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Anais Brasileiros de Dermatologia

Print version ISSN 0365-0596

An. Bras. Dermatol. vol.80 no.4 Rio de Janeiro July/Aug. 2005

http://dx.doi.org/10.1590/S0365-05962005000400010 

ARTIGO DE REVISÃO

 

Fator antinúcleo na dermatologia*

 

 

Artur Antônio Duarte

Professor Titular II - Dermatologia - Faculdade Medicina de Santo Amaro - UNISA - São Paulo (SP), Brasil

Endereço para correspondência

 

 


RESUMO

Trata-se de artigo de revisão e atualização sobre a pesquisa dos anticorpos antinucleares, em especial do fator antinúcleo, em que são abordados os aspectos históricos, epidemiológicos, fisiopatogenia, métodos de identificação, suas especificidades e interpretação, correlacionando-os com sua aplicabilidade na prática clínica do dermatologista e do clínico geral.

Palavras-chave: Anticorpos antinucleares; Autoimunidade; Doenças do colágeno; Imunofluorescência


 

 

INTRODUÇÃO

O significado da pesquisa de anticorpos antinucleares (AAN) atualmente é muito amplo e abrangente, devido a novos substratos e técnicas mais apurados usados na sua detecção. Atualmente sua positividade é interpretada como presença de anticorpos não só contra elementos do núcleo celular - conforme sua denominação expressa - mas também significa a presença de auto-anticorpos contra elementos do citoplasma e do nucléolo. Assim, é provável que em breve se tenha uma mudança na sua denominação para uma expressão mais abrangente como "pesquisa de fator antinúcleo, anticitoplasmático e antinucleolar".1-3 Sua interpretação deve ser feita sempre à luz da associação clínica, padrões de depósitos da fluorescência observada na célula-alvo e positividade máxima da sua diluição.

A pesquisa do fator antinúcleo (FAN) é elemento indispensável em caso de suspeita clínica de doenças auto-imunes, em especial do grupo das colagenoses - lúpus eritematoso (LE), artrite reumatóide (AR), esclerodermia (ES), dermatomiosite (DM), síndrome de Sjögren (SS), síndrome mista e de sobreposição. Um FAN positivo não significa necessariamente a presença de colagenose, podendo significar desde característica familiar com probabilidade ou não de o portador vir a desenvolver determinada colagenose frente a estímulos variados ao longo dos anos até a real presença de doença auto-imune ou mesmo seu prognóstico. É possível ainda sua ocorrência em parcela da população normal e na presença de algumas doenças crônicas, como cirrose biliar, por exemplo, e em infecções virais agudas. Toda essa variabilidade em sua interpretação deve-se à especificidade variável decorrente da multiplicidade de elementos intranucleares, nucleolares e intracitoplasmáticos, potencialmente capazes de se comportar como antígenos frente a condições diversas, e nem sempre essa antigenicidade se traduz em doença. Assim, o conceito histórico de FAN positivo como "sinônimo de colagenose" deve hoje ser avaliado com mais rigor e sempre à luz da correlação clínica, além dos antecedentes familiares.4

 

ASPECTOS HISTÓRICOS

As investigações sobre a presença de auto-anticorpos iniciaram-se com os achados em soro de pacientes lúpicos das células LE (1948), que foram por anos usadas como instrumento diagnóstico para lúpus eritematoso e artrite reumatóide,5-7 principalmente. Anos mais tarde (1957), desvendou-se o mecanismo fisiopatogênico da formação das células LE,3,8-11 que são núcleos de células apoptóticas fagocitadas por polimorfonucleares neutrófilos, apoptose induzida por auto-anticorpos formados contra desoxirribonucleoproteína. Portanto, a formação da célula LE é um evento tardio em relação à produção do FAN. A partir daí, novas técnicas permitiram a pesquisa de anticorpos antinucleares - FAN, ampliando a eficácia em diagnosticar algum efeito auto-imune plasmático contra elementos celulares, ao contrário da pesquisa da célula LE, por ser evento muito mais precoce e preciso.

A detecção do FAN, a princípio, foi possível principalmente graças às técnicas de imunofluorescência indireta. Assim a pesquisa de FAN passou a ser o método de eleição na triagem diagnóstica para as doenças auto-imunes. Com o advento de outras técnicas, entre elas a imunodifusão, Elisa, imunoprecipitação, imunoblot, foi possível refinar a técnica de detecção do AAN e desvendar, de maneira específica, contra qual elemento celular estaria se formando o auto-anticorpo,12-16 isto é, AAN dirigido contra a proteína do DNA (antiDNA), contra a ribonucleoproteína (anti-RNP) e assim sucessivamente. Hoje outras técnicas são introduzidas sempre com a finalidade de aprimorar ainda mais a pesquisa do AAN.

 

ASPECTOS EPIDEMIOLÓGICOS

Não há dados universais que expressam a positividade do FAN na população em geral,16 mas é conhecida sua positividade, em títulos de diluição que não ultrapassam 1/160, na população sadia e principalmente acima de 60 anos, sem nenhum significado patológico, ocorrendo independente da raça, em proporções não definidas, porém mais freqüente nas mulheres com idade superior a 14 anos. Pode estar presente também em familiares sadios de portadores de lúpus eritematoso, artrite reumatóide, além de outras colagenoses.2,7,16,17

No lúpus eritematoso, em que sua expressão é mais freqüente, está presente em até 20% das formas cutâneas crônicas; em até 50% dos pacientes portadores da forma cutânea subaguda; e em quase 100% dos portadores da doença sistêmica. Em aproximadamente 5% dos pacientes em que se diagnostica doença sistêmica pode não ocorrer a positividade do FAN. Isso provavelmente se deve tanto ao emprego de técnicas inadequadas para sua detecção quanto ao momento da colheita da amostra ou ainda à presença de outros auto-anticorpos, como o anti-Ro/SSA, ou de auto-anticorpos contra elementos plasmáticos, como os antifosfolípides, antiplaquetários, além de alguns ainda desconhecidos.15-18

Sua positividade nas demais colagenoses é extremamente variável. Na artrite reumatóide pode ser positivo em até 50% dos pacientes; na esclerodermia sem manifestação sistêmica em até 20% e nas formas sistêmicas em mais de 80%. Na dermatomiosite/poliomiosite sua positividade pode chegar a 40-80%. Na síndrome de Sjögren pode ser positivo em mais de 50% dos pacientes. Ainda pode ser positivo na doença reumática, na fibromialgia, nas doenças da tireóide, na hepatite auto-imune, em portadores de implantes siliconados16 e algumas vezes na presença de infecções virais ou bacterianas, quando são transitórios.16,17,19 Podem também associar-se a malignidades, e já foi descrita sua ocorrência na hanseníase virchowiana, havendo relatos esporádicos em doenças crônicas diversas, degenerativas ou não.2,20

 

FISIOPATOGENIA

Por que ocorre a presença de FAN em alguns indivíduos frente a determinados estímulos poderia ser explicado, em parte, pela característica dos antígenos de histocompatibilidade presentes (HLA-B8, -DR2 e -DQ3), além de aspectos genéticos familiares. Também ocorre a presença de FAN positivo frente a estímulos, como drogas e vírus, por exemplo, que também têm dependência da característica familiar e dos antígenos de histocompatibilidade, entre outros fatores ainda desconhecidos.10,16,21,22

Em princípio, o evento inicial deve ser a apoptose celular, sendo que um dos modelos experimentais observados se dá principalmente nos ceratinócitos, quando a doença se expressa na pele, ou em células circulantes e endoteliais, entre outras, frente a estímulos específicos.5,6,23

Além da predisposição genética, vários fatores podem desencadear a apoptose celular (por exemplo, infecções virais, bacterianas e drogas). A irradiação citotóxica por ultravioleta7,10,23 é uma dessas principais causas que, incidindo sobre a pele, induzem a apoptose dos ceratinócitos. A partir daí, a exposição dos elementos, tanto do núcleo como do citoplasma, a células imunocompetentes predispostas inicia a formação de anticorpos contra determinadas proteínas nucleares ou citoplasmáticas, que passam a receber denominações diversas, de acordo com a estrutura reativa antigênica: anticorpos anti-ribonucleoproteína (RNP), anticorpos contra o DNA, entre outros. Esses auto-anticorpos na circulação depositam-se em diferentes tecidos e órgãos, desencadeiam a fixação do sistema de complemento e conseqüentemente levam à inflamação e disfunção do órgão-alvo.2,16,17,22,24

A formação do complexo "fator antinúcleo" (FAN) pode ter significado específico, sendo marcador de determinadas doenças, ter significado prognóstico ou mesmo não ter um significado importante quanto à presença de doenças auto-imunes. Daí, sua interpretação ter que estar sempre relacionada ao local observado da fluorescência, padrão de depósito, diluição máxima observada e associação clínica.2,16,17,25-27

 

MÉTODOS DE IDENTIFICAÇÃO

Os métodos de identificação dos auto-anticorpos incluem a imunofluorescência indireta - o método mais rápido, fácil e barato - o Elisa, o radioimunoensaio, a imunodifusão, a contra-imunoeletroforese, a imunoprecipitação e o imunoblot. Todos esses métodos são passíveis de resultados falso-positivos, principalmente quando o paciente avaliado estiver em faixa etária acima dos 60 anos.28-32

Os substratos utilizados para detecção do AAN pela imunofluorescência indireta - FAN - podem ser provenientes de células de fígado de rato ou de células humanas de tumor da laringe (células HEp-2). As células HEp-2 são mais favoráveis devido a seu grande núcleo e à fácil exposição de seus componentes. As células de fígado de rato podem não expressar todos os componentes protéicos identificáveis para os humanos. A sensibilidade das células HEp-2 em expressar o FAN é muito próxima de 100%, porém com risco maior de falso-positivos, pois consegue expressar elementos intracelulares antigênicos sem significado patogênico. As células de fígado de rato expressam o FAN em proporção próxima de 90% e são altamente específicas, com possibilidade de falso-positivos menor do que a do substrato HEp-2, porém não conseguem expressar certas proteínas, como as denominadas Ro/SSA, sendo portanto passíveis de falso-negativos. Assim, é preferível a utilização do substrato HEp-2 devido a sua alta sensibilidade e praticamente ausência de possibilidade de FAN falso-negativo. Utilizando o substrato HEp-2, a probabilidade de se encontrar, por exemplo, lúpus eritematoso FAN-negativo é extremamente baixa.1,2,16,32-35

Um FAN positivo pelo substrato HEp-2 pode ser confirmado pela detecção pelo substrato de fígado de rato, o que valida seu valor, excluindo a possibilidade de falso-positivo, portanto com alto valor para diagnóstico de determinada colagenose.1,2

De qualquer maneira, o FAN positivo deve ser avaliado e correlacionado com a suspeita clínica, com seu padrão de depósito e diluição. Os diferentes padrões de depósitos possíveis correlacionam-se com os prováveis elementos celulares que estão se comportando como antígenos. Assim, na dependência do padrão do depósito do FAN já se pode inferir contra qual elemento intracelular está ocorrendo a reação auto-antígeno/auto-anticorpo e assim saber o significado real do FAN. A partir daí deve-se pesquisar a especificidade do AAN marcador da doença suspeita em questão.2,16,17,35

Quanto à diluição de sua positividade, são consideráveis os títulos acima de 1/160, quando se utilizam as diluições padrões iniciais de 1/40, 1/80, 1/160 e assim sucessivamente. Títulos inferiores a 1/160 devem ser avaliados com reserva e sempre à luz da especificidade do FAN, correlacionada com a suspeita clínica.

Os critérios morfológicos observados devem referir-se aos padrões de depósito: nuclear, nucleolar, citoplasmático, do aparelho mitótico e na placa metafásica, sendo que a leitura deve ser feita na última diluição em que o padrão é observado. O consenso brasileiro propõe que, mesmo sendo a reatividade positiva apenas no citoplasma, deve-se considerar FAN positivo; daí as novas interpretações do FAN, passando a significar não só anticorpos antinucleares como também anticitoplasmáticos e outros.1,2,16,35,36 Na medida em que não há consenso universal, pode-se encontrar em publicações estrangeiras a designação FAN negativo para situações em que ocorra a positividade de anticorpos anticitoplasmáticos, por exemplo anti-Ro/SSA, entre outros.36

O modo como o FAN se deposita denomina-se padrão do FAN. Assim, pode-se observá-lo formando uma linha ao redor do núcleo - FAN periférico; cobrindo todo o núcleo - FAN homogêneo (Figura 1); pontos variados não uniformes - FAN pontilhado (Figura 2); depositado no centrômero - FAN centromérico (Figura 3); além de outros padrões (Figuras 4 e 5) listados no quadro 1.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Assim, associando a localização do FAN, o padrão de depósito e o título máximo de diluição observado, pode-se supor qual a especificidade do FAN e então considerá-lo marcador ou não de determinada doença. Sua positividade, ainda que inespecífica, indica a pesquisa específica para a doença suspeita. Passa-se então a pesquisar a especificidade do FAN obtido (Quadro 1).24,25,28-30

Em resumo, um FAN positivo pode significar auto-anticorpos presentes no núcleo, nucléolo e também no citoplasma das células, e deve ser interpretado conforme a última diluição positiva observada, quanto à localização da fluorescência (núcleo, nucléolo, citoplasma ou aparelho mitótico) e à morfologia do depósito, se homogêneo, salpicado, difuso, etc.1,2,16,26,36-38s

O FAN deve ser apresentado da seguinte forma: a) positivo ou reagente, diluição máxima em múltiplos de 1/40, localização da reação e padrão de depósito observado - dessa forma pode-se fazer a correlação de sua especificidade,1,16,24 como mostra o quadro 1; b) FAN negativo ou não reagente.

 

ESPECIFICIDADE E CARACTERÍSTICAS DOS AUTO-ANTICORPOS

Anti-DNA: subdivide-se em DNAn (nativo ou de dupla hélice) e DNAs (simples ou de única hélice) e histonas. A importância diagnóstica está na presença da antigenicidade do DNAn, presente em percentual que varia de 70 a 80% dos pacientes portadores de LES, mas pode ocorrer também na presença de artrite reumatóide e síndrome de Sjögren, em proporções menores, além de outras doenças crônicas auto-imunes. Está muito freqüentemente associado a alto índice de doença lúpica renal. Altos títulos significam atividade da doença, podendo-se correlacionar a diminuição dos títulos com a melhora da atividade e vice-versa.16,25,31,39-42

O DNAs está presente em outras colagenoses, além de outras doenças crônicas e no lúpus desencadeado por drogas.

Antinucleossomais: são anticorpos dirigidos contra proteínas que compõem os nucleossomas - DNA-proteínas codificadas por histonas (H1, H2A, H2B, H3 e H4) - anti-DNA-histonas. Sua positividade isolada é marcadora de lúpus eritematoso desencadeado por drogas, e quando associada à positividade do DNAn é marcadora de doença lúpica sistêmica. É positivo no LES em 70% dos pacientes.16,43

Anti PCNA (anticorpo antinúcleo de célula em proliferação): é marcado por uma proteína de 36KD envolvida na replicação e na reparação do DNA. Está positivo em até 5% dos pacientes portadores de LES e ainda não foi descrito em outras colagenoses, porém já foi demonstrada sua presença nas hepatites virais. Em geral está representado por FAN nucleolar pontilhado.44,45

Anti KU: esse auto-anticorpo é dirigido contra uma subunidade proteína-cromatina que está envolvida na replicação e reparação do DNA. É representado por FAN positivo nuclear difuso ou nucleolar. Sua positividade significa atividade imunobiológica. Pode estar presente, em proporções variáveis até 40%, na esclerodermia, poliomiosite, LES e artrite reumatóide.16,45

Anti-RNA-Polimerase: representado por um FAN nucleolar em pontos isolados. São auto-anticorpos dirigidos contra frações enzimáticas de polipeptídeos que compõem o RNA e que se subdividem em três classes - RNA I, II e III. É descrita sua positividade no LES, artrite reumatóide, esclerodermia, síndrome mista e em síndrome de sobreposição. Não tem ainda importância diagnóstica, sendo a positividade variável, no LES, até 14%.4,16,46

Anti-Sm e Anti-RNP: são auto-anticorpos dirigidos contra proteínas do complexo RNP (U1, U2, U4, U5) - anti-RNP, e contra polipeptídeos Sm (D1, D2, D3, E, F e G) - anti-Sm, que estão envolvidos na síntese do RNA. São representados por FAN nuclear pontilhado grosso. O anti-RNP está presente no LES em proporções de 30 a 40% e pode estar associado a quadros de fenômeno ou doença de Raynaud, miosites, esofagopatias, artralgias e artrite, esclerodactilia e LE neonatal; apesar de ser um importante marcador de possível doença lúpica sistêmica, já foi descrito em praticamente todas as colagenoses. O anti-Sm é considerado auto-anticorpo específico e marcador de lúpus eritematoso sistêmico, porém só é positivo em percentuais que variam de 20 a 30% dos pacientes.2,16,22,31,32,47

Anti-Ro/SSA e anti La/SSB: ambos são anticorpos dirigidos contra proteínas que fazem parte da composição do RNA - são ribonucleoproteínas de pesos moleculares distintos, 52 a 60KD e 43 a 52KD, respectivamente.

O anticorpo anti-Ro/SSA, quando de sua descrição, tinha a detecção dificultada devido à baixa concentração nos substratos teciduais e por isso foi relacionado aos pacientes com FAN negativo, porém hoje, com técnicas mais apuradas, sua detecção é mais precisa. Embora mais comumente relacionado à síndrome de Sjögren, está presente em torno de 40% no LES e no lúpus eritematoso cutâneo subagudo (Lecsa), significando alta probabilidade de o Lecsa vir a apresentar sistematização da doença. É ainda marcador do lúpus eritematoso neonatal (LEN), associado à fotossensibilização, linfopenia e doença sistêmica com possível comprometimento pulmonar. É comum estar associado à presença do antiLa/SSB. Sua presença pode estar relacionada à deficiência das frações C2 e C4 do complemento.2,16,31,32,43,48,49

O anticorpo antiLa/SSB está presente no LES em percentuais que variam de 10 a 15%. Também se expressa no LE neonatal, porém é menos freqüente do que o anti-Ro/SSA. Sua presença concomitante com anti-Ro/SSA, em pacientes com LES, parece conferir uma proteção renal à agressão da doença lúpica. A presença isolada de anticorpo antiLa/SSB não é habitual, e, quando ocorre, parece não haver doença sistêmica, seja no adulto ou no recém-nascido.2,16,31,32,43,48,49

Ambos os auto-anticorpos já foram descritos em artrite reumatóide, cirrose biliar primária, mieloma múltiplo, esclerodermia e dermatopoliomiosite.

Anti P-ribossomais: os anticorpos anti-ribossomais são dirigidos contra os complexos de ribonucleoproteínas envolvidas com o RNAm e são denominados anticorpos anti P-ribossomal. São representados por FAN positivo tanto no núcleo quanto no citoplasma e nucléolo, e por isso são melhores visualizados em células em divisão, nas placas metafásicas. São altamente específicos para diagnosticar o LES, ocorrendo em proporção que varia de 10 a 20 % dos pacientes, porém são também encontrados na população normal em proporções não definidas. Sua presença parece estar relacionada a distúrbios psiquiátricos lúpicos, incluindo psicose. Sua ocorrência isolada é rara e em geral está associada ao anticorpo antiDNAn, anti-Sm e também aos anticorpos antifosfolípides.4,16,31,46

Anti centrômero: anticorpo voltado contra uma porção do cromossomo que passa por uma constricção no momento da mitose - centrômero. É demonstrado por uma fluorescência puntiforme descontínua. Ocorre em até 30% dos pacientes portadores de esclerodermia sistêmica na forma Crest (calcinose, Raynaud, esofagopatia, esclerodactilia e telangiectasias). Pode estar presente também na esclerodermia cutânea generalizada em proporção que varia de 30 a 40% dos pacientes, na tireoidite de Hashimoto, no fenômeno de Raynaud e na cirrose biliar primária.16,26,31,37,50,51

Anti-Scl-70: antitopoisomerase I. Anticorpo que reconhece a porção carbóxi-terminal da DNA-topoisomerase I. Pode ser representado por FAN nuclear e nucleolar de padrões mistos. Está presente em percentual que varia de 22 a 40 % dos pacientes com esclerodermia com tendência a generalizar ou com acometimento sistêmico, em especial comprometimento pulmonar com fibrose e cardíaco, além de pontos hemorrágicos de extremidades. Marca a doença de longa evolução. Pode ser encontrado no lúpus eritematoso sistêmico e mais raramente na dermatomiosite e artrite reumatóide.31,35,50-52

Anti Pm-Scl: anticorpos dirigidos contra proteínas ribossomais em degradação. São representados por FAN nucleolar homogêneo. Estão mais associados à presença de síndrome de sobreposição, em especial na associação esclerodermia e miosite. Ocorre também na esclerodermia e LES ou miosite e LES. Associam-se também à presença de artrite, lesão cutânea de dermatomiosite e calcinose. Está presente em 3% dos pacientes com esclerodermia sistêmica, em 5% de pacientes com poliomiosite, 5% na esclerodermia cutânea e em 25% de pacientes com síndrome de sobreposição ou overlap.31,50,52

Anti-RNA-sintetases: anticorpos específicos dirigidos contra produtos de reatividade citoplasmática, ou seja, aminoácidos específicos relacionados ao RNA-sintetase. São representados por FAN citoplasmático. Cinco diferentes auto-anticorpos são identificados: anti Jo-1, anti PL-7, anti PL-12, anti EJ e anti OJ, cada qual voltado para um aminoácido diferente, histidina, treonina, alanina, glicina e isoleucina, respectivamente. A representação clínica desses auto-anticorpos é similar. O anti Jo-1 é o mais comum e está presente em até 20% dos portadores de poliomiositee em menor escala em portadores de dermatomiosite. Parece que a poliomiosite é mais comum associada ao anti Jo-1, e a dermatomiosite aos outros auto-anticorpos anti-sintetases. Em geral a presença desses auto-anticorpos indica a síndrome anti-sintetase, que se caracteriza por artrite, Raynaud, esclerodactilia, doença pulmonar intersticial, calcinose, telangiectasias faciais, hiperceratose linear e síndrome seca.31,34,47,53,54

Anti Mi-2: auto-anticorpo contra um complexo nuclear que controla a proliferação celular - uma cromatina. O antiMi-2 é representado por FAN nuclear homogêneo e ocorre em 15% dos portadores de dermatomiosite. A presença do antiMi-2 indica em 95% das vezes o diagnóstico de dermatomiosite. É menos freqüente nos portadores de poliomiosite isolada.31,53,54

Outros auto-anticorpos são possíveis16,26 de ser representados pela positividade do FAN, porém com interpretação ainda não muito bem definida, necessitando de melhores estudos, como o anti Mas, anti NOR, anti Ki-67, anti Wa, antifibrilarina, antitopoisomerase II, anti-SR, para citar os que já estão sendo investigados há mais de dois anos.

 

ROTEIRO DE INTERPRETAÇÃO DO FATOR ANTINÚCLEO

Na suspeita de uma colagenose, o exame inicial de triagem é sempre o FAN. A partir de sua interpretação em associação com a clínica, pode-se concluir pelo melhor diagnóstico. Assim, quando se obtiver:

FAN negativo + clínica suspeita ® solicitar anti-Ro/SSA e/ou anti Jo-1 e/ou antifosfolípides. Possibilidade de LE FAN-negativo ou presença de auto-anticorpos plasmáticos (antifosfolípides), além de auto-anticorpos citoplasmáticos com fluorescência descontínua (anti Jo-1).

FAN positivo, baixo título + clínica inespecífica ® solicitar anti-Ro/SSA e/ou anti Jo-1 ou antifosfolípides. Pesquisar a especificidade que mais se correlacione com a hipótese clínica.

FAN positivo, baixo título + clínica altamente suspeita de/solicitar:

LE ® antiDNAn, anti-Sm, anti-Ro/SSA

LE induzido por droga ® antiDNA histona

Esclerodermia ® anti-Scl-70, anticentrômero, anti PM-Scl

Dermatomiosite ® antiJo-1, antiPM-Scl

S. Mista ® antiU1RNP, anti-RNA-sintetase

S. Sjögren ® anti-Ro/SSA, anti La/SSB

LE neonatal ® anti-Ro/SSA, antiLa/SSB, antiU1RNP

FAN positivo, alto título + clínica altamente suspeita: a avaliação da localização e do padrão de depósito pode ser suficiente para correlação com a especificifidade do FAN e conclusão do diagnóstico; ou solicitar os auto-anticorpos específicos para confirmação de acordo com item anterior.

 

CONCLUSÃO

O FAN é sem dúvida o mais importante exame para diagnóstico das colagenoses, porém deve estar sempre correlacionado com a clínica. Sua presença isolada não tem significado patológico, embora tenha, sim, um valor preditivo de maior possibilidade de o indivíduo vir a desenvolver uma colagenose ao longo dos anos. Sua negatividade também não pode ser conclusiva da ausência de colagenose. A pesquisa do FAN, assim como sua interpretação, é dinâmica, podendo ter positividade e característica variável ao longo do tempo. Técnicas laboratoriais mais refinadas vêm apurando sua pesquisa e tornando sua interpretação cada vez mais precisa, sendo um elemento laboratorial imprescindível como suporte para um melhor diagnóstico clínico das colagenoses.

 

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Endereço para correspondência
Artur Antônio Duarte
Rua Apinagés 1100 / 304
São Paulo - SP - 05017-000
E-mail: dr.artur@netpoint.com.br

Recebido em 19.05.2005.
Aprovado pelo Conselho Consultivo e aceito para publicação em 10.07.2005.

 

 

* Trabalho realizado na Disciplina de Dermatologia - Ambulatório de Colagenoses da Faculdade de Medicina de Santo Amaro - UNISA - São Paulo (SP), Brasil.