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Anais Brasileiros de Dermatologia

On-line version ISSN 1806-4841

An. Bras. Dermatol. vol.79 no.1 Rio de Janeiro Jan./Feb. 2004

http://dx.doi.org/10.1590/S0365-05962004000100015 

ICONOGRAFIA

 

Dermatologia comparativa*

 

 

Arles Martins BrotasI; Andrea Cunha VoltaI; Luna Azulay-AbulafiaII; Leninha Valério do NascimentoIII

IResidente e especializanda da disciplina de Dermatologia da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade do Estado do Rio de Janeiro
IIProfessora assistente da disciplina de Dermatologia da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade do Estado do Rio de Janeiro
IIIProfessora titular da disciplina de Dermatologia da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade do Estado do Rio de Janeiro

Endereço para correspondência

 

 


RESUMO

A dermatologia está ligada a diversas áreas do conhecimento e, de forma inusitada, neste caso, à parasitologia. As oportunidades através da "Dermatologia Comparativa" ampliam essas ligações com criatividade e facilitando a transmissão da mensagem.

Palavras-chave: Giardia lamblia; tuberculose cutânea; vacina BCG.


 

 

A vacina de BCG surgiu entre 1909 e 1916 pela atenuação in vitro do bacilo Micobacterium bovis por Calmette e Guérin e sua função é proteger o hospedeiro bloqueando a disseminação hematogênica do patógeno, limitando a infecção primária a proporções subclínicas. Seu efeito protetor tem duração de 15 anos.1

A vacinação por BCG pode originar lesões papulosas, pustulosas ou ulcerações autolimitadas, benignas, deixando cicatriz residual. Ocasionalmente, poderá haver formação de abscesso em indivíduos que já tiveram contato com o bacilo, ou por infusão de volume inadequado, ou, ainda, devido a injeção muito profunda. Além disso, pode provocar complicações não específicas, como eritema nodoso, erupções exantemáticas, granulomas, cistos epiteliais e formação de quelóides ou, ainda, lesões específicas de lúpus vulgar, escrofuloderma, linfadenite regional intensa (complicação mais comum), abscessos subcutâneos, erupções tipo tubercúlide, bem como ser responsável pelo fenômeno tipo Koch que corresponde a necrose e ulceração, freqüentemente acompanhadas de linfadenite regional. Essa reação ocorre em indivíduos previamente sensibilizados ao bacilo.2

No caso aqui relatado, observou-se uma criança do sexo masculino com seis anos de idade e que 15 dias após a vacinação evoluiu com ulceração e linfangite axilar persistindo por três meses sem modificação. Curiosamente, surgiram duas lesões ulceradas, com bordas papulosas, induradas, paralelas, com eritema circunjacente, que assumiam aspecto muito semelhante ao do protozoário denominado Giardia lamblia em sua forma de trofozoíto (Figura 1). A Giardia lamblia apresenta a forma cística (forma infectante e de alta resistência) e a forma de trofozoíto que tem formato de pêra, com simetria bilateral correspondendo à região eritêmato-infiltrada da lesão. Seus dois núcleos, em visão ventral, corresponderiam às úlceras em disposição paralela (Figura 2). O gênero Giardia foi, possivelmente, o primeiro protozoário intestinal humano a ser conhecido. A primeira descrição do trofozoíto tem sido atribuída a Anton van Leeuwenhoek (1681), e as denominações Giardia lamblia, Giardia duodenalis e Giardia intestinalis têm sido empregadas como sinonímia.4

 

 

 

 

A giardíase é doença cosmopolita. O quadro clínico pode manifestar-se poucas horas após a ingestão do protozoário e usualmente inclui diarréia ou constipação, dispepsia, dor abdominal, podendo causar manifestações sistêmicas como febre, dores articulares e prurido generalizado.5 É uma das principais causas de diarréia em crianças, originando problemas de má nutrição e retardo no desenvolvimento.4 O tratamento de primeira escolha deve ser feito com Secnidazol 2g, quatro comprimidos em dose única para adultos ou 30mg/kg/dia para crianças.5

 

REFERÊNCIAS

1. Gawkkodgr. D.J. Mycobacterial Infections. In: Rook, Wilkinson, Ebling. Textbook of Dermatology: Oxford: Blackwell ,1998:1181-1214        [ Links ]

2. Sampaio SAP, Rivitti EA. Tuberculose e Micobacterioses Atípicas. Dermatologia. 1ª ed. São Paulo: Artes Médicas, 1998:453-66.        [ Links ]

3. Tappeiner G, Wolff K. Tuberculosis and Other Mycobacterial Infections. In: Freedberg IM, Eisen AZ, Wolff K, et al. Fitzpatrick's Dermatology in General Medicine: New York: McGraw-Hill, 1999: 2274-2288.        [ Links ]

4. Sogayar MITL, Guimarães S. Giardia lamblia. In: Parasitologia. 107-13.        [ Links ]

5. Soli ASV. Parasitoses intestinais. In: Schechter M, Marangoni DV. Doenças Infecciosas. Conduta Diagnóstica e Terapêutica. 2ª ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 1998: 414-24.        [ Links ]

 

 

Endereço para correspondência
Arles Martins Brotas
Av. 28 de Setembro, 87
Rio de Janeiro RJ 20551-030
Tel.: (21) 9761-5777
E-mail: brotar@bol.com.br

Recebido em 04.09.2002
Aprovado pelo Conselho Editorial e aceito para publicação em 05.09.2002

 

 

* Trabalho realizado nos Serviços de Dermatologia do Hospital Universitário Pedro Ernesto - UERJ.

 

 

Prezado(a) colega,

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