SciELO - Scientific Electronic Library Online

 
vol.80 suppl.2Departamento de hanseníaseDepartamento de doenças bolhosas author indexsubject indexarticles search
Home Pagealphabetic serial listing  

Anais Brasileiros de Dermatologia

On-line version ISSN 1806-4841

An. Bras. Dermatol. vol.80  suppl.2 Rio de Janeiro June/Aug. 2005

http://dx.doi.org/10.1590/S0365-05962005000900011 

INVESTIGAÇÃO CLÍNICA, EPIDEMIOLÓGICA, LABORATORIAL E TERAPÊUTICA

 

Departamento de doenças infecciosas e parasitárias

 

 

PP18 - Dermatite infecciosa associada ao HTLV-I (DIH) infanto-juvenil e do adulto - Revisão

 

Bittencourt ALI; Oliveira MFII

ILaboratório de Patologia
IIDepartamento de Medicina da UFBA
Estudo financiado pelo CNPq e FAPESB

 

INTRODUÇÃO: A dermatite infecciosa foi descrita em 1966, na Jamaica, como eczema crônico, infectado e recidivante da infância caracterizado por lesões eritêmato-escamosas, exsudativas e crostosas. Em 1990, no mesmo país, foi relacionada a infecção pelo vírus linfotrópico para células T humanas (HTLV-I) e passou a designar-se de dermatite infecciosa associada ao HTLV-I (DIH). Em 1998, La Grenade et al. estabeleceram os critérios diagnósticos da doença, que permitem diferenciá-la das dermatites atópica e seborréica. No Brasil, há relato na literatura de um caso observado no Rio de Janeiro e de 23 na Bahia, todos diagnosticados em crianças e adolescentes. Não há referência na literatura a DIH iniciada na vida adulta. A mielopatia associada ao HTLV-I/paraparesia espástica tropical (MAH/PET) caracteriza-se, principalmente, por paraparesia progressiva e espástica que afeta, principalmente, os tratos piramidais. Em crianças, há raras referências a associação de DIH e MAH/PET. Recentemente, na Bahia, foram descritos 6 casos dessa associação em crianças e adolescentes.
RELATO DOS CASOS: Dois casos do sexo feminino, com 49 e 45 anos, com DIH de aparecimento tardio há 0,6 anos e 11 anos, respectivamente. Sorologia positiva para o HTLV-I (ELISA com confirmação pelo Western blot). Um caso é associado a MAH/PET. Ambos apresentam lesões eritêmato-escamosas infectadas no couro cabeludo, fronte, pescoço, abdômen, dorso e em algumas dobras, com discreto prurido. Um caso tem lesão nas narinas. Houve boa resposta ao tratamento com sulfametoxazol/ trimetoprim, com recidiva quando da retirada das drogas. Foram realizadas biópsias e estudo imunoistoquímico usando os seguintes anticorpos: anti-CD3, CD45RO, CD20, CD79a, CD4, CD8 (técnica da estreptavidina-biotina-peroxidase) e TIA-1, gramzime-B e perforina (técnica da imunofosfatase).
COMENTÁRIOS:O infiltrado inflamatório era constituído predominantemente por linfócitos CD8+ que não apresentavam granulações TIA+, granzime B+ e perforina+, indicando tratar-se de linfócitos citotóxicos não ativados. Em um caso, havia epidermotropismo de linfócitos. Foi feito diagnóstico diferencial com micose fungóide e psoríase. O diagnóstico diferencial com dermatite atópica (DA) e seborreica (SD) foi feito devido a: 1) diferente distribuição das lesões; 2) presença de lesões exsudativas e infectadas; 3) discreto prurido; 4) boa resposta a sulfa; 5) achados imunoistoquímicos diferentes dos observados na DA e DS, nas quais há predomínio de linfócitos CD4+ e presença de granulações citotóxicas. Conclui-se que a DIH pode iniciar-se na vida adulta e associar-se a MAH/PET, como acontece com a DIH da infância e adolescência.
MOTIVO DA APRESENTAÇÃO: Constituem os primeiros casos documentados de DIH do adulto.