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Anais Brasileiros de Dermatologia

Print version ISSN 0365-0596

An. Bras. Dermatol. vol.80 no.4 Rio de Janeiro July/Aug. 2005

http://dx.doi.org/10.1590/S0365-05962005000400018 

OBITUÁRIO

 

Antar Padilha Gonçalves *06/03/1916 - 20/04/2005

 

 

Danilo Vicente Filgueiras

Membro Efetivo da SBD

 

 


 

 

 

Antar Padilha Gonçalves faleceu no dia 20 de abril de 2005 aos 89 anos de idade, deixando uma longa vida dedicada à medicina e, principalmente, à dermatologia e ao magistério superior. Sua vida pode ser desdobrada em etapas que demonstram as várias facetas que se somaram e integraram sua personalidade bem diferenciada e destacada entre seus pares.

Antar Padilha Gonçalves era natural da cidade do Rio de Janeiro, filho do industrial Manoel da Silva Gonçalves e da professora Celina Padilha Gonçalves, que lhe proporcionaram um ambiente cultural familiar responsável por sua formação colegial, e, assim preparado, ingressou na Faculdade Nacional de Medicina da Universidade do Brasil. Como aluno teve contato pessoal com mestres famosos, em meio aos quais estavam Olympio da Fonseca Filho, Eduardo Rabello e Armínio Fraga, entre outros. Desde o início de sua carreira de médico sentiu a necessidade da afirmação e da cristalização de seus conhecimentos tanto de dermatologia como de clínica médica. Antar Padilha Gonçalves aprofundou seu aprendizado de clínica médica no serviço do professor Annes Dias, no Hospital Estácio de Sá, e desde o quarto ano de medicina já freqüentava a 26a Enfermaria da Santa Casa de Misericórdia, convivendo com Armínio Fraga e João Ramos e Silva, que o atraíram de forma definitiva para o estudo das enfermidades da pele, e, no ano seguinte ao de sua formatura aos 21 anos, ingressou, em 1938, na Sociedade Brasileira de Dermatologia.

A vida de Antar Padilha Gonçalves pode ser dissecada passo a passo, e assim se entende sua progressiva carreira a partir da vida universitária até atingir o topo do magistério. Como professor galgou todos os degraus da carreira acadêmica até chegar, em 1972, a professor titular de dermatologia da Escola de Medicina e Cirurgia, hoje subordinada à UNIRIO, tendo ali permanecido até aposentar-se, em 1986. Naquela ocasião, o professor Antar Padilha Gonçalves defendeu como tese um dos seus temas preferidos, abordando uma doença importante na patologia dos trópicos - a paracoccidioidomicose.

Antar Padilha Gonçalves sempre teve a estrela de pesquisador com variada contribuição científica, valendo ressaltar seus estudos sobre eritema pigmentar fixo, investigação epidemiológica da esporotricose, miliaria solaris (1984), dermatite verrucosa elastótica (1987), paniculite do tecido conjuntivo, em colaboração com Wilkelmann, foliculose anserina traumática (1979) e a tese de concurso para docência livre da Clínica Dermatológica e Sifilográfica da Escola de Medicina e Cirurgia do Rio de Janeiro em 1964 - pinta experimental.

Antar Padilha Gonçalves participou com grande destaque nos mais importantes eventos da Sociedade Brasileira de Dermatologia, como os congressos anuais, e também foi um dos idealizadores das Reuniões Triangulares de Dermatologia, juntamente com Tancredo Furtado, Rubem David Azulay e Sebastião Sampaio. Incansável empreendedor e sempre na busca constante do saber, com a preocupação maior de difundir a dermatologia brasileira, Antar Padilha Gonçalves tornou-se uma figura destacada nos meetings internacionais. Foi membro da American Academy of Dermatology e membro imortal da Academia Nacional de Medicina.

Antar Padilha Gonçalves era o mais antigo membro da Sociedade de Dermatologia, seu desaparecimento foi uma grande perda para a especialidade, e seu exemplo naturalmente frutificará. Antar Padilha Gonçalves ou simplesmente Antar, como era carinhosamente chamado, foi um homem elegante, um gentleman, e de seu matrimônio com Maria Noêmia deixou três filhas: Ana Luísa, Angela e Maria, saudosas e orgulhosas de seu pai.