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Anais Brasileiros de Dermatologia

Print version ISSN 0365-0596On-line version ISSN 1806-4841

An. Bras. Dermatol. vol.80  suppl.2 Rio de Janeiro June/Aug. 2005

http://dx.doi.org/10.1590/S0365-05962005000900005 

INVESTIGAÇÃO CLÍNICA, EPIDEMIOLÓGICA, LABORATORIAL E TERAPÊUTICA

 

Departamento de psoríase

 

 

PP10 - Ação da pentoxifilina nos dendrócitos dérmicos FXIIIa de placas de psoríase

 

Carneiro SCSI,II,III; Medeiros RSI; Magalhães GMIII; Alves CI; Cuzzi TIII; Sotto MNI

IDepartamento de Dermatologia HC/FM-USP
IIServiço/Disciplina de Dermatologia-FCM/UERJ
IIICurso de Pós-graduação em Dermatologia HUCFF-FM/UFRJ. Rio de Janeiro, RJ

 

FUNDAMENTOS: Células T ativadas da pele, macrófagos e células apresentadoras de antígenos e antígenos HLA classe I e II resultam na proliferação ceratinocítica aumentada e na inflamação e angiogênese intensas vistas na psoríase. Não há consenso sobre o papel dos dendrócitos dérmicos nos eventos fisiopatológicos nos períodos de exacerbação e de acalmia da doença. A pentoxifilina (PTX) é uma metilxantina que inibe vários mecanismos inflamatórios, como a produção de citocinas, entre outros.
OBJETIVO: Estudar os efeitos da PTX sobre a proliferação das células dendríticas dérmicas, por meio de técnicas de imunoisoquímica, utilizando como modelo lesões cutâneas de psoríase em placas.
MATERIAL E MÉTODOS: Trinta biópsias de placas de psoríase antes e após 8 semanas de uso oral diário de 1.200 mg de PTX foram incubadas com anticorpo primário de coelho anti-Fator XIIIa (Calbiochem-Novabiochem, 233502), e anticorpo de ligação conjugado com fosfatase alcalina (Dako EnVision, K4017) e corados com cromógeno New Fuchsin (Biogenex, HK183-5K). Foram tomadas imagens digitais de campos seqüenciais de cada um dos níveis da derme com objetiva de 20X e ocular de 10X. A área obtida correspondeu a 0,54 mm2.
RESULTADOS: As células imunomarcadas fator XIIIa+ foram proeminentes com morfologia dendrítica arborescente na derme papilar formando linha celular logo abaixo da epiderme e exibindo arranjo nodular ao redor dos vasos. Após tratamento, as células apresentaram-se com morfologia dendrítica e fusiforme, distribuídas ao redor dos vasos da derme papilar e predominantemente fusiformes dispostas paralelamente à junção dermo-epidérmica retificada.
CONCLUSÕES: Após a PTX, as células fator XIIIa+ fusiformes eram as predominantes, e nos espécimes pré, a morfologia era nitidamente dendrítica. Tais aspectos se correlacionaram com a tendência à normalização do aspecto histológico geral. Verificou-se aumento estatisticamente significante na contagem das células dendríticas FXIIIa+ na derme. A PTX tem ação farmacológica nos vasos sanguíneos, aumentando o fluxo e diminuindo a adesividade das células no endotélio. Pode, portanto, aumentar a quantidade de mastócitos e de DD fator XIIIa+, que são células intimamente relacionadas. A PTX não parece ter ação sobre os mastócitos, no entanto, a imunomodulação poderia explicar o aumento do número deles e sua degranulação com subseqüente aumento dos DD fator XIIIa+. Haveria, assim, um recrutamento intenso de células dendríticas da pele, como ocorre com a exposição à radiação ultravioleta. Outra explicação seria a diminuição da migração dessas células da derme para os órgãos linfóides secundários. Como a PTX possui ação inibitória sobre o TNF alfa, isso poderia implicar a diminuição da expressão de receptores pelos DD, como CCR7, e manutenção do estimulo tecidual para sinalização e migração dos precursores, uma vez que os processos etiopatogenéticos não estariam sendo afetados pela droga.
APOIO: CNPq.

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