrina a6b4

b) colágeno XVII

c) laminina 5

d) plectina

e) colágeno VII

11. Em qual das formas abaixo da EB apenas um gen está mutado?

a) Epidermólise Bolhosa Simples

b) Epidermólise Bolhosa Juncional

c) Epidermólise Bolhosa Epidermolítica

d) Epidermólise Bolhosa Distrófica

e) Epidermólise Bolhosa Adquirida

12. Qual alteração foi demostrada na EBJ generalizada atrófica benigna?

a) PTC no gen COL17A1

b) mutação no gen LAMB 3

c) mutação nos gens ITGA6 e ITGB4

d) PTC no gen LAMC2

e) PTC no gen COL7A1

13. A laminina 5 é um:

a) heterodímero

b) dímero antiparalelo

c) colágeno transmembranoso

d) heterotrímero

e) componente da placa interna do hemidesmossoma

14. Na EBD a clivagem ocorre:

a) intraepidérmica

b) na lâmina lúcida

c) acima da lâmina densa

d) na placa interna do hemidesmossoma

e) abaixo da lâmina densa

15. Assinale a alternativa correta com relação à EBD.

a) Várias proteínas encontra-se mutadas

b) Apenas uma proteína está mutada, o que leva somente a um quadro clínico

c) A herança pode ser autossômica dominante ou recessiva

d) As fibrilas ancorantes estão sempre ausentes

e) A mutação leva sempre a PTC

16. Com relação EBD recessiva Halloupeau-Siemens qual alternativa é falsa?

a) A microscopia eletrônica mostra ausência das fibrilas ancorantes

b) A imuno-histoquímica com anticorpos contra o colágeno 7 é negativa

c) Ocorre uma PTC no gen COL7A1 com conseqüente interrupção na síntese do colágeno VII

d) O quadro clínico é leve com lesões nos joelhos e cotovelos

e) Ocorre sinéquia nas extremidades

17. Assinale a alternativa correta

a) Na EBD-D não são encontradas mutações recorrentes

b) Na EBD-Dominante a substituição de glicina esclarece a herança autossômica dominante

c) Nas diferentes formas de EB as mutações do tipo PTC levam a quadros clínicos mais leves

d) Na EBD-Dominante a alteração encontrada é uma substituição de glicina no segmento colágeno

e) A localização da substituição de glicina não contribui para a variabilidade clínica na EBD-Dominante

18. Qual das formas de EB não é decorrente do defeito de adesão e sim por citólise?

a) Epidermólise Bolhosa Simples

b) Epidermólise Bolhosa Juncional

c) Epidermólise Bolhosa Distrófica

d) Epedermólise Bolhosa Dermolítica

e) Epidermólise Bolhosa Adquirida

19. Com relação à utilização do sequenciamento gênico a partir do corion no diagnóstico pré-natal, assinale a alternativa falsa.

a) Não necessita de biópsia da pele

b) As complicações ocorrem em 1 % dos casos

c) Pode ser realizado ainda antes da implantação

d) Pode ser utilizado em todas as formas de EB

e) Deve ser feito na 20a semana

20. Assinale a alternativa correta

a) Nas mutações de novo o risco para a prole do paciente é muito baixo

b) A manipulação ex vivo de células de portadores de EB não é possível

c) Modelo animal com ratos transgênicos tem ajudado a esclarecer a patogenia das diversas formas de EB

d) Na EB não ocorrem mutações de novo

e) O sequenciamento gênico substitui outros exames no diagnóstico da EB

 

GABARITO

Eritema Nodoso Hansênico: atualização clínica e terapêutica.
2002;77 (4):389-407